{"id":17671,"date":"2020-08-18T10:22:59","date_gmt":"2020-08-18T13:22:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/?p=17671"},"modified":"2020-09-01T18:11:22","modified_gmt":"2020-09-01T21:11:22","slug":"dois-tercos-do-desmatamento-na-amazonia-e-no-cerrado-vem-de-apenas-2-das-fazendas-de-gado-e-soja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/radar\/dois-tercos-do-desmatamento-na-amazonia-e-no-cerrado-vem-de-apenas-2-das-fazendas-de-gado-e-soja\/","title":{"rendered":"Dois ter\u00e7os do desmatamento na Amaz\u00f4nia e no Cerrado v\u00eam de apenas 2% das fazendas de gado e soja"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<div class=\"article-headline\">\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><span style=\"font-size: 14px;\">por <\/span><a style=\"font-size: 14px; font-weight: normal;\" href=\"https:\/\/brasil.mongabay.com\/by\/sarah-sax\/\" rel=\"tag\" data-wpel-link=\"internal\">Sarah Sax<\/a><span style=\"font-size: 14px;\"> | Traduzido por <\/span><a style=\"font-size: 14px; font-weight: normal;\" href=\"https:\/\/brasil.mongabay.com\/by\/roberto-cataldo\" data-wpel-link=\"internal\">Roberto Cataldo<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Mongabay<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><span style=\"font-size: 14px;\">18 Agosto 2020<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Amaz\u00f4nia brasileira<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<div class=\"bulletpoints\">\n<ul>\n<li>Ao menos 20% da soja e pelo menos 17% da carne bovina exportadas para a Uni\u00e3o Europeia podem estar ligados ao desmatamento ilegal, segundo um estudo publicado na revista Science.<\/li>\n<li>Utilizando conjuntos de dados e softwares de alta performance, os pesquisadores analisaram 800 mil propriedades rurais na Amaz\u00f4nia e no Cerrado e detectaram que apenas 2% das propriedades s\u00e3o respons\u00e1veis \u200b\u200bpor 62% de todo o desmatamento potencialmente ilegal nos biomas.<\/li>\n<li>Os m\u00e9todos do estudo t\u00eam potencial para aprimorar a rastreabilidade das cadeias produtivas, mostrando que j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel acompanhar a trajet\u00f3ria de commodities desde \u00e1reas desmatadas ilegalmente at\u00e9 consumidores estrangeiros, incentivando a conten\u00e7\u00e3o do desmatamento por na\u00e7\u00f5es e empresas.<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com um estudo publicado na revista\u00a0<em>Science<\/em>, ao menos um quinto das exporta\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas do Brasil para a Uni\u00e3o Europeia pode estar ligado ao desmatamento ilegal.<\/p>\n<p>Utilizando conjuntos de dados e softwares de alta performance, os pesquisadores analisaram 800 mil propriedades rurais na Amaz\u00f4nia e no Cerrado e detectaram que apenas alguns poucos produtores s\u00e3o respons\u00e1veis por grande parte do desmatamento potencialmente ilegal nos dois biomas. Da\u00ed o nome do estudo:\u00a0<em>\u201c<a href=\"https:\/\/science.sciencemag.org\/content\/369\/6501\/246\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener external\" data-wpel-link=\"external\">The rotten apples of Brazil\u2019s agribusiness<\/a><\/em>\u201d (As ma\u00e7\u00e3s podres do agroneg\u00f3cio brasileiro).<\/p>\n<p>\u201cNos dois biomas, descobrimos que menos de 20% [dos propriet\u00e1rios de terras] est\u00e3o de fato desmatando,\u201d diz Raoni Raj\u00e3o, professor associado de Gest\u00e3o Ambiental da Universidade Federal de Minas Gerais e principal autor do artigo. \u201cE, embora todos aqueles que est\u00e3o desmatando ilegalmente sejam respons\u00e1veis, no fim das contas s\u00e3o apenas alguns poucos atores do setor que est\u00e3o causando os maiores problemas.\u201d<\/p>\n<p>O estudo conclui:<\/p>\n<h3><em>Embora a maior parte da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola brasileira esteja livre de desmatamento, constatamos que 2% das propriedades na Amaz\u00f4nia e no Cerrado s\u00e3o respons\u00e1veis \u200b\u200bpor 62% de todo o desmatamento potencialmente ilegal, e que aproximadamente 20% da soja e pelo menos 17% da carne bovina exportadas \u00e0 UE, oriundas desses biomas, podem estar contaminados com desmatamento ilegal.