{"id":2969,"date":"2017-08-04T17:20:53","date_gmt":"2017-08-04T20:20:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/radar\/com-orcamento-desfalcado-colombia-quer-expandir-areas-protegidas\/"},"modified":"2018-03-28T11:16:36","modified_gmt":"2018-03-28T14:16:36","slug":"com-orcamento-desfalcado-colombia-quer-expandir-areas-protegidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/radar\/com-orcamento-desfalcado-colombia-quer-expandir-areas-protegidas\/","title":{"rendered":"Com or\u00e7amento desfalcado, Col\u00f4mbia quer expandir \u00e1reas protegidas"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h5 style=\"text-align: right;\"><strong>Fab\u00edola Ortiz &#8211;\u00a0<\/strong><strong>(o)) eco<\/strong><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: right;\"><strong>30 de julho de 2017<\/strong><\/h5>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_single_image image=\u00bb5013&#8243; img_size=\u00bbfull\u00bb alignment=\u00bbcenter\u00bb css_animation=\u00bbfadeIn\u00bb][vc_column_text]<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><strong>Ilhas do Ros\u00e1rio, Cartagena, Col\u00f4mbia. O arquip\u00e9lago \u00e9 formado por 27 ilhas que fazem parte do Parque Nacional Corales del Rosario. Localizado no mar do Caribe, a \u00e1rea protegida tem 120 mil hectares e apresenta uma riqueza de mangues e forma\u00e7\u00f5es coralinas &#8211; furam identificadas 62 esp\u00e9cies de corais nesta \u00e1rea. Ao redor do parque, existem 12 comunidades locais que tiram seu sustento de atividades derivadas do turismo. Foto: Fab\u00edola Ortiz.<\/strong><\/h5>\n<p>[\/vc_column_text][vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]Cartagena, Col\u00f4mbia \u2013 Em um novo cap\u00edtulo da hist\u00f3ria colombiana ap\u00f3s a assinatura dos acordos de paz com as\u00a0<i>For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (FARC)<\/i>, o pa\u00eds enfrenta agora desafios para tirar do papel a cria\u00e7\u00e3o de novas \u00e1reas protegidas e tocar suas metas ambientais de olho nos territ\u00f3rios antes sob o dom\u00ednio da guerrilha.\u00a0Ratificado no dia 30 de novembro de 2016, o acordo de paz p\u00f4s fim a meio s\u00e9culo de conflito que matou mais de 200 mil colombianos e deslocou sete milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que tudo isso se v\u00ea amea\u00e7ado com um corte gigantesco previsto para a pasta ambiental. S\u00f3 o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel sofrer\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o de 60% de seu or\u00e7amento para 2018. Outras institui\u00e7\u00f5es vitais para a pol\u00edtica ambiental do pa\u00eds tamb\u00e9m sofrer\u00e3o como a dire\u00e7\u00e3o de\u00a0Parques Nacionais Naturais de Col\u00f4mbia, entidade encarregada pela gest\u00e3o e manejo do sistema nacional de \u00e1reas protegidas, e o\u00a0Instituto de Investiga\u00e7\u00e3o de Recursos Biol\u00f3gicos Alexander von Humboldt de pesquisa cient\u00edfica que fornece dados e recomenda\u00e7\u00f5es para diretrizes nacionais e pol\u00edticas p\u00fablicas. Ambas ter\u00e3o um ter\u00e7o de seus recursos tesourados.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito grande este corte, vai nos impactar muit\u00edssimo\u201d, criticou Julia Miranda Londo\u00f1o,\u00a0diretora geral respons\u00e1vel pelos parques nacionais em entrevista a ((o))eco\u00a0no Congresso Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Biologia (ICCB 2017). Realizado em Cartagena, entre 23 e 27 de julho, o evento reuniu 2.000 pesquisadores e cientistas para discutir temas relacionados \u00e0 biodiversidade e preserva\u00e7\u00e3o da natureza. Os desafios ambientais que enfrenta Col\u00f4mbia foi o carro-chefe de muitas discuss\u00f5es e pain\u00e9is.