{"id":32519,"date":"2022-02-21T16:18:58","date_gmt":"2022-02-21T19:18:58","guid":{"rendered":"https:\/\/dev.amazoniasocioambiental.org\/radar\/como-o-lobby-de-um-militar-da-reserva-favoreceu-mineradoras-canadenses-na-amazonia\/"},"modified":"2022-02-21T16:18:58","modified_gmt":"2022-02-21T19:18:58","slug":"como-o-lobby-de-um-militar-da-reserva-favoreceu-mineradoras-canadenses-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/radar\/como-o-lobby-de-um-militar-da-reserva-favoreceu-mineradoras-canadenses-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Como o lobby de um militar da reserva favoreceu mineradoras canadenses na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Ag\u00eancia A P\u00fablica<\/strong><br \/>\n<strong>Caio de Freitas Paes<\/strong><br \/>\n<strong>21 de fevereiro de 2022<\/strong><br \/>\n<strong>Amaz\u00f4nia brasileira<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Nos bastidores, velho conhecido de Mour\u00e3o no Ex\u00e9rcito faz a ponte entre governo e Forbes &amp; Manhattan, banco respons\u00e1vel por Belo Sun e Pot\u00e1ssio do Brasil no exterior<\/em><\/h3>\n<p>O banco canadense Forbes &amp; Manhattan enfrentava dificuldades com seus neg\u00f3cios bilion\u00e1rios na Amaz\u00f4nia antes da posse de Jair Bolsonaro (PL) como presidente da Rep\u00fablica, em 2019. Mas nos \u00faltimos tr\u00eas anos o cen\u00e1rio mudou.<br \/>\nAos poucos, o grupo se aproximou de membros ligados \u00e0s For\u00e7as Armadas no Executivo, chegando at\u00e9 o vice-presidente da Rep\u00fablica e general da reserva do Ex\u00e9rcito Hamilton Mour\u00e3o (PRTB) \u2013 com quem tratou diretamente, em reuni\u00f5es exclusivas em Bras\u00edlia. H\u00e1 anos, o banco canadense tenta liberar os licenciamentos ambientais de mineradoras ligadas a ele, no Amazonas e no Par\u00e1.<br \/>\nA partir de um conjunto de documentos, a Ag\u00eancia P\u00fablica revela bastidores dos neg\u00f3cios entre o governo Bolsonaro e o Forbes &amp; Manhattan com suas companhias associadas. Entre elas est\u00e1 a controversa mineradora Belo Sun, que h\u00e1 mais de dez anos tenta construir a maior mina de ouro a c\u00e9u aberto do mundo na Volta Grande do Xingu. Caso consiga, Belo Sun instalar\u00e1 uma barragem de rejeitos na regi\u00e3o ainda maior que a da Vale rompida em Mariana (MG).<br \/>\nO banco canadense acumulou vit\u00f3rias para a libera\u00e7\u00e3o de seus empreendimentos na Amaz\u00f4nia nos \u00faltimos tr\u00eas meses de 2021. No per\u00edodo, a Uni\u00e3o tamb\u00e9m liberou \u00e1reas originalmente destinadas \u00e0 reforma agr\u00e1ria para que o mesmo grupo instale um garimpo de ouro em pleno Xingu \u2013 um acordo que, mesmo com den\u00fancias de irregularidades, segue v\u00e1lido de acordo com o Di\u00e1rio Oficial.<br \/>\nAl\u00e9m disso, outra reportagem da P\u00fablica mostra que, em novembro do ano passado, o Forbes &amp; Manhattan fechou a compra de uma refinaria de xisto da Petrobras no sul do Paran\u00e1 com todo o parque tecnol\u00f3gico desenvolvido do zero no local desde os anos 1970.<br \/>\nNeste caso, como mostra a nossa reportagem, a Petrobras ignorou suas pr\u00f3prias suspeitas sobre esse mesmo grupo para fechar o neg\u00f3cio. A reportagem enviou uma s\u00e9rie de perguntas ao grupo Forbes &amp; Manhattan para entender melhor seus projetos no Brasil, mas n\u00e3o houve retorno.<\/p>\n<h3>A Pol\u00edtica Pr\u00f3-Minerais Estrat\u00e9gicos<\/h3>\n<p>Em Toronto, centro financeiro do Canad\u00e1, o bilion\u00e1rio Stan Bharti caminha inquieto pelos corredores do Forbes &amp; Manhattan, fundado por ele em 2001. Tamb\u00e9m executivo-chefe desse banco focado em neg\u00f3cios de alto risco, sobretudo em minera\u00e7\u00e3o, ele exibe a decora\u00e7\u00e3o da matriz \u2013 um conjunto de quadros e p\u00f4steres pol\u00edticos da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica sob Josef St\u00e1lin (1927-1953) \u2013 por quase cinco minutos antes de apresentar sua sala, onde se depara com um cartaz no ch\u00e3o. \u201cAh, este \u00e9 um p\u00f4ster interessante: temos uma companhia, Pot\u00e1ssio do Brasil, a Brazil Potash, que estamos desenvolvendo, deve entrar em produ\u00e7\u00e3o logo\u201d, diz o executivo.<\/p>\n<div id=\"attachment_31208\" style=\"width: 1171px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-31208\" class=\"wp-image-31208 size-full\" src=\"https:\/\/dev.amazoniasocioambiental.org\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/imagem-1fm-apresentacao2014-no-mapa-o-lobby-do-general-a-favor-de-mineradoras-canadenses-na-amazonia-2.png\" alt=\"\" width=\"1161\" height=\"871\" \/><p id=\"caption-attachment-31208\" class=\"wp-caption-text\">O grupo F &amp; M investe em projetos de alto risco nos setores de energia, fertilizantes, minera\u00e7\u00e3o e petr\u00f3leo, com in\u00fameros conflitos em torno de suas iniciativas no Brasil e exterior<\/p><\/div>\n<p>A cena acima foi ao ar em 4 de novembro de 2019. Uma semana depois, no dia 11, em meio ao encontro da c\u00fapula do Brics em Bras\u00edlia, Stan Bharti e Tao Yang \u2013 presidente da construtora chinesa CITIC, parceira da mineradora Pot\u00e1ssio do Brasil \u2013 discutiam os planos da companhia com o vice-presidente Hamilton Mour\u00e3o, como mostra a agenda oficial do governo.