{"id":17741,"date":"2020-09-01T11:12:31","date_gmt":"2020-09-01T14:12:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/radar\/desmatamento-e-covid-19-explodem-em-terras-indigenas-mais-invadidas-da-amazonia\/"},"modified":"2020-09-03T11:28:09","modified_gmt":"2020-09-03T14:28:09","slug":"desmatamento-e-covid-19-explodem-em-terras-indigenas-mais-invadidas-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/radar\/desmatamento-e-covid-19-explodem-em-terras-indigenas-mais-invadidas-da-amazonia\/","title":{"rendered":"Desmatamento e Covid-19 explodem em Terras Ind\u00edgenas mais invadidas da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Edi\u00e7\u00e3o e reportagem: Clara Roman e Oswaldo Braga de Souza<\/strong><br \/>\n<strong>Pesquisa e an\u00e1lise de dados: Antonio Oviedo e Tiago Moreira dos Santos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Instituto Socioambiental<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>01 de setembro de 2020<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Amaz\u00f4nia brasileira<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><em>Devasta\u00e7\u00e3o cresce 827% na TI Trincheira-Bacaj\u00e1 (PA), segundo levantamento do ISA. Ap\u00f3s seis meses de pandemia, governo ainda n\u00e3o tem plano para conter Covid-19 entre ind\u00edgenas<\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Grileiros, garimpeiros e madeireiros ilegais n\u00e3o fazem home office. Na pandemia, as invas\u00f5es \u00e0s Terras Ind\u00edgenas (TIs) cresceram exponencialmente, ampliando o risco e a dissemina\u00e7\u00e3o da Covid-19 entre suas popula\u00e7\u00f5es, sem que o governo agisse e sequer tenha um planejamento adequado para conter o problema, seis meses ap\u00f3s o in\u00edcio da crise de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Nas TIs Trincheira-Bacaj\u00e1, Kayap\u00f3 e Mundurucu, no sudoeste do Par\u00e1, o desmatamento aumentou, respectivamente, 827%, 420% e 238%, entre mar\u00e7o e julho. Elas est\u00e3o no grupo das sete terras homologadas (com demarca\u00e7\u00e3o conclu\u00edda) mais invadidas da Amaz\u00f4nia Legal, junto com as TIs Karipuna e Uru-Eu-Wau-Wau (RO), Ararib\u00f3ia (MA) e Yanomami (AM\/RR). No per\u00edodo de chegada e crescimento da epidemia no pa\u00eds, foram destru\u00eddos 2,4 mil hectares de florestas nas sete \u00e1reas, o equivalente a 15 vezes o Parque do Ibirapuera, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-17714\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/isa-tabela-v1-02_versao_2.png\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"193\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/isa-tabela-v1-02_versao_2.png 700w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/isa-tabela-v1-02_versao_2-300x83.png 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/isa-tabela-v1-02_versao_2-500x138.png 500w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O levantamento foi feito pelo\u00a0<strong>ISA<\/strong>\u00a0com base no Sistema de Detec\u00e7\u00e3o do Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e no Sistema de Indica\u00e7\u00e3o por Radar de Desmatamento (Sirad), da rede de organiza\u00e7\u00f5es Xingu+. Os dados captam corte raso, a destrui\u00e7\u00e3o completa da vegeta\u00e7\u00e3o, produzida para a grilagem, agropecu\u00e1ria e pelo garimpo.<\/p>\n<p>Os casos de Covid-19 dispararam nesses territ\u00f3rios. Nos Distritos Sanit\u00e1rios Especiais Ind\u00edgenas (Dseis) que atendem as TIs Karipuna, Yanomami e Kayap\u00f3, os registros saltaram, respectivamente, 355%, 215% e 138%, entre 7\/7 e 29\/8. Os Dseis onde est\u00e3o as sete \u00e1reas somam ao todo mais de cinco mil casos at\u00e9 agora. Apesar de atendida pelo Dsei de Porto Velho, como a TI Karipuna, a TI Uru-Eu-Wau-Wau (RO) \u00e9 a \u00fanica das sete terras sem registro da enfermidade, conforme informa\u00e7\u00f5es da Kanind\u00e9 Associa\u00e7\u00e3o de Defesa Etnoambiental. Em geral, cada Dsei atende mais de um territ\u00f3rio, mas nem todos divulgam dados por TI.<\/p>\n<p>Os munic\u00edpios que abarcam os sete territ\u00f3rios, onde circulam os invasores, j\u00e1 somam, ao menos, 64,7 mil casos. S\u00f3 em Nova Mamor\u00e9 e Porto Velho (RO), onde est\u00e1 a TI Karipuna, s\u00e3o 24,4 mil. Os dados sobre munic\u00edpios s\u00e3o da plataforma Brasil.io.