{"id":14606,"date":"2020-04-24T14:56:25","date_gmt":"2020-04-24T17:56:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/?p=14606"},"modified":"2020-04-24T14:56:54","modified_gmt":"2020-04-24T17:56:54","slug":"mapa-do-isa-mostra-avanco-da-pandemia-em-terras-indigenas-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/radar\/mapa-do-isa-mostra-avanco-da-pandemia-em-terras-indigenas-no-brasil\/","title":{"rendered":"Mapa do ISA mostra avan\u00e7o da pandemia em Terras Ind\u00edgenas no Brasil"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Instituto Socioambiental &#8211; ISA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>03 de abril de 2020<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Amaz\u00f4nia brasileira<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Acesse<\/strong>:\u00a0<a href=\"https:\/\/covid19.socioambiental.org\/\">covid19.socioambiental.org\/<\/a><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"summary\"><em>Para fortalecer pol\u00edticas emergenciais \u00e0s aldeias, novo site monitora casos da doen\u00e7a em munic\u00edpios pr\u00f3ximos de TIs e entre povos ind\u00edgenas, popula\u00e7\u00e3o especialmente vulner\u00e1vel aos impactos da Covid-19<\/em><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"field field-name-body field-type-text-with-summary field-label-hidden\">\n<div class=\"field-items\">\n<div class=\"field-item even\">\n<p>Os povos ind\u00edgenas no Brasil merecem uma aten\u00e7\u00e3o especial por parte dos governos nesse momento de pandemia. Pol\u00edticas p\u00fablicas de combate \u00e0 Covid-19 devem ser adaptadas \u00e0 realidade desses povos, nas aldeias e nas cidades. Pensando nisso, o Instituto Socioambiental (ISA) lan\u00e7a nesta sexta-feira (3\/4) uma nova plataforma para monitorar o avan\u00e7o da pandemia nas Terras Ind\u00edgenas e munic\u00edpios pr\u00f3ximos a elas. O site \u201c<a href=\"https:\/\/covid19.socioambiental.org\/\">Covid-19 e os Povos Ind\u00edgenas<\/a>\u201d re\u00fane as principais bases de dados sobre a doen\u00e7a e a estrutura de sa\u00fade no Brasil de forma georreferenciada \u2014 dispostas em um mapa.<\/p>\n<\/div>\n<p>Em muitas regi\u00f5es, povos ind\u00edgenas est\u00e3o submetidos a uma situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social e econ\u00f4mica, e sofrem com a dificuldade log\u00edstica de comunica\u00e7\u00e3o e de acesso aos territ\u00f3rios. Tudo isso agrava o risco de mortalidade entre os povos ind\u00edgenas. Viroses respirat\u00f3rias foram vetores do genoc\u00eddio ind\u00edgena em diversos momentos da hist\u00f3ria do pa\u00eds, com dezenas de casos provocados por epidemias registrados em documentos oficiais, como o relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade de 2014 e o relat\u00f3rio Figueiredo de 1967.<\/p>\n<p>A plataforma indica casos confirmados e mortes causadas pela Covid-19 em todo o Brasil, com destaque para os casos espec\u00edficos nos povos ind\u00edgenas. Al\u00e9m disso, mostra a cobertura geogr\u00e1fica dos Distritos Sanit\u00e1rios Especiais Ind\u00edgenas e polos base, e a disponibilidade de leitos e respiradores em todos os munic\u00edpios brasileiros. Tamb\u00e9m apresenta uma linha do tempo com o hist\u00f3rico de epidemias que atingiram as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas desde a invas\u00e3o do Brasil pelos portugueses, em 1500. Por fim, re\u00fane as not\u00edcias e uma lista de iniciativas de apoio \u00e0s aldeias e comunidades quilombolas e ribeirinhas durante a pandemia.