{"id":23619,"date":"2021-04-15T01:56:18","date_gmt":"2021-04-15T04:56:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/radar\/projeto-empodera-guardioes-da-amazonia-com-uso-de-tecnologia\/"},"modified":"2021-04-15T01:56:18","modified_gmt":"2021-04-15T04:56:18","slug":"projeto-empodera-guardioes-da-amazonia-com-uso-de-tecnologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/radar\/projeto-empodera-guardioes-da-amazonia-com-uso-de-tecnologia\/","title":{"rendered":"Projeto empodera guardi\u00f5es da Amaz\u00f4nia com uso de tecnologia"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/04\/14153854\/8387044619_5fa8add41c_k-co%CC%81pia-1200x450.jpg\" \/><\/p>\n<p>Mongabay<br \/>\n<a href=\"https:\/\/brasil.mongabay.com\/by\/debora-pinto\/\" rel=\"tag\" data-wpel-link=\"internal\">D\u00e9bora Pinto<\/a><br \/>\n15 abril, 2021<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"bulletpoints\">\n<ul>\n<li>Desde 2017, o projeto Amaz\u00f4nia 2.0 usa novas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o para fortalecer o monitoramento e a conserva\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios ind\u00edgenas e de comunidades tradicionais em seis pa\u00edses do bioma amaz\u00f4nico.<\/li>\n<li>Infra\u00e7\u00f5es e anormalidades s\u00e3o monitoradas in loco pela pr\u00f3pria comunidade, que depois envia os dados para alimentar uma plataforma virtual, o GeoVisor, com o m\u00e1ximo poss\u00edvel de agilidade.<\/li>\n<li>No Brasil, o projeto est\u00e1 presente desde 2019 em tr\u00eas unidades de conserva\u00e7\u00e3o do Acre, onde 16 monitores ind\u00edgenas disp\u00f5em de um aplicativo de celular para reportar amea\u00e7as \u00e0 floresta.<\/li>\n<li>No Peru, o Amaz\u00f4nia 2.0 j\u00e1 tem reconhecimento do Estado, sendo considerado um modelo de gest\u00e3o e governan\u00e7a de florestas e terras ind\u00edgenas.<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Os povos ind\u00edgenas e popula\u00e7\u00f5es tradicionais s\u00e3o os maiores guardi\u00f5es das florestas na Am\u00e9rica Latina e no Caribe. \u00c9 o que afirma categoricamente o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.fao.org\/americas\/publicaciones-audio-video\/indigenas-y-gobernanza-de-bosques\/es\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">relat\u00f3rio<\/a>\u00a0divulgado em mar\u00e7o pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO). Esses habitantes, n\u00e3o raro, s\u00e3o os primeiros a avistar madeireiros, garimpeiros, grileiros, narcotraficantes e outros entes danosos em seus avan\u00e7os sobre a floresta. Com seu conhecimento podem, ainda, perceber as altera\u00e7\u00f5es ambientais que indicam desequil\u00edbrios, como os causados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Para potencializar e valorizar a a\u00e7\u00e3o dessas popula\u00e7\u00f5es, o mesmo relat\u00f3rio sugere transform\u00e1-la em tecnologia social.<\/p>\n<p>Desde 2017, o projeto\u00a0<a href=\"https:\/\/amazoniadospuntocero.com\/index.php\/pt\/projeto\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Amaz\u00f4nia 2.0<\/a>, iniciativa implementada pela IUCN (Uni\u00e3o internacional pela Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza) com recursos da Uni\u00e3o Europeia, segue essa trilha. Contando com o uso das novas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o, o projeto atua no fortalecimento dos modelos de governan\u00e7a florestal em territ\u00f3rios ind\u00edgenas e comunit\u00e1rios em seis pa\u00edses do bioma amaz\u00f4nico: Equador, Peru, Col\u00f4mbia, Guiana, Suriname e, desde 2019, o Brasil. Lan\u00e7ar olhar sobre o projeto, que tem seu encerramento previsto para o segundo semestre de 2021, traz vislumbres acerca de como esses guardi\u00f5es podem estabelecer uma vis\u00e3o mais consciente de seu papel \u2013 com o incremento das trocas entre diferentes realidades amaz\u00f4nicas.