{"id":13247,"date":"2020-02-13T12:42:36","date_gmt":"2020-02-13T15:42:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/?p=13247"},"modified":"2020-02-17T11:32:55","modified_gmt":"2020-02-17T14:32:55","slug":"a-grande-mentira-verde-como-a-destruicao-da-amazonia-vai-alem-do-desmatamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/radar\/a-grande-mentira-verde-como-a-destruicao-da-amazonia-vai-alem-do-desmatamento\/","title":{"rendered":"&#8216;A grande mentira verde&#8217;: como a destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia vai al\u00e9m do desmatamento"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><span class=\"byline__name\">Camilla Costa &#8211; @_camillacosta<\/span><span class=\"byline__title\">Da <\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><span class=\"byline__title\">BBC News Brasil em Londres<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>13 de fevereiro de 2019<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h3 class=\"news-vj-component-p--bold\"><strong>O tamanho da destrui\u00e7\u00e3o atual da Amaz\u00f4nia \u00e9 bem maior do que se acredita.<\/strong><\/h3>\n<p>Atualmente, o\u00a0<span id=\"expander-button--expander-773331a0-5187-11ea-9dec-c788478dd79e\" class=\"expander-button\" tabindex=\"0\" role=\"button\" data-child=\"expander-773331a0-5187-11ea-9dec-c788478dd79e\" aria-expanded=\"false\">bioma<\/span>\u00a0cont\u00e9m a maior e mais diversa floresta tropical do mundo, ocupa mais de 6,8 milh\u00f5es de km<sup>2<\/sup>\u00a0e abriga 33 milh\u00f5es de pessoas em nove pa\u00edses.<\/p>\n<p class=\"\">Em 2018,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil\">Brasil<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/c1gdqgkp773t\">Bol\u00edvia<\/a>\u00a0estiveram entre os cinco pa\u00edses que mais perderam florestas prim\u00e1rias, as matas virgens, no mundo, de acordo com a organiza\u00e7\u00e3o internacional Global Forest Watch.<\/p>\n<p class=\"\">A grilagem de terras, a expans\u00e3o de fronteiras agropecu\u00e1rias, a minera\u00e7\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica descontrolada, entre outros fatores, s\u00e3o consideradas as principais atividades respons\u00e1veis pela perda de floresta.<\/p>\n<p class=\"\">Mas o desmatamento \u00e9 s\u00f3 uma parte do problema.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13254\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/mapa-paises-amazonicos-pt-nc.png\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"685\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/mapa-paises-amazonicos-pt-nc.png 900w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/mapa-paises-amazonicos-pt-nc-300x228.png 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/mapa-paises-amazonicos-pt-nc-768x585.png 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/mapa-paises-amazonicos-pt-nc-500x381.png 500w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">\u201cFalar s\u00f3 de desmatamento quando falamos da destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia \u00e9 o que eu chamo de a grande mentira verde\u201d, diz \u00e0 BBC News Brasil o climatologista Antonio Donato Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).<\/p>\n<p class=\"\">\u201cA perda de floresta amaz\u00f4nica at\u00e9 hoje \u00e9 muito maior do que os quase 20% de desmatamento dos quais se fala nos meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"\">Nobre e outros pesquisadores acreditam que, para ter um panorama mais completo da destrui\u00e7\u00e3o da floresta, \u00e9 preciso considerar tamb\u00e9m a degrada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"\">Degrada\u00e7\u00e3o \u00e9 o fen\u00f4meno que acontece quando o ac\u00famulo de perturba\u00e7\u00f5es em um trecho de floresta (inc\u00eandios, extra\u00e7\u00e3o de madeira e ca\u00e7a descontrolada, por exemplo) retira daquele ecossistema sua capacidade de funcionar normalmente.<\/p>\n<p class=\"\">Em 2019, por exemplo, Brasil e Bol\u00edvia tamb\u00e9m viram aumentar dramaticamente o n\u00famero de inc\u00eandios na\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/c2dwqd8g290t\">regi\u00e3o amaz\u00f4nica<\/a>.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cA quest\u00e3o \u00e9 que a degrada\u00e7\u00e3o tem um papel importante na maneira como a floresta muda, e n\u00f3s n\u00e3o estamos vendo. N\u00e3o h\u00e1 nenhum tipo de pol\u00edtica para evitar a degrada\u00e7\u00e3o\u201d, diz \u00e0 BBC News Brasil o bot\u00e2nico Jos Barlow, professor da Universidade de Lancaster, no Reino Unido, e pesquisador da Rede Amaz\u00f4nia Sustent\u00e1vel (RAS).<\/p>\n<p class=\"\">\u201cAssim como uma pessoa saud\u00e1vel tem menos chances de pegar uma gripe, uma floresta saud\u00e1vel tem menos chance de queimar e de sucumbir \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. O que a degrada\u00e7\u00e3o faz \u00e9 deixar a floresta cada vez mais vulner\u00e1vel\u201d, explica.