{"id":5503,"date":"2018-07-20T16:15:51","date_gmt":"2018-07-20T19:15:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/radar\/interacao-com-os-andes-moldou-biodiversidade-da-amazonia-diz-estudo\/"},"modified":"2018-07-20T16:22:32","modified_gmt":"2018-07-20T19:22:32","slug":"interacao-com-os-andes-moldou-biodiversidade-da-amazonia-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/radar\/interacao-com-os-andes-moldou-biodiversidade-da-amazonia-diz-estudo\/","title":{"rendered":"Intera\u00e7\u00e3o com os Andes moldou biodiversidade da Amaz\u00f4nia, diz estudo"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>F\u00e1bio de Castro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Estado de S.Paulo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>19 de julho de 2018<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p class=\"n--noticia__subtitle\" style=\"text-align: center;\"><em>Grupo internacional de cientistas, com lideran\u00e7a brasileira, construiu modelo de simula\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos 800 mil anos de evolu\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica do Sul; presen\u00e7a da cordilheira gerou as condi\u00e7\u00f5es para que continente abrigasse maior diversidade de esp\u00e9cies do mundo<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica do Sul abriga a maior biodiversidade do planeta, especialmente na Amaz\u00f4nia. Por\u00a0 muitos anos, os cientistas t\u00eam especulado sobre os processos que levaram ao surgimento de um n\u00famero t\u00e3o grande de esp\u00e9cies na regi\u00e3o. A partir de simula\u00e7\u00f5es da evolu\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos 800 mil anos, feitas em sofisticados modelos digitais, um grupo de cientistas acaba de mostrar que a Cordilheira dos Andes foi a for\u00e7a propulsora da inigual\u00e1vel exuber\u00e2ncia biol\u00f3gica do continente.<\/p>\n<p>De acordo com Thiago Rangel, pesquisador da Universidade Federal de Goi\u00e1s e primeiro autor do artigo publicado nesta quinta-feira, 19, na revista\u00a0<em>Science<\/em>, a biodiversidade sul-americana foi determinada por um processo evolutivo movido por fatores geol\u00f3gicos, biol\u00f3gicos e clim\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Enquanto se alternavam longos per\u00edodos de glacia\u00e7\u00f5es e de aquecimento global na Terra, as esp\u00e9cies existentes se refugiavam do frio no interior floresta e subiam para os Andes nos per\u00edodos quentes.<\/p>\n<p>&#8220;Os Andes s\u00e3o mais longa cadeia de montanhas da Terra e a \u00fanica que atravessa os tr\u00f3picos. Bem ao lado, a Amaz\u00f4nia abriga a maior floresta tropical e a maior bacia hidrogr\u00e1fica. Essa conforma\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica \u00fanica acabou produzindo tamb\u00e9m uma biodiversidade \u00fanica&#8221;, disse Rangel ao\u00a0<strong>Estado<\/strong>.<\/p>\n<p>De acordo com o cientista, por reunir uma imensa gama de condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, a cordilheira funciona como um &#8220;seguro contra mudan\u00e7as do clima&#8221; para os animais e plantas.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c0 medida que se sobe a montanha, vai ficando mais frio e h\u00e1 climas para todos os gostos. As esp\u00e9cies que est\u00e3o pr\u00f3ximas aos Andes podem mudar subir ou descer para acompanhar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas de forma mais eficiente. Mas a cordilheira n\u00e3o \u00e9 cont\u00ednua e uma mesma esp\u00e9cie pode subir para diferentes montanhas, onde ficam isoladas por longos per\u00edodos. Quando elas descem, j\u00e1 houve diversifica\u00e7\u00e3o e novas esp\u00e9cies surgiram&#8221;, explicou.<\/p>\n<p><strong>Mata Atl\u00e2ntica.\u00a0<\/strong>Segundo Rangel, n\u00e3o s\u00f3 a Amaz\u00f4nia, mas tamb\u00e9m a Mata Atl\u00e2ntica, bem mais distante dos Andes, deve sua enorme biodiversidade \u00e0 presen\u00e7a da cordilheira.<\/p>\n<p>&#8220;Nosso modelo mostra que os Andes e a Mata Atl\u00e2ntica t\u00eam uma parceria biogeogr\u00e1fica muito antiga. Nos per\u00edodos mais quentes, entre as glacia\u00e7\u00f5es, a Amaz\u00f4nia se expande gera uma conex\u00e3o para que as esp\u00e9cies andinas migrem para a Mata Atl\u00e2ntica atrav\u00e9s do Pantanal e vice-versa&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&#8220;Nos per\u00edodos glaciais, os tr\u00f3picos n\u00e3o esfriam tanto, mas perdem umidade e o Cerrado \u00e9 que se expande sobre a Amaz\u00f4nia e o Pantanal, isolando os Andes da Mata Atl\u00e2ntica . Com isso, as esp\u00e9cies que est\u00e3o em cada lugar v\u00e3o tomar rumos evolutivos independentes, gerando mais diversidade.