{"id":29662,"date":"2021-12-21T12:35:14","date_gmt":"2021-12-21T15:35:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/radar\/agentes-indigenas-usam-drones-e-ia-para-combater-o-desmatamento-na-amazonia\/"},"modified":"2021-12-22T12:46:06","modified_gmt":"2021-12-22T15:46:06","slug":"agentes-indigenas-usam-drones-e-ia-para-combater-o-desmatamento-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/radar\/agentes-indigenas-usam-drones-e-ia-para-combater-o-desmatamento-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Agentes ind\u00edgenas usam drones e IA para combater o desmatamento na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Mongabay<\/strong><br \/>\n<strong> Juliana Ennes e Leandro Chaves<\/strong><br \/>\n<strong>Traduzido por Eloise de Vylder<\/strong><br \/>\n<strong>21 de dezembro de 202<\/strong><strong>1<br \/>\nAmaz\u00f4nia Brasileira<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<div class=\"bulletpoints\">\n<blockquote>\n<ul>\n<li><em>A taxa de desmatamento aumentou nos \u00faltimos anos no Acre, que agora est\u00e1 entre os cinco estados com maior risco de perda florestal, de acordo com uma ferramenta de intelig\u00eancia artificial desenvolvida pela Microsoft e pela ONG Imazon.<\/em><\/li>\n<li><em>Num estudo desenvolvido especialmente para a Mongabay, a ferramenta de IA mostra que o Acre tem 878 quil\u00f4metros quadrados de terras com risco alto ou muito alto de desmatamento, inclusive dentro de 20 unidades de conserva\u00e7\u00e3o e 29 territ\u00f3rios ind\u00edgenas.<\/em><\/li>\n<li><em>Esfor\u00e7os para combater o desmatamento incluem o treinamento dos povos ind\u00edgenas para monitorar seus pr\u00f3prios territ\u00f3rios contra os invasores impulsionados pela agricultura; estrat\u00e9gia inclui o uso de drones e GPS.<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<p>As armas preferidas de Si\u00e3 Shanenawa para proteger seu territ\u00f3rio s\u00e3o drones e aparelhos de GPS.\u00a0 H\u00e1 um motivo para us\u00e1-las: a Terra Ind\u00edgena Katukina\/Kaxinaw\u00e1 \u00e9 a que corre maior risco de desmatamento no Acre, de acordo com um estudo do instituto Imazon desenvolvido exclusivamente para a Mongabay.<\/p>\n<p>Usando a ferramenta de intelig\u00eancia artificial <a href=\"https:\/\/news.mongabay.com\/2021\/08\/new-artificial-intelligence-tool-helps-forecast-amazon-deforestation\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">PrevisIA\u00a0<\/a>, desenvolvida em parceria com a Microsoft, o Imazon detectou 878 quil\u00f4metros quadrados de terras com alto risco de desmatamento no Acre, espalhados por todos os 22 munic\u00edpios do estado. Isso inclui \u00e1reas dentro de 20 unidades de conserva\u00e7\u00e3o e 29 territ\u00f3rios ind\u00edgenas, a maioria perto do limite com o estado do Amazonas. O munic\u00edpio de Feij\u00f3 \u00e9 o que tem a maior \u00e1rea com risco de desmatamento \u2013 cerca de 144 km2.<\/p>\n<figure id=\"attachment_248760\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-248760 size-full\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/20\/2021\/10\/29095309\/In-Brazils-Acre-drones-and-artificial-intelligence-fight-against-deforestation-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1536\" height=\"1024\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Agentes agroflorestais da Terra Ind\u00edgena Katukina\/Kaxinaw\u00e1 no munic\u00edpio de Feij\u00f3, no Acre, realizam monitoramento para prevenir inc\u00eandios e desmatamento em seu territ\u00f3rio. Foto: Stoney Pinto\/Comiss\u00e3o Pr\u00f3-\u00cdndio do Acre.