{"id":29831,"date":"2021-12-22T16:05:45","date_gmt":"2021-12-22T19:05:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/radar\/mineradora-canadense-aproveita-boiada-para-explorar-ouro-mesmo-sem-licenca-ambiental\/"},"modified":"2021-12-22T16:05:45","modified_gmt":"2021-12-22T19:05:45","slug":"mineradora-canadense-aproveita-boiada-para-explorar-ouro-mesmo-sem-licenca-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/radar\/mineradora-canadense-aproveita-boiada-para-explorar-ouro-mesmo-sem-licenca-ambiental\/","title":{"rendered":"Mineradora canadense aproveita boiada para explorar ouro mesmo sem licen\u00e7a ambiental"},"content":{"rendered":"<div data-reactid=\"205\">\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>The Intercept<\/strong><br \/>\n<strong>F\u00e1bio Bispo <\/strong><br \/>\n<strong>22 de dezembro de 2021<\/strong><br \/>\n<strong>Amaz\u00f4nia brasileira<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><em>PROJETO BOIADA PARTE 2:Uma parceria entre Intercept e Observat\u00f3rio do Clima para acompanhar o desmonte acelerado das pol\u00edticas socioambientais.<\/em><\/h3>\n<div data-reactid=\"205\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A mineradora canadense Cabral Gold acredita ter feito um neg\u00f3cio da China. Gra\u00e7as a uma manobra articulada por pol\u00edticos para l\u00e1 de enrolados com empres\u00e1rios do setor, em janeiro deste ano a empresa conseguiu o direito de explorar at\u00e9 100 mil toneladas de ouro anualmente em uma \u00e1rea de floresta no sudeste do Par\u00e1 \u2013 antes mesmo de ter o licenciamento ambiental e a concess\u00e3o definitiva de lavra no local. A empresa j\u00e1 escava a \u00e1rea sem nenhum tipo de autoriza\u00e7\u00e3o desde 2017 \u2013 para a Cabral Gold, trata-se da terceira maior mina de ouro do Brasil.<\/p>\n<p>O que permitiu \u00e0 canadense dar esse jeitinho e levou o CEO da empresa, Alan Carter, a sair \u00e0 ca\u00e7a de investidores pelo mundo foram duas Guias de Utiliza\u00e7\u00e3o, as GUs, emitidas pela Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o, a ANM. Na peregrina\u00e7\u00e3o por dinheiro, Carter saiu mostrando pepitas de ouro e at\u00e9 uma pedra maci\u00e7a de 18 quilos coletadas nos riachos de Cui\u00fa-Cui\u00fa.<\/p>\n<\/div>\n<div data-reactid=\"216\">\n<p>At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, a GU era uma autoriza\u00e7\u00e3o que funcionava apenas em <a href=\"https:\/\/anmlegis.datalegis.inf.br\/action\/ActionDatalegis.php?acao=abrirTextoAto&amp;link=S&amp;tipo=POR&amp;numeroAto=00000155&amp;seqAto=000&amp;valorAno=2016&amp;orgao=DNPM\/MME&amp;codTipo=A&amp;desItem=102&amp;desItemFim=&amp;cod_modulo=431&amp;cod_menu=\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">car\u00e1ter excepcional<\/a>, como forma de uma empresa extrair quantidades limitadas de min\u00e9rio por tempo determinado. O carimbo permitia ao minerador fazer an\u00e1lises e testes para entender se fazia sentido continuar o empreendimento. Desde 4 de junho de 2020, por\u00e9m, quando foi publicada a <a href=\"https:\/\/www.in.gov.br\/en\/web\/dou\/-\/resolucao-n-37-de-4-de-junho-de-2020-260629588\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">resolu\u00e7\u00e3o 37<\/a>, que mudou as regras para emiss\u00e3o de GUs, a exce\u00e7\u00e3o se tornou atalho para antecipar a opera\u00e7\u00e3o de projetos miner\u00e1rios dos mais diferentes portes e tipos de explora\u00e7\u00e3o, como o da Cabral Gold.<\/p>\n<p>A canetada veio menos de dois meses depois da infame <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2020\/05\/22\/ministro-do-meio-ambiente-defende-passar-a-boiada-e-mudar-regramento-e-simplificar-normas.