{"id":11617,"date":"2019-10-25T18:29:54","date_gmt":"2019-10-25T21:29:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/radar\/garimpo-em-terras-indigenas-e-rechacado-por-indios-no-peru-e-na-bolivia\/"},"modified":"2019-10-25T18:35:58","modified_gmt":"2019-10-25T21:35:58","slug":"garimpo-em-terras-indigenas-e-rechacado-por-indios-no-peru-e-na-bolivia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/radar\/garimpo-em-terras-indigenas-e-rechacado-por-indios-no-peru-e-na-bolivia\/","title":{"rendered":"Garimpo em terras ind\u00edgenas \u00e9 recha\u00e7ado por \u00edndios no Peru e na Bol\u00edvia"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Ruben Valente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>23 de outubro de 2019<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Folha de S. Paulo<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h3 class=\"c-content-head__subtitle\" style=\"text-align: center;\"><em>Projeto com dinheiro da Noruega afasta ind\u00edgenas de atividade<\/em><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"c-signature c-signature--left\" data-force-change-font-size=\"\"><strong class=\"c-signature__location\">RIO MADRE DE DIOS (BOL\u00cdVIA) E PUERTO MALDONADO (PERU)<\/strong><\/div>\n<div class=\"c-news__body\" data-share-text=\"\" data-news-content-text=\"\" data-disable-copy=\"\" data-continue-reading=\"\" data-continue-reading-hide-others=\".js-continue-reading-hidden\">\n<p>Em um dos principais rios da Amaz\u00f4nia boliviana, o Madre de Dios, que atravessa santu\u00e1rios ecol\u00f3gicos no Departamento de Pando, a ind\u00edgena takana Teod\u00f3cia Castellon, 37, trabalha das 6h\u00a0\u00e0s 18h\u00a0numa balsa de extra\u00e7\u00e3o de ouro estacionada bem ao lado da sua terra ind\u00edgena, a Takana II.<\/p>\n<p>Mas assim como os outros 35 ou 40 ind\u00edgenas que executam o mesmo servi\u00e7o, segundo Teod\u00f3cia, ela se diz pronta a abandonar o garimpo desde que o projeto autossustent\u00e1vel de extra\u00e7\u00e3o de castanha, que hoje funciona apenas cinco meses por ano, seja ampliado na comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11592\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/slider1_1.jpg\" alt=\"\" width=\"918\" height=\"614\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/slider1_1.jpg 918w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/slider1_1-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/slider1_1-768x514.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/slider1_1-500x334.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 918px) 100vw, 918px\" \/><em>Crian\u00e7as ind\u00edgenas fazem recep\u00e7\u00e3o com banda de m\u00fasica a visitantes na comunidade de Mercedes, na Terra Ind\u00edgena Takana II, na Amaz\u00f4nia boliviana (Rubens Velente\/ Folhapress)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11595\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/slider1_2.jpg\" alt=\"\" width=\"1028\" height=\"695\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/slider1_2.jpg 1028w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/slider1_2-300x203.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/slider1_2-768x519.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/slider1_2-1024x692.jpg 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/slider1_2-500x338.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 1028px) 100vw, 1028px\" \/><em>Alunos da Terra Ind\u00edgena Takana II, da Amaz\u00f4nia da Bol\u00edvia, cantam o hino nacional (Rubens Valente\/ Folhapress)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Emocionada, Teod\u00f3cia diz que s\u00f3 garimpa para poder custear a escola dos cinco filhos.<\/p>\n<p>\u201cEu queria que meus filhos estudassem, fossem m\u00e9dicos, ambientalistas. Praticamente somos for\u00e7ados a fazer esse garimpo. Hoje sou garimpeira, mas\u00a0e amanh\u00e3, ser\u00e1 minha filha? Como vai acabar essa situa\u00e7\u00e3o? Vai ficar tudo contaminado. Os jovens est\u00e3o contra a minera\u00e7\u00e3o. Eles est\u00e3o conscientes de que nunca v\u00e3o fazer isso.