{"id":28146,"date":"2021-11-05T16:28:43","date_gmt":"2021-11-05T19:28:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/?p=28146"},"modified":"2021-11-08T16:37:01","modified_gmt":"2021-11-08T19:37:01","slug":"quem-financia-hidreletricas-na-amazonia-ou-qualquer-lugar-do-mundo-nao-financia-desenvolvimento-mas-assassinato-declara-a-cacica-juma-xipaia-na-cop26","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/radar\/quem-financia-hidreletricas-na-amazonia-ou-qualquer-lugar-do-mundo-nao-financia-desenvolvimento-mas-assassinato-declara-a-cacica-juma-xipaia-na-cop26\/","title":{"rendered":"\u201cQuem financia hidrel\u00e9tricas na Amaz\u00f4nia ou qualquer lugar do mundo, n\u00e3o financia desenvolvimento, mas assassinato\u201d, declara a cacica Juma Xipaia, na COP26"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Conex\u00e3o planeta<\/strong><br \/>\n<strong>M\u00f4nica Nunes<\/strong><br \/>\n<strong>05 de novembro de 2021<\/strong><\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Atualizado em 6\/11\/2021 para contar sobre o apoio de Leonardo DiCaprio ao Instituto Juma <\/em><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ontem, 4\/11, a jovem cacica<strong> <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/juma_xipaia\/\">Juma Xipaia<\/a><\/strong>, do <strong><a href=\"https:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/Povo:Xipaya\">povo ind\u00edgena Xipaia<\/a><\/strong>, do Par\u00e1, participou do painel <strong>\u2018Hidrel\u00e9tricas: a solu\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica condenada pela crise clim\u00e1tica?\u2019<\/strong>, na <strong>Confer\u00eancia da ONU sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas<\/strong>, a <strong>COP26<\/strong>, realizada em Glasgow, na Esc\u00f3cia, e fez uma declara\u00e7\u00e3o contundente.<\/p>\n<p>Ela chamou a aten\u00e7\u00e3o para a <strong>responsabilidade dos financiadores<\/strong> de diversos pa\u00edses do mundo na <strong>destrui\u00e7\u00e3o ambiental<\/strong> e nas <strong>amea\u00e7as aos<\/strong> <strong>povos origin\u00e1rio<\/strong>s, que investem em empreendimentos na <strong>Amaz\u00f4nia<\/strong>, como a <strong>hidrel\u00e9trica de Belo Monte<\/strong>, financiada n\u00e3o s\u00f3 pelo governo e empres\u00e1rios brasileiros, como tamb\u00e9m por grupos internacionais.<\/p>\n<p>\u201cO rio \u00e9 vida. Ent\u00e3o, Belo Monte \u00e9 morte, sim, n\u00e3o \u00e9 desenvolvimento. Quem financia projetos como <strong>hidrel\u00e9tricas <\/strong>e <strong>mineradoras<\/strong>, \u00e9 <strong>assassino<\/strong> tanto quanto o governo brasileiro, e precisa saber disso. Voc\u00ea que financia <strong>hidrel\u00e9tricas na Amaz\u00f4nia<\/strong> ou em qualquer outro lugar do mundo, voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 financiando desenvolvimento, voc\u00ea est\u00e1 financiando <strong>assassinato<\/strong>!\u201d, sentenciou Juma, que completou:<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea precisa ser respons\u00e1vel por isso e n\u00e3o somente o governo brasileiro porque o dinheiro que construiu a <strong>hidrel\u00e9trica de Belo Monte<\/strong>, por exemplo, tamb\u00e9m veio de fora. N\u00e3o \u00e9 somente do Brasil. E essas pessoas precisam ser responsabilizadas por isso, tanto quanto o <strong>governo genocida<\/strong>!\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEsses projetos s\u00e3o <strong>para silenciar, pra torturar, pra matar<\/strong>. \u00c9 pra tirar o nosso territ\u00f3rio, o nosso modo de vida de uma forma t\u00e3o violenta, por meio da trucul\u00eancia, por meio da <strong>corrup\u00e7\u00e3o<\/strong> e da <strong>coopta\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as indigenas <\/strong>tamb\u00e9m. N\u00e3o teve consulta, n\u00e3o teve orienta\u00e7\u00e3o. Chegaram destruindo o nosso lar e tirando os nossos sonhos e impactando diretamente as nossas vidas e condenando o nosso futuro\u201d.