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">reuni\u00e3o ministerial<\/a>\u00a0em que\u00a0o ent\u00e3o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sugeriu \u201cir passando a boiada\u201d enquanto o pa\u00eds estava distra\u00eddo com a pandemia de covid-19. Como se provou nos meses seguintes, o governo aceitou a proposta e encaminhou dezenas de medidas que diminu\u00edram a prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"img-wrap align-right width-fixed\" data-reactid=\"217\">\n<div data-reactid=\"218\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-381456\" src=\"https:\/\/theintercept.imgix.net\/wp-uploads\/sites\/1\/2021\/12\/pedra-maci%C3%A7a-de-ouro.jpeg?auto=compress%2Cformat&amp;q=90\" alt=\"Pedra maci\u00e7a de ouro de 18 quilos coletadas nos riachos de Cui\u00fa-Cui\u00fa.\" \/><\/p>\n<p class=\"caption\">Pedra maci\u00e7a de 18 quilos de ouro\u00a0apresentada por Carter a investidores.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div data-reactid=\"219\">\n<p>A mudan\u00e7a nas regras da GU foi gestada em dezembro de 2019, em uma reuni\u00e3o com o Instituto do Desenvolvimento da Minera\u00e7\u00e3o, o IDM, uma organiza\u00e7\u00e3o que se apresenta como \u00f3rg\u00e3o t\u00e9cnico e cient\u00edfico da Frente Parlamentar da Minera\u00e7\u00e3o. Quem conduziu o encontro foi o ent\u00e3o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, um deputado federal do DEM-RS que manteve reuni\u00f5es com o grupo em 2019 e 2020 com promessas de pautar demandas da minera\u00e7\u00e3o no governo.<\/p>\n<p>Onyx, hoje ministro do Trabalho e Previd\u00eancia, viabilizou as mudan\u00e7as na Guia de Utiliza\u00e7\u00e3o, segundo <a href=\"https:\/\/idmbrasil.org.br\/item\/anm-acata-sugestao-apresentada-pela-fpm-e-pelo-idm-brasil\/101\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">anunciou<\/a> o pr\u00f3prio IDM, e abriu as portas do governo Bolsonaro para atender o setor: \u201cnunca anteriormente em nosso pa\u00eds, um ministro da Casa Civil havia demonstrado tanto respeito e comprometimento com o setor de minera\u00e7\u00e3o brasileiro\u201d, manifestou a entidade. Em 2019, por exemplo, foi Onyx quem\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ambiente\/2019\/09\/governo-vai-iniciar-regulamentacao-da-mineracao-em-terra-indigena-diz-onyx.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">anunciou<\/a> a disposi\u00e7\u00e3o do governo para liberar minera\u00e7\u00e3o em terras ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Com a nova resolu\u00e7\u00e3o, a licen\u00e7a ambiental, que antes era pr\u00e9-requisito para a emiss\u00e3o da Guia de Utiliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 mais obrigat\u00f3ria. A manobra tamb\u00e9m inverteu a ordem das exig\u00eancias e, agora, as mineradoras primeiro obt\u00eam a autoriza\u00e7\u00e3o da ANM para depois buscarem o aval do \u00f3rg\u00e3o ambiental. Ou seja, a ag\u00eancia autoriza a atividade antes mesmo de saber o seu potencial impacto sobre o meio ambiente.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a causou tanta estranheza entre os servidores da ANM que a ag\u00eancia teve que lan\u00e7ar uma <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1OEAYFulSAqDQjyXYrKbF287XLXcErFzU\/view?usp=sharing\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">nota t\u00e9cnica<\/a> refor\u00e7ando que, sim, as GUs devem ser emitidas sem a licen\u00e7a ambiental. Na nota, a ANM defende as novas regras em nome da desburocratiza\u00e7\u00e3o e refor\u00e7a que \u201cn\u00e3o devem prosperar interpreta\u00e7\u00f5es que dificultem ou atrasem a emiss\u00e3o da GU, bem como que imponham \u00f4nus ao minerador\u201d. Tal qual prop\u00f4s o ministro Ricardo Salles na reuni\u00e3o ministerial, \u201cmudando todo o regramento e simplificando normas [ambientais] [\u2026] de baciada\u201d.<\/p>\n<p>A mesma resolu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m diz que o licenciamento ambiental ou documento equivalente deve ser apresentado at\u00e9 10 dias depois da emiss\u00e3o da guia, sob pena de cancelamento da permiss\u00e3o. No entanto, o pr\u00f3prio processo da Cabral Gold mostra como essa \u00e9 uma regra para ingl\u00eas \u2013 ou canadense \u2013 ver. Passado quase um ano desde a emiss\u00e3o da Guia de Utiliza\u00e7\u00e3o para lavra experimental, a empresa ainda n\u00e3o obteve licenciamento ambiental, e sua GU segue ativa.