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Clima ancestral.\u00a0<\/strong>Produzir um modelo de simula\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as na biodiversidade em 800 mil anos em escala continental n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil. Rangel tem trabalhado h\u00e1 15 anos com esse tipo de modelagem, mas, al\u00e9m das limita\u00e7\u00f5es de poder computacional, os estudos esbarravam em um problema que parecia intranspon\u00edvel: a falta de dados sobre o clima do passado.<\/p>\n<p>O problema come\u00e7ou a ser resolvido quando Rangel estabeleceu uma parceria com o grupo liderado por Robert Colwell, professor de biologia evolutiva da Universidade do Connecticut (Estados Unidos). &#8220;H\u00e1 cinco anos, enfim, achamos as pessoas certas&#8221;, disse Rangel.<\/p>\n<p>Sob a lideran\u00e7a de Rangel e Colwell, dois paleoclimat\u00f3logos &#8211; especialistas em climas do passado -, Neil Edwards e Philip Holden, da Open University (Reino Unido), constru\u00edram um modelo paleoclim\u00e1tico \u00fanico no mundo, que foi aplicado ao contexto da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 se falava h\u00e1 anos, na literatura cient\u00edfica, da poss\u00edvel import\u00e2ncia dos Andes para a biodiversidade da Mata Atl\u00e2ntica e da Amaz\u00f4nia, mas s\u00f3 havia hip\u00f3teses com base na observa\u00e7\u00e3o, em vez de teorias mais s\u00f3lidas. O que fizemos foi diferente: pegamos toda a teoria dispon\u00edvel e constru\u00edmos um modelo do zero, de baixo para cima. Isso nos permitiu manipular as condi\u00e7\u00f5es para avaliar cen\u00e1rios hipot\u00e9ticos, como se estiv\u00e9ssemos em um laborat\u00f3rio virtual&#8221;, explicou.<\/p>\n<p><strong>Cordilheira &#8216;deletada&#8217;.\u00a0<\/strong>Com o modelo, os cientistas puderam estudar os complexos padr\u00f5es de distribui\u00e7\u00e3o, diversifica\u00e7\u00e3o e extin\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies ao longo de 800 mil anos, abrangendo os oito \u00faltimos per\u00edodos de glacia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Os mapas de biodiversidade reproduzidos pelo modelo\u00a0 s\u00e3o incrivelmente parecidos com os mapas reais que atualmente mostram a distribui\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies de aves, mam\u00edferos e plantas. Tudo coincide com a realidade&#8221;, disse o cientista.<\/p>\n<p>Em uma das simula\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas, os cientistas chegaram a remover os Andes da paisagem para verificar sua import\u00e2ncia na forma\u00e7\u00e3o da biodiversidade sul-americana. &#8220;Confirmamos que a cordilheira \u00e9 mesmo fundamental. Sem ela, a biodiversidade seria muito mais pobre.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Foto:\u00a0Cerro Frias com a cordilheira dos Andes ao fundo.Bianca Pinto Lima\/Estad\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Fonte:\u00a0<a href=\"https:\/\/ciencia.estadao.com.br\/noticias\/geral,andes-deram-origem-a-biodiversidade-da-amazonia-diz-estudo,70002407878\">ciencia.estadao.com.br\/noticias\/geral,andes-deram-origem-a-biodiversidade-da-amazonia-diz-estudo,70002407878<\/a><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] F\u00e1bio de Castro Estado de S.Paulo 19 de julho de 2018 [\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text] Grupo internacional de cientistas, com lideran\u00e7a brasileira, construiu modelo de simula\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos 800 mil anos de evolu\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica do Sul; presen\u00e7a da cordilheira gerou as condi\u00e7\u00f5es para que continente abrigasse maior diversidade de esp\u00e9cies do mundo &nbsp; A Am\u00e9rica do&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":5501,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-5503","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-radar","category-3","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5503","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5503"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5503\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5512,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5503\/revisions\/5512"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5501"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5503"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5503"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5503"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}