{"id":32712,"date":"2022-02-04T17:12:29","date_gmt":"2022-02-04T20:12:29","guid":{"rendered":"https:\/\/dev.amazoniasocioambiental.org\/radar\/mais-da-metade-do-desmatamento-da-amazonia-ocorreu-em-terras-publicas\/"},"modified":"2022-02-04T17:12:29","modified_gmt":"2022-02-04T20:12:29","slug":"mais-da-metade-do-desmatamento-da-amazonia-ocorreu-em-terras-publicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/radar\/mais-da-metade-do-desmatamento-da-amazonia-ocorreu-em-terras-publicas\/","title":{"rendered":"Mais da metade do desmatamento da Amaz\u00f4nia ocorreu em terras p\u00fablicas"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\" style=\"text-align: right;\"><strong>Brasil de Fato<\/strong><br \/>\n<strong>Mariana Castro<\/strong><br \/>\n<time class=\"date\" datetime=\"2022-02-04T20:09:13 -03\"><strong>04 de Fevereiro de 2022 <\/strong><br \/>\n<strong>Amaz\u00f4nia brasileira<\/strong><br \/>\n<\/time><\/p>\n<div class=\"details-bar\">\n<div>\n<h3 class=\"description\" style=\"text-align: center;\"><em>Recorde hist\u00f3rico aponta aumento de 56,6% da \u00e1rea desmatada nos \u00faltimos tr\u00eas anos, segundo o Ipam<\/em><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"author-time\">\n<div class=\"place translated-links\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"listen-audio\">Ou\u00e7a o \u00e1udio:<\/p>\n<div class=\"audio-item\">\n<div class=\"plyr plyr--full-ui plyr--audio plyr--html5 plyr--paused plyr--stopped\" tabindex=\"0\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"plyr__progress\">\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-32712-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/dev.amazoniasocioambiental.org\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/04-02-22-AMAZONIA-DESMATADA-DOUGLAS-MATOS.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/dev.amazoniasocioambiental.org\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/04-02-22-AMAZONIA-DESMATADA-DOUGLAS-MATOS.mp3\">https:\/\/dev.amazoniasocioambiental.org\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/04-02-22-AMAZONIA-DESMATADA-DOUGLAS-MATOS.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div>\n<header>\n<figure>\n<div class=\"img-container\">\n<div style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/03ab48d4b95358db71c175e05d565934.jpeg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"600\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Rebanho em fazenda na BR-319, em Rond\u00f4nia, conhecida como Nova Transamaz\u00f4nica &#8211; Nilmar Lage\/Greenpeace<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<\/header>\n<div class=\"content\">\n<div class=\"text-content\">Novo <a href=\"https:\/\/ipam.org.br\/bibliotecas\/amazonia-em-chamas-9-o-novo-e-alarmante-patamar-do-desmatamento-na-amazonia\/\">estudo publicado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (Ipam)<\/a>\u00a0aponta que a regi\u00e3o teve 56,6% de aumento no desmatamento do seu territ\u00f3rio nos \u00faltimos tr\u00eas anos (2019-2021) em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo anterior (2016-2018), com destaque para <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/01\/30\/territorios-de-indigenas-isolados-tiveram-3-2-mil-hectares-desmatados-em-2021-aponta-relatorio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">territ\u00f3rios ind\u00edgenas, que alcan\u00e7am 153% de aumento na m\u00e9dia de derrubada<\/a>.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/02\/04\/no-central-do-brasil-especialista-analisa-o-aumento-do-desmatamento-em-territorios-indigenas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ao programa Central Entrevista, Ane Alencar<\/a>, diretora de Ci\u00eancia do Ipam, que participou da elabora\u00e7\u00e3o do estudo, explica que mais da metade do desmatamento da floresta ocorreu em terras p\u00fablicas, ou seja, \u00e9 desmatamento ilegal e deveria ter sido impedido e pass\u00edvel de puni\u00e7\u00e3o pelo poder p\u00fablico.<br \/>\n\u201cFica claro que pelo menos mais da metade da floresta que foi derrubada na regi\u00e3o, nos \u00faltimos tr\u00eas anos, ocorreu em terras p\u00fablicas. Uma parte s\u00e3o \u00e1reas protegidas, entre territ\u00f3rios ind\u00edgenas e unidades de conserva\u00e7\u00e3o;\u00a0e outra parte\u00a0ocorreu nas terras p\u00fablicas que ainda n\u00e3o foram destinadas. Isso indica que pelo menos metade do desmatamento \u00e9 ilegal\u201d, aponta.