{"id":27091,"date":"2021-10-19T17:16:28","date_gmt":"2021-10-19T20:16:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/?p=27091"},"modified":"2021-10-19T17:18:10","modified_gmt":"2021-10-19T20:18:10","slug":"paises-importadores-de-ouro-do-brasil-estimulam-garimpo-ilegal-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/radar\/paises-importadores-de-ouro-do-brasil-estimulam-garimpo-ilegal-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Pa\u00edses importadores de ouro do Brasil estimulam garimpo ilegal na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong><a href=\"https:\/\/brasil.mongabay.com\/by\/jennifer-ann-thomas\/\" rel=\"tag\" data-wpel-link=\"internal\">Jennifer Ann Thomas<\/a><br \/>\nMongabay<\/strong><br \/>\n<strong>19 de outubro de 2021<br \/>\nAmaz\u00f4nia Brasileira<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<div class=\"bulletpoints\">\n<ul>\n<li><em>Entre 2019 e 2020, 49 toneladas de ouro foram extra\u00eddas de \u00e1reas com evid\u00eancias de irregularidades, como Terras Ind\u00edgenas e Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o, segundo estudo da UFMG; 90% vieram da Amaz\u00f4nia.<\/em><\/li>\n<li><em>Quase toda a produ\u00e7\u00e3o de ouro do pa\u00eds \u00e9 exportada, sendo que Canad\u00e1, Su\u00ed\u00e7a e Reino Unido adquiriram, juntos, 72% do total no mesmo per\u00edodo.<\/em><\/li>\n<li><em>A\u00e7\u00e3o do MPF pediu a suspens\u00e3o de tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es financeiras que compram 4,3 toneladas de ouro ilegal na Amaz\u00f4nia.<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p>No final de agosto, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal pediu <a href=\"http:\/\/www.mpf.mp.br\/pa\/sala-de-imprensa\/noticias-pa\/mpf-pede-suspensao-de-instituicoes-financeiras-que-compraram-ouro-ilegal-no-para\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">a suspens\u00e3o de tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es financeiras<\/a> que compraram ouro ilegal no Par\u00e1. De acordo com a a\u00e7\u00e3o, as distribuidoras de valores mobili\u00e1rios (DTVMs) FD\u2019Gold, Carol e OM foram acusadas de levar ao mercado nacional e internacional mais de 4,3 toneladas de ouro ilegal nos anos de 2019 e 2020, extra\u00eddo em garimpos ilegais na regi\u00e3o sudoeste do Par\u00e1.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de terem as atividades suspensas na regi\u00e3o, as empresas podem ser condenadas a pagar um total de 10,6 bilh\u00f5es por danos sociais e ambientais.A a\u00e7\u00e3o do MPF teve como base o estudo \u201c<a href=\"http:\/\/www.lagesa.org\/wp-content\/uploads\/documents\/Manzolli_Rajao_21_Ilegalidade%20cadeia%20do%20Ouro.pdf\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Legalidade da produ\u00e7\u00e3o de ouro no Brasil<\/a>\u201d, feito em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).<\/p>\n<p>Os dados coletados pelos pesquisadores estimaram que, das 174 toneladas de ouro comercializadas pelo Brasil em 2019 e 2020, 49 toneladas foram extra\u00eddas de \u00e1reas com evid\u00eancias de irregularidades, como Terras Ind\u00edgenas e Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o. Segundo o estudo, estima-se que 90% do ouro ilegal extra\u00eddo nesse per\u00edodo teve origem na Amaz\u00f4nia, gerando preju\u00edzos socioambientais de R$ 31,4 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Os dados para o estudo foram obtidos a partir do cruzamento de declara\u00e7\u00f5es de transa\u00e7\u00f5es de compra\/venda de ouro, registros de Permiss\u00f5es de Lavras Garimpeiras (PLGs) da Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o e imagens de monitoramento por sat\u00e9lite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).<\/p>\n<p>Para um dos autores do estudo, Raoni Raj\u00e3o, coordenador do Laborat\u00f3rio de Gest\u00e3o de Servi\u00e7os Ambientais da UFMG, a quest\u00e3o primordial que a pesquisa indica \u00e9 que h\u00e1 uma responsabilidade compartilhada com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s ilegalidades na comercializa\u00e7\u00e3o do ouro. \u201cGrande parte do que o Brasil produz \u00e9 para ser exportado. Os pa\u00edses envolvidos precisam estabelecer crit\u00e9rios mais rigorosos para a importa\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<p>De acordo com dados do Minist\u00e9rio da Economia e de produ\u00e7\u00e3o da ANM, quase toda a produ\u00e7\u00e3o de ouro do pa\u00eds \u00e9 exportada, sendo que Canad\u00e1, Su\u00ed\u00e7a e Reino Unido adquiriram, juntos, 72% do total entre 2019 e 2020.