{"id":32871,"date":"2022-01-20T21:39:19","date_gmt":"2022-01-21T00:39:19","guid":{"rendered":"https:\/\/dev.amazoniasocioambiental.org\/radar\/grude-movimenta-mercado-milionario-no-brasil-e-leva-chineses-a-amazonia\/"},"modified":"2022-04-26T16:55:57","modified_gmt":"2022-04-26T19:55:57","slug":"grude-movimenta-mercado-milionario-no-brasil-e-leva-chineses-a-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/radar\/grude-movimenta-mercado-milionario-no-brasil-e-leva-chineses-a-amazonia\/","title":{"rendered":"\u2018Grude\u2019 movimenta mercado milion\u00e1rio no Brasil e leva chineses \u00e0 Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Infoamaz\u00f4nia<\/strong><br \/>\n<span class=\"byline\"><strong><span class=\"author vcard\">Lulu Ning Hui<\/span> and <\/strong><span class=\"author vcard\"><strong>Sarita Reed<\/strong><br \/>\n<strong>20 de janeiro de 2022<\/strong><br \/>\n<strong>Amaz\u00f4nia brasileira<\/strong><br \/>\n<\/span> <\/span><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Pescadores do Par\u00e1 aproveitam crescente apetite chin\u00eas por bexigas natat\u00f3rias de peixes amaz\u00f4nicos, mas com\u00e9rcio pode minguar sem regulamenta\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o<\/em><\/h3>\n<p>S\u00e3o 7 horas em meados de outubro, e Bel\u00e9m atinge seu pico de umidade. No mercado<a href=\"https:\/\/whc.unesco.org\/en\/tentativelists\/5879\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> Ver-o-Peso<\/a>, uma grande variedade de alimentos \u00e9 ofertada desde o amanhecer, incluindo peixes capturados no rio Amazonas e nos mares pr\u00f3ximos. Sob o teto alto do mercado de peixe, o cheiro de anos de vendas de pescado preenche o ar. Fileiras de barracas exibem seus produtos sob bandeirinhas coloridas. Seus donos arrumam os melhores cortes enquanto aguardam os clientes.<br \/>\nCl\u00e1udio, que vende frutos do mar h\u00e1 30 anos, eviscera e limpa quatro ou cinco peixes, mas mant\u00e9m suas bexigas natat\u00f3rias, o \u00f3rg\u00e3o do peixe que controla a flutuabilidade do nado, conhecido na regi\u00e3o como \u201cgrude\u201d. Moradores n\u00e3o comem esse \u00f3rg\u00e3o, mas \u201cclientes veem a bexiga e sabem que o peixe \u00e9 fresco\u201d.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery alignwide columns-3 is-cropped\">\n<ul class=\"blocks-gallery-grid\">\n<li class=\"blocks-gallery-item\">\n<figure><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-124018\" src=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/7-1024x678.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/7-1024x678.jpg 1024w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/7-300x199.jpg 300w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/7-768x509.jpg 768w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/7-1536x1017.jpg 1536w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/7-2048x1357.jpg 2048w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/7-1200x795.jpg 1200w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/7-1568x1039.jpg 1568w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/7-400x265.jpg 400w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"678\" data-id=\"124018\" data-full-url=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/7-scaled.jpg\" data-link=\"https:\/\/infoamazonia.org\/7\/\" \/><\/figure>\n<\/li>\n<li class=\"blocks-gallery-item\">\n<figure><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-124015\" src=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/6-1024x678.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/6-1024x678.jpg 1024w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/6-300x199.jpg 300w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/6-768x509.jpg 768w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/6-1536x1017.jpg 1536w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/6-2048x1357.jpg 2048w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/6-1200x795.jpg 1200w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/6-1568x1039.jpg 1568w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/6-400x265.jpg 400w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"678\" data-id=\"124015\" data-full-url=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/6-scaled.jpg\" data-link=\"https:\/\/infoamazonia.org\/6\/\" \/><\/figure>\n<\/li>\n<li class=\"blocks-gallery-item\">\n<figure><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-124051\" src=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/23-1-1024x678.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/23-1-1024x678.jpg 1024w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/23-1-300x199.jpg 300w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/23-1-768x509.jpg 768w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/23-1-1536x1017.jpg 1536w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/23-1-2048x1356.jpg 2048w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/23-1-1200x795.jpg 1200w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/23-1-1568x1039.jpg 1568w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/23-1-400x265.jpg 400w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"678\" data-id=\"124051\" data-full-url=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/23-1-scaled.jpg\" data-link=\"https:\/\/infoamazonia.org\/23-2\/\" \/><\/figure>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/figure>\n<p>A pescada-amarela, um dos peixes mais caros \u00e0 venda no Ver-o-Peso, \u00e9 distribu\u00edda j\u00e1 eviscerada. Sua bexiga natat\u00f3ria sequer chega ao mercado. \u201cJ\u00e1 a venderam h\u00e1 muito tempo!\u201d, Cl\u00e1udio explica. A carne da pescada-amarela custa cerca de R$ 20 o quilo, ele nos diz, mas sua grude \u00e9 negociada a R$ 2.800 o quilo. \u201cCara, muito cara\u201d.<br \/>\nA bexiga natat\u00f3ria de algumas esp\u00e9cies n\u00e3o vale um centavo, enquanto outras s\u00e3o vendidas a pre\u00e7os exorbitantes. Ele nos olha e diz: \u201ctodas s\u00e3o vendidas para a China\u201d.