{"id":29555,"date":"2021-12-16T18:50:21","date_gmt":"2021-12-16T21:50:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/radar\/drogas-garimpo-contrabando-de-madeira-tudo-junto-e-misturado\/"},"modified":"2021-12-17T19:05:02","modified_gmt":"2021-12-17T22:05:02","slug":"drogas-garimpo-contrabando-de-madeira-tudo-junto-e-misturado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/radar\/drogas-garimpo-contrabando-de-madeira-tudo-junto-e-misturado\/","title":{"rendered":"Drogas, garimpo, contrabando de madeira\u2026 tudo junto e misturado"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Projeto Colabora<\/strong><br \/>\n<strong>Liana Melo<\/strong><br \/>\n<strong>16 de dezembro de 2021<\/strong><br \/>\n<strong>Amaz\u00f4nia Legal<\/strong><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Narcotr\u00e1fico expande neg\u00f3cios, se associa ao desmatamento e as queimadas, acirra conflitos de terras e alimenta escalada da viol\u00eancia na Amaz\u00f4nia Legal<\/em><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Encastelado nas favelas e nas periferias das grandes cidades, o narcotr\u00e1fico fez as malas, ampliou seu territ\u00f3rio no pa\u00eds e se instalou na Amaz\u00f4nia Legal. O tr\u00e1fico de drogas e o aumento do desmatamento e das queimadas, al\u00e9m dos conflitos de terras, est\u00e3o por tr\u00e1s da escalada da viol\u00eancia na regi\u00e3o. Fac\u00e7\u00f5es do crime organizado est\u00e3o negociando coca\u00edna com contrabando de madeira, drogas diversas com mangan\u00eas e outros metais sa\u00eddos de garimpos, sem falar na rela\u00e7\u00e3o do narcotr\u00e1fico com o aumento indiscriminado de uma s\u00e9rie de conflitos ambientais que transformaram a Amaz\u00f4nia em terra de ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>Em 2020, os estados da Amaz\u00f4nia Legal apresentaram taxas de viol\u00eancia letal mais altas que a m\u00e9dia nacional. Foram ao todo 8.729 mortes. Enquanto no Brasil, a taxa foi de 23,9 mortes violentas intencionais (MVI) a cada 100 mil habitantes; na regi\u00e3o, a taxa ficou em 29,6. O aumento das mortes violentas intencionais cresceu 9,2% nas \u00e1reas rurais e de florestas da Amaz\u00f4nia Legal. E os estados l\u00edderes dessa viol\u00eancia foram Amap\u00e1 (41,7), Acre (32,9) e Par\u00e1 (32,5).<\/p>\n<p>Os dados fazem parte da pesquisa \u201c<a href=\"https:\/\/forumseguranca.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/cartografias-das-violencias-na-regiao-amazonica-sintese-dos-dados.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cartografias das Viol\u00eancias na Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica<\/a>\u201d, do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, feita com apoio do Instituto Clima e Sociedade e parceria de pesquisadores do Grupo de Pesquisa Territ\u00f3rios Emergentes e Redes de Resist\u00eancia na Amaz\u00f4nia, da Universidade do Estado do Par\u00e1 (Uepa). Os n\u00fameros da pesquisa revelaram que pelo menos desde os anos 2000 a dissemina\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia homicida no Brasil vem se alterando. Se, h\u00e1 pouco mais de duas d\u00e9cadas, as mortes estavam mais concentradas nos grandes centros urbanos, hoje, elas passaram a se espraiar para cidades menores do interior, fen\u00f4meno que j\u00e1 ficou conhecido como interioriza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Ao comparar as taxas de mortes violentas intencionais por zonas de ocupa\u00e7\u00e3o, verificou-se, por exemplo, que o conjunto de munic\u00edpios com as maiores taxas foram os sob press\u00e3o de desmatamento (37,1 por 100 mil habitantes). Em seguida, vieram os munic\u00edpios desmatados (34,6), os munic\u00edpios n\u00e3o florestais com taxa de 29,7, e, por fim, os munic\u00edpios florestais apresentam a menor taxa de letalidade viol\u00eancia, com 24,9 por 100 mil. E uma das conclus\u00f5es do estudo \u00e9 que \u201ca intensa presen\u00e7a de fac\u00e7\u00f5es do crime organizado e de disputas entre elas pelas rotas nacionais e transnacionais de drogas que cruzam a regi\u00e3o; e o avan\u00e7o do desmatamento e a intensifica\u00e7\u00e3o de conflitos fundi\u00e1rios, que resulta tamb\u00e9m no crescimento da viol\u00eancia letal\u201d explicam a escalada da viol\u00eancia letal na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cGrande parte da destrui\u00e7\u00e3o da floresta \u00e9 fruto de atividades ilegais alimentadas por complexas cadeias criminosas nacionais e transnacionais que movimentam diferentes economias: de madeira \u00e0 min\u00e9rios passando pela especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, lavagem de ativos e outros crimes como o tr\u00e1fico de pessoas ou animais silvestres\u201d, diagnosticou Aiala Colares Couto, ge\u00f3grafo, professor assistente do Departamento de Filosofia e Ci\u00eancias Sociais da Universidade do Estado do Par\u00e1 (Uepa) e um dos pesquisadores do estudo.<\/p>\n<p>Originalmente, o objetivo do estudo era tra\u00e7ar a rela\u00e7\u00e3o do crime organizado na Amaz\u00f4nia Legal com crimes ambientais, mas, \u00e0 medida que a pesquisa foi avan\u00e7ando, notou-se a rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca de fac\u00e7\u00f5es do crime organizado com o aumento dos conflitos agr\u00e1rios, a escalada da viol\u00eancia no campo, a intimida\u00e7\u00e3o das lideran\u00e7as de movimentos sociais rurais e, por fim, a chegada do narcotr\u00e1fico em territ\u00f3rios ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_48709\" class=\"wp-caption alignnone\" aria-describedby=\"caption-attachment-48709\">\n<div id=\"attachment_48709\" style=\"width: 670px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-48709\" class=\"wp-image-48709 \" src=\"https:\/\/projetocolabora.