<\/p>\n<p class=\"\">Entre as muitas fun\u00e7\u00f5es da Amaz\u00f4nia est\u00e1 ajudar a Am\u00e9rica do Sul \u2014 e todo o planeta \u2014 a equilibrar o clima, distribuir as chuvas pela regi\u00e3o e capturar quantidades enormes de di\u00f3xido de carbono (CO<sub>2<\/sub>), um dos principais gases causadores do efeito estufa.<\/p>\n<p class=\"\">S\u00e3o pap\u00e9is fundamentais para mitigar os efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. \u201cPodemos ver essas \u00e1rvores nas fotos de sat\u00e9lite, mas para a fun\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica essas florestas degradadas j\u00e1 n\u00e3o existem mais\u201d, diz Antonio Nobre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13170\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image1-burnt-forest.jpg\" alt=\"\" width=\"1300\" height=\"832\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image1-burnt-forest.jpg 1300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image1-burnt-forest-300x192.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image1-burnt-forest-1024x655.jpg 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image1-burnt-forest-768x492.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image1-burnt-forest-500x320.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 1300px) 100vw, 1300px\" \/><em>Os dados de destrui\u00e7\u00e3o da floresta costumam mostrar o corte raso de \u00e1rvores, mas n\u00e3o a degrada\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">O avan\u00e7o da degrada\u00e7\u00e3o e o desmatamento est\u00e3o empurrando o ecossistema para um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-50468611\">\u201cponto de n\u00e3o retorno\u201d<\/a>\u00a0no qual ele perderia sua capacidade de funcionar, de acordo com os cientistas Carlos Nobre e Thomas Lovejoy, dois dos principais especialistas em Amaz\u00f4nia no mundo.<\/p>\n<p class=\"\">Se a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o for revertida, dizem eles, os impactos dessas mudan\u00e7as poderiam se acelerar, com consequ\u00eancias catastr\u00f3ficas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>Nem toda perda de floresta \u00e9 igual<\/strong><\/h2>\n<p class=\"\">Quando falamos em dados de desmatamento, nem sempre falamos da mesma coisa.<\/p>\n<p class=\"\">Uma maneira de medir o desmatamento \u00e9 levando em conta todas as \u00e1reas da floresta em que a vegeta\u00e7\u00e3o foi completamente eliminada. \u00c9 o que se chama perda de cobertura florestal.<\/p>\n<p class=\"\">S\u00f3 em 2018, a perda de cobertura florestal em toda a Amaz\u00f4nia chegou a 4 milh\u00f5es de hectares (40 mil km<sup>2<\/sup>), segundo dados da Global Forest Watch.<\/p>\n<p class=\"\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13269\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/gif-tree-loss-brasil.gif\" alt=\"\" width=\"977\" height=\"741\" \/><\/p>\n<p class=\"\">Mas algumas destas \u00e1reas desmatadas s\u00e3o de florestas prim\u00e1rias, aquelas que se encontram em seu estado original \u2014 n\u00e3o afetadas, ou afetadas o m\u00ednimo poss\u00edvel, pela a\u00e7\u00e3o humana. Por serem mais antigas, elas t\u00eam mais diversidade de esp\u00e9cies e guardam mais carbono.<\/p>\n<p class=\"\">As florestas secund\u00e1rias, por sua vez, s\u00e3o todas as que est\u00e3o em recupera\u00e7\u00e3o de processos de desmatamento ou de degrada\u00e7\u00e3o grave. Mas\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-51191340\">elas podem levar d\u00e9cadas e, em alguns casos, s\u00e9culos<\/a>, para voltarem a ter as caracter\u00edsticas que tinham quando prim\u00e1rias se forem mantidas intocadas, o que tamb\u00e9m \u00e9 raro.<\/p>\n<p class=\"\">Em 2018, a Pan-Amaz\u00f4nia, como \u00e9 chamado o conjunto do bioma em todos os pa\u00edses, perdeu cerca de\u00a0<b>1,7 milh\u00e3o de hectares de floresta prim\u00e1ria<\/b>, segundo os\u00a0<a href=\"https:\/\/www.globalforestwatch.org\/dashboards\/global?map=eyJkYXRhc2V0cyI6W3siZGF0YXNldCI6ImZkYzhkYzFiLTI3MjgtNGE3OS1iMjNmLWIwOTQ4NTA1MmI4ZCIsImxheWVycyI6WyI2ZjY3OThlNi0zOWVjLTQxNjMtOTc5ZS0xODJhNzRjYTY1ZWUiLCJjNWQxZTAxMC0zODNhLTQ3MTMtOWFhYS00NGY3MjhjMDU3MWMiXSwib3BhY2l0eSI6MSwidmlzaWJpbGl0eSI6dHJ1ZX0seyJkYXRhc2V0IjoiODk3ZWNjNzYtMjMwOC00YzUxLWFlYjMtNDk1ZGUwYmRjYTc5IiwibGF5ZXJzIjpbImMzMDc1YzVhLTU1NjctNGIwOS1iYzBkLTk2ZWQxNjczZjhiNiJdLCJvcGFjaXR5IjoxLCJ2aXNpYmlsaXR5Ijp0cnVlLCJ0aW1lbGluZVBhcmFtcyI6eyJzdGFydERhdGUiOiIyMDAxLTAxLTAxIiwiZW5kRGF0ZSI6IjIwMTgtMTItMzEiLCJ0cmltRW5kRGF0ZSI6IjIwMTgtMTItMzEifSwicGFyYW1zIjp7InRocmVzaCI6MzAsInZpc2liaWxpdHkiOnRydWV9fV0sImNlbnRlciI6eyJsYXQiOjI3LCJsbmciOjEyfSwiYmVhcmluZyI6MCwicGl0Y2giOjAsInpvb20iOjJ9\">dados<\/a>\u00a0produzidos pelo sistema de monitoramento da Universidade de Maryland, nos EUA, e publicados pelo Global Forest Watch.