{"id":16471,"date":"2020-07-20T14:26:53","date_gmt":"2020-07-20T17:26:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/radar\/por-dentro-do-garimpo-ilegal-de-ouro-na-amazonia\/"},"modified":"2020-07-20T14:28:21","modified_gmt":"2020-07-20T17:28:21","slug":"por-dentro-do-garimpo-ilegal-de-ouro-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/radar\/por-dentro-do-garimpo-ilegal-de-ouro-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Por dentro do garimpo ilegal de ouro na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Por Fabio Nascimento (fotos) e Gustavo Faleiros (texto)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Mongabay Brasil<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>20 de julho de 2020<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<ul>\n<li>Acompanhamos o dia a dia dos empres\u00e1rios e trabalhadores das dragas de ouro no Rio Madeira, em Rond\u00f4nia. Apesar de ser uma atividade ilegal, a extra\u00e7\u00e3o funciona abertamente diante da capital Porto Velho.<\/li>\n<li>A atividade ocorre com investimentos em equipamentos caros e m\u00e3o de obra barata. Cada trabalhador recebe 12% de comiss\u00e3o por turnos que chegam a durar 20 horas seguidas.<\/li>\n<li>Cota\u00e7\u00e3o recorde do ouro este ano fez os garimpos ilegais avan\u00e7arem na Amaz\u00f4nia em plena pandemia, oferecendo\u00a0fonte de trabalho em meio \u00e0 crise econ\u00f4mica.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: center;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16459\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/dredgers-lined-up-on-shore.jpg\" alt=\"\" width=\"1210\" height=\"776\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/dredgers-lined-up-on-shore.jpg 1210w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/dredgers-lined-up-on-shore-300x192.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/dredgers-lined-up-on-shore-1024x657.jpg 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/dredgers-lined-up-on-shore-768x493.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/dredgers-lined-up-on-shore-500x321.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 1210px) 100vw, 1210px\" \/><em>As dragas passam o dia estacionadas na margem do Rio Madeira oposta a Porto Velho, \u00e0 espera do processo de garimpo, que ocorre \u00e0 noite.<\/em><\/p>\n<p>De cima da ponte sobre o Rio Madeira, era poss\u00edvel enxergar grandes sombras movendo-se lentamente no escuro. Pareciam barcos fantasmas, cujos motores se podia escutar apenas vagamente. Alguns raros e pequenos pontos de luz eram vistos, como guirlandas de embarca\u00e7\u00f5es pesqueiras naquele mar de \u00e1gua doce.<\/p>\n<p>O que est\u00e1vamos presenciando eram balsas clandestinas em retirada; dragas de minera\u00e7\u00e3o de ouro recuando do centro do enorme rio para seus locais de repouso. A raz\u00e3o para o toque de recolher? Havia, nos grupos de Whatsapp, mensagens de que aquele n\u00e3o seria um bom dia para trabalhar. Rumores de que uma fiscaliza\u00e7\u00e3o ocorreria naquela noite espantavam os garimpeiros e suas m\u00e1quinas.<\/p>\n<p>Uma draga \u00e9 como um animal com duas trombas gigantes que submergem com guindastes nas profundezas do rio buscando fa\u00edscas do metal precioso em meio a lodo, areia e pedras.<\/p>\n<p>Atividade ilegal, a minera\u00e7\u00e3o de ouro em dragas ocorre, ali, somente durante \u00e0 noite, ainda que durante o dia estas m\u00e1quinas flutuantes estejam vis\u00edveis, estacionadas nos barrancos do Rio Madeira, bem em frente \u00e0 cidade de Porto Velho, capital de Rond\u00f4nia.<\/p>\n<p>Impulsionados pela demanda incessante pelo metal precioso, milhares de trabalhadores arriscam suas vidas em um trabalho insalubre e constantemente alvo de a\u00e7\u00f5es de combate ao crime. Tanto risco \u00e9 compensado pela alta dos pre\u00e7os do ouro. Neste momento, ele se encontra em seu n\u00edvel mais alto em uma d\u00e9cada \u2014 US$ 1.700 a on\u00e7a, ou US$ 54 a grama<\/p>\n<p>Se n\u00e3o de noite, ainda muito cedo, nas primeiras horas da manh\u00e3, os garimpos flutuantes podem ser observados em todo seu esplendor. \u00c9 neste momento quando os trabalhadores das dragas, sempre acompanhados pelo dono da opera\u00e7\u00e3o, batem os tapetes com areia para extrair fa\u00edscas de ouro que depois ser\u00e3o amalgamadas com merc\u00fario. Tudo nas margens do rio, onde toneladas de sedimentos contaminados v\u00e3o sendo descartados sem qualquer cuidado.