{"id":28503,"date":"2021-11-16T16:06:32","date_gmt":"2021-11-16T19:06:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/?p=28503"},"modified":"2021-11-17T16:36:55","modified_gmt":"2021-11-17T19:36:55","slug":"fazendeiros-jogam-agrotoxico-sobre-amazonia-para-acelerar-desmatamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/radar\/fazendeiros-jogam-agrotoxico-sobre-amazonia-para-acelerar-desmatamento\/","title":{"rendered":"Fazendeiros jogam agrot\u00f3xico sobre Amaz\u00f4nia para acelerar desmatamento"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Ag\u00eancia P\u00fablica\/Rep\u00f3rter Brasil<\/strong><br \/>\n<strong>H\u00e9len Freitas<\/strong><br \/>\n<strong> 16 de novembro de 2021<br \/>\nAmaz\u00f4nia Brasileira<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Soja e pecu\u00e1ria foram respons\u00e1veis pelo despejo de agrot\u00f3xicos com uso de avi\u00e3o sobre floresta amaz\u00f4nica e outros biomas em \u00e1rea do tamanho de 30 mil campos de futebol<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para acelerar o desmatamento de grandes \u00e1reas e abrir espa\u00e7o para a soja e o gado, fazendeiros est\u00e3o jogando grandes quantidades de agrot\u00f3xicos de avi\u00e3o sobre a floresta Amaz\u00f4nica e outros biomas. Levantamento in\u00e9dito feito pela Ag\u00eancia P\u00fablica e Rep\u00f3rter Brasil revela que, nos \u00faltimos 10 anos, cerca de 30 mil hectares de vegeta\u00e7\u00e3o nativa foram literalmente envenenados. A \u00e1rea corresponde a 30 mil campos de futebol.<\/p>\n<p>Esses foram os casos que ca\u00edram na fiscaliza\u00e7\u00e3o do Ibama, que aplicou mais de R$ 72 milh\u00f5es em multas de 2010 a 2020 especificamente em casos de desmatamento com pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de agrot\u00f3xicos. Com o desmonte da fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental promovida pelo governo Bolsonaro, o problema tende a ser maior do que os dados apontam.<\/p>\n<p>Como todos esses casos ocorreram sem autoriza\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os ambientais, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber se os respons\u00e1veis tiveram o cuidado de tirar os animais e as pessoas que circulavam por essas \u00e1reas enquanto o avi\u00e3o jogava os qu\u00edmicos.<\/p>\n<p>O processo lembra aquele usado pelo ex\u00e9rcito norte-americano durante a guerra no Vietn\u00e3, quando avi\u00f5es americanos despejaram o agente laranja, um agrot\u00f3xico que tinha a fun\u00e7\u00e3o de \u201c neutralizar\u201d a floresta, usada como ref\u00fagio do ex\u00e9rcito local. Al\u00e9m de matar a vegeta\u00e7\u00e3o vietnamita, que at\u00e9 hoje cont\u00e9m res\u00edduos desses t\u00f3xicos, o agente laranja continua fazendo v\u00edtimas. Ap\u00f3s quase 50 anos do fim da guerra, muitas crian\u00e7as no pa\u00eds nascem com defici\u00eancias como s\u00edndrome de Down, paralisia cerebral e desfigura\u00e7\u00e3o facial extrema.<\/p>\n<p>Um dos agrot\u00f3xicos que faziam parte da composi\u00e7\u00e3o do agente laranja, o 2,4-D, foi encontrado pelos fiscais na fazenda que usou veneno para destruir a maior \u00e1rea de floresta. O caso ocorreu em Paranatinga, no Mato Grosso, estado que lidera o ranking de envenenamento da floresta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-28504 \" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Screenshot-2021-11-17-at-16-20-54-Agrotoxicos-usados-para-desmatar-Infogram-300x275.png\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"459\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Screenshot-2021-11-17-at-16-20-54-Agrotoxicos-usados-para-desmatar-Infogram-300x275.png 