{"id":5759,"date":"2018-08-15T10:13:12","date_gmt":"2018-08-15T13:13:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/radar\/amazonia-4-0-a-criacao-de-ecossistemas-de-inovacao-e-o-enraizamento-de-uma-nova-bioeconomia-entrevista-especial-com-carlos-nobre\/"},"modified":"2018-08-15T10:20:36","modified_gmt":"2018-08-15T13:20:36","slug":"amazonia-4-0-a-criacao-de-ecossistemas-de-inovacao-e-o-enraizamento-de-uma-nova-bioeconomia-entrevista-especial-com-carlos-nobre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/radar\/amazonia-4-0-a-criacao-de-ecossistemas-de-inovacao-e-o-enraizamento-de-uma-nova-bioeconomia-entrevista-especial-com-carlos-nobre\/","title":{"rendered":"Amaz\u00f4nia 4.0. A cria\u00e7\u00e3o de ecossistemas de inova\u00e7\u00e3o e o enraizamento de uma nova bioeconomia. Entrevista especial com Carlos Nobre"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Patricia Fachin<\/strong><br \/>\n<strong>IHU On-Line<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>9 de agosto de 2018<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_column_text]No contexto da Revolu\u00e7\u00e3o 4.0 e da economia do s\u00e9culo XXI, \u00e9 preciso apostar na bioeconomia baseada no uso dos ativos biol\u00f3gicos e biomim\u00e9ticos para desenvolver a Amaz\u00f4nia, defende Carlos Nobre na entrevista a seguir, concedida \u00e0 IHU On-Line. Nessa perspectiva, explica, a \u201c\u2018Terceira Via\u2019 que propomos \u00e9 exatamente buscar uma alternativa econ\u00f4mica ao confronto entre a Primeira e a Segunda Via, destacando o papel que as novas tecnologias que nos chegam irreversivelmente atrav\u00e9s da Quarta Revolu\u00e7\u00e3o Industrial podem desempenhar em fazer emergir o enorme valor tang\u00edvel dos ativos biol\u00f3gicos e biomim\u00e9ticos da biodiversidade. Estes valores est\u00e3o ainda \u2018escondidos\u2019 e precisamos de ci\u00eancia e tecnologia intensivos na regi\u00e3o para torn\u00e1-los uma realidade, aliados a maneiras inovadoras de aproveitamento do vasto conhecimento tradicional, respeitando a justa e correta reparti\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios com as popula\u00e7\u00f5es locais detentoras deste conhecimento\u201d.<\/p>\n<p>A terceira via para o desenvolvimento da Amaz\u00f4nia se contrap\u00f5e a outros dois modelos, que at\u00e9 recentemente foram privilegiados na discuss\u00e3o: \u201cconciliar a prote\u00e7\u00e3o dos ecossistemas em unidades de conserva\u00e7\u00e3o, terras ind\u00edgenas e reservas extrativistas (\u2026) com a chamada intensifica\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel da agropecu\u00e1ria e conten\u00e7\u00e3o dos desmatamentos causados pela expans\u00e3o das fronteiras agr\u00edcolas e da minera\u00e7\u00e3o e hidroeletricidade, isto \u00e9, um modelo intensivo em recursos naturais\u201d, informa o pesquisador.<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, concedida por e-mail \u00e0 IHU On-Line, Nobre frisa que o potencial dos ativos biol\u00f3gicos e biomim\u00e9ticos da biodiversidade \u00e9 enorme. \u201cVejamos, como exemplo, a cadeia produtiva do a\u00e7a\u00ed. At\u00e9 duas d\u00e9cadas atr\u00e1s, um fruto de consumo tradicional local. Hoje, da polpa do a\u00e7a\u00ed derivam dezenas de diferentes produtos para as ind\u00fastrias aliment\u00edcia, nutrac\u00eautica, cosm\u00e9tica etc., gerando j\u00e1 mais de 1,5 bilh\u00e3o de d\u00f3lares para a economia Amaz\u00f4nica a cada ano, tendo melhorado a renda de mais de 250 mil produtores. Se este mesmo caminho fosse aplicado a v\u00e1rias dezenas de produtos Amaz\u00f4nicos \u2014 com ci\u00eancia e tecnologia para agrega\u00e7\u00e3o de valor desde a base de produ\u00e7\u00e3o para beneficiar as popula\u00e7\u00f5es locais \u2014, esta nova bioeconomia seria muito maior do que aquela proveniente de pecu\u00e1ria, gr\u00e3os e explora\u00e7\u00e3o madeireira\u201d, adverte.