{"id":32296,"date":"2022-02-02T00:26:05","date_gmt":"2022-02-02T03:26:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/?p=30792"},"modified":"2022-04-26T16:20:41","modified_gmt":"2022-04-26T19:20:41","slug":"camera-drone-e-celular-as-armas-das-jovens-munduruku-para-resistir-a-escalada-de-invasoes-e-ameacas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/radar\/camera-drone-e-celular-as-armas-das-jovens-munduruku-para-resistir-a-escalada-de-invasoes-e-ameacas\/","title":{"rendered":"C\u00e2mera, drone e celular: as \u2018armas\u2019 das jovens Munduruku para resistir \u00e0 escalada de invas\u00f5es e amea\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong><br \/>\n<strong><span class=\"author\">Joana Moncau e Elpida Nikou<\/span><\/strong><br \/>\n<strong>02 de fevereiro de 2022<\/strong><br \/>\n<strong>Amaz\u00f4nia brasileira<\/strong><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Coletivo audiovisual usa redes sociais para denunciar e expulsar madeireiros e garimpeiros, uma luta que se tornou ainda mais arriscada durante o governo Bolsonaro; \u2018Ningu\u00e9m acredita mais s\u00f3 na fala da gente, s\u00f3 acreditam vendo\u2019<\/em><\/h3>\n<p>Do alto, a pequena aldeia quase se perde em meio \u00e0 floresta Amaz\u00f4nica. Mas \u00e9 ali, em uma cabana na Terra Ind\u00edgena Sawr\u00e9 Muybu, no sudoeste do Par\u00e1, que tr\u00eas mulheres Munduruku revisam as imagens que gravaram das a\u00e7\u00f5es de seu povo para defender o territ\u00f3rio de invasores, sobretudo de madeireiros e garimpeiros. Expulsar os invasores sempre foi arriscado, mas em tempos de governo Bolsonaro \u00e9 ainda mais.<br \/>\nC\u00e2mera, drone, celular e redes sociais s\u00e3o as \u201carmas\u201d usadas por Aldira Akai, de 30 anos, Beka Saw Munduruku, de 19, e Rilcelia Akai, de 23, para lidar com essas crescentes amea\u00e7as. Elas integram o Coletivo Audiovisual Munduruku Daje Kapap Eypi, que divulga as den\u00fancias dos ind\u00edgenas para al\u00e9m das margens do rio Tapaj\u00f3s. \u201c[O v\u00eddeo] \u00e9 uma ferramenta muito importante, que fortalece a luta do povo Munduruku. Muitas pessoas n\u00e3o acreditam mais s\u00f3 na fala da gente, eles acreditam vendo\u201d, conta Aldira.<br \/>\nA <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> acompanhou as jovens durante uma semana na TI Sawr\u00e9 Muybu, em novembro de 2021, quando elas produziram v\u00eddeos \u2013 divulgados via <a href=\"https:\/\/pt-br.facebook.com\/audiovisualmunduruku\/\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">Facebook<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/coletivodajekapapeypi\/\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">Instagram<\/a> \u2013 que chegaram at\u00e9 ativistas e autoridades mundiais que participavam da COP26. S\u00e3o imagens que tornam concreto o que j\u00e1 indicam dados como os da ferramenta da<a href=\"https:\/\/www.globalforestwatch.org\/map\/geostore\/3335710e1bcc8c71c43b7d236fa33dce\/?mainMap=eyJzaG93QW5hbHlzaXMiOnRydWV9&amp;map=eyJjZW50ZXIiOnsibGF0IjotNC45NjQ1NzQ1NDY5ODgzMzgsImxuZyI6LTU2LjU4NTk0MTMxNDQ5ODIzfSwiem9vbSI6OS4xODY5MTkyMTQ0NTIxNTcsImRhdGFzZXRzIjpbeyJkYXRhc2V0IjoibWluaW5nLWNvbmNlc3Npb25zIiwib3BhY2l0eSI6MSwidmlzaWJpbGl0eSI6dHJ1ZSwibGF5ZXJzIjpbIm1pbmluZy1jb25jZXNzaW9ucyJdfSx7ImRhdGFzZXQiOiJ0cmVlLWNvdmVyLWxvc3MiLCJvcGFjaXR5IjoxLCJ2aXNpYmlsaXR5Ijp0cnVlLCJsYXllcnMiOlsidHJlZS1jb3Zlci1sb3NzIl19LHsiZGF0YXNldCI6ImxhbmRtYXJrIiwib3BhY2l0eSI6MSwidmlzaWJpbGl0eSI6dHJ1ZSwibGF5ZXJzIjpbImluZGlnZW5vdXMtYW5kLWNvbW11bml0eS1sYW5kcy0yMDE5Il19LHsiZGF0YXNldCI6InBvbGl0aWNhbC1ib3VuZGFyaWVzIiwibGF5ZXJzIjpbImRpc3B1dGVkLXBvbGl0aWNhbC1ib3VuZGFyaWVzIiwicG9saXRpY2FsLWJvdW5kYXJpZXMiXSwib3BhY2l0eSI6MSwidmlzaWJpbGl0eSI6dHJ1ZX1dfQ%3D%3D&amp;mapMenu=eyJkYXRhc2V0Q2F0ZWdvcnkiOiJsYW5kVXNlIiwic2VhcmNoIjoicGFyYSwgYnJhemlsIn0%3D\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\"> Global Forest Watch<\/a> (GFW). Um dos mais assustadores mostra os pedidos de explora\u00e7\u00e3o miner\u00e1ria na TI: as \u00e1reas onde n\u00e3o incidem esses requerimentos s\u00e3o quase impercept\u00edveis de t\u00e3o poucas. A plataforma tamb\u00e9m mostra como o impacto do garimpo e de outras amea\u00e7as ao territ\u00f3rio se traduz em desmatamento.