{"id":13788,"date":"2020-03-09T15:19:14","date_gmt":"2020-03-09T18:19:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/radar\/mineracao-ilegal-de-estanho-deixa-rastro-de-destruicao-na-floresta-nacional-de-altamira\/"},"modified":"2020-03-09T15:19:32","modified_gmt":"2020-03-09T18:19:32","slug":"mineracao-ilegal-de-estanho-deixa-rastro-de-destruicao-na-floresta-nacional-de-altamira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/radar\/mineracao-ilegal-de-estanho-deixa-rastro-de-destruicao-na-floresta-nacional-de-altamira\/","title":{"rendered":"Minera\u00e7\u00e3o ilegal de estanho deixa rastro de destrui\u00e7\u00e3o na Floresta Nacional de Altamira"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Por <a href=\"https:\/\/brasil.mongabay.com\/by\/ana-ionova\/\" rel=\"tag\" data-wpel-link=\"internal\">Ana Ionova<\/a> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Mongabay Brasil<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>6 de mar\u00e7o de 2020<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Amaz\u00f4nia brasileira<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<div class=\"bulletpoints\">\n<ul>\n<li>A Floresta Nacional de Altamira ocupa cerca de 700 mil hectares no Par\u00e1 e abriga uma rica diversidade de plantas e animais, incluindo diversas esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Recentemente, o fluxo de garimpo ilegal tem causado o desmatamento desenfreado da floresta e polu\u00eddo os rios. O alvo dos garimpeiros \u00e9 a cassiterita, principal min\u00e9rio do estanho. Al\u00e9m disso, a agropecu\u00e1ria ilegal e a constru\u00e7\u00e3o de estradas tamb\u00e9m est\u00e3o contribuindo para o desflorestamento da reserva.<\/li>\n<li>O governo interveio no in\u00edcio do ano para dar fim \u00e0 atividade ilegal, mas imagens de sat\u00e9lite mostram que o desmatamento ao redor das minas voltou a aumentar em outubro.<\/li>\n<li>Conservacionistas e ativistas temem que a ret\u00f3rica e as mudan\u00e7as nas pol\u00edticas do governo Bolsonaro estejam estimulando as invas\u00f5es na Flona de Altamira e outras \u00e1reas protegidas que constituem importantes ref\u00fagios para a vida selvagem e as comunidades ind\u00edgenas.<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p>O dano s\u00f3 ficou claramente vis\u00edvel quando a chuva parou e as nuvens se dissiparam no c\u00e9u da\u00a0<a href=\"https:\/\/uc.socioambiental.org\/pt-br\/arp\/1328\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Floresta Nacional de Altamira<\/a>, no Par\u00e1. Em vez de mata densa, grandes peda\u00e7os de terra sem \u00e1rvores margeavam os rios ao longo dessa \u00e1rea protegida da Floresta Amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>\u201cQuando obtivemos uma imagem de sat\u00e9lite n\u00edtida, s\u00f3 conseguimos ver devasta\u00e7\u00e3o\u201d, diz uma fonte de uma ag\u00eancia ambiental do governo, que pediu para n\u00e3o ser identificada porque n\u00e3o estava autorizada a falar sobre o assunto. \u201cNunca vimos nada desse tipo em Altamira.\u201d<\/p>\n<p>A Floresta Nacional (Flona) de Altamira\u00a0ocupa 724.965 hectares, a maior parte no munic\u00edpio hom\u00f4nimo. Ela abriga uma rica diversidade de plantas e animais, incluindo diversas esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, como a ariranha (<em>Pteronura brasiliensis<\/em>) e o peixe-boi-da-amaz\u00f4nia (<em>Trichechus inunguis<\/em>).<\/p>\n<p>A \u00e1rea j\u00e1 foi considerada um marco da silvicultura sustent\u00e1vel, em uma regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia onde o desmatamento \u00e9 a regra. Sob prote\u00e7\u00e3o federal desde 1998, a Flona de Altamira mant\u00e9m um status que permite apenas atividades regulamentadas, como extra\u00e7\u00e3o de madeira licenciada. Ao longo dos anos, ela se tornou a maior \u00e1rea de concess\u00f5es florestais do pa\u00eds. O objetivo era impulsionar a economia local e ao mesmo tempo minimizar o impacto sobre a biodiversidade.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEla costumava ser nosso exemplo de como as coisas poderiam dar certo aqui, como poder\u00edamos criar postos de trabalho, como poder\u00edamos usar a Floresta Amaz\u00f4nica de forma sustent\u00e1vel\u201d, diz o agente governamental. \u201cMas a\u00ed tudo desmoronou.