<\/p>\n<h3><strong>A pot\u00eancia das jovens ind\u00edgenas na COP26<\/strong><\/h3>\n<p>Juma \u00e9 mais uma jovem destemida que fala na <em>COP26<\/em>, e, com sua fala potente, representa n\u00e3o s\u00f3 o seu povo \u2013 que a escolheu como l\u00edder \u2013 mas, tamb\u00e9m, todas as mulheres ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>A primeira jovem lideran\u00e7a a colocar esses povos em destaque nesse encontro de l\u00edderes mundiais foi Txai Suru\u00ed, de 24 anos. Ela fez um discurso lindo no segundo dia, na plen\u00e1ria, e foi ouvida por Joe Biden e Boris Johnson, entre outros, <a href=\"https:\/\/conexaoplaneta.com.br\/blog\/os-povos-indigenas-estao-na-linha-de-frente-da-emergencia-climatica-por-isso-devem-estar-no-centro-das-decisoes-aqui-diz-a-jovem-txai-surui-na-cop26\/\">como contei aqui<\/a>. \u00c9 filha do <strong>cacique Almir Suru\u00ed <\/strong>e da <strong>indigenista<\/strong> <strong>Neidinha Suru\u00ed<\/strong>. Baita heran\u00e7a.<\/p>\n<p>Ambas integram a <a href=\"https:\/\/conexaoplaneta.com.br\/blog\/brasil-tem-a-maior-delegacao-indigena-brasileira-da-historia-das-conferencias-de-clima-da-onu\/\">maior delega\u00e7\u00e3o ind\u00edgena brasileira<\/a> presente em uma confer\u00eancia clim\u00e1tica da ONU.<\/p>\n<h3><strong>Apoio de DiCaprio<\/strong><\/h3>\n<p>Em 2\/11, o ator e Mensageiro da Paz da ONU, <strong>Leonardo DiCaprio<\/strong>, participou de jantar com diversas personalidades. Reviu indigenas como Sonia Guajajara e conheceu Juma. Ciente do drama vivido na regi\u00e3o de Belo Monte, pediu \u00e0 jovem cacica para contar-lhe detalhes sobre a destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Profundamente tocado, ele se comprometeu a ajud\u00e1-la e anunciou apoio a seu instituto (saiba mais <a href=\"https:\/\/conexaoplaneta.com.br\/blog\/leonardo-dicaprio-se-compromete-a-apoiar-instituto-da-jovem-cacica-juma-xipaia-que-denunciou-belo-monte-na-cop26\/\">neste link<\/a>).<\/p>\n<h3><strong>Quem \u00e9 Juma Xipaia<\/strong><\/h3>\n<p>Juma nasceu em 1991 na <strong>aldeia Tukam\u00e3<\/strong>, comunidade Xipaia que fica \u00e0 beira do Rio Iriri, a cerca de 400 quil\u00f4metros de Altamira, a cidade mais prejudicada pela constru\u00e7\u00e3o de Belo Monte. E, antes de completar 18 anos, se envolveu num dos principais movimentos de luta pelos<strong> direitos dos povos ind\u00edgenas<\/strong> impactos pela obra, o <strong><a href=\"https:\/\/www.fundobrasil.org.br\/en\/projeto\/xingu-forever-movement-pa\/\">Xingu Forever<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p>Foi essa sua postura de combate que inspirou os indigenas de Tukam\u00e3 a nomearem Juma como<strong> cacica<\/strong> da aldeia, em 2015, quando ela tinha apenas 24 anos. E, assim, Juma se tornou <strong>a primeira mulher a liderar uma comunidade<\/strong> Xipaia.<\/p>\n<p>A confian\u00e7a em seu ativismo fortaleceu a jovem a se aprofundar nos planos da Norte Energia \u2013 grupo de empresas respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o de Belo Monte \u2013 e a descobrir viola\u00e7\u00f5es, al\u00e9m da pol\u00edtica de coopta\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as, que favoreceu o empreendimento. Foi o que ela destacou na COP26 (como contei acima) e tamb\u00e9m revelou ao site <em>Mongabay Brasil<\/em>, em 2020.<\/p>\n<p>\u201cMuitos l\u00edderes (ind\u00edgenas) receberam carros e barcos e se esqueceram de outras coisas, como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Com os carros, eles podiam ir \u00e0 cidade (de Altamira) para beber e festejar. Acredito que este foi o primeiro passo em um processo deliberado de destrui\u00e7\u00e3o de nossa cultura\u201d.<\/p>\n<p>Segundo ela, apesar de a consulta aos povos origin\u00e1rios ser uma exig\u00eancia da <strong><a href=\"http:\/\/portal.iphan.gov.br\/uploads\/ckfinder\/arquivos\/Convencao_169_OIT.pdf\">Conven\u00e7\u00e3o 169<\/a><\/strong>, da <strong>Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT)<\/strong>, da qual o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio, os povos ind\u00edgenas da <strong>Bacia do Xingu<\/strong> <em>(eram 11 comunidades antes da constru\u00e7\u00e3o da usima) <\/em>n\u00e3o foram consultados, muito menos informados sobre os reais impactos de Belo Monte. Muito ao contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ao movimento <em>Uma Gota no Oceano<\/em>, Juma contou: \u201cEles disseram para a gente que (a hidrel\u00e9trica de) Belo Monte seria s\u00f3 uma grande cachoeira. Eu tinha 13 anos quando se iniciou esse processo e logo percebi que n\u00e3o seria somente uma grande cachoeira, como diziam, e sim um <strong>projeto de morte<\/strong>. O que est\u00e1 acontecendo, hoje, em Altamira \u00e9 tudo aquilo que a gente j\u00e1 tinha imaginado. A gente j\u00e1 sabia que o que teria era destrui\u00e7\u00e3o. N\u00e3o somente do meio ambiente, da fauna e da flora, mas sobretudo de nosso modo de vida, da nossa ess\u00eancia, do nosso lar\u201d.