<br \/>\nMuitos peixes vendidos em Bel\u00e9m v\u00eam de Vigia, um porto pesqueiro mais ao norte. A cidade de 55 mil habitantes fica \u00e0s margens da Ba\u00eda do Maraj\u00f3. Barcos que saem para o mar pela ba\u00eda logo chegam ao Oceano Atl\u00e2ntico, onde a \u00e1gua doce se funde com a \u00e1gua salgada \u2013 o que significa um bom lugar para pescar.<br \/>\nQuando por sorte os pescadores jogam suas redes e conseguem capturar a pescada-amarela, \u00e9 como se tivessem encontrado uma joia. \u201c\u00c9 como ouro no mar\u201d, dizem, referindo-se ao brilho atraente da esp\u00e9cie.<br \/>\nO peixe, encontrado em abund\u00e2ncia na costa do Par\u00e1, h\u00e1 muito \u00e9 associado ao ouro. Mas s\u00f3 recentemente se tornou valioso.<br \/>\nA raz\u00e3o por tr\u00e1s disso \u00e9 um mist\u00e9rio para eles. \u201cA grude \u00e9 usada para fazer cola ou pl\u00e1stico? Talvez seja para produtos de beleza? Quem pagaria tanto por comida?\u201d, se perguntam. Quem est\u00e1 familiarizado com o com\u00e9rcio sabe que os pre\u00e7os das bexigas natat\u00f3rias dos peixes machos e f\u00eameas s\u00e3o diferentes e que as dos machos valem mais. Um ex-pescador achava ter a resposta: \u201c\u00c9 um afrodis\u00edaco?\u201d.<br \/>\nNa China, a bexiga natat\u00f3ria seca \u00e9 considerada por muitos como fonte de recursos medicinais, que variam conforme esp\u00e9cie, tamanho, idade e origem do peixe. Em raz\u00e3o disso, a captura da bexiga natat\u00f3ria da pescada-amarela para exporta\u00e7\u00e3o torna-se cada vez mais uma fonte vital de renda para alguns pescadores na costa amaz\u00f4nica.<br \/>\nDe acordo com especialistas, o peixe \u2014 e a ind\u00fastria pesqueira em geral \u2014 pode ser uma alternativa de menor impacto para o bioma amaz\u00f4nico, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o a produ\u00e7\u00f5es como a de carne e de gr\u00e3os, grandes <a href=\"https:\/\/dialogochino.net\/pt-br\/nao-categorizado\/29986-desmatamento-na-amazonia-e-pressionado-por-soja-e-carne\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">vetores de desmatamento<\/a>.<br \/>\nNo entanto, a falta de pesquisas, regulamenta\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o podem prejudicar o potencial de longo prazo da bexiga natat\u00f3ria e, como qualquer \u201ccorrida pelo ouro\u201d, \u00e9 prov\u00e1vel que se esgote.<\/p>\n<h2><strong>Pre\u00e7os de \u2018grude\u2019 disparam<\/strong><\/h2>\n<p>Nossas entrevistas e outros estudos mostram que a bexiga natat\u00f3ria j\u00e1 era vendida para a China no in\u00edcio do s\u00e9culo 20. Mas s\u00f3 na \u00faltima d\u00e9cada que quantidades e pre\u00e7os dispararam.<br \/>\nQualquer que seja seu uso, os pescadores de hoje est\u00e3o interessados em aproveitar o crescente mercado e os altos pre\u00e7os da grude.<br \/>\n\u00c0 tarde, em um vilarejo tranquilo perto de Vigia, a mar\u00e9 est\u00e1 baixa, e o pequeno barco de pesca de madeira de \u00c9lder J\u00fanior repousa silenciosamente sobre o lodo. J\u00fanior, 37 anos, sorri enquanto repara suas redes, com a lan\u00e7adeira em sua m\u00e3o girando r\u00e1pido para tr\u00e1s e para frente.<br \/>\nJ\u00fanior voltou do mar recentemente. Ele e outros tr\u00eas pescadores passaram dez dias em um barco com menos de cinco metros de comprimento. Trouxeram de volta 40 pescadas-amarelas, um total de 142 quilos.<br \/>\nFoi uma boa pescaria. A carne do peixe cobrir\u00e1 apenas o custo do combust\u00edvel. A bexiga natat\u00f3ria \u00e9 o que d\u00e1 lucro. Em outras palavras, a expedi\u00e7\u00e3o seria in\u00fatil se ele n\u00e3o conseguisse vender a bexiga. \u201cQuando minha filha era pequena, eu usava a grude para fazer bonecas para ela\u201d, brinca J\u00fanior. \u00c9 claro que hoje ele n\u00e3o faz isso.<\/p>\n<div class=\"wp-block-jeo-theme-custom-image-gallery-block image-gallery\">\n<div class=\"image-gallery-wrapper\">\n<div class=\"gallery-title\">\n<h2><\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"actions\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"wp-block-jeo-theme-custom-image-gallery-block image-gallery\">\n<div class=\"image-gallery-wrapper\">\n<div class=\"gallery-grid\" data-total-slides=\"0\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"credited-image-block align-default\">\n<div class=\"image-wrapper\">\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/1B_-ElderJu\u0301nior-scaled.jpg\" \/><\/p>\n<div class=\"image-info-wrapper\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"image-description\">O pescador \u00c9lder J\u00fanior repara redes de pesca no entorno de Vigia, Par\u00e1, com seus companheiros de trabalho. Eles costumam intercalar 10 dias no mar com 7 dias em terra.<\/div>\n<\/div>\n<p>J\u00fanior pesca desde os 12 anos. Na primeira vez que seu filho de 10 anos p\u00f4s os p\u00e9s em um barco, ficou enjoado. Mas J\u00fanior ficou contente: \u201cIsso significa que ele ser\u00e1 mais feliz indo \u00e0 escola\u201d. Sua fam\u00edlia pesca h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es, mas ele espera que seus filhos fa\u00e7am outra coisa.<br \/>\nApesar dos ganhos, \u00e9 uma vida mais dif\u00edcil para J\u00fanior do que foi para seu pai, diz ele, j\u00e1 que h\u00e1 mais barcos para competir, inclusive os grandes.<br \/>\nNa mar\u00e9 cheia, no dia seguinte, um barco grande chega a Vigia ap\u00f3s semanas no mar. Ele descarrega centenas de pescadas-amarelas do por\u00e3o \u2014 todas com as bexigas natat\u00f3rias j\u00e1 removidas. De outro barco, um saco cheio de bexigas natat\u00f3rias secas \u00e9 jogado no cais, onde um carro o esperava. Um grupo de pessoas de apar\u00eancia s\u00e9ria o carrega para o porta-malas. Eles ignoram nossas chamadas e v\u00e3o embora.<\/p>\n<h2 id=\"h-aguas-turvas-no-comercio-da-grude\"><strong>\u00c1guas turvas no com\u00e9rcio da grude<\/strong><\/h2>\n<p>Ao saber que est\u00e1vamos fazendo uma reportagem sobre o com\u00e9rcio de bexigas natat\u00f3rias, Bianca Bentes, professora do N\u00facleo de Ecologia Aqu\u00e1tica e Pesca da Amaz\u00f4nia da Universidade Federal do Par\u00e1, nos informou que poder\u00edamos ter dificuldades para acessar o mercado como rep\u00f3rteres.