{"id":23637,"date":"2021-04-25T23:34:13","date_gmt":"2021-04-26T02:34:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/?p=23637"},"modified":"2021-04-27T13:06:12","modified_gmt":"2021-04-27T16:06:12","slug":"ressuscitada-por-bolsonaro-rodovia-ameaca-regiao-de-maior-biodiversidade-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/radar\/ressuscitada-por-bolsonaro-rodovia-ameaca-regiao-de-maior-biodiversidade-do-brasil\/","title":{"rendered":"Ressuscitada por Bolsonaro, rodovia amea\u00e7a regi\u00e3o de maior biodiversidade do Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/autores\/fabiano-maisonnave.shtml\">Fabiano Maisonnave e <\/a><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/autores\/lalo-de-almeida.shtml\">Lalo de Almeida<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>25 de abril de 2021<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Folha de S\u00e3o Paulo<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h3 class=\"c-content-head__subtitle\" style=\"text-align: center;\"><em>Dois projetos de lei preveem a constru\u00e7\u00e3o de rodovia que dividiria em dois o Parque Nacional da Serra do Divisor (AC) e a privatiza\u00e7\u00e3o de seu territ\u00f3rio, abrindo caminho ao desmate, ao gado e \u00e0 extra\u00e7\u00e3o mineral<\/em><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"c-signature c-signature--left\" data-force-change-font-size=\"\"><strong class=\"c-signature__location\">PARQUE NACIONAL DA SERRA DO DIVISOR (AC)<\/strong><\/div>\n<div class=\"c-news__body\" data-share-text=\"\" data-news-content-text=\"\" data-disable-copy=\"\" data-continue-reading=\"\" data-continue-reading-hide-others=\".js-continue-reading-hidden\">\n<p>Em todo o mundo, o p\u00e1ssaro choca-do-acre s\u00f3 foi encontrado em um \u00fanico cume dentro do Parque Nacional (Parna) da Serra do Divisor. O habitat do animal arisco e de plumagem escura se limita a um bosque de vegeta\u00e7\u00e3o baixa, um dos dez tipos de floresta encontrados nessa unidade de conserva\u00e7\u00e3o, localizada na fronteira do Brasil com o Peru.<\/p>\n<p>Habitat de outros animais end\u00eamicos e de ao menos 1.163 esp\u00e9cies de plantas, a Serra do Divisor \u00e9 uma das regi\u00f5es de maior biodiversidade do mundo. Apesar disso,\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ambiente\/2020\/01\/projeto-de-lei-propoe-extincao-de-parque-nacional-no-acre.shtml\">dois projetos em paralelo preveem a constru\u00e7\u00e3o de uma rodovia dividindo o parque em dois e a privatiza\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio do Parna<\/a>, abrindo caminho ao desmatamento, ao gado e \u00e0 extra\u00e7\u00e3o mineral.<\/p>\n<p>As propostas s\u00e3o impulsionadas por dois parlamentares bolsonaristas do estado do Acre. A ideia da estrada foi encampada pelo governo Jair Bolsonaro (sem partido), que j\u00e1 tomou os primeiros passos para a constru\u00e7\u00e3o do lado brasileiro da rodovia, mas ainda n\u00e3o se pronunciou sobre o projeto de lei em tramita\u00e7\u00e3o no Congresso que revoga o Parna da Serra do Divisor.<\/p>\n<p>O prolongamento da BR-364, que hoje termina em M\u00e2ncio Lima (670 km de Rio Branco) come\u00e7ou a ser discutido na d\u00e9cada de 1970, durante a ditadura militar e est\u00e1 previsto no decreto de cria\u00e7\u00e3o do Parna, em 1989, durante o governo Jos\u00e9 Sarney (PMDB). Mas o projeto parecia esquecido com a inaugura\u00e7\u00e3o, em 2010, da Rodovia Interoce\u00e2nica (Estrada do Pac\u00edfico), que j\u00e1 liga o Acre e o Brasil \u00e0 costa peruana.