{"id":32319,"date":"2022-04-06T14:17:00","date_gmt":"2022-04-06T17:17:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/?p=32015"},"modified":"2022-04-26T17:21:14","modified_gmt":"2022-04-26T20:21:14","slug":"a-contaminacao-por-mercurio-na-amazonia-consequencia-do-aumento-das-atividades-em-garimpos-e-da-devastacao-da-floresta-entrevista-especial-com-heloisa-meneses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/radar\/a-contaminacao-por-mercurio-na-amazonia-consequencia-do-aumento-das-atividades-em-garimpos-e-da-devastacao-da-floresta-entrevista-especial-com-heloisa-meneses\/","title":{"rendered":"A contamina\u00e7\u00e3o por merc\u00fario na Amaz\u00f4nia, consequ\u00eancia do aumento das atividades em garimpos e da devasta\u00e7\u00e3o da floresta. Entrevista especial com Heloisa Meneses"},"content":{"rendered":"<div class=\"author\" style=\"text-align: right;\"><strong>Instituto Humanitas Unisinos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Ricardo Machado | Edi\u00e7\u00e3o: Jo\u00e3o Vitor Santos<br \/>\n06 de Abril de 2022<\/strong><br \/>\n<strong>Amaz\u00f4nia brasileira<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Segundo pesquisadora, a zona urbana de Santar\u00e9m, no Par\u00e1, apresenta n\u00edveis de contamina\u00e7\u00e3o superiores ao recomendado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade<\/em><\/h3>\n<p>Uma pesquisa in\u00e9dita divulgada recentemente aponta que mesmo quem vive a <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/591544-dario-kopenawa-sao-20-mil-garimpeiros-explorando-a-nossa-casa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">300 quil\u00f4metros dos garimpos ilegais<\/a> que ficam no <strong>rio Tapaj\u00f3s<\/strong> est\u00e1 exposto aos malef\u00edcios do <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/611322\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">merc\u00fario<\/a>. Segundo a pesquisa <strong>Mercury Contamination: A Growing Threat to Riverine and Urban Communities in the Brazilian Amazon<\/strong>, mais da metade dos moradores da zona urbana de <strong>Santar\u00e9m<\/strong> apresenta n\u00edveis de <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/605779\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">contamina\u00e7\u00e3o por merc\u00fario<\/a> at\u00e9 quatro vezes superior ao limite recomendado pela <strong>Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade<\/strong>. \u201cA sintomatologia da exposi\u00e7\u00e3o ao merc\u00fario \u00e9 variada, mas em geral os sintomas come\u00e7am mais brandos e v\u00e3o se agravando com o tempo, conforme a exposi\u00e7\u00e3o vai piorando\u201d, acrescenta <strong>Heloisa Meneses<\/strong>, da <strong>Universidade Federal do Oeste do Par\u00e1<\/strong>, que tamb\u00e9m atuou nos estudos.<\/p>\n<p>De imediato, associamos que toda essa <strong>contamina\u00e7\u00e3o<\/strong> tem rela\u00e7\u00e3o direta com o aumento da atividade nos <strong>garimpos<\/strong>. Mas o que n\u00e3o imaginamos \u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o pode ser ainda pior. \u201cO garimpo, apesar de ter um efeito grande, n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico respons\u00e1vel pela <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/ihu.unisinos.br\/78-noticias\/581860-o-mercurio-nas-veias-da-amazonia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">contamina\u00e7\u00e3o mercurial do ambiente amaz\u00f4nico<\/a>\u201d, revela a professora. \u201cO garimpo \u00e9 uma das fontes de contamina\u00e7\u00e3o do ambiente. Cessar o garimpo \u00e9 <strong>reduzir a emiss\u00e3o de merc\u00fario<\/strong> no ambiente. Mas para zerar esta emiss\u00e3o tamb\u00e9m seria necess\u00e1rio cessar o <strong>desmatamento<\/strong>, as <strong>queimadas<\/strong>, a instala\u00e7\u00e3o das<strong> usinas hidrel\u00e9tricas<\/strong>\u201d, completa.