{"id":22847,"date":"2021-03-25T11:58:39","date_gmt":"2021-03-25T14:58:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/?p=22847"},"modified":"2021-03-25T11:17:09","modified_gmt":"2021-03-25T14:17:09","slug":"em-2020-garimpo-avancou-30-na-terra-indigena-yanomami-aponta-relatorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/radar\/em-2020-garimpo-avancou-30-na-terra-indigena-yanomami-aponta-relatorio\/","title":{"rendered":"Em 2020, garimpo avan\u00e7ou 30% na Terra Ind\u00edgena Yanomami, aponta relat\u00f3rio"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Instituto Socioambiental<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>25 de mar\u00e7o de 2021<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Amaz\u00f4nia brasileira<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_video link=&#8221;https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=kF9r89C6hvk&#8221; align=&#8221;center&#8221; title=&#8221;Feridas do garimpo aumentam em 2020 na Terra Ind\u00edgena Yanomami | #ForaGarimpo&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_separator border_width=&#8221;3&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<em>Levantamento in\u00e9dito sobre o avan\u00e7o do garimpo no territ\u00f3rio ind\u00edgena <\/em><em>aponta prolifera\u00e7\u00e3o de novos n\u00facleos de invasores mais pr\u00f3ximos das comunidades ind\u00edgenas, incluindo de grupos de \u00edndios isolados, e a abertura de novas rotas para dentro do territ\u00f3rio<\/em><\/p>\n<p>De janeiro a dezembro de 2020, uma \u00e1rea equivalente a 500 campos de futebol foi devastada na Terra Ind\u00edgena Yanomami, localizada ao extremo Norte do Brasil, entre os estados do Amazonas e Roraima. Quinhentos hectares de floresta Amaz\u00f4nica foram destru\u00eddos pelo garimpo ilegal no territ\u00f3rio ind\u00edgena. O total de \u00e1rea desmatada \u00e9 de 2.400 hectares &#8211; e somente em 2020 o aumento foi de 30%.<\/p>\n<p>Mesmo com a pandemia da Covid-19, que j\u00e1 matou mais de 300 mil pessoas em todo pa\u00eds, a atividade ilegal nunca parou, pelo contr\u00e1rio. Produzido pela Hutukara Associa\u00e7\u00e3o Yanomami (HAY) e Associa\u00e7\u00e3o Wanasseduume Ye\u2019kwana (Seduume), o relat\u00f3rio \u2018Cicatrizes na Floresta &#8211; Evolu\u00e7\u00e3o do garimpo ilegal na Terra Ind\u00edgena Yanomami (TIY) em 2020\u2019, lan\u00e7ado nesta quinta, 25 de mar\u00e7o, denuncia como a atividade criminosa se prolifera na terra ind\u00edgena, subindo os rios e se aproximando cada vez mais das comunidades ind\u00edgenas, com novas rotas de acesso ao interior da floresta.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio destaca seis regi\u00f5es especialmente afetadas pela devasta\u00e7\u00e3o, como Waik\u00e1s e Kayanau, com 35% e 23% do total das cicatrizes mapeadas, respectivamente. O documento aponta ainda a localiza\u00e7\u00e3o exata de novos n\u00facleos garimpeiros nas calhas dos principais rios que correm pela terra ind\u00edgena, em especial o rio Uraricoera, que concentra mais da metade (52%) de toda a \u00e1rea degradada pelo garimpo na terra ind\u00edgena. At\u00e9 recentemente, o garimpo \u201ctatuz\u00e3o do mutum\u201d, \u00e0s margens do Uraricoera, concentrava a maior parte da explora\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o. Hoje, al\u00e9m dele, surgiram tr\u00eas novas \u00e1reas de garimpo perto das comunidades de Araca\u00e7\u00e1, Korekorema e dos Ye\u2019kwana de Waik\u00e1s.