{"id":27329,"date":"2021-10-25T22:06:19","date_gmt":"2021-10-26T01:06:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/radar\/com-desmatamento-parte-da-amazonia-inverte-papel-e-vira-emissora-de-co2\/"},"modified":"2021-10-25T22:07:44","modified_gmt":"2021-10-26T01:07:44","slug":"com-desmatamento-parte-da-amazonia-inverte-papel-e-vira-emissora-de-co2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/radar\/com-desmatamento-parte-da-amazonia-inverte-papel-e-vira-emissora-de-co2\/","title":{"rendered":"Com desmatamento, parte da Amaz\u00f4nia inverte papel e vira emissora de CO2"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>UOL<\/strong><br \/>\n<strong>Jamil Chade (Colunista) <\/strong><br \/>\n<strong>25 de outubro de 2021<\/strong><br \/>\n<strong>Amaz\u00f4nia legal<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c1reas da Amaz\u00f4nia deixam de ser locais de absor\u00e7\u00e3o de gases de efeito estufa e passam a ser respons\u00e1veis por emiss\u00f5es, transformando o papel da floresta no ecossistema global e ampliando a press\u00e3o sobre o governo brasileiro, \u00e0s v\u00e9speras da Confer\u00eancia do Clima, em Glasgow.<\/p>\n<p>Os dados est\u00e3o sendo publicados nesta segunda-feira pela Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial (OMM), que aponta que a concentra\u00e7\u00e3o global de gases de efeito estufa que ret\u00eam o calor na atmosfera mais uma vez atingiu um novo recorde no ano passado, com a taxa anual de aumento acima da m\u00e9dia de 2011-2020. Essa tend\u00eancia continuou em 2021.<\/p>\n<p>A concentra\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de carbono (CO2) atingiu 413,2 partes por milh\u00e3o em 2020 e \u00e9 de 149% do n\u00edvel pr\u00e9-industrial. O metano (CH4) \u00e9 262% e o \u00f3xido nitroso (N2O) \u00e9 123% dos n\u00edveis em 1750, quando as atividades humanas come\u00e7aram a perturbar o equil\u00edbrio natural da Terra.<\/p>\n<p>Cerca da metade do CO2 emitido pelas atividades humanas de hoje permanece na atmosfera. A outra metade \u00e9 absorvida pelos oceanos e ecossistemas terrestres. Mas, segundo a ag\u00eancia, essa capacidade de absor\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo afetada, com fortes implica\u00e7\u00f5es para atingir as metas do Acordo de Paris de 2015 e exigir\u00e3o ajustes no cronograma e no tamanho dos compromissos de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em andamento e os impactos relacionados, como as secas mais frequentes e o aumento da ocorr\u00eancia e intensifica\u00e7\u00e3o de queimadas, podem reduzir a absor\u00e7\u00e3o de CO2 pelos ecossistemas terrestres&#8221;, diz.<\/p>\n<h2>Amaz\u00f4nia<\/h2>\n<p>Tais mudan\u00e7as j\u00e1 est\u00e3o acontecendo, e a ag\u00eancia d\u00e1 um exemplo de transi\u00e7\u00e3o da parte da Amaz\u00f4nia de um local de absor\u00e7\u00e3o de carbono para se tornar uma fonte de carbono.<\/p>\n<p>O di\u00f3xido de carbono \u00e9 o g\u00e1s de efeito estufa mais importante na atmosfera, sendo respons\u00e1vel por aproximadamente 66% do efeito de aquecimento no clima, principalmente devido \u00e0 combust\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de cimento.<\/p>\n<p>De acordo com a OMM, &#8220;regi\u00f5es tropicais como a Amaz\u00f4nia desempenham um papel importante no equil\u00edbrio global de carbono&#8221;. &#8220;A Amaz\u00f4nia abriga a maior floresta tropical da Terra, mas como em outras regi\u00f5es tropicais, possui apenas algumas das observa\u00e7\u00f5es in situ necess\u00e1rias para determinar os fluxos de carbono em larga escala&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o sudeste da floresta tem as maiores emiss\u00f5es de CO2 para a atmosfera, seguida pela regi\u00e3o nordeste. Em contraste, os locais ocidentais indicam um balan\u00e7o de carbono quase neutro ou de absor\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com a ag\u00eancia, a coleta de dados &#8220;indica que as \u00e1reas mais afetadas pelo uso da terra e pela mudan\u00e7a de cobertura mostram emiss\u00f5es mais elevadas de carbono para a atmosfera&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;As regi\u00f5es do leste da Amaz\u00f4nia t\u00eam fortes aumentos de temperatura na esta\u00e7\u00e3o seca, diminui\u00e7\u00e3o da precipita\u00e7\u00e3o e grande desmatamento hist\u00f3rico durante os \u00faltimos 40 anos, enquanto as regi\u00f5es ocidentais experimentam n\u00edveis relativamente baixos de perturba\u00e7\u00e3o humana e tend\u00eancia clim\u00e1tica na esta\u00e7\u00e3o seca&#8221;, destaca.<\/p>\n<h2>Pandemia<\/h2>\n<p>De acordo com a ag\u00eancia, a desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica durante a pandemia da covid-19 n\u00e3o teve nenhum impacto discern\u00edvel sobre os n\u00edveis atmosf\u00e9ricos de gases de efeito estufa e suas taxas de crescimento, embora tenha havido um decl\u00ednio tempor\u00e1rio nas novas emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>As concentra\u00e7\u00f5es m\u00e9dias globais de CO2 alcan\u00e7aram uma nova alta de 413,2 ppm em 2020. O aumento de CO2 de 2019 a 2020 foi ligeiramente menor que 2018 a 2019, mas maior que a taxa m\u00e9dia de crescimento anual na \u00faltima d\u00e9cada. Isto apesar da queda de aproximadamente 5,6% nas emiss\u00f5es de CO2 de combust\u00edveis f\u00f3sseis em 2020, devido \u00e0s restri\u00e7\u00f5es da COVID-19.