{"id":18706,"date":"2020-10-08T18:37:18","date_gmt":"2020-10-08T21:37:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/?p=18706"},"modified":"2020-10-09T15:55:09","modified_gmt":"2020-10-09T18:55:09","slug":"com-alta-do-ouro-garimpeiros-ameacam-area-indigena-em-fronteira-intocada-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/radar\/com-alta-do-ouro-garimpeiros-ameacam-area-indigena-em-fronteira-intocada-da-amazonia\/","title":{"rendered":"Com alta do ouro, garimpeiros amea\u00e7am \u00e1rea ind\u00edgena em fronteira intocada da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<div class=\"PostByline-names\" style=\"text-align: right;\" data-reactid=\"159\"><strong><a class=\"PostByline-link\" href=\"https:\/\/theintercept.com\/equipe\/fernanda-wenzel\/\" rel=\"author\" data-reactid=\"160\">Fernanda Wenzel<\/a><\/strong><\/div>\n<p style=\"text-align: right;\"><br data-reactid=\"162\" \/><strong><span class=\"PostByline-date\" data-reactid=\"163\">The Intercept Brasil<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><span class=\"PostByline-date\" data-reactid=\"163\">8 de outubro de 2020<\/span><\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h3 class=\"Post-excerpt\" style=\"text-align: center;\" data-reactid=\"149\"><em>Atividade ilegal foi fotografada em regi\u00e3o do extremo norte do Par\u00e1, quase no Suriname. Metal subiu 25% no \u00faltimo ano.<\/em><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div data-reactid=\"186\">\n<p><u>UM TERRIT\u00d3RIO ISOLADO<\/u>\u00a0no extremo norte do Brasil, onde h\u00e1 uma base do Ex\u00e9rcito e s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel chegar de avi\u00e3o fretado. Mesmo ali, na terra ind\u00edgena Tumucumaque, no Par\u00e1, o garimpo j\u00e1 \u00e9 uma amea\u00e7a. A \u00e1rea de minera\u00e7\u00e3o ilegal, que explora ouro, foi descoberta h\u00e1 algumas semanas no Suriname e est\u00e1 levando p\u00e2nico a uma comunidade acostumada a acompanhar \u00e0 dist\u00e2ncia o avan\u00e7o dos crimes ambientais em outras partes do Brasil.<\/p>\n<p>\u201cA gente acreditava que n\u00e3o chegaria aqui e estamos vendo que est\u00e1 chegando e que est\u00e1 afetando os parentes tanto aqui do Brasil quando do Suriname. Est\u00e3o fazendo garimpo, e a gente acredita que \u00e9 ilegal, porque o rio est\u00e1 sujo e o pessoal est\u00e1 armado, est\u00e3o se escondendo e agora eles t\u00eam trazido quadriciclos e motosserras\u201d, me disse Mitore Cristiana Tiriy\u00f3 Kaxuyana. Ela mora na miss\u00e3o Tiriy\u00f3, maior aldeia da terra ind\u00edgena, com 3 milh\u00f5es de hectares ocupados por cerca de 1.700 pessoas das etnias tiriy\u00f3, katxuyana e txikyana.<\/p>\n<p>Apesar de estar no pa\u00eds vizinho, o garimpo fica muito pr\u00f3ximo da fronteira e em uma \u00e1rea central das comunidades. Das 34 aldeias, instaladas \u00e0s margens dos rios Paru de Oeste e Marapi, 23 est\u00e3o em um raio de at\u00e9 40 km da mina. Para piorar, os garimpeiros est\u00e3o invadindo o territ\u00f3rio brasileiro com frequ\u00eancia para ca\u00e7ar, de acordo com os ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"img-wrap align-center width-auto\" data-reactid=\"187\">\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-18703\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Mapa-Tumucumaque.png\" alt=\"\" width=\"815\" height=\"576\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Mapa-Tumucumaque.png 1755w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Mapa-Tumucumaque-300x212.png 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Mapa-Tumucumaque-1024x724.png 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Mapa-Tumucumaque-768x543.png 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Mapa-Tumucumaque-1536x1085.png 1536w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Mapa-Tumucumaque-500x353.png 500w\" sizes=\"(max-width: 815px) 100vw, 815px\" \/><\/p>\n<p class=\"caption overlayed\" style=\"text-align: center;\"><em>Registros de garimpo foram feitos em reserva do Suriname vizinha a Tumucumaque, no Par\u00e1. <\/em><\/p>\n<p class=\"caption overlayed\" style=\"text-align: center;\"><em>Mapa: Rodrigo Bento\/The Intercept Brasil; Dados: Iep\u00e9<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O relato consta em uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.documentcloud.org\/documents\/7223157-Carta-CCLTKT-GARIMPO.