<\/p>\n<p>Segundo a Secretaria do Meio Ambiente do Par\u00e1, ainda n\u00e3o foi apresentado nem o plano para a bacia de rejeitos, local para onde \u00e9 descartado o material que sobra da minera\u00e7\u00e3o do ouro e uma parte importante do projeto. Isso aponta para outro problema causado pela mudan\u00e7a nas regras da GU: a press\u00e3o ainda maior sobre os \u00f3rg\u00e3os ambientais, que precisam analisar o licenciamento de projetos que j\u00e1 chegam com aval da Ag\u00eancia de Minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAs propostas de licenciamento ambiental que est\u00e3o surgindo pressup\u00f5em que os locais que possuem algum tipo de atividade sejam considerados de menor impacto. Essas atividades [autorizadas com a GUs] j\u00e1 poder\u00e3o ser consideradas como atividades iniciais, fazendo com que se tenha licenciamento flex\u00edvel ou at\u00e9 mesmo r\u00e1pido, pois podem considerar n\u00e3o uma nova atividade, mas uma expans\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o, e esse \u00e9 um risco desta resolu\u00e7\u00e3o\u201d, explicou o pesquisador Luiz Jardim Wanderley, Coordenador do Observat\u00f3rio dos Conflitos da Minera\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"img-wrap align-bleed large-bleed width-auto\" data-reactid=\"220\">\n<div data-reactid=\"221\">\n<div id=\"attachment_381471\" style=\"width: 2010px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-381471\" class=\"wp-image-381471 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/theintercept.imgix.net\/wp-uploads\/sites\/1\/2021\/12\/GettyImages-1174203973.jpg?auto=compress%2Cformat&amp;q=90\" alt=\"03 October 2019, Brazil, Itaituba: View of the gold shops &quot;Ouro e Joias&quot; (r) and &quot;Mineradora Tapajos&quot;, where gold prospectors turn gold into money and sell what they have torn from the ground in laborious work. Gold prospecting in the Amazon offers men from all over Brazil a quick way to make money. But the extraction of the precious metal destroys the nature and the cohesion of the indigenous people. (to dpa &quot;The dirty business with the Amazon gold&quot;) Photo: Monica Raymunt\/dpa (Photo by Monica Raymunt\/picture alliance via Getty Images)\" width=\"2000\" height=\"1333\" \/><p id=\"caption-attachment-381471\" class=\"wp-caption-text\">Mineradoras em Itaituba, em que est\u00e1 localizada Cui\u00fa-Cui\u00fa. A regi\u00e3o j\u00e1 foi palco da maior corrida do ouro do pa\u00eds nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980. Mais de 100 mil pessoas estiveram por l\u00e1\u00a0escavando em busca do min\u00e9rio, superando at\u00e9 os n\u00fameros da mais conhecida Serra Pelada.\u00a0 Foto: M\u00f4nica Raymunt\/picture alliance via Getty Images<\/p><\/div>\n<p class=\"caption source pullright\">\n<\/div>\n<\/div>\n<div data-reactid=\"222\">\n<h3>O mapa da mina<\/h3>\n<p><span class=\"dropcap\" data-shortcode-type=\"dropcap\">D<\/span>outor em geologia, o empres\u00e1rio Alan Carter passou os \u00faltimos 13 anos trabalhando para as gigantes da minera\u00e7\u00e3o, como Rio Tinto e BHP Billiton, at\u00e9 se aventurar na busca de ouro no Par\u00e1 pela Cabral Gold. Ele se apresenta como principal investidor do neg\u00f3cio, com 1,7 milh\u00e3o de d\u00f3lares. O que n\u00e3o significa que esteja sozinho nessa.