{"id":30990,"date":"2022-02-10T14:23:09","date_gmt":"2022-02-10T17:23:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/?p=30990"},"modified":"2022-04-26T15:19:47","modified_gmt":"2022-04-26T18:19:47","slug":"ibama-age-em-apenas-1-dos-alertas-de-desmatamento-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/radar\/ibama-age-em-apenas-1-dos-alertas-de-desmatamento-diz-estudo\/","title":{"rendered":"Ibama age em apenas 1% dos alertas de desmatamento, diz estudo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>UOL<\/strong><br \/>\n<strong>10 de fevereiro de 2022<\/strong><br \/>\n<strong>Em\u00edlio Sant&#8217;Anna<\/strong><br \/>\n<strong>Amaz\u00f4nia brasileira<\/strong><\/p>\n<p>Apenas 1,3% dos 115.688 alertas de desmatamento na Amaz\u00f4nia publicados pela plataforma MapBiomas, entre 2019 e 2020, foi alvo de algum tipo de a\u00e7\u00e3o que resultou em embargos ou autos de infra\u00e7\u00e3o do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama). Isso representa 6,1% do total da \u00e1rea desflorestada detectada.<br \/>\n\u00ab\u00c9 uma mensagem muito ruim (que o governo passa), com a\u00e7\u00f5es de combate ao desmatamento em n\u00edvel baixo\u00bb, diz Ana Paula Valdiones, coordenadora do programa de transpar\u00eancia ambiental do Instituto Centro de Vida (ICV), ONG voltada para quest\u00f5es ambientais, e uma das autoras do estudo. O levantamento foi realizado em parceria com pesquisadores do MapBiomas, projeto que re\u00fane universidades, organiza\u00e7\u00f5es ambientais e empresas de tecnologia, e o Observat\u00f3rio do Clima.<br \/>\nApesar de n\u00e3o ser um \u00f3rg\u00e3o governamental, o MapBiomas tem entre suas fontes de dados sistemas oficiais, como o Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ou seja, as informa\u00e7\u00f5es que a plataforma coleta e usa para gerar alertas s\u00e3o de conhecimento do pr\u00f3prio governo federal e deveriam gerar a\u00e7\u00f5es dos \u00f3rg\u00e3os de controle, Ibama entre eles.<br \/>\nPara tanto, o trabalho de campo poderia at\u00e9 mesmo ser parcialmente dispensado. A ex-presidente do Ibama Suely Ara\u00fajo diz que o \u00f3rg\u00e3o tem como fazer o cruzamento de dados e fiscalizar \u00e0 dist\u00e2ncia em determinados locais. Lan\u00e7ada oficialmente em 2017, a opera\u00e7\u00e3o Controle Remoto cruza imagens de sat\u00e9lite com dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) para detectar os desmatamentos recentes e enviar por correio as multas. O embargo de \u00e1reas tamb\u00e9m \u00e9 autom\u00e1tico, e o propriet\u00e1rio fica impedido de conseguir cr\u00e9dito rural nos bancos.<br \/>\nEm meados daquele ano, a opera\u00e7\u00e3o havia resultado em 601 autos de infra\u00e7\u00e3o, que resultaram no embargo de 197,7 mil hectares e em R$ 853 milh\u00f5es em multas aplicadas. Segundo a ex-presidente do \u00f3rg\u00e3o, o grande volume de alertas sempre dificultou que o n\u00famero de fiscaliza\u00e7\u00f5es fosse alto, mas durante a gest\u00e3o Bolsonaro esse d\u00e9ficit se acentuou. \u00abQuando voc\u00ea v\u00ea esses dados atuais isso mostra a necessidade de se refor\u00e7ar as a\u00e7\u00f5es de comando e controle\u00bb, diz.<br \/>\nO total de autua\u00e7\u00f5es ambientais verificado em 2021 foi o menor registrado em duas d\u00e9cadas, enquanto o desmate voltou a bater recordes sucessivos. Em 2019, sob o comando do ent\u00e3o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o Ibama registrou 12.375 multas. Em 2020, esse n\u00famero ficou em 11.064. No ano passado, at\u00e9 setembro, foram 9.182 multas, a metade do que se verificou em 2012. Nos anos 2000, o \u00f3rg\u00e3o ambiental emitia entre 20 mil e 25 mil autos de infra\u00e7\u00e3o por ano, em m\u00e9dia.<br \/>\nDesmatamento, focos de inc\u00eandio e o garimpo ilegal t\u00eam batido recordes sucessivos. Em 2021, por exemplo, o Brasil registrou o maior \u00edndice de desmatamento dos \u00faltimos 15 anos na chamada Amaz\u00f4nia Legal, que engloba o territ\u00f3rio de nove estados.