<\/p>\n<p>&#8220;Enquanto as emiss\u00f5es continuarem, a temperatura global continuar\u00e1 a subir&#8221;, alerta. &#8220;Dada a longa vida \u00fatil do CO2, o n\u00edvel de temperatura j\u00e1 observado persistir\u00e1 por v\u00e1rias d\u00e9cadas, mesmo que as emiss\u00f5es sejam rapidamente reduzidas a neutralidade&#8221;, constata. &#8220;Al\u00e9m do aumento das temperaturas, isto significa mais extremos clim\u00e1ticos, incluindo calor intenso e chuvas, derretimento de gelo, eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar e acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos, acompanhados de impactos socioecon\u00f4micos de longo alcance&#8221;, aponta.<\/p>\n<p>Segundo a ag\u00eancia, cerca da metade do CO2 emitido pelas atividades humanas de hoje permanece na atmosfera. A outra metade \u00e9 absorvida pelos oceanos e ecossistemas terrestres.<\/p>\n<h2>Absor\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>A ag\u00eancia ainda sinalizou a preocupa\u00e7\u00e3o de que a capacidade dos ecossistemas terrestres e oceanos de agir como locais de absor\u00e7\u00e3o pode se tornar menos eficaz no futuro, reduzindo assim sua capacidade de captar di\u00f3xido de carbono e agir como um tamp\u00e3o contra um aumento maior da temperatura.<\/p>\n<p>Para a organiza\u00e7\u00e3o, o documento cont\u00e9m uma forte mensagem cient\u00edfica para os negociadores da mudan\u00e7a clim\u00e1tica na COP26. &#8220;Ao ritmo atual de aumento das concentra\u00e7\u00f5es de gases de efeito estufa, veremos um aumento de temperatura at\u00e9 o final deste s\u00e9culo muito superior \u00e0s metas do Acordo de Paris de 1,5 a 2 graus Celsius acima dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais&#8221;, disse o Secret\u00e1rio Geral da OMM, Petteri Taalas. &#8220;Estamos muito longe do caminho&#8221;, alerta.<\/p>\n<p>&#8220;A quantidade de CO2 na atmosfera ultrapassou o marco de 400 partes por milh\u00e3o em 2015. E apenas cinco anos depois, ultrapassou 413 ppm. Isto \u00e9 mais do que apenas uma f\u00f3rmula qu\u00edmica e n\u00fameros em um gr\u00e1fico. Tem grandes repercuss\u00f5es negativas em nossa vida di\u00e1ria e bem-estar, no estado do nosso planeta e no futuro de nossos filhos e netos&#8221;, disse Taalas.<\/p>\n<p>&#8220;O di\u00f3xido de carbono permanece na atmosfera por s\u00e9culos e no oceano por ainda mais tempo. A \u00faltima vez que a Terra experimentou uma concentra\u00e7\u00e3o compar\u00e1vel de CO2 foi h\u00e1 3-5 milh\u00f5es de anos, quando a temperatura era 2-3\u00b0C mais quente e o n\u00edvel do mar era 10-20 metros mais alto do que agora. Mas n\u00e3o havia ent\u00e3o 7,8 bilh\u00f5es de pessoas&#8221;, disse Taalas.<\/p>\n<p>&#8220;Muitos pa\u00edses est\u00e3o agora estabelecendo metas de carbono neutro e espera-se que a COP26 veja um aumento dram\u00e1tico nos compromissos. Precisamos transformar nosso compromisso em a\u00e7\u00f5es que ter\u00e3o um impacto dos gases que impulsionam a mudan\u00e7a clim\u00e1tica&#8221;, defendeu. &#8220;Precisamos revisitar nossos sistemas industriais, energ\u00e9ticos e de transporte e todo o nosso modo de vida&#8221;. As mudan\u00e7as necess\u00e1rias s\u00e3o economicamente acess\u00edveis e tecnicamente poss\u00edveis. N\u00e3o h\u00e1 tempo a perder&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Texto original dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/colunas\/jamil-chade\/2021\/10\/25\/com-desmatamento-parte-da-amazonia-inverte-papel-e-vira-emissora-de-co2.htm\">https:\/\/noticias.uol.com.br\/colunas\/jamil-chade\/2021\/10\/25\/com-desmatamento-parte-da-amazonia-inverte-papel-e-vira-emissora-de-co2.htm<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UOL Jamil Chade (Colunista) 25 de outubro de 2021 Amaz\u00f4nia legal &nbsp; \u00c1reas da Amaz\u00f4nia deixam de ser locais de absor\u00e7\u00e3o de gases de efeito estufa e passam a ser respons\u00e1veis por emiss\u00f5es, transformando o papel da floresta no ecossistema global e ampliando a press\u00e3o sobre o governo brasileiro, \u00e0s v\u00e9speras da Confer\u00eancia do Clima,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":333,"featured_media":27325,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-27329","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-radar","category-3","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27329","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/333"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27329"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27329\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27331,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27329\/revisions\/27331"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27325"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27329"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27329"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27329"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}