<\/p>\n<p>Segundo ele, investimentos nesse sentido trariam \u201cmais desenvolvimento local, principalmente se forem criadas in\u00fameras bioind\u00fastrias na pr\u00f3pria regi\u00e3o Amaz\u00f4nica, produzindo e exportando produtos de muito maior valor agregado, gerando melhores empregos e inclus\u00e3o social. A economia da Amaz\u00f4nia tornando-se mais importante ir\u00e1 obviamente beneficiar o pa\u00eds como um todo\u201d.<\/p>\n<p>Carlos Nobre \u00e9 graduado em Engenharia Eletr\u00f4nica pelo Instituto Tecnol\u00f3gico de Aeron\u00e1utica \u2013 ITA e doutor em Meteorologia pelo Massachusetts Institute of Technology \u2013 MIT. Foi pesquisador no Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia \u2013 Inpa e no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais \u2013 Inpe.<\/p>\n<p>Exerceu fun\u00e7\u00f5es de gest\u00e3o e coordena\u00e7\u00e3o cient\u00edficas e de pol\u00edtica cient\u00edfica, atuando como presidente da Capes, diretor do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais \u2013 Cemaden, secret\u00e1rio de Pol\u00edticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Minist\u00e9rio de Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o \u2013 MCTI, chefe do Centro de Ci\u00eancia do Sistema Terrestre \u2013 CCST-Inpe e coordenador geral do Centro de Previs\u00e3o de Tempo e Estudos Clim\u00e1ticos \u2013 CPTEC-Inpe.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m atuou na coordena\u00e7\u00e3o de experimentos cient\u00edficos, como coordenador cient\u00edfico do Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amaz\u00f4nia \u2013 LBA, coordenador brasileiro do Anglo-Brazilian Climate Observations Study \u2013 Abracos e coordenador brasileiro do Experimento Amazalert entre institui\u00e7\u00f5es europeias e sul-americanas. Exerceu a presid\u00eancia do International Advisory Group do Programa de Prote\u00e7\u00e3o das Florestas Tropicais do Brasil \u2013 PP-G7.<\/p>\n<figure class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/08\/09_08_carlos_nobre_foto_mcti.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"287\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\"><em>Carlos Nobre | Foto: MCTI<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Atualmente \u00e9 membro do Joint Steering Committee do World Climate Research Programme \u2013 WCRP, preside os Conselhos Diretores da Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas \u2013 Rede Clima e do Painel Brasileiro de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas \u2013 PBMC, e \u00e9 coordenador do Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia para Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas \u2013 INCT-MC.<\/p>\n<p>Confira a entrevista.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Alguns ativistas que defendem a Amaz\u00f4nia argumentam que a regi\u00e3o precisa n\u00e3o s\u00f3 ser protegida ambientalmente, mas \u00e9 fundamental se pensar um modelo econ\u00f4mico para a Amaz\u00f4nia. Concorda com essa vis\u00e3o? Na sua avalia\u00e7\u00e3o, o Estado brasileiro tem consci\u00eancia da import\u00e2ncia de se elaborar um modelo econ\u00f4mico adequado para a Amaz\u00f4nia?<\/strong><\/p>\n<p>Carlos Nobre \u2013 Sem d\u00favida, o grande potencial econ\u00f4mico de regi\u00f5es com alta biodiversidade como a Amaz\u00f4nia est\u00e1 exatamente na diversidade de esp\u00e9cies e no potencial aproveitamento econ\u00f4mico dos ativos biol\u00f3gicos e biomim\u00e9ticos em uma inovadora bioeconomia. Ainda que haja, em qualquer plano governamental para a Amaz\u00f4nia, alguma men\u00e7\u00e3o \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o de cadeias produtivas oriundas da biodiversidade, os investimentos p\u00fablicos e privados em ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o para fazer emergir esta nova bioeconomia s\u00e3o extremamente reduzidos, quando comparados aos investimentos numa economia baseada na substitui\u00e7\u00e3o da floresta para produ\u00e7\u00e3o de carne, gr\u00e3os e min\u00e9rios.