{"id":6183,"date":"2018-09-18T14:33:53","date_gmt":"2018-09-18T17:33:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/radar\/financiamento-chines-e-de-instituicoes-ocidentais-a-estradas-e-barragens-causa-grande-desmatamento-na-amazonia-andina\/"},"modified":"2018-09-18T15:59:30","modified_gmt":"2018-09-18T18:59:30","slug":"financiamento-chines-e-de-instituicoes-ocidentais-a-estradas-e-barragens-causa-grande-desmatamento-na-amazonia-andina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/radar\/financiamento-chines-e-de-instituicoes-ocidentais-a-estradas-e-barragens-causa-grande-desmatamento-na-amazonia-andina\/","title":{"rendered":"Financiamento chin\u00eas e de institui\u00e7\u00f5es ocidentais a estradas e barragens causa grande desmatamento na Amaz\u00f4nia Andina"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><a href=\"https:\/\/pt.mongabay.com\/by\/gus-greenstein\/\" rel=\"tag\" data-wpel-link=\"internal\">Gus Greenstein<\/a>\u00a0| Translated by\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.mongabay.com\/by\/mariana-almeida\" data-wpel-link=\"internal\">Mariana Almeida<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Mongabay<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>17 de setembro de 2018<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<ul>\n<li><em>Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional investiram pesado em projetos de infraestrutura de grande porte que causaram desmatamento no Corredor Andes-Amaz\u00f4nia, em especial no Equador, Peru e Bol\u00edvia, entre os anos 2000 e 2015, segundo uma pesquisa recente publicada pelo Centro de Pol\u00edticas de Desenvolvimento Global da Boston University.<\/em><\/li>\n<li><em>Com o uso de dados de sat\u00e9lite, a pesquisa analisou 84 grandes projetos de grande infraestrutura e determinaram que a \u00e1rea ao redor desses projetos sofreu perda de cobertura vegetal em quantidade quatro vezes maior que a m\u00e9dia, se comparada com \u00e1reas onde n\u00e3o existem tais projetos nos pa\u00edses supracitados. Essa \u00e9 uma perda de sequestro de carbono equivalente \u00e0 emiss\u00e3o anual de CO2 da Col\u00f4mbia, Chile e Equador juntos.<\/em><\/li>\n<li><em>Os projetos de infraestrutura representam, hoje, 60% de toda a emiss\u00e3o global de gases do efeito estufa, mas ainda assim as Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional querem aumentar os empr\u00e9stimos de milh\u00f5es para trilh\u00f5es a fim de atender a demanda global. Isso colocaria em perigo as metas nacionais do Acordo do Clima de Paris (que, em pa\u00edses como o Brasil, est\u00e3o ligadas \u00e0 preven\u00e7\u00e3o do desmatamento), e poderia contribuir para n\u00edveis catastr\u00f3ficos de emiss\u00e3o de carbono no mundo.<\/em><\/li>\n<li><em>O estudo n\u00e3o \u00e9 apenas de escopo acad\u00eamico: mais de 70 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em projetos de infraestrutura, apoiados por bancos de desenvolvimento e pelo setor privado, est\u00e3o planejados para regi\u00f5es na bacia do Amazonas dentre agora e o ano de 2020. Os pesquisadores esperam que as li\u00e7\u00f5es aprendidas com projetos desse tipo no passado, destacadas em sua pesquisa, possam eliminar a imprud\u00eancia de futuros projetos para ajudar a diminuir o desmatamento.<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional\u00a0possibilitaram o desmatamento em larga escala na Amaz\u00f4nia, e n\u00e3o h\u00e1 nenhum sinal de que essa tend\u00eancia diminuir\u00e1, segundo uma pesquisa recente publicada\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bu.edu\/gdp\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">pelo Centro de Pol\u00edticas de Desenvolvimento Global<\/a>\u00a0da Boston University. Ao inv\u00e9s disso, afirmam os autores Rebecca Ray, Kevin Gallagher e Cynthia Sanborn, \u201c\u00e9 prov\u00e1vel que (os riscos e custos ambientais) aumentem\u201d.<\/p>\n<p>Projetos financiados por Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional provocaram desmatamento expressivo no Equador, Peru e Bol\u00edvia entre os anos de 2000 e 2015, segundo o estudo. Com o uso de dados de sat\u00e9lite, os autores analisaram 84 projetos e determinaram que a \u00e1rea ao redor desses projetos \u201cpassaram por perda de cobertura vegetal em propor\u00e7\u00e3o quase quatro vezes a mais do que a m\u00e9dia, se comparado a \u00e1reas desses pa\u00edses que n\u00e3o possuem tais projetos\u201d. \u00c9 uma perda para a absor\u00e7\u00e3o de carbono equivalente \u00e0 emiss\u00e3o anual da Col\u00f4mbia, Chile e Equador juntos.<\/p>\n<p>Atualmente, os pa\u00edses da Amaz\u00f4nia Andina \u201cpassam por um surto de programas de infraestrutura\u201d, segundo os autores do relat\u00f3rio, com projetos financiados por Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional avan\u00e7ando, cada vez mais, para a bacia do rio Amazonas. Quase metade dos 60 projetos financiados no Equador, Peru e Bol\u00edvia, entre 2000 e 2015, est\u00e3o localizados na bacia do Amazonas. E outros 45 dos 57 projetos financiados, finalizados, desde 2015, ou que est\u00e3o em fase de planejamento, est\u00e3o, ou ser\u00e3o localizados na bacia do rio.