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Voto-1.jpg\" sizes=\"(max-width: 1040px) 100vw, 1040px\" srcset=\"https:\/\/projetocolabora.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Voto-1.jpg 1040w, https:\/\/projetocolabora.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Voto-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/projetocolabora.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Voto-1-768x576.jpg 768w\" alt=\"De acordo com os policiais, assim que o garimpo foi instalado na regi\u00e3o, em outubro de 2018, houve aumento significativo da criminalidade. Foto Pol\u00edcia Federal\" width=\"660\" height=\"495\" \/><p id=\"caption-attachment-48709\" class=\"wp-caption-text\">De acordo com os policiais, assim que o garimpo foi instalado na regi\u00e3o, em outubro de 2018, houve aumento significativo da criminalidade. Foto Pol\u00edcia Federal<\/p><\/div><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se o Comando Vermelho (CV) fez a op\u00e7\u00e3o por adentrar a regi\u00e3o pelas portas principais, as capitais Bel\u00e9m (PA) e Manaus (AM), o Primeiro Comando da Capital (PCC) foi comendo pelas beiradas, e ocupando espa\u00e7o nas cidades do interior dos estados da Amaz\u00f4nia Legal. \u201cO PCC conseguiu adentrar algumas \u00e1reas do interior do estado do Par\u00e1, sobretudo munic\u00edpios com forte presen\u00e7a de comunidades ind\u00edgenas, como Altamira e Itaituba, e, para fincar bandeira, aliou-se com organiza\u00e7\u00f5es criminosas locais\u201d, comentou Couto, acrescentando que o CV hoje j\u00e1 se configura como uma amea\u00e7a perigosa a muitas comunidades quilombolas no Par\u00e1.<\/p>\n<p>Nos tr\u00eas estados l\u00edderes da viol\u00eancia letal na regi\u00e3o, o PCC, a IFARA (Irmandade, For\u00e7a Ativa e Responsabilidade Acreana), CV e Bonde dos 13 disputam o controle no Acre. No Amap\u00e1, a briga \u00e9 entre duas fac\u00e7\u00f5es locais, a Uni\u00e3o Criminosa do Amap\u00e1 (UCA) e a Fam\u00edlia Terror do Amap\u00e1 (FTA) aliada do PCC. E no Par\u00e1, detectou-se a presen\u00e7a do CV, predominante na Regi\u00e3o Metropolitana de Bel\u00e9m, e do PCC, que atua mais no interior, nas regi\u00f5es de Altamira e seu entorno. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m, fac\u00e7\u00f5es do estado como o CCA, FDN e pequenas fac\u00e7\u00f5es locais, mas com grande influ\u00eancia em unidades prisionais, a exemplo da Equipe Rex. Por fim, h\u00e1 tamb\u00e9m o B40 grupo que surgiu na regi\u00e3o Nordeste, mas que atua na Amaz\u00f4nia a partir do Par\u00e1.<\/p>\n<p>Se, num passado recente, os povos da floresta viviam sob constante amea\u00e7a de grileiros, fazendeiros e empres\u00e1rios da minera\u00e7\u00e3o e do agroneg\u00f3cio; com o narcotr\u00e1fico chegando a Amaz\u00f4nia legal, o crime organizado virou um importante advers\u00e1rio nas disputas pelo uso da terra. Com a Amaz\u00f4nia sendo explorada por grandes grupos criminosos nacionais e internacionais, que, em grande parte, contribuem para a destrui\u00e7\u00e3o da floresta, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel identificar, inclusive, a estrat\u00e9gia de atua\u00e7\u00e3o de duas dessas principais for\u00e7as: enquanto o PCC vem optando por uma atua\u00e7\u00e3o mais empresarial, arrendando terras para plantio de maconha e se associando a outras atividades econ\u00f4micas, o CV se alinha a grupos locais e, ao tomar o controle do territ\u00f3rio, muda o nome da denomina\u00e7\u00e3o local assumindo definitivamente seu poderia como CV.<\/p>\n<p><strong>Texto original dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/projetocolabora.com.br\/ods16\/drogas-garimpo-contrabando-de-madeira-tudo-junto-e-misturado\/\">https:\/\/projetocolabora.com.br\/ods16\/drogas-garimpo-contrabando-de-madeira-tudo-junto-e-misturado\/<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Projeto Colabora Liana Melo 16 de dezembro de 2021 Amaz\u00f4nia Legal Narcotr\u00e1fico expande neg\u00f3cios, se associa ao desmatamento e as queimadas, acirra conflitos de terras e alimenta escalada da viol\u00eancia na Amaz\u00f4nia Legal &nbsp; Encastelado nas favelas e nas periferias das grandes cidades, o narcotr\u00e1fico fez as malas, ampliou seu territ\u00f3rio no pa\u00eds e se&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":333,"featured_media":29552,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-29555","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-radar","category-3","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29555","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/333"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29555"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29555\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29557,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29555\/revisions\/29557"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29552"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29555"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29555"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29555"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}