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">carta do Conselho de Caciques e Lideran\u00e7as Ind\u00edgenas Tiriy\u00f3, Kaxuyana e Txikuyana<\/a>, com data de 1\u00b0 de outubro. No documento, foram anexadas imagens a\u00e9reas registradas por ind\u00edgenas do Suriname no dia 30 de setembro. As fotos mostram o acampamento dos garimpeiros ao lado de uma pista de pouso. Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel ver o leito do rio que est\u00e1 sendo explorado, manchado com uma cor escura.<\/p>\n<p>As aldeias mais pr\u00f3ximas, a apenas 8 km da mina, s\u00e3o Turunkane e Mesepituru, onde vivem cerca de dez fam\u00edlias. Segundo o cacique de Mesepituru, Zaqueu Tiriy\u00f3, avi\u00f5es sobrevoam com frequ\u00eancia a regi\u00e3o. \u201cDe sua aldeia d\u00e1 at\u00e9 para ver a ilumina\u00e7\u00e3o durante a noite. Viram estruturas de barracas, motores, ro\u00e7adeiras, \u00e1gua, no acampamento montado pr\u00f3ximo \u00e0 pista de pouso\u201d, o conselho registrou na carta.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18700\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/leito-rio.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/leito-rio.jpg 1280w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/leito-rio-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/leito-rio-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/leito-rio-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/leito-rio-500x281.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/p>\n<p class=\"caption\" style=\"text-align: center;\"><em>Foto anexada \u00e0 carta de conselho de caciques mostra rio com mancha t\u00edpica de garimpo. Foto: Conselho de Caciques e Lideran\u00e7as Ind\u00edgenas Tiriy\u00f3, Kaxuyana e Txikuyana<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na ter\u00e7a-feira, dia 6, a Organiza\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena de Suriname, a OIS, acompanhou uma comitiva do governo surinam\u00eas ao local. Segundo a OIS, dois homens foram presos e levados \u00e0 capital Paramaribo para prestarem depoimento. A comitiva ficou pouco mais de uma hora no local e n\u00e3o encontrou evid\u00eancias da atividade garimpeira. J\u00e1 o Ex\u00e9rcito brasileiro afirma que foi ao local e n\u00e3o encontrou invasores, enquanto a Funai n\u00e3o respondeu \u00e0 reportagem.<\/p>\n<p>Mas, para Rodrigo Cambar\u00e1, servidor do Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade, o ICMBio, com experi\u00eancia no combate a garimpos na Amaz\u00f4nia, n\u00e3o resta d\u00favida de que algu\u00e9m est\u00e1 extraindo min\u00e9rio no local. \u201cEssa cor de \u00e1gua do rio \u00e9 t\u00edpica de garimpo aluvial, aquele em que o ouro est\u00e1 misturado na \u00e1rea, na areia da beira do rio\u201d, garante Cambar\u00e1, que j\u00e1 coordenou uma das unidades de conserva\u00e7\u00e3o mais problem\u00e1ticas do pa\u00eds, a Floresta Nacional do Jamanxim, no Par\u00e1.