\u201d<\/p>\n<p>A rejei\u00e7\u00e3o ao garimpo, hoje um complemento \u00e0 renda de uma minoria dos ind\u00edgenas na regi\u00e3o, \u00e9 um sentimento comum entre quatro etnias diferentes visitadas pela\u00a0<strong>Folha<\/strong>\u00a0nas \u00faltimas duas semanas na Amaz\u00f4nia da Bol\u00edvia e do Peru. Eles falam em aumentar os projetos de ecoturismo e de desenvolvimento ecologicamente sustent\u00e1vel, como produ\u00e7\u00e3o de peixes, a fim de esquecer o garimpo como uma chaga do passado.<\/p>\n<p>No Brasil, em sentido contr\u00e1rio, o governo de Jair Bolsonaro (PSL-RJ) prepara\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2019\/09\/projeto-de-mineracao-do-governo-preve-tutela-sobre-indigenas.shtml\">um projeto de lei pelo qual pretende abrir a minera\u00e7\u00e3o em terras ind\u00edgenas<\/a>, possibilidade recha\u00e7ada por 86% dos brasileiros segundo pesquisa Datafolha realizada em junho.<\/p>\n<p>A atividade \u00e9 hoje ilegal. Embora seja uma hip\u00f3tese prevista na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, nunca foi regulamentada. Ao mesmo tempo, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, anunciou em agosto que pretende legalizar \u201c<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ambiente\/2019\/08\/amazonia-precisa-de-solucoes-capitalistas-diz-ministro-do-meio-ambiente.shtml\">800 garimpos<\/a>\u201d clandestinos na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>A not\u00edcia dos planos de Bolsonaro foi recebida com surpresa por ind\u00edgenas peruanos e bolivianos que h\u00e1 anos convivem com os efeitos devastadores da extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio. A organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental ind\u00edgena Fenamad, sediada em Puerto Maldonado, a 1,5 mil km de Lima, representa 38 comunidades de sete etnias diferentes na Amaz\u00f4nia peruana, cerca de 10 mil ind\u00edgenas que protegem 800 mil hectares de exuberantes florestas amaz\u00f4nicas.<\/p>\n<p>Seu presidente, o \u00edndio peruano shipibo Julio Cusurichi, disse que o projeto de Bolsonaro provocar\u00e1 uma grande rea\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria. \u201cSe avizinha uma crise muito grande porque esse projeto estaria desprotegendo os territ\u00f3rios e aumentando o tema da depreda\u00e7\u00e3o\u201d, disse Cusurichi.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11610\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/L\u00edder-ind\u00edgena-da-Bol\u00edvia-Adolfo-Ch\u00e1vez.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/L\u00edder-ind\u00edgena-da-Bol\u00edvia-Adolfo-Ch\u00e1vez.jpg 1200w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/L\u00edder-ind\u00edgena-da-Bol\u00edvia-Adolfo-Ch\u00e1vez-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/L\u00edder-ind\u00edgena-da-Bol\u00edvia-Adolfo-Ch\u00e1vez-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/L\u00edder-ind\u00edgena-da-Bol\u00edvia-Adolfo-Ch\u00e1vez-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/L\u00edder-ind\u00edgena-da-Bol\u00edvia-Adolfo-Ch\u00e1vez-500x333.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><em>L\u00edder ind\u00edgena da Bol\u00edvia Adolfo Ch\u00e1vez, da etnia takana, em entrevista na Terra Ind\u00edgena Takana II, na Amaz\u00f4nia boliviana perto da fronteira com o Peru. &#8211;\u00a0<span class=\"widget-image__credits\">Rubens Valente\/Folhapress<\/span><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o com a minera\u00e7\u00e3o na parte peruana da Amaz\u00f4nia, que corresponde a 13% do total do bioma (o Brasil abarca cerca de 65%) \u00e9 crescente no pa\u00eds em especial a partir da forma\u00e7\u00e3o de um grande n\u00facleo de garimpeiros conhecido como La Pampa, cerca de 20 km ao longo da estrada Interoce\u00e2nica, constru\u00edda pela Odebrecht com recursos do BNDES brasileiro. Eles operam ao lado da amaz\u00f4nica reserva natural Tambopata e tamb\u00e9m a invadiram.