<\/p>\n<p>Entre os diretores mais recentes anunciados pela Cabral Gold est\u00e1 <a href=\"https:\/\/www.bloomberg.com\/press-releases\/2020-11-16\/cabral-gold-announces-the-appointment-of-carlos-vilhena-to-board-of-directors\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Carlos Vilhena<\/a>, um advogado com larga experi\u00eancia no setor miner\u00e1rio brasileiro. S\u00f3cio do escrit\u00f3rio Pinheiro Neto, uma das maiores bancas de advocacia do pa\u00eds, em 2015 Vilhena foi acusado de <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/noticias\/2015\/12\/151202_escritorio_mineradoras_codigo_mineracao_rs\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">alterar trechos da ent\u00e3o minuta que previa<\/a> mudan\u00e7as no C\u00f3digo de Minera\u00e7\u00e3o. Mais de\u00a0100 altera\u00e7\u00f5es no relat\u00f3rio final do ent\u00e3o relator do projeto, deputado Leonardo Quint\u00e3o, do MDB mineiro, foram realizadas no computador de Vilhena, como mostrou a BBC. Na \u00e9poca, o advogado afirmou que colaborou \u201cvoluntariamente\u201d no texto do projeto de lei.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio de Quint\u00e3o n\u00e3o prosperou, mas a ideia de alterar o C\u00f3digo de Minera\u00e7\u00e3o segue mais viva do que nunca. Artigos do relat\u00f3rio de Quint\u00e3o, o mesmo constru\u00eddo com a colabora\u00e7\u00e3o do agora diretor da Cabral Gold, Carlos Vilhena, foram incorporados na proposta preliminar do novo C\u00f3digo de Minera\u00e7\u00e3o da deputada Greyce Elias, do Avante de Minas Gerais, apresentada na C\u00e2mara em novembro deste ano.<\/p>\n<p>Um dos artigos pede a amplia\u00e7\u00e3o da validade da Guia de Utiliza\u00e7\u00e3o por tempo indeterminado at\u00e9 a concess\u00e3o definitiva de lavra \u2013 hoje, o limite \u00e9 de tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>Como se n\u00e3o bastasse, o grupo, apoiado pela mesma IDM que gestou as mudan\u00e7as, tamb\u00e9m pretende tornar a minera\u00e7\u00e3o uma \u201catividade de utilidade p\u00fablica, de interesse nacional e essencial \u00e0 vida humana\u201d, o que confere ao setor prerrogativas especiais diante de outras \u00e1reas da sociedade.<\/p>\n<p>Greyce Elias \u00e9 casada com o empres\u00e1rio Pablo Cesar de Souza, o Pablito, ligado ao setor de minera\u00e7\u00e3o e <a href=\"https:\/\/idmbrasil.org.br\/pagina\/idm-brasil-realiza-reuniao-com-mineradores-para-debater-as-necessidades-do-setor-e-empossar-diretor-em-minas-gerais\/19\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">empossado<\/a> como diretor do IDM em 2019 sob aplausos de Quint\u00e3o e empres\u00e1rios da minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Antes de chegar ao IDM, Pablito ocupou cargos de confian\u00e7a no antigo Departamento Nacional de Produ\u00e7\u00e3o Mineral, substitu\u00eddo pela ANM, na gest\u00e3o Temer, e manteve sociedades com empresas de minera\u00e7\u00e3o. Atualmente est\u00e1 <a href=\"https:\/\/www.otempo.com.br\/politica\/minas-na-esplanada\/subscription-required-7.5927739?aId=1.2200497\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">lotado <\/a>no gabinete do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, do PSD mineiro.<\/p>\n<p>A uni\u00e3o do casal gerou pol\u00eamica na comiss\u00e3o que discute a mat\u00e9ria na C\u00e2mara, e deputados de oposi\u00e7\u00e3o apontaram conflito de interesses no relat\u00f3rio de Elias. Mas a deputada n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica nessa situa\u00e7\u00e3o. Pelo menos seis parlamentares do atual Grupo de Trabalho que discute o assunto na C\u00e2mara <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/12\/11\/donos-de-mineradoras-financiaram-eleicao-de-seis-deputados-do-gt-que-quer-alterar-codigo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">receberam doa\u00e7\u00f5es<\/a> de donos de empresas de minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>Garimpo ilegal por contrato<\/h3>\n<p><span class=\"dropcap\" data-shortcode-type=\"dropcap\">O<\/span> projeto da Cabral Gold pretende ocupar cerca de 10 mil hectares do distrito de Cui\u00fa-Cui\u00fa, que j\u00e1 foi palco da maior corrida do ouro do pa\u00eds nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980. Mais de 100 mil pessoas estiveram na regi\u00e3o escavando em busca do min\u00e9rio, superando at\u00e9 os n\u00fameros da mais conhecida <a href=\"https:\/\/brasilescola.uol.com.br\/brasil\/serra-pelada.