<\/p>\n<p>\u201cO projeto respeita a autonomia das popula\u00e7\u00f5es tradicionais e ind\u00edgenas e sua autodetermina\u00e7\u00e3o; assim, facilita e oferece assist\u00eancia em coordena\u00e7\u00e3o conjunta com suas organiza\u00e7\u00f5es representativas com o intuito de salvaguardar os territ\u00f3rios, fortalecer a governan\u00e7a e melhorar o seus meios de vida\u201d, explica o peruano Braulio Buend\u00eda, coordenador regional do Amaz\u00f4nia 2.0. \u201cN\u00f3s n\u00e3o temos atribui\u00e7\u00e3o para impor nada, mas nos somamos \u00e0s lutas pelos direitos nas regi\u00f5es amaz\u00f4nicas onde o projeto interv\u00e9m\u201d. De fato, a cada territ\u00f3rio cabe uma luta diferente, e elas podem variar do corte ilegal de madeira, no Peru, \u00e0 amea\u00e7a de l\u00edderes comunit\u00e1rios por parte de narcotraficantes na Col\u00f4mbia, passando pelo desrespeito ambiental da ind\u00fastria petroleira no Equador.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, em cada territ\u00f3rio contemplado pelo projeto s\u00e3o realizadas mobiliza\u00e7\u00f5es e escolhidos monitores entre lideran\u00e7as j\u00e1 reconhecidas. Estes participam de capacita\u00e7\u00f5es tanto para a monitoria em campo quanto sobre a import\u00e2ncia do fortalecimento da mobiliza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. Essa \u00e9 a base para o uso de novas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o, que embora variem em cada regi\u00e3o, t\u00eam o objetivo comum de indicar anormalidades e infra\u00e7\u00f5es com o m\u00e1ximo poss\u00edvel de agilidade, alimentando uma plataforma virtual, o\u00a0<a href=\"https:\/\/amazoniadospuntocero.com\/index.php\/pt\/geovisor-po\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">GeoVisor<\/a>.<\/p>\n<p>Dados e informa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o processados pelos coordenadores do projeto, que, a depender do caso, facilitam o di\u00e1logo com o poder p\u00fablico na busca por solu\u00e7\u00f5es. \u201cTudo a partir de uma l\u00f3gica de baixo para cima\u201d, salienta Buend\u00eda. S\u00e3o realizados tamb\u00e9m encontros (agora apenas virtuais) entre coordenadores e monitores das diferentes Amaz\u00f4nias, para que compartilhem suas lutas e conquistas, al\u00e9m do suporte para o desenvolvimento econ\u00f4mico dessas comunidades a partir, por exemplo, dos alimentos resultantes do extrativismo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_188033\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-188033 size-full\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/04\/14153412\/slide_ecuador_01-702dd9e0.jpeg\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" srcset=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/04\/14153412\/slide_ecuador_01-702dd9e0.jpeg 900w, https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/04\/14153412\/slide_ecuador_01-702dd9e0-768x512.jpeg 768w, https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/04\/14153412\/slide_ecuador_01-702dd9e0-610x407.jpeg 610w\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"600\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Monitores ind\u00edgenas em a\u00e7\u00e3o de campo no Equador. Foto: Amaz\u00f4nia 2.0\/IUCN.<\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>No Acre, monitoramento \u00e9 fortalecido na fronteira<\/strong><\/h3>\n<p>Na Amaz\u00f4nia brasileira foram contemplados tr\u00eas territ\u00f3rios no estado do Acre: as terras ind\u00edgenas Mamoadate e Alto Rio Purus e o Parque Estadual Chandless. \u201cEssas \u00e1reas s\u00e3o pr\u00f3ximas da fronteira com a Bol\u00edvia e Peru, o que respeita o aspecto de integra\u00e7\u00e3o regional do projeto\u201d, explica Carolle Alarcon, coordenadora do Amaz\u00f4nia 2.0 no Brasil. Embora as articula\u00e7\u00f5es para a realiza\u00e7\u00e3o tenham se iniciado em 2019, era 2020 o ano previsto para a sua execu\u00e7\u00e3o em campo junto aos ind\u00edgenas e ribeirinhos, processo interrompido pela pandemia de covid-19. \u201cFoi bastante frustrante porque nos preparamos para estar com eles nos territ\u00f3rios. Ent\u00e3o demos continuidade mesmo \u00e0 dist\u00e2ncia, mantendo contato com os monitores e com a comunidade, consolidando informa\u00e7\u00f5es e seguindo em parceria com o poder p\u00fablico local\u201d, completa Alarcon.