{"id":32918,"date":"2022-01-17T11:26:15","date_gmt":"2022-01-17T14:26:15","guid":{"rendered":"https:\/\/dev.amazoniasocioambiental.org\/radar\/como-os-lencois-freaticos-da-amazonia-atuam-sobre-as-mudancas-climaticas\/"},"modified":"2022-04-26T17:04:17","modified_gmt":"2022-04-26T20:04:17","slug":"como-os-lencois-freaticos-da-amazonia-atuam-sobre-as-mudancas-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/radar\/como-os-lencois-freaticos-da-amazonia-atuam-sobre-as-mudancas-climaticas\/","title":{"rendered":"Como os len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos da Amaz\u00f4nia atuam sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Amaz\u00f4nia Real<\/strong><br \/>\n<strong>W\u00e9rica Lima<\/strong><br \/>\n<strong>17 de janeiro de 2022<\/strong><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Em per\u00edodos secos, as florestas com len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos rasos se comportam como ref\u00fagios hidrol\u00f3gicos e sumidouros de carbono, aponta pesquisa divulgada em revista cient\u00edfica. Fogo, desmatamento e desmonte ambiental s\u00e3o as principais amea\u00e7as para esse tipo de floresta<\/em>.<\/h3>\n<p><strong>Manaus (AM)<\/strong> \u2013 Um artigo internacional publicado nesta segunda-feira (17), com a participa\u00e7\u00e3o de duas pesquisadoras da Amaz\u00f4nia, apresenta uma perspectiva diferente de tudo o que j\u00e1 se sabe sobre a resposta da regi\u00e3o amaz\u00f4nica para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Na revista <em>New Phytologist<\/em>, as cientistas defendem que a preserva\u00e7\u00e3o e a conserva\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos rasos s\u00e3o determinantes para conter o aquecimento global. Embora componham 50% de toda a Amaz\u00f4nia, essas \u00e1reas t\u00eam sido pouco valorizadas ou at\u00e9 desconsideradas em estudos cient\u00edficos, enquanto se tornam o principal alvo da grilagem, de queimadas e da constru\u00e7\u00e3o de estradas.<br \/>\nO <a href=\"https:\/\/nph.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/nph.17914\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">artigo da <em>New Phytologist<\/em><\/a> \u201cThe other side of tropical forest drought: do shallow water table regions of Amazonia act as large-scale hydrological refugia from drought?\u201d pode ser traduzido como \u201cO outro lado da seca nas florestas tropicais: as regi\u00f5es de len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos rasos da Amaz\u00f4nia funcionam como ref\u00fagios hidrol\u00f3gicos em grande escala da seca\u201d. A publica\u00e7\u00e3o \u00e9 assinada por Fl\u00e1via R. C. Costa (pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia, o Inpa), Juliana Schietti (professora e pesquisadora da Universidade Federal do Amazonas, a Ufam), Scott C. Stark e Marielle N. Smith. Os dois \u00faltimos pertencem \u00e0 Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.<br \/>\n\u201cQuando a gente fala de ref\u00fagio hidrol\u00f3gico, nos referimos a lugares que prov\u00eam as melhores condi\u00e7\u00f5es h\u00eddricas para os organismos vivos. Significa aquele lugar que vai manter as condi\u00e7\u00f5es adequadas \u00e0 vida mesmo quando outros lugares ficam ruins\u201d, explica a pesquisadora do Inpa. Diante das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em curso, bastante percept\u00edveis nos per\u00edodos cada vez mais intensos de estiagem e de chuvas por todo o planeta, e em especial na Amaz\u00f4nia, algumas \u00e1reas s\u00e3o capazes de lidar melhor nesses per\u00edodos de estresse clim\u00e1tico.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-90562 aligncenter\" src=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Flavia_Costa_001-1024x682.