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o tende a ser pior. As estat\u00edsticas da Secretaria Especial de Sa\u00fade Ind\u00edgena (Sesai), subordinada ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e a qual os Dseis est\u00e3o vinculados, s\u00e3o vistas com reserva, como todas as estimativas oficiais da epidemia no pa\u00eds, em fun\u00e7\u00e3o da subnotifica\u00e7\u00e3o. O movimento ind\u00edgena critica a falta de testes e transpar\u00eancia do \u00f3rg\u00e3o. Al\u00e9m disso, desde o in\u00edcio da crise de sa\u00fade, a secretaria n\u00e3o notificou casos e mortes de ind\u00edgenas ocorridos nas cidades. Enquanto a Sesai apontava 380 \u00f3bitos e mais de 23,1 mil casos, nesta segunda (31\/8), o\u00a0<a href=\"http:\/\/emergenciaindigena.apib.info\/dados_covid19\/\">Comit\u00ea pela Vida e Mem\u00f3ria Ind\u00edgena<\/a>\u00a0da Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (Apib) anotava 757 vidas perdidas, mais de 28,8 mil casos e 156 povos afetados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-17717\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/dseis_0.png\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"286\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/dseis_0.png 696w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/dseis_0-300x123.png 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/dseis_0-500x205.png 500w\" sizes=\"(max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Decis\u00e3o no STF e a pol\u00eamica da extrus\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>O pedido da retirada dos invasores (extrus\u00e3o) das sete TIs consta das medidas emergenciais solicitadas na\u00a0<a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/nsa\/arquivos\/pedido_apib_pandemia_saude_indigna_stf.pdf\">Argui\u00e7\u00e3o de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF)<\/a>\u00a0apresentada pela Apib ao Supremo Tribunal Federal (STF), em junho. Esse tipo de a\u00e7\u00e3o busca evitar ou reparar dano a algum princ\u00edpio b\u00e1sico da Constitui\u00e7\u00e3o fruto de ato ou omiss\u00e3o do Estado.<\/p>\n<p>Em 7\/7, o ministro Lu\u00eds Roberto Barroso concedeu uma liminar, atendendo quase todos os pedidos feitos na ADPF. Inicialmente, estipulou que o governo fizesse apenas a \u201cconten\u00e7\u00e3o e isolamento\u201d dos invasores. \u201cIndefiro, por ora, o pedido de retirada dos invasores diante do risco que pode oferecer \u00e0 vida, \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 seguran\u00e7a das comunidades\u201d, justificou. Barroso fez uma ressalva, contudo: \u201c\u00e9 dever da Uni\u00e3o equacionar o problema das invas\u00f5es e desenvolver um plano de desintrus\u00e3o\u201d. E acrescentou que, se isso n\u00e3o fosse feito em prazo razo\u00e1vel, poderia tomar novas provid\u00eancias.<\/p>\n<p>O ministro determinou tamb\u00e9m que a administra\u00e7\u00e3o federal garanta assist\u00eancia aos ind\u00edgenas no campo e na cidade, em TIs com demarca\u00e7\u00e3o j\u00e1 conclu\u00edda ou n\u00e3o; a implanta\u00e7\u00e3o de barreiras sanit\u00e1rias em \u00e1reas com grupos isolados e de recente contato; al\u00e9m da cria\u00e7\u00e3o de uma \u201csala de situa\u00e7\u00e3o\u201d, para definir estrat\u00e9gias para essas comunidades. A decis\u00e3o tamb\u00e9m instituiu um grupo de trabalho, composto por representantes do governo, ind\u00edgenas, Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), entre outros, para propor um plano geral contra a Covid-19 entre as comunidades de todo o Brasil (<a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/noticias-socioambientais\/stf-confirma-liminar-obrigando-governo-bolsonaro-a-combater-covid-19-entre-povos-indigenas\">saiba mais<\/a>).