<\/p>\n<p>Isso significa que pouco mais de\u00a0<b><span id=\"expander-button--expander-773331a1-5187-11ea-9dec-c788478dd79e\" class=\"expander-button\" tabindex=\"0\" role=\"button\" data-child=\"expander-773331a1-5187-11ea-9dec-c788478dd79e\" aria-expanded=\"false\">tr\u00eas campos de futebol<\/span><\/b>\u00a0de mata virgem foram desmatados\u00a0<b>a cada minuto<\/b>\u00a0em 2018.<\/p>\n<p class=\"\">A perda pode parecer insignificante perto da imensid\u00e3o da floresta (representa cerca de 0,32% do total), mas n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o s\u00f3 quantitativa e, sim, qualitativa.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cEssa forma de medir o desmatamento \u00e9 importante porque as florestas prim\u00e1rias s\u00e3o muito mais ricas e diversas em biodiversidade\u201d, explica Jos Barlow, da Universidade de Lancaster.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13248\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/bioma-hectarea-amazonas-pt-nc.png\" alt=\"\" width=\"641\" height=\"935\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/bioma-hectarea-amazonas-pt-nc.png 641w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/bioma-hectarea-amazonas-pt-nc-206x300.png 206w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/bioma-hectarea-amazonas-pt-nc-500x729.png 500w\" sizes=\"(max-width: 641px) 100vw, 641px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">Uma floresta \u00e9 muito mais do que suas \u00e1rvores. \u00c9 o produto de todos os processos e intera\u00e7\u00f5es entre milhares de esp\u00e9cies de plantas e animais que coexistem ali. Por isso a floresta amaz\u00f4nica \u00e9 insubstitu\u00edvel.<\/p>\n<div class=\"blockquote-container\">\n<blockquote>\n<h3><em>Muitas pessoas acham que para compensar o que perdemos na Amaz\u00f4nia basta plantar \u00e1rvores em outros lugares. Mas isso est\u00e1 errado.\u201d <cite>Erika Berenguer, Universidade de Oxford<\/cite><\/em><\/h3>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<p class=\"\">\u201cCada hectare desmatado significa que uma parte do ecossistema deixa de funcionar, e isso afeta todo o resto\u201d, diz \u00e0 BBC News Brasil a pesquisadora Erika Berenguer, especialista em florestas tropicais da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e da RAS.<\/p>\n<p class=\"\">Nos \u00faltimos dez anos, as taxas de perda de florestas prim\u00e1rias se mantiveram altas ou voltaram a aumentar na maioria dos pa\u00edses amaz\u00f4nicos, como apontam a Global Forest Watch e dados oficiais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13260\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/taxa_perda_pt.jpg\" alt=\"\" width=\"601\" height=\"730\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/taxa_perda_pt.jpg 601w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/taxa_perda_pt-247x300.jpg 247w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/taxa_perda_pt-500x607.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 601px) 100vw, 601px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">Nas florestas prim\u00e1rias vivem \u00e1rvores que podem ter centenas ou at\u00e9 mesmo milhares de anos de idade. Elas cumprem um papel essencial na batalha contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, j\u00e1 que agem como um enorme armaz\u00e9m de di\u00f3xido de carbono.<\/p>\n<p class=\"\">Uma pequena parte do CO<sub>2<\/sub>\u00a0que as \u00e1rvores absorvem no processo de fotoss\u00edntese \u00e9 emitida de volta para a atmosfera durante sua respira\u00e7\u00e3o. A outra parte \u00e9 transformada em carbono e usada na produ\u00e7\u00e3o dos a\u00e7\u00facares que a planta necessita para seu metabolismo.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cMedimos a quantidade de carbono em uma \u00e1rvore pela espessura do tronco. O carbono \u00e9 armazenado ali, em forma de biomassa\u201d, explica Erika Berenguer.<\/p>\n<p class=\"\">Por isso, quanto maior e mais antiga a \u00e1rvore, mais carbono ela costuma armazenar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13182\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image2-tree.jpg\" alt=\"\" width=\"1300\" height=\"1733\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image2-tree.jpg 1300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image2-tree-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image2-tree-768x1024.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image2-tree-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image2-tree-500x667.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 1300px) 100vw, 1300px\" \/><em>As queimadas e o corte de madeira fazem com que o carbono armazenado nas \u00e1rvores se transforme em CO<sub>2<\/sub>\u00a0e volte \u00e0 atmosfera<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">Segundo Berenguer, uma \u00e1rvore grande (com pelo menos tr\u00eas metros de circunfer\u00eancia) pode armazenar cerca de 3 a 4 toneladas de carbono.