<\/p>\n<p>As negocia\u00e7\u00f5es da empresa com as comunidades sempre foram pautadas pelo oferecimento de \u201cbenef\u00edcios\u201d, que, na verdade, eram subornos que o cons\u00f3rcio chamava de \u201cpresentes\u201d. O resultado disso foi devastador porque provocou inveja, suspeitas e o enfraquecimento das comunidades, que se dividiram.<\/p>\n<p>E essa divis\u00e3o causou muitos danos \u00e0 milit\u00e2ncia de Juma que, em 2018, come\u00e7ou a ser perseguida e amea\u00e7ada, chegando a ser v\u00edtima de um acidente provocado por uma \u201ccaminhonete branca\u201d \u2013 que n\u00e3o teve graves consequ\u00eancias -, quando estava gr\u00e1vida de cinco meses.<\/p>\n<p>Apavorada com tantas provoca\u00e7\u00f5es e com a presen\u00e7a constante desse carro no seu caminho, inclusive na frente de sua casa e farta com o descaso da pol\u00edcia, que dizia que nada podia fazer sem provas, Juma pediu ajuda ao <strong>cacique Raoni, do povo Kayap\u00f3<\/strong>, que a apresentou a uma organiza\u00e7\u00e3o internacional de direitos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Por conta desse contato, viveu durante alguns meses na Su\u00ed\u00e7a, mas voltou ao Brasil \u2013 \u00e0 Altamira que, desde 2011 viu os homic\u00eddios aumentarem 150% colocando a cidade no topo do ranking das mais violentas do pa\u00eds (Atlas da Viol\u00eancia\/Ipea) \u2013 mesmo sem garantia de prote\u00e7\u00e3o, enfrentando, tamb\u00e9m ruralistas.<\/p>\n<p>Foi nesse per\u00edodo que criou o <strong><a href=\"https:\/\/institutojuma.org\">Instituto Juma<\/a><\/strong> para continuar lutando pelos direitos dos povos ind\u00edgenas da regi\u00e3o. \u00c9 uma das lideran\u00e7as femininas mais jovens e aguerridas da atualidade.<\/p>\n<p><strong><em>Com informa\u00e7\u00f5es da APIB, Uma Gota no Oceano<\/em><\/strong><em><strong> e Mongabay Brasil<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Jornalista com experi\u00eancia em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Voc\u00ea S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustent\u00e1vel, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres L\u00edderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da confer\u00eancia TEDxS\u00e3oPaulo.<\/p>\n<p><strong>Texto original dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/conexaoplaneta.com.br\/blog\/quem-financia-hidreletricas-na-amazonia-ou-qualquer-lugar-do-mundo-nao-financia-desenvolvimento-mas-assassinato-sentencia-a-cacica-juma-xipaia-na-cop26\/#fechar\"> https:\/\/conexaoplaneta.com.br\/blog\/quem-financia-hidreletricas-na-amazonia-ou-qualquer-lugar-do-mundo-nao-financia-desenvolvimento-mas-assassinato-sentencia-a-cacica-juma-xipaia-na-cop26\/#fechar<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conex\u00e3o planeta M\u00f4nica Nunes 05 de novembro de 2021 Atualizado em 6\/11\/2021 para contar sobre o apoio de Leonardo DiCaprio ao Instituto Juma &nbsp; Ontem, 4\/11, a jovem cacica Juma Xipaia, do povo ind\u00edgena Xipaia, do Par\u00e1, participou do painel \u2018Hidrel\u00e9tricas: a solu\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica condenada pela crise clim\u00e1tica?\u2019, na Confer\u00eancia da ONU sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":333,"featured_media":28147,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-28146","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-radar","category-1","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28146","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/333"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28146"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28146\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28151,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28146\/revisions\/28151"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28147"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28146"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28146"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28146"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}