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em Feij\u00f3 tamb\u00e9m est\u00e1 localizada a Terra Ind\u00edgena Katukina\/Kaxinaw\u00e1, que abriga os povos Huni Kui e Shanenawa. Si\u00e3 Shanenawa, cujo nome em portugu\u00eas \u00e9 Ismael Menezes Brand\u00e3o, \u00e9 um dos 21 agentes agroflorestais da reserva de 230 km2. Morando na aldeia de Shane Kaya, ele ajuda a monitorar a TI para prevenir invas\u00f5es de forasteiros que buscam se apropriar das terras para fins agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito importante monitorar a terra porque n\u00f3s, povos ind\u00edgenas, ficamos mais seguros quando conseguimos detectar se algu\u00e9m est\u00e1 invadindo, se algu\u00e9m est\u00e1 tirando madeira da nossa terra, se algu\u00e9m est\u00e1 ca\u00e7ando diretamente na nossa terra, se algu\u00e9m colocou fogo perto da nossa terra\u201d, disse Si\u00e3 Shanenawa \u00e0 Mongabay.<\/p>\n<p>Si\u00e3 Shanenawa e outros agentes agroflorestais como ele s\u00e3o treinados pela <a href=\"https:\/\/cpiacre.org.br\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Comiss\u00e3o Pr\u00f3-\u00cdndio<\/a> (CPI), organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos que luta pelos direitos dos grupos ind\u00edgenas e outras comunidades marginalizadas. O treinamento inclui n\u00e3o s\u00f3 o monitoramento e a prote\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio, mas tamb\u00e9m o manejo das terras e pr\u00e1ticas agr\u00edcolas sustent\u00e1veis para a popula\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n<p>O monitoramento geralmente come\u00e7a com uma abordagem moderada, quando os agentes ind\u00edgenas circulam por suas terras e conversam com os fazendeiros que atuam perto de suas divisas. \u201cQuando podemos explicar \u00e0s pessoas que nossa terra \u00e9 protegida, elas entendem. Muitos ficham contrariados, dizendo que nossa terra \u00e9 grande demais. Mas essa \u00e9 a nossa terra, e eles precisam deix\u00e1-la em paz, n\u00e3o podem invadir com gado\u201d, diz Si\u00e3 Shanenawa.<\/p>\n<p>Nem todos os encontros com invasores s\u00e3o pac\u00edficos. Si\u00e3 Shanenawa diz que n\u00e3o \u00e9 incomum para ele e outros de sua comunidade prenderem invasores e lev\u00e1-los \u00e0 delegacia de pol\u00edcia mais pr\u00f3xima, uma vez que toda a comunidade est\u00e1 envolvida no sistema de monitoramento, n\u00e3o s\u00f3 os agentes agroflorestais treinados.<\/p>\n<p>A amea\u00e7a de desmatamento na Terra Katukina\/Kaxinaw\u00e1 n\u00e3o \u00e9 incomum no Acre. O estado hoje tem uma das maiores taxas de desfloresta\u00e7\u00e3o do Brasil: em setembro, o Acre respondeu por 10% do desmatamento na Amaz\u00f4nia brasileira, de acordo com dados do sistema de monitoramento Imazon, <a href=\"https:\/\/imazon.org.br\/publicacoes\/boletim-do-desmatamento-da-amazonia-legal-setembro-de-2021-sad\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">SAD<\/a>. Isso o coloca entre os cinco estados com maior perda florestal do pa\u00eds \u2013 uma posi\u00e7\u00e3o j\u00e1 prevista pela ferramenta de intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n<figure id=\"attachment_248762\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-248762 size-full\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/20\/2021\/10\/29100303\/In-Brazils-Acre-drones-and-artificial-intelligence-fight-against-deforestation-3.jpg\" alt=\"\" width=\"1536\" height=\"1024\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Povos ind\u00edgenas s\u00e3o treinados no manejo dos recursos naturais em suas terras para fazer uso sustent\u00e1vel da floresta sem desmatar. Foto: Stoney Pinto\/Comiss\u00e3o Pr\u00f3-\u00cdndio do Acre.