<\/p>\n<p>Parece haver algum acordo t\u00e1cito de que os garimpeiros devem ocupar-se apenas da por\u00e7\u00e3o mais ao norte do rio. Ao sul, est\u00e1 a Reserva de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel do Rio Madeira, uma unidade de conserva\u00e7\u00e3o estadual, onde em teoria, apenas ali, seria proibida a explora\u00e7\u00e3o mineral.<\/p>\n<p>Os donos da dragas se orgulham por se manter fora da \u00e1rea de reserva, como se isso os livrasse do fato incontest\u00e1vel de que est\u00e3o atuando na ilegalidade: a falta de uma licen\u00e7a. No Brasil, n\u00e3o existe explora\u00e7\u00e3o mineral sem uma lavra garimpeira. Nenhuma daquelas balsas possui tal autoriza\u00e7\u00e3o, e por isso, naquela noite, a atividade teve que ser abortada diante da mera possibilidade de que agentes da Marinha, da Pol\u00edcia Federal ou de \u00f3rg\u00e3os ambientais pudessem estar em a\u00e7\u00e3o na \u00e1rea.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16456\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/BANNER-IMAGE-GOLD-2.jpg\" alt=\"\" width=\"1210\" height=\"805\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/BANNER-IMAGE-GOLD-2.jpg 1210w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/BANNER-IMAGE-GOLD-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/BANNER-IMAGE-GOLD-2-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/BANNER-IMAGE-GOLD-2-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/BANNER-IMAGE-GOLD-2-500x333.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 1210px) 100vw, 1210px\" \/><em>Com suas mangueiras que alcan\u00e7am o fundo do rio, as dragas passam a noite buscando o ouro em meio a lodo, areia e pedras.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>20 horas de trabalho seguidas\u00a0<\/strong><\/h3>\n<p>No in\u00edcio de outubro de 2019, pudemos acompanhar algumas noites de trabalho a bordo de uma draga em Porto Velho.<\/p>\n<p>A balsa come\u00e7a a funcionar por volta das 19h, quando liga seus dois potentes motores de dragagem, com 165 CV (cavalos de pot\u00eancia) cada um. As mangueiras, ent\u00e3o, passam a sugar o lodo do fundo do rio e lan\u00e7ar a \u00e1gua barrenta em uma esp\u00e9cie de cascata artificial onde tapetes grossos ret\u00eam os sedimentos mais pesados.<\/p>\n<p>\u00c9 um ambiente insalubre, agitado pelo intenso barulho das m\u00e1quinas, que queimam cerca 100 litros de diesel por noite. Al\u00e9m disso, o \u00e2ngulo dos grandes tubos de pl\u00e1stico (com di\u00e2metros de 30 cm a 60 cm)\u00a0 precisa estar sempre ajustado. Quando um deles se desprende dos guindastes, um dos trabalhadores tem que se jogar no rio, em plena noite, e mergulhar para ajustar as cordas que o mant\u00eam preso \u00e0 balsa.<\/p>\n<p>Os turnos de trabalho s\u00e3o extremamente exaustivos, e grande parte ocorre durante a madrugada. S\u00e3o cerca de 20 horas seguidas, contando-se do momento em que os trabalhadores chegam para preparar os equipamentos at\u00e9 a manh\u00e3 seguinte, quando as dragas desligam os motores e come\u00e7a o processo de lavagem dos tapetes.<\/p>\n<p>No turno que acompanhamos, o total de ouro obtido foi de 10 gramas \u2014 cerca de R$ 3.000 por aquelas 20 horas de trabalho. A comiss\u00e3o dada aos trabalhadores \u00e9 de 12%.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16453\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/gold-soup.jpg\" alt=\"\" width=\"1210\" height=\"797\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/gold-soup.jpg 1210w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/gold-soup-300x198.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/gold-soup-1024x674.jpg 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/gold-soup-768x506.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/gold-soup-500x329.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 1210px) 100vw, 1210px\" \/><em>Lodo do fundo do Rio Madeira chega \u00e0 draga, dando in\u00edcio ao processo de garimpo do ouro.