<\/p>\n<p>Em fevereiro, uma opera\u00e7\u00e3o que mobilizou 300 militares das For\u00e7as Armadas e 1,2 mil policiais peruanos, a Opera\u00e7\u00e3o Merc\u00fario, retirou milhares de garimpeiros e instalou tr\u00eas bases militares no local. Segundo a C\u00e1ritas na regi\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o ligada \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica, os garimpeiros passaram de 2 ou 3 mil, h\u00e1 dez anos, para mais de 30 mil ap\u00f3s a constru\u00e7\u00e3o da rodovia.<\/p>\n<p>O bi\u00f3logo C\u00e9sar Ascorra Guanira, 61, atua h\u00e1 25 anos na regi\u00e3o. Como diretor nacional da ONG Cincia (Centro de Inova\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica Amaz\u00f4nica), ele participa de uma investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, iniciada em 2016 com recursos peruanos e europeus de organiza\u00e7\u00f5es como o WWF e a ag\u00eancia do governo norte-americano USAID, sobre o impacto do merc\u00fario nas florestas amaz\u00f4nicas. O metal l\u00edquido \u00e9 amplamente utilizado para separar o ouro de impurezas.<\/p>\n<p>Guanira aponta que entre 15% e 30%\u00a0da \u00e1rea desmatada em La Pampa s\u00e3o buracos, os mais antigos com 12 anos de idade. Somados, chegam a 3 mil hectares, al\u00e9m de 77 mil hectares desmatados.<\/p>\n<div class=\"rs_skip\"><\/div>\n<p>Os t\u00e9cnicos estudaram 15 desses buracos e compararam os resultados com corpos naturais de \u00e1gua. Soube-se que o merc\u00fario foi parar tanto nas po\u00e7as artificiais quanto nos lagos e rios. Segundo Guanira, quando o corpo d\u2019\u00e1gua n\u00e3o tem oxigena\u00e7\u00e3o, surgem bact\u00e9rias que se agarram ao merc\u00fario e o incorporam, o que se chama metila\u00e7\u00e3o. Unem o merc\u00fario ao radical metilo e formam o chamado metil-merc\u00fario, uma bomba invis\u00edvel que se espalha por todo o ecossistema.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 o mais perigoso porque o metil-merc\u00fario entra na cadeia alimentar. Os pl\u00e2nctons comem as bact\u00e9rias, os pequenos peixes comem os pl\u00e2nctons, pequenos invertebrados comem os peixes e assim v\u00e3o comendo uns aos outros at\u00e9 se chegar aos grandes predadores, e enfim ao ser humano, que est\u00e1 no topo da cadeia alimentar. E acumulamos tudo o que os outros comeram abaixo.\u201d<\/p>\n<p>O metil-merc\u00fario, quando consumido, passa a ser parte do tecido humano, \u00e0 placenta, atravessa as barreiras encef\u00e1licas, chega ao c\u00e9rebro, ao sistema nervoso, pode afetar os cromossomos, pode passar \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras, causando danos que se mascaram em cerca de 160 sintomas, como dores de cabe\u00e7a, alergias, perda de sono e de distin\u00e7\u00e3o de sabor, pancreatite, anemias e tremores.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a contamina\u00e7\u00e3o n\u00e3o ficou restrita \u00e0 La Pampa. \u201cO merc\u00fario se evapora \u00e0 temperatura ambiente, se solidifica e depois se precipita e por isso chega a uma dispers\u00e3o geogr\u00e1fica bem grande e afeta a outros que n\u00e3o t\u00eam nada a ver com a minera\u00e7\u00e3o\u201d, disse Guanira.<\/p>\n<p>O diretor do\u00a0Cincia\u00a0disse que o argumento do desenvolvimento econ\u00f4mico embutido na proposta do governo\u00a0Bolsonaro\u00a0de abrir minera\u00e7\u00e3o em terras ind\u00edgenas n\u00e3o pode justificar um projeto nesse sentido.<\/p>\n<p>\u201cSe voc\u00ea o v\u00ea do espa\u00e7o, o planeta n\u00e3o tem fronteiras na \u00e1gua, no ar. [&#8230;] Eu respiro agora o ar boliviano. Se est\u00e1 contaminado, \u00e9 porque est\u00e1 contaminada a Bol\u00edvia. Tudo est\u00e1 relacionado. [&#8230;] N\u00e3o h\u00e1 o ar brasileiro ou o boliviano ou o peruano. Estarei contaminando o mundo todo. Tudo o que acontece numa metade do mundo afeta a outra metade.