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13783\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/1230-altamira-2001-2019-map.png\" alt=\"\" width=\"1800\" height=\"931\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/1230-altamira-2001-2019-map.png 1800w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/1230-altamira-2001-2019-map-300x155.png 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/1230-altamira-2001-2019-map-1024x530.png 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/1230-altamira-2001-2019-map-768x397.png 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/1230-altamira-2001-2019-map-1536x794.png 1536w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/1230-altamira-2001-2019-map-500x259.png 500w\" sizes=\"(max-width: 1800px) 100vw, 1800px\" \/><em>Dados de sat\u00e9lite da Universidade de Maryland apontam que Flona de Altamira perdeu mais cobertura florestal em 2019 do que durante os 18 anos anteriores juntos. A minera\u00e7\u00e3o \u00e9 o principal causador do desflorestamento na maior parte da \u00e1rea protegida, com exce\u00e7\u00e3o da parte sul, onde o desmatamento ilegal para a agropecu\u00e1ria vem se intensificando. Fonte: Hansen\/UMD\/Google\/USGS\/NASA, acessado atrav\u00e9s da Global Forest Watch.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Aumento do desmatamento<\/strong><\/h3>\n<p>Dados e imagens de sat\u00e9lite da Universidade de Maryland (UMD) mostram que o desmatamento ilegal disparou na Flona de Altamira no ano passado. Fontes locais apontam os garimpos ilegais como sendo os principais respons\u00e1veis na maior parte da \u00e1rea protegida.<\/p>\n<p>Cerca de 300 hectares foram desmatados entre janeiro e outubro de 2019 apenas para minera\u00e7\u00e3o, de acordo com Thaise Rodrigues, especialista em sensoriamento remoto da Rede Xingu+, rede de grupos ambientalistas e ind\u00edgenas que trabalha na Bacia do Xingu.<\/p>\n<p>Isso representa um aumento de 85% em compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior, como mostram os dados da rede. Parte da press\u00e3o veio de um vasto desmatamento na fronteira oeste do territ\u00f3rio, \u201conde uma pista de pouso e decolagem clandestina foi constru\u00edda entre maio e junho de 2019\u201d, informou Thaise.<\/p>\n<p>Os garimpeiros geralmente abrem pistas clandestinas na Amaz\u00f4nia, permitindo que suprimentos e equipamentos sejam levados at\u00e9 \u00e1reas densas da floresta por avi\u00e3o. Muitos tamb\u00e9m v\u00eam com maquin\u00e1rio pesado, como escavadoras, capazes de limpar grandes \u00e1reas de floresta com bastante facilidade.<\/p>\n<p>Fontes locais dizem que a maioria dos garimpeiros que invade a Flona de Altamira est\u00e1 atr\u00e1s da cassiterita, principal min\u00e9rio de estanho. Garimpeiros em busca de ouro, agropecuaristas e madeireiros \u00e0 procura de variedades valiosas de \u00e1rvores tamb\u00e9m est\u00e3o presentes na regi\u00e3o. Al\u00e9m disso, alguns dos invasores t\u00eam aberto estradas clandestinas para transportar minerais e madeira para fora da floresta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-13780\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/garimpo_na_floresta_nacional_flona_jamanxim_daniel_paranayba-1.jpg\" alt=\"\" width=\"439\" height=\"780\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/garimpo_na_floresta_nacional_flona_jamanxim_daniel_paranayba-1.jpg 635w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/garimpo_na_floresta_nacional_flona_jamanxim_daniel_paranayba-1-169x300.jpg 169w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/garimpo_na_floresta_nacional_flona_jamanxim_daniel_paranayba-1-577x1024.jpg 577w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/garimpo_na_floresta_nacional_flona_jamanxim_daniel_paranayba-1-500x887.