<\/em><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aline Soterroni, pesquisadora convidada do Instituto Internacional de An\u00e1lise Aplicada de Sistemas, diz que outras plataformas de sensoriamento remoto, como a MapBiomas, mostram o desmatamento n\u00e3o autorizado (uma medida indireta do desmatamento ilegal), e que outras pesquisas anteriores mapearam os riscos de desmatamento nas exporta\u00e7\u00f5es brasileiras de soja e carne bovina para a Uni\u00e3o Europeia, inclusive em n\u00edvel de empresa. Por\u00e9m, \u201ccombinar os dados de rastreabilidade existentes com uma ampla an\u00e1lise de conformidade em rela\u00e7\u00e3o ao C\u00f3digo Florestal em n\u00edvel de propriedade \u00e9 um passo importante para implementar um sistema para monitorar a maior parte do desmatamento causado por commodities no Brasil.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-17682\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/mapa_mongabay-1.jpg\" alt=\"\" width=\"848\" height=\"779\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/mapa_mongabay-1.jpg 848w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/mapa_mongabay-1-300x276.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/mapa_mongabay-1-768x706.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/mapa_mongabay-1-500x459.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 848px) 100vw, 848px\" \/><\/p>\n<h3><strong>Eliminando as \u201cma\u00e7\u00e3s podres\u201d<\/strong><\/h3>\n<p>O antigo debate sobre at\u00e9 onde o agroneg\u00f3cio \u00e9 respons\u00e1vel pelo desmatamento est\u00e1 cada vez mais polarizado. Enquanto alguns ambientalistas s\u00e3o cr\u00edticos \u00e0 cadeia produtiva inteira, produtores e empresas do mercado de commodities assumem pouca ou nenhuma responsabilidade. \u201cOs reguladores, a Uni\u00e3o Europeia, n\u00e3o sabem em quem confiar\u201d, diz Raj\u00e3o. \u201cPor isso, consideramos realmente importante separar o joio do trigo. Ou eliminar as \u2018ma\u00e7\u00e3s podres\u2019, por assim dizer, para mostrar que \u00e9 poss\u00edvel exclu\u00ed-las e ainda ter um setor vi\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, o tipo de metodologia usada no estudo proporciona \u201cprova de conceito\u201d para a rastreabilidade da cadeia produtiva e pode ser aplicado em uma escala muito maior, principalmente nas commodities respons\u00e1veis \u200b\u200bpor grande parcela do desmatamento em florestas tropicais do mundo todo: \u00f3leo de palma, gado e soja.<\/p>\n<p>\u201cEste artigo \u00e9 um bom exemplo de como \u00e9 poss\u00edvel realizar a devida dilig\u00eancia em toda a cadeia de suprimento\u201d, diz Lindsay Duffield, consultora da ONG FERN para comunica\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas. Os pesquisadores, segundo ela, \u201cest\u00e3o observando fazendas, matadouros e vias de escoamento para a Uni\u00e3o Europeia. Eles podem identificar ilegalidades potenciais em propriedades espec\u00edficas. \u00c9 realmente \u00fatil reconhecermos que isso \u00e9 poss\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p>O estudo conta com grandes quantidades de dados j\u00e1 gerados no Brasil e com bancos de dados como o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.trase.earth\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Trase<\/a>, portal de transpar\u00eancia que conecta informa\u00e7\u00f5es regionais de cadeias produtivas a dados globais sobre exporta\u00e7\u00e3o. No m\u00eas passado, o Trase divulgou um\u00a0<a href=\"https:\/\/insights.trase.earth\/yearbook\/summary\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">relat\u00f3rio anual<\/a>\u00a0mostrando que, apesar dos compromissos mais s\u00f3lidos da Uni\u00e3o Europeia com o fim do desmatamento, a soja exportada para o velho continente na \u00faltima d\u00e9cada foi mais prejudicial \u00e0s florestas e ao clima global do que a que foi exportada para a China.