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o come\u00e7ou o governo Bolsonaro. Em 2020, tr\u00eas ministros de Bolsonaro j\u00e1 estiveram no Acre para tratar do assunto. Em junho,<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ambiente\/2019\/12\/apos-se-reunir-com-infratores-ambientais-salles-suspende-fiscalizacao-na-reserva-chico-mendes.shtml\">\u00a0Ricardo Salles (Ambiente) visitou<\/a>\u00a0a \u00e1rea onde a obra teria in\u00edcio. Em setembro, o ent\u00e3o chanceler Ernesto Ara\u00fajo e Rog\u00e9rio Marinho (Desenvolvimento Regional) passaram por Cruzeiro do Sul, a maior cidade da regi\u00e3o do Vale do Juru\u00e1, por onde a via cruzaria. Reuniram-se com pol\u00edticos locais e peruanos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m em setembro, o pr\u00f3prio presidente defendeu o projeto em uma live no Facebook, argumentando que abrir\u00e1 uma passagem do Brasil para Pac\u00edfico \u2014ecoando o discurso do ent\u00e3o presidente Lula (PT) nos anos 2000, quando viabilizou a primeira rodovia, em parceria com o colega peruano Alejandro Toledo, hoje foragido da Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>O DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte) afirma que lan\u00e7ar\u00e1 at\u00e9 junho o Termo de Refer\u00eancia para a contrata\u00e7\u00e3o do projeto, or\u00e7ado em pelo menos R$ 500 milh\u00f5es, segundo estimativa oficial.<\/p>\n<p>A autarquia informou que ainda n\u00e3o foi definido o tra\u00e7ado detalhado da rodovia federal, mas que o lado brasileiro ter\u00e1 cerca de 120 km, dos quais 20 km (17%) dentro do parque da Serra do Divisor e que, para este ano, \u201cest\u00e3o previstos recursos suficientes para o desenvolvimento das a\u00e7\u00f5es de estudos e projetos do empreendimento\u201d.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o, o projeto divide opini\u00f5es.<\/p>\n<p>Lideran\u00e7as ind\u00edgenas e ribeirinhos afirmam que at\u00e9 agora n\u00e3o foram consultados sobre a rodovia \u2014como determina a legisla\u00e7\u00e3o\u2014 e preveem impactos socioambientais negativos. &#8220;At\u00e9 hoje, a primeira pessoa que chegou perguntando pra mim falar sobre a estrada \u00e9 o senhor\u201d, disse \u00e0\u00a0<strong>Folha<\/strong>\u00a0o cacique Joel Puyanawa, em conversa no centro cultural do seu povo.<\/p>\n<p>Separada do casco urbano de M\u00e2ncio Lima (AC) por uma estrada de terra de 10 km, a\u00a0<a href=\"https:\/\/terrasindigenas.org.br\/pt-br\/terras-indigenas\/3831\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Terra Ind\u00edgena Poyanawa<\/a>, com cerca de 680 moradores, fica na \u00e1rea de influ\u00eancia direta da rodovia. Salles esteve ali em 27 de junho, mas Joel n\u00e3o se reuniu com ele. Diante de lideran\u00e7as ind\u00edgenas, o ministro discursou que \u201co tempo \u00e9 de integra\u00e7\u00e3o\u201d, ao defender o projeto rodovi\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u201cO entorno da nossa terra j\u00e1 est\u00e1 todo comprometido. J\u00e1 sabemos o preju\u00edzo que as invas\u00f5es causam. Os brancos vivem ca\u00e7ando na nossa terra, e as institui\u00e7\u00f5es ambientais n\u00e3o t\u00eam uma pol\u00edtica para impedir. Imagina uma rodovia. Quantos milh\u00f5es de pessoas v\u00e3o transitar?\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2018\/12\/pressao-do-agronegocio-se-junta-a-preconceito-em-novo-antiambientalismo.shtml\">Vai aumentar o agroneg\u00f3cio<\/a>? Vai. Mas a nossa sobreviv\u00eancia n\u00e3o est\u00e1 no agroneg\u00f3cio\u201d, diz o cacique, vereador pelo PT.