<br \/>\nO encontro era parte de uma aproxima\u00e7\u00e3o iniciada meses antes pelo Forbes &amp; Manhattan gra\u00e7as ao acesso de um militar da reserva \u00e0 c\u00fapula do Planalto. Materiais obtidos pela P\u00fablica mostram como o general da brigada do Ex\u00e9rcito Cl\u00e1udio Barroso Magno Filho ajudou a construir a ponte entre o grupo canadense e o governo desde o in\u00edcio da atual gest\u00e3o, situa\u00e7\u00e3o detalhada adiante.<br \/>\nDecis\u00f5es do Executivo sob Jair Bolsonaro e seus militares da reserva t\u00eam favorecido o banco de Stan Bharti. Em 2021, por exemplo, o governo criou a Pol\u00edtica Pr\u00f3-Minerais Estrat\u00e9gicos, por meio da qual se disp\u00f5e a \u201cpriorizar os esfor\u00e7os governamentais\u201d em favor de projetos inclu\u00eddos nessa nova diretriz. As mineradoras ligadas ao Forbes &amp; Manhattan na Amaz\u00f4nia, Belo Sun e Pot\u00e1ssio do Brasil, est\u00e3o entre as primeiras contempladas por essa nova pol\u00edtica.<br \/>\nNa pr\u00e1tica, o governo federal tem atuado \u201cna articula\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para minimizar riscos e solucionar conflitos que venham a ser identificados\u201d nos projetos, dando \u201capoio ao licenciamento ambiental\u201d das mineradoras ligadas ao grupo canadense. A P\u00fablica apurou que a decis\u00e3o se deu sem consulta \u00e0 Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o e ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), ambos com a\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias aos projetos da Belo Sun e Pot\u00e1ssio do Brasil nos tribunais.<br \/>\nAs duas mineradoras canadenses batem de frente com assentados, ind\u00edgenas e ribeirinhos no Amazonas e no Par\u00e1. O caso mais not\u00f3rio envolve a Belo Sun, com o qual o grupo Forbes &amp; Manhattan partilha alguns de seus principais executivos \u2013 como o bilion\u00e1rio Stan Bharthi.<br \/>\n\u00c0 P\u00fablica, tanto a DPU quanto o MPF garantem n\u00e3o ter sido comunicados oficialmente da inclus\u00e3o das mineradoras do Forbes &amp; Manhattan na nova pol\u00edtica estrat\u00e9gica do governo. O MPF afirmou ainda que \u201csolicitar\u00e1 esclarecimentos \u00e0 Uni\u00e3o\u201d quanto \u00e0s \u201ceventuais medidas que j\u00e1 estejam em andamento, para an\u00e1lise das provid\u00eancias cab\u00edveis\u201d.<br \/>\nA reportagem entrou em contato com os minist\u00e9rios signat\u00e1rios do decreto de cria\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica Pr\u00f3-Minerais Estrat\u00e9gicos. A pasta de Minas e Energia afirma que a aprova\u00e7\u00e3o de projetos na Pr\u00f3-Minerais Estrat\u00e9gicos \u201cn\u00e3o demanda articula\u00e7\u00e3o com os \u00f3rg\u00e3os citados\u201d \u2013 a Defensoria P\u00fablica e o MPF, no caso. Segundo o minist\u00e9rio, \u201cn\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio entrar no m\u00e9rito das quest\u00f5es t\u00e9cnicas e legais que cercam o licenciamento ambiental\u201d das propostas, pois \u201cos \u00f3rg\u00e3os ambientais permanecem integralmente respons\u00e1veis\u201d. J\u00e1 o minist\u00e9rio da Economia, outro dos signat\u00e1rios, n\u00e3o respondeu.<\/p>\n<h3>Garimpo da Belo Sun respinga no grupo BlackRock<\/h3>\n<p>Os planos da Belo Sun para a Amaz\u00f4nia pareciam finalmente sair do papel no fim de 2021. Em 26 de novembro passado, a mineradora fechou um acordo com o governo federal para garimpar ouro em assentamentos da reforma agr\u00e1ria na mesma \u00e1rea de seu projeto, chamado Volta Grande.<br \/>\nA Belo Sun conseguiu o acordo ap\u00f3s comprar \u2013 ilegalmente, segundo reportagem do Estad\u00e3o \u2013 lotes de terras de fam\u00edlias assentadas na chamada Vila Ressaca, em Senador Porf\u00edrio (PA). O trato se deu com o Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra), que, ainda segundo o jornal, receber\u00e1 parte dos lucros desse garimpo no Xingu.<\/p>\n<div id=\"attachment_31211\" style=\"width: 929px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/dev.amazoniasocioambiental.org\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/edimagem-5-sede-da-belo-sun-na-vila-ressaca-o-lobby-do-general-a-favor-de-mineradoras-canadenses-na-amazonia-919x1200.jpg.webp\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-31211\" class=\"wp-image-31211 size-full\" src=\"https:\/\/dev.amazoniasocioambiental.org\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/edimagem-5-sede-da-belo-sun-na-vila-ressaca-o-lobby-do-general-a-favor-de-mineradoras-canadenses-na-amazonia-919x1200.jpg.webp\" alt=\"\" width=\"919\" height=\"1200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-31211\" class=\"wp-caption-text\">Mesmo ap\u00f3s pol\u00eamica, governo fechou acordo para liberar garimpo da canadense Belo Sun em assentamentos no Xingu. Catarina Barbosa\/Brasil de Fato (PA)<\/p><\/div>\n<p>O acordo da mineradora canadense entrou na mira do MPF e da DPU, mas nem a pol\u00eamica em torno do caso afugentou o governo. O presidente do conselho diretor do Incra, Geraldo de Melo Filho, referendou o acordo, como informa o Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o de 21 de janeiro de 2022.