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Pode nos explicar em que consiste a \u201cterceira via\u201d para o desenvolvimento sustent\u00e1vel da Amaz\u00f4nia, baseado numa no\u00e7\u00e3o de conhecimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico, segundo sua proposta?<\/strong><\/p>\n<p>Carlos Nobre \u2013 Por muito tempo, o debate sobre o desenvolvimento da Amaz\u00f4nia ficou restrito a se buscar conciliar a prote\u00e7\u00e3o dos ecossistemas em unidades de conserva\u00e7\u00e3o, terras ind\u00edgenas e reservas extrativistas (que chamamos de \u201cPrimeira Via\u201d) com a chamada intensifica\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel da agropecu\u00e1ria e conten\u00e7\u00e3o dos desmatamentos causados pela expans\u00e3o das fronteiras agr\u00edcolas e da minera\u00e7\u00e3o e hidroeletricidade, isto \u00e9, um modelo intensivo em recursos naturais (que denominamos de \u201cSegunda Via\u201d). Este debate n\u00e3o ajudou a frear a expans\u00e3o do desmatamento, ainda que se deva reconhecer que a pol\u00edtica de expans\u00e3o das unidades de conserva\u00e7\u00e3o e demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas foi fator preponderante na redu\u00e7\u00e3o de mais de 70% nas taxas anuais de desmatamento entre 2005 e 2014.<\/p>\n<blockquote>\n<h3>&#8220;<em>A pol\u00edtica de expans\u00e3o das unidades de conserva\u00e7\u00e3o e demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas foi fator preponderante na redu\u00e7\u00e3o de mais de 70% nas taxas anuais de desmatamento entre 2005 e 2014&#8243;<\/em> \u2013 Carlos Nobre<\/h3>\n<\/blockquote>\n<p>A \u201cTerceira Via\u201d que propomos \u00e9 exatamente buscar uma alternativa econ\u00f4mica ao confronto entre a Primeira e a Segunda Via, destacando o papel que as novas tecnologias que nos chegam irreversivelmente atrav\u00e9s da Quarta Revolu\u00e7\u00e3o Industrial podem desempenhar em fazer emergir o enorme valor tang\u00edvel dos ativos biol\u00f3gicos e biomim\u00e9ticos da biodiversidade. Estes valores est\u00e3o ainda \u201cescondidos\u201d e precisamos de ci\u00eancia e tecnologia intensivos na regi\u00e3o para torn\u00e1-los uma realidade, aliados a maneiras inovadoras de aproveitamento do vasto conhecimento tradicional, respeitando a justa e correta reparti\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios com as popula\u00e7\u00f5es locais detentoras deste conhecimento.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5755\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/09_08_mapa_amazonia_foto_fake_climate.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"562\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/09_08_mapa_amazonia_foto_fake_climate.jpg 800w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/09_08_mapa_amazonia_foto_fake_climate-300x211.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/09_08_mapa_amazonia_foto_fake_climate-768x540.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/09_08_mapa_amazonia_foto_fake_climate-500x351.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Mapa da regi\u00e3o amaz\u00f4nica (Fonte: Fake Climate)<\/em><\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Por que o investimento em conhecimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico na Amaz\u00f4nia \u00e9, na sua avalia\u00e7\u00e3o, o melhor modelo de desenvolvimento para a regi\u00e3o? Que benef\u00edcios esse modelo traria n\u00e3o s\u00f3 para a regi\u00e3o, mas para o Brasil como um todo?