{"id":10579,"date":"2019-09-10T15:57:26","date_gmt":"2019-09-10T18:57:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/radar\/as-mil-batalhas-pela-terra-que-incendeiam-a-amazonia\/"},"modified":"2019-09-10T15:58:05","modified_gmt":"2019-09-10T18:58:05","slug":"as-mil-batalhas-pela-terra-que-incendeiam-a-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/radar\/as-mil-batalhas-pela-terra-que-incendeiam-a-amazonia\/","title":{"rendered":"As mil batalhas pela terra que incendeiam a Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Felipe Betim<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>El Pa\u00eds<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>02 de setembro de 2019<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Amaz\u00f4nia brasileira<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_column_text]<\/p>\n<p class=\"articulo-subtitulo\" style=\"text-align: center;\"><em>O EL PA\u00cdS percorre o Estado do Par\u00e1, onde convivem povos ind\u00edgenas isolados, pecuaristas em busca de pasto, agricultores sem terra, policiais sem recursos e zonas sem lei: um coquetel explosivo<\/em><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]Na quente manh\u00e3 de quinta-feira, 29 de agosto, cerca de 20 agentes encarregados de proteger a\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/amazonia\/a\/\">Amaz\u00f4nia<\/a><\/strong>, em oito ve\u00edculos, cruzam num barco o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/rio_xingu\">rio Xingu<\/a>, no Estado do Par\u00e1. Partiram da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/08\/14\/opinion\/1565799016_403909.html\">cidade de Altamira<\/a>. Sua miss\u00e3o \u00e9 descobrir pessoas que derrubam \u00e1rvores numa das \u00e1reas protegidas dessa regi\u00e3o: o territ\u00f3rio denominado Ituna Itat\u00e1, onde vive um povo ind\u00edgena isolado.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s desembarcar os ve\u00edculos, os agentes seguem o trajeto lentamente por uma estrada de terra com grandes buracos, quase crateras. A viagem dura quatro horas. As pontes sobre os rios s\u00e3o feitas com t\u00e1buas prec\u00e1rias e desgastadas. A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 que podem se romper a qualquer momento quando o carro passa sobre elas.<\/p>\n<p>A vegeta\u00e7\u00e3o original nativa, com suas \u00e1rvores enormes e centen\u00e1rias, torna-se mais densa \u00e0 medida que o comboio avan\u00e7a pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/indigenas\">interior das terras ind\u00edgenas<\/a>. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 vest\u00edgios de destrui\u00e7\u00e3o: centenas de troncos de madeira dispostos no ch\u00e3o e zonas inteiras com sinais de que foram queimadas para abrir clareiras. H\u00e1 marcas da esteira de m\u00e1quinas e tratores na terra, indicando que a a\u00e7\u00e3o dos invasores \u00e9 recente. Veem-se tamb\u00e9m restos de acampamentos, banheiros e caixas d\u2019\u00e1gua de 5.000 litros usados pelos trabalhadores encarregados de destruir a floresta. Ap\u00f3s alguns minutos caminhando entre os escombros da mata, os agentes encontram, surpreendidos, uma enorme pista de pouso, com cerca de dois quil\u00f4metros de comprimento, em plena selva amaz\u00f4nica.<\/p>\n<h3><strong>Como no Velho Oeste<\/strong><\/h3>\n<p>A zona percorrida pela patrulha \u00e9 uma \u00ednfima parte de uma regi\u00e3o, repleta de riquezas naturais, formada pela\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/09\/19\/actualidad\/1537369024_964822.html\">imensa bacia hidrogr\u00e1fica do rio Xingu, um afluente do Amazonas.<\/a>\u00a0Essa bacia \u00e9 um territ\u00f3rio de mais de 530.000 quil\u00f4metros quadrados, maior que a Espanha. Uma gigantesca terra de ningu\u00e9m. E o mais parecido com o Velho Oeste dos filmes de John Ford. No Par\u00e1 o Estado quase n\u00e3o existe, e a lei \u00e9 muitas vezes um preceito puramente te\u00f3rico. Aqui cada peda\u00e7o da enorme Amaz\u00f4nia \u00e9 disputado com motosserras, armas e fogo. H\u00e1\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/08\/16\/politica\/1565909766_177145.html\">pecuaristas incans\u00e1veis em busca de novos pastos<\/a>, lavradores sem terras, madeireiros que perseguem \u00e1rvores cada vez mais raras e garimpeiros \u00e0 procura de ouro. Todas essas vidas e interesses se cruzam.