{"id":9351,"date":"2019-07-10T16:24:28","date_gmt":"2019-07-10T19:24:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/radar\/infraestrutura-amazonica-coloca-em-risco-68-das-terras-indigenas-areas-protegidas-relatorio\/"},"modified":"2019-07-10T16:26:42","modified_gmt":"2019-07-10T19:26:42","slug":"infraestrutura-amazonica-coloca-em-risco-68-das-terras-indigenas-areas-protegidas-relatorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/radar\/infraestrutura-amazonica-coloca-em-risco-68-das-terras-indigenas-areas-protegidas-relatorio\/","title":{"rendered":"Infraestrutura amaz\u00f4nica coloca em risco 68% das terras ind\u00edgenas\/\u00e1reas protegidas: relat\u00f3rio"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Por Jenny Gonzales<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Tradu\u00e7\u00e3o de D\u00e9bora dos Santos Gonzales<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>9 de julho de 2019<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Mongabay<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<ul>\n<li><em>Nas nove na\u00e7\u00f5es que abrangem a regi\u00e3o amaz\u00f4nica, 68% das terras ind\u00edgenas e \u00e1reas naturais protegidas est\u00e3o sob press\u00e3o de estradas, minera\u00e7\u00e3o, barragens, perfura\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, inc\u00eandios florestais e desmatamento, de acordo com um novo relat\u00f3rio da RAISG, a Rede Amaz\u00f4nica de Informa\u00e7\u00e3o Socioambiental Georreferenciada.<\/em><\/li>\n<li><em>Dos 6.345 territ\u00f3rios ind\u00edgenas localizados nos nove pa\u00edses amaz\u00f4nicos pesquisados, 2.042 (32%) est\u00e3o amea\u00e7ados ou pressionados por dois tipos de atividades de infraestrutura, enquanto 2.584 (41%) est\u00e3o amea\u00e7ados ou pressionados por pelo menos um. Apenas 8% do total n\u00e3o s\u00e3o amea\u00e7ados ou pressionados.<\/em><\/li>\n<li><em>No caso das 692 \u00e1reas naturais protegidas na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, 193 (28%) sofrem tr\u00eas tipos de amea\u00e7a ou press\u00e3o e 188 (27%) sofrem amea\u00e7as ou press\u00e3o de duas atividades.<\/em><\/li>\n<li><em>\u201cEstes s\u00e3o n\u00fameros alarmantes: 43% das \u00e1reas naturais protegidas e 19% das terras ind\u00edgenas est\u00e3o sob tr\u00eas ou mais tipos de press\u00e3o ou amea\u00e7a\u201d, disse J\u00falia Jacomini, pesquisadora do ISA, Instituto Socioambiental, uma ONG e parceira da RAISG.<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os projetos de infraestrutura propostos e j\u00e1 conclu\u00eddos, em conjunto com os planos de investimento em infraestrutura, amea\u00e7am diretamente ou exercem press\u00e3o sobre 68% das terras ind\u00edgenas e \u00e1reas naturais protegidas na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, de acordo com um relat\u00f3rio rec\u00e9m-publicado pela Rede Amaz\u00f4nica de Informa\u00e7\u00e3o Socioambiental Georreferenciada (RAISG), um grupo de especialistas de ONGs e de outras organiza\u00e7\u00f5es dentro de seis pa\u00edses da regi\u00e3o Amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>Os conjuntos de dados s\u00e3o apresentados sob a forma de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/publicacao\/pressoes-e-ameacas-sobre-as-areas-protegidas-e-territorios-indigenas-da-amazonia-2\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">seis mapas<\/a>, cada um correspondendo a uma atividade ou pr\u00e1tica relacionada \u00e0 infraestrutura presente na Amaz\u00f4nia, incluindo transporte (ou seja, estradas), energia (isto \u00e9, barragens hidrel\u00e9tricas), minera\u00e7\u00e3o, petr\u00f3leo, desmatamento e inc\u00eandios. A edi\u00e7\u00e3o de 2019 leva em conta o desenvolvimento nas nascentes dos rios amaz\u00f4nicos, e essas informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram inclu\u00eddas em relat\u00f3rios anteriores. As nove na\u00e7\u00f5es avaliadas compreendem o Brasil, Venezuela, Col\u00f4mbia, Bol\u00edvia, Peru, Equador, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.<\/p>\n<p>A RAISG revela que, dos 6.345 territ\u00f3rios ind\u00edgenas localizados nos nove pa\u00edses amaz\u00f4nicos pesquisados, 2.042 (32%) est\u00e3o amea\u00e7ados ou pressionados por dois tipos de atividades de infraestrutura, enquanto 2.584 (41%) est\u00e3o amea\u00e7ados ou pressionados por pelo menos um. Apenas 8% do total n\u00e3o s\u00e3o amea\u00e7ados ou pressionados.