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_187852\" style=\"width: 681px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-187852\" class=\"wp-image-187852\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/02\/01183454\/sare.jpg\" sizes=\"(max-width: 1148px) 100vw, 1148px\" srcset=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/02\/01183454\/sare.jpg 1148w, https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/02\/01183454\/sare-768x535.jpg 768w, https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/02\/01183454\/sare-610x425.jpg 610w\" alt=\"\" width=\"671\" height=\"468\" \/><p id=\"caption-attachment-187852\" class=\"wp-caption-text\">Garimpo ilegal no Parque Nacional do Jamanxim, no Par\u00e1. Foto: Felipe Werneck\/Ibama.<\/p><\/div>\n<h3><strong>Pandemia elevou o pre\u00e7o do ouro<\/strong><\/h3>\n<p>Segundo o diretor de conserva\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o do WWF-Brasil, Edegar de Oliveira, o crescimento das exporta\u00e7\u00f5es e da atividade de garimpo tem a ver com o aumento no pre\u00e7o do ouro durante a pandemia.<\/p>\n<p>Na Bolsa de Valores brasileira, a B3, o metal teve valoriza\u00e7\u00e3o de 55,9% no ano passado. Pela primeira vez, a cota\u00e7\u00e3o do ouro superou os 2 mil d\u00f3lares por on\u00e7a-troy. O aporte nas barras douradas \u00e9 visto como um investimento seguro por bancos centrais e fundos de investimento, que pouco se interessam pelos impactos socioambientais que a extra\u00e7\u00e3o desse ouro possa causar e se isentam de conferir os estragos causados pela cadeia da explora\u00e7\u00e3o desse recurso. No Brasil, o produto \u00e9 facilmente \u201cesquentado\u201d e inserido dentro de uma cadeia comercial como se fosse legal.<\/p>\n<p>Depois que o ouro \u00e9 extra\u00eddo, ele \u00e9 vendido para as DTVMs, entidades certificadas pelo Banco Central, que t\u00eam pontos de vendas locais, pr\u00f3ximos \u00e0s regi\u00f5es de extra\u00e7\u00e3o. Nessa transa\u00e7\u00e3o, o ouro \u00e9 \u201cesquentado\u201d porque os requerimentos de comprova\u00e7\u00e3o de origem s\u00e3o m\u00ednimos e o material consegue entrar na cadeia produtiva como se tivesse sido extra\u00eddo de um garimpo legal.<\/p>\n<p>De acordo com Oliveira, o impacto social e ambiental da atividade \u00e9 muito extenso. Em m\u00e9dia, a extra\u00e7\u00e3o de 100 gramas de ouro gera o desmatamento de 14 hectares. Na Amaz\u00f4nia, a minera\u00e7\u00e3o como um todo foi respons\u00e1vel pelo desmatamento de aproximadamente 1,2 milh\u00f5es de hectares entre 2005 e 2015.<\/p>\n<p>\u201cEsse desmatamento reduz a possibilidade do desenvolvimento de atividades de manejo respons\u00e1vel dos recursos, al\u00e9m de contribuir com o agravamento da crise clim\u00e1tica\u201d, diz.<\/p>\n<p>O impacto tamb\u00e9m \u00e9 severo nas popula\u00e7\u00f5es humanas e de animais silvestres, que mant\u00eam o equil\u00edbrio da floresta. A contamina\u00e7\u00e3o de peixes por merc\u00fario, por exemplo, amea\u00e7a a soberania e a seguran\u00e7a alimentares de diversas comunidades tradicionais.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a da minera\u00e7\u00e3o em terras ind\u00edgenas tamb\u00e9m \u00e9 um fator de desequil\u00edbrio social. \u201cA coopta\u00e7\u00e3o de ind\u00edgenas afeta a estabilidade social local e gera conflitos. A crescente influ\u00eancia e participa\u00e7\u00e3o de redes do crime organizado, como o PCC, produz viol\u00eancia em locais antes pouco povoados e sem qualquer apoio do estado para lidar com o problema\u201d, afirma Oliveira, da WWF-Brasil. \u201cA paz na Amaz\u00f4nia tem sido amea\u00e7ada, muito semelhante ao processo promovido pelas Farc, na Col\u00f4mbia, algo que pode gerar s\u00e9rios desdobramentos para o Brasil.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com Raj\u00e3o, da UFMG, a l\u00f3gica da explora\u00e7\u00e3o de ouro \u00e9 parecida com o pensamento aplicado \u00e0 agricultura. \u201cN\u00e3o h\u00e1 no DNA da carne e da soja o campo onde o produto foi produzido. \u00c9 poss\u00edvel e h\u00e1 espa\u00e7o para fraude. Se n\u00e3o tem rastreabilidade, uma liga\u00e7\u00e3o de papel, que mostra as diferentes etapas da cadeia, a possibilidade de que seja de origem ilegal aumenta muito. Para o ouro \u00e9 a mesma coisa\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Com a a\u00e7\u00e3o do MPF, a expectativa \u00e9 que se caminhe em dire\u00e7\u00e3o a uma obrigatoriedade por parte das empresas de verificar as informa\u00e7\u00f5es sobre a origem do ouro antes de realizar a compra. \u201cPrecisamos aprender com os erros e organizar as informa\u00e7\u00f5es para que elas possam ser acessadas por toda a sociedade e garantir transpar\u00eancia\u201d, disse Raj\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jennifer Ann Thomas Mongabay 19 de outubro de 2021 Amaz\u00f4nia Brasileira Entre 2019 e 2020, 49 toneladas de ouro foram extra\u00eddas de \u00e1reas com evid\u00eancias de irregularidades, como Terras Ind\u00edgenas e Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o, segundo estudo da UFMG; 90% vieram da Amaz\u00f4nia. 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