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 439px) 100vw, 439px\" \/><em>Mina de cassiterita na Flona de Altamira. Foto cedida por Daniel Paranayba\/Rede Xingu+<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As autoridades detectaram o aumento das atividades garimpeiras pela primeira vez em abril, diz a fonte do governo. Por\u00e9m, com recursos cada vez mais escassos e o salto do desmatamento na Amaz\u00f4nia este ano, os agentes federais fizeram a primeira inspe\u00e7\u00e3o na \u00e1rea somente no fim de agosto. Eles destru\u00edram alguns dos equipamentos usados pelos garimpeiros e aplicaram multas, mas, \u00e0quela altura, danos extensos e irrevers\u00edveis j\u00e1 haviam sido causados, de acordo com a fonte da fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entretanto, mesmo ap\u00f3s essa repress\u00e3o inicial, o desmatamento na Floresta Nacional voltou a crescer com for\u00e7a. Dados da UMD e imagens da Planet Labs mostraram o aumento dram\u00e1tico do desflorestamento em diversas minas entre outubro e novembro, o que levou as autoridades a voltar ao local no final do ano.<\/p>\n<p>\u201cAgora que temos um governo que \u00e9 bem mais hostil com o meio ambiente, os garimpeiros se sentem mais poderosos, eles acham que podem se dar bem\u201d, diz o agente an\u00f4nimo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13771\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/1231-altamira-n-map.png\" alt=\"\" width=\"1800\" height=\"1154\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/1231-altamira-n-map.png 1800w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/1231-altamira-n-map-300x192.png 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/1231-altamira-n-map-1024x656.png 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/1231-altamira-n-map-768x492.png 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/1231-altamira-n-map-1536x985.png 1536w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/1231-altamira-n-map-500x321.png 500w\" sizes=\"(max-width: 1800px) 100vw, 1800px\" \/><em>Os maiores locais com atividades garimpeiras na Floresta Nacional de Altamira (circulados em vermelho) mostram que o desmatamento continua. Imagens da Planet Labs acessadas atrav\u00e9s da Global Forest Watch.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Press\u00e3o cada vez maior<\/strong><\/h3>\n<p>Como na maior parte do Brasil, a febre do ouro que tomou conta da Flona de Altamira tem origem no per\u00edodo de maior desenvolvimento da regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia, nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980. A constru\u00e7\u00e3o da BR-163, extensa rodovia com milhares de quil\u00f4metros que vai do sul do Brasil e corta o cora\u00e7\u00e3o da Bacia Amaz\u00f4nica, serviu de catalisador: a pavimenta\u00e7\u00e3o da rodovia na d\u00e9cada de 1990 trouxe uma legi\u00e3o de pessoas \u00e1vidas por percorrer a regi\u00e3o inexplorada em busca de ouro e outros minerais.<\/p>\n<p>\u201cTodo o desflorestamento come\u00e7ou quando a rodovia foi constru\u00edda\u201d, diz Ant\u00f4nio Victor Fonseca, engenheiro ambiental e pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amaz\u00f4nia (Imazon). \u201cO governo, ent\u00e3o, veio com a ideia de que precis\u00e1vamos proteger esta \u00e1rea, caso contr\u00e1rio perder\u00edamos toda a floresta da regi\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>A Flona de Altamira foi criada principalmente para proteg\u00ea-la de invas\u00f5es. O territ\u00f3rio tamb\u00e9m foi visto pela Funai como uma zona crucial para proteger as terras ind\u00edgenas vizinhas Xipaya e Kuruay\u00e1.<\/p>\n<p>Mas agora, o presidente Jair Bolsonaro est\u00e1 enviando sinais muito mais estimulantes aos invasores, e fontes locais dizem que isso est\u00e1 encorajando os garimpeiros ilegais. O controverso l\u00edder da na\u00e7\u00e3o tem tecido duras cr\u00edticas \u00e0s prote\u00e7\u00f5es de terras, chamando-as de \u201cobst\u00e1culos\u201d ao desenvolvimento e \u00e0 minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Bolsonaro, que tem sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria de minera\u00e7\u00e3o ilegal na Amaz\u00f4nia, tem dito diversas vezes que n\u00e3o demarcar\u00e1 nenhum cent\u00edmetro de terra a mais para os povos ind\u00edgenas. Atualmente, seu governo est\u00e1 tentando aprovar um projeto de lei\u00a0<a href=\"https:\/\/www.reuters.com\/article\/brazil-politics\/brazils-bolsonaro-says-bill-to-allow-mining-on-native-reserves-ready-idUSE8N28G00H\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">que permitiria a minera\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0em terras ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>O presidente tamb\u00e9m defende a redu\u00e7\u00e3o do tamanho de algumas \u00e1reas protegidas e a abertura de 4,6 milh\u00f5es de hectares da Reserva Mineral de Cobre e seus Associados (Renca) para garimpeiros, uma tentativa que seu antecessor Michel Temer abandonou ap\u00f3s protestos internacionais e uma decis\u00e3o da Justi\u00e7a Federal.