<\/p>\n<p>Para ele, o maquin\u00e1rio deve estar escondido em algum ponto mais acima do rio, e as pris\u00f5es n\u00e3o significam que o problema est\u00e1 resolvido. \u201cEsses caras n\u00e3o d\u00e3o ponto sem n\u00f3. Muitas vezes a gente chega nestes locais e s\u00f3 tem duas ou tr\u00eas pessoas, os outros fugiram. Esses dois ou tr\u00eas ficam ali para que a gente pense que a opera\u00e7\u00e3o teve sucesso e largue de m\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Para Mitore Kaxuyana, o maior receio \u00e9 a contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua das aldeias pelo merc\u00fario. \u201cEsse rio chega no nosso territ\u00f3rio e pode contaminar o rio Paru do Oeste, infectando os nossos parentes que est\u00e3o mais ao sul\u201d, me disse. O rio que aparece nas fotos \u00e9 o Mamia, que nasce na montanha de mesmo nome, segundo Aventino Nakai Kaxuyana Tiriy\u00f3, presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas Tiriy\u00f3, Kaxuyana e Txikuyana. \u201cEssa \u00e9 a montanha que eles est\u00e3o explorando e fica bem na fronteira dos dois pa\u00edses. Com certeza depois que terminar o ouro do lado de l\u00e1, eles v\u00e3o querer explorar o lado de c\u00e1\u201d, disse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18697\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190924-DJI_0459_fernandaligabue1-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"2048\" height=\"1365\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190924-DJI_0459_fernandaligabue1-scaled.jpg 2048w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190924-DJI_0459_fernandaligabue1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190924-DJI_0459_fernandaligabue1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190924-DJI_0459_fernandaligabue1-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190924-DJI_0459_fernandaligabue1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190924-DJI_0459_fernandaligabue1-500x333.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 2048px) 100vw, 2048px\" \/><\/p>\n<p class=\"caption\" style=\"text-align: center;\"><em>Extremo norte do Par\u00e1 \u00e9 lar de ind\u00edgenas isolados que, agora, se veem amea\u00e7ados com a perspectiva de garimpos ilegais de ouro. Foto: Fernanda Ligabue para o Intercept Brasil<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Base militar deveria proteger a fronteira<\/strong><\/h3>\n<p>A menos de 2 km em linha reta da Miss\u00e3o Tiriy\u00f3, onde vive Mitore Kaxuyana, est\u00e1 uma base da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira (com uma pista de pouso) e o 1\u00b0 Pelot\u00e3o Especial de Fronteira, o 1\u00b0 PEF, composto por 50 homens. O 1\u00b0 PEF fica 30 km a nordeste do garimpo. Na carta endere\u00e7ada \u00e0s autoridades brasileiras, os caciques pedem \u201co envio de efetivo militar com urg\u00eancia nesta \u00e1rea de fronteira, com estabelecimento de acampamento militar para amparo e prote\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias ind\u00edgenas da aldeia Mesepituru\u201d.<\/p>\n<p>O Comando Militar do Norte, o CMN, informou que \u201co Ex\u00e9rcito com tropas do PEF realizou patrulha recente ao local e na ocasi\u00e3o n\u00e3o foi identificado a presen\u00e7a de estrangeiros il\u00edcitos e garimpeiros\u201d, destacando que \u201ca \u00e1rea est\u00e1 localizada totalmente em territ\u00f3rio do Suriname, dificultando o levantamento de dados mais precisos\u201d. Ainda segundo o CMN, haver\u00e1 aumento do efetivo de militares e ser\u00e3o feitas \u201cliga\u00e7\u00f5es com os \u00f3rg\u00e3os federais do pa\u00eds vizinho para o refor\u00e7o da seguran\u00e7a no local\u201d. A Embaixada do Suriname no Brasil n\u00e3o retornou o meu contato.<\/p>\n<p>Para Angela Kaxuyana, da Coordena\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es dos Ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Brasileira, o Ex\u00e9rcito est\u00e1 demorando a agir. \u201cO que mais deixa a gente perplexo \u00e9 que \u00e9 um territ\u00f3rio de uma \u00e1rea de fronteira, onde h\u00e1 a presen\u00e7a de um pelot\u00e3o do Ex\u00e9rcito, o que deveria ser minimamente um fator intimidat\u00f3rio para os il\u00edcitos na regi\u00e3o. Mas pelo jeito n\u00e3o \u00e9\u201d, reclama.