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Serra Pelada<\/a>.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s d\u00e9cadas fora do radar, no in\u00edcio dos anos 2000,\u00a0<a href=\"https:\/\/pib.socioambiental.org\/en\/Not%C3%ADcias?id=42441\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">diversos projetos estrangeiros aportaram<\/a> no rio Tapaj\u00f3s para buscar ouro nas profundezas dos grandes garimpos. Foi a\u00ed que a Associa\u00e7\u00e3o dos Posseiros do Garimpo Cui\u00fa-Cui\u00fa viu uma oportunidade. Em 2004, a entidade cedeu a \u00e1rea para a canadense Magellan iniciar pesquisas em busca de min\u00e9rios. Depois, em 2017, o projeto foi comprado pela Cabral Gold. As autoriza\u00e7\u00f5es de pesquisa para recolher material na \u00e1rea estavam vencidas desde 2013.<\/p>\n<p>Segundo a ANM, em 2017 a empresa chegou a solicitar pesquisa complementar, no entanto, <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1s5SAuH0Tt2r1hE3VkGN7z1n8a3cHqo0o\/view?usp=sharing\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">nenhuma nova autoriza\u00e7\u00e3o<\/a> para escavar o terreno foi inclu\u00edda no Sigmine, o sistema de acompanhamento dos processos miner\u00e1rios ativos no Brasil.<\/p>\n<p>No <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1dTpNgg3mcfn5ADIlHYZBxvjmMV1Xy94H\/view?usp=sharing\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">contrato<\/a> com a associa\u00e7\u00e3o, a Cabral Gold autorizou a perman\u00eancia dos garimpeiros no local com a promessa de pagamento que varia entre 2 e 6 milh\u00f5es de d\u00f3lares, dependendo do tamanho da mina a ser descoberta, pagos ap\u00f3s a ANM liberar a concess\u00e3o de lavra para a explora\u00e7\u00e3o da mina em profundidade.<\/p>\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o permite a instala\u00e7\u00e3o de garimpos em \u00e1reas que j\u00e1 s\u00e3o requeridas para minera\u00e7\u00e3o industrial. Mesmo assim, a Cabral Gold autorizou a continuidade dos garimpos em Cui\u00fa-Cui\u00fa. Mas com um detalhe: se eximiu de qualquer responsabilidade sobre a legalidade das opera\u00e7\u00f5es, que, segundo indica a empresa no texto, deve ser requerida \u00e0 Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo a pr\u00f3pria a ANM, apesar de possuir Guia de Utiliza\u00e7\u00e3o, a empresa ainda n\u00e3o tem licenciamento ambiental para iniciar nem a lavra experimental. Ou seja, desde 2013, nenhuma nova autoriza\u00e7\u00e3o foi emitida para o projeto de ouro da mineradora, o que indica que a Cabral Gold escavou a \u00e1rea em situa\u00e7\u00e3o irregular.<\/p>\n<p>As imagens de sat\u00e9lite confirmam o que Alan Carter divulga nas suas investidas em buscas de novos investidores: as atividades em Cui\u00fa-Cui\u00fa de fato s\u00e3o intensas desde 2017. O Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amaz\u00f4nia Legal por Sat\u00e9lite, o <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1hP9vQ0h726cEO2gdRkmX8n1gtFXa9XLR\/view?usp=sharing\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Prodes<\/a>, mostra que diversas \u00e1reas dentro do projeto da canadense <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/14V86iiXF2P_R8GopymM02CIrc1aTAlbG\/view?usp=sharing\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">foram desmatadas<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"img-wrap align-center width-fixed\" data-reactid=\"223\">\n<div data-reactid=\"224\">\n<p class=\"caption\">Imagens de sat\u00e9lite da \u00e1rea minerada pela Cabral Gold em 2021 e em 2017, antes da empresa come\u00e7ar a \u201cpesquisar\u201d a exist\u00eancia de ouro na regi\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignright size-thumbnail wp-image-381461\" src=\"https:\/\/theintercept.imgix.net\/wp-uploads\/sites\/1\/2021\/12\/prints-01.jpg?auto=compress%2Cformat&amp;q=90\" alt=\"As imagens de sat\u00e9lite confirmam que as atividades em Cui\u00fa-Cui\u00fa s\u00e3o intensas desde 2017.