<br \/>\n\u201c\u00c9 muito estranho: o Incra agora diz que se reunir\u00e1 com as fam\u00edlias da Vila Ressaca, mas em momento algum estas fam\u00edlias foram consultadas durante o processo e a elabora\u00e7\u00e3o do acordo\u201d, disse \u00e0 P\u00fablica Elis\u00e2ngela C\u00f4rtes, defensora p\u00fablica que coordena o n\u00facleo regional de Direitos Humanos em Altamira (PA) e acompanha o caso Belo Sun h\u00e1 anos.<br \/>\nProcurado pela P\u00fablica, o Incra afirmou que a concess\u00e3o de uso das terras destinadas \u00e0 reforma agr\u00e1ria \u201crepresenta cerca de 3,5% [da \u00e1rea total] do assentamento\u201d onde fica a Vila Ressaca, que \u201cn\u00e3o houve desafeta\u00e7\u00e3o da \u00e1rea\u201d \u2013 ou seja, as terras ainda n\u00e3o foram repassadas \u00e0 Belo Sun \u2013 e que, \u201ccaso haja necessidade de remanejamento dos moradores , este [sic] ser\u00e1 discutido no processo de licenciamento ambiental junto ao \u00f3rg\u00e3o estadual de meio ambiente\u201d.<br \/>\nQuem lucra com a libera\u00e7\u00e3o do projeto, afinal? Relat\u00f3rios da mineradora enviados \u00e0s autoridades fiscais no Canad\u00e1 indicam que, at\u00e9 setembro de 2021, a Belo Sun dividia seus principais diretores com o Forbes &amp; Manhattan: os gerentes Mark Eaton e Ryan Ptolemy, al\u00e9m do pr\u00f3prio executivo-chefe e fundador do grupo, Stan Bharti.<br \/>\nH\u00e1 poss\u00edveis s\u00f3cios de peso por tr\u00e1s da Belo Sun. Segundo um material obtido pela P\u00fablica, at\u00e9 novembro de 2020 a mineradora tinha entre seus parceiros o Deutsche Bank, da Alemanha, e o Royal Bank of Canada, segundo maior acionista nessa mineradora de ouro, al\u00e9m do fundo de investimentos BlackRock, dos Estados Unidos \u2013 acusado por organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas de amea\u00e7ar a Amaz\u00f4nia e seus povos.<br \/>\nA reportagem enviou perguntas a esses investidores para entender qual sua rela\u00e7\u00e3o com Belo Sun. Apenas o Deutsche Bank retornou, afirmando \u201cn\u00e3o deter a\u00e7\u00f5es\u201d nem \u201cparticipa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria em companhia\u201d de modo geral.<br \/>\n\u201cPara n\u00f3s, acima de tudo o projeto da Belo Sun \u00e9 invi\u00e1vel, seja pela perspectiva social, seja pela ambiental, pois est\u00e1 previsto para um regi\u00e3o com grandes impactos ainda n\u00e3o mitigados devido \u00e0 usina de Belo Monte\u201d, diz Elis\u00e2ngela Cort\u00eas.<br \/>\nA DPU \u00e9 um dos \u00f3rg\u00e3os que tentam brecar a iniciativa. Em outubro passado, a DPU recomendou a interrup\u00e7\u00e3o do licenciamento ambiental da Belo Sun. Menos de dois meses ap\u00f3s a recomenda\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, o projeto da mineradora canadense tornou-se \u201cestrat\u00e9gico\u201d para o governo federal.<br \/>\nA proposta foi inclu\u00edda na Pol\u00edtica Pr\u00f3-Minerais Estrat\u00e9gicos do governo, uma decis\u00e3o divulgada pela pr\u00f3pria Belo Sun ao mercado financeiro no Canad\u00e1 em dezembro passado.<br \/>\n\u201cDa parte do governo, h\u00e1 uma press\u00e3o para liberar o projeto Volta Grande\u201d, afirma Elis\u00e2ngela C\u00f4rtes. Para a Defensoria, n\u00e3o se pode licenciar a obra se n\u00e3o houve devida \u201cconsulta livre, pr\u00e9via, e informada do povo Mebengokre-Xikrin e dos povos ind\u00edgenas desaldeados\u201d em Senador Porf\u00edrio e regi\u00e3o.<br \/>\n\u00c0 P\u00fablica, a Belo Sun disse que \u201ca equipe gestora vem se comunicando e consultando as comunidades locais, o munic\u00edpio e a regi\u00e3o de forma aberta e honesta\u201d. \u201cVolta Grande \u00e9 um projeto de minera\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel, regido pelas leis e regulamentos brasileiros\u201d, afirma ainda a mineradora.<\/p>\n<h3>Um general de brigada que abre caminhos<\/h3>\n<p>De acordo com documentos obtidos pela P\u00fablica, desde 2019 os planos da Belo Sun caminharam conforme o general da brigada Cl\u00e1udio Barroso Magno Filho se envolvia nas tratativas com a gest\u00e3o Bolsonaro.