{"id":30521,"date":"2022-01-24T15:07:29","date_gmt":"2022-01-24T18:07:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/?p=30521"},"modified":"2022-04-26T16:48:55","modified_gmt":"2022-04-26T19:48:55","slug":"desmatamento-cresce-ate-10-em-ano-de-eleicao-apontam-estudos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/radar\/desmatamento-cresce-ate-10-em-ano-de-eleicao-apontam-estudos\/","title":{"rendered":"Desmatamento cresce at\u00e9 10% em ano de elei\u00e7\u00e3o, apontam estudos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>InfoAmaz\u00f4nia<\/strong><br \/>\n<strong><span class=\"byline\"> <span class=\"author vcard\">Aldem Bourscheit<br \/>\n24 de janeiro de 2022<br \/>\nAmaz\u00f4nia legal<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"entry-content\">\n<h3 style=\"text-align: center;\"><em>O Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses tropicais que mais perdeu florestas em anos eleitorais, mostra an\u00e1lise de 55 pa\u00edses entre 2001 e 2018. Disputas pol\u00edticas devem aumentar desmate da Amaz\u00f4nia em 2022, apontam especialistas<\/em><\/h3>\n<p>O ano de 2022 come\u00e7ou marcado por eventos clim\u00e1ticos extremos, no Brasil e no mundo. Por aqui, especialistas das \u00e1reas ambiental, pol\u00edtica, cient\u00edfica e do agroneg\u00f3cio ouvidos pelo <strong>InfoAmazonia<\/strong> e <strong>PlenaMata<\/strong> projetam meses de tormentas pol\u00edticas, antes e ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es programadas para outubro. Em jogo, est\u00e1 o destino de ambientes como a Amaz\u00f4nia e o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico global.<br \/>\nChuvaradas e alagamentos, estiagens e temperaturas muito elevadas marcam as vidas de in\u00fameros brasileiros desde novembro passado, sobretudo nas regi\u00f5es Sudeste, Sul e Nordeste. Em Minas Gerais, at\u00e9 agora as cheias provocaram 19 mortes e mais de 17 mil desabrigados e desalojados, aponta balan\u00e7o do Greenpeace. No Rio Grande do Sul, 200 munic\u00edpios decretaram emerg\u00eancia pela estiagem.<br \/>\nMesmo j\u00e1 sentindo <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/ipcc-confirma-papel-inequivoco-do-homem-nas-mudancas-climaticas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">impactos clim\u00e1ticos<\/a>, o Brasil continua vendo a assinatura e a aprova\u00e7\u00e3o de projetos que podem barrar um desenvolvimento sustent\u00e1vel e seguro para o pa\u00eds. Isso n\u00e3o deve mudar este ano.<br \/>\n\u201cAt\u00e9 2021, os retrocessos aconteceram sobretudo com decretos e outras normativas do governo. Mas desde sua alian\u00e7a com o <a href=\"https:\/\/tab.uol.com.br\/noticias\/redacao\/2021\/08\/18\/o-que-e-o-centrao-que-cada-vez-mais-protagoniza-o-governo-bolsonaro.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Centr\u00e3o<\/a>, disparou a press\u00e3o para aprovar projetos retr\u00f3grados no Legislativo. Isso seguir\u00e1 este ano, e \u00e9 muito mais dif\u00edcil mudar leis aprovadas do que decretos\u201d, destacou em debate da ag\u00eancia Envolverde Suely Ara\u00fajo, ex-presidente do Ibama e especialista em Pol\u00edticas P\u00fablicas do Observat\u00f3rio do Clima.<br \/>\nNos \u00faltimos anos, foram aprovadas ou tramitam no Congresso Nacional propostas para relaxar o licenciamento ambiental de obras com impactos socioambientais, para legalizar terras griladas na Amaz\u00f4nia e outros biomas, ampliar o uso de agrot\u00f3xicos, permitir explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e minera\u00e7\u00e3o em terras ind\u00edgenas, e abrindo margens de rios, lagoas e outras \u00c1reas de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental urbanas para empreendimentos.<br \/>\n\u201cO agro que est\u00e1 no poder e seus aliados seguir\u00e3o impondo leis arcaicas e colhendo benef\u00edcios, como n\u00e3o pagar suas d\u00edvidas, que prejudicam o pa\u00eds e poluem a imagem do setor todo. Propostas seladas com o governo surgem do nada e s\u00e3o aprovadas sem debate com outros partidos ou com a sociedade\u201d, alertou o deputado federal Rodrigo Agostinho (PSB-SP), coordenador da <a href=\"https:\/\/www.frenteambientalista.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Frente Parlamentar Ambientalista<\/a> no Congresso.