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Flavia_Costa_001-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Flavia_Costa_001-300x200.jpg 300w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Flavia_Costa_001-768x512.jpg 768w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Flavia_Costa_001-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Flavia_Costa_001-150x100.jpg 150w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Flavia_Costa_001.jpg 2000w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"682\" \/><figcaption><em>Fl\u00e1via Costa na Reserva Adolpho Ducke, em Manaus (Foto: Daniel Kukla<\/em>\/<em>Divulga\u00e7\u00e3o)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n<p>Na hip\u00f3tese do estudo, esses ref\u00fagios hidrol\u00f3gicos cumprem um papel fundamental por dois comportamentos distintos. Em secas moderadas, as florestas de len\u00e7ol fre\u00e1tico raso se beneficiam da redu\u00e7\u00e3o da umidade no ambiente, que em excesso \u00e9 prejudicial para o desenvolvimento das \u00e1rvores. Assim, durante as estiagens, elas passam a crescer mais e atuam como sumidouro de carbono, retendo e compensando a emiss\u00e3o de CO2 das plantas presentes em len\u00e7ol fre\u00e1tico profundo. Al\u00e9m disso, a manuten\u00e7\u00e3o da umidade nas partes baixas do relevo, que constituem estas florestas sobre len\u00e7ol fre\u00e1tico raso fazem com que elas se tornem ref\u00fagio para a biodiversidade. \u201cS\u00e3o regi\u00f5es que v\u00e3o manter\u00a0 a umidade mesmo quando outras regi\u00f5es estiverem secas demais, dependendo do grau da estiagem\u201d, explica a pesquisadora Fl\u00e1via.<br \/>\nResili\u00eancia \u00e9 uma palavra que cabe para retratar esse fen\u00f4meno. A regi\u00e3o que possui len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos rasos permite melhorar as perdas de carbono, potencialmente em sinergia com o aumento de CO2 na atmosfera e, na ponta, fazendo com que elas passem a atuar como sumidouros de carbono.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><\/figure>\n<h4><strong>A degrada\u00e7\u00e3o dos ref\u00fagios<\/strong><\/h4>\n<p>O problema \u00e9 que as florestas com len\u00e7ol fre\u00e1tico raso t\u00eam sido degradadas por falta de prote\u00e7\u00e3o. Pela l\u00f3gica do desenvolvimento predat\u00f3rio da Amaz\u00f4nia, boa parte das atuais \u00e1reas conservadas por pol\u00edticas p\u00fablicas de prote\u00e7\u00e3o ambiental foi determinada por seu valor no contexto atual, priorizar as que possuem maior biodiversidade, estoques de carbono e \u00e1gua no momento em que foram criadas. Mas isso pode constituir em um grande erro, j\u00e1 que na maioria das vezes as pol\u00edticas p\u00fablicas n\u00e3o se preocupam em incluir a preserva\u00e7\u00e3o dos ref\u00fagios hidrol\u00f3gicos.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-90618 aligncenter\" src=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/lencois-final-561x1024.jpg\" sizes=\"(max-width: 561px) 100vw, 561px\" srcset=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/lencois-final-561x1024.jpg 561w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/lencois-final-164x300.jpg 164w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/lencois-final-768x1402.jpg 768w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/lencois-final-842x1536.jpg 842w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/lencois-final-1122x2048.jpg 1122w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/lencois-final-150x274.jpg 150w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/lencois-final-scaled.jpg 1403w\" alt=\"\" width=\"561\" height=\"1024\" \/><\/figure>\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n<p>\u201cO que a gente est\u00e1 chamando a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que as regi\u00f5es que v\u00e3o contribuir mais para conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e estoque de carbono e \u00e1gua no futuro sob mudan\u00e7as clim\u00e1ticas podem n\u00e3o ser as mesmas que foram priorizadas antes. A gente precisa pensar a conserva\u00e7\u00e3o no futuro, vendo quais \u00e1reas a gente tem que conservar agora para que no futuro elas sejam os reservat\u00f3rios de todos os servi\u00e7os ambientais que a gente precisa\u201d, conta a pesquisadora do Inpa.