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"c-news__body\" data-share-text=\"\" data-news-content-text=\"\" data-disable-copy=\"\" data-continue-reading=\"\" data-continue-reading-hide-others=\".js-continue-reading-hidden\">\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-23638\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/mapa_estrada.png\" alt=\"\" width=\"556\" height=\"501\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/mapa_estrada.png 698w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/mapa_estrada-300x270.png 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/mapa_estrada-500x451.png 500w\" sizes=\"(max-width: 556px) 100vw, 556px\" \/><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"c-news__body\" data-share-text=\"\" data-news-content-text=\"\" data-disable-copy=\"\" data-continue-reading=\"\" data-continue-reading-hide-others=\".js-continue-reading-hidden\">\n<p>Puyanawa teme tamb\u00e9m que a rodovia passe por cima de uma \u00e1rea sagrada fora da terra ind\u00edgena demarcada. Foi nessa regi\u00e3o que, por volta de 1910, seu povo foi capturado para ser escravizado pelo coronel seringalista M\u00e2ncio Lima (1875-1950). Apesar disso, \u00e9 retratado como her\u00f3i pela hist\u00f3ria oficial, a ponto de ser homenageado com o nome da cidade.<\/p>\n<p>\u201cEssa rodovia amea\u00e7a 100% a nossa terra, destr\u00f3i o nosso s\u00edtio sagrado. Basta o preju\u00edzo que tivemos com o coronel. Se a rodovia sair, extermina a hist\u00f3ria do nosso povo\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Por outro lado, prefeitos e empres\u00e1rios apostam na estrada para acabar com o isolamento geogr\u00e1fico da regi\u00e3o mais ocidental do pa\u00eds. Apesar de ser do mesmo Partido dos Trabalhadores, o prefeito reeleito de M\u00e2ncio Lima, Issac Lima (n\u00e3o \u00e9 parente do coronel), \u00e9 um entusiasta da estrada \u2014a ponto de ter aberto, por conta pr\u00f3pria, uma picada de 40 km no prov\u00e1vel tra\u00e7ado da rodovia.<\/p>\n<p>Para o petista e pecuarista, a conex\u00e3o com Pucallpa, a 740 km de estrada de Lima, traria benef\u00edcios para a cidade de 19 mil habitantes, que vive principalmente da pecu\u00e1ria e da agricultura familiar. \u201cA estrada ligaria o mundo todo e traria pra nossa regi\u00e3o aqui, com certeza, o desenvolvimento, o crescimento, e M\u00e2ncio Lima seria a porta de entrada.\u201d<\/p>\n<p>O principal respons\u00e1vel pela retomada da ideia \u00e9 o senador M\u00e1rcio Bittar (MDB-AC). Aliado incondicional de Bolsonaro, como ele mesmo se define,\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2021\/03\/relator-do-orcamento-diz-a-bolsonaro-que-vai-cancelar-r-10-bi-em-emendas.shtml\">ele ocupa o estrat\u00e9gico cargo de relator do Or\u00e7amento de 2021<\/a>, o que lhe d\u00e1 o poder de direcionar verbas para a estrada, entre outras atribui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em paralelo, a deputada federal bolsonarista Mara Rocha (PSDB-AC) apresentou, em novembro de 2019 o projeto de lei (PL) 6.024, que transforma o Parque Nacional em APA (\u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental), o n\u00edvel de prote\u00e7\u00e3o mais baixo entre \u00e1reas protegidas. A mudan\u00e7a abriria caminho para a privatiza\u00e7\u00e3o das terras, desmatamento, extra\u00e7\u00e3o de madeira, fazendas de gado, minera\u00e7\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s de xisto.<\/p>\n<p>Mais reticente, o governador do Acre, Gladson Cameli (PP), n\u00e3o esteve presente em nenhuma das visitas ministeriais para tratar da estrada. Por telefone, ele disse \u00e0\u00a0<strong>Folha<\/strong>\u00a0que o projeto \u00e9 de \u201cm\u00e9dio a longo prazo\u201d e que o estado tem outras prioridades, como incrementar o uso da primeira rodovia interoce\u00e2nica, hoje subutilizada.<\/p>\n<p>Cameli diz que \u00e9 contra o rebaixamento do parque para APA e que sua principal preocupa\u00e7\u00e3o sobre a estrada \u00e9 com o poss\u00edvel aumento de contrabando de coca\u00edna peruana na regi\u00e3o de Cruzeiro do Sul, a principal rota de entrada ao Acre. \u201c[As quadrilhas] est\u00e3o dominando. As fronteiras precisam da maior presen\u00e7a do Estado de Direito.