<\/p>\n<p>\u201cEstamos com a meta de expandir o sistema de \u00e1reas protegidas e \u00e9 absurdo aumentar o sistema e recortar os recursos. N\u00e3o pode ser assim. \u00c9 muito dinheiro e implicar\u00e1 todas as atividades de controle e vigil\u00e2ncia, monitoramento de \u00e1reas protegidas, melhoria de infraestrutura dos parques e cumprimento de metas dos acordos com as comunidades locais\u201d, lamentou. Esta \u00e9 uma cifra que ainda n\u00e3o foi aprovada pelo Congresso, mas quando for, a pasta ter\u00e1 que se adaptar \u00e0 nova realidade. \u201cTeremos que distribuir os recursos para dar prioridade e, sem d\u00favida, zerar muitos dos itens de trabalho que t\u00ednhamos planejado\u201d, lamentou.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<b>Alta do desmatamento<\/b><\/p>\n<p>Com um or\u00e7amento desfalcado, a dire\u00e7\u00e3o de parques nacionais e \u00e1reas protegidas ter\u00e1 um poder menor de a\u00e7\u00e3o para combater as queimadas, mobilizar pessoas e ter instrumentos de tecnologia para atuar em tempo real. \u201cEste corte \u00e9 realmente muito grave\u201d, criticou Londo\u00f1o, que est\u00e1 desde 2004 a frente da pasta.O cen\u00e1rio se agrava ainda mais ap\u00f3s o recente an\u00fancio de que o desmatamento em 2016 aumentou 44% em rela\u00e7\u00e3o a 2015. O alerta foi feito no dia 6 de julho pelo\u00a0Instituto\u00a0de Hidrologia, Meteorologia e Estudos Ambientais (IDEAM), respons\u00e1vel pelas medi\u00e7\u00f5es. S\u00f3 a Amaz\u00f4nia colombiana respondeu por 34% da devasta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desde que assumiu h\u00e1 13 anos, ajudou a criar dez parques nacionais e ampliar outros dois \u2013 o santu\u00e1rio marinho na ilha de\u00a0Malpelo\u00a0no oceano Pac\u00edfico de 857.500 hectares, a nona maior \u00e1rea marinha do mundo; e o parque\u00a0Chiribiquete\u00a0de 2,7 milh\u00f5es de hectares na Amaz\u00f4nia com previs\u00e3o de ser ampliado em mais 1,7 milh\u00e3o de ha.<\/p>\n<p>Hoje a Col\u00f4mbia conta com 59 parques nacionais somando uma \u00e1rea de 14,3 milh\u00f5es ha. Todo o sistema de \u00e1reas protegidas que inclui reservas estaduais e de gest\u00e3o privada totaliza 23 milh\u00f5es de ha. Nove novos parques nacionais est\u00e3o em vias de cria\u00e7\u00e3o e outros cinco de expans\u00e3o.<\/p>\n<p>O sistema de \u00e1reas protegidas se incorpora \u00e0 estrat\u00e9gia de desenvolvimento do pa\u00eds\u00a0no contexto de implementa\u00e7\u00e3o dos acordos de paz, diz Londo\u00f1o. \u201cAs \u00e1reas protegidas s\u00e3o substanciais e transcendentais para o desenvolvimento do pa\u00eds. Os servi\u00e7os ambientais que elas prestam s\u00e3o fundamentais e temos, no processo de paz, uma grande oportunidade, pois o acordo estabelece princ\u00edpios para que as \u00e1reas de especial import\u00e2ncia ambiental sejam respeitadas\u201d.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<b>Fim do cultivo de coca e pecu\u00e1ria dentro dos parques<\/b><\/p>\n<p>Os acordos de paz firmados com as FARC incluem frear o avan\u00e7o da fronteira agr\u00edcola, especialmente erradicar os cultivos il\u00edcitos. Estas s\u00e3o justamente as grandes amea\u00e7as aos parques nacionais: cria\u00e7\u00e3o de gado e planta\u00e7\u00e3o de coca. A ideia \u00e9 transformar as fam\u00edlias\u00a0<i>campesinas<\/i>\u00a0que ocupam \u00e1reas nos parques em agentes da conserva\u00e7\u00e3o fazendo com que ajudem a recuperar as por\u00e7\u00f5es degradadas e realizem atividades permitidas dentro do parque, como restaura\u00e7\u00e3o, ecoturismo, controle e vigil\u00e2ncia.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia do Brasil com a cria\u00e7\u00e3o do\u00a0programa de \u00c1reas Protegidas da Amaz\u00f4nia (Arpa) tem servido de inspira\u00e7\u00e3o para os vizinhos colombianos. O Arpa, de 2002, \u00e9 o maior programa em conserva\u00e7\u00e3o de florestas tropicais no mundo com o objetivo de promover a prote\u00e7\u00e3o permanente de 60 milh\u00f5es de hectares, algo como 15% da Amaz\u00f4nia brasileira \u2013 uma \u00e1rea maior que a Alemanha.