{"id":25788,"date":"2021-08-15T09:57:40","date_gmt":"2021-08-15T12:57:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/?p=25788"},"modified":"2021-08-17T10:41:23","modified_gmt":"2021-08-17T13:41:23","slug":"pacto-entre-paises-onde-ha-floresta-amazonia-vai-completar-tres-anos-sem-apoio-ou-resultados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/radar\/pacto-entre-paises-onde-ha-floresta-amazonia-vai-completar-tres-anos-sem-apoio-ou-resultados\/","title":{"rendered":"Pacto entre pa\u00edses onde h\u00e1 Floresta Amaz\u00f4nia vai completar tr\u00eas anos sem apoio ou resultados"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Renato Grandelle<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Extra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>15 de agosto de 2021<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_25785\" style=\"width: 475px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-25785\" class=\" wp-image-25785\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/x93181371_paporto-velho-ro-02-06-2021-especial-amazoniaassentamento-da-flona-jacundaflorest.jpg.pagespeed.ic_.vl8DR_mI1M-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"465\" height=\"262\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/x93181371_paporto-velho-ro-02-06-2021-especial-amazoniaassentamento-da-flona-jacundaflorest.jpg.pagespeed.ic_.vl8DR_mI1M-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/x93181371_paporto-velho-ro-02-06-2021-especial-amazoniaassentamento-da-flona-jacundaflorest.jpg.pagespeed.ic_.vl8DR_mI1M-500x281.jpg 500w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/x93181371_paporto-velho-ro-02-06-2021-especial-amazoniaassentamento-da-flona-jacundaflorest.jpg.pagespeed.ic_.vl8DR_mI1M.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 465px) 100vw, 465px\" \/><p id=\"caption-attachment-25785\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Assentamento cresce em floresta em Rond\u00f4nia Foto: Brenno Carvalho \/ Ag\u00eancia O Globo<\/strong><\/p><\/div>\n<p>\u00c0s v\u00e9speras do terceiro anivers\u00e1rio de um acordo pela conserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, os pa\u00edses que contam com o bioma em seu territ\u00f3rio n\u00e3o conseguiram combater sua devasta\u00e7\u00e3o ou tra\u00e7ar um plano para captar financiamentos internacionais.<\/p>\n<p align=\"justify\">A situa\u00e7\u00e3o da floresta, na verdade, se agravou desde a assinatura, em setembro de 2019, do Pacto de Let\u00edcia pela Amaz\u00f4nia, por representantes dos governos de Bol\u00edvia, Brasil, Col\u00f4mbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname. Uma pesquisa divulgada em julho por cientistas brasileiros do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostrou que alguns trechos da floresta est\u00e3o emitindo mais gases de efeito estufa do que armazenando, o que pode acelerar ainda mais os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em todo o planeta.<\/p>\n<p align=\"justify\">A temperatura pol\u00edtica da regi\u00e3o tamb\u00e9m subiu. O presidente peruano Mart\u00edn Vizcarra, um dos idealizadores do pacto, foi sucedido por Pedro Castillo, cujos projetos para a Amaz\u00f4nia ainda s\u00e3o desconhecidos. No Brasil, o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente conta hoje com o seu menor or\u00e7amento dos \u00faltimos 21 anos, e a devasta\u00e7\u00e3o crescente rendeu um estranhamento diplom\u00e1tico entre o chefe do Executivo do pa\u00eds, Jair Bolsonaro, e o presidente Joe Biden, ainda durante a campanha eleitoral americana.<\/p>\n<h3 align=\"left\"><strong>Perda do protagonismo<\/strong><\/h3>\n<p align=\"justify\">Diante da indigna\u00e7\u00e3o internacional com o desmatamento e as queimadas, o Brasil, lar de 61,8% da floresta amaz\u00f4nica, perdeu o posto de porta-voz da regi\u00e3o para a Col\u00f4mbia. O presidente Ivan Duque, anfitri\u00e3o do Pacto de Let\u00edcia, \u00e9 hoje o principal aliado americano na Am\u00e9rica do Sul. At\u00e9 agora, no entanto, o novo l\u00edder regional n\u00e3o convenceu o mundo de que existe uma tentativa concreta de proteger a floresta.