{"id":26981,"date":"2021-10-12T20:18:14","date_gmt":"2021-10-12T23:18:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/?p=26981"},"modified":"2021-10-15T21:14:17","modified_gmt":"2021-10-16T00:14:17","slug":"amacro-a-nova-velha-fronteira-do-desmatamento-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/radar\/amacro-a-nova-velha-fronteira-do-desmatamento-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Amacro: a nova (velha) fronteira do desmatamento na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>O eco<br \/>\n<\/strong><strong>F\u00e1bio Pontes<br \/>\n12 de outubro de 2021<br \/>\nAmaz\u00f4nia brasileira<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Apesar de toda a fartura de terras dispon\u00edveis para fazer da divisa Amacro a pot\u00eancia do agroneg\u00f3cio, mais e mais hectares de floresta s\u00e3o derrubados e queimados a cada nascer do sol<\/em><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o de duas grandes opera\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Federal, na semana que passou, exp\u00f4s o grave problema do aumento descontrolado do desmatamento e das queimadas num complexo e delicado ponto da regi\u00e3o amaz\u00f4nica: a tr\u00edplice divisa entre Acre, Amazonas e Rond\u00f4nia. Ao mesmo tempo que sofre com as consequ\u00eancias do roubo de terras p\u00fablicas, a regi\u00e3o entre os tr\u00eas estados \u00e9 cobi\u00e7ada por pol\u00edticos locais para se tornar uma zona de desenvolvimento do agroneg\u00f3cio no Norte do pa\u00eds, replicando o modelo do Matopiba: Maranh\u00e3o, Tocantins, Piau\u00ed e Bahia.<\/p>\n<p>Para isso, o encontro geogr\u00e1fico entre os tr\u00eas estados amaz\u00f4nicos j\u00e1 tem at\u00e9 uma nomenclatura: Amacro, que \u00e9 a uni\u00e3o das siglas de Amazonas, Acre e Rond\u00f4nia. Todavia, antes de se tornar uma pot\u00eancia do agroneg\u00f3cio, a tr\u00edplice divisa vem sendo preparada para receber o boi e a soja por meio do desmatamento, da invas\u00e3o de terras p\u00fablicas \u2013 incluindo unidades de conserva\u00e7\u00e3o e terras ind\u00edgenas \u2013, das queimadas e da extra\u00e7\u00e3o de madeiras para alimentar um segmento quase que todo ele operando na ilegalidade.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a verdadeira realidade da nova fronteira do desenvolvimento amaz\u00f4nico proposta pelas lideran\u00e7as pol\u00edticas locais, tendo os governadores do Acre, Gladson Cameli (PP), e de Rond\u00f4nia, coronel Marcos Rocha (PSL), como principais entusiastas. A dupla, por sinal, sofre de alergia quando o assunto \u00e9 pol\u00edtica de prote\u00e7\u00e3o para a Amaz\u00f4nia. Na vis\u00e3o deles, floresta boa \u00e9 floresta no ch\u00e3o. S\u00f3 o boi e a soja proporcionam o desenvolvimento econ\u00f4mico, segundo a concep\u00e7\u00e3o deles.<\/p>\n<p>As divisas entre Acre, Amazonas e Rond\u00f4nia atualmente j\u00e1 possuem terras abertas o suficiente para a cria\u00e7\u00e3o de gado ou o cultivo de gr\u00e3os. \u00c9 verdade que uma parte est\u00e1 com o solo degradado, improdutivo. Por\u00e9m, basta um pouco de pol\u00edticas p\u00fablicas para se investir em tecnologia, que \u00e9 poss\u00edvel recuper\u00e1-las, ampliando a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola sem a necessidade de novos desmates. Ao inv\u00e9s disso, o mais barato \u00e9 fazer mais desmatamento. A impunidade est\u00e1 garantida.<\/p>\n<p>Ao se percorrer a BR-364, entre Rio Branco e Porto Velho, o \u00fanico cen\u00e1rio encontrado s\u00e3o de grandes fazendas, cujas extens\u00f5es os olhos n\u00e3o alcan\u00e7am o fim. Quando n\u00e3o encontramos pasto, h\u00e1 os vilarejos \u00e0s margens da estrada com serrarias de p\u00e1tios abarrotados de toras. Saber de onde elas saem de uma \u00e1rea j\u00e1 t\u00e3o devastada \u00e9 a quest\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_26985\" style=\"width: 653px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26985\" class=\"wp-image-26985 \" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/AMACRO_mapa-05-01-1024x622.png\" alt=\"\" width=\"643\" height=\"390\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/AMACRO_mapa-05-01-1024x622.png 