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises d\u00e3o motivos para preocupa\u00e7\u00e3o: projetos de infraestrutura, hoje,\u00a0s\u00e3o respons\u00e1veis por 60% das emiss\u00f5es globais de gases do efeito estufa, e ainda ssim, algumas Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional querem aumentar seus empr\u00e9stimos e passar de \u201cbilh\u00f5es para trilh\u00f5es\u201d com o objetivo de atender a grande demanda global por infraestrutura \u2013 a previs\u00e3o \u00e9 que se ultrapasse os\u00a097 trilh\u00f5es de d\u00f3lares at\u00e9 2040. Isso representa uma p\u00e9ssima not\u00edcia para os pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul que tentam alcan\u00e7ar seus objetivos firmados no Acordo do Clima de Paris (que, em pa\u00edses como o Brasil, est\u00e3o ligados \u00e0 preven\u00e7\u00e3o ao desmatamento), e para a comunidade internacional, que tenta controlar emiss\u00f5es catastr\u00f3ficas de gases do efeito estufa.<\/p>\n<h3><strong>Vis\u00e3o geral do projeto de infraestrutura na Amaz\u00f4nia<\/strong><\/h3>\n<p>Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional financiaram cerca de 100 projetos de infraestrutura em pa\u00edses abrangidos pela bacia do rio Amazonas entre os anos de 2000 e 2015. A maioria deles (84) foi implementada na Bol\u00edvia, Col\u00f4mbia, Equador e Peru. Por isso, Rebecca e seus colegas focaram seus estudos nessa regi\u00e3o.<\/p>\n<p>As Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional estudadas pela Boston University inclu\u00edram o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento, o Banco de Desenvolvimento da America Latina, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), o Banco de Desenvolvimento da China, e o Banco de Exporta\u00e7\u00e3o e Importa\u00e7\u00e3o da China. Algumas outras Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional contribu\u00edram para o financiamento de projetos de infraestrutura na Amaz\u00f4nia, afirma Rebecca, \u201cmas em propor\u00e7\u00e3o bem menor e em especial em conjunto de Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional que t\u00eam um hist\u00f3rico na regi\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Durante os 15 anos de estudo, Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional apoiaram, principalmente, a constru\u00e7\u00e3o e melhoria de estradas, e de novas barragens hidroel\u00e9tricas, consideradas como neutras na emiss\u00e3o de carbono, mas que est\u00e3o cada vez mais sendo consideradas como uma\u00a0grande fonte de emiss\u00e3o de gases do efeito estufa, independentemente do desmatamento resultante da constru\u00e7\u00e3o da barragem. Outros projetos incluem portos, usinas de energia renov\u00e1vel e usinas de energia termoel\u00e9trica.<\/p>\n<p>Muitas das constru\u00e7\u00f5es estudadas pela pesquisa aconteceram nas fronteiras da Amaz\u00f4nia equatoriana, da costa pac\u00edfica do Peru e no sul da Bol\u00edvia. Em particular, dos projetos que Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional financiaram no Brasil durante o per\u00edodo considerado, nenhum foi implementado na bacia do Amazonas. Foram desconsiderados os projetos brasileiros financiados pelo pa\u00eds, pelo BNDES, como a\u00a0extremamente criticada Barragem de Belo Monte. O motivo para tal, de acordo com Ray, \u00e9 que a pesquisa teve como foco apenas os financiamentos internacionais que visam \u00e0 melhoria das rela\u00e7\u00f5es entre comunidades locais, governos nacionais e credores externos.<\/p>\n<h3><strong>Desempenho ambiental abaixo do esperado entre as Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional<\/strong><\/h3>\n<p>A maior parte do desmatamento, de acordo com os autores do estudo, pode ser atribu\u00edda aos \u201cimpactos diretos e indiretos dos projetos, como por exemplo, a minera\u00e7\u00e3o ilegal que se precede \u00e0 abertura oficial da floresta\u201d.<\/p>\n<p>A Estrada Interoce\u00e2nica do sul do Peru foi um dos projetos que causou mais danos. Em 2015, mais de 15% das \u00e1reas cobertas pela floresta em um raio de 10 a 403 quil\u00f4metros da estrada foram desmatadas. A estrada foi financiada pelo Banco de Desenvolvimento da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>A Estrada Riberalta-Guayamer\u00edn, no norte da Bol\u00edvia, foi outro projeto que causou grande impacto. Quase metade da cobertura vegetal no raio de um quil\u00f4metro de dist\u00e2ncia da estrada foi perdida em 2015. No mesmo per\u00edodo, \u00e1reas na Bol\u00edvia, distante de projetos de infraestrutura financiados pelas Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional, sofreram uma perda de cobertura vegetal de 7%. A Estrada Riberalta-Guayamer\u00edn tamb\u00e9m foi financiada pelo Banco de Desenvolvimento da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Essas descobertas n\u00e3o s\u00e3o surpresa para Scott Edwards, Diretor-executivo do Fundo Estrat\u00e9gico de Conserva\u00e7\u00e3o, uma ONG ambiental internacional, com sede em Washington D.C. \u201cEm 20 anos de experi\u00eancia no Fundo, trabalhando com quest\u00f5es de infraestrutura de desenvolvimento, chegamos a conclus\u00f5es muito parecidas\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, Scott acredita que o desempenho ambiental de algumas Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional melhorou bastante nas \u00faltimas d\u00e9cadas. \u201cAcredito que houve um esfor\u00e7o combinado entre o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento para reponder \u00e0 press\u00e3o do p\u00fablico por mais precau\u00e7\u00f5es\u201d, afirma. \u201cN\u00e3o acredito que o mesmo n\u00edvel de desempenho possa se aplicar a outros bancos de desenvolvimento\u201d.