{"id":25554,"date":"2021-07-13T16:47:05","date_gmt":"2021-07-13T19:47:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/?p=25554"},"modified":"2021-08-04T17:18:08","modified_gmt":"2021-08-04T20:18:08","slug":"vitoria-movimento-indigena-pressiona-e-anglo-american-desiste-de-27-autorizacoes-para-pesquisa-de-cobre-em-territorios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/radar\/vitoria-movimento-indigena-pressiona-e-anglo-american-desiste-de-27-autorizacoes-para-pesquisa-de-cobre-em-territorios\/","title":{"rendered":"Vit\u00f3ria: Movimento ind\u00edgena pressiona e Anglo American desiste de 27 autoriza\u00e7\u00f5es para pesquisa de cobre em territ\u00f3rios"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Por Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (APIB)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Conselho Indigenista Mission\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>13 de julho de 2021<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Amaz\u00f4nia brasileira<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Campanha para mineradora desistir de explorar territ\u00f3rios ind\u00edgenas iniciou com relat\u00f3rio Cumplicidade na Destrui\u00e7\u00e3o III, em 2020. Empresa ainda tem 86 requerimentos que impactam terras ind\u00edgenas<\/em><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<div id=\"attachment_25541\" style=\"width: 1060px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-25541\" class=\"wp-image-25541 size-full\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/sawre-muybu-anglo-american-munduruku-scaled-2.jpg\" alt=\"\" width=\"1050\" height=\"591\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/sawre-muybu-anglo-american-munduruku-scaled-2.jpg 1050w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/sawre-muybu-anglo-american-munduruku-scaled-2-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/sawre-muybu-anglo-american-munduruku-scaled-2-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/sawre-muybu-anglo-american-munduruku-scaled-2-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/sawre-muybu-anglo-american-munduruku-scaled-2-500x281.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 1050px) 100vw, 1050px\" \/><p id=\"caption-attachment-25541\" class=\"wp-caption-text\"><em>Manifesta\u00e7\u00e3o do povo Munduruku na TI Sawre Muybu contra a presen\u00e7a da Anglo American e da minera\u00e7\u00e3o em seu territ\u00f3rio. Foto: Beka Munduruku\/coletivo audiovisual da TI Sawr\u00e9 Muybu<\/em><\/p><\/div>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]A mineradora inglesa Anglo American se comprometeu formalmente em retirar da Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o (ANM) 27 requerimentos aprovados para a pesquisa de cobre em territ\u00f3rios ind\u00edgenas, localizados nos estados de Mato Grosso e do Par\u00e1. O compromisso foi informado, dia 24 de maio, ap\u00f3s press\u00e3o do povo Munduruku, da Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (Apib), da Coordena\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Brasileira (Coiab) e da Amazon Watch.<\/p>\n<p>Do total de pedidos feitos pela Anglo American, que \u00e9 uma das maiores mineradoras do mundo, e aprovados pela ANM, 13 impactavam diretamente a Terra Ind\u00edgena Sawr\u00e9 Muybu, do povo Munduruku, no sudoeste do Par\u00e1.<\/p>\n<p>Segundo a mineradora, a ANM foi informada sobre a retirada e a empresa aguardava pela atualiza\u00e7\u00e3o do banco de dados da Ag\u00eancia. Em sua resposta por email \u00e0 Apib, a Anglo American afirma que com base nas preocupa\u00e7\u00f5es levantadas pelas organiza\u00e7\u00f5es e na oposi\u00e7\u00e3o dos grupos ind\u00edgenas contra a minera\u00e7\u00e3o em seus territ\u00f3rios, reavaliou essas licen\u00e7as e tomou a decis\u00e3o de retirar todas as 27.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma vit\u00f3ria, mas queremos saber se a Anglo American vai realmente cumprir a sua palavra ou se ela vai voltar ao nosso territ\u00f3rio com outros meios, como o governo faz criando novas leis para entrar em territ\u00f3rio ind\u00edgena. N\u00f3s resistimos e vamos continuar a resistir. S\u00e3o muitos ataques que sofremos, com projeto de lei dentro do Congresso, com madeireiros, garimpeiros, palmiteiros e grileiros dentro do nosso territ\u00f3rio. Ent\u00e3o, a gente n\u00e3o confia, vamos confiar apenas se daqui dois, tr\u00eas anos, n\u00f3s pudermos viver em paz. Que a Anglo American cumpra a sua palavra, porque tudo que sai no papel a gente n\u00e3o acredita, a Constitui\u00e7\u00e3o \u00e9 para ser respeitada, mas ela est\u00e1 sendo violada e rasgada\u201d, afirma Alessandra Munduruku, vice coordenadora da Federa\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Par\u00e1 (Fepipa).