<\/p>\n<p class=\"\">Isso equivaleria a cerca de\u00a0<b>10 a 12 toneladas de di\u00f3xido de carbono<\/b>\u00a0\u2014 ou a m\u00e9dia que um carro de passeio emite durante quatro anos.<\/p>\n<p class=\"\">Um dos efeitos do desmatamento \u00e9 liberar o CO<sub>2<\/sub>\u00a0guardado na floresta de volta na atmosfera \u2014 seja pela queimada ou pela decomposi\u00e7\u00e3o da madeira cortada, processos que transformam o carbono das \u00e1rvores novamente em g\u00e1s.<\/p>\n<p class=\"\">Por este motivo, os cientistas temem que a regi\u00e3o deixe de ser um armaz\u00e9m de carbono e se transforme em um importante emissor de CO<sub>2<\/sub>, acelerando os efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Um estudo recente mostra que cerca de 20% do total da Amaz\u00f4nia j\u00e1 emite mais di\u00f3xido de carbono do que absorve.<\/p>\n<h2><\/h2>\n<h2>A destrui\u00e7\u00e3o (in)vis\u00edvel da floresta<\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13185\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image3-degradation.jpg\" alt=\"\" width=\"1300\" height=\"862\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image3-degradation.jpg 1300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image3-degradation-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image3-degradation-1024x679.jpg 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image3-degradation-768x509.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image3-degradation-500x332.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 1300px) 100vw, 1300px\" \/><em>Quando a floresta est\u00e1 degradada, fica mais vulner\u00e1vel a inc\u00eandios e a mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">Os sistemas que produzem imagens do desmatamento consideram geralmente o corte raso de \u00e1rvores, ou seja, \u00e1reas em que a vegeta\u00e7\u00e3o original foi totalmente removida.<\/p>\n<p class=\"\">No entanto, cientistas como Antonio Nobre acreditam que s\u00f3 o desmatamento n\u00e3o d\u00e1 corretamente a dimens\u00e3o da perda. Para isso, seria preciso ter tamb\u00e9m dados sobre a degrada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"\">Esse fen\u00f4meno \u00e9 um produto dos eventos clim\u00e1ticos \u2014 como as secas \u2014 e da a\u00e7\u00e3o humana que deixam a floresta mais pobre e vulner\u00e1vel. Mesmo quando, vista de cima, ela ainda parece seguir em p\u00e9.<\/p>\n<p class=\"\">Atividades como o corte de madeira ilegal e eventos recentes como\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-49494837\">os inc\u00eandios de 2019<\/a>\u00a0fazem parte do problema.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cO solo fica mais fr\u00e1gil e mais seco por causa da remo\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o, ainda que n\u00e3o seja total. Isso muda o microclima da floresta. Fica mais f\u00e1cil inc\u00eandios se espalharem, por exemplo, porque o ch\u00e3o esquenta mais r\u00e1pido\u201d, explica Alexander Lees, professor de Ecologia Tropical na Universidade Metropolitana de Manchester, no Reino Unido.<\/p>\n<p class=\"\">No Brasil, entre os meses de janeiro e novembro,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-49402577\">o fogo<\/a>\u00a0arrasou 70.698 km\u00b2 (mais de 7 milh\u00f5es de hectares) de Amaz\u00f4nia. Na Bol\u00edvia,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-49500158\">o inc\u00eandio<\/a>\u00a0atingiu mais de 2 milh\u00f5es de hectares do bioma.<\/p>\n<p class=\"\">Uma \u00e1rea de floresta degradada tamb\u00e9m perde, por exemplo, a capacidade de reciclar \u00e1gua da chuva.<\/p>\n<p>\u201cSomando o corte raso e a degrada\u00e7\u00e3o, mais da metade da Amaz\u00f4nia j\u00e1 tem seus\u00a0<span id=\"expander-button--expander-773331a2-5187-11ea-9dec-c788478dd79e\" class=\"expander-button\" tabindex=\"0\" role=\"button\" data-child=\"expander-773331a2-5187-11ea-9dec-c788478dd79e\" aria-expanded=\"false\">servi\u00e7os ambientais<\/span>\u00a0ao clima da regi\u00e3o comprometidos\u201d, afirma Antonio Nobre.<\/p>\n<div class=\"blockquote-container\">\n<blockquote>\n<h3><em>Nenhuma \u00e1rvore mais pode tombar na Pan-Amaz\u00f4nia.\u201d <cite>Antonio Nobre, Inpe<\/cite><\/em><\/h3>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<p class=\"\">Cientistas j\u00e1 comprovaram que a degrada\u00e7\u00e3o \u00e9 um importante fator na emiss\u00e3o do CO<sub>2<\/sub>\u00a0armazenado na floresta. Um novo estudo do Raisg afirma que 47% de todas as emiss\u00f5es na Amaz\u00f4nia vem da degrada\u00e7\u00e3o. E diz ainda que,\u00a0<b>em sete dos nove pa\u00edses amaz\u00f4nicos, esse fen\u00f4meno \u00e9 o principal respons\u00e1vel pelas emiss\u00f5es do g\u00e1s<\/b>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13188\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image4-wood.jpg\" alt=\"\" width=\"1300\" height=\"866\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image4-wood.jpg 1300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image4-wood-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image4-wood-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image4-wood-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image4-wood-500x333.