<\/p>\n<p>No caso das 692 \u00e1reas naturais protegidas na regi\u00e3o, 193 (28%) sofrem tr\u00eas tipos de amea\u00e7a ou press\u00e3o e 188 (27%) sofrem amea\u00e7as ou press\u00e3o de duas atividades.<\/p>\n<p>\u201cEstes s\u00e3o n\u00fameros alarmantes: 43% das \u00e1reas naturais protegidas e 19% das terras ind\u00edgenas est\u00e3o sob tr\u00eas ou mais tipos de press\u00e3o ou amea\u00e7a. Os dados demonstram que a implanta\u00e7\u00e3o de obras de infraestrutura na regi\u00e3o conflita com o modo de vida das pessoas dessas \u00e1reas, bem como com a preserva\u00e7\u00e3o de ambos\u201d, afirmou J\u00falia Jacomini, pesquisadora do ISA, Instituto Socioambiental, uma ONG e parceira da RAISG.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_single_image image=\u00bb9339&#8243; img_size=\u00bbfull\u00bb alignment=\u00bbcenter\u00bb css_animation=\u00bbfadeIn\u00bb][vc_column_text]<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><em>Entre 1997 e 2016, foram registrados 190 derramamentos de \u00f3leo na Amaz\u00f4nia peruana, de acordo com dados do governo do Peru. S\u00f3 em 2016, ocorreram pelo menos dez derramamentos devido a rupturas ao longo do oleoduto Norperuano. Foto cortesia da Federaci\u00f3n ACODECOSPAT.<\/em><\/h5>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h3><strong>Press\u00f5es da minera\u00e7\u00e3o e petr\u00f3leo<\/strong><\/h3>\n<p>Segundo a RAISG, dos 390 milh\u00f5es de hectares protegidos oficialmente por \u00e1reas ind\u00edgenas e naturais nas nove na\u00e7\u00f5es amaz\u00f4nicas, 87,2 milh\u00f5es de hectares, ou 22% do total, est\u00e3o sujeitos a amea\u00e7as ou press\u00f5es de projetos de minera\u00e7\u00e3o e petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Entre esses pa\u00edses, as \u00e1reas naturais protegidas e as reservas ind\u00edgenas do Brasil est\u00e3o presenciando a maior press\u00e3o da minera\u00e7\u00e3o, com 108 milh\u00f5es de hectares amea\u00e7ados. A Venezuela \u00e9 a segunda, com 11,5 milh\u00f5es de hectares sob press\u00e3o. De acordo com especialistas da RAISG, embora a minera\u00e7\u00e3o ilegal esteja presente em todos os pa\u00edses amaz\u00f4nicos, a maior destrui\u00e7\u00e3o ambiental vem de projetos oficiais apoiados pelos governos regional e federal.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9345\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/mapa-mineracao.jpg\" alt=\"\" width=\"952\" height=\"492\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/mapa-mineracao.jpg 952w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/mapa-mineracao-300x155.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/mapa-mineracao-768x397.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/mapa-mineracao-500x258.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 952px) 100vw, 952px\" \/><\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento de petr\u00f3leo, Col\u00f4mbia, Bol\u00edvia, Peru e Brasil ocupam a maior parte do territ\u00f3rio amaz\u00f4nico, com uma \u00e1rea combinada sob press\u00e3o de quase 58 milh\u00f5es de hectares. A explora\u00e7\u00e3o, a perfura\u00e7\u00e3o e o transporte de petr\u00f3leo ocasionaram enormes danos ambientais no Peru e no Equador, com 190 derramamentos de petr\u00f3leo registrados na Amaz\u00f4nia peruana entre 1997 e 2016,\u00a0<a href=\"https:\/\/es.mongabay.com\/2016\/09\/protestas-negociaciones-tras-derrames-petroleo-la-amazonia-peruana\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">de acordo<\/a>\u00a0com o Osinergmin (Organismo Supervisor de la Inversi\u00f3n en Energ\u00eda y Miner\u00eda), um \u00f3rg\u00e3o de supervis\u00e3o de investimentos em energia e minera\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Esses derramamentos ocorreram principalmente devido ao envelhecimento da infraestrutura nos po\u00e7os mais produtivos (estabelecidos, em grande parte, durante a d\u00e9cada de 1970, que n\u00e3o receberam manuten\u00e7\u00e3o adequada), bem como a atos de vandalismo.<\/p>\n<p>A explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo no Equador, que representa 50% das exporta\u00e7\u00f5es do pa\u00eds e 11% do PIB, resultou em mais de 650.000 barris de petr\u00f3leo derramados e um desmatamento relacionado, com impacto de 2 milh\u00f5es de hectares desde a d\u00e9cada de 1970.