<br \/>\nPor\u00e9m, como se sabe, uma \u00e1rea \u00e9 interdependente da outra em ecossistemas t\u00e3o complexos quanto a Amaz\u00f4nia. O abastecimento dos ref\u00fagios hidrol\u00f3gicos depende da reten\u00e7\u00e3o de \u00e1gua das partes mais altas da Amaz\u00f4nia, onde a \u00e1gua penetra e escoa at\u00e9 chegar \u00e0s regi\u00f5es mais baixas. Em outras palavras: o funcionamento dos ref\u00fagios hidrol\u00f3gicos e do sumidouro de carbono durante secas moderadas depende tamb\u00e9m das florestas de len\u00e7ol profundo.<br \/>\n\u201cSe houver degrada\u00e7\u00e3o de tudo que est\u00e1 em cima e s\u00f3 conservar a parte \u00famida,\u00a0 n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel manter isso a longo prazo. N\u00e3o adianta conservar apenas as \u00e1reas de len\u00e7ol fre\u00e1tico superficial para manter servi\u00e7os ambientais. \u00c9 necess\u00e1ria a conserva\u00e7\u00e3o de bacias hidrogr\u00e1ficas inteiras para que elas funcionem, dizer que n\u00e3o precisamos mais conservar as \u00e1reas com o len\u00e7ol fre\u00e1tico profundo \u00e9 um erro\u201d, ressalta Fl\u00e1via.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><\/figure>\n<h4><strong>O risco nas grandes secas<\/strong><\/h4>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-37384 aligncenter\" src=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/SECA-UARINI10-1024x523.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/SECA-UARINI10-1024x523.jpg 1024w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/SECA-UARINI10-300x153.jpg 300w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/SECA-UARINI10-768x392.jpg 768w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/SECA-UARINI10.jpg 2000w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"523\" \/><figcaption><em>Seca na bacia do Solim\u00f5es em Uarini, no Amazonas<\/em><br \/>\n<em> (Foto: Alberto C\u00e9sar Ara\u00fajo\/Amaz\u00f4nia Real)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n<p>Na \u00faltima <a href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/acordo-final-da-cop26\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">COP26<\/a>, em Glasgow, na Esc\u00f3cia, a preserva\u00e7\u00e3o e a conserva\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia foi visto como um fator primordial na tentativa de frear as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Apesar dos acordos e das promessas estabelecidas entre os pa\u00edses e as empresas, o temor da comunidade internacional \u00e9 o de que o aquecimento global poder\u00e1 exceder os 1,5\u00baC at\u00e9 a pr\u00f3xima d\u00e9cada, conforme alertou o \u00faltimo <a href=\"https:\/\/www.ipcc.ch\/report\/ar6\/wg1\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">relat\u00f3rio do IPCC<\/a>. O que o estudo da <em>New Phytologist <\/em>diz \u00e9 que se nada for feito a regi\u00e3o amaz\u00f4nica pode n\u00e3o contribuir tanto quanto se espera na solu\u00e7\u00e3o desse problema global.<br \/>\nCom o aumento de eventos mais extremos de seca e cheia devido \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00e9 poss\u00edvel que nem mesmo essas florestas mais receptivas \u00e0s secas tenham a capacidade de se manter no futuro, aponta o artigo. \u201cSe as secas ficam fortes demais e o n\u00edvel do len\u00e7ol abaixa muito, a \u00e1gua pode ficar fora do alcance at\u00e9 dessas plantas que est\u00e3o na parte baixa porque elas t\u00eam ra\u00edzes curtas, e a\u00ed pode ser uma trag\u00e9dia j\u00e1 que elas podem simplesmente n\u00e3o ser capazes de sobreviver\u201d, alerta a pesquisadora do Inpa.