<br \/>\nBentes nasceu em Santar\u00e9m, no Par\u00e1. Ela come\u00e7ou a estudar a pesca da regi\u00e3o em 1996. Foi ent\u00e3o que ela se deparou pela primeira vez com o com\u00e9rcio de bexigas natat\u00f3rias. Os peixes de \u00e1gua doce, com os quais ela tinha mais familiaridade, t\u00eam bexigas natat\u00f3rias sem valor comercial.<br \/>\nNo passado, quando come\u00e7ou a pesquisar sobre esse mercado, ela foi avisada para n\u00e3o se envolver. Outros especialistas tamb\u00e9m nos alertaram que investigar o com\u00e9rcio de grude poderia ser \u201csens\u00edvel\u201d.<br \/>\nUm pesquisador local, que deu entrevista sob condi\u00e7\u00e3o de anonimato por temer implica\u00e7\u00f5es no seu trabalho, n\u00e3o conseguiu explicar por que o assunto havia \u201cse tornado tabu\u201d. Tem algo \u201ca ver com os enormes lucros\u201d, disse ele.<br \/>\nAs cadeias de abastecimento entre a Amaz\u00f4nia e o mercado final do outro lado do mundo n\u00e3o s\u00e3o complexas. A bexiga natat\u00f3ria \u00e9 frequentemente retirada do peixe, limpa e seca enquanto o barco ainda est\u00e1 no mar. O propriet\u00e1rio do barco ent\u00e3o a vende \u2014 \u00e0s vezes diretamente aos exportadores, mas mais frequentemente ao primeiro de uma s\u00e9rie de compradores intermedi\u00e1rios. O exportador envia a grude para Hong Kong por via a\u00e9rea ou mar\u00edtima.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery alignwide columns-2 is-cropped\">\n<ul class=\"blocks-gallery-grid\">\n<li class=\"blocks-gallery-item\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-124069 aligncenter\" src=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/hong-kong-2-1024x683.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/hong-kong-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/hong-kong-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/hong-kong-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/hong-kong-2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/hong-kong-2-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/hong-kong-2-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/hong-kong-2-1568x1045.jpg 1568w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/hong-kong-2-400x267.jpg 400w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" data-id=\"124069\" data-full-url=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/hong-kong-2-scaled.jpg\" data-link=\"https:\/\/infoamazonia.org\/hong-kong-2\/\" \/><\/figure>\n<\/li>\n<li class=\"blocks-gallery-item\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-124073 aligncenter\" src=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/hong-kong1-1024x683.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/hong-kong1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/hong-kong1-300x200.jpg 300w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/hong-kong1-768x512.jpg 768w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/hong-kong1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/hong-kong1-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/hong-kong1-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/hong-kong1-1568x1045.jpg 1568w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/hong-kong1-400x267.jpg 400w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" data-id=\"124073\" data-full-url=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/hong-kong1-scaled.jpg\" data-link=\"https:\/\/infoamazonia.org\/hong-kong1\/\" \/><\/figure>\n<\/li>\n<\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">Lojas de frutos do mar secos em Sheung Wan, Hong Kong, vendem v\u00edsceras de peixe do Brasil por altos pre\u00e7os. Foto: Lam Chun Tung<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os comerciantes mant\u00eam um perfil discreto. Em entrevistas, nos falaram que algumas empresas exportadoras equipam com vidro \u00e0 prova de balas os ve\u00edculos que transportam as bexigas natat\u00f3rias, e que comerciantes chineses t\u00eam sido alvo de grupos criminosos locais.<br \/>\nA maior parte do lucro no Brasil vai para atravessadores e exportadores. Eles preferem manter esse com\u00e9rcio longe dos holofotes para evitar o aumento na concorr\u00eancia e <a href=\"https:\/\/marambaianoticiaspara.blogspot.com\/2019\/09\/policia-militar-recupera-em-vigia-de.html\">\u00a0roubos<\/a>, que s\u00e3o frequentes na regi\u00e3o.<br \/>\nPor esses motivos, ficamos surpresas quando uma empresa exportadora de bexiga natat\u00f3ria disse que estaria disposta a nos dar entrevista.<\/p>\n<h2><strong>Boom da grude gera competi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p>Marcius Santos, de 46 anos, \u00e9 um empres\u00e1rio local que vem de uma fam\u00edlia de pescadores e come\u00e7ou a comercializar peixe quando tinha vinte e poucos anos. Em 2018, ele se uniu a Huang Wei, empres\u00e1rio chin\u00eas da prov\u00edncia Jiangmen, na China, para exportar bexigas natat\u00f3rias.<\/p>\n<div class=\"credited-image-block align-default\">\n<div class=\"image-wrapper\">\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/11-scaled.jpg\" \/><\/p>\n<div class=\"image-info-wrapper\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"image-description\">Pescadores ou atravessadores vendem bexigas natat\u00f3rias para empresas exportadoras, onde o produto passa por um processo de controle de qualidade, limpeza e secagem, antes de ser exportado sobretudo para Hong Kong.<\/div>\n<\/div>\n<p>Em Bragan\u00e7a, cidade costeira ao norte do Par\u00e1, Huang abre o armaz\u00e9m da empresa. Bexigas natat\u00f3rias de todas as formas e tamanhos, limpas e secas, repousam em sacos esperando para serem transportadas de avi\u00e3o para Hong Kong.<br \/>\n\u201cEssas grandes s\u00e3o de gurijuba e n\u00e3o recebem um bom pre\u00e7o\u201d, ele explica.