{"id":19275,"date":"2020-11-05T17:59:01","date_gmt":"2020-11-05T20:59:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/radar\/repavimentacao-da-br-319-pode-quadruplicar-desmatamento-no-amazonas\/"},"modified":"2020-11-05T17:59:19","modified_gmt":"2020-11-05T20:59:19","slug":"repavimentacao-da-br-319-pode-quadruplicar-desmatamento-no-amazonas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/radar\/repavimentacao-da-br-319-pode-quadruplicar-desmatamento-no-amazonas\/","title":{"rendered":"Repavimenta\u00e7\u00e3o da BR-319 pode quadruplicar desmatamento no Amazonas"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Izabel Santos\/InfoAmazonia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Deutsche Welle<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>05 de novembro de 2020<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Amaz\u00f4nia brasileira<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Proje\u00e7\u00e3o realizada pela UFMG tamb\u00e9m aponta perda de mais de 350 milh\u00f5es d\u00f3lares anuais para o agroneg\u00f3cio e preju\u00edzos ambientais.<\/em><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19261\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/55510066_303.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"394\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/55510066_303.jpg 700w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/55510066_303-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/55510066_303-500x281.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><em>Trecho da Rodovia BR-319 pr\u00f3ximo \u00e0 Humait\u00e1 (AM)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um estudo in\u00e9dito sobre o poss\u00edvel impacto ambiental provocado pela pavimenta\u00e7\u00e3o da rodovia BR-319 mostra que o desmatamento acumulado no estado do Amazonas pode aumentar quatro vezes\u00a0at\u00e9 2050. Tamb\u00e9m estima preju\u00edzos econ\u00f4micos da ordem de 350 milh\u00f5es de d\u00f3lares anuais para o agroneg\u00f3cio, com a perda de servi\u00e7os ambientais. E mais: seria praticamente imposs\u00edvel que o Brasil cumprisse acordos clim\u00e1ticos internacionais, por causa do aumento de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa.<\/p>\n<p>A\u00a0s\u00e9rie\u00a0<a class=\"icon external\" href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/pt\/projects\/portugues-amazonia-sufocada\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\">Amaz\u00f4nia Sufocada<\/a>, do InfoAmazonia,\u00a0mostrou na\u00a0<a class=\"icon external\" href=\"https:\/\/bit.ly\/3mVSt4k\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\">\u00a0\u00faltima reportagem sobre as queimadas no estado<\/a>\u00a0que os 12 munic\u00edpios amazonenses sob influ\u00eancia direta da BR-319 somam mais de 40% dos focos de calor registrados em 2020 no Amazonas. A \u00e1rea \u00e9 um dos pontos de expans\u00e3o de grilagem de terras na Amaz\u00f4nia brasileira.<\/p>\n<p>O estudo do Laborat\u00f3rio de Gest\u00e3o de Servi\u00e7os Ambientais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) projeta dois cen\u00e1rios para o per\u00edodo (2017 a 2050), um sem e outro com obras na rodovia.<\/p>\n<p>O primeiro cen\u00e1rio, sem a pavimenta\u00e7\u00e3o, mant\u00e9m a m\u00e9dia anual de desmatamento dos \u00faltimos cinco anos, que \u00e9 de 1.150 km\u00b2, segundo dados do Prodes\/Inpe. No segundo, com a pavimenta\u00e7\u00e3o, a rodovia estimularia fluxos migrat\u00f3rios, a expans\u00e3o de atividades agr\u00edcolas e a ocupa\u00e7\u00e3o de terras, o que elevaria as taxas de desmatamento chegando a 9,4 mil km\u00b2 anuais em 2050. O desmatamento acumulado no Amazonas de 2017 a 2050\u00a0 passaria ent\u00e3o de 40 mil km\u00b2\u00a0no primeiro cen\u00e1rio, para 170 mil km\u00b2\u00a0no segundo &#8211; quatro vezes mais com a pavimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, as emiss\u00f5es acumuladas de di\u00f3xido de carbono (CO\u2082) mais que quadruplicariam, alcan\u00e7ando 8 bilh\u00f5es de toneladas em 2050, o equivalente \u00e0 emiss\u00e3o de 22 anos de desmatamento em toda a Amaz\u00f4nia considerando a taxa de desmatamento do bioma em 2019.<\/p>\n<p>Segundo o l\u00edder do grupo de pesquisa, professor Raoni Raj\u00e3o, a repavimenta\u00e7\u00e3o da BR-319 vai elevar o valor das terras na regi\u00e3o da rodovia. Ele destaca que isso acontecer\u00e1 inevitavelmente, mesmo\u00a0se tratando de \u00e1reas de dom\u00ednio p\u00fablico, como terras n\u00e3o destinadas, ou \u00e1reas protegidas j\u00e1 estabelecidas.