\u201d<\/p>\n<div class=\"rs_skip\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11604\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/A-ind\u00edgena-takana-Teod\u00f3cia-Castel\u00f3n.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/A-ind\u00edgena-takana-Teod\u00f3cia-Castel\u00f3n.jpg 1200w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/A-ind\u00edgena-takana-Teod\u00f3cia-Castel\u00f3n-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/A-ind\u00edgena-takana-Teod\u00f3cia-Castel\u00f3n-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/A-ind\u00edgena-takana-Teod\u00f3cia-Castel\u00f3n-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/A-ind\u00edgena-takana-Teod\u00f3cia-Castel\u00f3n-500x333.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><em>A ind\u00edgena takana Teod\u00f3cia Castel\u00f3n, 37, trabalha como bico em balsa de garimpo de ouro no rio Madre de Dios, ao lado da terra ind\u00edgena Takana II, na Amaz\u00f4nia boliviana, a fim de juntar dinheiro para sua filha estudar universidade. A balsa tem autoriza\u00e7\u00e3o do governo boliviano, segundo os ind\u00edgenas, que querem parar com a atividade. &#8211;\u00a0<span class=\"widget-image__credits\">Rubens Valente\/Folhapress<\/span><\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo as lideran\u00e7as da etnia takana, apenas a minoria dos ind\u00edgenas atua no garimpo de ouro, n\u00e3o mais que 40, de um total de 1 mil. Entre as balsas que se espalham ao longo do rio Madre de Dios h\u00e1 legais, filiadas a uma cooperativa e com autoriza\u00e7\u00e3o do Estado boliviano, e ilegais.<\/p>\n<p>A reportagem visualizou 12 desses equipamentos operando no leito do rio bem ao lado do limite da terra ind\u00edgena &#8211; para chegar ao local, s\u00e3o cinco horas de barco desde Puerto Maldonado. Parte \u00e9 legal, com autoriza\u00e7\u00e3o do Estado boliviano, e parte ilegal, segundo os ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Com um motor a diesel e mangueira, a balsa suga a terra do leito do rio e a joga com \u00e1gua num carpete, no fundo do qual s\u00e3o retidas as \u00ednfimas part\u00edculas de ouro, como gr\u00e3os cintilantes na areia de uma praia. Elas depois ser\u00e3o reunidas com o uso do merc\u00fario.<\/p>\n<p>Teod\u00f3cia Castellon \u00e9 uma das dezenas ind\u00edgenas \u201cporcentagistas\u201d, ou seja, recebe 20% sobre o total do ouro produzido, o que varia de 5 a 7 gramas por dia. Para ela, ficam mais ou menos 500\/600 bolivianos por semana, algo em torno de R$ 295 a R$ 354.<\/p>\n<p>Mas quando come\u00e7a a temporada da castanha, que durar\u00e1 cinco meses, ela deixa a balsa e vai para a floresta cuidar de suas 232 castanheiras. Ela consegue colher cerca de um saco de 74 kg por dia. Uma saca \u00e9 vendida por 500 bolivianos. Ao longo da temporada, conseguir\u00e1 vender 85 sacas, arrecadando perto de R$ 25 mil, m\u00e9dia de R$ 5 mil por m\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11607\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Draga-usada-em-garimpo-de-ouro-abre-cratera-no-centro-de-extra\u00e7\u00e3o-de-ouro-conhecido-como-La-Pampa.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Draga-usada-em-garimpo-de-ouro-abre-cratera-no-centro-de-extra\u00e7\u00e3o-de-ouro-conhecido-como-La-Pampa.jpg 1200w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Draga-usada-em-garimpo-de-ouro-abre-cratera-no-centro-de-extra\u00e7\u00e3o-de-ouro-conhecido-como-La-Pampa-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Draga-usada-em-garimpo-de-ouro-abre-cratera-no-centro-de-extra\u00e7\u00e3o-de-ouro-conhecido-como-La-Pampa-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Draga-usada-em-garimpo-de-ouro-abre-cratera-no-centro-de-extra\u00e7\u00e3o-de-ouro-conhecido-como-La-Pampa-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Draga-usada-em-garimpo-de-ouro-abre-cratera-no-centro-de-extra\u00e7\u00e3o-de-ouro-conhecido-como-La-Pampa-500x333.