<\/p>\n<p>Quase um m\u00eas depois, o plen\u00e1rio do STF referendou integralmente a liminar. A pol\u00eamica ficou por conta da quest\u00e3o das invas\u00f5es. Os advogados que falaram em nome da Apib lembraram a amea\u00e7a de genoc\u00eddio aos isolados &#8211; em geral, grupos pequenos localizados em \u00e1reas remotas, que dificultam a retirada de doentes, e que podem ser exterminados em pouco tempo por um v\u00edrus que se espalha velozmente. Os ministros Edson Fachin e Ricardo Lewandowski insistiram na urg\u00eancia das extrus\u00f5es e chegaram a sugerir prazos para as opera\u00e7\u00f5es, mas foram voto vencido.<\/p>\n<p>Para rejeitar o pedido de retirada dos invasores, o ministro Alexandre de Moraes alegou que seria preciso contar com psic\u00f3logos e assistentes sociais, al\u00e9m de for\u00e7as policiais, por causa da presen\u00e7a de fam\u00edlias, mulheres e crian\u00e7as nas invas\u00f5es. O advogado-geral da Uni\u00e3o, Jos\u00e9 Levi Mello do Amaral J\u00fanior, chegou a defender que o grande n\u00famero de pessoas, \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e inst\u00e2ncias envolvidos exigiria a decreta\u00e7\u00e3o de uma opera\u00e7\u00e3o de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) (<a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/noticias-socioambientais\/stf-confirma-liminar-obrigando-governo-bolsonaro-a-combater-covid-19-entre-povos-indigenas\">saiba mais<\/a>).<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o conhe\u00e7o os dados nos quais ele [o advogado-geral] teria se baseado para falar isso, mas concordo com a assertiva de que tem se feito opera\u00e7\u00f5es de desintrus\u00e3o sem essa necessidade [de GLO]\u201d, contrap\u00f5e a procuradora Eliana Torelly, coordenadora da 6\u00aa C\u00e2mara do MPF, que trata dos direitos ind\u00edgenas. \u201cPenso que \u00e9 quest\u00e3o de dotar os \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o de uma melhor estrutura\u201d, argumenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-17720\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/isa-infografico-1920-1.png\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"764\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/isa-infografico-1920-1.png 700w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/isa-infografico-1920-1-275x300.png 275w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/isa-infografico-1920-1-500x546.png 500w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Grupo de trabalho<\/strong><\/h3>\n<p>No dia 21\/8, em despacho, Barroso acatou cr\u00edticas e pedidos de revis\u00e3o da Apib e dos especialistas que a assessoram em rela\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0<a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/noticias-socioambientais\/governo-exclui-70-de-terras-indigenas-do-plano-de-combate-a-covid-19\">primeira vers\u00e3o do plano geral de enfrentamento \u00e0 Covid-19 apresentada pela gest\u00e3o federal<\/a>. O documento listava a\u00e7\u00f5es j\u00e1 realizadas sem propor iniciativas futuras com objetivos, metas e indicadores. Barroso fixou o prazo de 7\/9 para apresenta\u00e7\u00e3o de uma nova vers\u00e3o do texto e informou que vai criar outro grupo de trabalho, sobre o tema da extrus\u00e3o, mas s\u00f3 depois de aprovados os planos geral e para isolados. Por determina\u00e7\u00e3o do ministro, o governo entregou os dados epidemiol\u00f3gicos e sobre assist\u00eancia nos territ\u00f3rios ind\u00edgenas, na \u00faltima sexta (28).<\/p>\n<p>\u201cEstamos patinando por conta da inefici\u00eancia do corpo t\u00e9cnico do governo Bolsonaro. N\u00e3o \u00e9 nem s\u00f3 inefici\u00eancia, mas tamb\u00e9m uma posi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o se fazer com efetividade\u201d, critica Lu\u00eds Eloy Terena, advogado da Apib. A entidade elaborou um\u00a0<a title=\"documento \" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/nsa\/arquivos\/anexo_4_-_resumo_das_medidas_para_contencao_e_isolamento_de_invasores_nas_7_terras_indigenas_.pdf\">documento\u00a0<\/a>com um resumo das a\u00e7\u00f5es que devem ser realizadas em cada uma das sete \u00e1reas para neutralizar as invas\u00f5es.