<\/p>\n<p>O estudo da Boston University discorda com essa vis\u00e3o mais otimista, e acredita que \u201cn\u00e3o h\u00e1 um \u00fanico modelo ou banco que agiu melhor\u201d, afirma Kevin Gallagher. O que parecia importar, em vez disso, \u00e9 se os projetos eram ou n\u00e3o \u201cconduzidos de acordo com as regulamenta\u00e7\u00f5es (tanto nos governos nacionais quanto das Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional), que demandam uma consulta pr\u00e9via \u00e0s comunidades ind\u00edgenas afetadas\u201d.<\/p>\n<p>A descoberta com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 consulta aos ind\u00edgenas foi especialmente not\u00e1vel na Bol\u00edvia. No pa\u00eds, \u00e1reas pr\u00f3ximas a projetos de infraestrutura financiados por Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional que n\u00e3o demandavam uma consulta pr\u00e9via sofreram uma queda de 36,5% na cobertura vegetal. Com os projetos que realizaram a consulta, a queda foi de 21,1%.<\/p>\n<p>Essa descoberta \u00e9 relevante no momento em que as Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional come\u00e7am a dirigir a maioria dos financiamentos para projetos na bacia brasileira do Amazonas, onde o governo nacional j\u00e1 vem h\u00e1 tempos sendo acusado de n\u00e3o cumprir sua obriga\u00e7\u00e3o legal com rela\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ilo.org\/dyn\/normlex\/en\/f?p=NORMLEXPUB:12100:0::NO::P12100_INSTRUMENT_ID:312314\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Conven\u00e7\u00e3o 169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho<\/a>, que exige a consulta aos ind\u00edgenas antes que grandes projetos de infraestrutura sejam realizados \u2013 projetos como as\u00a0megabarragens\u00a0e\u00a0ferrovias. O Brasil e outros pa\u00edses da regi\u00e3o amaz\u00f4nica s\u00e3o todos signat\u00e1rios desse acordo internacional.<\/p>\n<p>Na Col\u00f4mbia, \u00e1reas pr\u00f3ximas a projetos financiados por Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional enfrentaram um ritmo similar de desmatamento, enquanto \u00e1reas que n\u00e3o receberam tais projetos apresentaram desmatamento de cerca de 3%. Todos os projetos na Col\u00f4mbia cumpriram os processos de consulta pr\u00e9via aos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<h3><strong>Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional n\u00e3o t\u00eam autorregula\u00e7\u00e3o suficiente<\/strong><\/h3>\n<p>Kevin Gallagher ressalta as dificuldades em se obter uma medi\u00e7\u00e3o precisa dos impactos sociais e ambientais causados pelas atividades dos projetos de infraestrutura na Amaz\u00f4nia. \u201cAs Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional n\u00e3o possuem sitemas de mensura\u00e7\u00e3o e monitoramento que permitam com que ela, especialistas de fora, e a sociedade civil avaliem, monitorem e responsabilizem os projetos por suas opera\u00e7\u00f5es\u201d, afirma. \u201cInstitui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional fazem parte, agora, dos\u00a0<a href=\"https:\/\/www.un.org\/sustainabledevelopment\/sustainable-development-goals\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel<\/a>\u00a0da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas e precisam alinhas suas pol\u00edticas a eles, al\u00e9m de medir os avan\u00e7os\u201d.<\/p>\n<p>Mas o progresso com rela\u00e7\u00e3o a essa responsabilidade \u00e9 question\u00e1vel. \u201cEnquanto credores de Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional mudaram ao longo do tempo, e padr\u00f5es melhoraram, ao menos no papel, muito pouco mudou na realidade\u201d, afirma Kevin Koenig, Diretor no Equador do Programa Amazon Watch, ONG ambiental. \u201cPresenciamos, claramente, o mesmo tipo de esquemas de desenvolvimento que caracterizaram a regi\u00e3o h\u00e1 d\u00e9cadas. Eles est\u00e3o transformando a Amaz\u00f4nia rapidamente \u2013 de regi\u00e3o de sequestro de carbono para fonte de carbono no momento em que o clima e o planeta menos podem de se dar ao luxo para tanto\u201d.