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ole Reider Bergum, conselheiro para Clima e Florestas da Noruega, considera que Duque e Vizcarra conseguiram gerar \u201cvontade pol\u00edtica\u201d para que pa\u00edses da regi\u00e3o assumissem novos compromissos relacionados \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, embora alguns cr\u00edticos tenham definido o pacto como um mero \u201cato simb\u00f3lico\u201d, que se restringiu a relembrar obriga\u00e7\u00f5es adquiridas \u2014 e, em v\u00e1rios casos, n\u00e3o cumpridas \u2014 por estas na\u00e7\u00f5es em outros acordos ambientais.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2014 Certamente seria mais f\u00e1cil atrair financiamentos internacionais se as na\u00e7\u00f5es amaz\u00f4nicas atuassem de forma conjunta. No entanto, esse compromisso deve se traduzir em resultados concretos nas pol\u00edticas p\u00fablicas de cada pa\u00eds \u2014 ressalta.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2014 Isso implica, por exemplo, em interromper a expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola, proteger \u00e1reas contra a grilagem e manter as reservas ind\u00edgenas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Professor s\u00eanior do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da Universidade de S\u00e3o Paulo (Brasil), Eduardo Viola avalia que o pacto amaz\u00f4nico, embora seja \u201cfraqu\u00edssimo\u201d, demonstrou que o continente tenta se reorganizar diante da falta de credibilidade de Bolsonaro no cen\u00e1rio internacional.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2014 O governo brasileiro \u00e9 marcado por um nacionalismo defensivo, hostil a organiza\u00e7\u00f5es globais. O discurso antiambiental de Bolsonaro \u00e9 uma amea\u00e7a ao mundo, devido ao seu grande poder de destrui\u00e7\u00e3o. A Col\u00f4mbia tornou-se mais confi\u00e1vel \u2014 explica. \u2014 Mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil firmar acordos de coopera\u00e7\u00e3o que beneficiem \u00e1reas perif\u00e9ricas, caso da floresta, onde boa parte do territ\u00f3rio est\u00e1 tomada pela guerrilha e por atividades econ\u00f4micas ilegais.<\/p>\n<p align=\"justify\">Embora tenha perdido o protagonismo geopol\u00edtico no discurso ambiental, o Brasil segue como maior captador de investimentos para a conserva\u00e7\u00e3o do bioma. O pa\u00eds angaria \u201cquase 70, 80%\u201d de todos os recursos internacionais destinados \u00e0 floresta, segundo Rodrigo Botero, diretor da Funda\u00e7\u00e3o para a Conserva\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, da Col\u00f4mbia. \u00c9, segundo ele, uma distribui\u00e7\u00e3o desproporcional de verbas, que ignora esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o realizados pelas na\u00e7\u00f5es da Amaz\u00f4nia Andina.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2014 O Brasil capta quase 70,80% do financiamento total devido \u00e0 vis\u00e3o de que, em termos clim\u00e1ticos, o aspecto mais importante \u00e9 a quantidade de floresta. No entanto, considerando a conserva\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica, Col\u00f4mbia, Equador, Peru e Bol\u00edvia s\u00e3o muito importantes, devido a quest\u00f5es como a distribui\u00e7\u00e3o da biodiversidade por quil\u00f4metro quadrado e a sensibilidade cultural aos povos ind\u00edgenas \u2014 defende Botero, acrescentando que as quatro na\u00e7\u00f5es mant\u00eam uma regi\u00e3o da floresta fundamental para a regula\u00e7\u00e3o do clima na regi\u00e3o entre a Amaz\u00f4nia e os Andes.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mestre em Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica pela Universidade de Harvard e diretora-presidente do Instituto Talanoa (Brasil), Natalie Unterstell assegura que n\u00e3o faltam recursos internacionais para a conserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia:<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2014 H\u00e1 verbas para quem apresenta boas propostas. A Argentina captou recentemente US$ 90 milh\u00f5es no Fundo Verde do Clima para combater o desmatamento. Os pa\u00edses amaz\u00f4nicos devem se empenhar no desenvolvimento de projetos. \u00c9 preciso compartilhar os custos recorrentes necess\u00e1rios para a preserva\u00e7\u00e3o da floresta, que exige medidas como a preven\u00e7\u00e3o de queimadas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para Germ\u00e1n Andrade, professor da Universidade dos Andes (Col\u00f4mbia), a Amaz\u00f4nia n\u00e3o pode ficar sujeita a acordos fracos, excessivamente dependentes da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos pa\u00edses da regi\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2014 A Amaz\u00f4nia precisa ser reconhecida pelo seu car\u00e1ter ecol\u00f3gico e estrat\u00e9gico, ou seja, como algo al\u00e9m da separa\u00e7\u00e3o artificial entre cada pa\u00eds. O mundo precisa caminha para um acordo regional com apoio global para a conserva\u00e7\u00e3o da floresta.