<\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>Desmatamento impulsionado pela agricultura<\/strong><\/h3>\n<p>O desmate impulsionado pela agricultura vem atingindo grande parte da Amaz\u00f4nia brasileira, incluindo os estados do Mato Grosso e parte do Par\u00e1, de acordo com um <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/uma-nova-e-arriscada-fronteira-do-desmatamento-na-amazonia\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">relat\u00f3rio do Greenpeace<\/a>. \u201cMas o Arco do Desmatamento continua avan\u00e7ando, especialmente no sudeste e oeste do Par\u00e1, onde a destrui\u00e7\u00e3o atinge propor\u00e7\u00f5es gigantescas, e nas regi\u00f5es onde os estados de Rond\u00f4nia, Amazonas e Acre est\u00e3o localizados\u201d, diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>No Acre, um dos principais fatores que fomenta o avan\u00e7o da agricultura \u00e9 um projeto oficial do governo chamado <a href=\"https:\/\/news.mongabay.com\/2020\/04\/for-brazilian-agribusiness-leaving-the-amazon-forested-is-a-problem\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Amacro<\/a>, explica R\u00f4mulo Batista, ativista do Greenpeace na Amaz\u00f4nia. Batizado com as iniciais dos estados do Amazonas (AM), Acre (AC) e Rond\u00f4nia (RO), o Amacro tem como objetivo levar o desenvolvimento agr\u00edcola para o cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Em abril de 2020, Assuero Doca Veronez, presidente da Federa\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola do Acre, <a href=\"https:\/\/news.mongabay.com\/2020\/04\/for-brazilian-agribusiness-leaving-the-amazon-forested-is-a-problem\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">disse n\u00e3o estar incomodado<\/a> com o aumento do desmatamento no estado. \u201cPara n\u00f3s, o desmatamento \u00e9 um sin\u00f4nimo de progresso, por mais que isso possa chocar as pessoas\u201d, afirmou Veronez. \u201cO Acre n\u00e3o tem min\u00e9rios. N\u00e3o tem potencial para o turismo. O que ele tem s\u00e3o algumas das melhores terras do Brasil. Mas essa terra tem um problema: est\u00e1 coberta pela floresta.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_248765\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-248765 size-full\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/20\/2021\/10\/29100928\/In-Brazils-Acre-drones-and-artificial-intelligence-fight-against-deforestation-4.jpg\" alt=\"\" width=\"1536\" height=\"1024\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">\u201cA floresta em p\u00e9 \u00e9 vida para todos, n\u00e3o s\u00f3 para os povos ind\u00edgenas\u201d, diz Si\u00e3 Shanenawa, agente agroflorestal ind\u00edgena na Terra Ind\u00edgena Katukina\/Kaxinaw\u00e1, no munic\u00edpio de Feij\u00f3, no Acre. Foto: Si\u00e3 Shanenawa.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Naquele momento, contudo, a ideia da Amacro estava apenas surgindo. Inspirada pelo Matopiba \u2013 uma iniciativa similar na regi\u00e3o dos limites entre os estados do Maranh\u00e3o (MA), Tocantins (TO), Piau\u00ed (PI) e Bahia (BA), que se tornou o centro da produ\u00e7\u00e3o de soja do Brasil \u2013, a <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/sudam\/pt-br\/noticias-1\/a-sudam-e-o-projeto-amacro\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Amacro<\/a> avan\u00e7ou durante a pandemia de covid-19.<\/p>\n<p>Hoje, a Amacro abrange 32 munic\u00edpios e uma \u00e1rea total de 465.800 km2, com uma popula\u00e7\u00e3o de 1,7 milh\u00e3o de pessoas, de acordo com dados do governo. No papel, o projeto estabeleceria uma \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o florestal, oferecendo alternativas econ\u00f4micas para a popula\u00e7\u00e3o, em vez de desmatar a floresta.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 isso que est\u00e1 acontecendo na pr\u00e1tica, denunciam ativistas. \u201cTemos consci\u00eancia dos problemas causados pelas pol\u00edticas de desenvolvimento regional que n\u00e3o levam em considera\u00e7\u00e3o a voca\u00e7\u00e3o local, ou a popula\u00e7\u00e3o que ocupa este lugar, seja ela ind\u00edgena, ribeirinha ou comunidades extrativistas\u201d, disse Batista \u00e0 Mongabay. \u201cEsse \u00e9 um tipo de programa de desenvolvimento que n\u00e3o funcionou em nenhum lugar da Amaz\u00f4nia. \u00c9 um novo fator de interesse que vai impulsionar muito, se \u00e9 que j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 impulsionando, a disputa por terras nesses munic\u00edpios.