{"id":27634,"date":"2021-11-03T16:45:34","date_gmt":"2021-11-03T19:45:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/radar\/brasil-tem-chance-de-reduzir-78-das-emissoes-se-zerar-desmatamento\/"},"modified":"2021-11-05T16:49:32","modified_gmt":"2021-11-05T19:49:32","slug":"brasil-tem-chance-de-reduzir-78-das-emissoes-se-zerar-desmatamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/radar\/brasil-tem-chance-de-reduzir-78-das-emissoes-se-zerar-desmatamento\/","title":{"rendered":"Brasil tem chance de reduzir 78% das emiss\u00f5es se zerar desmatamento"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Revista Piau\u00ed <\/strong><br \/>\n<strong><span class=\"noticia__header--autor--nome\">Bernardo Esteves <\/span><\/strong><br \/>\n<strong>03 de novembro de 2021<\/strong><br \/>\n<strong>Amaz\u00f4nia brasileira<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"main__noticia--desc noticia__header--info\" style=\"text-align: center;\"><em>Para tanto, seria preciso uma guinada na pol\u00edtica ambiental de Bolsonaro; compromisso apresentado na COP26 fala s\u00f3 em 50% de corte<\/em><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O<\/strong> Brasil pode reduzir suas emiss\u00f5es em quase 80% at\u00e9 2030 se de fato acabar com o desmatamento nesse prazo, conforme se comprometeu numa declara\u00e7\u00e3o assinada junto com mais de cem pa\u00edses durante a <a href=\"https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/nove-anos-para-mudar-o-mundo\/\">COP26,<\/a> a Confer\u00eancia do Clima das Na\u00e7\u00f5es Unidas, que acontece em Glasgow, na Esc\u00f3cia. Apesar disso, a meta volunt\u00e1ria de corte de emiss\u00f5es que o pa\u00eds apresentou na confer\u00eancia \u00e9 de apenas 50%. Nos dois casos, o ano tomado como base para o c\u00e1lculo da redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es \u00e9 2005.<\/p>\n<p>O c\u00e1lculo do potencial de redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es brasileiras foi feito pelo engenheiro florestal Tasso Azevedo e apresentado na quarta-feira (3\/11) durante um evento paralelo da COP26. Azevedo \u00e9 o coordenador do SEEG, um sistema que calcula as emiss\u00f5es anuais do Brasil de gases do efeito estufa respons\u00e1veis pelo aquecimento global, de forma independente das estimativas oficiais feitas pelo Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00f5es. Quando soube que o Brasil aderira ao compromisso de acabar com o desmatamento anunciado durante a confer\u00eancia, o engenheiro florestal resolveu fazer a conta do impacto que isso teria nas emiss\u00f5es brasileiras.<\/p>\n<p>De acordo com os dados do <a href=\"https:\/\/seeg.eco.br\/\">SEEG<\/a>, no ano passado o Brasil emitiu 2,16 bilh\u00f5es de toneladas de CO\u2082 equivalente, dos quais praticamente 1 bilh\u00e3o de toneladas vieram do desmatamento. No entanto, como por outro lado as florestas absorveram 635 milh\u00f5es de toneladas de CO\u2082, o saldo l\u00edquido de emiss\u00f5es \u00e9 de 1,5 milh\u00e3o de toneladas de CO\u2082eq. Em seu c\u00e1lculo, Azevedo tirou do total de emiss\u00f5es o volume correspondente ao desmatamento. \u201cQuando voc\u00ea tira a perda florestal, as emiss\u00f5es de todo o resto est\u00e3o diminuindo nos \u00faltimos anos\u201d, disse ele \u00e0 <b>piau\u00ed<\/b>.<\/p>\n<div class=\"main__advert banner-interna\">\n<div class=\"main__advert--content\">\n<div id=\"piaui-900300444\" class=\"piaui-adsinglemiolo\">\n<div id=\"banner-300x250-area\" class=\"ad\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O resultado do c\u00e1lculo, quando se eliminam as emiss\u00f5es por desmatamento e se mant\u00e9m o volume de CO\u2082 capturado da atmosfera pelas florestas, s\u00e3o emiss\u00f5es l\u00edquidas de 525 milh\u00f5es de toneladas de CO\u2082eq. Esse n\u00famero \u00e9, aproximadamente, o que o Brasil emitir\u00e1 em 2030 caso de fato acabe com o desmatamento. \u201cIsso \u00e9 uma redu\u00e7\u00e3o de 65% em rela\u00e7\u00e3o a 2020, ou de 78% em rela\u00e7\u00e3o a 2005\u201d, disse Azevedo. \u201cEssa poderia facilmente ser a nossa meta. Que outro pa\u00eds do mundo pode reduzir 78% das suas emiss\u00f5es?