<\/p>\n<p>\u201cAs vulnerabilidades dos povos ind\u00edgenas refor\u00e7am a necessidade de a\u00e7\u00f5es emergenciais dos \u00f3rg\u00e3os e entes p\u00fablicos, como a Secretaria Especial de Sa\u00fade Ind\u00edgena, Uni\u00e3o, Estados e Munic\u00edpios, de forma complementar, coordenada e integrada, sobretudo na preven\u00e7\u00e3o da dissemina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a entre os povos ind\u00edgenas, mas tamb\u00e9m na garantia do pleno atendimento, evitando a ocorr\u00eancia de \u201cpontos cegos\u201d e a evolu\u00e7\u00e3o dos casos eventualmente constatados decorrente da demora no atendimento\u201d, afirma Antonio Oviedo, pesquisador do ISA.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 dar transpar\u00eancia para essas informa\u00e7\u00f5es, apoiar a tomada de decis\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos encarregados das a\u00e7\u00f5es emergenciais e informar a sociedade brasileiras sobre os riscos espec\u00edficos enfrentados pelos povos da floresta com a pandemia do coronav\u00edrus. A integra\u00e7\u00e3o dessas informa\u00e7\u00f5es permite uma avalia\u00e7\u00e3o do grau de vulnerabilidade que as Terras Ind\u00edgenas se encontram. Na quinta-feira (2\/4), foi confirmada a primeira morte de uma ind\u00edgena em decorr\u00eancia da doen\u00e7a. Uma senhora de 87 anos, da etnia\u00a0<a href=\"https:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/Povo:Borari\">Borari<\/a>, morreu em Alter do Ch\u00e3o (PA). Ainda essa semana, uma jovem de 20 anos da etnia\u00a0<a href=\"https:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/Povo:Kokama\">Kokama<\/a>\u00a0testou positivo para a Covid-19 e est\u00e1 em isolamento em Santo Ant\u00f4nia do I\u00e7\u00e1 (AM).<\/p>\n<p>A principal estrat\u00e9gia da Secretaria Especial de Sa\u00fade Ind\u00edgena (Sesai) \u00e9 de impedir a circula\u00e7\u00e3o entre cidades e aldeias. A entrada de n\u00e3o ind\u00edgenas em Terras Ind\u00edgenas est\u00e1 restrita apenas a viagens essenciais relacionadas com sa\u00fade e alimenta\u00e7\u00e3o. Ind\u00edgenas que estavam na cidade foram orientados a permanecer ali ou realizar quarentena fora das aldeias antes de retornar para suas comunidades.<\/p>\n<p>Caso a pandemia se dissemine entre os \u00edndios, por\u00e9m, o cen\u00e1rio ser\u00e1 preocupante. Como isolar um paciente em uma maloca compartilhada por v\u00e1rias fam\u00edlias, sem divis\u00f3rias entre os espa\u00e7os? Al\u00e9m disso, nas aldeias, h\u00e1 uma dificuldade de acesso a itens como sab\u00e3o e \u00e1lcool em gel, essenciais para prevenir a epidemia. Outra preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 com os casos mais graves, que precisam de atendimento hospitalar e interna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA maioria dos munic\u00edpios no Brasil n\u00e3o tem Unidades de Terapia Intensiva (UTI) dispon\u00edvel e n\u00e3o vai dispor de leitos hospitalares caso a epidemia se dissemine no pa\u00eds\u201d, lembrou Ana L\u00facia Pontes, pesquisadora da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz. \u201cMuitas Terras Ind\u00edgenas est\u00e3o localizadas em munic\u00edpios com esse tipo de perfil\u201d.<\/p>\n<h2>Cidades x Terras Ind\u00edgenas<\/h2>\n<p>\u00c9 o caso dos munic\u00edpios pr\u00f3ximos \u00e0s Terras Ind\u00edgenas onde o ISA tem atua\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Gabriel da Cachoeira (AM), com 45.564 habitantes, no Alto Rio Negro, n\u00e3o possui leitos de UTI e tem apenas oito respiradores, equipamentos s\u00e3o essenciais para salvar vidas dos pacientes com o quadro mais grave da Covid-19, que causa insufici\u00eancia respirat\u00f3ria. Um ind\u00edgena de uma das TIs do Alto Rio Negro, pr\u00f3ximas \u00e0 S\u00e3o Gabriel, teria que ser deslocado at\u00e9 a cidade, e depois, ainda pegar um avi\u00e3o ou barco at\u00e9 Manaus, onde enfim teria acesso \u00e0 uma UTI.