<\/p>\n<p>Ou seja, a <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/588136\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">destrui\u00e7\u00e3o ambiental na regi\u00e3o amaz\u00f4nica<\/a>\u00a0por outras atividades ainda torna os danos causados pelo garimpo ilegal ainda mais graves. \u201c\u00c9 poss\u00edvel supor que vai piorar a exposi\u00e7\u00e3o humana nos pr\u00f3ximos anos. Os efeitos para a sa\u00fade dependem do tempo a que est\u00e3o sujeitos a essa exposi\u00e7\u00e3o. Enquanto houver contamina\u00e7\u00e3o do ambiente, vai haver riscos para a sa\u00fade. Mesmo que toda a <strong>libera\u00e7\u00e3o de merc\u00fario<\/strong> fosse cessada hoje, ainda seriam necess\u00e1rios muitos anos para reduzir os riscos para a sa\u00fade humana\u201d, analisa a pesquisadora.<\/p>\n<div class=\"news-image-credits\">\n<div style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2022\/04\/06_04_heloisa_menezes_arquivo_pessoal.jpeg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"400\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Heloisa Meneses (Foto: Arquivo pessoal)<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Heloisa Meneses<\/strong> \u00e9 professora permanente do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias da Sa\u00fade da Universidade Federal do Oeste do Par\u00e1 e coordenadora do Laborat\u00f3rio de Epidemiologia Molecular.<\/p>\n<h2><strong><em>Confira a entrevista.<\/em><\/strong><\/h2>\n<p><strong>IHU \u2013 Para contextualizarmos nossos leitores, gostaria que a senhora explicasse como foi a pesquisa <a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2022\/03\/17\/75-da-populacao-de-santarem-esta-contaminada-por-mercurio-do-garimpo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Mercury Contamination: A Growing Threat to Riverine and Urban Communities in the Brazilian Amazon<\/a>. Qual o recorte de espa\u00e7o (geogr\u00e1fico) e tempo e como foi abordada metodologicamente (coleta das amostras e an\u00e1lise em laborat\u00f3rio)?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Heloisa Meneses \u2013<\/strong> Foi realizada uma pesquisa transversal com 462 moradores da \u00e1rea ribeirinha e urbana do munic\u00edpio de <strong>Santar\u00e9m<\/strong> (<strong>Par\u00e1<\/strong>), na regi\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/617140-populacao-do-baixo-tapajos-tem-altas-taxas-de-exposicao-por-mercurio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Baixo Tapaj\u00f3s<\/strong><\/a>, durante os anos de 2015 e 2019. Coletamos sangue para medir os <strong>n\u00edveis de merc\u00fario<\/strong> e realizar as an\u00e1lises bioqu\u00edmicas e aplicamos um question\u00e1rio para informa\u00e7\u00f5es sociodemogr\u00e1ficas, h\u00e1bitos alimentares e de sa\u00fade.<\/p>\n<div class=\"news-image-credits\">\n<div style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2022\/04\/06_04_mapa_santarem.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"530\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Mapa da regi\u00e3o, localizando regi\u00e3o de Santar\u00e9m | Imagem: Mercury Contamination: A Growing Threat to Riverine and Urban Communities in the Brazilian Amazon<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p><strong>IHU \u2013 Por que o merc\u00fario \u00e9 nocivo \u00e0 sa\u00fade? Quais s\u00e3o seus principais efeitos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Heloisa Meneses \u2013<\/strong> O <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/617341-mercurio-a-ameaca-que-mata-aos-poucos-a-populacao-da-amazonia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">merc\u00fario<\/a> \u00e9 um tipo de metal pesado que n\u00e3o tem fun\u00e7\u00e3o no corpo humano, por isso quando encontrado no corpo humano pode ser prejudicial \u00e0 sa\u00fade. Os efeitos da exposi\u00e7\u00e3o dependem da forma de <strong>merc\u00fario<\/strong> a qual se foi exposto e, tamb\u00e9m, do tempo de dura\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNo caso da pesquisa, avaliamos a exposi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica