{"id":5053,"date":"2018-04-03T12:34:18","date_gmt":"2018-04-03T15:34:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/?p=5053"},"modified":"2018-04-03T12:36:22","modified_gmt":"2018-04-03T15:36:22","slug":"science-expoe-os-perigos-da-liberacao-da-cana-de-acucar-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/radar\/science-expoe-os-perigos-da-liberacao-da-cana-de-acucar-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Science exp\u00f5e os perigos da libera\u00e7\u00e3o da cana-de-a\u00e7\u00facar na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right;\"><strong>Por Carolina Lisboa<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/\"><strong>((o)) eco<\/strong><\/a><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: right;\"><strong>29 de mar\u00e7o de 2018<\/strong><\/h4>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_single_image image=\u00bb5048&#8243; img_size=\u00bbfull\u00bb alignment=\u00bbcenter\u00bb css_animation=\u00bbfadeIn\u00bb][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Para ambientalistas, a aprova\u00e7\u00e3o da PL 626\/2011 empurraria a agropecu\u00e1ria para as florestas, aumentando assim, o desmatamento. Acima, cultura de cana-de-a\u00e7\u00facar, em S\u00e3o Paulo. Foto: Secretaria de Agricultura e Abastecimento\/SP.<\/em><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]O projeto de lei que libera a expans\u00e3o do cultivo de cana-de-a\u00e7\u00facar na Amaz\u00f4nia Legal (PLS 626\/2011) foi retirado da pauta do Senado desta ter\u00e7a-feira 27, a pedido do autor da proposta, senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), ap\u00f3s ser adiada por duas vezes por falta de qu\u00f3rum. Ainda n\u00e3o est\u00e1 definida nova data para a an\u00e1lise do projeto, que vem repercutindo negativamente no Brasil e no exterior. Na segunda-feira, 26 de mar\u00e7o, foi publicada na\u00a0<a href=\"http:\/\/science.sciencemag.org\/content\/early\/2018\/03\/26\/science.aat4208\" rel=\"noopener\">Revista\u00a0<em>Science<\/em><\/a>\u00a0&#8211; a segunda revista cient\u00edfica do mundo em termos de impacto &#8211; uma carta alertando para o perigo que esta libera\u00e7\u00e3o representaria para a integridade ecossist\u00eamica da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 o maior produtor mundial de cana-de-a\u00e7\u00facar. As \u00e1reas para lavoura de cana na Amaz\u00f4nia e no Pantanal foram restritas desde setembro de 2009 pelo Decreto Federal n\u00ba 6961, que estabeleceu o zoneamento agroecol\u00f3gico da lavoura de cana-de-a\u00e7\u00facar. \u00c9 esse zoneamento que o Projeto de Lei, que circula no Congresso Nacional desde 2011, pretende alterar, liberando o cultivo da cana nos nove estados da Amaz\u00f4nia Legal.<\/p>\n<p>De autoria de Lucas Ferrante, doutorando do Programa de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Ecologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia &#8211; INPA, e de seu orientador, Philip Fearnside, pesquisador do INPA e membro do Painel Intergovernamental para Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), a\u00a0<a href=\"http:\/\/science.sciencemag.org\/content\/early\/2018\/03\/26\/science.aat4208\" rel=\"noopener\">carta na revista\u00a0<em>Science<\/em><\/a> esclarece que o projeto prejudica a biodiversidade e a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola brasileira. \u00abA carta vem trazer uma informa\u00e7\u00e3o mais cient\u00edfica, pois at\u00e9 ent\u00e3o t\u00ednhamos somente movimenta\u00e7\u00f5es ativistas, que alertavam que o cultivo de cana era muito danoso e teria consequ\u00eancias, mas n\u00e3o diziam quais seriam essas consequ\u00eancias. J\u00e1 sabemos, por estudos realizados em outros Biomas, que o dano causado pelo cultivo de cana-de-a\u00e7\u00facar n\u00e3o fica somente no local, mas se estende para florestas adjacentes. \u00c9 um fen\u00f4meno muito conhecido na Ecologia, chamado\u00a0<strong>efeito de borda<\/strong>, que pode penetrar at\u00e9 um quil\u00f4metro dentro de \u00e1reas florestais, depauperando a estrutura dessas florestas e causando impactos na fauna. A introdu\u00e7\u00e3o dessa cultura de cana em \u00e1reas degradadas amea\u00e7aria, portanto, as florestas adjacentes. Al\u00e9m disso, devemos ressaltar a import\u00e2ncia da floresta como um todo, para a biodiversidade e para os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos que regulam o clima do Brasil e de toda a Am\u00e9rica do Sul. Pa\u00edses como a Argentina, por exemplo, s\u00e3o altamente dependentes da umidade vinda da Amaz\u00f4nia, assim como os estados brasileiros mais populosos do Sudeste e Sul, que j\u00e1 enfrentaram secas cr\u00edticas e ter\u00e3o suas popula\u00e7\u00f5es e produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola prejudicadas\u201d, esclareceu Lucas Ferrante.