\u201d<\/p>\n<p>Apesar disso, no novo compromisso firmado durante a COP26, o Brasil anunciou que cortaria as suas emiss\u00f5es em 50% at\u00e9 2030 em rela\u00e7\u00e3o a 2005, al\u00e9m de afirmar que acabaria com o desmatamento ilegal. Essa meta aumentou o percentual de cortes de 43% que havia sido anunciado em 2015 e reiterado no ano passado. O c\u00e1lculo feito por Azevedo mostra que o pa\u00eds perdeu a oportunidade de anunciar uma meta ainda mais ambiciosa \u2013 e capitalizar em cima disso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"capitalize\">N<\/span>o entanto, para zerar o desmatamento, conforme o Brasil se comprometeu a fazer, \u00e9 preciso combater de fato a devasta\u00e7\u00e3o florestal. Para isso, \u00e9 preciso adotar uma pol\u00edtica ambiental que v\u00e1 na dire\u00e7\u00e3o oposta \u00e0 que <a href=\"https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/materia\/o-meio-ambiente-como-estorvo\/\">tem sido conduzida<\/a> pelo governo de Jair Bolsonaro. Com o relaxamento da fiscaliza\u00e7\u00e3o e a oposi\u00e7\u00e3o do presidente \u00e0s multas ambientais, o desmatamento <a href=\"https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/economia-verde-para-ingles-ver\/\">subiu 47%<\/a> nos dois primeiros anos de sua gest\u00e3o.<\/p>\n<p>A despeito dos compromissos firmados em Glasgow, o presidente e seus ministros n\u00e3o deram nenhum sinal concreto de que tenhamos chegado a um ponto de inflex\u00e3o. \u201cN\u00e3o h\u00e1 nada na pol\u00edtica ambiental do governo Bolsonaro que indique que eles v\u00e3o mudar\u201d, disse Suely Ara\u00fajo, ex-presidente do Ibama, em outro evento da programa\u00e7\u00e3o da COP26. Ara\u00fajo projeta que 2022 ser\u00e1 um ano de \u201cconten\u00e7\u00e3o de danos\u201d, para que se evite uma perda florestal ainda maior. \u201cO pr\u00f3ximo governo \u00e9 que vai aplicar tudo o que estamos negociando em Glasgow.\u201d<\/p>\n<p>Perguntei a Izabella Teixeira, ex-ministra do Meio Ambiente, que participou da mesa em que Azevedo apresentou seu c\u00e1lculo, se temos motivos para crer que o Brasil vai zerar o desmatamento, conforme prometeu em Glasgow. Teixeira lembrou que o compromisso ao qual o pa\u00eds se juntou \u00e9 apenas uma declara\u00e7\u00e3o intencional. \u201cIsso significa que voc\u00ea tem que ter vontade pol\u00edtica e apresentar depois como pretende agir, e isso o Brasil n\u00e3o fez\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Teixeira notou, por outro lado, que a sociedade civil brasileira mostrou maturidade ao se articular para lidar com a aus\u00eancia de governo na \u00e1rea ambiental. \u201cSe o Brasil tiver vontade pol\u00edtica s\u00e9ria, chegaremos a 2030 em um cen\u00e1rio mais interessante n\u00e3o s\u00f3 do ponto de vista econ\u00f4mico, mas tamb\u00e9m geopol\u00edtico, e nesse caso a declara\u00e7\u00e3o de florestas passar\u00e1 a ser um ativo de <i>soft power<\/i> para o pa\u00eds.\u201d<\/p>\n<p>Texto original publicado em: <a href=\"https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/brasil-tem-chance-de-reduzir-78-das-emissoes-se-zerar-desmatamento\/?utm_campaign=a_semana_na_piaui_82&amp;utm_medium=email&amp;utm_source=RD+Station\">https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/brasil-tem-chance-de-reduzir-78-das-emissoes-se-zerar-desmatamento\/?utm_campaign=a_semana_na_piaui_82&amp;utm_medium=email&amp;utm_source=RD+Station<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revista Piau\u00ed Bernardo Esteves 03 de novembro de 2021 Amaz\u00f4nia brasileira &nbsp; Para tanto, seria preciso uma guinada na pol\u00edtica ambiental de Bolsonaro; compromisso apresentado na COP26 fala s\u00f3 em 50% de corte &nbsp; O Brasil pode reduzir suas emiss\u00f5es em quase 80% at\u00e9 2030 se de fato acabar com o desmatamento nesse prazo, conforme&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":333,"featured_media":27631,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-27634","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-radar","category-2","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27634","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/333"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27634"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27634\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27636,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27634\/revisions\/27636"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27631"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27634"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27634"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27634"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}