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o das Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional com os esfor\u00e7os globais para combater as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00e9 cr\u00edtica, ressaltam especialistas. O estudo da Boston University n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico a destacar o crescimento de projetos de infraestrutura financiados pelas Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional com alta emiss\u00e3o de carbono. O think-tank de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas E3G descobriu que, assim como em 2017, investimentos em combust\u00edveis f\u00f3sseis feitos por bancos de desenvolvimento multilaterais, tais como o Grupo do Banco Mundial e o Banco Europeu para a Reconstru\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento\u00a0ainda ultrapassam\u00a0as atividades financeiras relativas ao clima dessas institui\u00e7\u00f5es. Um relat\u00f3rio recente do Banco Mundial revelou que, de todos os projetos de infraestrutura em que tanto as financeiras privadas como as Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional multilaterais estiveram envolvidas, entre 2002 e 2017,\u00a0essas institui\u00e7\u00f5es gastaram 75% a mais em projetos convencionais\u00a0do que em projetos com baixa emiss\u00e3o de carbono.<\/p>\n<p>Das cinco Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional estudadas pela pesquisa da Boston University, somente o Banco Interamericano de Desenvolvimento respondeu o pedido de coment\u00e1rio feito pela Mongabay.<\/p>\n<p>Janine Ferretti, chefe da unidade de Defesa Ambiental e Social do Banco Interamericano de Desenvolvimento, destaca que o Banco est\u00e1 \u201cciente das descobertas apresentadas pelo relat\u00f3rio\u201d e que se encontrou com os autores neste ano para discutir \u201calgumas abordagens pioneiras para a gest\u00e3o de risco ambiental e social\u201d. Ela afirmou que o Banco \u201cacolhe os esfor\u00e7os feitos para estudar as rela\u00e7\u00f5es entre o financiamento do projeto e a mudan\u00e7a no uso da terra\u201d, e disse que o estudo \u00e9 \u201cuma contribui\u00e7\u00e3o importante\u201d.<\/p>\n<p>Entretanto, Janine tamb\u00e9m afirmou que \u201c\u00e9 importante reconhecer os desafios metodol\u00f3gicos existentes para se fazer esse tipo de pesquisa, alegando que h\u00e1 a necessidade de se estabelecer, de forma mais clara, o per\u00edodo em que ocorreram o investimento e o desmatamento entre os anos 2000 e 2015\u201d.<\/p>\n<p>Ela se refere, em especial, \u00e0 Rodovia Montero-Yapacan\u00ed, na Bol\u00edvia, ao aumento da rodovia que a o Banco Interamericano de Desenvolvimento est\u00e1 financiando atualmente, e um dos estudos de caso que aparecem no relat\u00f3rio. Janine destaca que a estrada atual \u201c\u00e9 de cinco d\u00e9cadas atr\u00e1s, uma estrada de duas faixas apenas\u201d e que o desmatamento na \u00e1rea \u201cocorreu ao longo de v\u00e1rias d\u00e9cadas, antes da chegada do financiamento do Banco, com o objetivo de limpar a terra para a produ\u00e7\u00e3o de cana de a\u00e7\u00facar e outros produtos agr\u00edcolas\u201d.<\/p>\n<p>O estudo da Boston University apresenta uma rela\u00e7\u00e3o qualitativa do financiamento feito pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento com o desmatamento na \u00e1rea \u2013 al\u00e9m de relatar o conflito social relacionado aos trabalhadores que n\u00e3o receberam pagamento para acompanhar o projeto \u2013 mas n\u00e3o relaciona esse desmatamento ao financiamento feito pelas Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional.<\/p>\n<p>Janine acrescenta que a prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente e \u00e0 vida dos stakeholders das Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional \u00e9 o princ\u00edpio central das pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o do Banco Interamericano de Desenvolvimento. \u201cEstamos prontos para aplicar a hierarquia de mitiga\u00e7\u00e3o e um leque de outras estrat\u00e9gias para identificar e resolver os desafios que possam surgir durante os projetos e programas do Banco\u201d, afirma.<\/p>\n<h3><strong>A crescente influ\u00eancia chinesa<\/strong><\/h3>\n<p>Mais de 70 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em projetos de infraestrutura, concedidos tanto por bancos de desenvolvimento e pelo setor privado, est\u00e3o atualmente destinados \u00e0 regi\u00e3o da bacia do Amazonas, de agora at\u00e9 2020, segundo o estudo da Boston University.<\/p>\n<p>Isso inclui a\u00a0rodovia Rurrenbaque-Riberalta\u00a0na Bol\u00edvia, financiada pelo Banco de Exporta\u00e7\u00e3o e Importa\u00e7\u00e3o da China, a\u00a0barragem San Gab\u00e1n III\u00a0no Per\u00fa (Banco Chin\u00eas de Desenvolvimento), o\u00a0projeto de revitaliza\u00e7\u00e3o da barragem Simon Bolivar\u00a0na Venezuela (Banco de Desenvolvimento da Am\u00e9rica Latina), e a\u00a0barragem Hidroituago, na Col\u00f4mbia, financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, fundo chin\u00eas associado \u00e0 Empresa de Investimentos Interamericana, e bancos privados.<\/p>\n<p>Um aumento de recursos est\u00e1 prestes a surgir, afirma Kevin Gallagher. \u201cA bacia do Amazonas \u00e9 fonte de combust\u00edvel, madeira de lei, soja, gado, e canais aqu\u00e1ticos de energia. Os pa\u00edses querem explorar esses recursos, querem fornecer infraestrutura para facilitar o acesso desses bens ao mercado\u201d, relata.