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\">\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"fluid-width-video-wrapper\"><iframe id=\"fitvid0\" title=\"Mensageiras da Amaz\u00f4nia: jovens Munduruku usam drone e celular para resistir \u00e0s invas\u00f5es\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/44bV17c2Sg0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<h1>Amea\u00e7as na mira da c\u00e2mera<\/h1>\n<p>Garimpeiros agindo nessa \u00e1rea t\u00e3o cobi\u00e7ada por grandes mineradoras ou ladr\u00f5es de madeiras nobres \u2013 um dos motores do coletivo \u00e9 justamente gravar esses invasores em a\u00e7\u00e3o. Foi o que aconteceu em julho de 2019, primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro, quando Aldira se encontrou pela primeira vez frente a frente com um grupo de madeireiros.<br \/>\n\u201cSer\u00e1 que eles v\u00e3o reagir?\u201d, ela lembra que se perguntava enquanto caminhava mata adentro. \u201cEra a primeira vez que enfrentava uma situa\u00e7\u00e3o dessas com a c\u00e2mera. Fiquei muito ansiosa, com medo. Mas criei coragem.\u201d<br \/>\nCom a ascens\u00e3o da extrema direita a partir de 2018 e o discurso anti-ind\u00edgena do atual governo, a inseguran\u00e7a de enfrentar os invasores aumentou. \u201cA gente vai e n\u00e3o sabe se volta\u201d, explica Rilcelia. \u201c\u00c9 muito arriscado para n\u00f3s. Eles se sentem muito seguros porque falam que o Bolsonaro est\u00e1 do lado deles e que a gente n\u00e3o \u00e9 nada.\u201d<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-57202\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Aldira-Akai.jpg\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Aldira-Akai.jpg 1920w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Aldira-Akai-150x84.jpg 150w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Aldira-Akai-300x169.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Aldira-Akai-800x450.jpg 800w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Aldira-Akai-640x360.jpg 640w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Aldira-Akai-1080x608.jpg 1080w\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1080\" \/><figcaption>Hoje com mais experi\u00eancia, Aldira se lembra da ansiedade de ficar frente a frente com um grupo de madeireiros pela primeira vez: \u201cFiquei com medo, mas criei coragem\u201d (Foto: Joana Moncau\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Imagens gravadas pelo coletivo mostram o fogo consumindo a balsa que os madeireiros utilizavam para carregar as toras roubadas. Foi o \u00fanico equipamento destru\u00eddo pelos ind\u00edgenas naquela fiscaliza\u00e7\u00e3o de 2019. \u201cFoi um medo que eu senti, mas a gente conseguiu. A gente n\u00e3o brigou com ningu\u00e9m, soubemos dialogar, porque ali a gente estava no nosso direito\u201d, relata Aldira. Os ind\u00edgenas deram aos invasores tr\u00eas dias para retirarem os equipamentos e caminh\u00f5es da \u00e1rea.<br \/>\nNas cenas registradas, uma roda de guerreiros e guerreiras Munduruku celebra a vit\u00f3ria. No entanto, dois anos depois, enquanto assiste \u00e0s imagens que gravaram, Beka afirma que madeireiros invadiram novamente a mesma \u00e1rea. \u201cTodo mundo ficou alegre, mas passou um tempo e eles j\u00e1 est\u00e3o l\u00e1 de novo, s\u00e3o outras pessoas, mas est\u00e3o l\u00e1\u201d.<br \/>\nO desmatamento na TI <a href=\"https:\/\/www.terrasindigenas.org.br\/pt-br\/terras-indigenas\/4895\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">em 2020 chegou<\/a> a 146 hectares \u2013 o maior \u00edndice desde 2004 \u2013 frente a 105 hectares no ano anterior e 24 em 2018. Imagens detalhadas de sat\u00e9lite compiladas pela GFW mostram as estradas cortando a floresta, que podem ter sido abertas por madeireiros para transportar as toras roubadas ou mesmo por grileiros, para abrir espa\u00e7o para pastos. \u201cO que vemos no munic\u00edpio vizinho, Trair\u00e3o, \u00e9 uma dr\u00e1stica perda da floresta, causada pela expans\u00e3o da pecu\u00e1ria \u2013 e est\u00e1 avan\u00e7ando para as fronteiras da Sawr\u00e9 Muybu\u201d, detalha a an\u00e1lise da GFW.