<br \/>\nL\u00e1 fora, um caminh\u00e3o puxa e descarrega v\u00e1rios sacos de grude de pescada-amarela. Huang retira dois, cada um com dezenas de cent\u00edmetros. Ele os bate para julgar se est\u00e3o secos ou n\u00e3o. Estes s\u00e3o bons: \u201cEles devem ser transparentes e n\u00e3o gordurosos\u201d. A empresa tem uma controladora de qualidade que ordena as bexigas natat\u00f3rias de acordo com a demanda do mercado. O tamanho e a forma s\u00e3o importantes, mas a esp\u00e9cie \u00e9 o verdadeiro determinante do pre\u00e7o. A mais cara \u00e9 a da pescada-amarela.<br \/>\n\u201cO mercado na China \u00e9 enorme. Se houver mercadorias, eles comprar\u00e3o\u201d, diz Huang, que tem feito neg\u00f3cios no Brasil h\u00e1 sete anos: \u201cNo in\u00edcio eu comprava um quilo por cerca de R$ 1.000. Agora custa R$ 3.000, mas na China os pre\u00e7os n\u00e3o mudaram tanto\u201d.<br \/>\nEle diz que, com mais empresas competindo por uma fatia do mercado, os lucros n\u00e3o s\u00e3o os que costumavam ser, ent\u00e3o eles os compensam movimentando maior volume.<\/p>\n<div class=\"credited-image-block align-default\">\n<div class=\"image-wrapper\">\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/11a_Marcius-Nei-Santos-scaled.jpg\" \/><\/p>\n<div class=\"image-info-wrapper\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"image-description\">\u201cO boom da bexiga natat\u00f3ria n\u00e3o tem 10 anos. Antes, a bexiga natat\u00f3ria era um subproduto do peixe; hoje \u00e9 o principal produto\u201d, diz Marcius Santos, s\u00f3cio de uma empresa exportadora de bexiga natat\u00f3ria em Bragan\u00e7a, Par\u00e1.<\/div>\n<\/div>\n<p>Santos diz que o Par\u00e1 tem mais de dez empresas como a dele, e muitos compradores intermedi\u00e1rios. Um deles, Ilto Silva, ex-motorista de caminh\u00e3o, disse que h\u00e1 pelo menos 50 pessoas trabalhando na mesma fun\u00e7\u00e3o que ele em Bragan\u00e7a, onde vive.<br \/>\nSilva compra bexigas natat\u00f3rias <em>in natura<\/em> em cidades pr\u00f3ximas e as leva a uma fazenda para serem limpas e secas antes de vend\u00ea-las aos exportadores. \u201cTodo mundo v\u00ea os pre\u00e7os altos e acha que \u00e9 f\u00e1cil ganhar dinheiro\u201d, diz ele. \u201cMas quando voc\u00ea come\u00e7a, percebe como a concorr\u00eancia \u00e9 acirrada. Al\u00e9m disso, mais empres\u00e1rios chineses est\u00e3o chegando\u201d.<br \/>\nEm uma pequena vila de pescadores perto de Bragan\u00e7a, h\u00e1 um lugar de compra de bexiga natat\u00f3ria ao lado de uma peixaria. Em Vigia, perto de onde os barcos atracam, uma empresa desenhou uma pescada-amarela na parede, anunciando a compra de grude.<\/p>\n<div class=\"credited-image-block align-default\">\n<div class=\"image-wrapper\">\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/10-scaled.jpg\" \/><\/p>\n<div class=\"image-info-wrapper\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"image-description\">Fachada de uma empresa compradora de grude em Vigia, Par\u00e1.<\/div>\n<\/div>\n<p>No passado, havia talvez apenas uma d\u00fazia de pessoas no setor, explica Santos. Agora, s\u00e3o quatrocentas ou quinhentas. O afluxo de novos agentes significa que este com\u00e9rcio, outrora discreto, est\u00e1 ficando mais vis\u00edvel.<br \/>\nO s\u00fabito aumento da atividade pesqueira, impulsionado pelo com\u00e9rcio da bexiga natat\u00f3ria, por\u00e9m, preocupa pessoas como Santos.<br \/>\n\u201cNingu\u00e9m sabe quantas pescadas-amarelas est\u00e3o sendo capturadas\u201d, diz ele. \u201cQuase todas as ind\u00fastrias extrativas devem ser ordenadas, mas aqui no Brasil a gente espera primeiro o problema estourar para depois arrumar. Nunca conseguimos antecipar o problema\u201d.<\/p>\n<h2><strong>Amea\u00e7a da sobrepesca<\/strong><\/h2>\n<p>Ningu\u00e9m, desde funcion\u00e1rios da pesca em pequenas cidades como Vigia e Bragan\u00e7a at\u00e9 o governo federal, conseguiu nos dar muitos dados sobre o com\u00e9rcio de bexigas natat\u00f3rias. Em resposta a um pedido feito pela Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o (LAI), o governo federal diz n\u00e3o ter dados sobre quantas bexigas natat\u00f3rias s\u00e3o coletadas, nem sobre quantos pescadores as est\u00e3o coletando.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-124094 alignnone\" src=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Graph2_PT-1024x842.png\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Graph2_PT-1024x842.png 1024w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Graph2_PT-300x247.png 300w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Graph2_PT-768x632.png 768w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Graph2_PT-400x329.png 400w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Graph2_PT.png 1200w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"842\" \/><\/figure>\n<p>Dados oficiais do Brasil n\u00e3o listam as exporta\u00e7\u00f5es de bexiga natat\u00f3ria por esp\u00e9cie. N\u00e3o h\u00e1 sequer um c\u00f3digo espec\u00edfico para a bexiga natat\u00f3ria nos dados de exporta\u00e7\u00e3o \u2014 ela aparece junto a cabe\u00e7as e caudas de peixe. No entanto, Bianca Bentes e outros especialistas explicam que esse c\u00f3digo corresponde quase inteiramente \u00e0 bexiga natat\u00f3ria, pois cabe\u00e7as e caudas de peixe t\u00eam pouco valor comercial. Embora os dados brasileiros n\u00e3o sejam 100% precisos, eles d\u00e3o uma ideia do tamanho do mercado \u2014 o que pode ser comprovado ao compar\u00e1-los com os dados de importa\u00e7\u00e3o de Hong Kong.<br \/>\nSomente em 2015 que Hong Kong come\u00e7ou a rastrear a bexiga natat\u00f3ria seca como um \u00fanico item \u2014 anteriormente era classificada como \u201cpeixe seco\u201d. Entre 2015 e 2020,<a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s11160-019-09585-9\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> um total de 20 mil toneladas<\/a> de bexigas natat\u00f3rias foram importadas para o territ\u00f3rio, com um valor declarado de 14 bilh\u00f5es de d\u00f3lares de Hong Kong (R$ 9,95 bilh\u00f5es).