<\/p>\n<p>Os bancos chineses \u2013 o Banco de Desenvolvimento da China e o Banco de Exporta\u00e7\u00e3o e Importa\u00e7\u00e3o da China \u2013 financiaram, ou ir\u00e3o financiar, quase um ter\u00e7o dos projetos de infraestrutura que as Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional t\u00eam planejados, hoje, para a bacia do Amazonas.<\/p>\n<p>A predomin\u00e2ncia da China como financiadora de infraestrutura na Am\u00e9rica Latina est\u00e1 diretamente ligada a sua pol\u00edtica de aumentar rapidamente a sua influ\u00eancia nos commodities agr\u00edcolas e de minera\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o. Empr\u00e9stimos \u00e0 regi\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e do Caribe feitos pelo Banco de Desenvolvimento da China, sozinhos,\u00a0ultrapassaram em muito aqueles feitos por outras Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional\u00a0que operam na regi\u00e3o \u2013 chegando a mais de 33 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em 2010. De acordo com o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.thedialogue.org\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Chinese-Finance-to-LAC-2017.pdf\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Dialogue<\/a>, entre 2005 e 2017, o Banco de Desenvolvimento da China e o Banco de Exporta\u00e7\u00e3o e Importa\u00e7\u00e3o da China concederam \u00e0 regi\u00e3o mais de 150 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, quantia maior que a concedida pelo Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Banco de Desenvolvimento da Am\u00e9rica Latina juntos.<\/p>\n<p>O Banco de Desenvolvimento da China e o Banco de Exporta\u00e7\u00e3o e Importa\u00e7\u00e3o da China t\u00eam quatro fundos regionais na Am\u00e9rica Latina. Eles incluem o Fundo de Investimento e Coopera\u00e7\u00e3o Industrial China-LAC e o Fundo China-Brasil (ambos somam 20 bilh\u00f5es de d\u00f3lares), al\u00e9m de dois fundos conhecidos como \u201cPrograma Especial de Empr\u00e9stimos para Projetos de Infraestrutura China-LAC\u201d, lan\u00e7ados em 2014 e 2015, de 10 a 15 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, e 10 bilh\u00f5es, respectivamente.<\/p>\n<p>\u00c9 importante mencionar que a constru\u00e7\u00e3o de infraestrutura feita pela China em casa, na \u00c1sia e na Am\u00e9rica, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 responsabilidade e \u00e0 transpar\u00eancia ambiental e social, \u00e9 fraca.<\/p>\n<h3>O investimento de Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional ocidentais<\/h3>\n<p>As Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional ocidentais tamb\u00e9m tentam aumentar seu financiamento de infraestrutura. Bancos de desenvolvimento multilaterais, como o Banco Mundial \u2013 reconhecendo que n\u00e3o conseguir\u00e1 reunir os fundos para atender a lacuna de multi-trilh\u00f5es de d\u00f3lares entre o fornecimento global para o financiamento de infraestrutura e a demanda global em sua totalidade \u2013 est\u00e3o tentando\u00a0atrair parceiros do setor privado. O objetivo, segundo o banco, \u00e9 aumentar o financiamento de desenvolvimento \u201c<a href=\"http:\/\/siteresources.worldbank.org\/DEVCOMMINT\/Documentation\/23659446\/DC2015-0002(E)FinancingforDevelopment.pdf\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">de bilh\u00f5es para trilh\u00f5es<\/a>.\u201d<\/p>\n<p>Em um recente artigo de opini\u00e3o,\u00a0o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, afirma\u00a0que \u201cna verdade, n\u00e3o vamos conseguir alcan\u00e7ar (os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel) a menos que trabalhamos para atrair o investimento do setor privado\u201d.<\/p>\n<p>O Banco Mundial recentemente aprovou um\u00a0aumento de capital de 13 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, que ir\u00e1 dobrar os n\u00edveis de empr\u00e9stimos atuais da institui\u00e7\u00e3o at\u00e9 2030. Al\u00e9m disso, um esfor\u00e7o feito pelos Estados Unidos para consolidar diversas ag\u00eancias aptas a fazer investimentos em pa\u00edses em desenvolvimento \u2013 chamado de BUILD Act \u2013\u00a0est\u00e1 tramitando rapidamente no Congresso. A lei pode criar uma nova Institui\u00e7\u00e3o Financeira de Desenvolvimento Internacional que colocaria o USAID Credit Authority, a Corpora\u00e7\u00e3o para o Investimento Privado no Exterior e o Office of Private Capital and Microenterprise debaixo do mesmo teto, com mais instrumentos de capital e de financiamento \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da nova institui\u00e7\u00e3o que as demais entidades j\u00e1 tiveram antes.<\/p>\n<p>Entretanto, mesmo que os investimentos em infraestrutura internacional aumentem, especialistas afirmam que os esfor\u00e7os para garantir que esse novo capital seja aplicado em projetos social e ambientalmente sustent\u00e1veis est\u00e3o diminuindo. Ao escrever para o Project Syndicate, Kevin Gallagher\u00a0destaca\u00a0que \u201co atual padr\u00e3o de financiamento dos bancos de desenvolvimento multilaterais, em especial do Grupo Banco Mundial, \u00e9 rico em emiss\u00e3o de carbono\u201d. Atualmente,\u00a0o BUILD Act \u00e9 desprovido\u00a0de fortes modelos sociais e ambientais, tais como cl\u00e1usulas sobre direitos humanos, mitiga\u00e7\u00e3o dos gases do efeito estufa e processos de auditoria.