<\/p>\n<h3><strong>Extrus\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel na pandemia, dizem t\u00e9cnicos e MPF<\/strong><\/h3>\n<p>Conforme o tamanho e complexidade de uma extrus\u00e3o, podem ser envolvidos, al\u00e9m da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai), a Pol\u00edcia Federal (PF), o Insituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), pol\u00edcias estaduais, For\u00e7a Nacional ou Ex\u00e9rcito. Quando a a\u00e7\u00e3o \u00e9 muito grande, pode envolver diferentes minist\u00e9rios e ter uma coordena\u00e7\u00e3o em algum deles, como o da Justi\u00e7a ou Casa Civil.<\/p>\n<p>A procuradora Eliana Torelly pondera que, em sua decis\u00e3o, o ministro Barroso buscou dar tempo ao governo para organizar com calma as a\u00e7\u00f5es, mas concorda que \u00e9 poss\u00edvel viabiliz\u00e1-las neste momento. \u201cMuitas vezes, mais f\u00e1cil do que instalar barreiras \u00e9 fazer as opera\u00e7\u00f5es para retirar essas pessoas\u201d, destaca.<\/p>\n<p>T\u00e9cnicos do Ibama e da Funai confirmam a mesma coisa, desde que sejam seguidos protocolos de sa\u00fade e seguran\u00e7a adequados. Explicam que h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es diferentes nas sete \u00e1reas listadas na a\u00e7\u00e3o da Apib, que demandam abordagens espec\u00edficas. No caso do roubo de madeira, do garimpo de pequena e m\u00e9dia escala, em geral n\u00e3o h\u00e1 ocupa\u00e7\u00e3o permanente e o n\u00famero de invasores \u00e9 menor. Nesses casos, bastariam algumas dezenas de agentes e recursos financeiros pr\u00f3prios do Ibama, Funai e PF.<\/p>\n<p>Os servidores ressaltam que, mesmo no caso mais complexo da TI Yanomami, onde haveria cerca de 20 mil garimpeiros, com planejamento e investimento em intelig\u00eancia podem ser iniciadas medidas para estrangular o fornecimento de combust\u00edvel, alimenta\u00e7\u00e3o e insumos dos intrusos, o que os obrigaria a se retirar do territ\u00f3rio, sem contato com fiscais e policiais.<\/p>\n<p>\u201cFazer uma opera\u00e7\u00e3o de fiscaliza\u00e7\u00e3o, para desestruturar um garimpo \u00e9 muito mais simples do que entrar para retirar fam\u00edlias\u201d, conta um agente do Ibama com 15 anos de experi\u00eancia, inclusive em cargos de coordena\u00e7\u00e3o, e que prefere n\u00e3o se identificar.<\/p>\n<p>Ele lembra que, no passado, antes da pandemia, a complexidade das opera\u00e7\u00f5es e o n\u00famero de invasores j\u00e1 tinham sido usados como desculpa para a ina\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o estou dando equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual para os servidores? N\u00e3o estou tendo cuidado com os servidores? Se, de fato, isso n\u00e3o tem, a\u00ed voc\u00ea n\u00e3o pode expor o servidor a um risco maior. Mas, se voc\u00ea der as condi\u00e7\u00f5es suficientes para atuar ali dentro, \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o legal\u201d, conclui.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel fazer a coisa organizada\u201d, diz um servidor da Funai com dez anos de experi\u00eancia no combate \u00e0s invas\u00f5es. \u201cA pol\u00edcia deixou de atuar? Assalto a banco est\u00e1 acontecendo para todo lado. A pol\u00edcia n\u00e3o deixou de atuar na cidade. \u00c9 muito mais simples fazer uma opera\u00e7\u00e3o dessa, numa \u00e1rea de amplitude e a c\u00e9u aberto\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Ele avalia ainda que, em geral, o risco de contamina\u00e7\u00e3o para as comunidades \u00e9 baixo. \u201cD\u00e1 para contingenciar, criar protocolos, [ter] int\u00e9rpretes bons que n\u00e3o se aproximem, alimenta\u00e7\u00e3o diferenciada. Os invasores normalmente n\u00e3o est\u00e3o dentro de comunidade. Pode se fazer uma an\u00e1lise de risco\u201d, explica.<\/p>\n<p>Duas opera\u00e7\u00f5es recentes relativamente pequenas e baratas s\u00e3o citadas como exemplos de sucesso.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.pf.gov.br\/imprensa\/noticias\/2019\/09\/pf-participa-de-operacao-que-resultou-na-destruicao-de-60-balsas-de-extracao-ilegal-de-ouro\">Na primeira, em setembro do ano passado, 60 agentes da PF, Ibama e Funai destru\u00edram 60 balsas de garimpo na TI Vale do Javari (AM)<\/a>. Na segunda, na TI Ituna-Itat\u00e1, entre o fim de 2019 e abril deste ano, um pequeno grupo de fiscais do Ibama e policiais militares conseguiu zerar o desmatamento, ap\u00f3s a \u00e1rea registrar recordes de devasta\u00e7\u00e3o, nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Os dois servidores ouvidos pela reportagem ressaltam ainda que \u00e9 necess\u00e1rio montar bases permanentes nas regi\u00f5es das TIs mais invadidas para evitar a volta dos criminosos.