{"id":32309,"date":"2022-03-07T13:33:35","date_gmt":"2022-03-07T16:33:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/?p=31538"},"modified":"2022-04-26T17:19:57","modified_gmt":"2022-04-26T20:19:57","slug":"desmatamento-comeca-a-afetar-a-diversidade-de-peixes-em-riachos-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/radar\/desmatamento-comeca-a-afetar-a-diversidade-de-peixes-em-riachos-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Desmatamento come\u00e7a a afetar a diversidade de peixes em riachos na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Ag\u00eancia FAPESP<\/strong><br \/>\n<strong>Andr\u00e9 Juli\u00e3o<\/strong><br \/>\n<strong>07 de mar\u00e7o de 2022<\/strong><\/p>\n<h3 class=\"lb-details\" style=\"text-align: center;\"><em><span class=\"lb-caption\">Esp\u00e9cies mais sens\u00edveis \u00e0 mudan\u00e7a no h\u00e1bitat est\u00e3o aos poucos sendo substitu\u00eddas por outras mais resistentes, indica estudo da Unesp. Fen\u00f4meno acarreta a perda das fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas desempenhadas pelos animais que desaparecem.<\/span><\/em><\/h3>\n<div><\/div>\n<p>A substitui\u00e7\u00e3o de floresta por pastagens e lavouras est\u00e1 afetando diretamente os peixes da Amaz\u00f4nia. Em <strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/ni\/a\/zq5j99bzX9JDDyxwZxyGXDG\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estudo<\/a><\/strong> publicado na revista <i>Neotropical Ichthyology<\/i>, pesquisadores do Brasil, da Col\u00f4mbia e dos Estados Unidos mostraram que um processo semelhante ao ocorrido ao longo de d\u00e9cadas em \u00e1reas com longa hist\u00f3ria de desmatamento, como o Estado de S\u00e3o Paulo, se repete agora em Rond\u00f4nia, no chamado Arco do Desmatamento, onde a derrubada da mata \u00e9 recente.<br \/>\nPeixes sens\u00edveis a altera\u00e7\u00f5es no ambiente est\u00e3o sendo paulatinamente substitu\u00eddos por poucas esp\u00e9cies mais resistentes aos impactos. Al\u00e9m da perda de biodiversidade, o fen\u00f4meno acarreta uma perda de fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas exercidas pelos peixes que desaparecem.<br \/>\n\u201cExiste uma hip\u00f3tese dentro da ecologia de que os vertebrados terrestres suportariam at\u00e9 60% de perda de h\u00e1bitat antes de entrar em processo de decl\u00ednio populacional e, em seguida, de extin\u00e7\u00e3o local. Estudando peixes de riachos, verificamos que parte das esp\u00e9cies suporta apenas 10% de perda de h\u00e1bitat e suas popula\u00e7\u00f5es come\u00e7am a declinar em menos de dez anos ap\u00f3s o in\u00edcio do desmatamento. Outras, por\u00e9m, s\u00e3o beneficiadas com perdas de mais de 70% do h\u00e1bitat\u201d, conta <strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/103661\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gabriel Brej\u00e3o<\/a><\/strong>, primeiro autor do estudo, que foi conduzido durante um est\u00e1gio de <strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/180158\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">p\u00f3s-doutorado<\/a><\/strong> no Instituto de Bioci\u00eancias, Letras e Ci\u00eancias Exatas da Universidade Estadual Paulista (Ibilce-Unesp), em S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto.<br \/>\nOs resultados s\u00e3o baseados em dados coletados em 75 riachos com diferentes graus de preserva\u00e7\u00e3o na bacia do rio Machado, um dos tribut\u00e1rios do Madeira. Para avaliar o hist\u00f3rico de desmatamento das \u00e1reas, os pesquisadores consultaram imagens de sat\u00e9lite da regi\u00e3o feitas entre 1984 e 2011.<br \/>\n\u201cA partir dos dados hist\u00f3ricos, separamos as \u00e1reas em bacias que nunca passaram por mudan\u00e7a, as que sofreram desmatamento h\u00e1 muito tempo e as de degrada\u00e7\u00e3o recente. Observamos que, onde o desmatamento \u00e9 recente, a taxa de substitui\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies [mais sens\u00edveis por mais resistentes] era mais alta do que nas \u00e1reas florestadas e nas de desflorestamento antigo\u201d, explica.<br \/>\nParte das coletas e an\u00e1lises do trabalho foi realizada pelo pesquisador ainda durante o <strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/150434\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doutorado<\/a><\/strong>, na mesma institui\u00e7\u00e3o, com bolsa da FAPESP.<br \/>\nO trabalho \u00e9 um dos resultados do projeto \u201c<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/29847\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Peixes de riachos de terra firme da Bacia do Rio Machado, RO<\/a><\/strong>\u201d, financiado pela FAPESP e coordenado por <strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/2432\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lilian Casatti<\/a><\/strong>, professora do Ibilce-Unesp.