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Screenshot-2021-11-17-at-16-20-54-Agrotoxicos-usados-para-desmatar-Infogram-1024x937.png 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Screenshot-2021-11-17-at-16-20-54-Agrotoxicos-usados-para-desmatar-Infogram-768x703.png 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Screenshot-2021-11-17-at-16-20-54-Agrotoxicos-usados-para-desmatar-Infogram-500x458.png 500w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Screenshot-2021-11-17-at-16-20-54-Agrotoxicos-usados-para-desmatar-Infogram.png 1217w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<h2>Caso milion\u00e1rio<\/h2>\n<p>Em janeiro de 2018 os fiscais do Ibama come\u00e7aram a notar, via sat\u00e9lite, as primeiras clareiras na mata de Paranatinga. A fiscaliza\u00e7\u00e3o ocorreu oito meses depois, quando o estrago j\u00e1 estava feito. Na ocasi\u00e3o, encontraram tr\u00eas estradas rec\u00e9m abertas cortando a fazenda de 37 mil hectares, um grande estoque de sementes de pastagem, um avi\u00e3o que realizava a pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea e os agrot\u00f3xicos glifosato e 2,4-D \u2013 que est\u00e3o entre os mais vendidos no Brasil.<\/p>\n<p>Laudos realizados pelo Instituto tamb\u00e9m verificaram a presen\u00e7a do herbicida Alacloro, classificado moderadamente t\u00f3xico pela Anvisa e do inseticida Carbossulfano, classificado como altamente t\u00f3xico. Devido aos riscos, os dois s\u00e3o proibidos para uso em pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea.<\/p>\n<p>Pelo caso, o pecuarista Edio Nogueira, dono da Agropecu\u00e1rio Rio da Areia, foi multado em R$ 52 milh\u00f5es por jogar agrot\u00f3xicos e assim destruir 23 mil hectares \u2013 22 mil campos de futebol \u2013 de floresta. A sua fazenda, conhecida como Cristo Rei, fica em territ\u00f3rio tradicional ind\u00edgena reivindicado na Justi\u00e7a pela etnia Ikpeng. O grupo foi deslocado pelos irm\u00e3os Villas Boas na \u00e9poca da cria\u00e7\u00e3o do Parque Nacional do Xingu, que fica a 18km do local.<\/p>\n<p>Edio Nogueira j\u00e1 \u00e9 conhecido pelos fiscais do Ibama. Dono de sete fazendas espalhadas pelo Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, possui outras multas por desmatamento tanto por fogo quanto por uso de agrot\u00f3xicos \u2013 inclusive na pr\u00f3pria fazenda Cristo Rei \u2013 somando mais de R$ 7 milh\u00f5es em multas.<\/p>\n<p>Ouvida pela reportagem, Mariella Maccari, advogada que representa Nogueira na a\u00e7\u00e3o, confirmou que seu cliente provocou o desmatamento da \u00e1rea. \u201cPor mais que ele tenha desmatado, ele tem a reserva legal dele conservada, inclusive a maioria [das suas propriedades] possui um super\u00e1vit de reserva\u201d.<\/p>\n<p>No processo, por\u00e9m, seus advogados negam o fato e tentam provar a inoc\u00eancia de Nogueira para retirar o embargo imposto \u00e0 \u00e1rea. Um laudo apresentado por eles mostra que n\u00e3o foram encontrados resqu\u00edcios de agrot\u00f3xicos e que a vegeta\u00e7\u00e3o est\u00e1 preservada. Os advogados argumentam que o embargo est\u00e1 prejudicando o empreendimento, por isso deveria ser suspenso at\u00e9 a audi\u00eancia de concilia\u00e7\u00e3o. Mas os neg\u00f3cios de Nogueira n\u00e3o est\u00e3o parados. Com alguma frequ\u00eancia os gados da fazenda Cristo Rei s\u00e3o vendidos em leil\u00f5es online.<\/p>\n<h2>Abertura de pastos e venda de madeira<\/h2>\n<p>Um ano ap\u00f3s o ato criminoso em Paranatinga, uma \u00e1rea de cerca de 2 mil hectares da Floresta Amaz\u00f4nica tamb\u00e9m virou um campo aberto. O caso ocorreu em Ju\u00edna (MT), a 745 km de Cuiab\u00e1.