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-57206\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Munduruku-Audiovisual-Collective-Daje-Kapap-Eypi-interviwing-the-chief-.jpg\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Munduruku-Audiovisual-Collective-Daje-Kapap-Eypi-interviwing-the-chief-.jpg 1920w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Munduruku-Audiovisual-Collective-Daje-Kapap-Eypi-interviwing-the-chief--150x84.jpg 150w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Munduruku-Audiovisual-Collective-Daje-Kapap-Eypi-interviwing-the-chief--300x169.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Munduruku-Audiovisual-Collective-Daje-Kapap-Eypi-interviwing-the-chief--800x450.jpg 800w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Munduruku-Audiovisual-Collective-Daje-Kapap-Eypi-interviwing-the-chief--640x360.jpg 640w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Munduruku-Audiovisual-Collective-Daje-Kapap-Eypi-interviwing-the-chief--1080x608.jpg 1080w\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1080\" \/><figcaption>Cacique Juarez \u00e9 entrevistado pelas integrantes do coletivo; para ele, o grupo \u00e9 fundamental para levar as den\u00fancias para fora do territ\u00f3rio (Foto: Joana Moncau\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h1>Garimpo contaminando rios e pessoas<\/h1>\n<p>Al\u00e9m de enfrentar os roubos de madeira, a TI Sawr\u00e9 Muybu vive sob outra amea\u00e7a constante: os garimpeiros. A TI fica entre Itaituba e Jacareacanga, duas cidades-polo do garimpo de ouro ilegal e palco de um <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2021\/07\/quem-esta-por-tras-do-lobby-pelo-garimpo-ilegal-de-ouro-nas-terras-dos-munduruku\/\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">forte lobby, como apurou a <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong><\/a>. O impacto desta atividade ilegal ainda n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grave quanto em outros territ\u00f3rios da etnia, como na TI Munduruku, onde um levantamento do <a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/noticias-socioambientais\/garimpo-na-terra-indigena-munduruku-cresce-363-em-2-anos-aponta-levantamento-do-isa\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">Instituto Socioambiental (ISA) mostrou<\/a> que entre 2019 e 2020 houve um aumento de 363% de \u00e1rea degradada pelo garimpo.<br \/>\nMas os pedidos de lavras garimpeira na TI Sawr\u00e9 Muybu deixam evidente o risco da minera\u00e7\u00e3o. A an\u00e1lise feita pela GFW para a <strong>Rep\u00f3rter Brasil <\/strong>mostra que \u201ca atividade mineradora \u00e9 uma imensa amea\u00e7a para a regi\u00e3o\u201d e indica que o garimpo j\u00e1 causou desmatamento, inclusive com a poss\u00edvel abertura de uma pista de pouso. Entre 2011 e 2020, a TI foi o territ\u00f3rio ind\u00edgena sobre o qual incidiu o maior n\u00famero de processos miner\u00e1rios em todo o pa\u00eds: foram 97 pedidos, segundo a <a href=\"https:\/\/apublica.org\/2020\/02\/a-mineracao-em-terra-indigena-com-nome-sobrenome-e-cnpj\/\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">Ag\u00eancia P\u00fablica<\/a>.<br \/>\nA luta de resist\u00eancia, tamb\u00e9m registrada pelo coletivo, rendeu vit\u00f3rias como a ocorrida no ano passado. Ap\u00f3s campanha do povo Munduruku com <a href=\"https:\/\/amazonwatch.org\/pt\/news\/2021\/0721-munduruku-victory-sustained-pressure-forces-anglo-american-to-withdraw-mining-permits\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">apoio de organiza\u00e7\u00f5es indigenistas brasileiras e internacionais<\/a>, a mineradora multinacional Anglo American se comprometeu a retirar 27 pedidos de lavra aprovados pela ANM que se sobrepunham a terras ind\u00edgenas no Brasil, sendo 13 na TI Sawr\u00e9 Muybu.