<\/p>\n<p>Naides Peres foi um dos agentes locais escolhidos pelo Amaz\u00f4nia 2.0, tendo chegado a participar de reuni\u00f5es de treinamento. Al\u00e9m da vontade de integrar efetivamente uma iniciativa que abarca diferentes territ\u00f3rios amaz\u00f4nicos, Peres aponta outro aspecto da import\u00e2ncia local do projeto: a gera\u00e7\u00e3o de renda. \u201cEu agora fa\u00e7o parte do Monitora, ent\u00e3o saio de casa todos os dias bem de manh\u00e3 e volto no comecinho da tarde fazendo esse trabalho de monitorar e aprender sobre a natureza, atento para perceber se acontece algum tipo de mudan\u00e7a\u201d, conta.<\/p>\n<p>O\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/icmbio\/pt-br\/assuntos\/monitoramento\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Monitora<\/a>\u00a0ao qual Peres se refere \u00e9 o programa de monitoramento de territ\u00f3rios que segue protocolos do ICMBio (Instituto Chico Mendes para a Biodiversidade), e que, no Acre, \u00e9 operacionalizado pela Sema (Secretaria de Estado do Meio Ambiente), no Parque Estadual Chandless. Diante das dificuldades enfrentadas pelo Amaz\u00f4nia 2.0, Peres foi integrado ao programa passando a atuar como um guardi\u00e3o florestal remunerado. \u201c\u00c9 muito importante porque aqui op\u00e7\u00e3o para o sustento familiar quase n\u00e3o tem\u201d, completa Peres.<\/p>\n<p>\u201cO Amaz\u00f4nia 2.0 visa inserir o monitoramento de amea\u00e7as e press\u00f5es ao parque, o que n\u00e3o s\u00f3 complementa o monitoramento da biodiversidade como subsidiar\u00e1 tomadas de decis\u00e3o de gest\u00e3o, pois quaisquer amea\u00e7as e press\u00f5es refletem diretamente na manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade\u201d, explica Ricardo Pl\u00e1cido, gestor da Sema-Acre respons\u00e1vel pelo PE Chandless. Segundo o gestor, a remunera\u00e7\u00e3o desses agentes \u00e9 fundamental , na medida em que deixam de realizar suas atividades tradicionais para cumprir o expediente de monitoramento.<\/p>\n<p>Mesmo que o projeto n\u00e3o esteja sendo realizado como esperado, os conhecimentos recebidos pelos monitores permitem, ao menos em parte, a sua influ\u00eancia imediata. E \u00e9 prevista a doa\u00e7\u00e3o de telefones celulares para a comunidade, que tem acesso \u00e0 internet, com o intuito de que exista a apropria\u00e7\u00e3o e a experi\u00eancia de uso do GeoVisor. \u201cQueremos que o conhecimento se replique, que eles cada vez mais percebam o poder que t\u00eam para fazer valer os seus direitos\u201d, completa Carolle Alarcon.<\/p>\n<figure id=\"attachment_188035\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-188035 size-full\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/04\/14153644\/Parque_Estadual_Chandless_01.jpeg\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" srcset=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/04\/14153644\/Parque_Estadual_Chandless_01.jpeg 1280w, https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/04\/14153644\/Parque_Estadual_Chandless_01-768x510.jpeg 768w, https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/04\/14153644\/Parque_Estadual_Chandless_01-610x405.jpeg 610w\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"850\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Parque Estadual Chandless, Acre. Foto: Ag\u00eancia de Not\u00edcias do Acre.