<br \/>\nAs <a href=\"https:\/\/www.censtatd.gov.hk\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">importa\u00e7\u00f5es<\/a> para esse per\u00edodo vieram de mais de cem pa\u00edses. O Brasil foi o maior entre eles, com 3.300 toneladas no valor de 3 bilh\u00f5es de d\u00f3lares de Hong Kong (R$ 2,13 bilh\u00f5es). Ao todo<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0964569121002957\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> 95%<\/a> vieram do Par\u00e1. O estado do Amap\u00e1, ao norte do Par\u00e1, tamb\u00e9m produz grude, mas a maioria \u00e9 exportada via Par\u00e1.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-124091 alignnone\" src=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Graph1_PT_updated-979x1024.png\" sizes=\"(max-width: 979px) 100vw, 979px\" srcset=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Graph1_PT_updated-979x1024.png 979w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Graph1_PT_updated-287x300.png 287w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Graph1_PT_updated-768x804.png 768w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Graph1_PT_updated-1200x1256.png 1200w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Graph1_PT_updated-400x419.png 400w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Graph1_PT_updated.png 1210w\" alt=\"\" width=\"979\" height=\"1024\" \/><\/figure>\n<p>Em 2020, o Brasil exportou 637 toneladas de bexiga natat\u00f3ria, um aumento de 398% em rela\u00e7\u00e3o a 2012, quando 127 toneladas foram exportadas (os dados anteriores a 2012<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0964569121002957\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis<\/a>).<br \/>\nDurante anos, tanto a oferta quanto a demanda foram consideradas est\u00e1veis. Fique no mar por tempo suficiente e voc\u00ea ter\u00e1 grude, e a China a comprar\u00e1, acreditaram os pescadores. Huang diz que as coisas t\u00eam sido dif\u00edceis para os empres\u00e1rios chineses em outras cidades do Brasil, devido \u00e0 economia estagnada. Isso os empurrou para o com\u00e9rcio de grude durante a \u00faltima d\u00e9cada.<br \/>\nBentes acredita que o boom do com\u00e9rcio de pescada-amarela est\u00e1 ligado a quedas na captura desde 2001 da <em>piramutaba<\/em>, uma esp\u00e9cie de bagre: \u201cTodos que estavam nesse com\u00e9rcio migraram para a grude\u201d.<br \/>\nH\u00e1 30 anos, Bentes conseguia encontrar pescadas-amarelas de 2,5 metros de comprimento no mercado. Agora um peixe de 1,5 metro parece grande: \u201cEsse \u00e9 um sintoma cl\u00e1ssico da sobrepesca\u201d.<\/p>\n<h2><strong>Esp\u00e9cies amea\u00e7adas em outras regi\u00f5es<\/strong><\/h2>\n<p>Em outras partes do mundo, a extra\u00e7\u00e3o de bexiga natat\u00f3ria tem causado danos irrevers\u00edveis ao meio ambiente. A grude mais valiosa costumava vir da bahaba, uma esp\u00e9cie de peixe encontrada na China. O com\u00e9rcio da bahaba foi proibido em 1989, mas as popula\u00e7\u00f5es continuaram a diminuir e, em 2006, ela foi adicionada \u00e0 lista vermelha de esp\u00e9cies amea\u00e7adas da UICN.<br \/>\nCom isso, o com\u00e9rcio se voltou para a<a href=\"https:\/\/dialogochino.net\/pt-br\/comercio-e-investimento-pt-br\/42807-como-o-cartel-do-dragao-esta-derrotando-o-governo-mexicano-no-trafico-de-totoaba\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> totoaba<\/a>, um peixe encontrado no Golfo da Calif\u00f3rnia, no M\u00e9xico. Mas a vaquita, uma esp\u00e9cie de boto end\u00eamica dessas \u00e1guas, foi muito capturada acessoriamente nas redes de totoaba. <a href=\"https:\/\/porpoise.org\/about-porpoises\/vaquita\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Segundo o<\/a> Comit\u00ea Internacional para a Recupera\u00e7\u00e3o da Vaquita, trata-se de um dos animais marinhos mais amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-124033\" src=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/14-678x1024.jpg\" sizes=\"(max-width: 509px) 100vw, 509px\" srcset=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/14-678x1024.jpg 678w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/14-199x300.jpg 199w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/14-768x1160.jpg 768w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/14-1017x1536.jpg 1017w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/14-1356x2048.jpg 1356w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/14-1200x1812.jpg 1200w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/14-1568x2367.jpg 1568w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/14-400x604.jpg 400w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/14-scaled.jpg 1696w\" alt=\"\" width=\"509\" height=\"768\" \/><figcaption>Bexiga natat\u00f3ria seca. O pre\u00e7o das bexigas natat\u00f3rias varia de acordo com a esp\u00e9cie e a qualidade de cada pe\u00e7a. Foto: Sarita Reed<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>A pesca de totoaba tem atra\u00eddo a aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia internacional desde 2013, quando a urg\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o da vaquita veio \u00e0 tona. China, M\u00e9xico e EUA t\u00eam trabalhado em opera\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o. No entanto, a pesca ilegal de totoaba continua, e o com\u00e9rcio de sua bexiga natat\u00f3ria, cujo quilo \u00e9<a href=\"https:\/\/www.milenio.com\/cultura\/ligan-crimen-organizado-extincion-vaquita-marina\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> mais valioso que o da coca\u00edna<\/a>, \u00e9 controlado por um grupo criminoso complexo e altamente organizado.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0308597X21003079?via%3Dihub\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Uma pesquisa<\/a> publicada pela <em>Marine Policy<\/em> em julho de 2021 confirma que hoje pelo menos dez esp\u00e9cies s\u00e3o capturadas pela sua bexiga natat\u00f3ria, em compara\u00e7\u00e3o com apenas uma ou duas no passado. No entanto, as \u00e9pocas de defeso e os limites de tamanho est\u00e3o em vigor apenas para a gurijuba. A pescada-amarela est\u00e1 listada como vulner\u00e1vel na Lista Vermelha da UICN. N\u00e3o houve avalia\u00e7\u00e3o de sua situa\u00e7\u00e3o no Brasil.