ao metilmerc\u00fario. Moradores da regi\u00e3o que possuem um h\u00e1bito frequente de consumir peixe, ano ap\u00f3s ano, v\u00e1rias vezes por semana, est\u00e3o sob risco de exposi\u00e7\u00e3o e consequentemente de desenvolver problemas de sa\u00fade, como dor de cabe\u00e7a, fraqueza muscular, tremores, d\u00e9ficit de mem\u00f3ria e problemas de vis\u00e3o e audi\u00e7\u00e3o, entre outros. A sintomatologia da <strong>exposi\u00e7\u00e3o ao merc\u00fario<\/strong> \u00e9 variada, mas em geral os sintomas come\u00e7am mais brandos e v\u00e3o se agravando com o tempo, conforme a exposi\u00e7\u00e3o vai piorando.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\"><strong><em>Moradores da regi\u00e3o que possuem um h\u00e1bito frequente de consumir peixe, ano ap\u00f3s ano, v\u00e1rias vezes por semana, est\u00e3o sob risco de exposi\u00e7\u00e3o e consequentemente de desenvolver problemas de sa\u00fade \u2013 Heloisa Menezes<\/em><\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>IHU \u2013 De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade \u2013 OMS, quais s\u00e3o os n\u00edveis toler\u00e1veis de merc\u00fario no sangue e qual \u00e9 a m\u00e9dia encontrada pela pesquisa que a senhora coordenou, cujo dado indica que 57,1% dos participantes moradores da \u00e1rea urbana de Santar\u00e9m t\u00eam taxas elevadas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Heloisa Meneses \u2013<\/strong> A <strong>OMS<\/strong> considera como aceit\u00e1vel (baixa exposi\u00e7\u00e3o) um n\u00edvel de at\u00e9 10 microgramas por litro de merc\u00fario no sangue. <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/589789-amazonia-garimpos-jogam-uma-brumadinho-a-cada-20-meses-no-tapajos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">N\u00edveis de merc\u00fario<\/a> acima deste valor s\u00e3o considerados como alta exposi\u00e7\u00e3o, pois j\u00e1 podem causar danos \u00e0 sa\u00fade humana.<br \/>\nDos 462 participantes da pesquisa, 203 eram da \u00e1rea urbana e 259 da \u00e1rea ribeirinha. Destes, 349 (75,6%) tinham <strong>n\u00edveis de merc\u00fario acima do considerado aceit\u00e1vel pela OMS<\/strong>, e a m\u00e9dia de merc\u00fario encontrado nestes foi de 48,3 microgramas por litro de merc\u00fario no sangue. Entre os 203 participantes da \u00e1rea urbana, 57,1% estavam com os n\u00edveis acima de 10 microgramas por litro de merc\u00fario no sangue, com uma m\u00e9dia de 21,8 microgramas por litro de merc\u00fario no sangue. Portanto, encontramos participantes com n\u00edveis de <strong>alta exposi\u00e7\u00e3o ao merc\u00fario<\/strong> tanto na \u00e1rea urbana como na \u00e1rea ribeirinha.<\/p>\n<p><strong>IHU \u2013 Uma das conclus\u00f5es do estudo \u00e9 que os n\u00edveis de merc\u00fario no corpo adv\u00eam do consumo frequente de peixes e que a contamina\u00e7\u00e3o est\u00e1 associada \u00e0 atividade de garimpo ilegal no alto e m\u00e9dio Tapaj\u00f3s, distante cerca de 300 quil\u00f4metros de Santar\u00e9m. Por que mesmo com essa dist\u00e2ncia h\u00e1 contamina\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Heloisa Meneses \u2013<\/strong> Diferentes atividades s\u00e3o respons\u00e1veis pela <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/605167-estudo-revela-contaminacao-por-mercurio-de-100-dos-munduruku-do-rio-tapajos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">contamina\u00e7\u00e3o por merc\u00fario do rio Tapaj\u00f3s<\/a>, entre elas o garimpo, mas o desmatamento e as queimadas tamb\u00e9m contribuem para a contamina\u00e7\u00e3o mercurial do ambiente amaz\u00f4nico. Por isso que, assim como em <strong>Santar\u00e9m<\/strong>, outros munic\u00edpios localizados \u00e0s margens do Tapaj\u00f3s tamb\u00e9m podem estar sujeitos aos efeitos da contamina\u00e7\u00e3o ambiental, visto que o merc\u00fario pode ser transportado para outros lugares atrav\u00e9s do ar (no caso do vapor de merc\u00fario) e da \u00e1gua, contaminando \u00e1reas afastadas do <strong>garimpo<\/strong>, mas que est\u00e3o sujeitas ao <strong>desmatamento<\/strong> e \u00e0s <strong>queimadas<\/strong>.