<br \/>\nNeste ano, os dados continuam desanimadores. O desmatamento na Amaz\u00f4nia brasileira atingiu um novo recorde para janeiro j\u00e1 nas tr\u00eas primeiras semanas de 2022, segundo dados preliminares do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Cerca de 360 km2 de floresta foram destru\u00eddos entre 1\u00ba e 21 de janeiro, a maior \u00e1rea desmatada em qualquer janeiro completo desde 2015, quando o Inpe lan\u00e7ou o programa de monitoramento peri\u00f3dico Deter.<br \/>\nA pesquisa aponta que nem mesmo os 11 munic\u00edpios definidos pelo Conselho Nacional da Amaz\u00f4nia como priorit\u00e1rios para o recebimento de opera\u00e7\u00f5es militares receberam aten\u00e7\u00e3o satisfat\u00f3ria. Apenas 3% dos 22.583 alertas detectados nesses locais receberam notifica\u00e7\u00f5es de infra\u00e7\u00e3o e\/ou embargos do Ibama, o que representa 12% da \u00e1rea desmatada.<br \/>\nO conselho \u00e9 presidido pelo Vice-Presidente da Rep\u00fablica, Hamilton Mour\u00e3o, e foi criado em resposta \u00e0s cr\u00edticas ao descaso do governo no combate \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. Entre as a\u00e7\u00f5es promovidas e incentivadas pelo \u00f3rg\u00e3o est\u00e1 o emprego de militares na regi\u00e3o para coibir o desmatamento por meio das Opera\u00e7\u00f5es de Garantia da Lei e da Ordem (GLOs). A medida foi amplamente rejeitada por especialistas e ambientalistas ante a previs\u00edvel baixa efic\u00e1cia do emprego das tropas em detrimento dos t\u00e9cnicos do Ibama, treinados e acostumados com as caracter\u00edsticas desse tipo de crime.<br \/>\nOs dados comprovam a percep\u00e7\u00e3o dos especialistas. Desde que as For\u00e7as Armadas passaram a fazer o combate direto \u00e0 derrubada da floresta, em 2019, a \u00e1rea desmatada se manteve acima dos 10 mil km2 &#8211; o que n\u00e3o acontecia desde 2008. Nesse per\u00edodo o or\u00e7amento do <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/esporte\/mma\/\">MMA<\/a> vem caindo. As verbas da pasta para a\u00e7\u00f5es tradicionalmente associadas \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o passaram de R$ 1,07 bilh\u00e3o em 2014 para R$ 647 milh\u00f5es em 2020, em valores corrigidos.<br \/>\nA constata\u00e7\u00e3o \u00e9 de um relat\u00f3rio realizado pelo gabinete compartilhado &#8211; formado pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e pelos deputados Tabata Amaral (PSB-SP) e Felipe Rigoni (PSB-ES). O levantamento aponta que enquanto o or\u00e7amento do minist\u00e9rio para a\u00e7\u00f5es de combate ao desmatamento caiu gradativamente, os gastos com as GLOs na Amaz\u00f4nia cresceram 178%.<br \/>\nA pesquisa cruzou dados do MapBiomas, com a\u00e7\u00f5es do Ibama e do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal. A compara\u00e7\u00e3o com as informa\u00e7\u00f5es da Procuradoria aponta que dos 115.688 alertas de desmatamento na Amaz\u00f4nia entre 2019 e 2020, 1.510 coincidem com a\u00e7\u00f5es do MPF, o que representa 1,15% do total.<br \/>\nProcurados pela reportagem, Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, Ibama, Vice-Presid\u00eancia da Rep\u00fablica e Minist\u00e9rio da Defesa n\u00e3o se manifestaram.<\/p>\n<p><strong>Texto original dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/ultimas-noticias\/agencia-estado\/2022\/02\/10\/ibama-age-em-apenas-1-dos-alertas-de-desmatamento-diz-estudo.htm\">https:\/\/noticias.uol.com.br\/ultimas-noticias\/agencia-estado\/2022\/02\/10\/ibama-age-em-apenas-1-dos-alertas-de-desmatamento-diz-estudo.htm<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UOL 10 de fevereiro de 2022 Em\u00edlio Sant&#8217;Anna Amaz\u00f4nia brasileira Apenas 1,3% dos 115.688 alertas de desmatamento na Amaz\u00f4nia publicados pela plataforma MapBiomas, entre 2019 e 2020, foi alvo de algum tipo de a\u00e7\u00e3o que resultou em embargos ou autos de infra\u00e7\u00e3o do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama). 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