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/AMACRO_mapa-05-01-300x182.png 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/AMACRO_mapa-05-01-768x466.png 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/AMACRO_mapa-05-01-1536x933.png 1536w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/AMACRO_mapa-05-01-2048x1243.png 2048w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/AMACRO_mapa-05-01-500x304.png 500w\" sizes=\"(max-width: 643px) 100vw, 643px\" \/><p id=\"caption-attachment-26985\" class=\"wp-caption-text\">\u00c1rea prevista para a futura Amacro, de acordo com informa\u00e7\u00f5es da Secretaria de Produ\u00e7\u00e3o e Agroneg\u00f3cio do Acre e da Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do estado de Rond\u00f4nia. Arte: J\u00falia Lima<\/p><\/div>\n<p>Apesar de toda a fartura de terras dispon\u00edveis para fazer da divisa Amacro a pot\u00eancia do agroneg\u00f3cio, mais e mais hectares de floresta s\u00e3o derrubados e queimados a cada nascer do sol \u2013 neste nosso t\u00f3rrido e seco \u201cver\u00e3o amaz\u00f4nico\u201d.<\/p>\n<p>E n\u00e3o se trata de abertura de \u00e1reas feitas por grupos de movimentos sem-terra para ocupar um lote. \u00c9 gente grande, j\u00e1 dona de verdadeiros latif\u00fandios querendo ampliar suas posses. Foi o que revelou a opera\u00e7\u00e3o Tayssu, realizada pela Pol\u00edcia Federal na \u00faltima quinta-feira (7), que descobriu a exist\u00eancia de uma organiza\u00e7\u00e3o criminosa formada por empres\u00e1rios e um ex-parlamentar do Acre, dono de grandes fazendas, para grilar terras da Uni\u00e3o no munic\u00edpio amazonense de Boca do Acre.<\/p>\n<p>O munic\u00edpio do sul do Amazonas j\u00e1 \u00e9 conhecido pelos intensos conflitos fundi\u00e1rios que, num passado nem t\u00e3o distante, j\u00e1 resultaram em mortes, tentativas de homic\u00eddio e amea\u00e7as a quem ousa denunciar a ind\u00fastria da invas\u00e3o. E grande parte dessa invas\u00e3o \u00e9 feita por fazendeiros cujas propriedades come\u00e7am no Acre, e cruzam a linha Cunha Gomes, que \u00e9 o tra\u00e7ado imagin\u00e1rio que separa o estado do Amazonas. Os dois estados est\u00e3o interligados pela BR-317, cujas margens j\u00e1 viraram pasto j\u00e1 faz muitas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>E essa tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 a primeira grande opera\u00e7\u00e3o policial feita para combater a grilagem na tr\u00edplice divisa. A PF pediu o bloqueio de quase R$ 30 milh\u00f5es dos investigados. Este \u00e9 o valor dos danos ambientais causados pela derrubada de 1.600 hectares de floresta que viraram fazendas, cuja posse legal foi \u201cesquentada\u201d gra\u00e7as \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de servidores do Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra) no esquema.<\/p>\n<p>Dois dias antes, a opera\u00e7\u00e3o Mundo Novo, tamb\u00e9m da Pol\u00edcia Federal, desarticulou outra quadrilha de grileiros, cuja atua\u00e7\u00e3o era se apropriar de terras p\u00fablicas para, depois, revend\u00ea-las. Uma pr\u00e1tica bastante comum na regi\u00e3o. De acordo com as investiga\u00e7\u00f5es, ao menos R$ 3 milh\u00f5es foram \u201cinvestidos\u201d para levar ao ch\u00e3o 1.900 hectares de Floresta Amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o de mata devastada fica no Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Antimary, no munic\u00edpio de Sena Madureira (AC). O complexo de florestas do Antimary abarca os dois lados da linha Cunha Gomes; tanto do lado do Acre quanto do Amazonas. Ele \u00e9 bastante impactado pela grilagem e roubo de madeira por causa da fartura de esp\u00e9cies de alto valor comercial. Nem mesmo a exist\u00eancia de duas unidades de conserva\u00e7\u00e3o \u2013 a Floresta Estadual do Antimary, no Acre, e a Reserva Extrativista Arapixi, no Amazonas \u2013 protegem a \u00e1rea da a\u00e7\u00e3o dos desmatadores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_115283\" style=\"width: 684px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-115283\" class=\"jetpack-lazy-image shadow jetpack-lazy-image--handled wp-image-115283\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/opPFAC.jpg\" alt=\"\" width=\"674\" height=\"379\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><p id=\"caption-attachment-115283\" class=\"wp-caption-text\">Desmatamento flagrado pela PF na opera\u00e7\u00e3o Tayssu. Foto: Assessoria PF\/AC.