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Mercado promissor<\/strong><\/h3>\n<p>Isto tudo ocorreu nas primeiras semanas de outubro. O cen\u00e1rio econ\u00f4mico parecia muito promissor para J\u00fanior (nome fict\u00edcio), o dono da draga. Ele \u00e9 um rapaz jovem, na casa dos 30 anos, que havia trabalhado como operador nas dragas de um velho garimpeiro na divisa de Rond\u00f4nia com o Acre, na Ponta do Abun\u00e3. O antigo chefe, ao ver sua dedica\u00e7\u00e3o, ofereceu-lhe uma oferta para comprar a draga. Para J\u00fanior foi uma \u00f3tima oportunidade, pois a embarca\u00e7\u00e3o saiu abaixo do pre\u00e7o de mercado, ainda que ele siga trabalhando para pag\u00e1-la.<\/p>\n<p>Ali, no Rio Madeira, navegando durante o dia, uma pessoa vai ver toda uma variedade de dragas \u2014 grandes, m\u00e9dias e pequenas. O que estabelece seu valor n\u00e3o \u00e9 apenas o tamanho, mas a pot\u00eancia dos motores e o tamanho dos tubos, algo que determinar\u00e1 quanto sedimento \u00e9 poss\u00edvel sugar do fundo do rio.<\/p>\n<p>J\u00fanior nos conta que o pre\u00e7o das dragas varia de R$ 100 mil a R$ 1 milh\u00e3o. Uma informa\u00e7\u00e3o de investigadores do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal identificou investimentos que podem chegar a R$ 2 milh\u00f5es nas atividades garimpeiras do Rio Madeira<\/p>\n<p>Quem conversa com os homens e mulheres que se dedicam a esta atividade, logo nota que eles a defendem como uma forma honesta de se trabalhar. A narrativa \u00e9 refor\u00e7ada pelo presidente Jair Bolsonaro, que j\u00e1 manifestou explicitamente o apoio aos garimpeiros, lembrando que ele pr\u00f3prio j\u00e1 esteve envolvido na atividade no passado \u2014\u00a0<a href=\"https:\/\/theintercept.com\/2018\/11\/05\/passado-garimpeiro-bolsonaro\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">seu pai extraiu ouro<\/a>\u00a0em Serra Pelada nos anos 1980.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16450\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Imagem3.png\" alt=\"\" width=\"902\" height=\"602\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Imagem3.png 902w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Imagem3-300x200.png 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Imagem3-768x513.png 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Imagem3-500x334.png 500w\" sizes=\"(max-width: 902px) 100vw, 902px\" \/><em>Depois de trabalharem a noite inteira sugando o lodo do fundo do rio, os trabalhadores das dragas t\u00eam que bater os tapetes para tirar a areia e lama e separar o ouro.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16447\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Imagem2.png\" alt=\"\" width=\"902\" height=\"602\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Imagem2.png 902w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Imagem2-300x200.png 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Imagem2-768x513.png 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Imagem2-500x334.png 500w\" sizes=\"(max-width: 902px) 100vw, 902px\" \/><em>O processo de fa\u00edscagem: em uma bateia, o ouro vai depositando no fundo com os movimentos r\u00e1pidos e circulares. O processo, geralmente, \u00e9 liderado pelo dono ou o gerente da draga<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16462\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Imagem5.png\" alt=\"\" width=\"902\" height=\"602\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Imagem5.png 902w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Imagem5-300x200.png 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Imagem5-768x513.png 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Imagem5-500x334.png 500w\" sizes=\"(max-width: 902px) 100vw, 902px\" \/><em>Merc\u00fario queimando em um cadinho improvisado dentro da draga. Embora mencionem o risco \u00e0 sa\u00fade da exposi\u00e7\u00e3o ao vapor do merc\u00fario, os trabalhadores n\u00e3o parecem se preocupar.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Nova corrida do ouro<\/strong><\/h3>\n<p>Um ponto em que os especialistas est\u00e3o todos de acordo \u00e9 que qualquer imagem de romantismo que um dia existiu sobre os garimpos deve ser desfeita. O trabalho rudimentar do homem e sua bateia faiscando pepitas no leito do rio j\u00e1 n\u00e3o existe.