<\/p>\n<p>A luta \u2013 e \u00e0s vezes a pura necessidade de moradores que vivem na mis\u00e9ria \u2013 por terra, ouro e madeira \u00e9 impar\u00e1vel. E a consequ\u00eancia disso tudo s\u00e3o os in\u00fameros inc\u00eandios que fizeram, durante as \u00faltimas semanas, com que o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/08\/21\/opinion\/1566401179_148338.html\">mundo se voltasse para a maior floresta tropical do planeta<\/a>. Com preocupa\u00e7\u00e3o e olhares cr\u00edticos. Os inc\u00eandios, no fundo, s\u00e3o a \u00faltima das mil batalhas empreendidas continuamente nesses territ\u00f3rios. E aos poucos v\u00e3o corroendo a Amaz\u00f4nia. Quando o presidente\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/08\/24\/politica\/1566597603_259337.html\">Jair Bolsonaro decidiu intervir na crise,<\/a>\u00a0golpeado pelas cr\u00edticas internacionais, Altamira se transformou em um dos epicentros da log\u00edstica, onde se concentram equipes de inspe\u00e7\u00e3o do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) junto com policiais da For\u00e7a Nacional e soldados do Ex\u00e9rcito designados pelo mandat\u00e1rio por um decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).<\/p>\n<p>At\u00e9 15 de agosto, a cidade era a terceira com mais focos de inc\u00eandio este ano e a primeira com mais alertas de desmatamento, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Outras localidades pr\u00f3ximas tamb\u00e9m est\u00e3o entre as mais desmatadas. Em uma palavra: \u00e9 o ponto zero do desmatamento da Amaz\u00f4nia, que vai sendo destru\u00edda pouco a pouco, com a\u00e7\u00f5es como a que os agentes de prote\u00e7\u00e3o (funcion\u00e1rios do Ibama) acabam de descobrir em sua patrulha. Apesar da intensifica\u00e7\u00e3o das blitzes ambientais ap\u00f3s a crise dos inc\u00eandios se internacionalizar, o Ibama vem sofrendo um processo de desmonte desde que Bolsonaro assumiu o poder. Ainda candidato, disse que acabaria com a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/05\/02\/opinion\/1556831012_238958.html\">\u00abfesta\u00bb da \u201cind\u00fastria da multa\u201d ambiental<\/a>. Ao completar cem dias de Governo, baixou um decreto que, em linhas gerais,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/04\/11\/politica\/1555009346_229285.html\">neutralizava a atua\u00e7\u00e3o do Ibama na fiscaliza\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es<\/a>\u00a0para quem estivesse desmatando \u00e1reas florestais no Brasil.<\/p>\n<h3><strong>O dono do avi\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10570\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Agentes-da-For\u00e7a-Nacional-buscam-as-pessoas-que-derrubam-\u00e1rvores-numa-\u00e1rea-protegida-da-Amaz\u00f4nia.-LILO-CLARETO.jpg\" alt=\"\" width=\"1960\" height=\"1247\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Agentes-da-For\u00e7a-Nacional-buscam-as-pessoas-que-derrubam-\u00e1rvores-numa-\u00e1rea-protegida-da-Amaz\u00f4nia.-LILO-CLARETO.jpg 1960w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Agentes-da-For\u00e7a-Nacional-buscam-as-pessoas-que-derrubam-\u00e1rvores-numa-\u00e1rea-protegida-da-Amaz\u00f4nia.-LILO-CLARETO-300x191.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Agentes-da-For\u00e7a-Nacional-buscam-as-pessoas-que-derrubam-\u00e1rvores-numa-\u00e1rea-protegida-da-Amaz\u00f4nia.-LILO-CLARETO-768x489.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Agentes-da-For\u00e7a-Nacional-buscam-as-pessoas-que-derrubam-\u00e1rvores-numa-\u00e1rea-protegida-da-Amaz\u00f4nia.-LILO-CLARETO-1024x651.jpg 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Agentes-da-For\u00e7a-Nacional-buscam-as-pessoas-que-derrubam-\u00e1rvores-numa-\u00e1rea-protegida-da-Amaz\u00f4nia.-LILO-CLARETO-500x318.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 1960px) 100vw, 1960px\" \/><span class=\"foto-texto\"><em>Agentes da For\u00e7a Nacional buscam as pessoas que derrubam \u00e1rvores numa \u00e1rea protegida da Amaz\u00f4nia<\/em>.