<\/p>\n<p>Para os t\u00e9cnicos, o procedimento m\u00ednimo para garantir a seguran\u00e7a e a sa\u00fade dos servidores passa pela sele\u00e7\u00e3o rigorosa dos participantes (quem \u00e9 do grupo de risco ou tem sintomas deve ser exclu\u00eddo); uso de equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual (m\u00e1scara, \u00e1lcool, viseira, \u00f3culos, aventais); quarentena e testes antes e depois das a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A reportagem pediu dados e esclarecimentos \u00e0 Funai, ao Ibama e \u00e0 Vice-Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, que coordena a Opera\u00e7\u00e3o Verde Brasil 2, sobre as a\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o nas TIs nos \u00faltimos meses e protocolos de sa\u00fade e seguran\u00e7a utilizados, mas n\u00e3o obteve resposta. Em maio, o Ibama publicou o\u00a0<a title=\"protocolo b\u00e1sico\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/nsa\/arquivos\/sei_ibama-7527497-portaria-pop-covid-19-7.pdf\">protocolo b\u00e1sico<\/a>\u00a0para evitar a contamina\u00e7\u00e3o dos fiscais pelo novo coronav\u00edrus. Ele lista restri\u00e7\u00f5es, cuidados e itens b\u00e1sicos de seguran\u00e7a, al\u00e9m de fluxos de informa\u00e7\u00e3o entre diferentes inst\u00e2ncias internas.<\/p>\n<p>\u201cAinda no m\u00eas de mar\u00e7o, a funda\u00e7\u00e3o j\u00e1 havia suspendido as autoriza\u00e7\u00f5es para ingresso em Terras Ind\u00edgenas e, atualmente, participa de 311 barreiras sanit\u00e1rias para impedir a entrada de n\u00e3o ind\u00edgenas nesses territ\u00f3rios. No \u00e2mbito da fiscaliza\u00e7\u00e3o, foram realizadas 184 a\u00e7\u00f5es em 128 Terras Ind\u00edgenas para coibir il\u00edcitos, como extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeira, atividade de garimpo e ca\u00e7a e pesca predat\u00f3rias, a um custo de R$ 3,3 milh\u00f5es\u201d, afirma\u00a0<a href=\"http:\/\/www.funai.gov.br\/index.php\/comunicacao\/noticias\/6358-covid-19-funai-investe-mais-de-r-27-5-milhoes-em-acoes-de-combate-ao-novo-coronavirus\">nota da Funai<\/a>\u00a0publicada do dia 20\/8.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-17723\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/isa-infografico-1920-2.png\" alt=\"\" width=\"760\" height=\"428\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/isa-infografico-1920-2.png 700w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/isa-infografico-1920-2-300x169.png 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/isa-infografico-1920-2-500x281.png 500w\" sizes=\"(max-width: 760px) 100vw, 760px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_separator color=\u00bbmulled_wine\u00bb border_width=\u00bb4&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]O\u00a0<strong>ISA<\/strong>\u00a0e parceiros elaboraram um relat\u00f3rio sobre a situa\u00e7\u00e3o em cada um dos territ\u00f3rios citados na a\u00e7\u00e3o no STF. O documento indica a natureza e as rotas de invas\u00e3o, al\u00e9m de sugerir as principais medidas para conter o problema. Abaixo, um resumo das informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3><a class=\"colorbox colorbox-insert-image init-colorbox-processed cboxElement\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/ti_yanomami_chico_batata_greenpeace.jpg?itok=knNwp5dS\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><img decoding=\"async\" class=\"caption image-nsa-retrato-sem-marca-dagua caption-processed alignleft\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/nsa-retrato-sem-marca-dagua\/public\/nsa\/ti_yanomami_chico_batata_greenpeace.jpg?itok=hbOXpAHw\" alt=\"\" \/><\/span><\/a><strong><a href=\"https:\/\/terrasindigenas.org.br\/pt-br\/terras-indigenas\/4016\">TI Yanomami (AM\/RR)<\/a><\/strong><\/h3>\n<p>Um dos territ\u00f3rios com mais casos de Covid-19. A contamina\u00e7\u00e3o est\u00e1 ligada ao garimpo ilegal. A regi\u00e3o de Waik\u00e1s, onde est\u00e3o as maiores \u00e1reas de