\u201d<\/p>\n<p>Diante do aumento do desmatamento, Batista diz que as inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que podem ajudar na preven\u00e7\u00e3o s\u00e3o bem-vindas, como a ferramenta de intelig\u00eancia artificial PrevisIA. \u201cA preven\u00e7\u00e3o tem um melhor custo-benef\u00edcio porque evita a perda florestal e previne o deslocamento das comunidades\u201d, explica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_248758\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-248758 size-full\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/20\/2021\/10\/29094709\/Acre_RiskofDeforestation1.png\" alt=\"\" width=\"836\" height=\"341\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Mapa gerado pela ferramenta de intelig\u00eancia artificial PrevisIA mostra as \u00e1reas com risco de desmatamento, do risco mais alto (no topo, em vermelho escuro) ao risco mais baixo (embaixo, em rosa). Imagem: Imazon.<\/figcaption><\/figure>\n<p>O PrevisIA n\u00e3o fornece apenas informa\u00e7\u00f5es sobre as \u00e1reas com risco de desmatamento, ele tamb\u00e9m tem uma segunda fase, que o Imazon inicia agora, com o objetivo de engajar as autoridades locais na preven\u00e7\u00e3o. Essa fase do projeto est\u00e1 come\u00e7ando no Par\u00e1 e se expandir\u00e1 para o Acre, segundo o pesquisador do Imazon Carlos Souza Jr. O primeiro passo \u00e9 criar um referencial de a\u00e7\u00f5es a serem replicadas em outras localidades, diz ele, come\u00e7ando com o munic\u00edpio de Altamira \u2013 75% do risco de desmatamento no munic\u00edpio est\u00e1 concentrado em apenas 10% de sua \u00e1rea.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos mudar o paradigma local. Isso come\u00e7a por entender o desmatamento que j\u00e1 ocorreu e o que est\u00e1 em risco\u201d, explica Souza Jr.. \u201cO pr\u00f3ximo passo \u00e9 desenvolver um plano de a\u00e7\u00e3o, com melhorias na infraestrutura governamental para monitorar e combater o desmate (o que inclui pessoal e equipamentos). Uma vez que tivermos um estudo de caso para mostrar o sucesso do plano de a\u00e7\u00e3o, outros lugares seguir\u00e3o o exemplo.\u201d<\/p>\n<p>O governo do Acre afirma ter suas pr\u00f3prias pol\u00edticas e sistemas de monitoramento para prevenir a perda florestal. \u201cH\u00e1 a\u00e7\u00f5es concretas em andamento que chegam \u00e0s comunidades rurais, tradicionais, ribeirinhas e ind\u00edgenas, bem como campanhas educativas e publicit\u00e1rias contra o desmatamento e inc\u00eandios ilegais na floresta\u201d, declarou por meio da assessoria de imprensa da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e das Pol\u00edticas Ind\u00edgenas, Semapi.<\/p>\n<h3><strong>Treinando agentes agroflorestais<\/strong><\/h3>\n<p>A Comiss\u00e3o Pr\u00f3-\u00cdndio vem treinando os povos ind\u00edgenas em agrossilvicultura e manejo de terras no Acre desde 1996, tendo come\u00e7ado com um grupo inicial de 15 ind\u00edgenas de quatro reservas diferentes. Hoje, h\u00e1 mais de 200 monitores ind\u00edgenas treinados em 29 reservas, diz Julieta Matos Freschi, coordenadora do Programa de Gest\u00e3o Territorial e Ambiental da CPI-Acre.<\/p>\n<p>Ela observou que as terras ind\u00edgenas do Acre permanecem com 98% de cobertura florestal, enquanto as \u00e1reas circundantes est\u00e3o em grande parte destru\u00eddas. \u201cA preven\u00e7\u00e3o ao desmatamento \u00e9 o que os povos ind\u00edgenas mais fazem\u201d, disse Freschi \u00e0 Mongabay. \u201cTodas as atividades em que a CPI-Acre trabalha t\u00eam algum impacto, direto ou indireto, sobre o desmatamento. A educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena \u00e9 um processo cont\u00ednuo, que come\u00e7a com a demarca\u00e7\u00e3o oficial das terras e inclui professores e agentes de sa\u00fade.