\u201d<\/p>\n<p>Em rea\u00e7\u00e3o \u00e0 forma como a rodovia est\u00e1 sendo planejada pelo governo federal e pelos parlamentares, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) instaurou um inqu\u00e9rito para investigar irregularidades na condu\u00e7\u00e3o do projeto.<\/p>\n<p>Segundo o procurador da Rep\u00fablica Lucas Costa Almeida Dias, o objetivo \u00e9 assegurar que as \u201ccomunidades ind\u00edgenas sejam consultadas de forma pr\u00e9via, livre e informada\u201d, conforme a Conven\u00e7\u00e3o 169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio.<\/p>\n<p>O procurador Dias defendeu que o trajeto da estrada considere a poss\u00edvel presen\u00e7a de ind\u00edgenas isolados e que o licenciamento seja feito pelo Ibama, com a participa\u00e7\u00e3o da Funai, e n\u00e3o pelo \u00f3rg\u00e3o ambiental estadual, mais suscet\u00edvel a press\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<h3 class=\"c-news__subtitle\">RIBEIRINHOS E IND\u00cdGENAS<\/h3>\n<p>A\u00a0<strong>Folha<\/strong>\u00a0visitou a regi\u00e3o norte da Parna da Serra do Divisor entre o final de outubro e in\u00edcio de novembro de 2020. Foram 9 horas de barco pelo rio Moa desde M\u00e2ncio Lima at\u00e9 a comunidade P\u00e9 da Serra, o povoamento mais ocidental do Brasil.<\/p>\n<p>Com tr\u00eas pousadas mantidas por moradores, \u00e9 a base para turistas em busca das cachoeiras, das vistas panor\u00e2micas e das trilhas pela mata. Um dos locais mais belos e impressionantes \u00e9 o c\u00e2nion do rio Moa. S\u00e3o 40 minutos de barco entre montanhas verdes, um cen\u00e1rio associado \u00e0 Amaz\u00f4nia peruana, pr\u00f3xima dos Andes, mas incomum no Brasil<\/p>\n<p>Apesar de ser vetado pela legisla\u00e7\u00e3o, cerca de 350 fam\u00edlias de ribeirinhos vivem dentro do parque, ao longo dos rios Moa e Juru\u00e1-Mirim. A maioria delas j\u00e1 morava quando o parque foi criado, mas, passadas tr\u00eas d\u00e9cadas, o o governo federal nunca concluiu o reassentamento dessas fam\u00edlias. Em P\u00e9 da Serra, elas vivem do turismo, da agricultura n\u00e3o mecanizada, da ca\u00e7a e da pesca.<\/p>\n<p>A eletricidade vem de geradores e de placas solares. As casas, distribu\u00eddas ao longo das margens, chegam at\u00e9 perto das primeiras montanhas, que amanhecem cobertas de n\u00e9voa. O transporte \u00e9 feito em canoas com rabetas, motores de pequena pot\u00eancia pilotados por adultos e crian\u00e7as. Sem internet, um \u00fanico telefone p\u00fablico faz a comunica\u00e7\u00e3o com o mundo.<\/p>\n<p>Nascida e criada \u00e0 beira do rio Moa, a agricultora Eva Maria Lima da Silva, 41, diz que \u00e9 contr\u00e1ria tanto \u00e0 extin\u00e7\u00e3o do parque quanto \u00e0 abertura da estrada. Cozinheira da pioneira Pousada do Miro, ela diz que o parque impediu o avan\u00e7o do gado e que o turismo \u00e9 a melhor alternativa econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>\u201cSe a estrada sair, vai prejudicar o nosso parque. Seria bom pela rapidez, mas, viajando pelo rio, a nossa estrada, quantas belezas n\u00e3o vou vendo? Quantas matas n\u00e3o est\u00e3o preservadas?\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Outro morador antigo, o agricultor e artes\u00e3o Jo\u00e3o Silva, 51, afirma que a estrada seria ben\u00e9fica para diminuir o isolamento da comunidade: \u201cDe repente, a gente precisar ir pra rua, pegava a estrada, \u00e9 mais r\u00e1pido\u201d.<\/p>\n<p>Por outro lado, discorda da proposta de extinguir o parque, projeto que os moradores desconheciam at\u00e9 serem questionados pela reportagem.