\u00a0<a href=\"https:\/\/news.mongabay.com\/2020\/06\/china-and-eu-appetite-for-soy-drives-brazilian-deforestation-climate-change-study\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Outro estudo<\/a>\u00a0apresentou, pela primeira vez, estimativas detalhadas das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa em toda a sojicultura brasileira.<\/p>\n<p>As empresas do mercado de commodities, por sua vez,\u00a0tamb\u00e9m est\u00e3o entrando na onda da rastreabilidade. A Cargill, uma das maiores traders de soja do Brasil, publicou recentemente um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cargill.com\/doc\/1432166467180\/soy-progress-mid-year-report-2020-pt_br.pdf\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">relat\u00f3rio semestral de avan\u00e7o<\/a><u>s<\/u>\u00a0mapeando 100% de sua cadeia de produ\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Foi poss\u00edvel mostrar que mais de 95% da soja brasileira s\u00e3o cultivados em terras desmatadas e sem que tenha havido convers\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Raj\u00e3o, tudo isso leva a um dos pontos principais do estudo: \u201cTemos os sistemas do Inpe para monitoramento [de desmatamento], o registro de 6 milh\u00f5es de agricultores [o Cadastro Ambiental Rural], modelagem espacial e capacidade de vincular tudo isso a cadeias produtivs. Temos \u00e0 m\u00e3o os meios para reduzir o desmatamento. Agora, realmente \u00e9 tudo uma quest\u00e3o de vontade pol\u00edtica.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-17676\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gado_mongabay.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gado_mongabay.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gado_mongabay-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gado_mongabay-500x333.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><em>A convers\u00e3o de florestas em fazendas de pecu\u00e1ria \u00e9 a maior causa do desmatamento no Brasil. Foto: Henrique Manreza\/The Nature Conservancy.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/brasil.mongabay.com\/2020\/08\/dois-tercos-do-desmatamento-na-amazonia-e-no-cerrado-vem-de-apenas-2-das-fazendas-de-gado-e-soja\/\">https:\/\/brasil.mongabay.com\/2020\/08\/dois-tercos-do-desmatamento-na-amazonia-e-no-cerrado-vem-de-apenas-2-das-fazendas-de-gado-e-soja\/<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Leia o artigo completo em PDF aqui: <a href=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/10.1126@science.aba6646.pdf\"><em>The rotten apples of Brazil&#8217;s agribusiness<\/em><\/a><\/strong><\/h3>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao menos 20% da soja e pelo menos 17% da carne bovina exportadas para a Uni\u00e3o Europeia podem estar ligados ao desmatamento ilegal, segundo um estudo publicado na revista Science.<\/p>\n<p>Utilizando conjuntos de dados e softwares de alta performance, os pesquisadores analisaram 800 mil propriedades rurais na Amaz\u00f4nia e no Cerrado e detectaram que apenas 2% das propriedades s\u00e3o respons\u00e1veis \u200b\u200bpor 62% de todo o desmatamento potencialmente ilegal nos biomas.<\/p>\n<p>Os m\u00e9todos do estudo t\u00eam potencial para aprimorar a rastreabilidade das cadeias produtivas, mostrando que j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel acompanhar a trajet\u00f3ria de commodities desde \u00e1reas desmatadas ilegalmente at\u00e9 consumidores estrangeiros, incentivando a conten\u00e7\u00e3o do desmatamento por na\u00e7\u00f5es e empresas.<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":17682,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-17671","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-radar","category-1","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17671","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17671"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17671\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17690,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17671\/revisions\/17690"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17682"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17671"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17671"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17671"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}