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s fiscais do Ibama detectarem via sat\u00e9lite o desmatamento de uma grande \u00e1rea na cidade, fizeram uma vistoria no local e constataram a presen\u00e7a de res\u00edduos de dois agrot\u00f3xicos: clorpirif\u00f3s e tebuconazol, que podem ser utilizados em diversas culturas, inclusive, para a preserva\u00e7\u00e3o de madeira. Ou seja, os venenos preservam a madeira para que seja vendida de modo ilegal. O clorpirif\u00f3s foi banido nos EUA por estar associado a problemas de desenvolvimento neurol\u00f3gico, principalmente em crian\u00e7as.<\/p>\n<p>O Ibama embargou a \u00e1rea e aplicou uma multa de cerca de R$ 10 milh\u00f5es a Edimilson Antonio Bravo, apontado pelo \u00f3rg\u00e3o como dono da \u00e1rea onde houve o desmatamento. Segundo fonte ouvida pela reportagem, Bravo \u00e9 um grande empres\u00e1rio e fazendeiro da regi\u00e3o, tendo como principais atividades a constru\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-moldados e estruturas met\u00e1licas, a pecu\u00e1ria e a venda de madeira. A reportagem n\u00e3o encontrou informa\u00e7\u00f5es oficiais sobre os seus neg\u00f3cios com a venda de madeira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_90218\" style=\"width: 1410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-90218\" class=\"webpexpress-processed lazyloaded wp-image-90218\" src=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/foto-fazendeiros-jogam-agrotoxico-sobre-amazonia-para-acelerar-desmatamento.jpg\" sizes=\"(max-width: 1400px) 100vw, 1400px\" srcset=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/foto-fazendeiros-jogam-agrotoxico-sobre-amazonia-para-acelerar-desmatamento.jpg 1400w, https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/foto-fazendeiros-jogam-agrotoxico-sobre-amazonia-para-acelerar-desmatamento-800x450.jpg 800w, https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/foto-fazendeiros-jogam-agrotoxico-sobre-amazonia-para-acelerar-desmatamento-150x84.jpg 150w\" alt=\"Foto a\u00e9rea da regi\u00e3o amaz\u00f4nica, com vegeta\u00e7\u00e3o alta e verde\" width=\"1400\" height=\"788\" data-src=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/foto-fazendeiros-jogam-agrotoxico-sobre-amazonia-para-acelerar-desmatamento.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/foto-fazendeiros-jogam-agrotoxico-sobre-amazonia-para-acelerar-desmatamento.jpg 1400w, https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/foto-fazendeiros-jogam-agrotoxico-sobre-amazonia-para-acelerar-desmatamento-800x450.jpg 800w, https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/foto-fazendeiros-jogam-agrotoxico-sobre-amazonia-para-acelerar-desmatamento-150x84.jpg 150w\" data-sizes=\"(max-width: 1400px) 100vw, 1400px\" \/><p id=\"caption-attachment-90218\" class=\"wp-caption-text\">NASA\/CALTECH Foto a\u00e9rea da regi\u00e3o amaz\u00f4nica, com vegeta\u00e7\u00e3o alta e verde Nos \u00faltimos 10 anos, cerca de 30 mil hectares de vegeta\u00e7\u00e3o foram envenenados por agrot\u00f3xicos<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O advogado de Bravo \u00e9 evasivo sobre as atividades de seu cliente. Por telefone, confirmou que ele \u00e9 produtor agropecu\u00e1rio. \u201cO tamanho, se ele \u00e9 grande, m\u00e9dio, pequeno [produtor], se ele mexe com extra\u00e7\u00e3o de madeira, esses detalhes eu n\u00e3o tenho\u201d. Ele nega que seu cliente seja respons\u00e1vel pela \u00e1rea onde houve o envenenamento da floresta, afirmando que enviou as provas ao Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado. Marcelo Linhares, promotor de justi\u00e7a c\u00edvel respons\u00e1vel pelo caso, por\u00e9m, nega que as tenha recebido e diz que planeja entrar com uma a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica contra o fazendeiro e enviar seu caso \u00e0 promotoria criminal.