<\/p>\n<h3 align=\"left\"><strong>Isolamento venezuelano<\/strong><\/h3>\n<p align=\"justify\">Detentora de 5,6% da floresta amaz\u00f4nica, o equivalente a 470 mil km\u00b2, a Venezuela n\u00e3o foi convidada para a assinatura do Pacto de Let\u00edcia. De acordo com Eduardo Viola, a \u201ctrag\u00e9dia humanit\u00e1ria\u201d que assola o pa\u00eds \u2014 definido por ele como \u201cpraticamente falido\u201d \u2014 dificulta o conhecimento sobre a atual situa\u00e7\u00e3o do bioma em seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p align=\"justify\">O governo de Caracas foi exclu\u00eddo do pacto devido a suas diverg\u00eancias ideol\u00f3gicas com os pa\u00edses vizinhos. De acordo com o jornalista ambiental venezuelano Edgar Cherubini, ver o presidente Nicol\u00e1s Maduro reivindicando o bem-estar da Amaz\u00f4nia seria o \u201cc\u00famulo do cinismo\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">O rep\u00f3rter, radicado na Fran\u00e7a, avalia que Maduro renunciou \u00e0 soberania de mais de 180 mil km\u00b2 da floresta em troca do apoio de organiza\u00e7\u00f5es criminosas, que promovem a extra\u00e7\u00e3o indiscriminada de minerais, o corte de \u00e1rvores e a persegui\u00e7\u00e3o a ind\u00edgenas.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2014 A Venezuela se isolou de f\u00f3runs internacionais e de tratados que os pa\u00edses vizinhos mant\u00eam contra desastres ecol\u00f3gicos na Amaz\u00f4nia \u2014 assinala Cherubini. \u2014 Seria imposs\u00edvel que Maduro se comprometesse com sua preserva\u00e7\u00e3o sem trair a sua pr\u00f3pria pol\u00edtica. O presidente \u00e9 o mais impiedoso depredador da floresta e violador dos direitos humanos dos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/extra.globo.com\/noticias\/brasil\/pacto-entre-paises-onde-ha-floresta-amazonia-vai-completar-tres-anos-sem-apoio-ou-resultados-25154975.html\">https:\/\/extra.globo.com\/noticias\/brasil\/pacto-entre-paises-onde-ha-floresta-amazonia-vai-completar-tres-anos-sem-apoio-ou-resultados-25154975.html<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0s v\u00e9speras do terceiro anivers\u00e1rio de um acordo pela conserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, os pa\u00edses que contam com o bioma em seu territ\u00f3rio n\u00e3o conseguiram combater sua devasta\u00e7\u00e3o ou tra\u00e7ar um plano para captar financiamentos internacionais.<br \/>\nA situa\u00e7\u00e3o da floresta, na verdade, se agravou desde a assinatura, em setembro de 2019, do Pacto de Let\u00edcia pela Amaz\u00f4nia, por representantes dos governos de Bol\u00edvia, Brasil, Col\u00f4mbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname. Uma pesquisa divulgada em julho por cientistas brasileiros do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostrou que alguns trechos da floresta est\u00e3o emitindo mais gases de efeito estufa do que armazenando, o que pode acelerar ainda mais os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em todo o planeta.<\/p>\n","protected":false},"author":329,"featured_media":25785,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-25788","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-radar","category-1","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25788","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/329"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25788"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25788\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25791,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25788\/revisions\/25791"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25785"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25788"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25788"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25788"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}