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-57203\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Children-Munduruku-preparing-to-action.jpg\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Children-Munduruku-preparing-to-action.jpg 1920w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Children-Munduruku-preparing-to-action-150x84.jpg 150w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Children-Munduruku-preparing-to-action-300x169.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Children-Munduruku-preparing-to-action-800x450.jpg 800w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Children-Munduruku-preparing-to-action-640x360.jpg 640w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Children-Munduruku-preparing-to-action-1080x608.jpg 1080w\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1080\" \/><figcaption>Segundo estudo, todos os ind\u00edgenas das tr\u00eas aldeias da TI Sawr\u00e9 Muybu analisadas est\u00e3o ingerindo uma quantidade de merc\u00fario at\u00e9 18 vezes maior que o limite seguro (Foto: Joana Moncau\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Um obst\u00e1culo para que os Munduruku enfrentem esse ass\u00e9dio \u00e9 que os garimpeiros ilegais t\u00eam apoio de diversos setores do governo federal, que muitas vezes s\u00e3o acusados de \u201cvazar\u201d informa\u00e7\u00f5es sobre <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2021\/10\/operacao-vaza-e-garimpeiros-escondem-maquinas-na-floresta-para-fugir-da-fiscalizacao\/\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">opera\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o contra o garimpo na regi\u00e3o.<\/a><br \/>\nPara al\u00e9m do desmatamento provocado pelo garimpo, outro efeito colateral \u00e9 a polui\u00e7\u00e3o dos rios da regi\u00e3o, como ocorreu nas praias fluviais de Alter do Ch\u00e3o, no Baixo Tapaj\u00f3s, quando as \u00e1guas <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pa\/santarem-regiao\/noticia\/2022\/01\/22\/pf-envia-peritos-para-o-oeste-do-para-e-abre-inquerito-para-apurar-mudanca-na-cor-das-aguas-em-alter-do-chao.ghtml\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">tornaram-se turvas<\/a>. A Pol\u00edcia Federal anunciou uma investiga\u00e7\u00e3o para confirmar se a altera\u00e7\u00e3o est\u00e1 associada ao garimpo ilegal. Para os Munduruku da Sawr\u00e9 Muybu, contudo, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida. H\u00e1 v\u00e1rios anos eles alertam para os efeitos nocivos do garimpo sobre o rio. Segundo o <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/a-morte-dos-rios\/\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">Greenpeace<\/a>, o garimpo ilegal j\u00e1 destrui mais de 600km de rios dentro das terras Munduruku nos \u00faltimos 5 anos.<br \/>\n\u201cNo tempo em que eu era jovem a \u00e1gua era diferente, era verde. Eu pegava peixe de flecha\u201d, conta o l\u00edder Juarez Saw Munduruku. \u201cHoje voc\u00ea n\u00e3o tem mais como enxergar o peixe no fundo da \u00e1gua para poder flechar. E cada ano que vem se passando, a \u00e1gua est\u00e1 ficando mais suja por essas atividades de garimpo\u201d, conclui, com tristeza, o cacique em entrevista \u00e0s jovens do coletivo.<\/p>\n<ul class=\"wp-block-gallery columns-2 is-cropped\">\n<li class=\"blocks-gallery-item\">\n<figure><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-57242\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/TI_Sawre_hotspot-800x431.jpg\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/TI_Sawre_hotspot-800x431.jpg 800w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/TI_Sawre_hotspot-150x81.jpg 150w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/TI_Sawre_hotspot-300x162.