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a das For\u00e7as Armadas no Tumucumaque \u00e9 antiga: data dos anos 1960, quando foram estabelecidos os primeiros contatos com os povos origin\u00e1rios da regi\u00e3o. A ditadura queria \u201ccivilizar\u201d os ind\u00edgenas \u2013 o que seria feito pelos padres franciscanos, presentes at\u00e9 hoje na miss\u00e3o \u2013 e prepar\u00e1-los para serem \u201cintegrados \u00e0 sociedade brasileira\u201d. A integra\u00e7\u00e3o se daria pela BR-163, que iria atravessar o norte do Par\u00e1 at\u00e9 o Suriname. A obra, no entanto, empacou em Santar\u00e9m, \u00e0s margens do rio Amazonas.<\/p>\n<p>Em 2019, o projeto de constru\u00e7\u00e3o da estrada foi reavivado pelo governo de Jair Bolsonaro, como uma forma de conter uma s\u00e9rie de \u201camea\u00e7as\u201d, como uma improv\u00e1vel invas\u00e3o de chineses pelo Suriname. Nenhuma dessas amea\u00e7as previstas, no entanto, era a do garimpo \u2013 a mais real de todas, como agora ficou provado.<\/p>\n<blockquote>\n<h2>\u2018H\u00e1 um novo processo de ocupa\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia e os isolados est\u00e3o no caminho.\u2019<\/h2>\n<\/blockquote>\n<p>A paranoia das invas\u00f5es pelo norte eram vocalizadas pelo general Maynard Marques de Santa Rosa, ent\u00e3o secret\u00e1rio especial de Assuntos Estrat\u00e9gicos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Em reuni\u00e3o realizada em abril de 2019 na sede da Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura do Par\u00e1, em Bel\u00e9m, Santa Rosa acusou a China de promover uma pol\u00edtica de imigra\u00e7\u00e3o em massa para o pa\u00eds vizinho, como uma forma de ocupa\u00e7\u00e3o da fronteira com o Brasil. Outra justificativa para a constru\u00e7\u00e3o da estrada seria a suposta campanha globalista de ONGs internacionais para ocupa\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>A extens\u00e3o da rodovia faz parte de um projeto mais amplo, o Bar\u00e3o de Rio Branco, que tamb\u00e9m prev\u00ea a constru\u00e7\u00e3o de uma hidrel\u00e9trica em Oriximin\u00e1 e de uma ponte sobre o Rio Amazonas na cidade de \u00d3bidos. O canteiro de todas estas obras seria o norte do Par\u00e1, uma \u00e1rea de 28 milh\u00f5es de hectares de floresta praticamente intocada, do tamanho do Reino Unido, que tem 80% do territ\u00f3rio protegido por unidades de conserva\u00e7\u00e3o, terras ind\u00edgenas e quilombolas. O tra\u00e7ado previsto para a extens\u00e3o da BR-163 cortaria quatro unidades de conserva\u00e7\u00e3o, seis terras quilombolas e duas terras ind\u00edgenas \u2013 entre elas a Tumutumaque. A rodovia tamb\u00e9m atravessaria a Reserva Nacional de Cobre e Associados, rica em min\u00e9rios.<\/p>\n<p>Bolsonaro, que j\u00e1 se disse um\u00a0<a href=\"https:\/\/theintercept.com\/2018\/11\/05\/passado-garimpeiro-bolsonaro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cgarimpeiro de cora\u00e7\u00e3o\u201d<\/a>, tem encorajado a atividade ilegal na Amaz\u00f4nia. Em novembro do ano passado, ele recebeu um grupo de garimpeiros em frente ao Pal\u00e1cio do Planalto e prometeu que iria proibir a\u00a0<a href=\"https:\/\/theintercept.com\/2020\/04\/27\/bolsonaro-destruicao-maquinas-crimes-meio-ambiente\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">queima do maquin\u00e1rio apreendido<\/a>\u00a0durante fiscaliza\u00e7\u00e3o do Ibama. Em fevereiro deste ano, o presidente encaminhou ao Congresso\u00a0<a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=2236765\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">um projeto de lei<\/a>\u00a0que autoriza a minera\u00e7\u00e3o em terras ind\u00edgenas. Dois meses depois, tr\u00eas servidores do Ibama \u2013 entre eles o coordenador-geral de Fiscaliza\u00e7\u00e3o Ambiental, Ren\u00ea Luiz de Oliveira \u2013 foram exonerados ap\u00f3s uma opera\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o contra garimpeiros em terras ind\u00edgenas do sul do Par\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-18688\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190921-_MG_6804.jpg\" alt=\"\" width=\"797\" height=\"531\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190921-_MG_6804.jpg 2000w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190921-_MG_6804-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190921-_MG_6804-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190921-_MG_6804-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190921-_MG_6804-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190921-_MG_6804-500x333.