<\/strong><\/p>\n<p>Carlos Nobre \u2013 O potencial dos ativos biol\u00f3gicos e biomim\u00e9ticos da biodiversidade \u00e9 enorme. Vejamos, como exemplo, a cadeia produtiva do a\u00e7a\u00ed. At\u00e9 duas d\u00e9cadas atr\u00e1s, um fruto de consumo tradicional local. Hoje, da polpa do a\u00e7a\u00ed derivam dezenas de diferentes produtos para as ind\u00fastrias aliment\u00edcia, nutrac\u00eautica, cosm\u00e9tica etc., gerando j\u00e1 mais de 1,5 bilh\u00e3o de d\u00f3lares para a economia Amaz\u00f4nica a cada ano, tendo melhorado a renda de mais de 250 mil produtores. Se este mesmo caminho fosse aplicado a v\u00e1rias dezenas de produtos Amaz\u00f4nicos \u2014 com ci\u00eancia e tecnologia para agrega\u00e7\u00e3o de valor desde a base de produ\u00e7\u00e3o para beneficiar as popula\u00e7\u00f5es locais \u2014, esta nova bioeconomia seria muito maior do que aquela proveniente de pecu\u00e1ria, gr\u00e3os e explora\u00e7\u00e3o madeireira.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, traria mais desenvolvimento local, principalmente se forem criadas in\u00fameras bioind\u00fastrias na pr\u00f3pria regi\u00e3o Amaz\u00f4nica, produzindo e exportando produtos de muito maior valor agregado, gerando melhores empregos e inclus\u00e3o social. A economia da Amaz\u00f4nia tornando-se mais importante ir\u00e1 obviamente beneficiar o pa\u00eds como um todo.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Que papel as universidades da regi\u00e3o poderiam desempenhar na elabora\u00e7\u00e3o desse projeto que o senhor prop\u00f5e?<\/strong><\/p>\n<p>Carlos Nobre \u2013 \u00c9 essencial que as universidades desempenhem papel central. Em primeiro lugar, formando pessoas para esta nova bioeconomia, algo ainda muito distante do t\u00edpico curr\u00edculo escolar das universidades da Amaz\u00f4nia, os quais reproduzem acriticamente modelos de universidades, forma\u00e7\u00f5es, carreiras de outras regi\u00f5es do pa\u00eds. Em segundo lugar, os laborat\u00f3rios p\u00fablicos das universidades e dos institutos de pesquisa devem ser equipados como \u2018laborat\u00f3rios avan\u00e7ados de biologia\u2019 para fornecer o conhecimento a ser transformado em aplica\u00e7\u00f5es para esta nova bioeconomia e tamb\u00e9m para formar uma nova gera\u00e7\u00e3o de pesquisadores e empreendedores para esta inovadora bioeconomia, base de uma revolucion\u00e1ria bioindustrializa\u00e7\u00e3o para a regi\u00e3o. H\u00e1 igualmente papel relevante para que estas novas bioind\u00fastrias nas\u00e7am com o esp\u00edrito inovador e invistam fortemente em P&amp;D, algo extremamente deficiente na ind\u00fastria brasileira como um todo.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Sempre que se fala em desenvolvimento da Amaz\u00f4nia, ativistas da regi\u00e3o chamam aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de incluir a popula\u00e7\u00e3o da floresta neste projeto. Como a popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o seria inclu\u00edda na sua proposta?<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<h3><em>&#8220;H\u00e1 que se capacitar os povos da floresta, incluindo as comunidades ind\u00edgenas, para adquirir os conhecimentos sobre os ativos biol\u00f3gicos e biomim\u00e9ticos e poder se beneficiar economicamente deste conhecimento&#8221;<\/em> \u2013 Carlos Nobre<\/h3>\n<\/blockquote>\n<p>Carlos Nobre \u2013 A Quarta Revolu\u00e7\u00e3o Industrial n\u00e3o est\u00e1 somente produzindo a uni\u00e3o das tecnologias digitais, biol\u00f3gicas e de materiais, mas concomitantemente est\u00e1 tornando poss\u00edvel o acesso simplificado a estas novas tecnologias a um custo cada vez menor. Isso propicia pela primeira vez que tais tecnologias cheguem aos povos da floresta em qualquer remoto rinc\u00e3o da Amaz\u00f4nia. Por