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/TI_Sawre_hotspot-640x345.jpg 640w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/TI_Sawre_hotspot-1080x582.jpg 1080w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/TI_Sawre_hotspot.jpg 1354w\" alt=\"\" data-id=\"57242\" data-link=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/?attachment_id=57242\" \/><figcaption>Perda florestal torna \u00e1rea um \u2018local cr\u00edtico\u2019 (Hot Spot), seja espor\u00e1dico (amarelo) ou crescente (vermelho)<\/figcaption><\/figure>\n<\/li>\n<li class=\"blocks-gallery-item\">\n<figure><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-57241\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/TI_Sawre_glads-800x512.png\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/TI_Sawre_glads-800x512.png 800w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/TI_Sawre_glads-150x96.png 150w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/TI_Sawre_glads-300x192.png 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/TI_Sawre_glads-640x409.png 640w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/TI_Sawre_glads-1080x691.png 1080w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/TI_Sawre_glads.png 1082w\" alt=\"\" data-id=\"57241\" data-link=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/?attachment_id=57241\" \/><figcaption>Alertas de desmatamento (GLAD) sobrepostos, registrados entre janeiro de 2015 e dezembro de 2021<\/figcaption><\/figure>\n<\/li>\n<li class=\"blocks-gallery-item\">\n<figure><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-57243\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/TI_Sawre_mineracao-800x490.jpg\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/TI_Sawre_mineracao-800x490.jpg 800w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/TI_Sawre_mineracao-150x92.jpg 150w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/TI_Sawre_mineracao-300x184.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/TI_Sawre_mineracao-640x392.jpg 640w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/TI_Sawre_mineracao-1080x662.jpg 1080w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/TI_Sawre_mineracao.jpg 1234w\" alt=\"\" data-id=\"57243\" data-link=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/?attachment_id=57243\" \/><figcaption>Em quase todo o limite da TI incidem pedidos de mineradoras para estudar e eventualmente explorar a extra\u00e7\u00e3o de minerais; dados \u2018Emerging Hot Spots\u2019 e GLAD\/UMD acessados via Global Forest Watch<\/figcaption><\/figure>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>O garimpo tamb\u00e9m traz com ele a contamina\u00e7\u00e3o por merc\u00fario. O produto usado para extra\u00e7\u00e3o de ouro \u00e9 despejado nos rios e est\u00e1 <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2021\/02\/as-mulheres-munduruku-estao-envenenadas-por-mercurio-e-temos-provas-denuncia-lider-indigena\/\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">envenenando a popula\u00e7\u00e3o Munduruku<\/a>. \u201cAs pesquisas mostram que nosso sangue est\u00e1 cheio de merc\u00fario. E o peixe que \u00e9 nossa alimenta\u00e7\u00e3o est\u00e1 doente\u201d, afirma Juarez em refer\u00eancia \u00e0 pesquisa que a Fiocruz realizou no M\u00e9dio Tapaj\u00f3s. Segundo o estudo, todos os ind\u00edgenas das tr\u00eas aldeias da TI Sawr\u00e9 Muybu analisadas est\u00e3o contaminados e ingerindo uma quantidade de merc\u00fario at\u00e9 18 vezes maior que o limite seguro \u2013 todos os 88 peixes coletados tamb\u00e9m tinham presen\u00e7a de merc\u00fario.<\/p>\n<h1>Defensores amea\u00e7ados<\/h1>\n<p>Todas essas agress\u00f5es socioambientais intensificam a tens\u00e3o nas terras Munduruku e ampliam as <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2021\/02\/apoio-de-bolsonaro-a-garimpo-coloca-em-risco-a-vida-de-duas-lideres-munduruku\/\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">amea\u00e7as contra as lideran\u00e7as<\/a>.