<\/p>\n<p>\u00abO que vai acontecer \u00e9 uma grande corrida do ouro naquela \u00e1rea, por assim dizer, de empreendedores ilegais, com interesses de expandir a pecu\u00e1ria, de tomar terras e at\u00e9 de ocupar unidades de conserva\u00e7\u00e3o. Essas pessoas v\u00e3o fazer isso de maneira mais acelerada com a pavimenta\u00e7\u00e3o\u00bb, destaca Raj\u00e3o.<\/p>\n<p>O temor dos pesquisadores da UFMG tem precedentes: a BR-163, conhecida como rodovia Santar\u00e9m (PA) a Cuiab\u00e1 (MT). A estrada foi criada no mesmo per\u00edodo que a BR-319 do Amazonas e, hoje, \u00e9 o centro de diversos conflitos e crimes ambientais na Amaz\u00f4nia. A Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim \u00e9 uma das mais pressionadas do Brasil e o local foi cen\u00e1rio do chamado Dia do Fogo em 2019.<\/p>\n<p>\u00abAs imagens de sat\u00e9lite mostram claramente que grande parte do desmatamento ali na regi\u00e3o da Flona do Jamanxim, em Novo Progresso, aconteceu ap\u00f3s a defini\u00e7\u00e3o da unidade de conserva\u00e7\u00e3o e n\u00e3o antes\u00bb, destaca Raj\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Raoni, a presen\u00e7a de colonos desde o per\u00edodo anterior \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o pode ser usada como justificativa para o desmatamento dos locais. \u00abN\u00f3s tememos que, com a pavimenta\u00e7\u00e3o da BR-319, as unidades conserva\u00e7\u00e3o que foram criadas naquela \u00e1rea como o Parque Estadual de Matupiri, o Parque Nacional Nascentes do Lago Jari, entre outros percam de fato a sua capacidade de evitar o desmatamento\u00bb, alerta o pesquisador.<\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es ambientais tamb\u00e9m temem que, com as obras, a press\u00e3o aumente sobre as 69 terras ind\u00edgenas e 42 unidades de conserva\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o, que \u00e9 um dos \u00faltimos ref\u00fagios de biodiversidade intocada do bioma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19264\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/55484166_7.png\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1920\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/55484166_7.png 1920w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/55484166_7-300x300.png 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/55484166_7-1024x1024.png 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/55484166_7-150x150.png 150w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/55484166_7-768x768.png 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/55484166_7-1536x1536.png 1536w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/55484166_7-500x500.png 500w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/55484166_7-1000x1000.png 1000w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/55484166_7-100x100.png 100w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a class=\"icon external\" href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/pt\/embed\/?map_only=1&amp;map_id=61080&amp;width=960&amp;height=480\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\">Veja o mapa interativo do InfoAmazonia<\/a><\/p>\n<p>Raj\u00e3o aponta que as cidades que de alguma forma se beneficiar\u00e3o com a pavimenta\u00e7\u00e3o s\u00e3o as que est\u00e3o nos extremos da rodovia, como Manaus, Humait\u00e1 e Apu\u00ed. Nos munic\u00edpios fora da capital do Amazonas, as \u00e1reas que mais t\u00eam chances de crescer economicamente s\u00e3o as de assentamento. O Amazonas tem 145 assentamentos. Humait\u00e1 concentra nove e Apu\u00ed dois, segundo informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra) at\u00e9 2017.<\/p>\n<p>\u00abHumait\u00e1 tem uma intera\u00e7\u00e3o forte com a Transamaz\u00f4nica at\u00e9 Apu\u00ed, onde tem \u00e1reas de assentamento, que n\u00e3o s\u00e3o protegidas por unidades de conserva\u00e7\u00e3o, e \u00e1reas n\u00e3o destinadas, que s\u00e3o ainda mais vulner\u00e1veis ao desmatamento ilegal\u00bb, diz.<\/p>\n<p>O \u00abagro-suic\u00eddio\u00bb\u00a0em curso por causa do desmatamento, que sabidamente afeta as chuvas em outras regi\u00f5es do pa\u00eds al\u00e9m da Amaz\u00f4nia, \u00abmais que inviabilizaria o alcance das metas assumidas pelo Brasil no Acordo de Paris\u00bb, aponta Raj\u00e3o.<\/p>\n<p>O desmatamento levaria a \u00abperda de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, afetando diversos servi\u00e7os ambientais, sobretudo a regula\u00e7\u00e3o de chuvas que cai sobre regi\u00f5es estrat\u00e9gicas para o agroneg\u00f3cio brasileiro\u00bb. A nota t\u00e9cnica da UFMG estima em mais de 350 milh\u00f5es de d\u00f3lares anuais as perdas em gera\u00e7\u00e3o de energia hidrel\u00e9trica, cultivo de soja e pecu\u00e1ria.