<\/p>\n<p>\u201cOutro fator preocupante \u00e9 o desmatamento, pois sabemos pela experi\u00eancia anterior como o avan\u00e7o da soja que pastagens e outros cultivos seriam substitu\u00eddos, neste caso pela cana, e a pecu\u00e1ria migraria para outras \u00e1reas. A cana em escala para biocombust\u00edveis \u00e9 plantada por grandes empresas ou por grandes produtores individuais. Se estes compram terras de pequenos agricultores, cria uma nova onda de migra\u00e7\u00e3o e de cria\u00e7\u00e3o de assentamentos, com mais desmatamento. Se as terras s\u00e3o compradas de pecuaristas maiores, os fazendeiros v\u00e3o usar o dinheiro da venda para comprar \u00e1reas maiores de terra barata mais afastadas para estabelecer novas fazendas na floresta, com mais desmatamento. Assim, a abertura para cana estimularia ainda mais o desmatamento em novas \u00e1reas da Amaz\u00f4nia, al\u00e9m do seu impacto nos locais efetivamente plantadas com cana\u201d, acrescentou Philip Fearnside.<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o, intitulada \u00abAmazon sugarcane: A threat to the forest\u00bb, estava prevista para o dia 30 de mar\u00e7o, mas a\u00a0<em>Science<\/em>\u00a0adiantou a publica\u00e7\u00e3o online para o dia 26 para coincidir com a discuss\u00e3o e vota\u00e7\u00e3o do pol\u00eamico projeto, pautada para a sess\u00e3o do dia 27, que foi adiada por falta de qu\u00f3rum. Entretanto, uma vers\u00e3o atualizada ser\u00e1 publicada na revista impressa no dia 30. Segue a tradu\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas do texto original da carta, publicado originalmente\u00a0<a href=\"http:\/\/amazoniareal.com.br\/cana-de-acucar-da-amazonia-uma-ameaca-floresta\/\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>:<\/p>\n<blockquote><p>\u00ab<em>A vegeta\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia varia de florestas densas a \u00e1reas de savana, e as florestas da regi\u00e3o e sua biodiversidade s\u00e3o vulner\u00e1veis ao avan\u00e7o cont\u00ednuo das mudan\u00e7as no uso da terra para agricultura e pecu\u00e1ria (2). No Brasil, o cultivo de cana-de-a\u00e7\u00facar \u00e9 atualmente proibido nos Biomas do Pantanal e Amaz\u00f4nia (3). A cana-de-a\u00e7\u00facar est\u00e1 entre as culturas com os maiores aumentos de produ\u00e7\u00e3o na \u00faltima d\u00e9cada, e o Brasil \u00e9 o maior produtor de cana-de-a\u00e7\u00facar do mundo, segundo dados da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura-FAO (4).<\/em><\/p>\n<p><em>As planta\u00e7\u00f5es de cana est\u00e3o projetadas para aumentar devido \u00e0 demanda por biocombust\u00edveis (5). J\u00e1 t\u00eam demonstrado que as planta\u00e7\u00f5es de cana-de-a\u00e7\u00facar amea\u00e7am a biodiversidade, com seus efeitos se estendendo al\u00e9m das \u00e1reas cultivadas at\u00e9 as florestas adjacentes (6).<\/em><\/p>\n<p><em>O Senado Federal agendou uma decis\u00e3o para 2018 sobre um projeto de lei que prop\u00f5e a abertura da regi\u00e3o amaz\u00f4nica \u00e0 cana-de-a\u00e7\u00facar (7). Essa cultura seria supostamente plantada em \u00e1reas degradadas, em pastagens naturais da Amaz\u00f4nia e nos \u201chotspots\u201d de biodiversidade no Cerrado. Devido aos poss\u00edveis efeitos catastr\u00f3ficos sobre a floresta amaz\u00f4nica e sobre a biodiversidade e os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos da Am\u00e9rica do Sul e a produtividade agr\u00edcola do Brasil, instamos o Senado a n\u00e3o aprovar esse projeto.