invas\u00e3o, tem coincidentemente uma das maiores incid\u00eancias da doen\u00e7a. Os garimpos est\u00e3o em acampamentos ao longo do Rio Auaris e podem ser facilmente desmontados e transferidos para outros lugares em caso de fiscaliza\u00e7\u00e3o. Para o abastecimento dos invasores, s\u00e3o utilizados os rios e uma estrada vicinal. Existem rotas de avia\u00e7\u00e3o ilegal que poderiam ser contidas com fiscaliza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o a\u00e9reo, da venda de combust\u00edvel para avia\u00e7\u00e3o e dos aer\u00f3dromos em Roraima. Outro ponto de aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a Serra da Estrutura, onde vivem os ind\u00edgenas isolados Moxihat\u00ebt\u00ebma. Garimpeiros est\u00e3o a apenas oito quil\u00f4metros da regi\u00e3o. H\u00e1 registro da abertura de uma estrada para conectar esse garimpo com o de uma regi\u00e3o pr\u00f3xima, facilitando o acesso ao local.\u00a0<em>Foto: Destrui\u00e7\u00e3o causada por garimpo, Terra Ind\u00edgena Yanomami, Roraima, maio de 2020 | Chico Batata \/ Greenpeace.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><a class=\"colorbox colorbox-insert-image init-colorbox-processed cboxElement\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/garimpo_ti_kayapo_2017_-_felipe_werneck_-_ascom_-_ibama.jpg?itok=WzxW8UUg\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><img decoding=\"async\" class=\"caption image-nsa-retrato-sem-marca-dagua caption-processed alignleft\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/nsa-retrato-sem-marca-dagua\/public\/nsa\/garimpo_ti_kayapo_2017_-_felipe_werneck_-_ascom_-_ibama.jpg?itok=NjD_BlKa\" alt=\"\" \/><\/span><\/a><strong><a href=\"https:\/\/terrasindigenas.org.br\/pt-br\/terras-indigenas\/3731\">TI Kayap\u00f3 (PA)<\/a><\/strong><\/h3>\n<p>Com aumento de 420% nos alertas de desmatamento, tudo indica que a pandemia e a redu\u00e7\u00e3o da fiscaliza\u00e7\u00e3o t\u00eam sido aproveitados pelos invasores. O principal problema tamb\u00e9m \u00e9 o garimpo ilegal, que se espalha pelos tr\u00eas principais rios: Branco, Arraias e Fresco. No primeiro, o principal acesso \u00e9 por uma estrada vicinal, que conecta a regi\u00e3o \u00e0s duas cidades mais pr\u00f3ximas. No Rio Branco, a atividade garimpeira provoca danos extensos e irrepar\u00e1veis e \u00e0s popula\u00e7\u00f5es das aldeias pr\u00f3ximas. No Rio Fresco, os garimpos s\u00e3o conectados \u00e0s cidades e vilas pr\u00f3ximas por uma rede de vicinais. H\u00e1 cinco pistas de pouso ilegais utilizadas para o abastecimento dos invasores. Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel alcan\u00e7ar os garimpos por via fluvial.\u00a0<em>Foto: Garimpo na Terra Ind\u00edgena Kayap\u00f3, no Par\u00e1, em 2017 | Felipe Werneck \/ Ibama<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong><a href=\"https:\/\/terrasindigenas.org.br\/pt-br\/terras-indigenas\/3609\">TI Trincheira-Bacaj\u00e1 (PA)<\/a><\/strong><\/h3>\n<p>A \u00e1rea foi a recordista em aumento do desmatamento entre mar\u00e7o e julho: um crescimento de 827%. Apenas dois quil\u00f4metros separam a aldeia Kenkro de um foco de invas\u00e3o na por\u00e7\u00e3o sul do territ\u00f3rio. Os Xikrin conseguem ouvir o barulho de motosserras e tratores avan\u00e7ando sobre a floresta. \u201c\u00c9 poss\u00edvel ver a fuma\u00e7a das queimadas e do desmatamento\u201d, diz a den\u00fancia feita pela Associa\u00e7\u00e3o Beb\u00f4 Xikrin do Bacaj\u00e1 (Abex), em agosto deste ano. A devasta\u00e7\u00e3o explodiu depois que as opera\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o do Ibama foram interrompidas, em abril. Em junho, o desmatamento atingiu 462 hectares. Os ind\u00edgenas denunciaram nova invas\u00e3o nas proximidades das aldeias Mrotdij\u00e3m, Bakaj\u00e1, Kenkro, Pykatum e Rapk\u00f4. Justamente a regi\u00e3o sul, onde as invas\u00f5es est\u00e3o cada vez mais pr\u00f3ximas das aldeias, sofre com o maior \u00edndice de cont\u00e1gio. \u201cOs primeiros casos da doen\u00e7a apareceram em uma das aldeias pr\u00f3ximas da regi\u00e3o da invas\u00e3o: foram notificados tr\u00eas casos positivos no final do m\u00eas de abril. Neste m\u00eas de agosto, a mesma aldeia conta com mais de 50 casos\u201d, de acordo com carta da Abex. Ontem (31), o cacique Bepkot Xikrin faleceu v\u00edtima de Covid-19. \u00c9 a primeira morte provocada pela enfermidade entre ind\u00edgenas no M\u00e9dio Xingu. A TI Trincheira-Bacaj\u00e1 j\u00e1 soma 152 casos, segundo o Dsei Altamira.