<\/p>\n<p>Em Canarana (MT), com 21.579 , cidade pr\u00f3xima ao Territ\u00f3rio Ind\u00edgena do Xingu (TIX), s\u00f3 h\u00e1 um respirador e n\u00e3o existe leito de UTI. Em Altamira (PA) (99.075 habitantes)\u00e0s margens do Rio Xingu, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ligeiramente melhor, com 40 leitos de UTI (19 desses neonatais, ou seja, destinados a mulheres no p\u00f3s-parto) e 43 respiradores. No entanto, apenas cinco deles est\u00e3o no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). Boa Vista (RR) (399.213 habitantes) os de UTI e 154 respiradores.<\/p>\n<p>A aten\u00e7\u00e3o especializada &#8211; atendimentos em hospitais com centros cir\u00fargicos e UTIs, por exemplo &#8211; sempre foi uma fragilidade do sistema de sa\u00fade ind\u00edgena, segundo Ana L\u00facia Pontes. \u00c9 garantido por lei o direito dos ind\u00edgenas de acessarem os servi\u00e7os de sa\u00fade estaduais e municipais, em complementa\u00e7\u00e3o ao atendimento da sa\u00fade ind\u00edgena.<\/p>\n<p>Apesar disso, a representatividade dos ind\u00edgenas em conselhos e inst\u00e2ncias de decis\u00e3o do sistema de sa\u00fade geral sempre foi um desafio. \u201cEssa representatividade (dos povos ind\u00edgenas) sempre foi uma luta, inclusive no Conselho Nacional de Sa\u00fade. \u00c9 dif\u00edcil negociar dentro dessas inst\u00e2ncias amplas\u201d, afirma a pesquisadora da Fiocruz.<\/p>\n<p>Com o avan\u00e7o da pandemia, em que os hospitais e servi\u00e7os de sa\u00fade tendem a ficar sobrecarregados, o problema pode piorar gravemente. Os hospitais ter\u00e3o de se preparar para receber esses ind\u00edgenas em um cen\u00e1rio de superlota\u00e7\u00e3o, com uma explos\u00e3o de demanda de leitos de interna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O mapa lan\u00e7ado pelo ISA d\u00e1 a dimens\u00e3o do problema ao indicar onde est\u00e3o algumas das regi\u00f5es mais vulner\u00e1veis neste cen\u00e1rio e suas respectivas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cA expans\u00e3o da Covid-19 apresenta desafios ao nosso sistema social e de sa\u00fade. Entre eles est\u00e3o a garantia da seguran\u00e7a alimentar e prote\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios, bem como a capacidade de prever e quantificar o aparecimento de novos casos devido a infec\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias. Em decorr\u00eancia da mobilidade dos povos ind\u00edgenas nos munic\u00edpios vizinhos e invas\u00f5es de garimpeiros e madeireiros ilegais no interior desses territ\u00f3rios, \u00e9 poss\u00edvel que vejamos um crescente n\u00famero de infec\u00e7\u00f5es nas aldeias. \u00c9 preciso que o Estado brasileiro utilize informa\u00e7\u00f5es como estas que est\u00e3o sendo agrupadas nessa plataforma e esteja preparado para a detec\u00e7\u00e3o precoce, inclusive para combat\u00ea-la ao detectar situa\u00e7\u00f5es de risco\u201d, conclui Oviedo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/noticias-socioambientais\/mapa-do-isa-mostra-avanco-da-pandemia-em-terras-indigenas?utm_medium=email&amp;utm_source=transactional&amp;utm_campaign=manchetes%40socioambiental.org\">https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/noticias-socioambientais\/mapa-do-isa-mostra-avanco-da-pandemia-em-terras-indigenas?utm_medium=email&amp;utm_source=transactional&amp;utm_campaign=manchetes%40socioambiental.org<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para fortalecer pol\u00edticas emergenciais \u00e0s aldeias, novo site monitora casos da doen\u00e7a em munic\u00edpios pr\u00f3ximos de TIs e entre povos ind\u00edgenas, popula\u00e7\u00e3o especialmente vulner\u00e1vel aos impactos da Covid-19<br \/>\nVers\u00e3o para impress\u00e3o<br \/>\nOs povos ind\u00edgenas no Brasil merecem uma aten\u00e7\u00e3o especial por parte dos governos nesse momento de pandemia. 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