\u201d<\/p>\n<p>Ela diz que o treinamento para se tornar um agente agroflorestal inclui um curso de agroecologia para recuperar terras degradadas \u2013 margens de rio, barragens, c\u00f3rregos, \u00e1reas que serviram de pasto ou que foram desmatadas \u2013 por meio de sistemas agroflorestais onde s\u00e3o plantadas \u00e1rvores nativas e plantas medicinais.<\/p>\n<p>Os agentes aprendem tamb\u00e9m a manejar as florestas, ca\u00e7ar e pescar, diz Freschi. Eles desenvolvem t\u00e9cnicas de monitoramento comunit\u00e1rio para prote\u00e7\u00e3o territorial, realizando excurs\u00f5es de vigil\u00e2ncia para monitorar amea\u00e7as de invas\u00e3o por ca\u00e7adores ilegais, gado pastando ou madeireiros. \u201cEssas s\u00e3o algumas das a\u00e7\u00f5es que t\u00eam um efeito direto e indireto no controle do desmatamento dentro das terras ind\u00edgenas\u201d, diz Freschi.<\/p>\n<p>O sistema de monitoramento utiliza tamb\u00e9m drones e GPS para reunir informa\u00e7\u00f5es sobre invasores e inc\u00eandios. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o enviadas \u00e0 Funai (Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio).<\/p>\n<p>Para Si\u00e3 Shanenawa, monitorar a terra n\u00e3o \u00e9 um dever apenas dos agentes agroflorestais treinados, mas envolve toda a comunidade: \u201c\u00c9 papel do cacique, dos moradores, que tamb\u00e9m t\u00eam consci\u00eancia disso. O monitoramento pertence \u00e0 comunidade, pertence ao povo\u201d, diz ele. \u201cIsso nos deixar\u00e1 protegidos, especialmente agora com esse governo que est\u00e1 tentando acabar com a floresta. A floresta em p\u00e9 \u00e9 vida para todos, n\u00e3o s\u00f3 para os povos ind\u00edgenas, porque a floresta reduz um pouco o calor e faz o controle do ambiente no nosso planeta, n\u00e9? Estamos sempre protegendo a floresta para que n\u00e3o tenha desmatamento.\u201d<\/p>\n<p><em>Imagem do banner: <\/em><em>Si\u00e3 Shanenawa, agente agroflorestal na Terra Ind\u00edgena Katukina\/Kaxinaw\u00e1, Acre. Foto: <\/em><em>Si\u00e3 Shanenawa.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Texto original dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/brasil.mongabay.com\/2021\/12\/agentes-indigenas-usam-drones-e-ia-para-combater-o-desmatamento-na-amazonia\/\">https:\/\/brasil.mongabay.com\/2021\/12\/agentes-indigenas-usam-drones-e-ia-para-combater-o-desmatamento-na-amazonia\/<\/a><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mongabay Juliana Ennes e Leandro Chaves Traduzido por Eloise de Vylder 21 de dezembro de 2021 Amaz\u00f4nia Brasileira &nbsp; A taxa de desmatamento aumentou nos \u00faltimos anos no Acre, que agora est\u00e1 entre os cinco estados com maior risco de perda florestal, de acordo com uma ferramenta de intelig\u00eancia artificial desenvolvida pela Microsoft e pela&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":333,"featured_media":29658,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-29662","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-radar","category-3","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29662","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/333"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29662"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29662\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29665,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29662\/revisions\/29665"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29658"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29662"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29662"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29662"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}