outro lado, o conhecimento \u00e9 o maior valor econ\u00f4mico do s\u00e9culo XXI e n\u00e3o necessariamente a transforma\u00e7\u00e3o material. Deste modo, h\u00e1 que se capacitar os povos da floresta, incluindo as comunidades ind\u00edgenas, para adquirir os conhecimentos sobre os ativos biol\u00f3gicos e biomim\u00e9ticos e poder se beneficiar economicamente deste conhecimento. Assim, \u00e9 central \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o da Terceira Via que a capacita\u00e7\u00e3o se inicie com os povos da floresta e comunidades locais, ao mesmo tempo que se desenvolvam as condi\u00e7\u00f5es para o surgimento das bioind\u00fastrias de v\u00e1rios tamanhos e complexidades, mas majoritariamente em vilas e cidades amaz\u00f4nicas.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Qual \u00e9 a capacidade atual do Brasil em investir nesse modelo que o senhor prop\u00f5e e, nesse sentido, quais os desafios para colocar esse projeto em andamento?<\/strong><\/p>\n<p>Carlos Nobre \u2013 Ainda que estejamos atravessando uma profunda recess\u00e3o econ\u00f4mica, refletida em cortes radicais no financiamento p\u00fablico de C&amp;T, n\u00e3o se necessitaria de valores gigantescos para a prova de conceito da Terceira Via. O maior desafio \u00e9 iniciar a implementa\u00e7\u00e3o de alguns experimentos pilotos para mostrar que \u00e9 fact\u00edvel capacitar comunidades em utiliza\u00e7\u00e3o de modernas tecnologias para moderniza\u00e7\u00e3o radical do aproveitamento do potencial da biodiversidade Amaz\u00f4nica. Estamos propondo a cria\u00e7\u00e3o dos chamados \u201cLaborat\u00f3rios Criativos Amaz\u00f4nicos\u201d, estruturas port\u00e1teis e itinerantes que viajariam pela Amaz\u00f4nia promovendo a capacita\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es no uso de novas tecnologias em cadeias produtivas existentes e principalmente para gera\u00e7\u00e3o de novos usos e produtos a partir dos ativos biol\u00f3gicos e biomim\u00e9ticos da floresta.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 O senhor tem alertado para a import\u00e2ncia de um \u201cforte engajamento\u201d entre as institui\u00e7\u00f5es de pesquisa da regi\u00e3o amaz\u00f4nica para p\u00f4r esse projeto em pr\u00e1tica. Como as diferentes institui\u00e7\u00f5es que atuam na regi\u00e3o t\u00eam se posicionado sobre a sua proposta de desenvolvimento para a Amaz\u00f4nia? H\u00e1 mais concord\u00e2ncia ou discord\u00e2ncia e por quais raz\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p>Carlos Nobre \u2013 A iniciativa da Terceira Via Amaz\u00f4nica, que tamb\u00e9m denominamos \u201cAmaz\u00f4nia 4.0\u201d, em alus\u00e3o \u00e0 Quarta Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, est\u00e1 em seus prim\u00f3rdios de discuss\u00e3o e aprofundamento conceitual. H\u00e1, de modo geral, grande concord\u00e2ncia entre institui\u00e7\u00f5es de pesquisa Amaz\u00f4nicas de que se deve buscar modelos alternativos e sustent\u00e1veis de desenvolvimento e que uma bioeconomia baseada na floresta em p\u00e9 deve ser testada e deve adquirir escala. Deve-se mencionar que a ideia de uma bioeconomia baseada na biodiversidade \u00e9 antiga na Amaz\u00f4nia. O elemento inovador da Terceira Via \u00e9 propor trazer para o seio da floresta e das comunidades as modernas tecnologias que lhes propiciar\u00e3o enorme poder de gerar novos conhecimentos e agregar valor aos produtos produzidos localmente.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 O senhor tem discutido essa proposta de desenvolvimento para a Amaz\u00f4nia no meio pol\u00edtico, com algum setor do Estado especificamente? Qual tem sido a repercuss\u00e3o pol\u00edtica da proposta?