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_single_image image=\u00bb9333&#8243; img_size=\u00bbfull\u00bb alignment=\u00bbcenter\u00bb css_animation=\u00bbfadeIn\u00bb][vc_column_text]<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><em>No s\u00e9culo 21, o desmatamento dentro de territ\u00f3rios ind\u00edgenas e \u00e1reas protegidas tem se concentrado em v\u00e1rias regi\u00f5es, incluindo o estado brasileiro de Mato Grosso. A maioria das florestas cortadas d\u00e1 lugar \u00e0 pecu\u00e1ria e ao agroneg\u00f3cio industrial. Imagem de F\u00e1bio Garcia Moreira\/ISA.<\/em><\/h5>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h3><strong>Florestas e savanas sob amea\u00e7a \u2014 o exemplo brasileiro<\/strong><\/h3>\n<p>Entre 2000 e 2015, de acordo com a RAISG, 10,3 milh\u00f5es de hectares de floresta amaz\u00f4nica foram derrubados dentro de \u00e1reas ind\u00edgenas e \u00e1reas protegidas, representando 12% do total do desmatamento em toda a Amaz\u00f4nia durante esse per\u00edodo.<\/p>\n<p>O desmatamento em \u00e1reas conservadas foi intensamente concentrado dentro de v\u00e1rias regi\u00f5es. No Brasil, por exemplo, os estados do Par\u00e1 e Mato Grosso est\u00e3o observando um desmatamento extensivo, com grande parte da press\u00e3o proveniente de grileiros, ind\u00fastrias de gado e soja. Tamb\u00e9m sob forte press\u00e3o no Brasil est\u00e3o a Reserva Extrativista Estadual Jaci-Paran\u00e1, a \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o do Rio Pardo (UC) e a Reserva Biol\u00f3gica do Jaru (no estado de Rond\u00f4nia); as terras ind\u00edgenas do povo Yanomami (no estado de Roraima); e as terras ind\u00edgenas dos povos Guajaj\u00e1 e Guajajara (no estado do Maranh\u00e3o).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9342\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/mapa-estradas.jpg\" alt=\"\" width=\"679\" height=\"483\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/mapa-estradas.jpg 679w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/mapa-estradas-300x213.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/mapa-estradas-500x356.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 679px) 100vw, 679px\" \/><\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><em>A abertura de novas estradas, ferrovias e hidrovias industriais na Amaz\u00f4nia sempre foi, e provavelmente sempre ser\u00e1, o principal vetor de transforma\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o. Mapa cortesia da InfoAmazonia.<\/em><\/h5>\n<p>As amea\u00e7as \u00e0s \u00e1reas brasileiras protegidas e \u00e0s reservas ind\u00edgenas devem piorar sob o atual governo de direita de Jair Bolsonaro, que prossegue em seus esfor\u00e7os para enfraquecer as prote\u00e7\u00f5es ambientais. Em 6 de junho, o presidente reclamou em sua\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=RgpWl4gtyqM\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">transmiss\u00e3o semanal<\/a>\u00a0que a constitui\u00e7\u00e3o do pa\u00eds n\u00e3o permite que ele extinga unidades de conserva\u00e7\u00e3o (UCs) por decreto, e protestou que terras ind\u00edgenas, UCs e quilombolas retardam a economia da regi\u00e3o norte, incluindo a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, confirmou um plano para eliminar seis dos 11 coordenadores regionais do ICMBio, a ag\u00eancia respons\u00e1vel pelas 335 unidades de conserva\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, que cobrem 9,1% do territ\u00f3rio nacional e 24,4% de sua \u00e1rea marinha. A justificativa de Salles para as redu\u00e7\u00f5es de pessoal do ICMBio foi devido ao custo: \u201cA medida est\u00e1 sendo estudada como uma maneira de melhorar a gest\u00e3o, racionalizar recursos e criar efici\u00eancia administrativa\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Outra nova amea\u00e7a \u00e0s terras protegidas do Brasil: recentemente, o Minist\u00e9rio da Agricultura\u00a0<a href=\"http:\/\/www.florestal.gov.br\/proximas-concessoes\/141-concessoes-florestais\/proximas-concessoes\/flona-amapa\/1661-floresta-nacional-do-amapa-ap-2\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">divulgou<\/a>\u00a0uma concorr\u00eancia p\u00fablica oferecendo 60% da Floresta Nacional do Amap\u00e1 para a explora\u00e7\u00e3o madeireira, uma \u00e1rea que abrange 267.000 hectares na bacia amaz\u00f4nica. O Servi\u00e7o Florestal Brasileiro (SFB), h\u00e1 pouco tempo transferido para o Minist\u00e9rio da Agricultura, espera que a concess\u00e3o produza 132.000 metros c\u00fabicos de madeira e gere R$ 3,6 milh\u00f5es ao ano.