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-pullquote alignwide is-style-jeo\">\n<blockquote><p><strong>Os primeiros meses do ano ser\u00e3o de muito esfor\u00e7o para conter novos danos legislativos. A press\u00e3o deve esfriar um pouco nos meses antes das elei\u00e7\u00f5es, mas voltar com for\u00e7a ap\u00f3s o pleito. Tentar\u00e3o aprovar qualquer coisa, ainda mais diante de uma derrota (do Bolsonarismo)<\/strong><br \/>\n<cite><strong>Suely Ara\u00fajo, ex-presidente do Ibama e especialista em Pol\u00edticas P\u00fablicas do Observat\u00f3rio do Clima<\/strong><\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/figure>\n<p>O cen\u00e1rio pol\u00edtico deve se tornar ainda mais perigoso para legisla\u00e7\u00e3o e \u00f3rg\u00e3os socioambientais se as pesquisas eleitorais seguirem ampliando as chances de uma derrota de Jair Bolsonaro (PL) ou de um candidato apontado por ele. Conforme Suely Ara\u00fajo, o cen\u00e1rio pode levar setores ligados ao governo a promover um <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-50413698\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Baile da Ilha Fiscal<\/a> em 2022, buscando maximizar lucros com novas flexibiliza\u00e7\u00f5es legais antes de uma eventual troca de comando, em Bras\u00edlia.<br \/>\n\u201cOs primeiros meses do ano ser\u00e3o de muito esfor\u00e7o para conter novos danos legislativos. A press\u00e3o deve esfriar um pouco nos meses antes das elei\u00e7\u00f5es, mas voltar com for\u00e7a ap\u00f3s o pleito. Tentar\u00e3o aprovar qualquer coisa, ainda mais diante de uma derrota <em>(do Bolsonarismo)<\/em>\u201d, ressaltou Suely Ara\u00fajo.<\/p>\n<h3 id=\"h-desmatamento-eleitoral\"><strong>DESMATAMENTO ELEITORAL<\/strong><\/h3>\n<p>Como refor\u00e7am acordos firmados desde a 26\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, em 2021, cresce a <a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2022\/01\/21\/pesquisadores-boicote-exportacoes-desmatamento-amazonia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">demanda nacional e global por produtos livres de desmatamento<\/a> e outros preju\u00edzos ao clima, aos ambientes naturais e popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e tradicionais. O Brasil segue na contram\u00e3o, acumulando <a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2022\/01\/21\/pesquisadores-boicote-exportacoes-desmatamento-amazonia\/\">recordes anuais<\/a> de perdas na Amaz\u00f4nia e outros biomas.<br \/>\n\u201cSe pol\u00edticas e a\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o ambiental seguirem sendo desarticuladas e governos seguirem incentivando a ocupa\u00e7\u00e3o de terras e atividades il\u00edcitas, inclusive em \u00e1reas protegidas, o que se espera \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o do crescimento das taxas de desmatamento na Amaz\u00f4nia\u201d, ressaltou o doutor em Ecologia Henrique Santos Pereira, professor e pesquisador na Universidade Federal do Amazonas (UFAM).<br \/>\nO problema tende a crescer em anos eleitorais. Estudos publicados em <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0095069616301577\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">2018<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.biorxiv.org\/content\/10.1101\/2021.05.04.442551v1.full\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">2021<\/a> apontam tend\u00eancias de que nas elei\u00e7\u00f5es de pa\u00edses tropicais os pol\u00edticos permitam um maior uso de florestas em troca de apoio e votos, e de que o desmate aumente quando parlamentares ou membros do Executivo tentam reelei\u00e7\u00e3o. Pleitos mais disputados entre situa\u00e7\u00e3o e oposi\u00e7\u00e3o s\u00e3o ainda mais amea\u00e7adores para as florestas.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-pullquote alignwide is-style-jeo\">\n<blockquote><p><strong>Os ciclos de \u2018desmatamento eleitoral\u2019 n\u00e3o parecem ser impulsionados por mudan\u00e7as na pol\u00edtica agr\u00edcola, mas estar ligados \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e ao financiamento de campanhas, sugerindo que restri\u00e7\u00f5es institucionais fracas facilitam a manipula\u00e7\u00e3o eleitoral dos recursos florestais<\/strong><br \/>\n<strong><cite>Pesquisa publicada no Journal of Environmental Economics and Management<\/cite><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<\/figure>\n<p>A an\u00e1lise publicada na revista Biological Conservation mostrou que 1,5 milh\u00e3o de km\u00b2 \u2013 \u00e1rea semelhante a do Amazonas \u2013 foram perdidos em 55 pa\u00edses tropicais durante elei\u00e7\u00f5es entre os anos de 2001 e 2018. As maiores perdas foram registradas no Brasil, Indon\u00e9sia e Congo, mas cresceram em 37 (67%) das na\u00e7\u00f5es analisadas no per\u00edodo. O balan\u00e7o apontou aumentos de 8% a 10% no desmate em elei\u00e7\u00f5es municipais e nacionais no Brasil.