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Nas terras ind\u00edgenas Mamoadate e Alto Purus, mais uma vez o Amaz\u00f4nia 2.0 se integra a um programa j\u00e1 existente, a forma\u00e7\u00e3o de\u00a0<a href=\"https:\/\/cpiacre.org.br\/formacao-de-agentes-agroflorestais-indigenas\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Agentes Agroflorestais Ind\u00edgenas<\/a>, implementada pela Comiss\u00e3o Pr\u00f3-\u00cdndio do Acre. Presente em onze terras ind\u00edgenas entre Bol\u00edvia e Peru, conta com jovens de diversas etnias que, al\u00e9m de produzirem uma variedade de mudas ex\u00f3ticas e nativas, trabalham na implanta\u00e7\u00e3o e manejo de sistemas agroflorestais em suas comunidades realizando, em paralelo, diagn\u00f3sticos ambientais, identificando problemas de manejo e propondo solu\u00e7\u00f5es. Esses agentes tamb\u00e9m s\u00e3o remunerados e dentre eles foram escolhidos e os monitores para o Amaz\u00f4nia 2.0.<\/p>\n<p>Vale lembrar que uma diferen\u00e7a entre o Brasil e os outros pa\u00edses presentes no projeto \u00e9 o fato de os ind\u00edgenas brasileiros n\u00e3o contarem com uma organiza\u00e7\u00e3o representativa \u00fanica e politicamente estruturada \u2013 ent\u00e3o, o Estado \u00e9 respons\u00e1vel pela gest\u00e3o dos territ\u00f3rios. Por isso, a parceria com inst\u00e2ncias do poder p\u00fablico ganha ainda mais import\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Enquanto a chegada de internet nas TIs Mamoadate e Alto Rio Purus \u00e9 aguardada e esperada para breve, as informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o comunicadas pelos monitores diretamente \u00e0 coordena\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da estrutura de defesa que j\u00e1 existem na \u00e1rea. Assim como no parque Chandless, as capacita\u00e7\u00f5es oferecidas permitem a amplia\u00e7\u00e3o do manejo e diagn\u00f3stico a partir de um aumento de percep\u00e7\u00e3o para as press\u00f5es e amea\u00e7as, al\u00e9m do incentivo \u00e0 estrutura\u00e7\u00e3o da mobiliza\u00e7\u00e3o pr\u00f3 direitos. Os monitores do parque Chandless receber\u00e3o um complemento de renda do projeto por quatro meses, uma forma de favorecer e incentivar esses guardi\u00f5es.<\/p>\n<p>Ao todo, o Brasil conta com 16 monitores com treinamento b\u00e1sico, al\u00e9m de um aplicativo de celular criado especialmente para permitir o reporte instant\u00e2neo de amea\u00e7as. Ainda que as tr\u00eas \u00e1reas tenham um n\u00edvel quase nulo de desmatamento \u2013 aproximadamente 0,3% \u2013, a ideia \u00e9 que o projeto prepare agentes e comunidades tamb\u00e9m para poss\u00edveis amea\u00e7as futuras, sobretudo as que podem ser trazidas pela constru\u00e7\u00e3o de estradas previstas na regi\u00e3o, que conta tamb\u00e9m com a presen\u00e7a de ind\u00edgenas isolados.<\/p>\n<figure id=\"attachment_188031\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-188031\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/04\/14153404\/XXVI-Curso-de-AAFIs_Leilane-Marinho-84-1-scaled-1.jpeg\" sizes=\"(max-width: 2339px) 100vw, 2339px\" srcset=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/04\/14153404\/XXVI-Curso-de-AAFIs_Leilane-Marinho-84-1-scaled-1.jpeg 2339w, https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/04\/14153404\/XXVI-Curso-de-AAFIs_Leilane-Marinho-84-1-scaled-1-768x431.jpeg 768w, https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/04\/14153404\/XXVI-Curso-de-AAFIs_Leilane-Marinho-84-1-scaled-1-1536x862.jpeg 1536w, https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/04\/14153404\/XXVI-Curso-de-AAFIs_Leilane-Marinho-84-1-scaled-1-2048x1150.jpeg 2048w, https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/04\/14153404\/XXVI-Curso-de-AAFIs_Leilane-Marinho-84-1-scaled-1-610x342.jpeg 610w\" alt=\"\" width=\"2339\" height=\"1313\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Agentes Agroflorestais Ind\u00edgenas do Acre em aula pr\u00e1tica de horta org\u00e2nica. Foto: Leilane Marinho\/CPI-Acre.