<\/p>\n<p>O setor tem cada vez maior capacidade de investimento. \u201cGarimpo tem especificidade econ\u00f4mica\u201d, pontuou o ge\u00f3logo e presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral, Luiz Ant\u00f4nio Venassi. Durante recente\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=07rPGDp2gTA\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">webinar promovido pelo Instituto Escolhas<\/a>, ele disse que\u00a0 \u201co garimpo \u00e9 cada vez mais t\u00e9cnico e com capacidade de produ\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com um relat\u00f3rio recentemente publicado pelo Instituto Escolhas, houve um aumento de 15% nas exporta\u00e7\u00f5es de ouro pelo pa\u00eds nos primeiros quatro meses de 2020. N\u00e3o existem d\u00favidas que parte deste ouro foi obtida de maneira ilegal. Sem permiss\u00e3o de lavra garimpeira e sem licenciamento ambiental, os garimpeiros n\u00e3o poderiam em teoria comercializar o ouro junto \u00e0s DTVMs (sigla para os agentes autorizados para a compra do ouro), mas valem-se de autoriza\u00e7\u00f5es de outras lavras para justificar a venda.<\/p>\n<p>De acordo com os especialistas, esse momento de pandemia apenas desnuda uma situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 vista h\u00e1 muito tempo:\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.mongabay.com\/2020\/07\/em-plena-pandemia-extracao-de-ouro-aumenta-na-amazonia\/\" data-wpel-link=\"internal\">uma nova corrida pelo ouro na Amaz\u00f4nia<\/a>.<\/p>\n<p>Uma das hip\u00f3teses compartilhada entre muitos \u00e9 de que o garimpo ser\u00e1 um motor econ\u00f4mico para uma regi\u00e3o j\u00e1 t\u00e3o afetada como \u00e9 a Amaz\u00f4nia. Seja pelo bom pre\u00e7o, ou a estabilidade que representa, o ouro \u00e9 um ativo que se destaca nos momentos de crise. E garantia de trabalho em cen\u00e1rios de amplo desemprego.<\/p>\n<p>O governo Bolsonaro reconhece a ilegalidade do com\u00e9rcio de ouro no Brasil, mas sustenta que \u00e9 dificilmente combat\u00ea-la, sobretudo nas \u00e1reas mais remotas da Amaz\u00f4nia. Segundo Frederico Bedran, diretor de Geologia do Minist\u00e9rio de Minas e Energia, \u201co garimpo n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de pol\u00edcia, \u00e9 uma quest\u00e3o social. Pol\u00edticas isoladas, seja ambiental ou mineral, n\u00e3o v\u00e3o resolver.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16466\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Imagem1-2-1.png\" alt=\"\" width=\"902\" height=\"602\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Imagem1-2-1.png 902w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Imagem1-2-1-300x200.png 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Imagem1-2-1-768x513.png 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Imagem1-2-1-500x334.png 500w\" sizes=\"(max-width: 902px) 100vw, 902px\" \/><em>Uma draga garimpeira no Rio Madeira pode custar de R$ 100 mil a R$ 1 milh\u00e3o. Embora o investimento seja alto, o aumento na cota\u00e7\u00e3o do ouro tem proporcionado oportunidades de riqueza em meio \u00e0 pandemia de covid-19.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>https:\/\/brasil.mongabay.com\/2020\/07\/por-dentro-do-garimpo-ilegal-de-ouro-na-amazonia\/[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acompanhamos o dia a dia dos empres\u00e1rios e trabalhadores das dragas de ouro no Rio Madeira, em Rond\u00f4nia. Apesar de ser uma atividade ilegal, a extra\u00e7\u00e3o funciona abertamente diante da capital Porto Velho. <\/p>\n<p>A atividade ocorre com investimentos em equipamentos caros e m\u00e3o de obra barata. Cada trabalhador recebe 12% de comiss\u00e3o por turnos que chegam a durar 20 horas seguidas. <\/p>\n<p>Cota\u00e7\u00e3o recorde do ouro este ano fez os garimpos ilegais avan\u00e7arem na Amaz\u00f4nia em plena pandemia, oferecendo fonte de trabalho em meio \u00e0 crise econ\u00f4mica.<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":16449,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-16471","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-radar","category-2","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16471","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16471"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16471\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16477,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16471\/revisions\/16477"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16449"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16471"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16471"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16471"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}