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 1300px) 100vw, 1300px\" \/><em>Poucos pa\u00edses amaz\u00f4nicos divulgam dados anuais de degrada\u00e7\u00e3o em suas florestas<\/em><\/p>\n<p class=\"\"><b>Segundo o climatologista, as \u00e1reas degradadas da Amaz\u00f4nia chegam a ser at\u00e9 duas vezes maiores que as desmatadas.<\/b><\/p>\n<p class=\"\">Para fazer essa afirma\u00e7\u00e3o, ele se baseia no fato de que, s\u00f3 no Brasil, entre 2007 e 2016, foram contabilizados\u00a0<b>14,6 milh\u00f5es de hectares<\/b>\u00a0(146 mil km<sup>2<\/sup>) degradados na Amaz\u00f4nia brasileira.<\/p>\n<p class=\"\">Isso \u00e9 quase o dobro da \u00e1rea desmatada no mesmo per\u00edodo, que foi de 7,5 milh\u00f5es de hectares (75 mil km<sup>2<\/sup>), de acordo com dados do Inpe.<\/p>\n<p class=\"\">Um\u00a0<a href=\"http:\/\/smbyc.ideam.gov.co\/AdmIF\/KML\/img\/docs\/EdDdBCAF.pdf\">relat\u00f3rio<\/a>\u00a0recente do governo da Col\u00f4mbia afirma que entre 2012 e 2015, a regi\u00e3o amaz\u00f4nica no pa\u00eds perdeu 187.955 hectares por desmatamento e 414.605 hectares por degrada\u00e7\u00e3o \u200b\u200b\u2014\u00a0<b>mais que o dobro<\/b>.<\/p>\n<p class=\"\">Os dados dispon\u00edveis, segundo Antonio Nobre, fazem pensar que a \u00e1rea da Amaz\u00f4nia destru\u00edda pela a\u00e7\u00e3o humana \u00e9 muito maior do que se acredita.<\/p>\n<p class=\"\">Jos Barlow, da Universidade de Lancaster, concorda.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cSabemos que at\u00e9 os n\u00fameros oficiais que temos s\u00e3o subestimados, porque geralmente s\u00f3 se mede a degrada\u00e7\u00e3o mais grave.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13251\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/degradado-nodegradado-pt-nc.png\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"1223\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/degradado-nodegradado-pt-nc.png 900w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/degradado-nodegradado-pt-nc-221x300.png 221w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/degradado-nodegradado-pt-nc-754x1024.png 754w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/degradado-nodegradado-pt-nc-768x1044.png 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/degradado-nodegradado-pt-nc-500x679.png 500w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/p>\n<p class=\"\">Mas por que n\u00e3o se fala mais a respeito disso?<\/p>\n<p class=\"\">\u201c\u00c9 um fen\u00f4meno mais dif\u00edcil de medir. Mesmo quando \u00e9 poss\u00edvel enxergar a degrada\u00e7\u00e3o por imagens de sat\u00e9lite, voc\u00ea precisa ter dados sobre o que est\u00e1 acontecendo no solo para entender se aquela \u00e1rea est\u00e1 mais ou menos degradada, se est\u00e1 se recuperando\u201d, explica o pesquisador Alexander Lees.<\/p>\n<p class=\"\">Entre os pa\u00edses amaz\u00f4nicos,\u00a0<b>s\u00f3 o Brasil<\/b>\u00a0publica sistematicamente dados anuais de degrada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"\">No entanto, cientistas de toda a regi\u00e3o est\u00e3o tentando medir o fen\u00f4meno, para fazer um retrato mais amplo do estado atual do bioma.<\/p>\n<h2><\/h2>\n<h2>E se perdermos a Amaz\u00f4nia?<\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13194\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image5-cattle.jpg\" alt=\"\" width=\"1300\" height=\"866\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image5-cattle.jpg 1300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image5-cattle-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image5-cattle-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image5-cattle-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image5-cattle-500x333.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 1300px) 100vw, 1300px\" \/><em>O modelo que projeta um ponto de inflex\u00e3o da Amaz\u00f4nia nos pr\u00f3ximos 20 a 30 anos ainda n\u00e3o inclui dados de degrada\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">Se o desmatamento e a degrada\u00e7\u00e3o continuarem nos ritmos atuais, a Amaz\u00f4nia pode deixar de funcionar como um ecossistema tropical em breve, mesmo que parte dela continue de p\u00e9.<\/p>\n<p class=\"\">Atualmente,\u00a0<b>pouco mais de 18% de toda a floresta original foi desmatada<\/b>, de acordo com dados do projeto de monitoramento Mapbiomas, parceria entre universidades, ONGs, institutos de todos os territ\u00f3rios amaz\u00f4nicos e o Google.