<\/p>\n<h3><strong><a href=\"https:\/\/terrasindigenas.org.br\/pt-br\/terras-indigenas\/3600\">TI Ararib\u00f3ia (MA)<\/a><\/strong><\/h3>\n<p>Invas\u00e3o e viol\u00eancia s\u00e3o hist\u00f3ricos na \u00e1rea. Os madeireiros e ca\u00e7adores s\u00e3o as principais amea\u00e7as. A madeira da TI Ararib\u00f3ia abastece o mercado regional de estacas ou dormentes para a pecu\u00e1ria. S\u00e3o cortadas \u00e1rvores de diversas esp\u00e9cies, normalmente ainda no est\u00e1gio inicial de crescimento, o que interrompe a capacidade regenerativa da floresta. O outro mercado abastecido \u00e9 o de madeiras de lei. A principal esp\u00e9cie procurada \u00e9 o Ip\u00ea, retirado em toras de 10 metros de comprimento, em m\u00e9dia. Os madeireiros tamb\u00e9m procuram esp\u00e9cies como Cumaru, Sapuca\u00ed, Ma\u00e7aranduba e Cedro. Nos \u00faltimos quatro meses, as atividades predat\u00f3rias madeireira e de ca\u00e7a aumentaram abruptamente, sendo percept\u00edveis os fluxos de caminh\u00f5es e tratores entrando e saindo em diversas regi\u00f5es. Madeireiros ilegais constantemente entram em conflito com o grupo ind\u00edgena dos Guardi\u00f5es da Floresta, que faz monitoramento territorial. A TI abriga ainda o que s\u00e3o provavelmente os ind\u00edgenas isolados mais amea\u00e7ados do pa\u00eds, segundo uma fonte da Funai. Ela informa que o grupo est\u00e1 cercado por frentes madeireiras, numa regi\u00e3o pequena e com pouca \u00e1gua.<\/p>\n<h3><a class=\"colorbox colorbox-insert-image init-colorbox-processed cboxElement\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/garimpo_ti_mundurucu_-_maio_2020_marcos_amend_greenpeace.jpg?itok=PZ4yWXqa\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><br \/>\n<span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><img decoding=\"async\" class=\"caption image-nsa-retrato-sem-marca-dagua caption-processed alignleft\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/nsa-retrato-sem-marca-dagua\/public\/nsa\/garimpo_ti_mundurucu_-_maio_2020_marcos_amend_greenpeace.jpg?itok=BDA2x1VY\" alt=\"\" \/><\/span><\/a><strong><a href=\"https:\/\/terrasindigenas.org.br\/pt-br\/terras-indigenas\/3770\">TI Mundurucu (PA)<\/a><\/strong><\/h3>\n<p>O garimpo segue avan\u00e7ando e comprometendo uma extensa por\u00e7\u00e3o das principais microbacias que comp\u00f5em os 2,3 milh\u00f5es de hectares da \u00e1rea, que teve 700 hectares destru\u00eddos, em 2020. H\u00e1 contamina\u00e7\u00e3o do povo Munduruku por merc\u00fario, comprometendo seu modo de vida, que tem a \u00e1gua como um elemento central. Os garimpeiros se espalham na TI, avan\u00e7ando do norte em dire\u00e7\u00e3o ao sul. Al\u00e9m de destruir os rios e florestas, o garimpo compromete a ordem social das comunidades, uma vez que o aliciamento de ind\u00edgenas tem sido a principal estrat\u00e9gia para legitimar a atividade. Ind\u00edgenas subornados passam a atuar como como negociadores, defensores e protetores dos verdadeiros donos dos garimpos.\u00a0<em>Foto: Garimpo na Terra Ind\u00edgena Mundurucu, no Par\u00e1, em maio de 2020 | Marcos Amend \/ Greenpeace<\/em><\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3><strong><a href=\"https:\/\/terrasindigenas.org.br\/pt-br\/terras-indigenas\/3891\">TI Uru-Eu-Wau-Wau (RO)<\/a><\/strong><\/h3>\n<p>Embora n\u00e3o haja nenhum caso de Covid-19 registrado, os invasores t\u00eam adentrado o territ\u00f3rio e h\u00e1 preocupa\u00e7\u00f5es com o risco de cont\u00e1gio. Os munic\u00edpios do entorno da TI contabilizam mais de 5,8 mil casos da doen\u00e7a e os alertas do sistema Sirad j\u00e1 somam 186 hectares de desmatamento, em 2020. Na TI, h\u00e1 uma \u00e1rea cuja disputa se arrasta h\u00e1 anos e acabou se tornando vetor de invasores, no limite norte, regi\u00e3o de maior vulnerabilidade. Os grileiros autodeclararam 1.400 lotes na regi\u00e3o, no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (SICAR). O