<\/p>\n<p>A lideran\u00e7a Yanomami e xam\u00e3 Davi Kopenawa, presidente da Hutukara Associa\u00e7\u00e3o Yanomami, diz que est\u00e1 preocupado e revoltado com a atual invas\u00e3o garimpeira. \u201cVoc\u00ea v\u00ea a \u00e1gua suja, o rio amarelado, tudo esburacado. Homem garimpeiro \u00e9 como um porco de cria\u00e7\u00e3o da cidade, faz muito buraco procurando pedras preciosas como ouro e diamante. Realmente, retornou. H\u00e1 vinte anos conseguimos mandar embora esses invasores e eles retornaram. Est\u00e3o entrando como animais com fome, \u00e0 procura da riqueza da nossa terra. Est\u00e1 avan\u00e7ando muito r\u00e1pido. Est\u00e1 chegando no meio da terra Yanomami. O garimpo j\u00e1 est\u00e1 chegando na minha casa\u201d, afirmou Kopenawa.<\/p>\n<p>O xam\u00e3 conta ainda que teme um conflito com os invasores. \u201cEstou muito preocupado, pois o garimpeiro n\u00e3o est\u00e1 sozinho, s\u00e3o grandes grupos, andam armados, apoiados por empres\u00e1rios, pelo governador de Roraima e pelo presidente Bolsonaro, assim como outros empres\u00e1rios do Brasil. Aqui em Roraima, os garimpeiros, empres\u00e1rios e pol\u00edticos n\u00e3o respeitam os povos ind\u00edgenas, s\u00f3 querem tirar as nossas riquezas\u201d, enfatizou Kopenawa.<\/p>\n<p>O documento aponta o aumento de conflitos entre ind\u00edgenas e garimpeiros como um dos efeitos da maior presen\u00e7a garimpeira na Terra Ind\u00edgena Yanomami, a exemplo do assassinato de dois jovens yanomami na regi\u00e3o do rio Parima, em julho de 2020. J\u00e1 no in\u00edcio deste ano, em 25 de fevereiro, ind\u00edgenas da comunidade de Helepe <a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/noticias-socioambientais\/denuncia-garimpeiro-ataca-indigena-na-terra-yanomami\">sofreram um ataque<\/a> de garimpeiros que resultou em um ind\u00edgena gravemente ferido e na morte de um garimpeiro &#8211; ao se retirarem, os garimpeiros amea\u00e7aram retalia\u00e7\u00e3o. No passado recente, situa\u00e7\u00f5es similares resultaram em chacinas como a de Haximu, em 1993, primeiro caso de genoc\u00eddio reconhecido no Brasil.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio foi elaborado a partir de an\u00e1lises de imagens de sat\u00e9lite da constela\u00e7\u00e3o Planet e Sentinel 1, mapeamento mensal das \u00e1reas degradadas na TIY, e organiza\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es oriundas de den\u00fancias e relatos das comunidades. Um sobrevoo do Sistema de Monitoramento do Garimpo Ilegal na TIY, realizado em dezembro de 2020, produziu o registro fotogr\u00e1fico que complementa o levantamento.<\/p>\n<h3><strong>Povos isolados podem sofrer genoc\u00eddio<\/strong><\/h3>\n<p>O novo levantamento tamb\u00e9m denuncia como o avan\u00e7o dos garimpeiros no territ\u00f3rio ind\u00edgena tem levado doen\u00e7as \u00e0s comunidades, sobretudo mal\u00e1ria e Covid-19, e colocado em risco a sobreviv\u00eancia de grupos de ind\u00edgenas isolados, ainda mais vulner\u00e1veis \u00e0s enfermidades.\u00a0 \u201cOs dados indicam tamb\u00e9m para o aumento da press\u00e3o sobre os grupos de ind\u00edgenas em isolamento volunt\u00e1rio Moxihat\u00ebt\u00ebma, pressionados pelo aumento da circula\u00e7\u00e3o de garimpeiros na regi\u00e3o da Serra da Estrutura a poucos quil\u00f4metros de suas comunidades. Um eventual contato for\u00e7ado, nesse est\u00e1gio, arrisca desencadear num tr\u00e1gico epis\u00f3dio de genoc\u00eddio\u201d, diz trecho do relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>O documento, assinado pela\u00a0 Hutukara Associa\u00e7\u00e3o Yanomami e Associa\u00e7\u00e3o Wanassedume Ye\u2019kwana, demanda uma s\u00e9rie de recomenda\u00e7\u00f5es \u00e0s autoridades e \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, com destaque para a apresenta\u00e7\u00e3o urgente de um plano integrado de desintrus\u00e3o total do garimpo na Terra Ind\u00edgena Yanomami, a retomada de opera\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas na terra ind\u00edgena para destrui\u00e7\u00e3o da infraestrutura clandestina instalada e o avan\u00e7o das investiga\u00e7\u00f5es para identificar e responsabilizar os atores da cadeia do ouro ilegal.