<br \/>\n\u201cN\u00f3s percebemos o aumento da press\u00e3o pesqueira sobre esses estoques, embora n\u00e3o tenhamos uma an\u00e1lise disso por falta de dados oficiais\u201d, diz Bentes.<\/p>\n<h2><strong>Mercados long\u00ednquos<\/strong><\/h2>\n<p>Pessoas do setor dizem que Hong Kong \u00e9 tanto consumidora quanto reexportadora de grude. Grande parte do produto \u00e9 contrabandeada para a China continental, onde as v\u00e1rias permiss\u00f5es necess\u00e1rias s\u00e3o um obst\u00e1culo \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es diretas.<br \/>\nA bexiga natat\u00f3ria possui uma variedade enorme de nomes em chin\u00eas. Frequentemente, o nome revela pouco: \u201cbexiga natat\u00f3ria do mar do norte\u201d ou \u201cahajiao\u201d pode vir de mais de uma d\u00fazia de esp\u00e9cies de peixes e de v\u00e1rias origens. A maioria \u00e9 da Am\u00e9rica do Sul. \u00c0s vezes, os menores s\u00e3o chamados de \u201cbexigas natat\u00f3rias yin e yang\u201d. Os mais caros s\u00e3o chamados de \u201cbexiga natat\u00f3ria do dinheiro do mar do norte\u201d.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-124100 aligncenter\" src=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Graph4_PT-975x1024.png\" sizes=\"(max-width: 975px) 100vw, 975px\" srcset=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Graph4_PT-975x1024.png 975w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Graph4_PT-286x300.png 286w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Graph4_PT-768x806.png 768w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Graph4_PT-400x420.png 400w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Graph4_PT.png 1200w\" alt=\"\" width=\"975\" height=\"1024\" \/><\/figure>\n<p>A bexiga natat\u00f3ria \u00e9 considerada uma iguaria chinesa e aclamada por seus presumidos benef\u00edcios medicinais. De acordo com a medicina tradicional chinesa, ela pode parar a tosse, prevenir efeitos colaterais de medicamentos, tratar problemas estomacais ou renais, alimentar o feto e enriquecer o sangue.<br \/>\nA produ\u00e7\u00e3o de bexiga natat\u00f3ria figura em um invent\u00e1rio de<a href=\"https:\/\/www.hkichdb.gov.hk\/download\/36106ca0-f2b0-11e8-a902-000d3a820b12.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> heran\u00e7a cultural intang\u00edvel de Hong Kong<\/a>. Apesar da valorizada tradi\u00e7\u00e3o, o col\u00e1geno da grude \u00e9 de dif\u00edcil digest\u00e3o, de acordo com a ci\u00eancia moderna. Ainda assim, a grude pode ser barata o suficiente para ser um alimento cotidiano, e exemplares mais caros s\u00e3o considerados um excelente presente na China. Os mais valiosos s\u00e3o itens de colecionador.<br \/>\nNovos produtos continuam aparecendo. A bexiga natat\u00f3ria da corvina dourada (da bahaba) continua sendo a mais apreciada: uma foi <a href=\"https:\/\/www.telegraph.co.uk\/news\/worldnews\/asia\/china\/9489137\/Chinese-fisherman-hooks-300000-fish.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">vendida<\/a> por mais de US$ 475 mil (R$ 2,6 milh\u00f5es) o quilo em 2012. Acredita-se que uma rec\u00e9m-chegada, a \u201cbexiga natat\u00f3ria aranha\u201d, venha em segundo lugar, sendo vendida por mais de 55 mil d\u00f3lares de Hong Kong o quilo (39 mil reais) em Hong Kong . Elas v\u00eam principalmente do Vietn\u00e3 e da Indon\u00e9sia, e sua demanda j\u00e1 deixou a esp\u00e9cie de peixe em perigo de extin\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPara Yvonne Sadovy, professora da Escola de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas da Universidade de Hong Kong, o mercado de bexigas natat\u00f3rias lembra o de diamantes.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-124097 aligncenter\" src=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Graph3_PT-974x1024.png\" sizes=\"(max-width: 974px) 100vw, 974px\" srcset=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Graph3_PT-974x1024.png 974w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Graph3_PT-285x300.png 285w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Graph3_PT-768x807.png 768w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Graph3_PT-400x420.png 400w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Graph3_PT.png 1200w\" alt=\"\" width=\"974\" height=\"1024\" \/><\/figure>\n<p>Como no caso da pedra preciosa, o valor da bexiga natat\u00f3ria se deve em grande parte ao<a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s11160-019-09585-9\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> \u201cimpacto de atributos f\u00edsicos ideais reconhecidos\u201d<\/a>, Sadovy e coautores escreveram em um artigo de 2019. Para um diamante, esses atributos s\u00e3o quilates, corte, cor e pureza. Para a bexiga natat\u00f3ria, s\u00e3o tamanho, espessura, esp\u00e9cie, origem e forma. Os atributos propagandeados pelo comerciante e os desejos do consumidor acabam determinando o valor. A especula\u00e7\u00e3o por colecionadores (a bexiga natat\u00f3ria tem boa durabilidade e \u00e9 considerada mais valiosa quanto mais velha) e mesmo as interse\u00e7\u00f5es com o crime organizado s\u00e3o outras semelhan\u00e7as com o mercado de diamantes.<br \/>\n\u201cA analogia deixa de funcionar quando se considera o fornecimento\u201d, diz o estudo de Sadovy, \u201cenquanto os diamantes no solo s\u00e3o abundantes, muitas esp\u00e9cies de peixes visados n\u00e3o o s\u00e3o, o que significa que s\u00e3o necess\u00e1rios controles sobre esse segmento do com\u00e9rcio de bexiga natat\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<h2><strong>Sustentabilidade, um assunto cr\u00edtico<\/strong><\/h2>\n<p>O governo construiu um ponto wi-fi gratuito junto ao rio no centro de Vigia. Todos gostam de parar ali para aproveitar a sombra e a conectividade. Comerciantes de peixe e vendedores de material de pesca, capit\u00e3es de barco e pescadores, motoristas e guardas, todos se re\u00fanem ali. \u201cEu lhes digo, os peixes est\u00e3o mais espertos\u201d, ri Silvio Sardinha, capit\u00e3o de barco. Seu barco \u00e9 um dos que J\u00fanior consideraria \u201cgrande\u201d. Sardinha, por\u00e9m, pescou pouco em sua \u00faltima viagem de 20 dias. \u201cH\u00e1 mais barcos, por isso os peixes est\u00e3o ficando mais espertos\u201d.