territ\u00f3rio tamb\u00e9m abriga grupos isolados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><a class=\"colorbox colorbox-insert-image init-colorbox-processed cboxElement\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/gp0stskhn_web_size.jpg?itok=02-BaA1B\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><br \/>\n<span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><img decoding=\"async\" class=\"caption image-nsa-retrato-sem-marca-dagua caption-processed alignleft\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/nsa-retrato-sem-marca-dagua\/public\/nsa\/gp0stskhn_web_size.jpg?itok=Y10s8Cur\" alt=\"\" \/><\/span><\/a><strong><a href=\"https:\/\/terrasindigenas.org.br\/pt-br\/terras-indigenas\/3723\">TI Karipuna (RO)<\/a><\/strong><\/h3>\n<p>Entre 2018 e 2019, o desmatamento representou 75,5% do total acumulado at\u00e9 ent\u00e3o, totalizando 2,4 mil hectares, sinal claro do aumento das invas\u00f5es na \u00e1rea. Depois de cair 30% em 2019, a devasta\u00e7\u00e3o teve um incremento de 700 hectares, entre janeiro e agosto de 2020. Com uma popula\u00e7\u00e3o de 54 pessoas, os Karipuna vivem assombrados pelo fantasma da extin\u00e7\u00e3o, que, em mar\u00e7o, ficou mais presente pela contamina\u00e7\u00e3o de dois idosos por Covid-19 que seguem isolados em Porto Velho. Cercada por frentes de grilagem, a TI Karipuna sofre uma enorme press\u00e3o ao longo de seus limites. Ao longo do limite oeste, pelo menos nove pontes d\u00e3o acesso ao territ\u00f3rio e permitem que a malha vi\u00e1ria que serve \u00e0s fazendas do Distrito de Uni\u00e3o Bandeirantes adentre o territ\u00f3rio, possibilitando o transporte de \u00e1rvores extra\u00eddas ilegalmente e o abastecimento das frentes de desmatamento.\u00a0<em>Foto: Roubo de madeira na Terra Ind\u00edgena Karipuna, Rond\u00f4nia | Christian Braga \/ Greenpeace<\/em>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<strong>Fonte<\/strong>: <a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/noticias-socioambientais\/desmatamento-e-covid-19-explodem-em-terras-indigenas-mais-invadidas-da-amazonia\">https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/noticias-socioambientais\/desmatamento-e-covid-19-explodem-em-terras-indigenas-mais-invadidas-da-amazonia<\/a>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Grileiros, garimpeiros e madeireiros ilegais n\u00e3o fazem home office. Na pandemia, as invas\u00f5es \u00e0s Terras Ind\u00edgenas (TIs) cresceram exponencialmente, ampliando o risco e a dissemina\u00e7\u00e3o da Covid-19 entre suas popula\u00e7\u00f5es, sem que o governo agisse e sequer tenha um planejamento adequado para conter o problema, seis meses ap\u00f3s o in\u00edcio da crise de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Nas TIs Trincheira-Bacaj\u00e1, Kayap\u00f3 e Mundurucu, no sudoeste do Par\u00e1, o desmatamento aumentou, respectivamente, 827%, 420% e 238%, entre mar\u00e7o e julho. Elas est\u00e3o no grupo das sete terras homologadas (com demarca\u00e7\u00e3o conclu\u00edda) mais invadidas da Amaz\u00f4nia Legal, junto com as TIs Karipuna e Uru-Eu-Wau-Wau (RO), Ararib\u00f3ia (MA) e Yanomami (AM\/RR). No per\u00edodo de chegada e crescimento da epidemia no pa\u00eds, foram destru\u00eddos 2,4 mil hectares de florestas nas sete \u00e1reas, o equivalente a 15 vezes o Parque do Ibirapuera, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":17737,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-17741","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-radar","category-2","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17741","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17741"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17741\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17743,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17741\/revisions\/17743"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17737"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17741"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17741"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17741"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}