\" \/><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div data-reactid=\"225\">\n<p>\u201cNos \u00faltimos 15 anos da minha carreira, eu estive obcecado em descobrir de onde veio todo esse ouro\u201d, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=2UkA-RA7-AU\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">disse Alan Carter<\/a> no come\u00e7o de dezembro em entrevista no Mines and Money London, maior evento de investimentos em minera\u00e7\u00e3o da Europa. O CEO da Cabral Gold n\u00e3o perdeu a oportunidade de repetir novas descobertas que confirmam o potencial da mina e, consequentemente, tamb\u00e9m das <a href=\"https:\/\/br.investing.com\/equities\/san-angelo-oil-ltd\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a\u00e7\u00f5es <\/a>da empresa.<\/p>\n<p>A Cabral Gold entrou na Bolsa de Toronto no mesmo ano em que comprou o projeto da Magellan, em novembro de 2017. No in\u00edcio de 2020, as a\u00e7\u00f5es da empresa valiam 0,19 centavos de d\u00f3lar. Em janeiro deste ano, m\u00eas em que recebeu a Guia de Utiliza\u00e7\u00e3o da ANM, os pap\u00e9is dispararam e chegaram a 0,78 centavos, uma valoriza\u00e7\u00e3o de mais de 310% \u2013 apesar da autoriza\u00e7\u00e3o s\u00f3 ter sido publicada no Di\u00e1rio Oficial no m\u00eas seguinte.<\/p>\n<p>Cada GU permite que a empresa minere at\u00e9 50 toneladas de ouro, o que daria \u00e0 Cabral Gold, que tem duas Guias de Utiliza\u00e7\u00e3o, carta branca para minerar 100 toneladas por ano do material. Isso alerta para outro problema, como lembrou Wanderley, do Observat\u00f3rio dos Conflitos da Minera\u00e7\u00e3o no Brasil. Quem controla o volume de min\u00e9rio extra\u00eddo dessas \u00e1reas\u00a0por meio das Guias de Utiliza\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Em setembro, mostramos no <strong>Intercept<\/strong> como a novata Gana Gold, que conseguiu uma GU para testar a viabilidade da minera\u00e7\u00e3o de ouro na Amaz\u00f4nia, <a href=\"https:\/\/theintercept.com\/2021\/09\/16\/mineradora-novata-ja-explorou-32-vezes-mais-ouro-do-que-o-previsto-em-area-protegida-da-amazonia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">faturou mais de R$ 1 bilh\u00e3o em pouco mais de um ano<\/a> explorando 32 vezes mais do que o previsto com a autoriza\u00e7\u00e3o experimental.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"PromoteRelatedPost-promo\">\n<div class=\"PromoteRelatedPost-promo-link-thumbnail\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/theintercept-static.imgix.net\/usq\/11098954-14a0-45ab-9de1-708e4c0f416e\/11098954-14a0-45ab-9de1-708e4c0f416e.jpeg?auto=compress,format&amp;cs=srgb&amp;dpr=2&amp;h=440&amp;w=440&amp;fit=crop&amp;crop=faces%2Cedges&amp;_=0b950451150f3314a254b6cd1f7d4b71\" alt=\"\" width=\"440\" height=\"440\" aria-hidden=\"true\" \/><\/div>\n<div class=\"PromoteRelatedPost-promo-link-text\">\n<h2 class=\"PromoteRelatedPost-promo-link-eyebrow\">Relacionado<\/h2>\n<h3 class=\"PromoteRelatedPost-promo-link-title\">Canetada de Bolsonaro permite que ind\u00fastria do sal perpetue destrui\u00e7\u00e3o ambiental no Rio Grande do Norte<\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n<div data-reactid=\"278\">\n<p>Aos investidores e ao mercado, a Cabral Gold promete ter encontrado a terceira maior mina de ouro do Brasil. Na pr\u00e1tica, com as Guias de Utiliza\u00e7\u00e3o, a empresa aproveitou para instalar uma <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/17tAD2wRnc25k3f0RCsV5jPSyJ426o0vB\/view?usp=sharing\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">planta para extrair ouro da superf\u00edcie<\/a>\u00a0a fim de ampliar o capital da empresa \u2014uma esp\u00e9cie de garimpo com maquin\u00e1rios mais modernos: \u201ceu acho que para os nossos investidores e acionistas esta \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o muito atraente\u201d, declarou Carter ao site americano Crux Investor.