<\/p>\n<p>Segundo Linhares s\u00e3o poucas as autua\u00e7\u00f5es relacionadas a agrot\u00f3xicos em Ju\u00edna, apesar de a pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea ser bastante comum na regi\u00e3o.<\/p>\n<h2>Agrot\u00f3xico no arco do desmatamento<\/h2>\n<p>Essa \u00e9 a primeira vez que se revela o n\u00famero significativo de casos de agrot\u00f3xicos sendo usados para desmatar. Mas a rela\u00e7\u00e3o entre o uso dessas subst\u00e2ncias e a destrui\u00e7\u00e3o da floresta n\u00e3o \u00e9 surpresa. O atlas Geografia da assimetria: o ciclo vicioso de pesticidas e colonialismo na rela\u00e7\u00e3o comercial entre o Mercosul e a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, da pesquisadora da USP Larissa Bombardi, mostra o avan\u00e7o das propriedades agr\u00edcolas que usam agrot\u00f3xicos na regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia Legal. As propriedades que mais usam pesticidas foram relacionadas com o avan\u00e7o do desmatamento na regi\u00e3o que \u00e9 conhecida como \u201carco do desmatamento\u201d na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<div id=\"attachment_90219\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-90219\" class=\"lazyloaded wp-image-90219\" src=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/info2-fazendeiros-jogam-agrotoxico-sobre-amazonia-para-acelerar-desmatamento-600x600.png\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" srcset=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/info2-fazendeiros-jogam-agrotoxico-sobre-amazonia-para-acelerar-desmatamento-600x600.png 600w, https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/info2-fazendeiros-jogam-agrotoxico-sobre-amazonia-para-acelerar-desmatamento-150x150.png 150w, https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/info2-fazendeiros-jogam-agrotoxico-sobre-amazonia-para-acelerar-desmatamento-300x300.png 300w, https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/info2-fazendeiros-jogam-agrotoxico-sobre-amazonia-para-acelerar-desmatamento-240x240.png 240w, https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/info2-fazendeiros-jogam-agrotoxico-sobre-amazonia-para-acelerar-desmatamento-96x96.png 96w, https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/info2-fazendeiros-jogam-agrotoxico-sobre-amazonia-para-acelerar-desmatamento.png 1080w\" alt=\"Imagem mostra dentro do territ\u00f3rio brasileiro as \u00e1reas em que o desmatamento e uso de agrot\u00f3xicos coincidem\" width=\"600\" height=\"600\" data-src=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/info2-fazendeiros-jogam-agrotoxico-sobre-amazonia-para-acelerar-desmatamento-600x600.png\" data-srcset=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/info2-fazendeiros-jogam-agrotoxico-sobre-amazonia-para-acelerar-desmatamento-600x600.png 600w, https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/info2-fazendeiros-jogam-agrotoxico-sobre-amazonia-para-acelerar-desmatamento-150x150.png 150w, https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/info2-fazendeiros-jogam-agrotoxico-sobre-amazonia-para-acelerar-desmatamento-300x300.png 300w, https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/info2-fazendeiros-jogam-agrotoxico-sobre-amazonia-para-acelerar-desmatamento-240x240.png 240w, https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/info2-fazendeiros-jogam-agrotoxico-sobre-amazonia-para-acelerar-desmatamento-96x96.png 96w, https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/info2-fazendeiros-jogam-agrotoxico-sobre-amazonia-para-acelerar-desmatamento.png 1080w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><p id=\"caption-attachment-90219\" class=\"wp-caption-text\">Imagem mostra dentro do