\u00a0 Em mar\u00e7o, a Associa\u00e7\u00e3o das Mulheres Munduruku Wakobor\u0169n, em Jacareacanga (PA), foi invadida e queimada por um grupo de garimpeiros. Em maio, a casa de Maria Leusa Kaba tamb\u00e9m foi queimada. Em junho, um \u00f4nibus que levaria lideran\u00e7as Munduruku para manifesta\u00e7\u00e3o em Bras\u00edlia foi atacado. Em novembro, poucos ap\u00f3s a COP 26, a casa de outra lideran\u00e7a\u00a0 Munduruku, Alessandra Korap, foi invadida.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-57205\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Img-C.A.M.-sawr\u00e9-muybu-.jpg\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Img-C.A.M.-sawr\u00e9-muybu-.jpg 1920w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Img-C.A.M.-sawr\u00e9-muybu--150x84.jpg 150w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Img-C.A.M.-sawr\u00e9-muybu--300x169.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Img-C.A.M.-sawr\u00e9-muybu--800x450.jpg 800w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Img-C.A.M.-sawr\u00e9-muybu--640x360.jpg 640w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Img-C.A.M.-sawr\u00e9-muybu--1080x608.jpg 1080w\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1080\" \/><figcaption>Guerreiros Munduruku colocam placa para autodemarcar a TI Sawr\u00e9 Muybu durante uma fiscaliza\u00e7\u00e3o, em 2019 (Foto: Coletivo Audiovisual Munduruku Daje Kapap Eypi)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Nesse contexto, as integrantes do Coletivo Audiovisual Munduruku t\u00eam ainda mais firmeza sobre a import\u00e2ncia do seu trabalho. \u201cQue venham mais jovens para levar esse trabalho adiante depois de n\u00f3s, \u00e9 um trabalho muito importante, uma ferramenta que hoje em dia a gente precisa muito\u201d, resume Aldira.<br \/>\nIncentivador das jovens, o cacique Juarez lembra que os povos da Amaz\u00f4nia como os Munduruku ainda precisam de muita ajuda para enfrentar as diversas amea\u00e7as que assolam a regi\u00e3o. \u201d\u00c9 muito dif\u00edcil a gente parar essas atividades, sabemos que por conta disso todos n\u00f3s estamos sofrendo, por causa dessa destrui\u00e7\u00e3o grande aqui na Amaz\u00f4nia\u201d.<br \/>\nComo o processo de demarca\u00e7\u00e3o oficial da TI est\u00e1 parado h\u00e1 anos, os pr\u00f3prios ind\u00edgenas fizeram a chamada autodemarca\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio, em 2015. Foi ali que Beka fez suas primeiras grava\u00e7\u00f5es em v\u00eddeo \u2013 com apenas 12 anos de idade. \u201cEsse governo fala que n\u00e3o vai demarcar nem um cent\u00edmetro de terra\u201d, lembra, indignado, Juarez Saw Munduruku, cacique de Sawr\u00e9 Muybu. \u201cCom isso, as invas\u00f5es est\u00e3o entrando, com a fala do Bolsonaro. Se esses projetos grandes avan\u00e7arem [como hidrel\u00e9tricas], n\u00f3s vamos perder a nossa terra\u201d.<br \/>\nEntre 2019 e 2021, tr\u00eas primeiros anos de governo Bolsonaro, o desmatamento <a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/noticias-socioambientais\/desmatamento-em-terras-indigenas-cresceu-138-nos-ultimos-tres-anos\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">em terras ind\u00edgenas cresceu 138%<\/a> em rela\u00e7\u00e3o aos tr\u00eas anos anteriores. Segundo o <a href=\"https:\/\/cimi.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/relatorio-violencia-povos-indigenas-2020-cimi.pdf\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">Cimi<\/a>, as invas\u00f5es em TIs para explorar ilegalmente recursos naturais mais do que dobraram entre 2018 e 2019, ap\u00f3s o in\u00edcio desta gest\u00e3o. Em 2020, esse n\u00famero alto se manteve, com 263 epis\u00f3dios. Procurada, a Funai n\u00e3o respondeu aos questionamentos da <strong>Rep\u00f3rter Brasil <\/strong>sobre as invas\u00f5es \u00e0 TI e a lentid\u00e3o do processo de demarca\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEnquanto assiste a um dos v\u00eddeos produzidos pelas jovens em seu celular, Juarez refor\u00e7a a import\u00e2ncia do Coletivo Audiovisual Munduruku: \u201cAtrav\u00e9s desse grupo que a gente vai levando essas den\u00fancias para fora. Est\u00e1 nas m\u00e3os delas, da juventude, das jovens proteger mais tarde o territ\u00f3rio\u201d.