<br \/>\n\u201cOs ciclos de \u2018desmatamento eleitoral\u2019 n\u00e3o parecem ser impulsionados por mudan\u00e7as na pol\u00edtica agr\u00edcola, mas estar ligados \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e ao financiamento de campanhas, sugerindo que restri\u00e7\u00f5es institucionais fracas facilitam a manipula\u00e7\u00e3o eleitoral dos recursos florestais\u201d, descreve o trabalho publicado no Journal of Environmental Economics and Management.<br \/>\nPesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (Inpa), Philip Fearnside avaliou que o desmatamento aumenta em anos eleitorais pela expectativa de impunidade, de perd\u00e3o de multas e d\u00edvidas, de libera\u00e7\u00e3o de recursos associados a favores pol\u00edticos.<br \/>\n\u201cAs pessoas antecipam a vis\u00e3o que t\u00eam dos per\u00edodos eleitorais desmatando ainda mais nos meses que antecedem aos pleitos. Sem mudan\u00e7as no atual modelo produtivo, nocivo para o pa\u00eds e para o mundo, o agroneg\u00f3cio e outros setores econ\u00f4micos sofrer\u00e3o consequ\u00eancias s\u00e9rias diante de restri\u00e7\u00f5es ao consumo e \u00e0 importa\u00e7\u00e3o de produtos brasileiros <a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2022\/01\/21\/pesquisadores-boicote-exportacoes-desmatamento-amazonia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">associados ao desmatamento<\/a>\u201d, disse.<br \/>\nEduardo Bastos, do Comit\u00ea de Sustentabilidade da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira do Agroneg\u00f3cio (ABAG), avalia que debates eleitorais associados \u00e0 press\u00e3o internacional pelo fim do desmatamento destacar\u00e3o a pauta ambiental entre os candidatos em 2022, mesmo diante da persist\u00eancia da pandemia de COVID-19. \u201cCandidatos que quiserem votos, especialmente entre a juventude urbana, precisar\u00e3o sinalizar para essa agenda\u201d, disse.<br \/>\nParte da <a href=\"https:\/\/www.coalizaobr.com.br\/home\/index.php\/sobre-a-coalizao\/quem-somos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Coaliz\u00e3o Brasil Clima, Florestas e Agricultura<\/a>, Bastos projeta novos recordes de produ\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio este ano, mesmo com impactos clim\u00e1ticos, e defende que o debate para ampliar a sustentabilidade do setor ocorra desde j\u00e1 e n\u00e3o pr\u00f3ximo ao fim da d\u00e9cada, teto de acordos firmados na COP26 para que o mundo elimine o desmatamento de florestas tropicais.<br \/>\n\u201cH\u00e1 custos para acabar com o desmatamento e contribuir com acordos clim\u00e1ticos, como pedem os compradores. Produtores precisam ser compensados para manter florestas que podem desmatar, conforme a legisla\u00e7\u00e3o. Podemos usar \u00e1reas degradadas e aumentar a produtividade da agropecu\u00e1ria sem desmatar. Esse pode ser um caminho sem volta, mas a sociedade brasileira precisa decidir seus rumos de desenvolvimento\u201d, destacou.<br \/>\nConforme Suely Ara\u00fajo, do Observat\u00f3rio do Clima, \u00e9 fundamental que especialmente os candidatos da \u00e1rea socioambiental tenham propostas concretas em suas plataformas e campanhas para que possam ter maiores chances de ocupar cargos eletivos.<br \/>\n\u201cPrecisar\u00e3o ter mais do que discursos e afirmar claramente o que querem no lugar do que est\u00e1 a\u00ed, e nem sempre ser\u00e1 o que se tinha antes. Pol\u00edticas e \u00f3rg\u00e3os que foram enfraquecidos ou desmontados por este governo, como o Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), poder\u00e3o ser recuperados em bases melhores do que as anteriores para atender \u00e0s demandas da sociedade brasileira\u201d, completou.<br \/>\n<strong>Texto original dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2022\/01\/24\/desmatamento-cresce-ate-10-eleicao\/\">https:\/\/infoamazonia.org\/2022\/01\/24\/desmatamento-cresce-ate-10-eleicao\/<\/a><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>InfoAmaz\u00f4nia Aldem Bourscheit 24 de janeiro de 2022 Amaz\u00f4nia legal &nbsp; O Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses tropicais que mais perdeu florestas em anos eleitorais, mostra an\u00e1lise de 55 pa\u00edses entre 2001 e 2018. 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