<\/strong><\/p>\n<p>Carlos Nobre \u2013 Alguns representantes da classe pol\u00edtica j\u00e1 tiveram conhecimento da proposta. Por\u00e9m, o n\u00edvel de discuss\u00e3o dessas propostas ainda \u00e9 restrito. Temos conversado com o Fundo Amaz\u00f4nia sobre a necessidade de trazer inova\u00e7\u00e3o de ponta para a Amaz\u00f4nia, criando \u2018ecossistemas de inova\u00e7\u00e3o\u2019 que permitam o enraizamento de uma nova bioeconomia.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 O senhor j\u00e1 declarou que sua proposta de desenvolvimento para a Amaz\u00f4nia envolver\u00e1, numa segunda fase, as outras Amaz\u00f4nias. O que tem pensado nesse sentido?<\/strong><\/p>\n<p>Carlos Nobre \u2013 Globalmente falando, o aproveitamento da biodiversidade tropical em inovadores modelos de bioeconomia \u00e9 bastante modesto, quase inexistente. Se tal iniciativa puder mostrar-se vi\u00e1vel para a Amaz\u00f4nia, \u00e9 prov\u00e1vel que possa ser implementada com sucesso em outras regi\u00f5es tropicais, inclusive da Am\u00e9rica do Sul, ricas em biodiversidade.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Para al\u00e9m da expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio, que outros modelos de desenvolvimento ditos \u201cambientalmente corretos\u201d para a Amaz\u00f4nia se contrap\u00f5em \u00e0 sua proposta e est\u00e3o em disputa neste momento?<\/strong><\/p>\n<p>Carlos Nobre \u2013 Ainda h\u00e1 uma preval\u00eancia na atua\u00e7\u00e3o de muitas ONGs ambientalistas s\u00e9rias de uma tentativa de \u2018disciplinar\u2019 o grande agroneg\u00f3cio para frear a expans\u00e3o da fronteira agropecu\u00e1ria na Amaz\u00f4nia. Politicamente, o mundo da conserva\u00e7\u00e3o e o mundo da expans\u00e3o do modelo intensivo em recursos naturais continuam em acirrada disputa e atraem a maior parte das aten\u00e7\u00f5es. At\u00e9 porque, temos visto uma forte tend\u00eancia de enfraquecimento da legisla\u00e7\u00e3o ambiental no pa\u00eds. A chamada intensifica\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel da agropecu\u00e1ria \u00e9 condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, mas muito longe de ser suficiente para de fato frear o desmatamento da Amaz\u00f4nia e do Cerrado. Ao contr\u00e1rio, quando a atividade da agropecu\u00e1ria torna-se muito mais rent\u00e1vel devido ao aumento da produtividade, a tend\u00eancia \u00e9 que ocupe \u00e1rea ainda maior e se expanda.<\/p>\n<blockquote>\n<h3><em>&#8220;\u00c9 poss\u00edvel, sim, o Brasil continuar a ser uma pot\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o de alimentos utilizando os cerca de 270 milh\u00f5es de hectares j\u00e1 em atividade agropecu\u00e1ria e silvicultura&#8221;<\/em> \u2013 Carlos Nobre<\/h3>\n<\/blockquote>\n<p>Frear o desmatamento requer uma pol\u00edtica p\u00fablica de desmatamento zero, que \u00e9, ali\u00e1s, o desejo da maior parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira. \u00c9 poss\u00edvel, sim, o Brasil continuar a ser uma pot\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o de alimentos utilizando os cerca de 270 milh\u00f5es de hectares j\u00e1 em atividade agropecu\u00e1ria e silvicultura.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Alguns ambientalistas t\u00eam chamado aten\u00e7\u00e3o para um processo de \u201cfaveliza\u00e7\u00e3o\u201d da Amaz\u00f4nia, fazendo refer\u00eancia ao empobrecimento e ao aumento da viol\u00eancia na regi\u00e3o. Na sua avalia\u00e7\u00e3o, esse fen\u00f4meno de fato existe? Quais s\u00e3o suas causas?