<\/p>\n<p>\u201cO interesse na Amaz\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 no \u00edndio nem na porra da \u00e1rvore, \u00e9 no min\u00e9rio\u201d,\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ambiente\/2019\/10\/o-interesse-na-amazonia-nao-e-no-indio-nem-na-porra-da-arvore-diz-bolsonaro.shtml\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">disse Bolsonaro<\/a>\u00a0em um discurso improvisado a um grupo de garimpeiros em\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ambiente\/2019\/10\/o-interesse-na-amazonia-nao-e-no-indio-nem-na-porra-da-arvore-diz-bolsonaro.shtml\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">outubro<\/a>, referindo-se ao interesse de investimentos estrangeiros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13768\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/1230-altamira-sat-mine-img.png\" alt=\"\" width=\"1800\" height=\"1101\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/1230-altamira-sat-mine-img.png 1800w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/1230-altamira-sat-mine-img-300x184.png 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/1230-altamira-sat-mine-img-1024x626.png 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/1230-altamira-sat-mine-img-768x470.png 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/1230-altamira-sat-mine-img-1536x940.png 1536w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/1230-altamira-sat-mine-img-500x306.png 500w\" sizes=\"(max-width: 1800px) 100vw, 1800px\" \/><em>Imagens de sat\u00e9lite mostram uma extensa \u00e1rea de desmatamento na principal mina de cassiterita no oeste da Flona de Altamira. Pistas clandestinas de pouso e decolagem tamb\u00e9m podem ser vistas. Imagem da Planet Labs.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa ret\u00f3rica estimulou ainda mais a invas\u00e3o da Floresta Nacional, que j\u00e1 estava sob crescente press\u00e3o com o vasto desmatamento nas \u00e1reas adjacentes, diz Ant\u00f4nio Fonseca, do Imazon. A desfloresta\u00e7\u00e3o por parte de garimpeiros, agropecuaristas e madeireiros tem sido implac\u00e1vel principalmente na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.mongabay.com\/2019\/08\/ladroes-de-terra-intensificam-desmatamento-na-floresta-nacional-do-jamanxim\/\" data-wpel-link=\"internal\">Floresta Nacional do Jamanxim<\/a>, que fica ao sul da Flona de Altamira.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 muita press\u00e3o aqui\u201d, diz Fonseca. \u201cEsta regi\u00e3o \u00e9 muito, muito cr\u00edtica porque j\u00e1 temos muito desmatamento ao redor dela.\u201d<\/p>\n<p>Enquanto isso, os pre\u00e7os cada vez maiores do estanho incentivaram ainda mais os garimpeiros este ano, levando-os a invadir a Flona de Altamira, uma regi\u00e3o rica em minerais. Em mar\u00e7o de 2019,\u00a0<a href=\"https:\/\/markets.businessinsider.com\/commodities\/tin-price\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">os pre\u00e7os do estanho em todo o mundo atingiram a maior alta<\/a>\u00a0em mais de um ano, ajudada por um grande d\u00e9ficit j\u00e1 esperado e uma crescente demanda pelo metal, que \u00e9 usado em diversos produtos, desde celulares at\u00e9 pastas de dente. Desde ent\u00e3o, os pre\u00e7os do estanho v\u00eam caindo, com pequenos picos em setembro e dezembro.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, diferentemente da extra\u00e7\u00e3o de ouro, a minera\u00e7\u00e3o da cassiterita \u00e9 mais barata e mais f\u00e1cil, tornando a atividade especialmente atrativa para especuladores, de acordo com fontes locais. Os garimpeiros ilegais, muitos dos quais s\u00e3o pobres e iletrados, correram para a Flona de Altamira na esperan\u00e7a de ficarem ricos.