<\/p>\n<p class=\"\">O n\u00famero \u00e9 perigosamente pr\u00f3ximo do que o bi\u00f3logo americano Thomas Lovejoy e o climatologista brasileiro Carlos Nobre, do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da USP, chamam de\u00a0<i>tipping point<\/i>\u00a0(ponto de n\u00e3o retorno, em ingl\u00eas).<\/p>\n<p class=\"\">Eles se referem ao momento em que o desmatamento, em conjunto com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a vulnerabilidade a inc\u00eandios mudar\u00e3o completamente a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p class=\"\">Esse ponto ocorrer\u00e1, segundo eles, quando entre\u00a0<b>20% e 25%<\/b>\u00a0da floresta original estiverem destru\u00eddos.<\/p>\n<p class=\"\">De acordo com os c\u00e1lculos de Nobre e Lovejoy, o\u00a0<i>tipping point<\/i>\u00a0pode acontecer nos pr\u00f3ximos 20 a 30 anos, mantida a taxa atual de cerca de 1,5 milh\u00e3o de hectares (15 mil km<sup>2<\/sup>) desmatados em m\u00e9dia por ano em toda a regi\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cSe chegarmos a esse ponto, aumentar\u00e1 a dura\u00e7\u00e3o da esta\u00e7\u00e3o seca e a temperatura da floresta. A partir da\u00ed, as \u00e1rvores come\u00e7ar\u00e3o a morrer de maneira acelerada, e isso criar\u00e1 um ciclo vicioso. O que era floresta tropical ficar\u00e1 parecido com o cerrado brasileiro, mas como uma esp\u00e9cie de savana pobre, sem a rica biodiversidade do cerrado\u201d, diz Carlos Nobre \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13257\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/tipping-point-pt-nc.png\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"688\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/tipping-point-pt-nc.png 900w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/tipping-point-pt-nc-300x229.png 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/tipping-point-pt-nc-768x587.png 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/tipping-point-pt-nc-500x382.png 500w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">No\u00a0<a href=\"https:\/\/advances.sciencemag.org\/content\/4\/2\/eaat2340\">estudo<\/a>, os cientistas projetam um cen\u00e1rio para 2050 (confira na imagem acima) no qual a Amaz\u00f4nia perdeu 20% de floresta e est\u00e1 mais vulner\u00e1vel a inc\u00eandios, em que a temperatura da regi\u00e3o aumentou 3\u00b0C e em que aumentou cerca de 30% a concentra\u00e7\u00e3o de CO<sub>2<\/sub>\u00a0na atmosfera.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cNeste cen\u00e1rio, ter\u00edamos at\u00e9 60% da floresta transformada nesta savana pobre\u201d, afirma o pesquisador.<\/p>\n<p class=\"\">A proje\u00e7\u00e3o, no entanto, ainda n\u00e3o inclui detalhadamente a degrada\u00e7\u00e3o, pela dificuldade de conseguir dados da Pan-Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p class=\"\">Isso significa que a floresta poderia estar ainda mais pr\u00f3xima do ponto de n\u00e3o retorno. Segundo Nobre, h\u00e1 planos de incluir o fen\u00f4meno em uma pr\u00f3xima an\u00e1lise.<\/p>\n<ul class=\"formatted-link\">\n<li><a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-48699033\">Projeto simula clima da Amaz\u00f4nia em 2100 e futuro de peixes, plantas e insetos<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"\">Mas o que acontece ap\u00f3s o ponto de n\u00e3o retorno?<\/p>\n<h3>Menos chuva<\/h3>\n<p class=\"\">Os cientistas ainda n\u00e3o sabem com precis\u00e3o todos os poss\u00edveis efeitos de uma transforma\u00e7\u00e3o brusca da floresta amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p class=\"\">Mas, segundo as estimativas de Carlos Nobre, a temperatura na regi\u00e3o\u00a0<b>poderia aumentar de 1,5\u00b0C a 3\u00b0C<\/b>\u00a0nas regi\u00f5es que se tornarem savanas pobres. Isso sem contar o aumento j\u00e1 esperado com o aquecimento global.<\/p>\n<p class=\"\">Em 2012, um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/nature11390\">estudo<\/a>\u00a0da Universidade de Leeds afirmou que o desmatamento pode fazer com que as chuvas na Amaz\u00f4nia diminuam cerca de 12% durante a esta\u00e7\u00e3o chuvosa e 21% na esta\u00e7\u00e3o seca at\u00e9 2050.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13200\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image6-sabana.jpg\" alt=\"\" width=\"1300\" height=\"731\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image6-sabana.jpg 1300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image6-sabana-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image6-sabana-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image6-sabana-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image6-sabana-500x281.