<br \/>\nA cada ano, a situa\u00e7\u00e3o tem se agravado de maneira alarmante, ao ponto de os estudiosos considerarem que foi alcan\u00e7ado um \u201cnovo patamar de desmatamento\u201d. Esse fen\u00f4meno acontece em raz\u00e3o do aumento da m\u00e9dia anual do \u00edndice, que antes girava em torno de 6 mil a 7 mil quil\u00f4metros quadrados desmatados, mas agora alcan\u00e7a a m\u00e9dia de 10 mil quil\u00f4metros.<\/p>\n<div style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/3e338db87e59ad32a2163cb542e84475.jpeg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"479\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Apreens\u00e3o hist\u00f3rica de 43,7 mil toras de madeira ilegal no Par\u00e1, com poss\u00edvel envolvimento do ministro de Meio Ambiente Ricardo Salles \/ Reprodu\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Desmatamento para extra\u00e7\u00e3o ilegal<\/strong><\/p>\n<p>Ane avalia que o novo patamar de desmatamento brasileiro \u00e9 ditado pelos pr\u00f3prios invasores, que desmatam as terras p\u00fablicas para que possam estabelecer no local atividades como a extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeira, min\u00e9rio e monoculturas do agroneg\u00f3cio.<br \/>\n\u201cEssa din\u00e2mica tem sido ditada por agentes que querem, basicamente, ocupar terras p\u00fablicas tendo diversos tipos de comportamento, desde extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeira at\u00e9 a ocupa\u00e7\u00e3o de terras p\u00fablicas, minera\u00e7\u00e3o ilegal, invas\u00e3o de terras ind\u00edgenas. Esses s\u00e3o os tipos de atores que temos visto no protagonismo do desmatamento da Amaz\u00f4nia hoje em dia\u201d, explica.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Risco \u00e0 vida de povos ind\u00edgenas<\/strong><\/p>\n<p>No estudo do Ipam, chama a aten\u00e7\u00e3o o aumento de 153% no desmatamento da Amaz\u00f4nia concentrado nos territ\u00f3rios ind\u00edgenas, incluindo \u00e1reas n\u00e3o homologadas e aquelas onde vivem povos ind\u00edgenas at\u00e9 ent\u00e3o isolados.<br \/>\nEm entrevista, a pesquisadora do Ipam destaca como exemplo o caso da terra ind\u00edgena (TI) Ituna-Itat\u00e1, que abriga povos isolados e, localizada na \u00e1rea de influ\u00eancia da Usina Hidrel\u00e9trica de Belo Monte, ocupa hoje um dos maiores \u00edndices de desmatamento em terras ind\u00edgenas do pa\u00eds.<\/p>\n<div style=\"width: 710px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/5a427e1af014e2e813518cad89a5b9a5.jpeg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"438\" \/><p class=\"wp-caption-text\">A\u00e7\u00e3o de grileiros se intensifica na terra ind\u00edgena Ituna\/Itat\u00e1, na bacia do Rio Xingu, e coloca em risco ind\u00edgenas isolados \/ Juan Doblas\/ISA<\/p><\/div>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Desmatamento alarmante durante governo Bolsonaro<\/strong><\/p>\n<p>Em estudo in\u00e9dito lan\u00e7ado em 28 de janeiro, o <a href=\"https:\/\/s3.amazonaws.com\/appforest_uf\/f1643374516342x435063167696644800\/Relat%C3%B3rio_T%C3%A9cnico_Sobre_Desmatamento_e_Invas%C3%B5es_na_Terra_Ind%C3%ADgena_Ituna-Itat%C3%A1.pdf\">Relat\u00f3rio T\u00e9cnico sobre Desmatamento e Invas\u00f5es na Terra Ind\u00edgena Ituna-Itat\u00e1<\/a>, produzido pela Coordena\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Brasileira (COIAB) e pela Organiza\u00e7\u00e3o dos Povos Isolados (OPI), aponta que o desmatamento nas terras ind\u00edgenas com registros de grupos isolados <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/02\/02\/efeito-bolsonaro-amazonia-perdeu-area-do-tamanho-da-belgica-nos-ultimos-tres-anos#:~:text=Em%20ritmo%20cada%20vez%20mais,per%C3%ADodo%20de%202015%20a%202018.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cresceu alarmantes 1.493% durante o governo Bolsonaro<\/a>.<br \/>\nCom o desmonte da estrutura p\u00fablica de fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental e flexibiliza\u00e7\u00e3o das leis de conserva\u00e7\u00e3o e do uso das terras, sejam elas p\u00fablicas ou privadas, grileiros fazendeiros, garimpeiros e madeireiros avan\u00e7am livremente sobre a Amaz\u00f4nia dia e noite.<br \/>\nLevantamento divulgado em 2019 pelo Greenpeace aponta que 93% da Ituna-Itat\u00e1 est\u00e1 comprometida por fazendeiros que garantem possuir propriedades dentro da \u00e1rea, inclusive, sob o Cadastro Ambiental Rural (CAR), um dos principais instrumentos do C\u00f3digo Florestal Brasileiro.