<\/p>\n\n\t\t\t<style type='text\/css'>\n\t\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t\t}\n\t\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\t\twidth: 50%;\n\t\t\t\t}\n\t\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t\t}\n\t\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t\t}\n\t\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='dt-gallery-container gallery galleryid-32519 gallery-columns-2 gallery-size-large'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t\t<a class=\"rollover\" href='https:\/\/www.raisg.org\/en\/ed-imagem-6-mourao-e-stan-bharti-em-junho-o-lobby-do-general-a-favor-de-mineradoras-canadenses-na-amazonia-jpg-2\/'><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ed-imagem-6-mourao-e-stan-bharti-em-junho-o-lobby-do-general-a-favor-de-mineradoras-canadenses-na-amazonia.jpg-1024x682.webp\" class=\"attachment-large size-large\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-1-33620\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ed-imagem-6-mourao-e-stan-bharti-em-junho-o-lobby-do-general-a-favor-de-mineradoras-canadenses-na-amazonia.jpg-1024x682.webp 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ed-imagem-6-mourao-e-stan-bharti-em-junho-o-lobby-do-general-a-favor-de-mineradoras-canadenses-na-amazonia.jpg-300x200.webp 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ed-imagem-6-mourao-e-stan-bharti-em-junho-o-lobby-do-general-a-favor-de-mineradoras-canadenses-na-amazonia.jpg-768x511.webp 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ed-imagem-6-mourao-e-stan-bharti-em-junho-o-lobby-do-general-a-favor-de-mineradoras-canadenses-na-amazonia.jpg.webp 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a>\n\t\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-33620'>\n\t\t\t\t\tStan Bharti cumprimenta Hamilton Mour\u00e3o (PRTB) sob olhares de Cl\u00e1udio Barroso Magno Filho em reuni\u00e3o realizada em 2019 (Magno, Bharti e Mour\u00e3o, respectivamente)\n\t\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t\t<a class=\"rollover\" href='https:\/\/www.raisg.org\/en\/edimagem-61-mourao-e-stan-bharti-em-junho-o-lobby-do-general-a-favor-de-mineradoras-canadenses-na-amazonia-jpg-2\/'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"681\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/edimagem-61-mourao-e-stan-bharti-em-junho-o-lobby-do-general-a-favor-de-mineradoras-canadenses-na-amazonia.jpg-1024x681.webp\" class=\"attachment-large size-large\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-1-33622\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/edimagem-61-mourao-e-stan-bharti-em-junho-o-lobby-do-general-a-favor-de-mineradoras-canadenses-na-amazonia.jpg-1024x681.webp 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/edimagem-61-mourao-e-stan-bharti-em-junho-o-lobby-do-general-a-favor-de-mineradoras-canadenses-na-amazonia.jpg-300x200.webp 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/edimagem-61-mourao-e-stan-bharti-em-junho-o-lobby-do-general-a-favor-de-mineradoras-canadenses-na-amazonia.jpg-768x511.webp 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/edimagem-61-mourao-e-stan-bharti-em-junho-o-lobby-do-general-a-favor-de-mineradoras-canadenses-na-amazonia.jpg.webp 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a>\n\t\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-33622'>\n\t\t\t\t\tFotos: Romerio Cunha\/Vice Presid\u00eancia da Rep\u00fablica\n\t\t\t\t\t<\/dd><\/dl><br style=\"clear: both\" \/>\n\t\t\t<\/div>\n\n<p>A agenda oficial do governo mostra o militar da reserva presente nas conversas da mineradora canadense com a Uni\u00e3o. Em setembro de 2019, por exemplo, Barroso Magno esteve reunido em nome da Belo Sun com a c\u00fapula da Secretaria de Geologia e Minera\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio de Minas e Energia.<br \/>\nDepois de v\u00e1rias ondas de covid-19 terem assolado o Brasil, j\u00e1 em maio de 2021, houve novo encontro entre o governo e a Belo Sun, mais uma vez com a presen\u00e7a do general de brigada pela mineradora canadense.<br \/>\nEm 25 de novembro de 2021, Barroso Magno estava na comitiva de representantes da Belo Sun que se reuniu com o presidente do conselho diretor do Incra, Geraldo de Melo Filho, e com o diretor de Desenvolvimento e Consolida\u00e7\u00e3o de Projetos de Assentamento do \u00f3rg\u00e3o, Giuseppe Serra Seca Vieira. A reuni\u00e3o ocorreu a pedido da mineradora canadense, conforme informado pelo Incra \u00e0 P\u00fablica.<br \/>\nNo dia seguinte, 26, foi \u201cfirmado entre a Presid\u00eancia do Incra e a empresa Belo Sun Minera\u00e7\u00e3o Ltda\u201d um contrato para a \u201cconcess\u00e3o de uso de uma \u00e1rea de 2.428,00 hectares, sendo 1.439,00 hectares sobrepostos ao Projeto de Assentamento Ressaca e 989,00 hectares sobrepostos a Gleba Ituna, localizada no munic\u00edpio de Senador Jos\u00e9 Porf\u00edrio, no estado do Par\u00e1\u201d, \u201cpara fins de explora\u00e7\u00e3o miner\u00e1ria\u201d.<br \/>\n\u00c0 P\u00fablica, por\u00e9m, o general de brigada disse que trabalha apenas com a outra mineradora ligada ao Forbes &amp; Manhattan na Amaz\u00f4nia, a Pot\u00e1ssio do Brasil. \u201cN\u00e3o conhe\u00e7o nenhum outro projeto\u201d, disse Barroso Magno, que afirmou tamb\u00e9m: \u201cN\u00e3o tenho porque esconder meus v\u00ednculos\u201d.