\u201cNum sentido, achava bom porque o cara podia achar um emprego. Mas deixar sem explorar seria melhor. Ficamos tranquilos, ningu\u00e9m vai mexer conosco. Se vier esse pessoal, vai tirar muita gente daqui. Os fazendeiros v\u00e3o entrar, comprar, os caras v\u00e3o ter de sair.\u201d<\/p>\n<p>Vizinhos ao parque e habitantes hist\u00f3ricos do rio Moa e da Serra do Divisor, os ind\u00edgenas nukinis recha\u00e7am tanto o plano da estrada quanto a transforma\u00e7\u00e3o do projeto em APA, segundo o cacique Paulo Nukini, 39. Ele n\u00e3o foi consultado sobre o projeto. Seu povo reivindica que parte do parque seja anexado ao territ\u00f3rio ind\u00edgena, homologado em 1991.<\/p>\n<p>\u201cSomos contra porque sabemos que vai trazer muito impacto, muito desmatamento. Pode crescer acesso maior dos contrabandos [tr\u00e1fico de coca\u00edna]. E vai deixar a nossa serra com bastante risco de contamina\u00e7\u00e3o. Pra n\u00f3s, nukinis, a serra \u00e9 um recanto sagrado\u201d, afirma a lideran\u00e7a, em conversa diante da sua aldeia, \u00e0 beira do rio. \u201cO Brasil viveu at\u00e9 hoje sem precisar dessa travessia a\u00ed.\u201d<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o com o tr\u00e1fico tem fundamento. O lado peruano da fronteira tem sofrido com o aumento de plantio ilegal de coca e de presen\u00e7a de quadrilhas de narcotraficantes. A droga atravessa o Brasil por meio de rios e picadas na selva.<\/p>\n<h3 class=\"c-news__subtitle\">PARA\u00cdSO DOS PESQUISADORES<\/h3>\n<p>A alta biodiversidade e endemismo da Serra do Divisor decorrem principalmente da altitude variada, entre 200 e 650 metros. Al\u00e9m disso, possui os tr\u00eas tipos de rio existentes na Amaz\u00f4nia: \u00e1gua branca (barrenta), \u00e1gua preta (cor de ch\u00e1 preto) e \u00e1gua clara (transparente). Finalmente, \u00e9 a \u00fanica \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o integral do Brasil que cont\u00e9m uma ramifica\u00e7\u00e3o da cordilheira dos Andes, incluindo parte de sua flora e fauna.<\/p>\n<p>\u201cDesde 1901, houve cerca de 3.500 coletas bot\u00e2nicas na Serra do Divisor, com o registro de 1.163 esp\u00e9cies\u201d, diz o bi\u00f3logo da Universidade Federal do Acre (Ufac) Marcos Silveira, que pesquisa no local h\u00e1 24 anos. \u201cO n\u00famero de esp\u00e9cies de plantas vasculares [com vaso de condu\u00e7\u00e3o de seiva] representa 8,3% da diversidade conhecida na Amaz\u00f4nia.\u201d<\/p>\n<p>O cat\u00e1logo n\u00e3o para de crescer. Junto com outros pesquisadores, o bi\u00f3logo prepara um artigo no qual mostra que a lista de esp\u00e9cies registradas no parque aumentou 63% desde 1997, quando havia 720 plantas identificadas. Em m\u00e9dia, s\u00e3o tr\u00eas esp\u00e9cies encontradas na Serra do Divisor a cada dois meses, entre novas para a<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ambiente\/2019\/07\/mais-de-cem-unidades-de-conservacao-na-amazonia-estao-ameacadas-diz-estudo.shtml\">\u00a0unidade de conserva\u00e7\u00e3o<\/a>, desconhecidas no Acre e at\u00e9 mesmo in\u00e9ditas para a ci\u00eancia.<\/p>\n<p>A fauna n\u00e3o fica atr\u00e1s. \u201cQuando fazemos invent\u00e1rios, sempre temos uma chance grande de coletar esp\u00e9cies novas. \u00c9 impressionante\u201d, afirma o bi\u00f3logo Elder Morato, da Ufac.<\/p>\n<p>Duas esp\u00e9cies de abelha descobertas no Divisor foram nomeadas em sua homenagem:\u00a0<em>Euglossa moratoi<\/em>, uma das cerca de 30 esp\u00e9cies de abelha das orqu\u00eddeas encontradas no parque, e a\u00a0<em>Dolichotrigona moratoi<\/em>, uma das aproximadamente 60 abelhas nativas sem ferr\u00e3o e mel\u00edferas.