<br \/>\nO desmatamento \u00e9 um dos principais vil\u00f5es no desequil\u00edbrio da Amaz\u00f4nia, sendo respons\u00e1vel por afetar o regime de chuvas e consequentemente, o abastecimento de \u00e1gua para o len\u00e7ol fre\u00e1tico. A diminui\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores na Amaz\u00f4nia, que s\u00e3o respons\u00e1veis pelo lan\u00e7amento da \u00e1gua at\u00e9 a atmosfera, ocasiona secas severas e interfere no transporte de \u00e1gua dos rios voadores que iniciam no Oceano Atl\u00e2ntico, percorrem a Amaz\u00f4nia e distribuem as chuvas para a regi\u00e3o Sudeste da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><\/figure>\n<h4><strong>A amea\u00e7a na BR-319<\/strong><\/h4>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-90543 aligncenter\" src=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/BR319_caminhando_br-1024x682.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/BR319_caminhando_br-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/BR319_caminhando_br-300x200.jpg 300w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/BR319_caminhando_br-768x512.jpg 768w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/BR319_caminhando_br-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/BR319_caminhando_br-150x100.jpg 150w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/BR319_caminhando_br.jpg 2000w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"682\" \/><figcaption><em>As pesquisadoras e os pesquisadores caminhando na BR 319 no trabalho de campo<\/em><br \/>\n<em>(Foto: \u00a0Fl\u00e1via RC Costa<\/em>\/<em>Divulga\u00e7\u00e3o)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n<p>Para a co-autora da pesquisa Juliana Schietti, a conserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia deve ser pensada como \u201cum grande bloco cont\u00ednuo\u201d devido ao servi\u00e7o ecossist\u00eamico de produ\u00e7\u00e3o e transporte das chuvas. \u201cQuando a gente fala que o regime de chuva est\u00e1 mudando, a gente n\u00e3o sabe ao certo qual impacto isso vai ter sobre essas florestas. Sabe-se que elas s\u00e3o mais vulner\u00e1veis \u00e0 seca, mas n\u00e3o se conhece bem a capacidade delas se adaptarem a mudan\u00e7as e essa resili\u00eancia da floresta \u00e9 uma grande quest\u00e3o atual na Amaz\u00f4nia\u201d, explica.<br \/>\nJuliana Schietti alerta que a regi\u00e3o mais ao sul da Amaz\u00f4nia, na borda do arco do desmatamento, que abrange os estados do Maranh\u00e3o, do Par\u00e1, do Mato Grosso, de Rond\u00f4nia e do Acre, \u00e9 em grande parte composta por um len\u00e7ol fre\u00e1tico superficial, incluindo a BR-319.<br \/>\n\u201cA BR-319 fica entre dois grandes afluentes, o rio Purus e o Madeira, tendo como caracter\u00edstica um len\u00e7ol bem superficial. Mais ao sul da rodovia, pr\u00f3ximo de Humait\u00e1, h\u00e1 a nova fronteira de desmatamento avan\u00e7ando com a explora\u00e7\u00e3o madeireira\u201d, explica Schietti. \u201c\u00c9 uma das poucas regi\u00f5es que a gente est\u00e1 monitorando para entender o funcionamento da floresta nesse ambiente, e com o desmatamento, a pr\u00f3pria pesquisa fica amea\u00e7ada. H\u00e1 a possibilidade de voltarmos l\u00e1 e n\u00e3o encontrarmos mais essas \u00e1reas delimitadas de monitoramento das \u00e1rvores e de outros grupos biol\u00f3gicos.\u201d<br \/>\nAs \u00e1reas no radar dos pesquisadores est\u00e3o distribu\u00eddas a cada 60 quil\u00f4metros ao longo da rodovia, sendo que parte dessas terras j\u00e1 foram perdidas para a invas\u00e3o de exploradores ilegais. Conforme conta a pesquisadora Fl\u00e1via Costa, as regi\u00f5es com len\u00e7ol fre\u00e1tico superficial n\u00e3o s\u00e3o boas para a agricultura, correndo o risco de a \u00e1rea ser desmatada e demorar para se regenerar.