<\/p>\n<p>\u201cAo mesmo tempo em que o Banco Mundial tenta aumentar os investimentos privados de bilh\u00f5es para trilh\u00f5es, deveria tamb\u00e9m se comprometer com as garantias e responsabilidades\u201d,\u00a0argumenta Natalie Bridgeman Fields, fundadora e diretora-executiva do Conselho de Accountability e professora na Faculdade de Direito de Stanford.<\/p>\n<p>Se as atividades das Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional ter\u00e3o poucos impactos sociais e ambientais ou n\u00e3o, vai depender em que medida os governos que recebem os investimentos criam e fiscalizam suas pr\u00f3prias regras sociais e ambientais, afirma Alfonso Malky, Direcor T\u00e9cnico na Am\u00e9rica Latina do Fundo Estrat\u00e9gico de Conserva\u00e7\u00e3o. \u201cA prote\u00e7\u00e3o fornecida pelos pr\u00f3prios governos ser\u00e1 a \u00fanica forma de garantir uma redu\u00e7\u00e3o significativa dos impactos sociais e ambientais em longo prazo\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>No entanto, os governos dos pa\u00edses amaz\u00f4nicos, incluindo o\u00a0Brasil,\u00a0Peru,\u00a0Bol\u00edvia,\u00a0Equador,\u00a0Venezuela\u00a0e\u00a0Col\u00f4mbia\u00a0t\u00eam uma reputa\u00e7\u00e3o nada boa quanto \u00e0s prote\u00e7\u00f5es ambientais e sociais durante o planejamento e implanta\u00e7\u00e3o de projetos de infraestrutura de grande escala.<\/p>\n<h3><strong>Projeto para ser supervisionado: o sistema de barragem Rositas, na Bol\u00edvia<\/strong><\/h3>\n<p>Conforme mencionado antes, a maior parte dos projetos estudados pela Boston University se situa nas nascentes da regi\u00e3o dos Andes. Como a crescente onda de financiamento internacional vai terminar para a regi\u00e3o da bacia do Amazonas ainda \u00e9 algo por vir. Um projeto j\u00e1 planejado que preocupa, afirma Ray, \u00e9 o\u00a0projeto da hidroel\u00e9trica Rositas\u00a0na Bol\u00edvia. A barragem pode inundar uma \u00e1rea enorme, rica em biodiversidade, al\u00e9m de afetar mais de dez comunidades locais.<\/p>\n<p>Se constru\u00edda, a barragem hidroel\u00e9trica de 156 metros de altura e capacidade para 400 megawatts ser\u00e1 alocada no Rio Grande e Rio Rositas, na bacia do Rio Grande. Planejado desde os anos 1970, o projeto s\u00f3 atraiu financiamento recentemente. De acordo com a base de dados da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.internationalrivers.org\/blogs\/435\/reflections-on-chinese-companies%E2%80%99-global-investments-in-the-hydropower-sector-between-2006\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">China Global Dams<\/a>, o Banco de Exporta\u00e7\u00e3o e Importa\u00e7\u00e3o da China vai fornecer 850 milh\u00f5es de d\u00f3lares para o projeto, enquanto a companhia nacional de eletriciadade da Bol\u00edvia, a Empresa Nacional de Eletricidad Bolivia, vai contribuir com mais 150 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>A maior parte da eletricidade gerada pela barragem Rosita deve ser destinada \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o. O projeto \u00e9 parte de um esquema maior de desenvolvimento de energia hidroel\u00e9trica, que consiste em oito mega-barragens na bacia do Rio Grande. Juntos, de acordo com as previs\u00f5es governamentais, os oito projetos v\u00e3o produzir cerca de 3 mil MW, quase o dobro da maior demanda nacional da Bol\u00edvia.<\/p>\n<p>Entretanto, a barragem Rositas vai inundar aproximadamente 45 mil hectares de \u00e1reas de florestas, de acordo com um\u00a0Entretanto, a barragem Rositas vai inundar aproximadamente 45 mil hectares de \u00e1reas de florestas, de acordo com um\u00a0\u2013 o equivalente, em tamanho, a mais da metade da cidade de Nova Iorque. A perda da cobertura vegetal por conta da inunda\u00e7\u00e3o acarretar\u00e1 na elimina\u00e7\u00e3o de uma grande \u00e1rea de sequestro de carbono, enquanto deixar\u00e1 uma vegeta\u00e7\u00e3o rasa com risco de apodrecer, o que pode lan\u00e7ar uma grande quantidade de metano, um poderoso g\u00e1s que contribui para o efeito estufa, na atmosfera. An\u00e1lises recentes que usaram a\u00a0ferramenta HydroCalculator, do Conservation Strategy Fund \u2013 um software open-source que utiliza dados fornecidos pelos usu\u00e1rios para fazer\u00a0an\u00e1lises de custo-benef\u00edcio das barragens hidroel\u00e9tricas\u00a0\u2013 estimam que a barragem e o reservat\u00f3rio Rositas podem emitir cerca de 70 milh\u00f5es de toneladas de CO2, mais do que a emiss\u00e3o anual do estado da Carolina do Sul (EUA).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, comunidades ind\u00edgenas locais que podem ser afetadas pela barragem alegam que elas n\u00e3o foram corretamente consultadas, como exige a legisla\u00e7\u00e3o boliviana e a Conven\u00e7\u00e3o sobre os Povos Ind\u00edgenas e Tribais da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (n\u00ba 169), a qual a Bol\u00edvia \u00e9 um dos pa\u00edses signat\u00e1rios. As comunidades ind\u00edgenas entraram com uma a\u00e7\u00e3o contra a Empresa Nacional de Eletricidad Bolivia.