<br \/>\nA pesquisadora Ane Alencar avalia que a terra ind\u00edgena est\u00e1 loteada, e a fragilidade de prote\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria aos territ\u00f3rios ind\u00edgenas favorece as invas\u00f5es e, consequentemente, o desmatamento da \u00e1rea.<br \/>\n\u201cJ\u00e1 pensou uma terra ind\u00edgena que j\u00e1 est\u00e1 loteada, pelo menos no CAR? E essa \u00e9 uma das terras ind\u00edgenas que ocupa uma das mais altas posi\u00e7\u00f5es no <em>ranking<\/em> de desmatamento. Ent\u00e3o, as pessoas sabem que essa terra ind\u00edgena tem uma fragilidade fundi\u00e1ria, e a invas\u00e3o tem corrido solta\u201d.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/5ac0754da7b85851c9f845f9361f6e95.jpeg\" data-wp-editing=\"1\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Preserva\u00e7\u00e3o da mata e da vida<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o Ipam, as \u00e1reas mais conservadas da floresta s\u00e3o as terras ind\u00edgenas, onde ocorreu apenas 1,6% da perda de florestas e da vegeta\u00e7\u00e3o nativa do Brasil, ao longo de 35 anos (1985-2020).<br \/>\nIsso acontece porque os povos ind\u00edgenas t\u00eam um modo de vida integralmente ligado \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o, prote\u00e7\u00e3o e uso sustent\u00e1vel da natureza, de maneira que a consideram m\u00e3e e fonte de vida.<br \/>\nDessa maneira, desmatar as florestas \u00e9 tamb\u00e9m dizimar a vida dos povos ind\u00edgenas, especialmente dos povos isolados que at\u00e9 hoje se mant\u00eam\u00a0totalmente dependentes dos recursos da natureza, como explica Ane.<br \/>\n\u201cOs povos ind\u00edgenas tem a vida, de uma certa forma, dependente da sa\u00fade das florestas, da sa\u00fade dos rios. O desmatamento tira a floresta, impacta os recursos h\u00eddricos. Ent\u00e3o, aquele modo de vida n\u00e3o consegue se reproduzir. [O desmatamento] \u00e9 um perigo muito grande, principalmente para os povos que ainda n\u00e3o foram contactados, os povos isolados\u201d.<br \/>\nAne aponta que os povos ind\u00edgenas desempenham um papel fundamental na conserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia,\u00a0destacando-se\u00a0o Parque Ind\u00edgena do Xingu, no estado do Mato Grosso. Primeira grande \u00e1rea ind\u00edgena reconhecida pelo governo brasileiro, o parque \u00e9 habitado por 16 povos ind\u00edgenas de diferentes idiomas.<br \/>\n\u201cQuando olhamos para as cabeceiras do rio Xingu, no Mato Grosso, fora o Parque Ind\u00edgena do Xingu, as cabeceiras est\u00e3o muito desmatadas, ent\u00e3o demonstram o papel que esses ind\u00edgenas t\u00eam na conserva\u00e7\u00e3o. Elas est\u00e3o daquela forma porque o modo de vida dos ind\u00edgenas atua de forma harm\u00f4nica com a presen\u00e7a da floresta\u201d, avalia.<\/p>\n<p class=\"editor\"><strong>Edi\u00e7\u00e3o: Rodrigo Dur\u00e3o Coelho<\/strong><br \/>\n<strong>Texto original dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/02\/04\/mais-da-metade-do-desmatamento-da-amazonia-ocorreu-em-terras-publicas\">https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/02\/04\/mais-da-metade-do-desmatamento-da-amazonia-ocorreu-em-terras-publicas<\/a><\/strong><\/p>\n<div class=\"addthis_inline_share_toolbox\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brasil de Fato Mariana Castro 04 de Fevereiro de 2022 Amaz\u00f4nia brasileira Recorde hist\u00f3rico aponta aumento de 56,6% da \u00e1rea desmatada nos \u00faltimos tr\u00eas anos, segundo o Ipam Ou\u00e7a o \u00e1udio: Novo estudo publicado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (Ipam)\u00a0aponta que a regi\u00e3o teve 56,6% de aumento no desmatamento do seu territ\u00f3rio nos&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":333,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-32712","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32712","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/333"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32712"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32712\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32712"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32712"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32712"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}