<\/p>\n<p>Outra abelha sem ferr\u00e3o descoberta no parque \u00e9 a\u00a0<em>Celetrigona euclydiana<\/em>, uma homenagem ao escritor Euclides da Cunha, que, no in\u00edcio do s\u00e9culo 20, esteve no Acre para chefiar os trabalhos de delimita\u00e7\u00e3o da fronteira do Brasil com o Peru.<\/p>\n<p>&#8220;Para n\u00f3s, bi\u00f3logos, a Serra do Divisor \u00e9 bastante emblem\u00e1tica. N\u00e3o \u00e9 exagero dizer que todos sonham em algum dia visit\u00e1-la\u201d, afirma um coment\u00e1rio assinado pelos pesquisadores Leandro Moraes (Universidade de S\u00e3o Paulo), Tomaz Melo (Universidade Federal do Amazonas e Ra\u00edssa Rainha. Todos s\u00e3o tamb\u00e9m ligados ao Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia), com sede em Manaus.<\/p>\n<p>Em novembro de 2019, os tr\u00eas participaram de uma expedi\u00e7\u00e3o de pesquisa para um censo de vertebrados para marcar o anivers\u00e1rio de 30 anos do parque. Eles encontraram cerca de 80 esp\u00e9cies de anf\u00edbios e 40 esp\u00e9cies de lagartos e cobras.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foram identificadas 326 esp\u00e9cies de aves, dos quais ao menos 5 novos registros para o parque, que j\u00e1 ultrapassa 500 esp\u00e9cies listadas de p\u00e1ssaros. Um deles se tornou o s\u00edmbolo da regi\u00e3o: o choca-do-acre (<em>Thamnophilus divisorius<\/em>). Morador das \u00e1reas mais altas, s\u00f3 existe ali em todo o planeta.<\/p>\n<p>\u201cEssa diversidade expressiva s\u00f3 \u00e9 documentada em outras regi\u00f5es da Amaz\u00f4nia ap\u00f3s d\u00e9cadas de levantamento no mesmo local. Na Serra do Divisor, registramos em menos de 15 dias de amostragem. Muitas dessas esp\u00e9cies s\u00e3o bastante restritas a essa regi\u00e3o e j\u00e1 deixam de ocorrer no sentido leste do Acre\u201d, afirmam os pesquisadores.<\/p>\n<p>Tanta diversidade levou o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente a protocolar a candidatura, em 2017, do Parque Nacional da Serra do Divisor como S\u00edtio do Patrim\u00f4nio Natural da Humanidade junto \u00e0 Unesco (ONU). Essa distin\u00e7\u00e3o s\u00f3 foi concedida a apenas duas outras regi\u00f5es da Amaz\u00f4nia: o Parque Nacional Man\u00fa, no Peru, e a Amaz\u00f4nia Central, um conjunto de quatro unidades de conserva\u00e7\u00e3o no estado do Amazonas (Ja\u00fa, Anavilhanas, Mamirau\u00e1 e Aman\u00e3).<\/p>\n<p>A proposta, no entanto, acabou retirada dias depois por press\u00e3o do Conselho de Defesa Nacional, \u00f3rg\u00e3o ligado ao Pal\u00e1cio do Planalto \u2014na \u00e9poca, ocupado por Michel Temer (MDB). A alega\u00e7\u00e3o foi amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a nacional.<\/p>\n<h3 class=\"c-news__subtitle\">PEDREIRA NO PARQUE<\/h3>\n<p>No PL, a deputada Mara Rocha \u2014irm\u00e3 do vice-governador, o major da PM Wherles da Rocha\u2014 usou 213 palavras para justificar o fim do parque nacional. Nenhum estudo ambiental ou econ\u00f4mico \u00e9 citado para justificar o fim da \u00fanica unidade de conserva\u00e7\u00e3o brasileira de prote\u00e7\u00e3o integral situada dentro de uma \u00e1rea pr\u00e9-andina, onde h\u00e1 uma transi\u00e7\u00e3o entre a fauna e flora andina e da Amaz\u00f4nia baixa.<\/p>\n<p>Para a deputada, a exist\u00eancia do parque de 837 mil hectares (o nono maior do pa\u00eds) \u201cvai de encontro aos interesses e necessidades do povo acreano\u201d por se tratar da \u201c\u00fanica regi\u00e3o do estado que possui rochas que podem ser extra\u00eddas e utilizadas na constru\u00e7\u00e3o civil, de maneira a fomentar o desenvolvimento econ\u00f4mico do estado\u201d.<\/p>\n<p>Em v\u00eddeo divulgado em janeiro de 2019, ela afirma que o objetivo \u00e9 que o parque passe a permitir ocupa\u00e7\u00e3o humana e que o \u201cprojeto \u00e9 de autoria do senador M\u00e1rcio Bittar\u201d.