<br \/>\nO militar da reserva n\u00e3o consta nas listas de diretores, de gestores ou de qualquer outro cargo no site da Belo Sun, mas \u00e9 creditado como consultor da companhia ligada ao banco Forbes &amp; Manhattan, segundo o governo federal. Um dos materiais obtidos pela P\u00fablica credita Barroso Magno como \u201cvice-presidente de rela\u00e7\u00f5es governamentais\u201d do grupo canadense no Brasil.<br \/>\nAntes de se tornar assessor e consultor empresarial, Barroso Magno construiu uma carreira de renome nas For\u00e7as Armadas. Ele liderou tropas na miss\u00e3o de paz ONU no Haiti \u2013 a Minustah, comandada pelo Ex\u00e9rcito brasileiro \u2013 e participou de conflitos armados na regi\u00e3o. Logo ap\u00f3s ter voltado, em 2008, foi para a reserva com vencimentos brutos em torno de R$ 30 mil mensais, de acordo com o Portal da Transpar\u00eancia.<br \/>\nN\u00e3o tardou at\u00e9 que Barroso Magno entrasse no ramo de consultorias e venda de equipamentos. Entre setembro de 2008 e junho de 2014, o general de brigada trabalhou como \u201cencarregado de neg\u00f3cios no setor p\u00fablico, no Brasil e em pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul\u201d, de outra companhia do Canad\u00e1, chamada Weatherhaven.<br \/>\n\u201cTrabalhamos tamb\u00e9m na \u00e1rea governamental, principalmente com suas for\u00e7as armadas [sic]\u201d, informa a Weatherhaven em seu site. A empresa apresenta uma s\u00e9rie de projetos executados, como a entrega de equipamentos para o Ex\u00e9rcito brasileiro durante a Minustah, e parcerias no Brasil com v\u00e1rias empreiteiras devassadas pela for\u00e7a-tarefa da Lava Jato.<br \/>\nA data da maioria dos projetos coincide com o per\u00edodo de Barroso Magno como funcion\u00e1rio da Weatherhaven, segundo o perfil do militar no site LinkedIn.<br \/>\n\u00c0 P\u00fablica, o general de brigada n\u00e3o respondeu desde quando trabalha com o grupo Forbes &amp; Manhattan, afirmando: \u201cN\u00e3o tenho um compromisso formal [ com o banco canadense], mas fui contratado, de certa forma, pela minha experi\u00eancia em gest\u00e3o\u201d. N\u00e3o sou lobista de abre-portas, mas sim de desenvolvimento de projetos\u201d, disse \u00e0 reportagem.<\/p>\n<h3>De frente com Mour\u00e3o<\/h3>\n<p>A trajet\u00f3ria de d\u00e9cadas no Ex\u00e9rcito teria garantido tr\u00e2nsito a Barroso Magno entre membros influentes no atual governo. O general de brigada da reserva conhece, por exemplo, o vice-presidente Hamilton Mour\u00e3o h\u00e1 mais de 40 anos. Os dois cursaram a Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) na mesma \u00e9poca \u2013 Mour\u00e3o entrou na Aman em 1975, Barroso Magno, em 1976.<br \/>\nOs anos se passaram, mas o contato n\u00e3o se perdeu. Logo no segundo m\u00eas de governo Bolsonaro, Barroso Magno reuniu-se oficialmente com Mour\u00e3o. N\u00e3o se sabe a pauta desse encontro inicial, mas sabe-se que, pouco depois, em junho, o general de brigada da reserva esteve na primeira reuni\u00e3o exclusiva de Stan Bharti, do Forbes &amp; Manhattan, com o vice-presidente da Rep\u00fablica.<br \/>\n<div id=\"attachment_31222\" style=\"width: 730px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-31222\" class=\"wp-image-31222 size-full\" src=\"https:\/\/dev.amazoniasocioambiental.org\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/imagem-7-o-lobby-do-general-a-favor-de-mineradoras-canadenses-na-amazonia.png\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"452\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/imagem-7-o-lobby-do-general-a-favor-de-mineradoras-canadenses-na-amazonia.png 720w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/imagem-7-o-lobby-do-general-a-favor-de-mineradoras-canadenses-na-amazonia-300x188.png 300w\" sizes=\"(max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><p id=\"caption-attachment-31222\" class=\"wp-caption-text\">Cl\u00e1udio Barroso Magno Filho [\u00e0 direita na foto] tornou-se pe\u00e7a-chave para os neg\u00f3cios do Forbes &amp; Manhattan. FOTO: CITIC Group<\/p><\/div><br \/>\nCl\u00e1udio Barroso Magno Filho [\u00e0 direita na foto] tornou-se pe\u00e7a-chave para os neg\u00f3cios do Forbes &amp; Manhattan<br \/>\nDali em diante, Barroso Magno continuou reunindo-se com o governo ora como assessor, ora como consultor do grupo canadense e suas empresas associadas, o que inclui, al\u00e9m da Belo Sun, a Pot\u00e1ssio do Brasil.<br \/>\nDesde fevereiro de 2019 diretores desta outra mineradora de Forbes &amp; Manhattan peregrinavam pelas secretarias do minist\u00e9rio de Minas e Energia, como mostram documentos obtidos pela P\u00fablica via Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o (LAI). Mas foi somente ap\u00f3s a primeira reuni\u00e3o de Hamilton Mour\u00e3o com o executivo-chefe do grupo canadense, em junho daquele ano, que a mineradora conseguiu uma agenda com o ministro de Minas e Energia, o almirante da reserva da Marinha Bento Albuquerque.<br \/>\nA reuni\u00e3o do ministro com a Pot\u00e1ssio do Brasil n\u00e3o constava na agenda p\u00fablica do governo at\u00e9 o contato da P\u00fablica, realizado em 9 de fevereiro passado.