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\"><em><strong>Diferentes atividades s\u00e3o respons\u00e1veis pela contamina\u00e7\u00e3o por merc\u00fario do rio Tapaj\u00f3s, entre elas o garimpo, mas o desmatamento e as queimadas tamb\u00e9m contribuem para a contamina\u00e7\u00e3o mercurial do ambiente amaz\u00f4nico \u2013 Heloisa Menezes<\/strong><\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>IHU \u2013 Al\u00e9m da contamina\u00e7\u00e3o por ingest\u00e3o de peixes e \u00e1gua contaminada, h\u00e1 riscos ao se banhar no Tapaj\u00f3s?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Heloisa Meneses<\/strong> \u2013 N\u00e3o \u00e9 contamina\u00e7\u00e3o e sim <strong>exposi\u00e7\u00e3o ao merc\u00fario<\/strong>. N\u00e3o existe risco ao tomar banho no <strong>rio Tapaj\u00f3s<\/strong>. N\u00e3o existem dados que comprovem exposi\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do consumo de \u00e1gua. A exposi\u00e7\u00e3o ocorre ao longo dos anos, \u00e9 uma exposi\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da ingest\u00e3o de peixe contaminado com metilmerc\u00fario e depende do tipo e da quantidade de peixe consumido ao longo dos anos.<br \/>\n<iframe title=\"Amaz\u00f4nia. A devasta\u00e7\u00e3o da floresta pelo agroneg\u00f3cio e minera\u00e7\u00e3o\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/91fKpYWLRgw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>IHU \u2013 Qual a import\u00e2ncia de se incluir testagem de n\u00edveis de merc\u00fario na rede de aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de sa\u00fade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Heloisa Meneses \u2013<\/strong> A dosagem dos <strong>n\u00edveis de merc\u00fario<\/strong> \u00e9 importante para identificar se a pessoa est\u00e1 ou n\u00e3o exposta ao merc\u00fario. Como os sintomas s\u00e3o diversos e n\u00e3o constituem uma doen\u00e7a exatamente (por isso n\u00e3o falamos em contamina\u00e7\u00e3o), o quanto antes os sintomas forem identificados, mais rapidamente eles poder\u00e3o ser tratados.<br \/>\nQuando n\u00e3o identificados, os sintomas podem agravar e podem inclusive se tornar irrevers\u00edveis. Como o <strong>metilmerc\u00fario<\/strong> afeta principalmente o sistema nervoso central, muitos sintomas s\u00e3o graves e por isso precisam ser identificados logo no in\u00edcio para que possam ser tratados logo. Para relacionar os sintomas com a <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/596404-pesquisa-da-unifesp-revela-impacto-da-exposicao-ao-mercurio-na-memoria-de-longa-duracao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">exposi\u00e7\u00e3o ao merc\u00fario<\/a> \u00e9 necess\u00e1rio ter a dosagem deste no sangue para se confirmar a exposi\u00e7\u00e3o. Portanto, a dosagem de merc\u00fario faz parte do diagn\u00f3stico da exposi\u00e7\u00e3o a ele.<br \/>\n<iframe title=\"Merc\u00fario: ribeirinhos em risco\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/F4A8KeKTWLs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>IHU \u2013 N\u00e3o existem dados que comprovem exposi\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do consumo de \u00e1gua?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Heloisa Meneses \u2013<\/strong> N\u00e3o existem dados que comprovem a exposi\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do consumo de \u00e1gua. A exposi\u00e7\u00e3o observada na <strong>Amaz\u00f4nia<\/strong> \u00e9 a <strong>ambiental<\/strong> (atrav\u00e9s do consumo de peixe contaminado com metilmerc\u00fario) e a <strong>ocupacional<\/strong> (relacionada ao ambiente de trabalho, que neste caso seria atrav\u00e9s da inala\u00e7\u00e3o do vapor de merc\u00fario, durante a queima do ouro).