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 797px) 100vw, 797px\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-18694\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190921-_MG_6791.jpg\" alt=\"\" width=\"795\" height=\"530\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190921-_MG_6791.jpg 2000w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190921-_MG_6791-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190921-_MG_6791-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190921-_MG_6791-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190921-_MG_6791-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190921-_MG_6791-500x333.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 795px) 100vw, 795px\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-18691\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190921-_MG_6853.jpg\" alt=\"\" width=\"792\" height=\"528\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190921-_MG_6853.jpg 2000w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190921-_MG_6853-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190921-_MG_6853-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190921-_MG_6853-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190921-_MG_6853-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190921-_MG_6853-500x333.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 792px) 100vw, 792px\" \/><\/p>\n<p class=\"caption overlayed\" style=\"text-align: center;\"><em>Ind\u00edgenas vivem em uma das regi\u00f5es mais isoladas da Amaz\u00f4nia, onde os militares pretendem aumentar ocupa\u00e7\u00e3o sob o argumento de \u2018proteger fronteiras\u2019. Fotos: Frederico Mauro para o Intercept Brasil<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Nova corrida do ouro<\/strong><\/h3>\n<p>O garimpo de ouro \u00e9 uma atividade disseminada no Suriname.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.documentcloud.org\/documents\/7223156-Artigo-Rafael-Da-Silva-Oliveira.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Estimativas apontam para cerca de 4 mil campos de minera\u00e7\u00e3o no pa\u00eds<\/a>, que \u00e9 um pouco maior do que o estado do Cear\u00e1. Historicamente, no entanto, os garimpos est\u00e3o localizados na regi\u00e3o leste, pr\u00f3ximo \u00e0 fronteira com a Guiana Francesa. H\u00e1 dois motivos para isso. O primeiro \u00e9 que ali fica o Greenstone Belt (o Cintur\u00e3o da Pedra Verde, em tradu\u00e7\u00e3o livre), uma forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica especialmente favor\u00e1vel \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do ouro. Em segundo lugar, esta parte do pa\u00eds \u00e9 de mais f\u00e1cil acesso, pois possui estradas.<\/p>\n<p>A por\u00e7\u00e3o sul, que faz fronteira com o Brasil, s\u00f3 \u00e9 acess\u00edvel de avi\u00e3o por meio da pista de pouso que aparece na imagem a\u00e9rea capturada pelos ind\u00edgenas \u2013 e que foi aberta pelo governo do Suriname nos anos 1960. O garimpo aberto ali \u00e9 ilegal, pois fica dentro da Reserva Natural de Sipaliwini, e estava desativado h\u00e1 cerca de 40 anos. Por isso, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena de Suriname, os ind\u00edgenas do pa\u00eds vizinho est\u00e3o t\u00e3o surpresos quanto os brasileiros.