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio \u00e9 prov\u00e1vel, dadas as promessas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de tocar obras na estrada e a resist\u00eancia em aderir a acordos clim\u00e1ticos. Os primeiros 198 quil\u00f4metros da BR-319, que come\u00e7a em Manaus (AM), est\u00e3o pavimentados, assim como como os 164 quil\u00f4metros finais, entre Humait\u00e1 (AM) e Porto Velho (RO). A parte mais cr\u00edtica da rodovia \u00e9 o chamado \u00abTrecho do Meio\u00bb, que tem 405 quil\u00f4metros de extens\u00e3o, do quil\u00f4metro 250 ao 655, e que fica entre os rios Madeira e Purus.<\/p>\n<p>O agroneg\u00f3cio tem reassumido papel de relev\u00e2ncia na economia brasileira. Segundo a Confedera\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Brasil (CNA), em 2019, o setor contribuiu com R$ 1,55 trilh\u00e3o ou 21,4% do PIB brasileiro. A maior parcela veio da agricultura, que corresponde a 68% desse valor, ou R$ 1,06 trilh\u00e3o, e a pecu\u00e1ria corresponde a 32%, ou R$ 494,8 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Em 2020, o agroneg\u00f3cio foi um dos setores que mais gerou postos de trabalho, com quase 100 mil empregos. O setor constitui um dos \u00abb\u00eas\u00bb da bancada \u00abBoi, B\u00edblia e Bala\u00bb do Congresso Nacional, que concentra muitos apoiadores de Bolsonaro, sendo o que mais pressiona por obras de infraestrutura e mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o ambiental no pa\u00eds.<\/p>\n<h2>Frentes econ\u00f4micas mais amaz\u00f4nicas<\/h2>\n<p>Talvez seja poss\u00edvel conciliar a repavimenta\u00e7\u00e3o da BR-319 com sustentabilidade econ\u00f4mica e conserva\u00e7\u00e3o da floresta. \u00c9 o que acredita Carlos Durigan, ambientalista e diretor da Wildlife Conservation Society (WCS Brasil). Para ele, a floresta pode, sim, receber impactos da estrada, mas que podem ser controlados ao longo do tra\u00e7ado da rodovia. A repavimenta\u00e7\u00e3o poderia, inclusive, favorecer o desenvolvimento de \u00abfrentes econ\u00f4micas mais amaz\u00f4nicas\u00bb.<\/p>\n<p>\u00abSe conseguirmos controlar, por exemplo, a ocupa\u00e7\u00e3o e o desmatamento, podemos ter o desenvolvimento positivo de frentes econ\u00f4micas mais amaz\u00f4nicas, como a pesca, a explora\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel da floresta com turismo e pagamentos por servi\u00e7os ambientais\u00bb, destaca Durigan.<\/p>\n<p>\u00abQuanto mais a gente mantiver os atributos amaz\u00f4nicos daquela regi\u00e3o, mais a gente vai conseguir desenvolver oportunidades de melhorias sociais e econ\u00f4micas a partir de um modelo amaz\u00f4nico e n\u00e3o de um modelo ex\u00f3geno, cujo modus operandi destruiu boa parte dos outros biomas brasileiros\u00bb, avalia o ambientalista.<\/p>\n<p>O caminho apontado pelo diretor da WCS Brasil est\u00e1 alinhado com o que diz o estudo da UFMG, que suscita a racionalidade econ\u00f4mica da obra. \u00abEstudos j\u00e1 questionaram a racionalidade econ\u00f4mica dessa obra uma vez que o rio Madeira \u00e9 a principal via de transporte para escoamento da produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria e Manaus j\u00e1 se encontra bem servida por transporte fluvial. O projeto [de repavimenta\u00e7\u00e3o da BR-319] \u00e9 apontado como invi\u00e1vel economicamente por somente um ter\u00e7o do investimento retornar como benef\u00edcios [para a popula\u00e7\u00e3o].E isso sem contabilizar as perdas econ\u00f4micas pelo desmatamento\u201d, destaca o estudo da universidade mineira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19267\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/55510044_401.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"394\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/55510044_401.jpg 700w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/55510044_401-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/55510044_401-500x281.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><em>Serraria na Vila de Realidade, na BR-319<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A tal corrida do ouro, que, na verdade, \u00e9 por terras, j\u00e1 acontece. De acordo com a pesquisadora do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV), Jolemia Chagas, que tamb\u00e9m \u00e9 moradora do munic\u00edpio de Manicor\u00e9 (AM), que fica no tra\u00e7ado da rodovia, o Amazonas j\u00e1 est\u00e1 consolidado como fronteira do arco do desmatamento.