<\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>Do outro lado da fronteira, vit\u00f3ria contra madeireiros<\/strong><\/h3>\n<p>No Peru, o projeto atua na Reserva Comunal El Sira, na prov\u00edncia de Atalaya, em 12 comunidades ind\u00edgenas Ashaninka da regi\u00e3o de Ucayali, \u00e1rea fronteiri\u00e7a com o Brasil. \u201cAlgo que acredito ser importante, inclusive como crit\u00e9rio de escolha, \u00e9 o engajamento das comunidades\u2019, explica Rebeca Dumet, coordenadora peruana do Amaz\u00f4nia 2.0. Diferente do que ocorre no Brasil, onde estima-se que pelo menos 70% da madeira extra\u00edda da Amaz\u00f4nia seja de origem ilegal, no Peru a legisla\u00e7\u00e3o permite que as popula\u00e7\u00f5es tradicionais realizem o corte madeireiro para seu pr\u00f3prio benef\u00edcio econ\u00f4mico dentro de limites pr\u00e9-estabelecidos e de \u00e1reas pr\u00e9-determinadas. Essa \u00e9 a fonte de renda de 80% das comunidades contempladas pelo projeto em El Sira.<\/p>\n<p>Os monitores do Amaz\u00f4nia 2.0, juntamente com a comunidade, se conscientizaram de um esquema abusivo no qual madeireiros agiam de forma predat\u00f3ria, em alguns casos fazendo-se passar por parceiros comerciais dos comunit\u00e1rios. Quando o poder p\u00fablico local percebia o desmatamento acima do permitido por lei, os habitantes da floresta eram penalizados com multas alt\u00edssimas, gerando um ciclo de enfraquecimento da estrutura\u00e7\u00e3o social, fator que favorece a propaga\u00e7\u00e3o da ilegalidade.<\/p>\n<p>\u201cUma das principais vias de a\u00e7\u00e3o do Amaz\u00f4nia 2.0 \u00e9 acompanhar quest\u00f5es apontadas pela comunidade junto ao poder p\u00fablico. As amea\u00e7as notificadas se transformam em informa\u00e7\u00f5es capazes de, se necess\u00e1rio, mobilizar as institui\u00e7\u00f5es competentes. \u00c9 uma ferramenta para que as popula\u00e7\u00f5es tradicionais tenham voz na defesa de seus territ\u00f3rios e de seu modo de vida\u201d, explica Dumet.<\/p>\n<p>No caso de El Sira, o processo levou \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o quase completa das atividades madeireiras predat\u00f3rias na reserva, a partir da a\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico, al\u00e9m da revis\u00e3o de multas aplicadas sobre os habitantes locais.\u00a0 A vit\u00f3ria resultou do trabalho de repasse mensal das informa\u00e7\u00f5es sobre as amea\u00e7as em relat\u00f3rios em papel, que foram processados e inseridos pela coordenadoria na plataforma GeoVisor. No Peru, o Amaz\u00f4nia 2.0 j\u00e1 tem reconhecimento do Estado, sendo considerado um modelo de gest\u00e3o e governan\u00e7a de florestas e terras ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Foram ainda mapeados grupos que j\u00e1 realizam o seu trabalho na regi\u00e3o fronteiri\u00e7a entre Brasil e Peru, o que resultou em um relat\u00f3rio que conta com a an\u00e1lise de iniciativas colaborativas, como o Grupo de Trabalho de Prote\u00e7\u00e3o Transfonteiri\u00e7a Brasil-Peru, o Comit\u00ea de Fronteira\u00a0 Local I\u00f1apari-Assis Brasil e a coopera\u00e7\u00e3o entre a Comiss\u00e3o Pr\u00f3-\u00cdndio (CPI-Acre) e a Federa\u00e7\u00e3o Nativa do Rio Madre de Dios e Afluentes (Fenamad), que atuam na prote\u00e7\u00e3o de ind\u00edgenas isolados na fronteira.