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3><strong>Estradas, barragens e inc\u00eandios<\/strong><\/h3>\n<p>Mais de 136.000 quil\u00f4metros de estradas foram constru\u00eddos pelos governos na regi\u00e3o da Pan-Amaz\u00f4nia at\u00e9 2018, destes, 26.000 quil\u00f4metros est\u00e3o localizados dentro de \u00e1reas protegidas, com 9.100 quil\u00f4metros localizados em terras ind\u00edgenas e 16.900 quil\u00f4metros dentro de outras \u00e1reas naturais conservadas.<\/p>\n<p>A RAISG\u00a0<a href=\"https:\/\/crossroads.amazoniasocioambiental.org\/?lang=en\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">aponta para<\/a>\u00a0estudos identificando o papel-chave que essas estradas desempenham no avan\u00e7o do desmatamento na Amaz\u00f4nia brasileira.\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.mongabay.com\/doi.org\/10.1080\/01431160110096791\" data-wpel-link=\"internal\">Um estudo<\/a>, \u201cSpace-time dynamics of deforestation in Brazilian Amazonia\u201d (A din\u00e2mica espa\u00e7o-temporal do desmatamento na Amaz\u00f4nia brasileira), mostra que a maior parte do desmatamento da Amaz\u00f4nia ocorreu perto das estradas, com cerca de 90% da perda de vegeta\u00e7\u00e3o nativa ocorrendo a uma dist\u00e2ncia de 100 quil\u00f4metros de uma rede rodovi\u00e1ria. Um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S000632071400264X\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">estudo de 2014<\/a>,\u00a0\u201cRoads, deforestation, and the mitigating effect of protected areas in the Amazon\u201d (Estradas, desmatamento e o efeito mitigador das \u00e1reas protegidas na Amaz\u00f4nia), constatou que 94,9% do desmatamento na Amaz\u00f4nia brasileira ocorreu em 5,5 quil\u00f4metros de estradas e em um quil\u00f4metro de rios.<\/p>\n<p>Os dados cartogr\u00e1ficos da RAISG tamb\u00e9m indicam que das 272 grandes barragens hidrel\u00e9tricas em opera\u00e7\u00e3o, em constru\u00e7\u00e3o ou planejadas para a Amaz\u00f4nia, 78 est\u00e3o dentro dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas e 84 est\u00e3o em \u00e1reas protegidas. O Brasil tem um grande n\u00famero de barragens planejadas que est\u00e3o listadas no portf\u00f3lio da Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica, de acordo com a ge\u00f3grafa Jacomini.<\/p>\n<p>Os inc\u00eandios que ocorrem na Amaz\u00f4nia, embora por vezes naturais em causa, s\u00e3o mais frequentemente um produto do desenvolvimento da terra \u2014 em que especuladores de terra utilizam o fogo para limpar a floresta e aumentar o valor da propriedade para venda a pecuaristas ou ao agroneg\u00f3cio industrial. O fogo tamb\u00e9m \u00e9 usado por grileiros como forma de intimidar comunidades ind\u00edgenas e rurais, e um meio de for\u00e7\u00e1-los a desistir de suas reivindica\u00e7\u00f5es de terras na Amaz\u00f4nia. A degrada\u00e7\u00e3o florestal e as secas devido \u00e0 crescente crise clim\u00e1tica tamb\u00e9m aumentaram o risco de inc\u00eandio.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9336\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Um-inc\u00eandio-florestal-na-bacia-do-rio-Xingu-no-Brasil..jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Um-inc\u00eandio-florestal-na-bacia-do-rio-Xingu-no-Brasil..jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Um-inc\u00eandio-florestal-na-bacia-do-rio-Xingu-no-Brasil.-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Um-inc\u00eandio-florestal-na-bacia-do-rio-Xingu-no-Brasil.-500x333.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><em>Um inc\u00eandio florestal na bacia do rio Xingu no Brasil. O fogo \u00e9 muitas vezes usado como meio de desmatar florestas para o estabelecimento de fazendas de gado e terras agr\u00edcolas. Imagem de Vinicius Mendon\u00e7a\/Ibama.<\/em><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Bol\u00edvia \u00e9 um dos pa\u00edses que mais sofreu com inc\u00eandios entre 2005 e 2018, perdendo 18,7 milh\u00f5es de hectares de bioma cerrado e florestas amaz\u00f4nicas. O ano de 2010 presenciou as maiores perdas, quando os inc\u00eandios associados \u00e0 seca atingiram mais de 8,5 milh\u00f5es de hectares.