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Toda a fragilidade e completa aus\u00eancia de pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o ambiental pelos governos locais na tr\u00edplice divisa est\u00e3o refletidas nos monitoramentos de desmatamento e queimadas. Conforme o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amaz\u00f4nia, o Imazon, dos dez munic\u00edpios da Amaz\u00f4nia Legal que mais desmataram em agosto, metade est\u00e1 na Amachttps:\/\/oeco.org.br\/analises\/amacro-a-nova-velha-fronteira-do-desmatamento-na-amazonia\/ro: L\u00e1brea (AM), Boca do Acre (AM), Porto Velho (RO), Sena Madureira (AC) e Feij\u00f3 (AC).<\/p>\n<p>Neste \u00faltimo, h\u00e1 o projeto da abertura de uma estrada para interlig\u00e1-lo ao vizinho amazonense Envira. Ano passado, o governador do Acre, Gladson Cameli, chegou a comemorar o in\u00edcio da abertura da rodovia, postando fotos em suas redes sociais mostrando m\u00e1quinas rasgando a floresta. Sem licen\u00e7a ambiental, a obra foi embargada.<\/p>\n<p>Ao se olhar os dados sobre o registro de fogo ao longo de 2021 na Amaz\u00f4nia Legal, as capitais do Acre, Rio Branco, e de Rond\u00f4nia, Porto Velho, est\u00e3o entre os 20 munic\u00edpios com as maiores quantidades de queimadas. Porto Velho s\u00f3 perde para a vizinha L\u00e1brea no n\u00famero de focos de calor. Como se sabe, o fogo \u00e9 usado aqui na regi\u00e3o tanto para fazer a limpeza de ro\u00e7ados e pastagens, quanto para consolidar as \u00e1reas de floresta recentemente derrubadas.<\/p>\n<p>Juntos, Acre, Amazonas e Rond\u00f4nia responderam por metade dos 1.606 quil\u00f4metros quadrados de Floresta Amaz\u00f4nica desmatada em agosto, segundo detectou o Imazon. Toda essa mata derrubada literalmente vira fuma\u00e7a enquanto \u00e9 queimada. E dessa forma, a mais nova fronteira do agroneg\u00f3cio, consolida-se na regi\u00e3o Norte impulsionada por um ambiente pol\u00edtico bastante favor\u00e1vel \u00e0 pr\u00e1tica de crimes que ficar\u00e3o impunes. E logo mais, daqui uns anos, toda essa floresta devastada de forma criminosa, ser\u00e1 apresentada como o novo celeiro agr\u00edcola do Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte:<a href=\"https:\/\/oeco.org.br\/analises\/amacro-a-nova-velha-fronteira-do-desmatamento-na-amazonia\/\"> https:\/\/oeco.org.br\/analises\/amacro-a-nova-velha-fronteira-do-desmatamento-na-amazonia\/<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O eco F\u00e1bio Pontes 12 de outubro de 2021 Amaz\u00f4nia brasileira &nbsp; Apesar de toda a fartura de terras dispon\u00edveis para fazer da divisa Amacro a pot\u00eancia do agroneg\u00f3cio, mais e mais hectares de floresta s\u00e3o derrubados e queimados a cada nascer do sol &nbsp; A realiza\u00e7\u00e3o de duas grandes opera\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Federal, na&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":333,"featured_media":26982,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-26981","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-radar","category-1","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26981","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/333"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26981"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26981\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26990,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26981\/revisions\/26990"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26982"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26981"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26981"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26981"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}