<\/p>\n<p>\u00abO arco vem pela Transamaz\u00f4nica e avan\u00e7a por meio do distrito de Realidade, que se formou a partir de outro distrito, o de Matupi. O asfaltamento da BR-319 n\u00e3o pode prosseguir sem garantir as salvaguardas que deveriam ser asseguradas no processo de licenciamento, assim como a consulta pr\u00e9via, livre e informada aos povos ind\u00edgenas e comunidades tradicionais, que n\u00e3o foi realizada\u00bb, diz.<\/p>\n<p>\u00abTudo isso trar\u00e1 muita destrui\u00e7\u00e3o a todo o territ\u00f3rio cortado pela rodovia, \u00e9 uma quest\u00e3o de tempo. A caixa de Pandora est\u00e1 sendo aberta\u00bb, destaca Jolemia Chagas.<\/p>\n<p>Em setembro, quando anunciou a realiza\u00e7\u00e3o de obras da rodovia, o ministro da Infraestrutura, Tarc\u00edsio Gomes de Freitas, garantiu que as interven\u00e7\u00f5es seguir\u00e3o orienta\u00e7\u00f5es de \u00f3rg\u00e3os ambientais e \u00abdevem servir de modelo na preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente\u00bb, pois o projeto \u00abinclui novos dispositivos de drenagem e recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas\u00bb.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u00abmais de 100 mil mudas nativas ser\u00e3o plantadas no segmento, 20 passagens de fauna a\u00e9reas [caminhos elevados como passarelas, pontes ou redes] e 12 subterr\u00e2neas ser\u00e3o instaladas para passagem de animais que cruzam a estrada\u00bb.<\/p>\n<p>As medidas de recomposi\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o, insuficientes para as dimens\u00f5es amaz\u00f4nicas da obra, equivaleriam \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o de cerca de 180 hectares de florestas, \u00e1rea inferior \u00e0 do Parque Ibirapuera, na capital paulista.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><em><a class=\"icon external\" href=\"https:\/\/bit.ly\/2TTYlOL\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\">Esta reportagem faz parte do Amaz\u00f4nia Sufocada<\/a>, projeto especial do InfoAmazonia com o apoio do Rainforest Journalism Fund\/Pulitzer Center.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/repavimenta%C3%A7%C3%A3o-da-br-319-pode-quadruplicar-desmatamento-no-amazonas\/a-55506804\">https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/repavimenta%C3%A7%C3%A3o-da-br-319-pode-quadruplicar-desmatamento-no-amazonas\/a-55506804<\/a>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo in\u00e9dito sobre o poss\u00edvel impacto ambiental provocado pela pavimenta\u00e7\u00e3o da rodovia BR-319 mostra que o desmatamento acumulado no estado do Amazonas pode aumentar quatro vezes at\u00e9 2050. Tamb\u00e9m estima preju\u00edzos econ\u00f4micos da ordem de 350 milh\u00f5es de d\u00f3lares anuais para o agroneg\u00f3cio, com a perda de servi\u00e7os ambientais. E mais: seria praticamente imposs\u00edvel que o Brasil cumprisse acordos clim\u00e1ticos internacionais, por causa do aumento de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa.<\/p>\n<p>A s\u00e9rie Amaz\u00f4nia Sufocada, do InfoAmazonia, mostrou na  \u00faltima reportagem sobre as queimadas no estado que os 12 munic\u00edpios amazonenses sob influ\u00eancia direta da BR-319 somam mais de 40% dos focos de calor registrados em 2020 no Amazonas. A \u00e1rea \u00e9 um dos pontos de expans\u00e3o de grilagem de terras na Amaz\u00f4nia brasileira.<\/p>\n<p>O estudo do Laborat\u00f3rio de Gest\u00e3o de Servi\u00e7os Ambientais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) projeta dois cen\u00e1rios para o per\u00edodo (2017 a 2050), um sem e outro com obras na rodovia.<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":19263,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-19275","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-radar","category-2","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19275","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19275"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19275\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19277,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19275\/revisions\/19277"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19263"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19275"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19275"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19275"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}