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><em>Draga usada em garimpo de ouro abre cratera no centro de extra\u00e7\u00e3o de ouro conhecido como \u00abLa Pampa\u00bb, na zona de amortecimento do santu\u00e1rio ecol\u00f3gico da reserva natural de Tambopata, floresta amaz\u00f4nica do Peru, \u00e0 margem direita da rodovia Interoce\u00e2nica, no Departamento de Madre de Dios, perto de Puerto Maldonado, a cerca de 1.570 km de Lima (Peru). &#8211; <span class=\"widget-image__credits\">Rubens Valente\/Folhapress<\/span><\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Separadas mais de 200 km uma da outra, duas comunidades ind\u00edgenas na Amaz\u00f4nia peruana vivem os mesmos efeitos do garimpo com autoriza\u00e7\u00e3o do Estado peruano em terras vizinhas \u00e0s suas. Elas tamb\u00e9m t\u00eam em comum a vontade de se livrar do garimpo por meio de projetos de desenvolvimento autossustent\u00e1vel, alguns deles com apoio de\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ambiente\/2019\/09\/salles-quer-novo-fundo-para-a-amazonia-envolvendo-o-setor-privado.shtml\">recursos enviados pela Noruega e Alemanha<\/a>\u00a0&#8211; em agosto, o presidente Jair\u00a0Bolsonaro\u00a0recha\u00e7ou a ajuda desses pa\u00edses para a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Na comunidade de Boca\u00a0Pariamanu, onde vivem cerca de 130 ind\u00edgenas\u00a0amahuacas, a Noruega financia projetos para prote\u00e7\u00e3o de grupos ind\u00edgenas isolados, adapta\u00e7\u00f5es \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, manejo e recupera\u00e7\u00e3o de castanhais e monitoramento de floresta com\u00a0drones\u00a0e telefones celulares, segundo o l\u00edder ind\u00edgena\u00a0Julio\u00a0Rolin. Em um ano, a comunidade recebeu cerca de 60% da verba anual de US$ 100 mil. S\u00e3o esperadas outras quatro parcelas no mesmo valor.<\/p>\n<p>\u201c[A\u00a0verba]\u00a0nos\u00a0ajuda a levantar a atividade que queremos. Sem essa ajuda, n\u00f3s n\u00e3o poder\u00edamos, com nosso pr\u00f3prio dinheiro\u201d, disse\u00a0Rolin.<\/p>\n<p>A cerca de 20 minutos de barco das casas onde vivem os ind\u00edgenas, dragas trabalham dia e noite na minera\u00e7\u00e3o de ouro na margem esquerda do rio das\u00a0Piedras. Em um desses focos de garimpo, visitado pela\u00a0<strong>Folha<\/strong>, um grande buraco cheio\u00a0d\u2019\u00e1gua\u00a0tomou o lugar de \u00e1rvores frondosas, hoje mortas. As m\u00e1quinas afugentam a ca\u00e7a e a pesca e tamb\u00e9m representam uma tenta\u00e7\u00e3o de trabalho para os pr\u00f3prios\u00a0amahuacas. Mas eles dizem resistir \u00e0 press\u00e3o e esperam que os novos projetos deem certo.<\/p>\n<p>Um deles \u00e9 o ecoturismo. Desde o in\u00edcio do ano come\u00e7aram a recebem grupos de turistas, principalmente estrangeiros. Constru\u00edram uma casa r\u00fastica, coberta de palha, com beliches para receber at\u00e9 12 pessoas por apenas cerca de R$ 50 di\u00e1rios por h\u00f3spede. Receberam aulas b\u00e1sicas de gastronomia para oferecer almo\u00e7os e jantares que custam n\u00e3o mais que R$ 15 por pessoa. Os ind\u00edgenas est\u00e3o esperan\u00e7osos com a iniciativa.<\/p>\n<p>O engenheiro agr\u00f4nomo\u00a0Eddy\u00a0Pe\u00f1a, da ONG\u00a0SPDA\u00a0(Sociedade Peruana de Direito Ambiental), auxiliou os\u00a0amahuacas\u00a0a obterem do governo peruano neste ano a t\u00e3o sonhada titula\u00e7\u00e3o da terra, buscada por eles desde que se instalaram na regi\u00e3o por volta de 1986, ap\u00f3s d\u00e9cadas de trabalho duro nos seringais. Com os t\u00edtulos, os ind\u00edgenas t\u00eam mais seguran\u00e7a jur\u00eddica para desenvolver os projetos de desenvolvimento ecologicamente sustent\u00e1vel e exercer a fiscaliza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea.<\/p>\n<p>Distante dali, na beira da rodovia Interoce\u00e2nica a cerca de 160 km da cidade de\u00a0Puerto\u00a0Maldonado, outra comunidade ind\u00edgena enfrenta problemas pela a\u00e7\u00e3o de garimpos que nunca apoiou. Os\u00a0arazaires\u00a0veem seu rio\u00a0Inambari\u00a0morrer pouco a pouco.