<\/strong><\/p>\n<p>Carlos Nobre \u2013 Como no resto do Brasil, a tend\u00eancia de urbaniza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ocorre na Amaz\u00f4nia, onde mais de 70% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 urbana. N\u00e3o diferente da ca\u00f3tica urbaniza\u00e7\u00e3o das cidades brasileiras, o fluxo migrat\u00f3rio para as cidades grandes e m\u00e9dias tem resultado em grandes contingentes de pobres urbanos, que, apesar de estarem mais pr\u00f3ximos a oportunidades educacionais e de atendimento de sa\u00fade, n\u00e3o atingiram n\u00edveis m\u00ednimos de qualidade de vida. A viol\u00eancia no campo \u00e9 outra caracter\u00edstica infeliz do modo de ocupa\u00e7\u00e3o das terras na Amaz\u00f4nia, onde prevalece o crime organizado de grilagem de terras e explora\u00e7\u00e3o ilegal de madeira e de metais e pedras de valor, interligado tamb\u00e9m ao tr\u00e1fico internacional de drogas e de armas. Um triste e s\u00e9rio problema que deve ser enfrentado pela na\u00e7\u00e3o como um todo.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Algum dos candidatos \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica sinaliza um projeto de desenvolvimento para a Amaz\u00f4nia ancorado no modelo que o senhor sugere?<\/strong><\/p>\n<p>Carlos Nobre \u2013 Estas ideias de uma nova bioeconomia baseada no uso dos ativos biol\u00f3gicos e biomim\u00e9ticos da Amaz\u00f4nia fazendo uso das modernas tecnologias da Quarta Revolu\u00e7\u00e3o Industrial ainda n\u00e3o atingiram campanhas presidenciais, at\u00e9 porque os conceitos ainda est\u00e3o em desenvolvimento e as campanhas buscam linguagens acess\u00edveis de comunica\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o. A maioria dos candidatos postos at\u00e9 o momento \u00e9 ligada ao grande agroneg\u00f3cio e dificilmente se interessaria por um modelo revolucion\u00e1rio e inovador como a Terceira Via Amaz\u00f4nica, ainda que repitam sem pestanejar que ir\u00e3o \u201cproteger a Natureza\u201d.<\/p>\n<blockquote>\n<h3><em>&#8220;A chamada intensifica\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel da agropecu\u00e1ria \u00e9 condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, mas muito longe de ser suficiente para de fato frear o desmatamento da Amaz\u00f4nia e do Cerrado&#8221;<\/em> \u2013 Carlos Nobre<\/h3>\n<\/blockquote>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Qual sua avalia\u00e7\u00e3o da Coaliz\u00e3o Brasil Clima, Florestas e Agricultura, movimento multisetorial composto por mais de 170 membros, entre entidades que lideram o agroneg\u00f3cio no Brasil, as principais ONGs da \u00e1rea de meio ambiente e clima e representantes do meio acad\u00eamico, que apresentar\u00e1 aos principais candidatos \u00e0s elei\u00e7\u00f5es deste ano um conjunto de 28 propostas, relacionadas ao uso da terra? Elas s\u00e3o fact\u00edveis de serem alcan\u00e7adas em um mandato de quatro anos?<\/strong><\/p>\n<p>Carlos Nobre \u2013 Eu sou membro da Coaliz\u00e3o. Sim, as 28 propostas s\u00e3o fact\u00edveis e, de modo geral, apontam um caminho de redu\u00e7\u00e3o da expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola, com ganhos de produtividade, al\u00e9m de sinalizar a import\u00e2ncia da regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria e destina\u00e7\u00e3o para fins de conserva\u00e7\u00e3o dos mais de 60 milh\u00f5es de hectares de terras p\u00fablicas. Trata-se de um roteiro de bom-senso. Por outro lado, j\u00e1 h\u00e1 setores do agroneg\u00f3cio, alguns representados na Coliga\u00e7\u00e3o, que apoiam at\u00e9 mesmo candidatos com posi\u00e7\u00f5es totalmente antag\u00f4nicas ao Livro Verde da Coliga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fonte:\u00a0<a href=\"https:\/\/amazonia.org.br\/2018\/08\/amazonia-4-0-a-criacao-de-ecossistemas-de-inovacao-e-o-enraizamento-de-uma-nova-bioeconomia-entrevista-especial-com-carlos-nobre\/?utm_source=akna&amp;utm_medium=email&amp;utm_campaign=Not%26iacute%3Bcias+da+Amaz%26ocirc%3Bnia+-+10+de+agosto+de+2018\">https:\/\/amazonia.org.br\/2018\/08\/amazonia-4-0-a-criacao-de-ecossistemas-de-inovacao-e-o-enraizamento-de-uma-nova-bioeconomia-entrevista-especial-com-carlos-nobre\/?utm_source=akna&amp;utm_medium=email&amp;utm_campaign=Not%26iacute%3Bcias+da+Amaz%26ocirc%3Bnia+-+10+de+agosto+de+2018<\/a>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No