<\/p>\n<p>\u201cO Banco de Exporta\u00e7\u00e3o e Importa\u00e7\u00e3o da China pode n\u00e3o saber que recebeu um pedido para financiar um projeto que n\u00e3o recebeu apoio de nenhum outro lugar, que n\u00e3o apresenta benef\u00edcios, segundo uma perspectiva ambiental, e que pode provocar um s\u00e9rio conflito (ind\u00edgena)\u201d, afirma Rebecca Ray.<\/p>\n<h3><strong>Projeto para ser supervisionado: A Rodovia Interoce\u00e2nica, Brasil-Peru<\/strong><\/h3>\n<p>Enquanto a barragem Rositas pode ser uma das barragens mais perigosas do ponto de vista ambiental na agenda da bacia amaz\u00f4nica, a\u00a0<a href=\"http:\/\/dialogochino.net\/china-is-part-of-an-interoceanic-dream-between-brazil-and-peru\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Rodovia Interoce\u00e2nica Brasil-Peru<\/a>, que visa ligar o Oceano Pac\u00edfico ao Atl\u00e2ntico, \u00e9 talvez o projeto mais debatido.<\/p>\n<p>A rodovia pode atravessar entre 3.000 a 5.000 quil\u00f4metros, dependendo de qual caminho ser\u00e1 escolhido, e oferecer um meio de transporte de commodities, mais eficiente e de menor custo, do Brasil e outros pa\u00edses amaz\u00f4nicos para a China e o resto da \u00c1sia. Espera-se que a rodovia diminua o custo da carga de gr\u00e3os que v\u00e3o do Brasil para a China em torno de\u00a030 d\u00f3lares por tonelada, assim como outros produtos, como o ferro e a soja do Brasil, e o ouro e o cobre do Peru.<\/p>\n<p>O projeto caminha a passos lentos desde o seu an\u00fancio inicial, feito com algumas imprecis\u00f5es pelo governo para a m\u00eddia. Em fevereiro, o vice-ministro de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais do Brasil, Jorge Arbache\u00a0disse \u00e0\u00a0<em>Reuters<\/em>\u00a0que os planos da rodovia transcontinental tinham \u201cparado porque era extremamente cara e que o estudo para sua execu\u00e7\u00e3o era muito insatisfat\u00f3rio\u201d. Ele acrescentou que \u201cos desafios de engenharia eram absurdos\u201d. Mas a Embaixada Chinesa no Brasil\u00a0refutou a declara\u00e7\u00e3o logo depois, afirmando que a China, o Brasil e o Peru haviam entrado em acordo. No final de abril, a Railway Technology relatou que \u201cas conversas tem se intensificado\u00a0nos \u00faltimos meses\u201d.<\/p>\n<p>Espera-se que muitos custos ambientais e sociais acompanhem tal projeto. De acordo com Rebecca Ray, existem duas poss\u00edveis rotas sendo consideradas. \u201cUma cruza um territ\u00f3rio ind\u00edgena sem contato com o mundo de fora, ou isolado por pr\u00f3pria vontade, na regi\u00e3o central da fronteira entre Peru e Brasil. A outra cruza o sul do Peru, na bacia hidrogr\u00e1fica Madre de Dios, uma \u00e1rea que j\u00e1 foi muito afetada pelo desmatamento ligado \u00e0 minera\u00e7\u00e3o informal de ouro, facilitada pela rodovia CVIS, no Peru\u201d.\u00a0Um relat\u00f3rio\u00a0do Grupo Regional de Financiamento e Infraestrutura aponta que, de cinco poss\u00edveis rotas para a rodovia, quatro atravessam \u00e1reas protegidas ou reservas ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Paulina Garz\u00f3n, diretora da Iniciativa de Investimento Sustent\u00e1vel China-Am\u00e9rica Latina do Bank Information Center, declarou ao\u00a0<a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/world\/2015\/may\/16\/amazon-china-railway-plan\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\"><em>The Guardian<\/em><\/a>\u00a0que \u201cesse projeto \u00e9 emblem\u00e1tico e \u00e9 poss\u00edvel que se torne o foco das organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil da Am\u00e9rica Latina. Ele ser\u00e1 muito controverso do ponto de vista ambiental e social\u201d.<\/p>\n<p>Uma estrada transcontinental que diminua os custos e a rota comercial para as commodities transportadas entre o interior rico em recursos do Brasil e do Peru, rumo \u00e0 r\u00e1pida expans\u00e3o nos mercados asi\u00e1ticos, pode escancarar a bacia amaz\u00f4nica para um desmatamento em massa. As florestas tropicais da regi\u00e3o estar\u00e3o destinadas a se tornarem locais de produ\u00e7\u00e3o de carne, soja, milho, algod\u00e3o, cana de a\u00e7\u00facar e \u00f3leo de palma, assim como de minera\u00e7\u00e3o em larga escala de ferro, ouro, cobre e alum\u00ednio.<\/p>\n<p>Os detalhes de financiamento e contrata\u00e7\u00e3o para a rodovia ainda s\u00e3o incertos. Investidores e empreiteiros chineses, tchecos, franceses, alem\u00e3es, espanh\u00f3is e su\u00ed\u00e7os expressaram interesse, um indicador do potencial lucrativo do projeto. Em 2016, o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.thedialogue.org\/blogs\/2016\/06\/update-twin-ocean-railway\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Dialogue<\/a>\u00a0especulou que o apoio da China supostamente seria proveniente do Programa Especial de Empr\u00e9stimo gerenciado pelo Banco Chin\u00eas de Desenvolvimento para Projetos de Infraestrutura da China e Am\u00e9rica Latina, e de uma linha de cr\u00e9dito pr\u00e9-aprovada para o governo boliviano. Segundo a\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.railway-technology.com\/features\/the-bi-oceanic-corridor-a-new-railroad-to-rival-maritime-freight\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Railway Technology<\/a><\/em>, os cons\u00f3rcios da Espanha, Sui\u00e7a e Alemanha, representados por mais de 70 empresas no total, estavam envolvidos em discuss\u00f5es recentes.