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11589\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Queima-de-mata-provocada-por-pequeno-produtor-rural-de-arroz-na-beira-da-rodovia-Interoce\u00e2nica.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Queima-de-mata-provocada-por-pequeno-produtor-rural-de-arroz-na-beira-da-rodovia-Interoce\u00e2nica.jpg 1200w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Queima-de-mata-provocada-por-pequeno-produtor-rural-de-arroz-na-beira-da-rodovia-Interoce\u00e2nica-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Queima-de-mata-provocada-por-pequeno-produtor-rural-de-arroz-na-beira-da-rodovia-Interoce\u00e2nica-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Queima-de-mata-provocada-por-pequeno-produtor-rural-de-arroz-na-beira-da-rodovia-Interoce\u00e2nica-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Queima-de-mata-provocada-por-pequeno-produtor-rural-de-arroz-na-beira-da-rodovia-Interoce\u00e2nica-500x333.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><em>Queima de mata provocada por pequeno produtor rural de arroz na beira da rodovia Interoce\u00e2nica, perto da reserva natural Tambopata, na Amaz\u00f4nia do Peru, departamento de Madre de Dios, perto de Puerto Maldonado, a cerca de 1,5 mil km de Lima (Peru). &#8211;\u00a0<span class=\"widget-image__credits\">Rubens Valente\/Folhapress<\/span><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A lideran\u00e7a\u00a0arazaire\u00a0Jos\u00e9\u00a0Tije\u00a0Huaraho, 82, se instalou na regi\u00e3o por volta de 1972. Teve cinco filhas e v\u00e1rios netos, bisnetos e tataranetos. A grande fam\u00edlia vive numa \u00e1rea de 600 hectares pressionada por garimpos. \u201cAqui em\u00a0Inambari\u00a0est\u00e3o invadindo. Eu tenho den\u00fancias. [Os garimpeiros dizem] \u2018N\u00f3s temos a posse da minera\u00e7\u00e3o, temos documentos\u2019.\u00a0E\u00a0come\u00e7aram a entrar, trabalhar, a invadir. Est\u00e3o entrando com m\u00e1quinas. Est\u00e3o destro\u00e7ando o terreno, botando toda a castanha abaixo. Mandamos den\u00fancia ao\u00a0prefeito, ele n\u00e3o nos atende. Eles nos dizem que eles t\u00eam documentos n\u00e3o podem fazer nada. Carecemos bastante de ajuda\u201d, disse\u00a0Huaraho.<\/p>\n<p>Uma de suas filhas, Matilde, disse que os conflitos entre garimpeiros e ind\u00edgenas, que come\u00e7aram h\u00e1 dez anos, est\u00e3o se agravando. \u201cNos\u00a0tratam do pior jeito poss\u00edvel. Fizemos den\u00fancias penais contra eles. Falam que a gente rouba, quando n\u00e3o temos nada, trabalhamos com nosso artesanato, nossa ch\u00e1cara. N\u00e3o temos \u00e1gua, estamos em emerg\u00eancia. Veja a \u00e1gua do rio como est\u00e1 suja, n\u00e3o\u00a0podemos\u00a0tom\u00e1-la. Quando a bebemos, h\u00e1 um incha\u00e7o no est\u00f4mago. Por causa da minera\u00e7\u00e3o. \u00c9 um inferno que n\u00f3s vivemos\u201d, disse\u00a0Mathilde.<\/p>\n<p>Carlos\u00a0LLamoca, casado com uma bisneta de Jos\u00e9, diz que o rio\u00a0Inambari\u00a0come\u00e7ou a ter problemas h\u00e1 sete ou oito anos. Sua \u00e1gua suja assustou os peixes. \u201cDepois da minera\u00e7\u00e3o o pescado se foi, desapareceu. Agora s\u00f3 tem\u00a0bocachicos\u00a0e uns bagres [peixes pequenos]. Antes havia pacus de todo tamanho, agora acabou.\u201d Os\u00a0arazaires\u00a0procuram apostar na cria\u00e7\u00e3o de pacus em cativeiro, planta\u00e7\u00f5es diversas e um restaurante na beira da rodovia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11598\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/slider2_1.jpg\" alt=\"\" width=\"1091\" height=\"723\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/slider2_1.jpg 1091w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/slider2_1-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/slider2_1-768x509.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/slider2_1-1024x679.jpg 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/slider2_1-500x331.