<\/em><\/p>\n<p><em>A amea\u00e7a da cana-de-a\u00e7\u00facar \u00e9 apenas uma das muitas causas de destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia (5). As florestas amaz\u00f4nicas desempenham um papel importante no clima da Am\u00e9rica do Sul, com contribui\u00e7\u00f5es substanciais de precipita\u00e7\u00e3o para a agricultura no sudeste do Brasil (8\u20139). Em m\u00e9dio e longo prazo, a perda florestal amea\u00e7aria a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e de biocombust\u00edveis do Brasil, sendo a \u00e1rea com maior produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola localizada no sul e sudeste do Pa\u00eds (10), que depende do vapor de \u00e1gua da regi\u00e3o amaz\u00f4nica (8\u20139).<\/em><\/p>\n<p><em>Os tomadores de decis\u00e3o pol\u00edticos e as institui\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais que financiam grandes empresas agr\u00edcolas n\u00e3o devem ser enganados pelo doce sabor de uma nova fronteira agr\u00edcola a ser explorada. Eles devem ser orientados pela necessidade de evitar a perda da biodiversidade da Amaz\u00f4nia, do patrim\u00f4nio gen\u00e9tico e dos valiosos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, incluindo a regulamenta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica para a \u00e1rea com a maior popula\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola da Am\u00e9rica do Sul (10\u201311).<\/em><\/p>\n<p><em>Notas:<\/em><\/p>\n<p><em>Ferrante, L. &amp; P.M. Fearnside. 2018.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.sciencemag.org\/\">Amazon sugarcane: A threat to the forest; Sciencemag<\/a><u>.<\/u><\/em><\/p>\n<p><em>P. M. Fearnside, in\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1093\/acrefore\/9780199389414.013.102\">Oxford Research Encyclopedia of Environmental Science<\/a>, H. Shugart, Ed. (Oxford University Press, New York, 2017).<\/em><\/p>\n<p><em>Brasil, Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, Decreto N\u00ba 6.961, DE (17 de setembro de 2009).<\/em><\/p>\n<p><em><a href=\"http:\/\/www.fao.org\/faostat\/en\/#rankings\/commodities_by_country\">Food and Agriculture Organization of the United Nations, Commodities by Country<\/a>\u00a0(2018).<\/em><\/p>\n<p><em>P. M. Fearnside, in\u00a0<a href=\"https:\/\/elti.yale.edu\/sites\/default\/files\/rsource_files\/Biocombustibles.pdf\">Biofuels and Neotropical Forests: Trends, Implications, and Emerging Alternatives<\/a>, E.J. Garen, J. Mateo-Vega, Eds., (Environmental Leadership &amp; Training Initiative, Yale University, New Haven, CT, 2009), p. 29\u201336.<\/em><\/p>\n<p><em>L. Ferrante et al., J. Biogeogr. 44, 1911 (2017).<\/em><\/p>\n<p><em>Brasil, Senado Federal, Projeto de Lei do Senado N\u00b0 626 (2011).<\/em><\/p>\n<p><em>P. M. Fearnside.\u00a0Ci\u00eanc. Hoje.\u00a034, 63 (2004).<\/em><\/p>\n<p><em>D. C. Zemp\u00a0et al.\u00a0Atmosp. Chem. Phys.\u00a014, 13337 (2014).<\/em><\/p>\n<p><em>IBGE,\u00a0<a href=\"https:\/\/sidra.ibge.gov.br\/home\/lspa\/brasil\">Levantamento Sistem\u00e1tico da Produ\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola (2018)<\/a>.<\/em><\/p>\n<p><em>IBGE,\u00a0<a href=\"https:\/\/biblioteca.ibge.gov.br\/index.php\/biblioteca-catalogo?view=detalhes&amp;id=2100923.\">Coordena\u00e7\u00e3o de Popula\u00e7\u00e3o e Indicadores Sociais, Estimativas da popula\u00e7\u00e3o residente para os munic\u00edpios\u00a0<\/a>e para as unidades da federa\u00e7\u00e3o brasileiros com data de refer\u00eancia em 1\u00ba de julho de 2017 (2017).\u00bb<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Fonte:<a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/noticias\/science-expoe-os-perigos-da-liberacao-da-cana-de-acucar-na-amazonia\/\">\u00a0www.oeco.org.br\/noticias\/science-expoe-os-perigos-da-liberacao-da-cana-de-acucar-na-amazonia\/<\/a><\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Por Carolina Lisboa ((o)) eco 29 de mar\u00e7o de 2018 [\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_single_image image=\u00bb5048&#8243; img_size=\u00bbfull\u00bb alignment=\u00bbcenter\u00bb css_animation=\u00bbfadeIn\u00bb][vc_column_text] Para ambientalistas, a aprova\u00e7\u00e3o da PL 626\/2011 empurraria a agropecu\u00e1ria para as florestas, aumentando assim, o desmatamento. 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