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de\u00a0<a href=\"https:\/\/www3.socioambiental.org\/geo\/RAISGMapaOnline\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">450 garimpos ilegais<\/a>\u00a0na Amaz\u00f4nia brasileira, de acordo com a Rede Amaz\u00f4nica de Informa\u00e7\u00e3o Socioambiental Georreferenciada (RAISG), cons\u00f3rcio de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil. Milhares de garimpeiros ilegais trabalham exaustivamente nesses locais, extraindo recursos como estanho, ouro e n\u00edquel.<\/p>\n<p>\u201cEles veem a Amaz\u00f4nia como um lugar que deve ser explorado, que deve ser invadido\u201d, diz Danicley Aguiar, da campanha Amaz\u00f4nia do Greenpeace Brasil. \u201c\u00c9 um modelo de economia predat\u00f3ria.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13774\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/1231-altamira-s-map.png\" alt=\"\" width=\"1800\" height=\"1135\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/1231-altamira-s-map.png 1800w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/1231-altamira-s-map-300x189.png 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/1231-altamira-s-map-1024x646.png 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/1231-altamira-s-map-768x484.png 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/1231-altamira-s-map-1536x969.png 1536w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/1231-altamira-s-map-500x315.png 500w\" sizes=\"(max-width: 1800px) 100vw, 1800px\" \/><em>Imagens de sat\u00e9lite mostram atividades de desmatamento saindo das principais \u00e1reas de garimpo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Flona de Altamira. Imagens da Planet Labs acessadas atrav\u00e9s da Global Forest Watch.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Perdendo a batalha<\/strong><\/h3>\n<p>As autoridades t\u00eam tentado combater o garimpo ilegal na Flona de Altamira h\u00e1 anos, mas o recente pico das atividades indica que elas podem estar perdendo a guerra.<\/p>\n<p>Como os or\u00e7amentos dos \u00f3rg\u00e3os ambientais t\u00eam sofrido cortes dr\u00e1sticos nos \u00faltimos anos, a presen\u00e7a do estado na regi\u00e3o tem diminu\u00eddo significativamente. O Ibama, o ICMBio e a Funai t\u00eam sido for\u00e7ados a reduzir pessoal e a fechar postos de trabalho em partes remotas do Brasil, deixando os garimpeiros ilegais livres para invadir territ\u00f3rios protegidos sem medo de serem pegos.<\/p>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o das leis ambientais, j\u00e1 enfraquecida em governos anteriores, tem se deteriorado ainda mais no governo Bolsonaro. O n\u00famero de multas por crimes ambientais tem ca\u00eddo drasticamente desde que ele assumiu o cargo, atingindo a menor marca da d\u00e9cada. Al\u00e9m disso, no in\u00edcio do ano o presidente retirou alguns poderes do Ibama, principal \u00f3rg\u00e3o ambiental do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Recentemente, Bolsonaro enviou outro sinal positivo para garimpeiros e madeireiros quando interveio pessoalmente para impedir o Ibama de destruir m\u00e1quinas apreendidas durante uma inspe\u00e7\u00e3o em um territ\u00f3rio protegido em Roraima.<\/p>\n<p>Na Flona de Altamira, a presen\u00e7a cada vez menor do estado tem exercido um impacto significativo. Agentes ambientais fizeram inspe\u00e7\u00f5es na \u00e1rea protegida diversas vezes em 2016 e 2017, distribuindo multas e destruindo equipamentos, disseram as fontes. Por\u00e9m, as autoridades sumiram da \u00e1rea durante todo o ano de 2018 e retornaram este ano apenas porque a atividade garimpeira ressurgiu com for\u00e7a.<\/p>\n<p>Enquanto isso, os garimpeiros ilegais est\u00e3o ainda mais audaciosos, uma vez que o governo Bolsonaro sinalizou que pode estar do lado deles. No fim de outubro, eles\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pa\/para\/noticia\/2019\/10\/31\/garimpeiros-interditam-rodovias-no-para-ha-mais-de-30-horas-contra-fiscalizacoes-ambientais.ghtml\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">bloquearam diversas rodovias importantes\u00a0<\/a>\u00a0no Par\u00e1 e exigiram que o governo legalizasse a atividade e impedisse que os fiscais destru\u00edssem seus equipamentos.