<\/p>\n<div class=\"credited-image-block align-default\">\n<div class=\"image-wrapper\">\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/22_SilvioSardinha-scaled.jpg\" \/><\/p>\n<div class=\"image-info-wrapper\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"image-description\">Silvio Sardinha trabalha como capit\u00e3o de barco em Vigia. \u201cEstamos preocupados com a quest\u00e3o dos piratas \u2013 s\u00e3o muitos. N\u00e3o podemos voltar com bexigas natat\u00f3rias \u00e0 noite; temos que voltar durante o dia por quest\u00f5es de seguran\u00e7a\u201d, diz.<\/div>\n<\/div>\n<p>A grude funciona tamb\u00e9m como moeda. Muitas vezes, os barcos grandes s\u00e3o comprados por meio de um investimento conjunto entre compradores de peixe e de grude. Eles recebem a produ\u00e7\u00e3o do propriet\u00e1rio do barco \u2014 carne de peixe e bexiga natat\u00f3ria \u2014 para pagar o investimento feito na embarca\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes, o pr\u00f3prio propriet\u00e1rio atua como capit\u00e3o; \u00e0s vezes o capit\u00e3o \u00e9 contratado, como no caso de Sardinha. Uma tripula\u00e7\u00e3o \u00e9 chamada para trabalhar, e a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 usada diretamente para pagar o empr\u00e9stimo.<br \/>\n\u201cO patr\u00e3o quer a pesca. Se uma viagem correr mal, eles esperam pela pr\u00f3xima. Isso \u00e9 muito melhor do que ir a um banco, que quer o seu dinheiro todo m\u00eas\u201d, diz Sardinha. \u201cCom um barco novo e um pouco de sorte, voc\u00ea pode saldar sua d\u00edvida\u201d.<br \/>\n\u201cNo passado, os investidores se entusiasmavam com as barbatanas de tubar\u00e3o\u201d, acrescenta ele.<br \/>\nMas h\u00e1 uma d\u00e9cada ou mais, os tubar\u00f5es foram ca\u00e7ados at\u00e9 a extin\u00e7\u00e3o. O com\u00e9rcio de barbatanas de tubar\u00e3o floresceu no Par\u00e1 at\u00e9 2012, quando o Brasil<a href=\"https:\/\/oeco.org.br\/noticias\/26710-governo-proibe-arrancar-nadadeiras-de-raias-e-tubaroes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> determinou<\/a> que os animais deveriam ser desembarcados com suas barbatanas presas aos corpos. A pesca e a venda de algumas esp\u00e9cies foram<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/natureza\/noticia\/2013\/03\/governo-proibe-pesca-de-especie-ameacada-de-tubarao-no-pais.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> proibidas<\/a> nos anos seguintes.<br \/>\nPara aqueles que vivem na Amaz\u00f4nia, esta \u00e9 uma hist\u00f3ria familiar. Um boom ap\u00f3s o outro trouxe crescimento e, depois, colapso. \u201c\u00c9 como a minera\u00e7\u00e3o de ouro: muitos mineiros, pouco ouro\u201d, diz Sardinha.<br \/>\nEle nos conta que come\u00e7ou a pescar quando tinha 7 anos. Agora tem 50 e um grande barco com GPS e armaz\u00e9m frigor\u00edfico. Com menos peixes ao alcance, ele precisa queimar mais combust\u00edvel para viajar mais longe no mar. Cada vez que ele volta \u00e0 terra firme, as redes e o combust\u00edvel est\u00e3o mais caros, ent\u00e3o ele precisa ganhar mais com a pr\u00f3xima viagem.<br \/>\nA mar\u00e9 cheia naquele dia chegou tarde, e o rio estava calmo. Sardinha balan\u00e7ou a cabe\u00e7a, dizendo que dever\u00edamos ter vindo aqui no Ano Novo. \u201cO rio inteiro fica cheio de barcos. N\u00e3o se encontra nenhum lugar para atracar\u201d, diz.<br \/>\nDiego Cardoso, secret\u00e1rio de Pesca e Desenvolvimento Rural de Vigia, diz que a pesca \u00e9 a principal ind\u00fastria de Vigia. \u201cSem a pesca, todas as outras atividades econ\u00f4micas da cidade sofreriam\u201d, afirma.<\/p>\n<div class=\"credited-image-block align-default\">\n<div class=\"image-wrapper\">\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/21_Arlindo-Arau\u0301jo-scaled.jpg\" \/><\/p>\n<div class=\"image-info-wrapper\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"image-description\">Em Vigia, Arlindo Ara\u00fajo, dono de um barco, segura uma bexiga natat\u00f3ria seca (esquerda) e outra in natura (direita). \u201cOs materiais [de pesca] s\u00e3o muito caros. Se n\u00e3o fosse a bexiga natat\u00f3ria para nos ajudar, n\u00e3o ser\u00edamos capazes de continuar\u201d, diz ele.<\/div>\n<\/div>\n<p>Mas, nas margens do rio, os pescadores contam nos dedos o n\u00famero de esp\u00e9cies que viram desaparecer. Os pre\u00e7os altos e a falta de regulamenta\u00e7\u00e3o nas cadeias de fornecimento trazem prosperidade tempor\u00e1ria, mas s\u00e3o seguidos de um colapso de oferta. Yvonne Sadovy j\u00e1 viu isso muitas vezes:\u00a0 pessoas com poucos recursos financeiros veem \u201cuma maneira de fazer dinheiro, mas n\u00e3o de fazer isso durar\u201d.<br \/>\nPior, os pescadores assumem d\u00edvidas para aumentar sua capacidade de pesca e perdem o poder de negocia\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tem que ser assim, diz Sadovy. Se os pescadores pudessem se organizar para administrar seus recursos, eles poderiam retomar o controle dos pre\u00e7os. Se os consumidores percebessem que, quando uma esp\u00e9cie enfrenta a extin\u00e7\u00e3o, eles perdem completamente o produto, eles buscariam um consumo mais consciente.<br \/>\n\u201cSe conseguirmos administrar melhor o oceano, poderemos ganhar mais com ele\u201d, acrescenta Sadovy.<br \/>\nPaulo Amaral, pesquisador s\u00eanior do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amaz\u00f4nia (Imazon), acredita que a pesca \u00e9 uma das fontes de renda mais promissoras, inexploradas e potencialmente sustent\u00e1veis para as comunidades da Amaz\u00f4nia, pois causa menos impacto para a floresta do que a produ\u00e7\u00e3o de gado e gr\u00e3os.