<\/p>\n<p>No final de novembro, em Londres, Alan Carter disse ainda que a Cabral Gold \u201ctem cinco sondas girando\u201d, extraindo min\u00e9rio para an\u00e1lise, e que j\u00e1 escavou mais de 25 mil metros c\u00fabicos no local. A promessa \u00e9 de que em at\u00e9 um ano estar\u00e3o com a opera\u00e7\u00e3o completa em funcionamento.<\/p>\n<p>Ao <strong>Intercept<\/strong> Alan Carter voltou a afirmar que \u201cno momento a empresa est\u00e1 realizando pesquisa mineral\u201d na \u00e1rea do projeto Cui\u00fa-Cui\u00fa, mas sem indicar quais tipos de licen\u00e7as a empresa possui. N\u00f3s tamb\u00e9m conversamos com Ruari McKnight, que \u00e9 representante legal da Cabral Gold no Brasil, e que disse ter obtido autoriza\u00e7\u00e3o da prefeitura de Itaituba para pesquisas na \u00e1rea.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es contradizem o que aponta a ANM, de que a empresa n\u00e3o tem autoriza\u00e7\u00e3o v\u00e1lida para qualquer tipo de atividade na \u00e1rea desde o fim do prazo da pesquisa, que encerrou em 2013.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"img-wrap align-bleed large-bleed width-auto\" data-reactid=\"279\">\n<div data-reactid=\"280\">\n<div id=\"attachment_381472\" style=\"width: 1945px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-381472\" class=\"wp-image-381472 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/theintercept.imgix.net\/wp-uploads\/sites\/1\/2021\/12\/GettyImages-1236612404.jpg?auto=compress%2Cformat&amp;q=90\" alt=\"Indigenous protestors from the Tupinamba tribe display a banner reading In defense of the Tapajos river, its people and their culture during a protest over environmental concerns and land rights, on a boat on the Tapajos river, in Santarem, Para state, Brazil, on November 13, 2021. (Photo by Leondro MILANO \/ AFP) (Photo by LEONDRO MILANO\/AFP via Getty Images)\" width=\"1935\" height=\"1290\" \/><p id=\"caption-attachment-381472\" class=\"wp-caption-text\">Ap\u00f3s d\u00e9cadas fora do radar, no in\u00edcio dos anos 2000\u00a0diversos projetos estrangeiros aportaram\u00a0no rio Tapaj\u00f3s para buscar ouro nas profundezas dos grandes garimpos. Foto: Leondro Milano\/AFP via Getty Images<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div data-reactid=\"281\">\n<h3><\/h3>\n<h3><\/h3>\n<h3><\/h3>\n<h3><\/h3>\n<h3><\/h3>\n<h3><\/h3>\n<h3 class=\"caption overlayed\">Nem s\u00f3 de ouro<\/h3>\n<p><span class=\"dropcap\" data-shortcode-type=\"dropcap\">M<\/span>as a canadense Cabral Gold n\u00e3o foi a \u00fanica beneficiada com a boiada da GU. Enquanto se notabilizava pela distribui\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/www.rondoniagora.com\/geral\/grupo-cesar-cassol-energia-e-calcario-ja-doou-quase-mil-kits-contra-o-coronavirus\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ivermectina <\/a>e pelo incentivo a tratamentos mirabolantes e n\u00e3o comprovados contra o coronav\u00edrus, como <a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/app\/noticia\/politica\/2021\/03\/23\/interna_politica,1249786\/senador-defende-uso-de-solda-eletrica-contra-a-covid-19-veja-o-video.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">uso de solda el\u00e9trica<\/a>, o ex-governador e ex-senador Ivo Cassol, do PP de Rond\u00f4nia, tirava do papel o projeto de uma nova mina de calc\u00e1rio dolom\u00edtico, utilizado como fertilizante pelo agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Com quatro Guias de Utiliza\u00e7\u00e3o em m\u00e3os, em 17 de agosto, o Grupo Cassol inaugurou <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=xWvNQrg9bNI\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a segunda usina<\/a> de beneficiamento de calc\u00e1rio do grupo, em Nova Brasil\u00e2ndia D\u2019Oeste, Rond\u00f4nia. Assim como no caso da Cabral Gold, o processo foi feito antes da conclus\u00e3o do licenciamento ambiental e da concess\u00e3o definitiva de lavra pela ANM.