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">LILO CLARETO<\/span><\/span><\/p>\n<p>Ao lado da pista de pouso h\u00e1 uma casa de madeira, uma horta e um galinheiro. Uma fam\u00edlia de tr\u00eas pessoas observa a chegada dos policiais. O pai, que se identifica como Ubirajara, conta que trabalha desde abril de 2018 na regi\u00e3o, como uma esp\u00e9cie de guarda. Diz trabalhar para um homem conhecido aqui por ter um avi\u00e3o e fazer servi\u00e7os de transporte a\u00e9reo na regi\u00e3o de Altamira.<\/p>\n<p>Ubirajara tem 44 anos, \u00e9 pedreiro e est\u00e1 desempregado desde que terminaram as obras na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/represa_belo_monte\">usina hidrel\u00e9trica de Belo Monte.<\/a>\u00a0Afirma que o homem poderoso que o emprega \u2013 o dono do avi\u00e3o \u2013 lhe prometeu, al\u00e9m do terreno onde est\u00e3o sua casa e sua horta, um peda\u00e7o de terra para plantar cacau e assim poder se aposentar.<\/p>\n<p>Os agentes dizem que este \u00e9 um exemplo, entre milhares, de apropria\u00e7\u00e3o ilegal de terras. O dono do avi\u00e3o n\u00e3o tem nenhum direito de se apropriar de nada nem, obviamente, dar nada de presente para Ubirajara. O pedreiro explica: \u201c\u00c9 muito dif\u00edcil conseguir terra com documentos.\u201d Para ele, \u00e9 importante preservar o meio ambiente \u201cpara nossos filhos e netos\u201d. Mas pondera: \u201cTamb\u00e9m \u00e9 preciso legalizar os agricultores para que tenham seus documentos e saibam o que fazer. Acho que assim \u00e9 poss\u00edvel desmatar dentro da lei.\u201d<\/p>\n<p>Hugo Loss, o coordenador nacional dos agentes do Ibama que lidera a opera\u00e7\u00e3o de inspe\u00e7\u00e3o, explica que na \u00e1rea destru\u00edda podem agir tanto madeireiros ilegais como garimpeiros ou grileiros. A pista de pouso facilita o transporte de combust\u00edvel para provocar inc\u00eandios e abrir o terreno, al\u00e9m de transportar os pr\u00f3prios trabalhadores e as motosserras.<\/p>\n<p>O lugar, que ainda n\u00e3o est\u00e1 consolidado como uma\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/05\/07\/politica\/1557255028_978632.html\">reserva ind\u00edgena<\/a>, encontra-se desde 2010 sob um decreto governamental de \u201cuso restrito\u201d, uma fase pr\u00e9via \u00e0 demarca\u00e7\u00e3o definitiva. De qualquer forma, \u00e9 proibida a sua ocupa\u00e7\u00e3o para atividades econ\u00f4micas, assim como o desmatamento e o assentamento de pessoas \u2013 salvo os nativos que ali residem.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10567\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/T\u00e1buas-de-madeira-obtidas-em-desmatamento-ilegal-na-zona-protegida.-LILO-CLARETO.jpg\" alt=\"\" width=\"1960\" height=\"1273\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/T\u00e1buas-de-madeira-obtidas-em-desmatamento-ilegal-na-zona-protegida.-LILO-CLARETO.jpg 1960w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/T\u00e1buas-de-madeira-obtidas-em-desmatamento-ilegal-na-zona-protegida.-LILO-CLARETO-300x195.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/T\u00e1buas-de-madeira-obtidas-em-desmatamento-ilegal-na-zona-protegida.-LILO-CLARETO-768x499.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/T\u00e1buas-de-madeira-obtidas-em-desmatamento-ilegal-na-zona-protegida.-LILO-CLARETO-1024x665.jpg 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/T\u00e1buas-de-madeira-obtidas-em-desmatamento-ilegal-na-zona-protegida.-LILO-CLARETO-500x325.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 1960px) 100vw, 1960px\" \/><span class=\"foto-texto\"><em>T\u00e1buas de madeira obtidas em desmatamento ilegal na zona protegida<\/em>.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">LILO CLARETO<\/span><\/span><\/p>\n<p>Mas, como no caso de Ubirajara \u2013 e do dono do avi\u00e3o que est\u00e1 por tr\u00e1s \u2013 isso n\u00e3o acontece. \u00c9 comum aproveitar esse limbo jur\u00eddico para se instalar no lugar e depois consolidar a propriedade. E assim a Amaz\u00f4nia perde mais um pedacinho.