<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s da reativa\u00e7\u00e3o do garimpo est\u00e1 a alta no pre\u00e7o do ouro, que torna locais de alto custo log\u00edstico novamente rent\u00e1veis. \u201cEssa \u00e9 uma regi\u00e3o muito mais cara para se explorar, porque o acesso \u00e9 muito dif\u00edcil, mas a alta no pre\u00e7o do ouro leva a uma retomada de \u00e1reas que antes n\u00e3o eram consideradas interessantes\u201d, explica Gustavo Geiser, perito da Pol\u00edcia Federal em Santar\u00e9m, que atua no combate aos crimes ambientais no norte do Par\u00e1.<\/p>\n<p>A alta do ouro \u00e9 um reflexo da pandemia. A instabilidade dos mercados financeiros leva investidores a buscarem ativos mais seguros \u2013 o ouro \u00e9 um deles. Com o aumento da demanda, o pre\u00e7o subiu. Em 12 meses, o pre\u00e7o subiu mais de 25% e, em julho,\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2020\/07\/ouro-bate-recorde-e-se-aproxima-de-us-2-mil-a-onca-troy.shtml#:~:text=O%20pre%C3%A7o%20do%20ouro%20em,a%20US%24%201.945%2C72.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">bateu recorde<\/a>. Segundo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.escolhas.org\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/TD_04_GARIMPO_A-NOVA-CORRIDA-DO-OURO-NA-AMAZONIA_maio_2020.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">estudo do Instituto Escolhas<\/a>, nos primeiros quatro meses de 2020, o valor das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras de ouro cresceu 14,9% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2019 \u2013 isso sem contar a explora\u00e7\u00e3o ilegal, que ningu\u00e9m consegue estimar. No mesmo per\u00edodo, o desmatamento decorrente de garimpo aumentou 13,4% dentro das terras ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia brasileira, em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior. O\u00a0<a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/press\/garimpo-aumenta-em-terras-indigenas-e-unidades-de-conservacao-durante-a-pandemia-da-covid-19\/#:~:text=Nos%20quatro%20primeiros%20meses%20de,434%2C9%20hectares%20em%202020.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">levantamento \u00e9 do Greenpeace<\/a>, feito com base em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18685\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190922-_DSC8499-copy.jpg\" alt=\"\" width=\"2000\" height=\"1428\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190922-_DSC8499-copy.jpg 2000w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190922-_DSC8499-copy-300x214.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190922-_DSC8499-copy-1024x731.jpg 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190922-_DSC8499-copy-768x548.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190922-_DSC8499-copy-1536x1097.jpg 1536w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20190922-_DSC8499-copy-500x357.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 2000px) 100vw, 2000px\" \/><\/p>\n<p class=\"caption\" style=\"text-align: center;\"><em>Caciques reunidos na maior aldeia da terra ind\u00edgena Tumucumaque, em regi\u00e3o pr\u00f3xima \u00e0 fronteira entre Par\u00e1 e Suriname. Foto: Frederico Mauro para o Intercept Brasil<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como o crime est\u00e1 acontecendo do outro lado da fronteira, Geiser afirma que n\u00e3o h\u00e1 nada que a Pol\u00edcia Federal possa fazer. Para ele, cabe ao governo do Suriname destruir o garimpo, o que precisa ser feito o quanto antes. \u201cO custo inicial de achar o fil\u00e3o de ouro e abrir o garimpo \u00e9 grande, mas estando estabelecido a tend\u00eancia \u00e9 ficar mais f\u00e1cil para os criminosos, vir mais gente, a log\u00edstica se estruturar e da\u00ed \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil tirar\u201d.