<\/p>\n<p>E mesmo que cada GU permita a explora\u00e7\u00e3o de at\u00e9 20 mil toneladas de calc\u00e1rio por ano, a inaugura\u00e7\u00e3o da usina foi anunciada como em pleno funcionamento, com capacidade para produzir mil toneladas da subst\u00e2ncia por dia que ser\u00e1 destinada para produ\u00e7\u00e3o de fertiliza\u00e7\u00e3o. O Grupo Cassol, que estima produzir 500 mil toneladas de calc\u00e1rio por ano para abastecer as regi\u00f5es agr\u00edcolas do Mato Grosso, Rond\u00f4nia e Acre.<\/p>\n<p>Em maio deste ano, Cassol esteve com Bolsonaro na inaugura\u00e7\u00e3o da ponte do Abun\u00e3, na BR-364 sobre o rio Madeira, que vai ligar o Acre a Rond\u00f4nia. Em v\u00eddeo publicado nas redes, Cassol aparece ao lado de presidente afirmando \u201cestamos juntos em 2022\u201d. Recentemente, o pol\u00edtico liderou uma comitiva de prefeitos em <a href=\"https:\/\/www.nahoraonline.com\/cesar-cassol-lidera-grupo-de-empresarios-prefeitos-e-parlamentares-em-audiencia-com-bolsonaro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">encontro com Bolsonaro<\/a> para pedir a constru\u00e7\u00e3o de outra ponte, desta vez sobre o rio Guapor\u00e9, na fronteira de Costa Marques com a Bol\u00edvia.<\/p>\n<p>Em entrevista a um site local, Cassol diz que a ponte inaugurada no Madeira, que recebeu <a href=\"https:\/\/ne-np.facebook.com\/extrema24horas\/videos\/491169372139243\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">emendas<\/a> de quando ele era senador, vai melhorar a log\u00edstica para distribui\u00e7\u00e3o do calc\u00e1rio. \u201cO agricultor comprava o calc\u00e1rio no Acre, por exemplo, e o frete era um absurdo\u201d, comentou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do calc\u00e1rio, as empresas do Grupo Cassol tamb\u00e9m possuem requerimentos ativos para explora\u00e7\u00e3o de ouro, cobre e diamante. O grupo j\u00e1 explora uma mina em Parecis, tamb\u00e9m em Rond\u00f4nia, onde prev\u00ea a constru\u00e7\u00e3o de uma <a href=\"http:\/\/portalhom.datalegis.inf.br\/resenha.php?periodo=2020-10-15\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pista de pouso<\/a>.<\/p>\n<p>Em 2008, Ivo Cassol, ainda governador, declarou durante visita a uma usina de calc\u00e1rio interditada pelo Ibama<a href=\"https:\/\/gov-ro.jusbrasil.com.br\/noticias\/444543\/cassol-vistoria-mina-de-calcario-fechada-pelo-ibama-e-fica-indignado-com-o-abandono\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> que, se n\u00e3o liberassem o calc\u00e1rio no estado, o desmatamento aumentaria.<\/a> Com o passar dos anos, tanto o calc\u00e1rio foi liberado em Rond\u00f4nia, como os pr\u00f3prios neg\u00f3cios da fam\u00edlia Cassol, antes concentrados em energia hidrel\u00e9trica, expandiram justamente para este setor.<\/p>\n<p><em><strong>*Ilustra\u00e7\u00f5es:<span class=\"FeaturedImageCaptionText FeaturedImageCaptionText--desktop\" data-reactid=\"154\"><span class=\"FeaturedImageCaption-credit\" data-reactid=\"157\"> Elisa Pess\u00f4a para o Intercept Brasil<\/span><\/span><\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Texto original dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/theintercept.com\/2021\/12\/22\/mineradora-canadense-aproveita-boiada-ouro-amazonia-sem-licenca-ambiental\/\">https:\/\/theintercept.com\/2021\/12\/22\/mineradora-canadense-aproveita-boiada-ouro-amazonia-sem-licenca-ambiental\/<\/a><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>The Intercept F\u00e1bio Bispo 22 de dezembro de 2021 Amaz\u00f4nia brasileira PROJETO BOIADA PARTE 2:Uma parceria entre Intercept e Observat\u00f3rio do Clima para acompanhar o desmonte acelerado das pol\u00edticas socioambientais. &nbsp; &nbsp; A mineradora canadense Cabral Gold acredita ter feito um neg\u00f3cio da China. 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