<\/p>\n<p>Por telefone, Bittar tentou se desvencilhar da iniciativa da aliada. Disse que n\u00e3o \u00e9 \u201cidiota\u201d de apresentar o PL para extinguir o parque, mas defendeu o seu teor. \u201cA Alemanha, que banca ONG ligada \u00e0 m\u00eddia nacional, fez uma Itaipu e meia em termel\u00e9trica, cavando buraco na terra por carv\u00e3o. Agora, n\u00f3s, no Acre pobre, miser\u00e1veis, na Amaz\u00f4nia miser\u00e1vel, n\u00e3o temos pedra.\u201d<\/p>\n<p>&#8220;Se dentro da reserva tiver uma jazida de pedra e n\u00e3o d\u00e1 um quil\u00f4metro quadrado, n\u00e3o pode tirar porque a lei diz que n\u00e3o pode tirar. Se tiver petr\u00f3leo l\u00e1 dentro, pode tirar? N\u00e3o pode. E vai continuar assim porque n\u00e3o sou idiota e sei que, se eu apresentar um projeto de lei desses, n\u00e3o passa\u201d, completou.<\/p>\n<p>A reportagem tentou falar com Mara Rocha, mas a deputada federal n\u00e3o respondeu ao pedido de entrevista.<\/p>\n<h3 class=\"c-news__subtitle\">PRIMEIRA INTEROCE\u00c2NICA<\/h3>\n<p>O fato \u00e9 que, desde 2010, o Acre j\u00e1 tem uma liga\u00e7\u00e3o ao Pac\u00edfico peruano, via Assis Brasil (AC). Por\u00e9m a obra, quase toda executada no pa\u00eds vizinho, n\u00e3o cumpriu a promessa de transformar o estado amaz\u00f4nico em polo exportador ou corredor para a \u00c1sia. No Peru, a rodovia desatou a explos\u00e3o do desmatamento e da madeira ilegal e est\u00e1 no centro da \u201cLava Jato peruana\u201d, esc\u00e2ndalo de corrup\u00e7\u00e3o que abalou a pol\u00edtica do pa\u00eds vizinho.<\/p>\n<p>No ano em que a obra foi inaugurada, as exporta\u00e7\u00f5es do Acre representavam 0,4% do PIB estadual. Em 2018, \u00faltimo dado dispon\u00edvel, esse percentual subiu apenas para 0,7%. Os dados s\u00e3o do Minist\u00e9rio da Economia e do IBGE.<\/p>\n<p>Esse aumento da participa\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es no PIB acreano ocorreu em ritmo menor em compara\u00e7\u00e3o com a regi\u00e3o Norte. Em 2010, as vendas ao exterior dos sete estados somavam 14%. Oito anos mais tarde, esse percentual havia subido para 17,4%.<\/p>\n<p>O Acre \u00e9 o estado menos exportador do Norte. Em 2019, as vendas aos exterior somaram US$ 31,5 milh\u00f5es \u2014somente 0,2% das exporta\u00e7\u00f5es da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA estrada n\u00e3o mudou a realidade econ\u00f4mica do Acre, exceto para passear de autom\u00f3vel at\u00e9 Lima, Cuzco\u201d, diz o presidente da Confedera\u00e7\u00e3o das Associa\u00e7\u00f5es Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), o empres\u00e1rio acreano George Pinheiro.<\/p>\n<p>\u201cA expectativa era de que grande parte das empresas transportadoras faria uma via mais barata e ir pra China, pro Jap\u00e3o. Nada disso aconteceu\u201d, afirma Pinheiro.<\/p>\n<p>Questionado sobre o baixo impacto econ\u00f4mico da estrada que j\u00e1 funciona h\u00e1 dez anos, o senador Bittar disse que a rodovia \u00e9 \u201cinvi\u00e1vel\u201d pelo excesso de curvas e pela altitude elevada do percurso pelos Andes.<\/p>\n<p>&#8220;A estrada que sai por Assis Brasil (AC) tem um problema grave, sai na cordilheira alta e pega quase 5.000 metros de altura, n\u00e3o tem carreta que ande ali, tem tanta curva que \u00e9 invi\u00e1vel\u201d, afirmou. \u201cA sa\u00edda econ\u00f4mica mais importante \u00e9 pelo Juru\u00e1 porque a cordilheira alcan\u00e7a 2.000 metros de altura.\u201d<\/p>\n<p>Esse argumento, usado tamb\u00e9m por Bolsonaro em setembro, est\u00e1 errado. Entre Pucallpa e Lima, onde est\u00e1 o principal porto do pa\u00eds (Callao), a estrada passa por Cerro de Pasco, uma das cidades mais altas do mundo, a 4.338 metros de altitude.