<br \/>\nO encontro, ocorrido em 25 de setembro de 2019, envolveu ainda o deputado federal pelo Amazonas Silas C\u00e2mara (Republicanos), ent\u00e3o presidente da comiss\u00e3o de Minas e Energia da C\u00e2mara dos Deputados. Via LAI, o minist\u00e9rio confirmou a presen\u00e7a de diretores da mineradora canadense no encontro, al\u00e9m do diretor-geral da Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e9poca, Victor Bicca.<br \/>\nAt\u00e9 o fechamento do texto, a pasta n\u00e3o respondeu por que a Pot\u00e1ssio do Brasil n\u00e3o constava na agenda oficial do ministro at\u00e9 o nosso contato.<br \/>\nUm ano depois dessa reuni\u00e3o, o ministro Bento Albuquerque defendeu o projeto de minera\u00e7\u00e3o de pot\u00e1ssio do grupo canadense perante o Observat\u00f3rio Nacional sobre Quest\u00f5es Ambientais, formado por membros do Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ) e do Conselho Nacional do Minist\u00e9rio P\u00fablico (CNMP). O almirante da reserva fez a defesa da proposta acompanhado do ent\u00e3o secret\u00e1rio de Geologia e Minera\u00e7\u00e3o do minist\u00e9rio, Alexandre Vidigal de Oliveira, que havia se reunido oficialmente com a Pot\u00e1ssio do Brasil cinco vezes antes dessa ida ao Observat\u00f3rio Nacional. Ex-juiz federal, Oliveira depois deixou o governo para criar a \u00e1rea de minera\u00e7\u00e3o de um renomado escrit\u00f3rio de advocacia em Bras\u00edlia.<br \/>\nSegunda mat\u00e9ria sobre a reuni\u00e3o no Observat\u00f3rio Nacional, publicada no site do Minist\u00e9rio de Minas e Energia, uma \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 o licenciamento ambiental, no caso \u2013 para a mineradora canadense era \u201cimprescind\u00edvel\u201d para o Brasil.<br \/>\nS\u00f3 entre 2020 e 2021, houve pelo menos outras sete reuni\u00f5es do governo com representantes da Pot\u00e1ssio do Brasil. No mesmo per\u00edodo, a gest\u00e3o federal criou a Pol\u00edtica Pr\u00f3-Minerais Estrat\u00e9gicos, que hoje d\u00e1 \u201capoio ao licenciamento ambiental\u201d da mineradora canadense.<br \/>\nUm dos documentos consultados pela P\u00fablica mostra que, em 2020, a companhia j\u00e1 antecipava a classifica\u00e7\u00e3o de seu projeto como \u201cestrat\u00e9gico\u201d. No material, atribu\u00eddo \u00e0 matriz da mineradora no exterior, l\u00ea-se em ingl\u00eas a frase \u201cPot\u00e1ssio do Brasil \u00e9 considerada de \u2018import\u00e2ncia nacional\u2019 pelo \u2018governo federal\u2019 e pelo \u2018observat\u00f3rio nacional\u2019\u201d em um slide com fotos da assinatura de contratos entre a mineradora e o governo Bolsonaro, com a presen\u00e7a do bilion\u00e1rio Stan Bharti e do vice-presidente Hamilton Mour\u00e3o.<br \/>\nA reportagem procurou a vice-presid\u00eancia da Rep\u00fablica e o minist\u00e9rio de Minas e Energia. \u201cO minist\u00e9rio de Minas e Energia entende que os projetos que visam \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de pot\u00e1ssio e fosfato s\u00e3o importantes para o pa\u00eds\u201d, disse o \u00f3rg\u00e3o \u00e0 P\u00fablica. J\u00e1 a vice-presid\u00eancia n\u00e3o respondeu.<\/p>\n<h3>Impacto sobre terras ind\u00edgenas, desinteresse do Ibama<\/h3>\n<p>A canadense Pot\u00e1ssio do Brasil est\u00e1 com suas atividades na Amaz\u00f4nia paralisadas h\u00e1 cinco anos. O grupo promete investir mais de R$ 10 bilh\u00f5es na cria\u00e7\u00e3o de um polo de fertilizantes \u00e0 base de pot\u00e1ssio em Autazes (AM), a pouco mais de 100 km de Manaus, em tese suprindo 25% da demanda brasileira por fertilizantes do tipo \u2014 muito usados pelo agroneg\u00f3cio.<br \/>\nMas seu projeto, oficialmente chamado de Pot\u00e1ssio Autazes, atingir\u00e1 comunidades ind\u00edgenas e ribeirinhas no encontro do rio Madeira com o rio Amazonas, uma \u00e1rea com territ\u00f3rios n\u00e3o demarcados pela Uni\u00e3o, como a Terra Ind\u00edgena Jauary, do povo Mura.<\/p>\n<div id=\"attachment_31225\" style=\"width: 796px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/dev.amazoniasocioambiental.org\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/imagem-8-terra-indigena-jauary-o-lobby-do-general-a-favor-de-mineradoras-canadenses-na-amazonia.jpeg.webp\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-31225\" class=\"wp-image-31225 size-full\" src=\"https:\/\/dev.amazoniasocioambiental.org\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/imagem-8-terra-indigena-jauary-o-lobby-do-general-a-favor-de-mineradoras-canadenses-na-amazonia.jpeg.webp\" alt=\"\" width=\"786\" height=\"409\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-31225\" class=\"wp-caption-text\">Localizada pr\u00f3ximo ao rio Madeira, Terra Ind\u00edgena Jauary ser\u00e1 impactada pelo projeto Pot\u00e1ssio Autazes. Reprodu\u00e7\u00e3o: ISA<\/p><\/div>\n<p>Em 2014, a companhia obteve, via governo do Amazonas, uma licen\u00e7a ambiental para o projeto. Mas o potencial impacto sobre os territ\u00f3rios ind\u00edgenas em Autazes demanda avalia\u00e7\u00e3o \u2014 e libera\u00e7\u00e3o \u2014 da obra pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renov\u00e1veis (Ibama), segundo o MPF.