<\/p>\n<p>\u201cQuando esse tipo de discurso vem \u00e0 tona, \u00e9 natural que os garimpeiros sintam que o governo apoia a atividade deles\u201d, diz Danicley Aguiar, do Greenpeace. \u201cIsso cria expectativas.\u201d<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-13777\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Amazonian_manatee_Trichechus_inunguis.jpg\" alt=\"\" width=\"429\" height=\"340\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Amazonian_manatee_Trichechus_inunguis.jpg 1582w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Amazonian_manatee_Trichechus_inunguis-300x238.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Amazonian_manatee_Trichechus_inunguis-1024x812.jpg 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Amazonian_manatee_Trichechus_inunguis-768x609.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Amazonian_manatee_Trichechus_inunguis-1536x1218.jpg 1536w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Amazonian_manatee_Trichechus_inunguis-500x396.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 429px) 100vw, 429px\" \/><em>Os peixes-bois-da-amaz\u00f4nia que vivem na Flona de Altamira est\u00e3o amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o. Foto: Dirk Meyer via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Florestas perdidas, rios polu\u00eddos<\/strong><\/h3>\n<p>Nos \u00faltimos meses, a Floresta Nacional de Altamira tamb\u00e9m tem testemunhado o aumento do desmatamento impulsionado pela constru\u00e7\u00e3o de estradas clandestinas e pela agricultura ilegal, com os agropecuaristas transformando cada vez mais \u00e1reas de florestas em pastos.<\/p>\n<p>Por compara\u00e7\u00e3o, o garimpo geralmente causa menos destrui\u00e7\u00e3o nas florestas, mas pode deixar uma marca profunda nos ecossistemas e nos recursos h\u00eddricos. Na Flona, fontes locais apontam que o aumento repentino da atividade garimpeira \u00e9 o principal fator que contribuiu para a completa deteriora\u00e7\u00e3o da qualidade da \u00e1gua do Rio Aruri.<\/p>\n<p>Embora seja poss\u00edvel encontrar min\u00e9rio de estanho em solo rochoso, os dep\u00f3sitos com mais f\u00e1cil acesso est\u00e3o concentrados em c\u00f3rregos e ao longo das margens dos rios. Quando a floresta e a camada superior do solo s\u00e3o removidas da orla para extra\u00e7\u00e3o mineral, o solo e os res\u00edduos correm livremente em dire\u00e7\u00e3o ao rio quando chove.<\/p>\n<p>As minas de cassiterita tamb\u00e9m usam \u00e1gua dos rios vizinhos para extra\u00e7\u00e3o hidr\u00e1ulica e depois despejam a \u00e1gua em bacias e barragens de rejeitos pr\u00f3ximos.\u00a0<a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.1088\/1755-1315\/274\/1\/012139\/meta\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Uma pesquisa\u00a0<\/a>associou o res\u00edduo de min\u00e9rio de estanho, altamente t\u00f3xico, \u00e0 polui\u00e7\u00e3o do solo, da vegeta\u00e7\u00e3o, das \u00e1guas de superf\u00edcie e do len\u00e7ol fre\u00e1tco.<\/p>\n<p>No caso do ouro, em que o merc\u00fario geralmente \u00e9 usado no processo de extra\u00e7\u00e3o, o impacto na sa\u00fade de seres humanos e animais pode ser devastador. Estudos t\u00eam associado a exposi\u00e7\u00e3o ao elemento a doen\u00e7as de pele, infertilidade e defici\u00eancias cong\u00eanitas. O merc\u00fario tamb\u00e9m pode contaminar a popula\u00e7\u00e3o de peixes, percorrendo vastas dist\u00e2ncias e aumentando a toxicidade at\u00e9 a cadeia alimentar.<\/p>\n<p>A polui\u00e7\u00e3o come\u00e7a no Rio Aruri e se estende rio afora, contaminando outras regi\u00f5es e comunidades. Notavelmente, o Rio Ariri se conecta ao Rio Jamanxim, um rio maior que percorre diversas \u00e1reas protegidas, incluindo a Floresta Nacional de Itaituba e a \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental do Jamanxim. Poucos quil\u00f4metros acima, o Rio Jamanxim tamb\u00e9m des\u00e1gua no Rio Tapaj\u00f3s, um importante afluente do Rio Amazonas.