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-57204\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/coletivo-mobilizando-para-redes.jpg\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/coletivo-mobilizando-para-redes.jpg 1920w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/coletivo-mobilizando-para-redes-150x84.jpg 150w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/coletivo-mobilizando-para-redes-300x169.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/coletivo-mobilizando-para-redes-800x450.jpg 800w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/coletivo-mobilizando-para-redes-640x360.jpg 640w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/coletivo-mobilizando-para-redes-1080x608.jpg 1080w\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1080\" \/><figcaption>Integrantes do coletivo fazem registro de crian\u00e7as Munduruku para mobiliza\u00e7\u00e3o nas redes sociais (Foto: Joana Moncau\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-57207\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rilcelia-Akai-in-Bras\u00edlia.jpg\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rilcelia-Akai-in-Bras\u00edlia.jpg 1920w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rilcelia-Akai-in-Bras\u00edlia-150x84.jpg 150w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rilcelia-Akai-in-Bras\u00edlia-300x169.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rilcelia-Akai-in-Bras\u00edlia-800x450.jpg 800w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rilcelia-Akai-in-Bras\u00edlia-640x360.jpg 640w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rilcelia-Akai-in-Bras\u00edlia-1080x608.jpg 1080w\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1080\" \/><figcaption>Rilcelia registra marcha dos povos ind\u00edgenas em Bras\u00edlia, no ano passado; para a jovem Munduruku, os invasores \u2018se sentem muito seguros porque falam que o Bolsonaro est\u00e1 do lado deles\u2019 (Foto: Joana Moncau\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Mariana Della Barba<br \/>\n<em>Nota: Essa reportagem foi realizada com financiamento concedido pela Global Forest Watch, que tem o apoio do Minist\u00e9rio Noruegu\u00eas do Clima e do Meio Ambiente (KDL). O especial tamb\u00e9m teve o apoio da International Women\u2019s Media Foundation\u2019s Howard G. BuffettFund for Women Journalists. A Rep\u00f3rter Brasil mant\u00e9m total independ\u00eancia editorial.<\/em><\/p>\n<p><strong>Texto original dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2022\/02\/03\/desmatamento-na-amazonia-reduziu-chuvas-e-encareceu-conta-de-luz-para-brasileiros\/\">https:\/\/infoamazonia.org\/2022\/02\/03\/desmatamento-na-amazonia-reduziu-chuvas-e-encareceu-conta-de-luz-para-brasileiros\/<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rep\u00f3rter Brasil Joana Moncau e Elpida Nikou 02 de fevereiro de 2022 Amaz\u00f4nia brasileira Coletivo audiovisual usa redes sociais para denunciar e expulsar madeireiros e garimpeiros, uma luta que se tornou ainda mais arriscada durante o governo Bolsonaro; \u2018Ningu\u00e9m acredita mais s\u00f3 na fala da gente, s\u00f3 acreditam vendo\u2019 Do alto, a pequena aldeia quase&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":333,"featured_media":32757,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-32296","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32296","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/333"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32296"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32296\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32760,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32296\/revisions\/32760"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32757"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32296"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32296"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32296"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}