<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\"><em><strong>Como o metilmerc\u00fario afeta principalmente o sistema nervoso central, muitos sintomas s\u00e3o graves e por isso precisam ser identificados logo no in\u00edcio para que possam ser tratados logo \u2013 Heloisa Menezes<\/strong><\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>IHU \u2013 Do ponto de vista ambiental e da sa\u00fade p\u00fablica, qual a import\u00e2ncia de cessar o garimpo na Amaz\u00f4nia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Heloisa Meneses \u2013<\/strong> O <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/587039\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">garimpo<\/a> \u00e9 uma das fontes de contamina\u00e7\u00e3o do ambiente. Cessar o garimpo \u00e9 reduzir a emiss\u00e3o de merc\u00fario no ambiente. Mas, para zerar esta emiss\u00e3o, tamb\u00e9m seria necess\u00e1rio cessar o <strong>desmatamento<\/strong>, as <strong>queimadas<\/strong>, a instala\u00e7\u00e3o das <strong>usinas hidrel\u00e9tricas<\/strong>. O garimpo, apesar de ter um efeito grande, n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico respons\u00e1vel pela <strong>contamina\u00e7\u00e3o mercurial do ambiente amaz\u00f4nico<\/strong>.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\"><strong><em>O garimpo \u00e9 uma das fontes de contamina\u00e7\u00e3o do ambiente. Cessar o garimpo \u00e9 reduzir a emiss\u00e3o de merc\u00fario no ambiente. Mas para zerar esta emiss\u00e3o tamb\u00e9m seria necess\u00e1rio cessar o desmatamento, as queimadas, a instala\u00e7\u00e3o das usinas hidrel\u00e9tricas \u2013 Heloisa Menezes<\/em><\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>IHU \u2013 Qual a correla\u00e7\u00e3o entre o alto consumo de pescados e as crises econ\u00f4mica e social que o Brasil vem enfrentando nos \u00faltimos anos, agravadas pela pandemia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Heloisa Meneses \u2013<\/strong> A <strong>crise econ\u00f4mica<\/strong>, provocada principalmente pela pandemia, trouxe um aumento no pre\u00e7o dos alimentos, especialmente carne e frango. No entanto, mesmo antes da pandemia, o <strong>consumo do pescado<\/strong> j\u00e1 era um h\u00e1bito comum na regi\u00e3o amaz\u00f4nica. O peixe sempre foi a principal fonte proteica da maioria da popula\u00e7\u00e3o amaz\u00f4nica. O consumo de carne e frango sempre foi menor que o do pescado, principalmente na \u00e1rea ribeirinha.<br \/>\nEnt\u00e3o, n\u00e3o podemos afirmar que a crise econ\u00f4mica aumentou o <strong>consumo de pescado<\/strong>, visto que este consumo sempre foi alto na regi\u00e3o. Inclusive por isso a grande preocupa\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade destes moradores, pois o consumo de pescado foi, \u00e9 e continuar\u00e1 sendo grande nesta regi\u00e3o, pois o peixe tem um grande valor cultural.<br \/>\n<iframe title=\"De Minamata ao Tapaj\u00f3s: um alerta sobre a contamina\u00e7\u00e3o de merc\u00fario na Amaz\u00f4nia\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7e5XQ_DXUaU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>IHU \u2013 A coleta de dados de sua pesquisa encerrou em 2019, mas de l\u00e1 para c\u00e1 h\u00e1 dados que indicam que o garimpo na Terra Ind\u00edgena Munduruku, localizada no m\u00e9dio Tapaj\u00f3s, cresceu em 363%. A que riscos esta popula\u00e7\u00e3o pode estar submetida?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Heloisa Meneses \u2013<\/strong> Com o <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/612489-area-ocupada-pela-mineracao-no-brasil-cresce-mais-de-6-vezes-em-35-anos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">crescimento do garimpo<\/a>, assim como do desmatamento, aumenta a libera\u00e7\u00e3o de merc\u00fario no ambiente. Ent\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel supor que vai piorar a exposi\u00e7\u00e3o humana nos pr\u00f3ximos anos. Os efeitos para a sa\u00fade dependem do tempo a que est\u00e3o sujeitos a essa exposi\u00e7\u00e3o. Enquanto houver contamina\u00e7\u00e3o do ambiente, vai haver riscos para a sa\u00fade. Mesmo que toda a <strong>libera\u00e7\u00e3o de merc\u00fario<\/strong> fosse cessada hoje, ainda seriam necess\u00e1rios muitos anos para reduzir os riscos para a sa\u00fade humana.