<br \/>\n<strong>\u201c<\/strong>A BR-319 \u00e9 a porta de entrada para o cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. \u00c9 um perigo muito grande perder essa \u00e1rea. A partir\u00a0 do momento em que voc\u00ea anuncia que vai liberar a estrada, as pessoas j\u00e1 saem desmatando e foi o que a gente realmente observou l\u00e1.\u00a0 O desmatamento ao longo da BR-319 \u00e9 um desastre e extremamente s\u00e9rio. N\u00e3o \u00e9 uma considera\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, \u00e9 a verdade\u201d, complementa Fl\u00e1via Costa.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><\/figure>\n<p><strong>A press\u00e3o sobre as terras ind\u00edgenas<\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-90570 aligncenter\" src=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/TXAI_COP_4-1024x683.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/TXAI_COP_4-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/TXAI_COP_4-300x200.jpg 300w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/TXAI_COP_4-768x512.jpg 768w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/TXAI_COP_4-1536x1025.jpg 1536w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/TXAI_COP_4-150x100.jpg 150w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/TXAI_COP_4.jpg 1998w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" \/><figcaption><em>Txai Suru\u00ed durante protesto em Glasgow (Foto: CopCollab26)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n<p>A \u00fanica ind\u00edgena e brasileira a discursar na COP26, <a href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/txai-surui\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Txai Suru\u00ed<\/a>, da Terra ind\u00edgena Sete de Setembro em Rond\u00f4nia (RO), vive em uma das \u00e1reas mais amea\u00e7adas de desmatamento na Amaz\u00f4nia. Durante a pandemia, houve ataques \u00e0 sua TI e \u00e0 TI Uru-Eu-Wau-Wau, ambas amea\u00e7adas por invasores, que ganharam for\u00e7a e apoio do governo diante da constru\u00e7\u00e3o da BR-319.<br \/>\n\u201cRond\u00f4nia \u00e9 um dos piores estados quando a gente fala dessa quest\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas e dos ataques, at\u00e9 porque aqui a gente tamb\u00e9m tem um governo estadual alinhado com o federal\u201d, conta Txai Suru\u00ed. Em 2021, ela lembra que o governador de Rond\u00f4nia (Marcos Rocha, PSL) criou uma lei para acabar com duas unidades de conserva\u00e7\u00e3o, a Jaci-Paran\u00e1 e o Parque Guajar\u00e1-Mirim. \u201cMas a gente conseguiu reverter essa lei e ter essas \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o de volta.\u201d<br \/>\nA TI de Txai Suru\u00ed possui atividade garimpeira ilegal. No passado, o lugar chegou a ser invadido e degradado antes da demarca\u00e7\u00e3o. Atualmente, os povos ind\u00edgenas realizam o reflorestamento e o monitoramento das terras, catalogam e fazem a documenta\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies encontradas.<br \/>\n\u201cA gente tem n\u00e3o s\u00f3 uma omiss\u00e3o por parte do governo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos nossos territ\u00f3rios, mas tamb\u00e9m de incentivo da invas\u00e3o desses territ\u00f3rios por parte do pr\u00f3prio governo. E a gente consegue ver facilmente as consequ\u00eancias e os reflexos que isso trouxe para dentro dos territ\u00f3rios\u201d, afirma.<br \/>\nNa constru\u00e7\u00e3o da BR-319, a jovem l\u00edder ind\u00edgena critica a <a href=\"https:\/\/www.oas.org\/dil\/port\/1989%20Conven%C3%A7%C3%A3o%20sobre%20Povos%20Ind%C3%ADgenas%20e%20Tribais%20Conven%C3%A7%C3%A3o%20OIT%20n%20%C2%BA%20169.