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 1300px) 100vw, 1300px\" \/><em>A transforma\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia em savana pode ter um efeito catastr\u00f3fico para a economia da Am\u00e9rica do Sul<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com menos\u00a0<span id=\"expander-button--expander-773331a3-5187-11ea-9dec-c788478dd79e\" class=\"expander-button\" tabindex=\"0\" role=\"button\" data-child=\"expander-773331a3-5187-11ea-9dec-c788478dd79e\" aria-expanded=\"false\">evapotranspira\u00e7\u00e3o<\/span>\u00a0na floresta, diminuir\u00edam tamb\u00e9m as chuvas na bacia do rio da Prata, e a temperatura no Centro-Oeste brasileiro poderia aumentar em at\u00e9 2\u00b0C.<\/p>\n<p class=\"\">Isso teria um efeito catastr\u00f3fico para a economia regional. Menos chuva e mais calor significaria menos \u00e1gua para a pecu\u00e1ria e para cultivos como a soja.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cCertamente, haveria diminui\u00e7\u00e3o da produtividade da agropecu\u00e1ria nas partes da regi\u00e3o que s\u00e3o mais importantes para essas atividades\u201d, diz Carlos Nobre.<\/p>\n<h3>Mais doen\u00e7as<\/h3>\n<p class=\"\"><a href=\"http:\/\/repositorio.ipea.gov.br\/bitstream\/11058\/6258\/1\/td_2142.pdf\">Estudos<\/a>\u00a0feitos na Amaz\u00f4nia brasileira e em outras florestas tropicais do mundo relacionam o desmatamento a um aumento na incid\u00eancia de doen\u00e7as transmitidas por mosquitos, como a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-018-25344-5\">mal\u00e1ria<\/a>\u00a0e a leishmaniose.<\/p>\n<p>\u201cEm um ambiente rico em biodiversidade, a prolifera\u00e7\u00e3o do v\u00edrus se dilui, porque h\u00e1 mais esp\u00e9cies que podem ser incubadoras.\u00a0<span id=\"expander-button--expander-773331a4-5187-11ea-9dec-c788478dd79e\" class=\"expander-button\" tabindex=\"0\" role=\"button\" data-child=\"expander-773331a4-5187-11ea-9dec-c788478dd79e\" aria-expanded=\"false\">Vetores<\/span>\u00a0como os mosquitos t\u00eam uma oferta de alimento grande\u201d, disse a bi\u00f3loga M\u00e1rcia Chame, pesquisadora da Fiocruz, \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n<p class=\"\">O processo de queimadas e degrada\u00e7\u00e3o faz com que os bichos busquem outras fontes alimentares, explica Chame. Isso normalmente aproxima o ciclo de algumas doen\u00e7as das cidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13203\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image7-mosquito.jpg\" alt=\"\" width=\"1300\" height=\"865\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image7-mosquito.jpg 1300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image7-mosquito-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image7-mosquito-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image7-mosquito-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image7-mosquito-500x333.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 1300px) 100vw, 1300px\" \/><em>A perda de \u00e1reas de floresta pode fazer com que mosquitos transmissores de v\u00edrus tenham maior contato com humanos<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">\u201cN\u00e3o sabemos ainda o que vai acontecer, mas temos elementos para dizer que, com menos floresta, h\u00e1 um risco alto de termos mais transmiss\u00e3o em humanos\u201d, alerta a bi\u00f3loga.<\/p>\n<p class=\"\">O aumento da temperatura causado pelas mudan\u00e7as na floresta tamb\u00e9m pode provocar mais mortes e interna\u00e7\u00f5es por doen\u00e7as cardiovasculares e respirat\u00f3rias relacionadas ao calor, segundo a pesquisadora Beatriz Oliveira, da Rede Brasileira de Pesquisas em Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cMesmo mantendo as condi\u00e7\u00f5es que temos hoje, a temperatura na regi\u00e3o amaz\u00f4nica poderia\u00a0<b>aumentar at\u00e9 8\u00b0C, somando o desmatamento e o aquecimento global, a partir de 2070<\/b>. Com a substitui\u00e7\u00e3o da floresta por outro ecossistema, esse incremento poderia ser maior ou acontecer bem antes\u201d, adverte.<\/p>\n<h3>\u00c9 poss\u00edvel evitar o \u2018tipping point\u2019?<\/h3>\n<p class=\"\">De acordo com Carlos Nobre, h\u00e1 uma maneira de prevenir a transforma\u00e7\u00e3o da floresta em savana:<\/p>\n<p class=\"\">\u201cO que precisamos fazer imediatamente \u00e9 adotar uma pol\u00edtica de desmatamento zero na Pan-Amaz\u00f4nia e, junto com ela, um grande programa de restaura\u00e7\u00e3o florestal no sul, no sudeste e no leste da Amaz\u00f4nia, que s\u00e3o os trechos mais vulner\u00e1veis\u201d, afirma.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cSe consegu\u00edssemos reflorestar 60 ou 70 mil km<sup>2<\/sup>\u00a0dessa grande \u00e1rea, onde a esta\u00e7\u00e3o seca j\u00e1 est\u00e1 mais longa, poder\u00edamos fazer a floresta voltar a funcionar melhor ali, ela ficaria mais resiliente.