<\/p>\n<p>Mediante tantas ideias e ambi\u00e7\u00f5es, o desafio \u00e9 fazer com que as propostas saiam do papel, concordam pesquisadores e gestores. E, tudo isso, passa por ter um or\u00e7amento e um pessoal adequado, reiterou Londo\u00f1o. A falta de funcion\u00e1rios e guarda parques tamb\u00e9m \u00e9 problem\u00e1tica. N\u00e3o existe recurso para contratar pessoal a fim de tomar conta dos novos parques previstos e muito menos h\u00e1 gente para cuidar dos \u00faltimos tr\u00eas criados \u2013\u00a0Bah\u00eda Portete,\u00a0Corales de Profundidad\u00a0e\u00a0Acand\u00ed.<\/p>\n<p>Uma poss\u00edvel alternativa em discuss\u00e3o seria transformar ex-guerrilheiros em guarda parques. Mas um sonho ainda distante de ser concretizado. \u201c\u00c9 uma ideia interessante, seria muito bem vinda, pois precisamos mais gente nos parques. Mas apenas se o governo nacional nos apoiar com recursos econ\u00f4micos, pois at\u00e9 o momento n\u00e3o temos or\u00e7amento\u201d, admitiu Londo\u00f1o.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<b>Conserva\u00e7\u00e3o para a paz<\/b><\/p>\n<p>Pesquisadores do Instituto Humboldt, o mesmo que sofrer\u00e1 cortes or\u00e7ament\u00e1rios, defendem a cria\u00e7\u00e3o de uma proposta que veja a conserva\u00e7\u00e3o como ferramenta importante para a paz na Col\u00f4mbia. \u201cImagina se tivermos uma estrat\u00e9gia de ci\u00eancia e de biodiversidade para a paz que sirva para gerar conhecimento, recursos e alternativa para as popula\u00e7\u00f5es que est\u00e3o nas regi\u00f5es de p\u00f3s-conflito. E, assim, n\u00e3o voltar a ter o tipo de desenvolvimento que era o que originalmente acontecia com o corte da floresta, a expans\u00e3o de gado e agricultura\u201d, disse a\u00a0((o))eco\u00a0Jose Ochoa, coordenador do programa de avalia\u00e7\u00e3o e monitoramento da biodiversidade do Humboldt.<\/p>\n<p>Os dados sobre biodiversidade s\u00e3o ainda muito limitados nestas \u00e1reas antes dominadas pelas FARC, que representam um ter\u00e7o do pa\u00eds. \u201cTemos um vazio de informa\u00e7\u00e3o nestes lugares, s\u00e3o \u00e1reas que estiveram vedadas para infraestrutura e conhecimento. N\u00e3o sabemos exatamente quais s\u00e3o as esp\u00e9cies que vivem l\u00e1 e se h\u00e1 alguma amea\u00e7ada\u201d, destacou. \u201cEstamos come\u00e7ando a pensar como a biodiversidade tamb\u00e9m pode gerar alternativas de produ\u00e7\u00e3o para que tenhamos paz e, para isso, necessitamos conhecimento\u201d, defendeu Ochoa.<\/p>\n<p>Este cen\u00e1rio de p\u00f3s-conflito tem deixado os pesquisadores em estado de aten\u00e7\u00e3o. O termo \u2018p\u00f3s-conflito\u2019 virou a express\u00e3o da moda nos meios acad\u00eamicos e pol\u00edticos. \u201cN\u00e3o estamos nem em guerra nem em paz, e sim em um processo que passa pela desmobiliza\u00e7\u00e3o, entrega das armas, recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e reconcilia\u00e7\u00e3o para que possamos considerar um pa\u00eds em paz. Temos muitas coisas para solucionar\u201d, discutiu o pesquisador do Humboldt.<\/p>\n<p>Entre os impasses est\u00e1 a falta de titula\u00e7\u00e3o de terras que muitos\u00a0<i>campesinos<\/i>\u00a0nunca tiveram mas que, ap\u00f3s d\u00e9cadas de terem sido deslocados em raz\u00e3o do conflito, hoje reclamam seu retorno. \u201cUm dos maiores desafios \u00e9 considerar a biodiversidade como um componente importante do processo de desenvolvimento dessas zonas. O governo pensa em rodovias e produ\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o considera a biodiversidade\u201d.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/reportagens\/com-orcamento-desfalcado-colombia-quer-expandir-areas-protegidas\/\">www.oeco.org.br\/reportagens\/com-orcamento-desfalcado-colombia-quer-expandir-areas-protegidas<\/a><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Fab\u00edola Ortiz &#8211;\u00a0(o)) eco 30 de julho de 2017 [\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_single_image image=\u00bb5013&#8243; img_size=\u00bbfull\u00bb alignment=\u00bbcenter\u00bb css_animation=\u00bbfadeIn\u00bb][vc_column_text] Ilhas do Ros\u00e1rio, Cartagena, Col\u00f4mbia. 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