<br \/>\nO MPF move uma a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica contra a mineradora canadense, fato relatado pelo InfoAmazonia. O procurador da Rep\u00fablica Fernando Soave, que atua no caso, disse \u00e0 reportagem que a companhia perfurou a \u00e1rea em Autazes sem a devida autoriza\u00e7\u00e3o federal.<br \/>\nTempos depois, o projeto travou de vez por meio de um acordo entre a mineradora, o MPF e a Uni\u00e3o. O trato, homologado pela Justi\u00e7a Federal no Amazonas em 2017, suspendia temporariamente a licen\u00e7a ambiental do governo do estado e interrompia a a\u00e7\u00e3o do MPF contra a Pot\u00e1ssio do Brasil.<br \/>\n\u201cPara o MPF, a licen\u00e7a ambiental concedida pelo estado do Amazonas [para a mineradora] n\u00e3o \u00e9 v\u00e1lida porque envolve terras do povo Mura. O licenciamento \u00e9 responsabilidade do Ibama e os ind\u00edgenas precisam ser consultados\u201d, afirma Soave \u00e0 P\u00fablica.<br \/>\nAt\u00e9 o fechamento desta reportagem, a consulta aos ind\u00edgenas segue inacabada. J\u00e1 o Ibama se isentou do licenciamento perante a Justi\u00e7a Federal. \u201cN\u00e3o compete ao IBAMA [sic] o licenciamento ambiental do projeto de minera\u00e7\u00e3o Pot\u00e1ssio do Brasil por n\u00e3o se desenvolver ou estar localizado em terra ind\u00edgena\u201d, afirma a Advocacia-Geral da Uni\u00e3o (AGU) em uma manifesta\u00e7\u00e3o judicial consultada pela reportagem. O argumento de n\u00e3o compet\u00eancia do Ibama consta tamb\u00e9m em uma decis\u00e3o da 1\u00aa Vara da Justi\u00e7a Federal no Amazonas sobre o caso, de 17 de dezembro passado, consultada pela P\u00fablica.<br \/>\nA reportagem questionou o Ibama sobre o motivo de seu desinteresse pelo licenciamento da Pot\u00e1ssio do Brasil. Segundo a autarquia, \u201ccaberia ao empreendedor e\/ou \u00e0 Funai informarem se o empreendimento estiver localizado dentro da Terra Ind\u00edgena\u201d, e at\u00e9 o momento \u201cn\u00e3o h\u00e1 registro de abertura de processo relacionado ao empreendimento\u201d da Pot\u00e1ssio do Brasil. J\u00e1 a mineradora n\u00e3o respondeu.<\/p>\n<div style=\"width: 920px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"shrinkToFit\" src=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/webp-express\/webp-images\/uploads\/2022\/02\/edimagem-9-trecho-do-rio-madeira-em-autazes-foto-bruno-caporrino-infoamazonia.jpg.webp\" alt=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/webp-express\/webp-images\/uploads\/2022\/02\/edimagem-9-trecho-do-rio-madeira-em-autazes-foto-bruno-caporrino-infoamazonia.jpg.webp\" width=\"910\" height=\"607\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Impacto sobre as comunidades no encontro do rio Madeira com o rio Amazonas, em Autazes, demanda avalia\u00e7\u00e3o. Bruno Caporrino\/InfoAmazonia<\/p><\/div>\n<p>Economia presta \u201capoio ao processo de licenciamento ambiental\u201d<br \/>\nPor um lado, o Ibama entende que o licenciamento da Pot\u00e1ssio do Brasil n\u00e3o \u00e9 sua responsabilidade. Por outro, o Minist\u00e9rio da Economia assumiu a responsabilidade de dar \u201capoio ao processo de licenciamento ambiental\u201d da mineradora canadense em setembro de 2021. O aux\u00edlio se d\u00e1 por meio de um servidor federal que conhece o caso h\u00e1 anos.<br \/>\nUm dos signat\u00e1rios do acordo judicial de 2017 \u00e9 o procurador Frederico Munia Machado, ent\u00e3o representante do \u00f3rg\u00e3o correspondente \u00e0 atual ANM. Desde 2020, ele trabalha no Programa de Parcerias de Investimento (PPI) do Minist\u00e9rio da Economia, principal interface do governo com a iniciativa privada.<br \/>\nO mesmo servidor atua tamb\u00e9m como titular, pela Secretaria Especial do PPI, do Comit\u00ea Interministerial de An\u00e1lise de Projetos Minerais Estrat\u00e9gicos \u2014 respons\u00e1vel por executar a Pol\u00edtica Pr\u00f3-Minerais Estrat\u00e9gicos, que favoreceu o grupo canadense no fim de 2021.<br \/>\nSegundo o decreto de cria\u00e7\u00e3o dessa pol\u00edtica, \u201c\u00e0 Secretaria Especial do Programa de Parcerias e Investimentos do Minist\u00e9rio da Economia caber\u00e1 prestar o apoio ao processo de licenciamento ambiental dos projetos habilitados\u201d. Ainda segundo o governo federal, o aux\u00edlio se d\u00e1 \u201cna articula\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para minimizar riscos e solucionar conflitos que venham a ser identificados\u201d.<br \/>\nA estrutura do comit\u00ea tem, al\u00e9m do Minist\u00e9rio da Economia, o Gabinete de Seguran\u00e7a Institucional, o Minist\u00e9rio de Minas e Energia e a Secretaria Especial de Assuntos Estrat\u00e9gicos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica como participantes com total direito a voto. Al\u00e9m deles, o Minist\u00e9rio de Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m participa, mas com poder de voto limitado a projetos de minera\u00e7\u00e3o de terras raras, como l\u00edtio e ni\u00f3bio.