<\/p>\n<p>Bittar admitiu que n\u00e3o h\u00e1 nenhum estudo oficial de impacto econ\u00f4mico da estrada conclu\u00eddo, mas que ele prop\u00f4s a cria\u00e7\u00e3o de um comit\u00ea binacional para \u201clevantar todo o portf\u00f3lio de ambos os lados: o que eles t\u00eam que nos interessam, e o que n\u00f3s temos que os interessam\u201d.<\/p>\n<p>Apesar de defender a nova estrada, Pinheiro afirma que a conex\u00e3o entre Cruzeiro do Sul e Pucallpa, cidade com cerca de 380 mil habitantes, \u00e9 uma necessidade sobretudo local. \u201cEm termos de dist\u00e2ncias amaz\u00f4nicas, \u00e9 muito pequena [210 km em linha reta]. E seria uma liga\u00e7\u00e3o com uma cidade peruana com grande movimento comercial, industrial.\u201d<\/p>\n<p>Para o l\u00edder empresarial, a retomada do projeto se deve sobretudo \u00e0 \u201cnova perspectiva pol\u00edtica\u201d: \u201cH\u00e1 novos atores que querem fazer a estrada. Todo mundo quer ter o carimbo: \u2018Fui eu que fiz a estrada\u2019. Isso d\u00e1 sustenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, o que acho isso l\u00edcito, normal.\u201d<\/p>\n<p class=\"tagline\">A viagem dos rep\u00f3rteres Fabiano Maisonnave e Lalo de Almeida foi patrocinada por InquireFirst e pelo Departamento de Educa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica do Instituto M\u00e9dico Howard Hughes (HHMI).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"js-continue-reading-hidden\"><\/div>\n<div class=\"c-news__stars u-no-print js-continue-reading-hidden\">Fonte: <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ambiente\/2021\/04\/ressuscitada-por-bolsonaro-rodovia-ameaca-regiao-de-maior-biodiversidade-do-brasil.shtml\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ambiente\/2021\/04\/ressuscitada-por-bolsonaro-rodovia-ameaca-regiao-de-maior-biodiversidade-do-brasil.shtml<\/a><\/div>\n<div class=\"c-news__body\" data-share-text=\"\" data-news-content-text=\"\" data-disable-copy=\"\" data-continue-reading=\"\" data-continue-reading-hide-others=\".js-continue-reading-hidden\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em todo o mundo, o p\u00e1ssaro choca-do-acre s\u00f3 foi encontrado em um \u00fanico cume dentro do Parque Nacional (Parna) da Serra do Divisor. O habitat do animal arisco e de plumagem escura se limita a um bosque de vegeta\u00e7\u00e3o baixa, um dos dez tipos de floresta encontrados nessa unidade de conserva\u00e7\u00e3o, localizada na fronteira do Brasil com o Peru.<\/p>\n<p>Habitat de outros animais end\u00eamicos e de ao menos 1.163 esp\u00e9cies de plantas, a Serra do Divisor \u00e9 uma das regi\u00f5es de maior biodiversidade do mundo. Apesar disso, dois projetos em paralelo preveem a constru\u00e7\u00e3o de uma rodovia dividindo o parque em dois e a privatiza\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio do Parna, abrindo caminho ao desmatamento, ao gado e \u00e0 extra\u00e7\u00e3o mineral.<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":23647,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-23637","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-radar","category-1","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23637","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23637"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23637\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":23643,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23637\/revisions\/23643"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23647"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23637"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23637"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23637"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}