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">falta de consulta<\/a> aos povos origin\u00e1rios, previsto na conven\u00e7\u00e3o do trabalho N\u00ba169. \u201cTemos exemplos de outras estradas que foram constru\u00eddas,\u00a0 a gente sabe toda a destrui\u00e7\u00e3o que traz. Perto dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas a gente tem uma press\u00e3o ainda maior com essas constru\u00e7\u00f5es, sem contar a destrui\u00e7\u00e3o da flora e fauna\u201d.<br \/>\nUm levantamento realizado pelo <a href=\"https:\/\/mapbiomas.org\/vegetacao-nativa-perde-espaco-para-a-agropecuaria-nas-ultimas-tres-decadas\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mapbiomas<\/a> revela que os territ\u00f3rios ind\u00edgenas j\u00e1 demarcados ou aguardando demarca\u00e7\u00e3o foram os que mais preservaram suas caracter\u00edsticas originais, fazendo parte de menos de 1% do desmatamento no Brasil entre 1985 e 2020.<br \/>\n\u201cO Brasil sempre teve um papel de personagem principal quando a gente fala na quest\u00e3o ambiental, e hoje ele se coloca num papel de vil\u00e3o por toda a pol\u00edtica antiambientalista, antipovos ind\u00edgenas que ele [Jair Bolsonaro] vem colocando em pr\u00e1tica, que ele vem pregando no Brasil. A forma como o Brasil est\u00e1 e como o Bolsonaro tratou a COP26 e se comportou s\u00e3o um reflexo do que vem acontecendo no Brasil: um ataque ao meio ambiente\u201d, conclui Txai Suru\u00ed.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><\/figure>\n<h4><strong>O desmatamento em alta<\/strong><\/h4>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-59874 aligncenter\" src=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/queimadas-em-Apui-Foto-Bruno-kelly_11-08-2020-4-1024x682.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/queimadas-em-Apui-Foto-Bruno-kelly_11-08-2020-4-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/queimadas-em-Apui-Foto-Bruno-kelly_11-08-2020-4-300x200.jpg 300w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/queimadas-em-Apui-Foto-Bruno-kelly_11-08-2020-4-768x512.jpg 768w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/queimadas-em-Apui-Foto-Bruno-kelly_11-08-2020-4-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/queimadas-em-Apui-Foto-Bruno-kelly_11-08-2020-4.jpg 2000w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"682\" \/><figcaption><em>Brigadista do PrevFogo do Ibama, checa \u00e1rea de floresta derrubada e queimada em Apu\u00ed, sul do Amazonas (Foto: Bruno Kelly\/Amaz\u00f4nia Real)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n<p>Em um ano, entre agosto de 2020 e julho de 2021, meses em que se mede a temporada do corte da floresta na Amaz\u00f4nia, o <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2021-11\/desmatamento-na-amazonia-legal-tem-aumento-de-2197-em-2021\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">desmatamento<\/a> aumentou em 21,97%, o maior crescimento desde 2006, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os dados recordes em meio a crise clim\u00e1tica, preocupa as pesquisadoras, que fazem men\u00e7\u00e3o \u00e0 falta de pol\u00edticas p\u00fablicas de prote\u00e7\u00e3o ambiental no Brasil. Outro levantamento, com base em dados do Sistema de Alerta de Desmatamento, do Imazon, mostra que a Amaz\u00f4nia Legal perdeu 10,2 mil quil\u00f4metros quadrados de floresta entre janeiro e novembro de 2021, o equivalente a sete vezes o tamanho da capital paulista. Nos \u00faltimos dois anos, foram desmatados 964 quil\u00f4metros quadrados nos meses de novembro, as duas piores taxas em dez anos.<br \/>\n<strong>\u201c<\/strong>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o o nosso grande desafio atual e os governos parecem n\u00e3o entender isso ou at\u00e9 entendem, mas n\u00e3o tomam a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas para frear o aquecimento global e suas consequ\u00eancias. A pol\u00edtica ambiental \u00e9 sempre marginalizada. Isso tem um impacto muito grande para a gera\u00e7\u00e3o atual e para as gera\u00e7\u00f5es futuras\u201d, destaca a pesquisadora Juliana Schietti.