<\/p>\n<p>Nas conquistas do Amaz\u00f4nia 2.0, figuram 31 observat\u00f3rios ind\u00edgenas ou sistemas de monitoramento comunit\u00e1rio, com 57 observadores capacitados e empoderados \u2013 que j\u00e1 realizaram mais de 1.800 reportes de monitoramento n\u00e3o apenas sobre a cobertura florestal como tamb\u00e9m de governan\u00e7a florestal e monitoramento ambiental. O impacto mais profundo, por\u00e9m, est\u00e1 na conscientiza\u00e7\u00e3o dessas popula\u00e7\u00f5es e na reuni\u00e3o de diferentes necessidades, l\u00ednguas e desafios territoriais. Um caminho para que os guardi\u00f5es das florestas na Am\u00e9rica Latina fa\u00e7am valer os seus direitos e sejam reconhecidos pelo servi\u00e7o que prestam ao planeta ao se manterem na floresta e, com ela, praticarem o seu modo de vida.<\/p>\n<figure id=\"attachment_188032\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-188032 size-full\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/04\/14153409\/slide_ecuador_07-2554b8f0.jpeg\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" srcset=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/04\/14153409\/slide_ecuador_07-2554b8f0.jpeg 900w, https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/04\/14153409\/slide_ecuador_07-2554b8f0-768x512.jpeg 768w, https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/04\/14153409\/slide_ecuador_07-2554b8f0-610x407.jpeg 610w\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"600\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Monitores ind\u00edgenas em a\u00e7\u00e3o de campo no Equador. Foto: Amaz\u00f4nia 2.0\/IUCN.<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Imagem do banner: Ind\u00edgenas Ashaninka na regi\u00e3o do Rio Madre de Dios, no Peru, uma das comunidades participantes do projeto Amaz\u00f4nia 2.0.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Corre\u00e7\u00e3o: Na vers\u00e3o anterior desta reportagem, publicamos que o coordenador Braulio Buend\u00eda era equatoriano; ele \u00e9 na verdade peruano. O nome correto de uma das terras ind\u00edgenas citadas \u00e9 Alto Rio Purus, e n\u00e3o Alto Purus, como hav\u00edamos escrito. E apenas os monitores do parque Chandless receber\u00e3o um complemento de renda do projeto, e n\u00e3o os monitores das tr\u00eas \u00e1reas, como havia sido previamente publicado.\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Acesse aqui <a href=\"https:\/\/brasil.mongabay.com\/2021\/04\/projeto-empodera-guardioes-da-amazonia-com-uso-de-tecnologia\/?fbclid=IwAR1wReZRU36xFiAGEZUhpzI1Rie6UZmZOeiJRqwC1TZYnKT7tWmnfqFDN90\">https:\/\/brasil.mongabay.com\/2021\/04\/projeto-empodera-guardioes-da-amazonia-com-uso-de-tecnologia\/?fbclid=IwAR1wReZRU36xFiAGEZUhpzI1Rie6UZmZOeiJRqwC1TZYnKT7tWmnfqFDN90<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 2017, o projeto Amaz\u00f4nia 2.0 usa novas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o para fortalecer o monitoramento e a conserva\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios ind\u00edgenas e de comunidades tradicionais em seis pa\u00edses do bioma amaz\u00f4nico.<\/p>\n<p>Infra\u00e7\u00f5es e anormalidades s\u00e3o monitoradas in loco pela pr\u00f3pria comunidade, que depois envia os dados para alimentar uma plataforma virtual, o GeoVisor, com o m\u00e1ximo poss\u00edvel de agilidade.<\/p>\n<p>No Brasil, o projeto est\u00e1 presente desde 2019 em tr\u00eas unidades de conserva\u00e7\u00e3o do Acre, onde 16 monitores ind\u00edgenas disp\u00f5em de um aplicativo de celular para reportar amea\u00e7as \u00e0 floresta.<\/p>\n","protected":false},"author":327,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-23619","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-radar","category-3","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23619","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/327"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23619"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23619\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23619"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23619"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23619"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}