<\/p>\n<p>Recentemente, a Justi\u00e7a Federal brasileira <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rr\/roraima\/noticia\/2021\/03\/17\/justica-federal-determina-multa-diaria-de-r-1-milhao-a-uniao-por-nao-retirar-garimpeiros-da-terra-yanomami.ghtml\">determinou multa di\u00e1ria de R$ 1 milh\u00e3o \u00e0 Uni\u00e3o<\/a> por n\u00e3o retirar garimpeiros da Terra Yanomami. A decis\u00e3o exigiu a apresenta\u00e7\u00e3o de um plano emergencial e estabeleceu 10 dias de prazo para o in\u00edcio da desintrus\u00e3o.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio ser\u00e1 entregue pelas lideran\u00e7as ind\u00edgenas aos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos federais respons\u00e1veis pela fiscaliza\u00e7\u00e3o territorial da TIY.<\/p>\n<p>\u201cA Hutukara j\u00e1 denunciou v\u00e1rias vezes a presen\u00e7a do garimpo, com documentos bem explicados e detalhados. Temos que entregar na m\u00e3o do chefe da Funai, MPF e PF que s\u00e3o \u00f3rg\u00e3os competentes que devem providenciar medidas para proteger nosso territ\u00f3rio. Devemos entregar o documento at\u00e9 na m\u00e3o do presidente da Rep\u00fablica. Essa \u00e9 a nossa luta e vamos continuar denunciando. Vamos lutar sem medo, estamos defendendo nosso direito, a nossa Terra M\u00e3e. Eles n\u00e3o podem roubar a nossa Terra. Essa \u00e9 a minha luta junto com os novos guerreiros\u201d, finalizou Davi Kopenawa.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h2><strong>Leia o relat\u00f3rio aqui:<\/strong><\/h2>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/relatorio-garimpo-SITE-F-2.pdf\"><em><strong>Cicatrizes na Floresta: Evolu\u00e7\u00e3o do garimpo ilegal na TI Yanomami em 2020<\/strong><\/em><\/a><\/h3>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Levantamento in\u00e9dito sobre o avan\u00e7o do garimpo no territ\u00f3rio ind\u00edgena aponta prolifera\u00e7\u00e3o de novos n\u00facleos de invasores mais pr\u00f3ximos das comunidades ind\u00edgenas, incluindo de grupos de \u00edndios isolados, e a abertura de novas rotas para dentro do territ\u00f3rio<br \/>\nDe janeiro a dezembro de 2020, uma \u00e1rea equivalente a 500 campos de futebol foi devastada na Terra Ind\u00edgena Yanomami, localizada ao extremo Norte do Brasil, entre os estados do Amazonas e Roraima. Quinhentos hectares de floresta Amaz\u00f4nica foram destru\u00eddos pelo garimpo ilegal no territ\u00f3rio ind\u00edgena. O total de \u00e1rea desmatada \u00e9 de 2.400 hectares &#8211; e somente em 2020 o aumento foi de 30%.<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":22841,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-22847","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-radar","category-1","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22847","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22847"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22847\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22873,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22847\/revisions\/22873"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22841"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22847"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22847"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22847"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}