<\/p>\n<p>A campanha para que a Anglo American retirasse todos os requerimentos protocolados na ANM que impactassem territ\u00f3rios ind\u00edgenas teve in\u00edcio ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio Cumplicidade na Destrui\u00e7\u00e3o III, publicado pela APIB e Amazon Watch, em outubro de 2020, que apontava que a mineradora tinha quase 300 requerimentos de pesquisa registrados que incidiam sobre 18 Terras Ind\u00edgenas na Amaz\u00f4nia, algumas com a presen\u00e7a de povos ind\u00edgenas isolados. O alvo mais recente da mineradora inglesa havia sido a TI Sawr\u00e9 Muybu, no M\u00e9dio Tapaj\u00f3s, onde vive o povo Munduruku. Cinco pedidos foram feitos de 2017 a 2019.<\/p>\n<p>Confrontada com esses dados diversas vezes desde o lan\u00e7amento do relat\u00f3rio e da campanha, a Anglo American se posicionou reiteradamente afirmando ter desistido de todos os pedidos de explora\u00e7\u00e3o mineral em \u00e1reas localizadas em terras ind\u00edgenas no Brasil. No entanto, um levantamento de julho de 2021 do projeto Amaz\u00f4nia Minada, do InfoAmazonia, mostra que a Anglo American ainda possui 86 interesses miner\u00e1rios ativos na base de dados da ANM que impactam territ\u00f3rios ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>\u201cA decis\u00e3o da Anglo American \u00e9 importante e um resultado direto da resist\u00eancia dos povos ind\u00edgenas \u00e0 minera\u00e7\u00e3o em nossos territ\u00f3rios. Mas esta decis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 suficiente, porque n\u00e3o podemos esquecer que a mineradora ainda tem dezenas de pedidos para explora\u00e7\u00e3o mineral que afetam outros territ\u00f3rios ind\u00edgenas. Portanto, seguiremos firmes com nosso chamado inicial \u00e0 Anglo American: comprometer-se publicamente a n\u00e3o minerar em nenhum territ\u00f3rio ind\u00edgena no Brasil. A maioria dos povos e as comunidades ind\u00edgenas do Brasil n\u00e3o comunga com os anseios de uma minoria de indiv\u00edduos ind\u00edgenas que se iludem e dobram \u00e0s camufladas m\u00e1s inten\u00e7\u00f5es deste governo\u201d, afirmou Eloy Terena, coordenador jur\u00eddico da Apib e assessor jur\u00eddico da Coiab.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dois anos, sob gest\u00e3o do presidente de extrema direita Jair Bolsonaro, o Brasil bateu recorde de registros de pedidos de minera\u00e7\u00e3o dentro de terras ind\u00edgenas. Segundo levantamento do Amaz\u00f4nia Minada, em 2020, um total de 143 requerimentos de minera\u00e7\u00e3o que afetam terras ind\u00edgenas foram protocolados, e n\u00e3o rejeitados, na ANM \u2014 foi o maior n\u00famero em 24 anos, quase tr\u00eas vezes o resultado de 2018, \u00faltimo ano antes de Bolsonaro assumir a Presid\u00eancia. Uma onda de pedidos surgiu depois que Bolsonaro apresentou o Projeto de Lei 191, em fevereiro de 2020, que prev\u00ea a regulariza\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o mineral de terras ind\u00edgenas, cumprindo assim uma de suas promessas de campanha mais controversas. Ainda mais preocupante, 71 dos 143 pedidos feitos em 2020 foram em terras onde a Funai tem registros da exist\u00eancia de povos ind\u00edgenas isolados.<\/p>\n<p>Apenas na TI Yanomami, terra ind\u00edgena brasileira com maior \u00e1rea formalmente requisitada para minera\u00e7\u00e3o, s\u00e3o cerca de 3,3 milh\u00f5es de hectares (34,3% da \u00e1rea total da TI) requeridos para extra\u00e7\u00e3o mineral em 500 pedidos registrados na ANM \u2014 uma extens\u00e3o territorial maior do que a B\u00e9lgica (3 mi ha) ou que o estado de Alagoas (2,7 mi ha) em disputa com mineradores. Quase um ter\u00e7o de todos esses pedidos registrados buscam por ouro. Foram diversos ataques a comunidades Yanomami por garimpeiros ilegais nos \u00faltimos dois meses.<\/p>\n<p>\u201cAs empresas que seguem fazendo esses pedidos, mesmo cientes dos conflitos que a minera\u00e7\u00e3o tem levado ao territ\u00f3rio ind\u00edgenas, est\u00e3o colaborando com o projeto de destrui\u00e7\u00e3o levado a cabo pelo governo Bolsonaro. Com a amea\u00e7a do projeto de lei 191\/2020 cada vez mais pr\u00f3xima, seguiremos em campanha para que as gigantes da minera\u00e7\u00e3o, como a Anglo American, assumam uma postura compat\u00edvel com os direitos ind\u00edgenas e se posicionem contra essa proposta\u201d, afirma Rosana Miranda, consultora de campanhas da Amazon Watch.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/cimi.org.br\/2021\/07\/vitoria-movimento-indigena-pressiona-anglo-american-desiste-27-autorizacoes-pesquisa-cobre-territorios\/\">https:\/\/cimi.org.br\/2021\/07\/vitoria-movimento-indigena-pressiona-anglo-american-desiste-27-autorizacoes-pesquisa-cobre-territorios\/<\/a>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mineradora inglesa Anglo American se comprometeu formalmente em retirar da Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o (ANM) 27 requerimentos aprovados para a pesquisa de cobre em territ\u00f3rios ind\u00edgenas, localizados nos estados de Mato Grosso e do Par\u00e1. 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