<br \/>\nSem ordenamento, no entanto, o futuro da pesca pode ser sombrio. \u201cA falta de inspe\u00e7\u00e3o e controle sobre o que \u00e9 pescado ainda \u00e9 muito grande\u201d, lamenta Amaral.<\/p>\n<h2><strong>Mais peixe no mar?<\/strong><\/h2>\n<p>Perto de Vigia, J\u00fanior carrega em sua mem\u00f3ria gera\u00e7\u00f5es de conhecimentos sobre pesca. Agora h\u00e1 mais barcos \u2014 e mais piratas. \u00c9 arriscado ir ao mar sozinho ou colocar novos equipamentos de pesca a bordo. Nem as mar\u00e9s t\u00eam estado est\u00e1veis. \u201cMas espere que a lua saia\u201d, diz ele, \u201cvamos ouvir a pescada-amarela estalando\u201d.<\/p>\n<div class=\"credited-image-block align-default\">\n<div class=\"image-wrapper\">\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/8_Joa\u0303o-de-Oliveira-scaled.jpg\" \/><\/p>\n<div class=\"image-info-wrapper\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"image-description\">Jo\u00e3o de Oliveira \u00e9 vigia de barcos, cargo que se tornou necess\u00e1rio devido aos frequentes furtos de barcos e equipamentos.<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201c\u00c0s vezes, voc\u00ea pode ouvi-la do conv\u00e9s. \u00c0s vezes, descemos para ouvi-la atrav\u00e9s do casco, ou simplesmente entramos na \u00e1gua. \u00c9 como um martelo \u2014 p\u00e1, p\u00e1, p\u00e1, p\u00e1\u201d.<br \/>\nAs pescadas-amarelas, e outros peixes da fam\u00edlia das corvinas, se re\u00fanem quando procuram por companheiros \u2014 o peixe macho usa sua bexiga natat\u00f3ria para fazer um som de batida.<br \/>\nSe J\u00fanior pudesse conhecer alguns pescadores antigos de Hong Kong, eles teriam muito sobre o que conversar. Nos anos 1960, a bahaba chinesa costumava fazer o mesmo barulho nas \u00e1guas a oeste de Hong Kong. Os pescadores pressionavam suas orelhas contra o casco do barco para rastrear os peixes. Peixes de 40 kg<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/249436592_Near_extinction_of_a_highly_fecund_fish_The_one_that_nearly_got_away\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> eram capturados \u00e0 \u00e9poca<\/a>, \u00e0s vezes at\u00e9 de 80 kg.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-large is-resized\">\n<div id=\"attachment_124012\" style=\"width: 349px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-124012\" class=\"wp-image-124012\" src=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/4-678x1024.jpg\" sizes=\"(max-width: 339px) 100vw, 339px\" srcset=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/4-678x1024.jpg 678w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/4-199x300.jpg 199w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/4-768x1160.jpg 768w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/4-1017x1536.jpg 1017w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/4-1356x2048.jpg 1356w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/4-1200x1812.jpg 1200w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/4-1568x2368.jpg 1568w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/4-400x604.jpg 400w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/4-scaled.jpg 1695w\" alt=\"\" width=\"339\" height=\"512\" \/><p id=\"caption-attachment-124012\" class=\"wp-caption-text\">O quilo da bexiga natat\u00f3ria de pescada-amarela vale cerca de R$ 2.800, enquanto o quilo da carne de pescada-amarela vale cerca de R$ 20. Foto: Sarita Reed<\/p><\/div><\/figure>\n<\/div>\n<p>Ap\u00f3s a sesta, a vila de pescadores come\u00e7a a se animar. Algu\u00e9m aponta para o manguezal. Se o com\u00e9rcio de grude acabar, eles dizem que podem pegar caranguejos. Para peg\u00e1-los, os habitantes da vila enfiam seu bra\u00e7o na lama do mangue e esperam alguns minutos. Quando o puxam para fora, ele est\u00e1 coberto com caranguejos. Outro pescador ri da ideia. \u201cVoc\u00ea ganha R$ 1 por um caranguejo; cem caranguejos, R$ 100. Voc\u00ea consegue pegar 100 em um dia? Mesmo se voc\u00ea conseguir, ainda n\u00e3o \u00e9 o suficiente para alimentar uma fam\u00edlia\u201d.<br \/>\nTodos abanam a cabe\u00e7a, dizendo que as coisas v\u00e3o ficar bem. Haver\u00e1 alguma coisa para pegar no mar.<\/p>\n<p><em>Esta reportagem foi produzida pelo <\/em><a href=\"https:\/\/dialogochino.net\/pt-br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Di\u00e1logo Chino<\/em><\/a><em> e pela <\/em><a href=\"https:\/\/theinitium.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Initium Media<\/em><\/a><em>, com apoio do Amazon Rainforest Journalism Fund em parceria com o Pulitzer Center.<\/em><\/p>\n<p><strong>Texto original dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2022\/01\/20\/grude-movimenta-mercado-milionario-no-brasil-e-leva-chineses-a-amazonia\/\">https:\/\/infoamazonia.org\/2022\/01\/20\/grude-movimenta-mercado-milionario-no-brasil-e-leva-chineses-a-amazonia\/<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Infoamaz\u00f4nia Lulu Ning Hui and Sarita Reed 20 de janeiro de 2022 Amaz\u00f4nia brasileira Pescadores do Par\u00e1 aproveitam crescente apetite chin\u00eas por bexigas natat\u00f3rias de peixes amaz\u00f4nicos, mas com\u00e9rcio pode minguar sem regulamenta\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o S\u00e3o 7 horas em meados de outubro, e Bel\u00e9m atinge seu pico de umidade. No mercado Ver-o-Peso, uma grande variedade&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":333,"featured_media":32874,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-32871","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32871","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/333"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32871"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32871\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32877,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32871\/revisions\/32877"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32874"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32871"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32871"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32871"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}