<\/p>\n<p>O coordenador dos agentes do Ibama ainda estima que 10% da terra Ituna Itat\u00e1 j\u00e1 tenha sido invadida e destru\u00edda de forma ilegal. Ou seja: cerca de 142.000 hectares, dos quais 400 somente em 2019. Os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/08\/24\/politica\/1566670144_484876.html\">especialistas e ambientalistas consideram que o discurso permissivo de Bolsonaro<\/a>\u00a0e o desmantelamento dos \u00f3rg\u00e3os de prote\u00e7\u00e3o ambiental, como o pr\u00f3prio Ibama, s\u00e3o as principais causas do grande aumento das derrubadas \u2013 e, como consequ\u00eancia, dos inc\u00eandios \u2013 em todo o Brasil at\u00e9 agora este ano.<\/p>\n<p>Nessa luta pela terra, h\u00e1 lavradores que se dedicam a outras atividades e pobres como Ubirajara, mas tamb\u00e9m fazendeiros poderosos que buscam novos territ\u00f3rios para expandir seus neg\u00f3cios e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/08\/02\/politica\/1564773673_055738.html\">pecuaristas que querem localizar mais pastos<\/a>. Uma mistura que torna a situa\u00e7\u00e3o explosiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10564\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/O-pedreiro-Ubirajara-que-ocupa-ilegalmente-a-terra-ind\u00edgena-Ituna-Itat\u00e1.-LILO-CLARETO-LILO-CLARETO.jpg\" alt=\"\" width=\"1960\" height=\"1320\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/O-pedreiro-Ubirajara-que-ocupa-ilegalmente-a-terra-ind\u00edgena-Ituna-Itat\u00e1.-LILO-CLARETO-LILO-CLARETO.jpg 1960w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/O-pedreiro-Ubirajara-que-ocupa-ilegalmente-a-terra-ind\u00edgena-Ituna-Itat\u00e1.-LILO-CLARETO-LILO-CLARETO-300x202.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/O-pedreiro-Ubirajara-que-ocupa-ilegalmente-a-terra-ind\u00edgena-Ituna-Itat\u00e1.-LILO-CLARETO-LILO-CLARETO-768x517.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/O-pedreiro-Ubirajara-que-ocupa-ilegalmente-a-terra-ind\u00edgena-Ituna-Itat\u00e1.-LILO-CLARETO-LILO-CLARETO-1024x690.jpg 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/O-pedreiro-Ubirajara-que-ocupa-ilegalmente-a-terra-ind\u00edgena-Ituna-Itat\u00e1.-LILO-CLARETO-LILO-CLARETO-500x337.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 1960px) 100vw, 1960px\" \/><span class=\"foto-texto\"><em>O pedreiro Ubirajara, que ocupa ilegalmente a terra ind\u00edgena Ituna Itat\u00e1<\/em>. LILO CLARETO<\/span><\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Pastoral da Terra, vinculada \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica, denunciou que ind\u00edgenas, pequenos agricultores e extrativistas v\u00eam recebendo amea\u00e7as de morte de latifundi\u00e1rios. Para complicar, tamb\u00e9m h\u00e1 pessoas que cultivam terrenos sem documentos de propriedade durante gera\u00e7\u00f5es. Essa situa\u00e7\u00e3o se arrasta desde os anos setenta,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/03\/28\/politica\/1553792946_568502.html\">quando a ditadura militar incentivou a ocupa\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia para coloniz\u00e1-la<\/a>, promovendo grandes obras p\u00fablicas, como a rodovia Transamaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Luiz de Nazar\u00e9, um agricultor de pequeno porte de 46 anos, considera a concess\u00e3o de t\u00edtulos de propriedade como um mal menor. \u201cEsta \u00e9 uma regi\u00e3o de gente trabalhadora com muitos problemas. Como em diversos outros lugares. Mas n\u00e3o queremos fazer nada contra a lei. O que queremos \u00e9 melhorar as condi\u00e7\u00f5es atuais para trabalhar a terra. Porque sem documento n\u00e3o podemos ter acesso ao cr\u00e9dito no banco, por exemplo.\u201d Nazar\u00e9 afirma que os produtores locais s\u00e3o culpados injustamente de serem os causadores dos inc\u00eandios que devastam a Amaz\u00f4nia. Algo que n\u00e3o lhes interessa, acrescenta.<\/p>\n<h3><strong>O \u201cdia do fogo\u201d e a viol\u00eancia em Altamira<br \/>\n<\/strong><\/h3>\n<p>Em 10 de agosto, por\u00e9m, agricultores do munic\u00edpio de Novo Progresso (tamb\u00e9m na bacia do Xingu, mas a centenas de quil\u00f4metros da pista ilegal descoberta pelas autoridades)\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/08\/27\/politica\/1566859677_529901.html\">organizaram o chamado \u201cdia do fogo\u201d<\/a>. E o anunciaram dias antes no jornal local. Embora o Ibama e o Minist\u00e9rio P\u00fablico tenham advertido o Governo Federal sobre o que estava em marcha, as autoridades n\u00e3o fizeram nada para evitar. As chamas devoraram v\u00e1rias partes da regi\u00e3o, segundo as imagens dos sat\u00e9lites.