<\/p>\n<p>Dos 13 milh\u00f5es de hectares de floresta queimados em terras ind\u00edgenas na Pan-Amaz\u00f4nia entre 2000 e 2014, oito milh\u00f5es de hectares pertenciam ao Brasil (61% do total). E dos 11 milh\u00f5es de hectares queimados em \u00e1reas protegidas, sete milh\u00f5es correspondiam ao Brasil (63%).<\/p>\n<p>\u201cO ponto central desse estudo \u00e9 mostrar a necessidade de adquirir uma vis\u00e3o integral da regi\u00e3o para combater a destrui\u00e7\u00e3o que vem ocorrendo\u201d, concluiu Jacomini. As amea\u00e7as precisam ser claramente articuladas \u201centre os pa\u00edses amaz\u00f4nicos [para] criar iniciativas cooperativas, caso contr\u00e1rio, ser\u00e1 muito dif\u00edcil mitigar esses impactos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA Amaz\u00f4nia \u00e9 uma regi\u00e3o compartilhada por nove pa\u00edses. Se alguns deles implementarem pol\u00edticas efetivas de controle do desmatamento e outros n\u00e3o, toda a regi\u00e3o continuar\u00e1 sofrendo. Um derramamento de \u00f3leo que ocorre em um pa\u00eds, por exemplo, causar\u00e1 impactos nos pa\u00edses vizinhos, j\u00e1 que estamos falando de uma regi\u00e3o com ecossistemas interconectados\u201d, explicou.<\/p>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es participantes do mais novo estudo da RAISG inclu\u00edram o ISA e o Imazon (Brasil), a Funda\u00e7\u00e3o Amigos da Natureza (Bol\u00edvia), Gaia Amazonas (Col\u00f4mbia), Funda\u00e7\u00e3o Equatoriana de Estudos Ecol\u00f3gicos (Equador), Instituto do Bem Comum (Peru), Provita e Grupo de Trabalho Socioambiental da Amaz\u00f4nia \u2014 Wataniba (Venezuela).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> <a href=\"https:\/\/pt.mongabay.com\/2019\/07\/infraestrutura-amazonica-coloca-em-risco-68-das-terras-indigenas-areas-protegidas-relatorio\/\">https:\/\/pt.mongabay.com\/2019\/07\/infraestrutura-amazonica-coloca-em-risco-68-das-terras-indigenas-areas-protegidas-relatorio\/<\/a>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas nove na\u00e7\u00f5es que abrangem a regi\u00e3o amaz\u00f4nica, 68% das terras ind\u00edgenas e \u00e1reas naturais protegidas est\u00e3o sob press\u00e3o de estradas, minera\u00e7\u00e3o, barragens, perfura\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, inc\u00eandios florestais e desmatamento, de acordo com um novo relat\u00f3rio da RAISG, a Rede Amaz\u00f4nica de Informa\u00e7\u00e3o Socioambiental Georreferenciada.<br \/>\nDos 6.345 territ\u00f3rios ind\u00edgenas localizados nos nove pa\u00edses amaz\u00f4nicos pesquisados, 2.042 (32%) est\u00e3o amea\u00e7ados ou pressionados por dois tipos de atividades de infraestrutura, enquanto 2.584 (41%) est\u00e3o amea\u00e7ados ou pressionados por pelo menos um. Apenas 8% do total n\u00e3o s\u00e3o amea\u00e7ados ou pressionados.<br \/>\nNo caso das 692 \u00e1reas naturais protegidas na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, 193 (28%) sofrem tr\u00eas tipos de amea\u00e7a ou press\u00e3o e 188 (27%) sofrem amea\u00e7as ou press\u00e3o de duas atividades.<br \/>\n\u201cEstes s\u00e3o n\u00fameros alarmantes: 43% das \u00e1reas naturais protegidas e 19% das terras ind\u00edgenas est\u00e3o sob tr\u00eas ou mais tipos de press\u00e3o ou amea\u00e7a\u201d, disse J\u00falia Jacomini, pesquisadora do ISA, Instituto Socioambiental, uma ONG e parceira da RAISG.<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":9347,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-9351","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-radar","category-2","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9351","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9351"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9351\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9357,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9351\/revisions\/9357"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9347"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9351"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9351"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9351"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}