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 a mesma de D\u00e9cio Yokota, coordenador executivo-adjunto da Iep\u00e9, ONG que atua h\u00e1 mais vinte anos junto aos ind\u00edgenas do Tumucumaque. Ele explica que o garimpo costuma ter duas fases. A primeira \u00e9 de pesquisa, quando os garimpeiros verificam a quantidade de ouro que pode haver no local. Se a mina \u00e9 promissora, come\u00e7a a vir mais e mais gente. \u201cA esperan\u00e7a \u00e9 que eles saiam logo, porque descobriram que n\u00e3o vale a pena. Mas, se isso come\u00e7ar a dar dinheiro, a gente vai ver rapidamente esse neg\u00f3cio virar\u201d, alerta.<\/p>\n<p>A perspectiva \u00e9 um pesadelo em uma regi\u00e3o onde a fronteira \u00e9 puramente imagin\u00e1ria. Os ind\u00edgenas, por exemplo, transitam continuamente entre os dois pa\u00edses para visitar os parentes, j\u00e1 que as mesmas etnias vivem dos dois lados da fronteira.<\/p>\n<p>\u201cA fronteira n\u00e3o faz nenhuma diferen\u00e7a, especialmente para os ind\u00edgenas isolados\u201d, explica Geiser, referindo-se aos ind\u00edgenas que tiveram pouco ou nenhum contato com o homem branco. Segundo dados da Funai, existem 13 registros destes povos no norte do Par\u00e1, mas apenas um deles foi confirmado e tem territ\u00f3rio demarcado.<\/p>\n<p>Para Leonardo Lenin, do Observat\u00f3rio de Direitos Humanos para Povos Ind\u00edgenas Isolados e de Recente Contato, estes grupos s\u00e3o especialmente vulner\u00e1veis, seja pela suscetibilidade a doen\u00e7as, como a covid-19, ou pela total depend\u00eancia da natureza. Ele teme que esses povos sejam patrolados por projetos como o Bar\u00e3o de Rio Branco. \u201cH\u00e1 um novo processo de ocupa\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia e os isolados est\u00e3o no caminho. Por ser uma regi\u00e3o onde os registros de isolados n\u00e3o s\u00e3o confirmados, h\u00e1 um receio muito grande de que eles sejam ignorados por estes projetos desenvolvimentistas\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/theintercept.com\/2020\/10\/08\/ouro-garimpeiros-indigenas-amazonia-suriname\/\"><strong>https:\/\/theintercept.com\/2020\/10\/08\/ouro-garimpeiros-indigenas-amazonia-suriname\/<\/strong><\/a>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UM TERRIT\u00d3RIO ISOLADO no extremo norte do Brasil, onde h\u00e1 uma base do Ex\u00e9rcito e s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel chegar de avi\u00e3o fretado. Mesmo ali, na terra ind\u00edgena Tumucumaque, no Par\u00e1, o garimpo j\u00e1 \u00e9 uma amea\u00e7a. A \u00e1rea de minera\u00e7\u00e3o ilegal, que explora ouro, foi descoberta h\u00e1 algumas semanas no Suriname e est\u00e1 levando p\u00e2nico a uma comunidade acostumada a acompanhar \u00e0 dist\u00e2ncia o avan\u00e7o dos crimes ambientais em outras partes do Brasil.<\/p>\n<p>\u201cA gente acreditava que n\u00e3o chegaria aqui e estamos vendo que est\u00e1 chegando e que est\u00e1 afetando os parentes tanto aqui do Brasil quando do Suriname. Est\u00e3o fazendo garimpo, e a gente acredita que \u00e9 ilegal, porque o rio est\u00e1 sujo e o pessoal est\u00e1 armado, est\u00e3o se escondendo e agora eles t\u00eam trazido quadriciclos e motosserras\u201d, me disse Mitore Cristiana Tiriy\u00f3 Kaxuyana. Ela mora na miss\u00e3o Tiriy\u00f3, maior aldeia da terra ind\u00edgena, com 3 milh\u00f5es de hectares ocupados por cerca de 1.700 pessoas das etnias tiriy\u00f3, katxuyana e txikyana.<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":18703,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-18706","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-radar","category-2","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18706","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18706"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18706\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18720,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18706\/revisions\/18720"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18703"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18706"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18706"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18706"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}