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-90576 aligncenter\" src=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Juliana_Schietti_003-1024x764.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Juliana_Schietti_003-1024x764.jpg 1024w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Juliana_Schietti_003-300x224.jpg 300w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Juliana_Schietti_003-768x573.jpg 768w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Juliana_Schietti_003-1536x1146.jpg 1536w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Juliana_Schietti_003-150x112.jpg 150w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Juliana_Schietti_003.jpg 1786w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"764\" \/><figcaption><em>Juliana Schietti na Reserva Ducke, em Manaus (Foto: Scott C Stark\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n<p>Fl\u00e1via Costa cita o desmonte de \u00f3rg\u00e3os ambientais como uma forma de acelerar a destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia sem levar em considera\u00e7\u00e3o as pesquisas e os contrapontos colocados pelos especialistas.<br \/>\n\u201c\u00c9 meio \u00f3bvio que a gente n\u00e3o tem visto nenhuma pol\u00edtica positiva, a gente s\u00f3 tem visto desmonte dos \u00f3rg\u00e3os ambientais, e as legisla\u00e7\u00f5es que existem n\u00e3o est\u00e3o sendo cumpridas porque a fiscaliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi desmontada. A gente n\u00e3o vai resolver o problema da Amaz\u00f4nia s\u00f3 dizendo \u2018Conserve determinadas \u00e1reas\u2019 e pronto. O resto todo vai continuar contribuindo para o aquecimento se as pol\u00edticas de uso da terra n\u00e3o mudarem\u201d, frisa.<br \/>\nPara garantir o funcionamento da floresta e sua contribui\u00e7\u00e3o para a manuten\u00e7\u00e3o do clima global, Fl\u00e1via aponta tr\u00eas fatores que devem ser priorizados: a preserva\u00e7\u00e3o das \u00e1reas que podem servir como ref\u00fagio hidrol\u00f3gico, a conserva\u00e7\u00e3o de bacias hidrogr\u00e1ficas inteiras para assegurar o abastecimento do len\u00e7ol fre\u00e1tico e a conserva\u00e7\u00e3o de grandes blocos de floresta desde o leste at\u00e9 o oeste, para assegurar o funcionamento clim\u00e1tico da Amaz\u00f4nia.<br \/>\n\u201cEntretanto, n\u00e3o tem como cancelar o efeito de mudan\u00e7a clim\u00e1tica apenas conservando as florestas mais resilientes. A floresta n\u00e3o \u00e9 capaz de promover a absor\u00e7\u00e3o de todo o carbono que a China e os Estados Unidos, por exemplo, lan\u00e7am no mundo anualmente. \u201cO que as florestas com len\u00e7ol fre\u00e1tico superficial podem fazer \u00e9 atrasar o ponto em que o balan\u00e7o de carbono sai do equil\u00edbrio. Se a gente mantivesse essas florestas funcionando como sumidouro, poderia atrasar o momento em que as florestas passam a ser s\u00f3 emissores de carbono\u201d, declara a pesquisadora.<\/p>\n<div class=\"alignnormal\">\n<div id=\"metaslider-id-90583\" class=\"ml-slider-3-24-0 metaslider metaslider-responsive metaslider-90583 ml-slider ms-theme-architekt ms-has-caption ms-loaded\">\n<div id=\"metaslider_container_90583\"><strong>Texto original dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/lencois-freaticos-da-amazonia\/\">https:\/\/amazoniareal.com.br\/lencois-freaticos-da-amazonia\/<\/a><\/strong><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amaz\u00f4nia Real W\u00e9rica Lima 17 de janeiro de 2022 Em per\u00edodos secos, as florestas com len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos rasos se comportam como ref\u00fagios hidrol\u00f3gicos e sumidouros de carbono, aponta pesquisa divulgada em revista cient\u00edfica. Fogo, desmatamento e desmonte ambiental s\u00e3o as principais amea\u00e7as para esse tipo de floresta. 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