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 1091px) 100vw, 1091px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11601\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/slider2_2.jpg\" alt=\"\" width=\"1089\" height=\"728\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/slider2_2.jpg 1089w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/slider2_2-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/slider2_2-768x513.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/slider2_2-1024x685.jpg 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/slider2_2-500x334.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 1089px) 100vw, 1089px\" \/>Marcha de mulheres ind\u00edgenas<\/strong> &#8211; \u00cdndias de v\u00e1rias etnias ocupam o pr\u00e9dio da Funasa, em Bras\u00edlia, onde fica a Secretaria de Sa\u00fade Ind\u00edgena; o objetivo \u00e9 pressionar o governo Bolsonaro por melhorias na sa\u00edda ind\u00edgena (Pedro Ladeira\/ Folhapress)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na comunidade ind\u00edgena\u00a0Takana\u00a0II\u00a0na Amaz\u00f4nia boliviana, onde vivem cerca de 1 mil habitantes na Bol\u00edvia, o governo auxilia os moradores em um projeto de extra\u00e7\u00e3o de castanhas com uma parte de cerca de R$ 2 milh\u00f5es pago pela empresa estatal de petr\u00f3leo como compensa\u00e7\u00e3o por ter realizado atividades s\u00edsmicas dentro da terra ind\u00edgena. Parte dos recursos foi empregada para a compra das castanhas a um pre\u00e7o maior do que o praticado na regi\u00e3o, de forma a permitir uma capitaliza\u00e7\u00e3o do projeto e sua sobreviv\u00eancia a longo prazo.<\/p>\n<p>\u201cA regi\u00e3o foi historicamente dominada por empresas de intermedia\u00e7\u00e3o. Elas vinham com pre\u00e7os definidos e a comunidade tinha que aceitar, porque era a \u00fanica forma de vender. A ideia do projeto \u00e9 que os ind\u00edgenas consigam criar um ciclo positivo de com\u00e9rcio. \u00c9 preciso estabelecer outras atividades produtivas para afastar os ind\u00edgenas do garimpo. N\u00e3o queremos isso aqui\u201d, disse o engenheiro agr\u00f4nomo\u00a0Luis\u00a0Fernando\u00a0Arcienega, do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento boliviano.<\/p>\n<p><strong>A\u00a0Folha viajou a convite da\u00a0Burness\u00a0Communications<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2019\/09\/garimpo-em-terras-indigenas-e-rechacado-por-indios-no-peru-e-na-bolivia.shtml\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2019\/09\/garimpo-em-terras-indigenas-e-rechacado-por-indios-no-peru-e-na-bolivia.shtml<\/a><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um dos principais rios da Amaz\u00f4nia boliviana, o Madre de Dios, que atravessa santu\u00e1rios ecol\u00f3gicos no Departamento de Pando, a ind\u00edgena takana Teod\u00f3cia Castellon, 37, trabalha das 6h \u00e0s 18h numa balsa de extra\u00e7\u00e3o de ouro estacionada bem ao lado da sua terra ind\u00edgena, a Takana II.<\/p>\n<p>Mas assim como os outros 35 ou 40 ind\u00edgenas que executam o mesmo servi\u00e7o, segundo Teod\u00f3cia, ela se diz pronta a abandonar o garimpo desde que o projeto autossustent\u00e1vel de extra\u00e7\u00e3o de castanha, que hoje funciona apenas cinco meses por ano, seja ampliado na comunidade.<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":11606,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-11617","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-radar","category-2","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11617","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11617"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11617\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11623,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11617\/revisions\/11623"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11606"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11617"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11617"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11617"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}