\u201d<\/p>\n<p class=\"\">O objetivo n\u00e3o parece f\u00e1cil de ser atingido no futuro pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13206\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image8-native.jpg\" alt=\"\" width=\"1300\" height=\"867\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image8-native.jpg 1300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image8-native-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image8-native-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image8-native-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image8-native-500x333.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 1300px) 100vw, 1300px\" \/><em>Em toda a Amaz\u00f4nia h\u00e1 cerca de 100 tribos ind\u00edgenas com as quais h\u00e1 pouco ou nenhum contato<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">Em setembro de 2019, representantes de sete pa\u00edses amaz\u00f4nicos \u2014 sem a presen\u00e7a de Venezuela e Guiana Francesa \u2014 se reuniram em Leticia, na Col\u00f4mbia, com um objetivo de criar uma agenda de preven\u00e7\u00e3o de crises ambientais como os inc\u00eandios recentes.<\/p>\n<ul class=\"formatted-link\">\n<li><a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-50851921\">Como pol\u00edtica ambiental de Bolsonaro afetou imagem do Brasil em 2019 e quais as consequ\u00eancias disso<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"\">O resultado foi o Pacto pela Amaz\u00f4nia, um acordo de 16 medidas n\u00e3o obrigat\u00f3rias, mas que indicam um compromisso dos pa\u00edses contra o avan\u00e7o da destrui\u00e7\u00e3o da floresta. No entanto, o texto n\u00e3o coloca metas espec\u00edficas para a redu\u00e7\u00e3o do desmatamento, nem para um plano de reflorestamento.<\/p>\n<div class=\"blockquote-container\">\n<blockquote>\n<h3>Todos os pol\u00edticos falam a frase c\u00e9lebre: preserva\u00e7\u00e3o sim, mas com desenvolvimento. Mas est\u00e1 escondido na palavra desenvolvimento um modelo que s\u00f3 consegue ver a atividade econ\u00f4mica sem a floresta. Isso precisa mudar, e precisa ser agora.\u201d<cite>Carlos Nobre, USP<\/cite><\/h3>\n<\/blockquote>\n<div class=\"credits\">\n<h2><\/h2>\n<h2>Cr\u00e9ditos<\/h2>\n<p class=\"\"><b>Reportagem:<\/b>\u00a0Camilla Costa<\/p>\n<p class=\"\"><b>Texto:<\/b>\u00a0Camilla Costa e Carol Olona<\/p>\n<p class=\"\"><b>Design e gr\u00e1ficos:<\/b>\u00a0Cecilia Tombesi<\/p>\n<p class=\"\"><b>Programa\u00e7\u00e3o:<\/b>\u00a0Marta Mart\u00ed e Marcos Gurgel<\/p>\n<p class=\"\">Projeto liderado por Carol Olona<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"\">Estimativas do gr\u00e1fico sobre esp\u00e9cies em 1 hectare de Amaz\u00f4nia: Jos Barlow y Alexander Lees, da Rede Amaz\u00f4nia Sustent\u00e1vel, com base em estudos cient\u00edficos (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.6084\/m9.figshare.10104368\">https:\/\/doi.org\/10.6084\/m9.figshare.10104368<\/a>).<\/p>\n<p class=\"\">Agradecimentos: Carlos Nobre, Antonio Nobre, Rede Amaz\u00f4nia Sustent\u00e1vel, Rede Amaz\u00f4nia de Informa\u00e7\u00e3o Socioambiental Georreferenciada (Raisg), J\u00falia Jacomini, Gustavo Faleiros, Infoamaz\u00f4nia, Thiago Medaglia, Erika Berenguer, Rodrigo Botero, Mikaela Weisse, Global Forest Watch.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-51317040\">https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-51317040<\/a>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tamanho da destrui\u00e7\u00e3o atual da Amaz\u00f4nia \u00e9 bem maior do que se acredita.<\/p>\n<p>Atualmente, o bioma cont\u00e9m a maior e mais diversa floresta tropical do mundo, ocupa mais de 6,8 milh\u00f5es de km2 e abriga 33 milh\u00f5es de pessoas em nove pa\u00edses.<\/p>\n<p>Em 2018, Brasil e Bol\u00edvia estiveram entre os cinco pa\u00edses que mais perderam florestas prim\u00e1rias, as matas virgens, no mundo, de acordo com a organiza\u00e7\u00e3o internacional Global Forest Watch.<\/p>\n<p>A grilagem de terras, a expans\u00e3o de fronteiras agropecu\u00e1rias, a minera\u00e7\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica descontrolada, entre outros fatores, s\u00e3o consideradas as principais atividades respons\u00e1veis pela perda de floresta.<\/p>\n<p>Mas o desmatamento \u00e9 s\u00f3 uma parte do problema.<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":13164,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-13247","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-radar","category-1","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13247","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13247"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13247\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13264,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13247\/revisions\/13264"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13164"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13247"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13247"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13247"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}