contexto da Revolu\u00e7\u00e3o 4.0 e da economia do s\u00e9culo XXI, \u00e9 preciso apostar na bioeconomia baseada no uso dos ativos biol\u00f3gicos e biomim\u00e9ticos para desenvolver a Amaz\u00f4nia, defende Carlos Nobre na entrevista a seguir, concedida \u00e0 IHU On-Line. Nessa perspectiva, explica, a \u201c\u2018Terceira Via\u2019 que propomos \u00e9 exatamente buscar uma alternativa econ\u00f4mica ao confronto entre a Primeira e a Segunda Via, destacando o papel que as novas tecnologias que nos chegam irreversivelmente atrav\u00e9s da Quarta Revolu\u00e7\u00e3o Industrial podem desempenhar em fazer emergir o enorme valor tang\u00edvel dos ativos biol\u00f3gicos e biomim\u00e9ticos da biodiversidade. Estes valores est\u00e3o ainda \u2018escondidos\u2019 e precisamos de ci\u00eancia e tecnologia intensivos na regi\u00e3o para torn\u00e1-los uma realidade, aliados a maneiras inovadoras de aproveitamento do vasto conhecimento tradicional, respeitando a justa e correta reparti\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios com as popula\u00e7\u00f5es locais detentoras deste conhecimento\u201d.<\/p>\n<p>A terceira via para o desenvolvimento da Amaz\u00f4nia se contrap\u00f5e a outros dois modelos, que at\u00e9 recentemente foram privilegiados na discuss\u00e3o: \u201cconciliar a prote\u00e7\u00e3o dos ecossistemas em unidades de conserva\u00e7\u00e3o, terras ind\u00edgenas e reservas extrativistas (\u2026) com a chamada intensifica\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel da agropecu\u00e1ria e conten\u00e7\u00e3o dos desmatamentos causados pela expans\u00e3o das fronteiras agr\u00edcolas e da minera\u00e7\u00e3o e hidroeletricidade, isto \u00e9, um modelo intensivo em recursos naturais\u201d, informa o pesquisador.<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, concedida por e-mail \u00e0 IHU On-Line, Nobre frisa que o potencial dos ativos biol\u00f3gicos e biomim\u00e9ticos da biodiversidade \u00e9 enorme. \u201cVejamos, como exemplo, a cadeia produtiva do a\u00e7a\u00ed. At\u00e9 duas d\u00e9cadas atr\u00e1s, um fruto de consumo tradicional local. Hoje, da polpa do a\u00e7a\u00ed derivam dezenas de diferentes produtos para as ind\u00fastrias aliment\u00edcia, nutrac\u00eautica, cosm\u00e9tica etc., gerando j\u00e1 mais de 1,5 bilh\u00e3o de d\u00f3lares para a economia Amaz\u00f4nica a cada ano, tendo melhorado a renda de mais de 250 mil produtores. Se este mesmo caminho fosse aplicado a v\u00e1rias dezenas de produtos Amaz\u00f4nicos \u2014 com ci\u00eancia e tecnologia para agrega\u00e7\u00e3o de valor desde a base de produ\u00e7\u00e3o para beneficiar as popula\u00e7\u00f5es locais \u2014, esta nova bioeconomia seria muito maior do que aquela proveniente de pecu\u00e1ria, gr\u00e3os e explora\u00e7\u00e3o madeireira\u201d, adverte.<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":5756,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-5759","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-radar","category-3","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5759","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5759"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5759\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5763,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5759\/revisions\/5763"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5756"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5759"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5759"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5759"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}