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 representantes do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente ou de suas ag\u00eancias de fiscaliza\u00e7\u00e3o no comit\u00ea nem servidores de outros \u00f3rg\u00e3os envolvidos no licenciamento ambiental de mineradoras \u2014 como Funai, Funda\u00e7\u00e3o Palmares, Incra ou Iphan.<br \/>\nO minist\u00e9rio de Minas e Energia afirmou, por meio de nota, que \u201cos \u00f3rg\u00e3os ambientais permanecem integralmente respons\u00e1veis pela condu\u00e7\u00e3o e decis\u00e3o dos processos de licenciamento ambiental dos projetos habilitados na Pol\u00edtica Pr\u00f3-Minerais Estrat\u00e9gicos\u201d. J\u00e1 o minist\u00e9rio da Economia n\u00e3o respondeu.<\/p>\n<h3>\u201cNosso hist\u00f3rico fala por si\u201d<\/h3>\n<p>Stan Bharti n\u00e3o esconde sua receita para o sucesso na minera\u00e7\u00e3o. \u201cO que eu fa\u00e7o? Cerco as [nossas] empresas com consultorias legais, financeiras, de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, contrato um bom ge\u00f3logo, um bom engenheiro, um bom operador de mineradoras de ouro, prata ou cobre\u201d, diz o executivo-chefe do Forbes &amp; Manhattan em outro dos v\u00eddeos institucionais do grupo.<br \/>\nNa mesma ocasi\u00e3o, Bharti explica ainda o principal objetivo do seu banco de investimentos. \u201cN\u00f3s desenvolvemos nossas companhias por um per\u00edodo entre tr\u00eas e cinco anos, valorizando-as e depois as revendendo\u201d, diz, logo antes de complementar: \u201cNosso hist\u00f3rico fala por si, pois vendemos mais de dez empresas nos \u00faltimos 15 anos, as vendemos por dez vezes o que valiam originalmente\u201d.<br \/>\nUma antiga apresenta\u00e7\u00e3o do Forbes &amp; Manhattan consultada pela P\u00fablica mostra que em 2014 o grupo anunciou no principal evento de minera\u00e7\u00e3o no pa\u00eds que controlava ao menos seis empresas \u2014 Belo Sun e Pot\u00e1ssio do Brasil entre elas \u2014 com direitos miner\u00e1rios sobre quase 3 milh\u00f5es de hectares. Ou seja, tinha prefer\u00eancia de minera\u00e7\u00e3o sob uma \u00e1rea maior que o estado inteiro de Alagoas.<br \/>\nO m\u00e9todo de desenvolvimento para futura revenda foi aplicado em pelo menos uma dessas seis companhias, a mineradora Aguia Fertilizantes S.A., que tamb\u00e9m prospecta min\u00e9rios para a fabrica\u00e7\u00e3o de fertilizantes. Hoje sob controle de um grupo australiano, a companhia atua no Rio Grande do Sul, em uma regi\u00e3o do Pampa amea\u00e7ada por disputas crescentes em torno da minera\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO hist\u00f3rico do Forbes &amp; Manhattan vai mais longe, com a venda de uma mineradora de ouro na Bahia nos anos 2000. O banco de Stan Bharti foi o primeiro a desenvolver, via sua antiga empresa Desert Sun, a estrutura hoje operada pela tamb\u00e9m canadense Yamana Gold. Em 2006, a Yamana adquiriu os direitos de explora\u00e7\u00e3o em Jacobina (BA), ent\u00e3o controlados pelo Forbes &amp; Manhattan, por 750 milh\u00f5es de d\u00f3lares canadenses \u2014 mais de R$ 3 bilh\u00f5es, na cota\u00e7\u00e3o atual.<br \/>\nA P\u00fablica j\u00e1 relatou o caso da Yamana Gold na Chapada Diamantina. Moradores pr\u00f3ximos temem o rompimento da barragem da companhia no local, al\u00e9m de existirem registros de concentra\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias t\u00f3xicas derivadas da minera\u00e7\u00e3o \u2014 como cianeto e soda c\u00e1ustica \u2014 em veios d\u2019\u00e1gua que abastecem a \u00e1rea. Mesmo assim, em janeiro de 2022 o governo da Bahia autorizou a amplia\u00e7\u00e3o das atividades da mineradora de ouro canadense.<br \/>\n<strong>Texto original dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/apublica.org\/2022\/02\/como-o-lobby-de-um-militar-da-reserva-favoreceu-mineradoras-canadenses-na-amazonia\/\">https:\/\/apublica.org\/2022\/02\/como-o-lobby-de-um-militar-da-reserva-favoreceu-mineradoras-canadenses-na-amazonia\/<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ag\u00eancia A P\u00fablica Caio de Freitas Paes 21 de fevereiro de 2022 Amaz\u00f4nia brasileira &nbsp; Nos bastidores, velho conhecido de Mour\u00e3o no Ex\u00e9rcito faz a ponte entre governo e Forbes &amp; Manhattan, banco respons\u00e1vel por Belo Sun e Pot\u00e1ssio do Brasil no exterior O banco canadense Forbes &amp; Manhattan enfrentava dificuldades com seus neg\u00f3cios bilion\u00e1rios&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":333,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-32519","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32519","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/333"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32519"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32519\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32519"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32519"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32519"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}