<\/p>\n<p>A rodovia n\u00e3o s\u00f3 amea\u00e7a as bacias das florestas tropicais, mas tamb\u00e9m coloca a estabilidade global do clima em risco. Com cerca de 17 a 18% de toda a Amaz\u00f4nia j\u00e1 desmatada,\u00a0<a href=\"https:\/\/news.mongabay.com\/2018\/03\/amazon-forest-to-savannah-tipping-point-could-be-far-closer-than-thought-commentary\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">cientistas alertam<\/a>\u00a0que um aumento de 20 a 25% possa resultar em uma mudan\u00e7a brusca nos padr\u00f5es de chuva da regi\u00e3o , rumo a uma seca generalizada e a um ponto em que grandes faixas da floresta podem se converter rapidamente em savana. A perda de grande capacidade de absor\u00e7\u00e3o de carbono das bacias das florestas amaz\u00f4nicas pode resultar em um grande aumento dos gases do efeito estufa e do aquecimento global em 2 graus Celcius\u00a0o teto\u00a0permitido pelo Acordo do Clima de Paris.<\/p>\n<p>\u201cAbrir a Amaz\u00f4nia para mais constru\u00e7\u00f5es de rodovias e barragens e extra\u00e7\u00e3o de recursos vai fazer com que a regi\u00e3o ultrapasse o seu ponto cr\u00edtico\u201d, afirma Kevin Koenig. \u201cPrecisamos ter uma abordagem abrangente para proteger os ecossistemas da Amaz\u00f4nia, que respeite os direitos e os territ\u00f3rios ind\u00edgenas\u201d.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancia:<\/strong><\/p>\n<p>Ray, K. P. Gallagher, and C. Sanborn, Standardizing Sustainable Development? Development Banks in the Andean Amazon. (2018) Sponsored by the John D. and Catherine T. MacArthur Foundation, Charles Stewart Mott Foundation, Rockefeller Brothers Fund. Published by the Boston University Global Development Policy Center, Center for China and Asia-Pacific Studies- Universidad del Pac\u00edfico. http:\/\/www.bu.edu\/gdp\/files\/2018\/04\/Development-Banks-in-the-Andean-Amazon.pdf<\/p>\n<p><em>Gus Greenstein \u00e9 aluno de doutorado no Programa Interdisciplinar de Meio Ambiente e Recursos Emmet da Universidade de Stanford. Seu projeto atual foca na evolu\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es de financiamento ao desenvolvimento e seus padr\u00f5es socioambientais. Siga-o no Twitter\u00a0<\/em><a href=\"https:\/\/twitter.com\/GusGreenstein?lang=en\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\"><em>@GusGreenstein.<\/em><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.mongabay.com\/2018\/09\/185942\/\">https:\/\/pt.mongabay.com\/2018\/09\/185942\/<\/a>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional investiram pesado em projetos de infraestrutura de grande porte que causaram desmatamento no Corredor Andes-Amaz\u00f4nia, em especial no Equador, Peru e Bol\u00edvia, entre os anos 2000 e 2015, segundo uma pesquisa recente publicada pelo Centro de Pol\u00edticas de Desenvolvimento Global da Boston University.<br \/>\nCom o uso de dados de sat\u00e9lite, a pesquisa analisou 84 grandes projetos de grande infraestrutura e determinaram que a \u00e1rea ao redor desses projetos sofreu perda de cobertura vegetal em quantidade quatro vezes maior que a m\u00e9dia, se comparada com \u00e1reas onde n\u00e3o existem tais projetos nos pa\u00edses supracitados. Essa \u00e9 uma perda de sequestro de carbono equivalente \u00e0 emiss\u00e3o anual de CO2 da Col\u00f4mbia, Chile e Equador juntos.<br \/>\nOs projetos de infraestrutura representam, hoje, 60% de toda a emiss\u00e3o global de gases do efeito estufa, mas ainda assim as Institui\u00e7\u00f5es Financeiras de Desenvolvimento Internacional querem aumentar os empr\u00e9stimos de milh\u00f5es para trilh\u00f5es a fim de atender a demanda global. Isso colocaria em perigo as metas nacionais do Acordo do Clima de Paris (que, em pa\u00edses como o Brasil, est\u00e3o ligadas \u00e0 preven\u00e7\u00e3o do desmatamento), e poderia contribuir para n\u00edveis catastr\u00f3ficos de emiss\u00e3o de carbono no mundo.<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":6179,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-6183","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-radar","category-3","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6183","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6183"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6183\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6192,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6183\/revisions\/6192"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6179"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6183"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6183"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6183"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}