<br \/>\nA investiga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi <strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/25105\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">apoiada<\/a><\/strong> por meio de projeto coordenado por <strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/8796\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Silvio Ferraz<\/a><\/strong>, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de S\u00e3o Paulo (Esalq-USP) e coautor do artigo.<br \/>\n<b>Oeste paulista e oeste amaz\u00f4nico<\/b><br \/>\nCasatti conta que seu grupo sempre trabalhou com peixes de riachos no Estado de S\u00e3o Paulo, que tem um hist\u00f3rico de mais de 200 anos de uso intenso do solo e de substitui\u00e7\u00e3o da floresta por lavouras e cria\u00e7\u00f5es de gado.<br \/>\n\u201cQueria saber como seriam os riachos em um lugar n\u00e3o t\u00e3o alterado, pelo menos n\u00e3o h\u00e1 tanto tempo. Mas quando chegamos a alguns pontos de Rond\u00f4nia parecia que n\u00e3o t\u00ednhamos sa\u00eddo do oeste paulista, tamanho era o assoreamento, o desmatamento das margens, o capim invadindo o meio aqu\u00e1tico\u201d, lembra Casatti, que coordenou o estudo.<br \/>\nOs riachos s\u00e3o especialmente sens\u00edveis ao desmatamento. Usados como local de reprodu\u00e7\u00e3o e ber\u00e7\u00e1rio de esp\u00e9cies que podem depois migrar para os rios, esses corpos d\u2019\u00e1gua tamb\u00e9m aportam diferentes nutrientes da floresta para os rios. No que tange \u00e0s comunidades de peixes que vivem neles, uma floresta degradada traz v\u00e1rios impactos.<br \/>\nAl\u00e9m do assoreamento, que \u00e9 a deposi\u00e7\u00e3o de part\u00edculas de solo no fundo dos riachos, diminuindo sua profundidade, a diminui\u00e7\u00e3o ou retirada da cobertura florestal permite ainda a entrada de mais radia\u00e7\u00e3o solar, que aumenta o crescimento de plantas aqu\u00e1ticas indesej\u00e1veis para algumas esp\u00e9cies e eleva a temperatura da \u00e1gua.<br \/>\nMenos frutos, folhas e insetos que servem de alimento para os peixes se fazem presentes, al\u00e9m de galhos e troncos que servem de abrigo e at\u00e9 mesmo modulam a acidez da \u00e1gua, outro fator que pode determinar a presen\u00e7a ou aus\u00eancia de certas esp\u00e9cies e das fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas que desempenham.<br \/>\n\u201cAo perder esp\u00e9cies de cascudos que raspam troncos que caem na \u00e1gua, por exemplo, pode-se perder processamento de mat\u00e9ria org\u00e2nica. A perda de peixes inset\u00edvoros pode aumentar a quantidade de insetos que transmitem doen\u00e7as. Peixes carn\u00edvoros, como tra\u00edras e dourados, exercem uma press\u00e3o em esp\u00e9cies mais basais que podem se reproduzir descontroladamente sem os predadores. A qualidade do h\u00e1bitat tem papel muito importante para manter n\u00e3o apenas uma diversidade de esp\u00e9cies, mas de fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas\u201d, explica Casatti.<br \/>\n\u201cNossos resultados indicam que nas \u00e1reas de desmatamento mais recente h\u00e1 um conjunto de esp\u00e9cies grande o suficiente para reverter a perda de fun\u00e7\u00f5es. O que n\u00e3o quer dizer que necessariamente v\u00e1 se repetir em Rond\u00f4nia o que aconteceu em S\u00e3o Paulo. Talvez seja um sinal de que em processos iniciais de desmatamento exista um \u2018tamp\u00e3o\u2019 de diversidade que est\u00e1 retendo a perda de fun\u00e7\u00f5es. N\u00e3o sabemos at\u00e9 quando\u201d, conclui Brej\u00e3o.<br \/>\nO artigo <i>Taxonomic and functional turnover of Amazonian stream fish assemblages is determined by deforestation history and environmental variables at multiple scales<\/i> pode ser lido em: <strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/ni\/a\/zq5j99bzX9JDDyxwZxyGXDG\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.scielo.br\/j\/ni\/a\/zq5j99bzX9JDDyxwZxyGXDG\/<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Este texto foi originalmente publicado por <a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/\">Ag\u00eancia FAPESP<\/a> de acordo com a <a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nd\/4.0\/\">licen\u00e7a Creative Commons CC-BY-NC-ND<\/a>. Leia o <a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/desmatamento-comeca-a-afetar-a-diversidade-de-peixes-em-riachos-na-amazonia\/38070\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">original aqui<\/a>.<\/strong><br \/>\n<iframe src=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/republicacao_frame?url=https:\/\/agencia.fapesp.br\/desmatamento-comeca-a-afetar-a-diversidade-de-peixes-em-riachos-na-amazonia\/38070\/&amp;utm_source=republish&amp;utm_medium=republish&amp;utm_content=https:\/\/agencia.fapesp.br\/desmatamento-comeca-a-afetar-a-diversidade-de-peixes-em-riachos-na-amazonia\/38070\/\" width=\"1\" height=\"1\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ag\u00eancia FAPESP Andr\u00e9 Juli\u00e3o 07 de mar\u00e7o de 2022 Esp\u00e9cies mais sens\u00edveis \u00e0 mudan\u00e7a no h\u00e1bitat est\u00e3o aos poucos sendo substitu\u00eddas por outras mais resistentes, indica estudo da Unesp. 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