<\/p>\n<p>Os ativistas da regi\u00e3o tamb\u00e9m temem o impacto nas \u00e1reas protegidas vizinhas, como as terras ind\u00edgenas Xipaya, Kuruay\u00e1 e Bau. Na Amaz\u00f4nia brasileira, cerca de 18 reservas j\u00e1 foram invadidas por garimpeiros ilegais, de acordo com a RAISG. \u201cH\u00e1 uma grande press\u00e3o dos garimpeiros sobre as terras ind\u00edgenas\u201d, disse Danicley Aguiar.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o no entorno da Flona de Altamira tamb\u00e9m abriga comunidades ribeirinhas e outras comunidades tradicionais, cujos membros colhem castanha-do-brasil na floresta. Essas comunidades geralmente contam com os rios locais para pescar e sustentar seus estilos de vida tradicionais.<\/p>\n<p>Conservacionistas e ativistas que trabalham na \u00e1rea dizem que a invas\u00e3o da regi\u00e3o, aliada \u00e0 polui\u00e7\u00e3o dos recursos h\u00eddricos da \u00e1rea, pode causar impactos prejudiciais na sa\u00fade e no sustento daqueles que dependem da floresta para sobreviver.<\/p>\n<p>\u201cO problema \u00e9 que, quando voc\u00ea contamina a \u00e1gua, os impactos se deslocam\u201d, diz Danicley Aguiar, do Greenepeace. \u201cUma mina tem o poder de impactar milhares de pessoas, e isso pode afetar gera\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Nota do editor:<\/em><\/strong><em>\u00a0Esta mat\u00e9ria contou com o apoio da\u00a0<\/em><a href=\"https:\/\/blog.globalforestwatch.org\/places-to-watch\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\"><em>Places to Watch<\/em><\/a><em>, iniciativa da Global Forest Watch (GFW) criada para identificar rapidamente perdas de florestas em todo o mundo e impulsionar a investiga\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas.<\/em>\u00a0<em>A Places to Watch combina dados de sat\u00e9lite em tempo quase real com algoritmos automatizados e intelig\u00eancia em campo para identificar novas \u00e1reas mensalmente. Em parceria com a Mongabay, a GFW est\u00e1 apoiando o jornalismo de dados fornecendo dados e mapas gerados pela Places to Watch. A Mongabay tem completa independ\u00eancia editorial para publicar mat\u00e9rias com o uso desses dados<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> <a href=\"https:\/\/brasil.mongabay.com\/2020\/03\/mineracao-ilegal-de-estanho-deixa-rastro-de-destruicao-na-floresta-nacional-de-altamira\/\">https:\/\/brasil.mongabay.com\/2020\/03\/mineracao-ilegal-de-estanho-deixa-rastro-de-destruicao-na-floresta-nacional-de-altamira\/<\/a>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Floresta Nacional de Altamira ocupa cerca de 700 mil hectares no Par\u00e1 e abriga uma rica diversidade de plantas e animais, incluindo diversas esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Recentemente, o fluxo de garimpo ilegal tem causado o desmatamento desenfreado da floresta e polu\u00eddo os rios. O alvo dos garimpeiros \u00e9 a cassiterita, principal min\u00e9rio do estanho. Al\u00e9m disso, a agropecu\u00e1ria ilegal e a constru\u00e7\u00e3o de estradas tamb\u00e9m est\u00e3o contribuindo para o desflorestamento da reserva.<\/p>\n<p>O governo interveio no in\u00edcio do ano para dar fim \u00e0 atividade ilegal, mas imagens de sat\u00e9lite mostram que o desmatamento ao redor das minas voltou a aumentar em outubro.<\/p>\n<p>Conservacionistas e ativistas temem que a ret\u00f3rica e as mudan\u00e7as nas pol\u00edticas do governo Bolsonaro estejam estimulando as invas\u00f5es na Flona de Altamira e outras \u00e1reas protegidas que constituem importantes ref\u00fagios para a vida selvagem e as comunidades ind\u00edgenas.<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":13770,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-13788","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-radar","category-2","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13788","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13788"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13788\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13790,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13788\/revisions\/13790"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13770"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13788"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13788"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13788"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}