<\/p>\n<p>Enquanto isso, em Altamira, a desigualdade n\u00e3o para de crescer. Por tr\u00e1s da apar\u00eancia de uma cidade do interior, com lojas e ruas pac\u00edficas, est\u00e1 o aumento exponencial da viol\u00eancia urbana e do narcotr\u00e1fico, compar\u00e1vel com grandes centros, como Rio e S\u00e3o Paulo. Faz alguns anos que Altamira est\u00e1 entre as tr\u00eas cidades mais violentas do Brasil, com uma propor\u00e7\u00e3o de mais de 130 homic\u00eddios por 100.000 habitantes. Em junho passado,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/08\/09\/politica\/1565369026_650082.html\">um massacre no pres\u00eddio local deixou 62 mortos<\/a>. Tamb\u00e9m quase n\u00e3o se v\u00ea \u00f4nibus circulando pelas ruas. Aqui a desigualdade \u00e9 medida, entre outras coisas, pela qualidade dos ve\u00edculos. Os mais pobres (a maioria da popula\u00e7\u00e3o), que antes se deslocavam em cavalos ou burros, agora t\u00eam motos. Centenas de milhares de motos, que contrastam com as picapes e SUV&#8217;s dirigidas pelos mais ricos.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o da usina de Belo Monte, que come\u00e7ou em 2011 sob o mandato de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/dilma_rousseff\">Dilma Rousseff<\/a>, trouxe promessas de trabalho. A popula\u00e7\u00e3o dobrou e chega a mais de 100.000 habitantes, mas o emprego virou fuma\u00e7a. Sem trabalhos, intensificaram-se as atividades de madeireiras ilegais e minera\u00e7\u00e3o, a viol\u00eancia e o narcotr\u00e1fico. Nos dois distritos do maior munic\u00edpio do Brasil em extens\u00e3o\u00a0\u2013 160.000 quil\u00f4metros quadrados \u2013, os moradores que conseguem um emprego trabalham no com\u00e9rcio ou como funcion\u00e1rios p\u00fablicos. No campo, como trabalhadores rurais precarizados. N\u00e3o sobram muitas op\u00e7\u00f5es. Por isso, muitas pessoas ainda consideram que o futuro consiste em arrancar um peda\u00e7o ilegal de terra da cada vez mais fr\u00e1gil e debilitada Amaz\u00f4nia para morar ali e de l\u00e1 se sustentar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"nota_pie\"><strong>FOTOS:<\/strong>\u00a01)\u00a0 Pista de pouso ilegal em plena floresta amaz\u00f4nica. No V\u00eddeo, novos focos de inc\u00eandio dificultam a luta contra o fogo. 2)\u00a0 Agentes da For\u00e7a Nacional buscam as pessoas que derrubam \u00e1rvores numa \u00e1rea protegida da Amaz\u00f4nia. 3)\u00a0 T\u00e1buas de madeira obtidas em desmatamento ilegal na zona protegida. 4) O pedreiro Ubirajara, que ocupa irregularmente a terra ind\u00edgena Ituna Itat\u00e1.\u00a0<strong>CR\u00c9DITO<\/strong>: LILO CLARETO<\/p>\n<p><strong>Fonte<\/strong>: <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/08\/31\/politica\/1567273764_557825.html\">https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/08\/31\/politica\/1567273764_557825.html<\/a>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O EL PA\u00cdS percorre o Estado do Par\u00e1, onde convivem povos ind\u00edgenas isolados, pecuaristas em busca de pasto, agricultores sem terra, policiais sem recursos e zonas sem lei: um coquetel explosivo<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":10575,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-10579","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-radar","category-2","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10579","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10579"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10579\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10581,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10579\/revisions\/10581"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10575"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10579"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10579"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10579"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}