<br \/>\n<iframe title=\"Minera\u00e7\u00e3o e garimpo em terras ind\u00edgenas. Panorama de resist\u00eancias\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YesNpOofOdA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>IHU \u2013 Deseja acrescentar algo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Heloisa Meneses \u2013<\/strong> Pontos importantes:<br \/>\n&#8211; A <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/605167-estudo-revela-contaminacao-por-mercurio-de-100-dos-munduruku-do-rio-tapajos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">contamina\u00e7\u00e3o do rio Tapaj\u00f3s<\/a> n\u00e3o deve interferir no turismo da regi\u00e3o: os turistas n\u00e3o v\u00e3o estar expostos ao tomar banho de rio e nem ao comer o peixe, pois a exposi\u00e7\u00e3o que pode trazer graves consequ\u00eancias para a sa\u00fade \u00e9 a de tipo cr\u00f4nica (um ano ou mais de exposi\u00e7\u00e3o).<br \/>\n&#8211; A pesquisa revelou uma exposi\u00e7\u00e3o e n\u00e3o uma contamina\u00e7\u00e3o ao merc\u00fario. Portanto, n\u00e3o podemos afirmar que todos os participantes da pesquisa ou mesmo a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 doente. O que podemos afirmar \u00e9 que aqueles que possuem n\u00edveis considerados de <strong>alta exposi\u00e7\u00e3o<\/strong>, est\u00e3o sob risco de apresentar sintomas, mas n\u00e3o temos como afirmar quais ser\u00e3o e nem quando eles v\u00e3o ocorrer, visto que existem v\u00e1rios fatores que influenciam no surgimento destes. No entanto, precisamos identificar precocemente a exposi\u00e7\u00e3o para poder prevenir estes efeitos\/sintomas.<br \/>\n&#8211; A popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve deixar de consumir peixe. A recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 <strong>diversificar o tipo de peixe consumido<\/strong>: dar prefer\u00eancia aos peixes menores. E, sempre que poss\u00edvel, reduzir a quantidade consumida e a frequ\u00eancia com que se consome o peixe. Quando poss\u00edvel, alternar o consumo de peixe com outras fontes de prote\u00edna, e consumir frutas e alimentos antioxidantes.<\/p>\n<p><strong>Texto original dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/617538-a-contaminacao-por-mercurio-na-amazonia-consequencia-do-aumento-das-atividades-em-garimpos-e-da-devastacao-da-floresta-entrevista-especial-com-heloisa-meneses\"> Instituto Humanitas Unisinos<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Instituto Humanitas Unisinos Ricardo Machado | Edi\u00e7\u00e3o: Jo\u00e3o Vitor Santos 06 de Abril de 2022 Amaz\u00f4nia brasileira Segundo pesquisadora, a zona urbana de Santar\u00e9m, no Par\u00e1, apresenta n\u00edveis de contamina\u00e7\u00e3o superiores ao recomendado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade Uma pesquisa in\u00e9dita divulgada recentemente aponta que mesmo quem vive a 300 quil\u00f4metros dos garimpos ilegais que&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":333,"featured_media":32019,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-32319","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32319","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/333"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32319"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32319\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33102,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32319\/revisions\/33102"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32019"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32319"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32319"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32319"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}