territ\u00f3rio brasileiro as \u00e1reas em que o desmatamento e uso de agrot\u00f3xicos coincidem<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A impunidade e a falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o motores desse avan\u00e7o. At\u00e9 hoje apenas 3 multas foram pagas das 14 aplicadas por desmatamento com uso de agrot\u00f3xicos. A expectativa \u00e9 que a maioria nunca seja quitada. Via de regra no Ibama, quanto maior a multa, menor a chance de ser julgada e o pagamento acontecer. Um levantamento feito pela Universidade Federal do Paran\u00e1 mostra que apenas 1 entre 28 multas do \u00f3rg\u00e3o com valor acima de R$ 1 milh\u00e3o entre 2008 e 2017 foi paga.<\/p>\n<p>\u201cA expectativa \u00e9 que o uso de agrot\u00f3xicos para desmatamento vai se intensificar no pr\u00f3ximo per\u00edodo, porque est\u00e1 mais f\u00e1cil, mais acess\u00edvel e mais consolidado\u201d, afirma Naiara Bittencourt, advogada do Terra de Direitos.<\/p>\n<p>O estudo mostra ainda que h\u00e1 um vazio de fiscaliza\u00e7\u00e3o para agrot\u00f3xicos em regi\u00f5es de grandes produtores, como Mato Grosso, Goi\u00e1s e Minas Gerais. As fiscaliza\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m n\u00e3o acontecem no mesmo ritmo do avan\u00e7o das fronteiras agr\u00edcolas nas regi\u00f5es Norte e Nordeste e dentro dos estados mais atuantes, Rio Grande do Sul e S\u00e3o Paulo, onde a fiscaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 altamente concentrada em munic\u00edpios espec\u00edficos.<\/p>\n<p>No Mato Grosso, primeiro do ranking denunciado pela reportagem e maior consumidor de agrot\u00f3xicos do Brasil, apenas 5 cidades t\u00eam bases do Instituto, al\u00e9m de 10 unidades de fiscaliza\u00e7\u00e3o da secretaria de meio ambiente estadual, muitas vezes comandada por suspeitos de infra\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Em 2005, a atual secret\u00e1ria do Meio Ambiente do Mato Grosso, Mauren Lazzaretti foi presa na Opera\u00e7\u00e3o Curupira. Na \u00e9poca, ela trabalhava na antiga Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Meio Ambiente. Sua pris\u00e3o, revogada dias depois pela justi\u00e7a, estava relacionada \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o de crimes de corrup\u00e7\u00e3o envolvendo funcion\u00e1rios da pasta e foi considerada abusiva pela Ordem de Advogados do Brasil (OAB) no estado. Em 2016, Lazzaretti virou secret\u00e1ria adjunta de Licenciamento Ambiental no estado a convite do ent\u00e3o secret\u00e1rio Carlos F\u00e1varo, ex-presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores de Soja e Milho do Mato Grosso (Aprosoja).<\/p>\n<p>Para ela, as fiscaliza\u00e7\u00f5es no estado s\u00e3o mais do que suficientes. \u201cEu n\u00e3o tenho que ter 500 pessoas, cada uma a um quil\u00f4metro para conseguir apurar uma infra\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, todas as nossas autua\u00e7\u00f5es t\u00eam como insumo tecnol\u00f3gico as imagens [de sat\u00e9lite]\u201d.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/themes\/apublica3\/assets\/post_signature2.png\" \/><\/p>\n<p><strong>Texto original dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/apublica.org\/2021\/11\/fazendeiros-jogam-agrotoxico-sobre-amazonia-para-acelerar-desmatamento\/\">https:\/\/apublica.org\/2021\/11\/fazendeiros-jogam-agrotoxico-sobre-amazonia-para-acelerar-desmatamento\/<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ag\u00eancia P\u00fablica\/Rep\u00f3rter Brasil H\u00e9len Freitas 16 de novembro de 2021 Amaz\u00f4nia Brasileira &nbsp; Soja e pecu\u00e1ria foram respons\u00e1veis pelo despejo de agrot\u00f3xicos com uso de avi\u00e3o sobre floresta amaz\u00f4nica e outros biomas em \u00e1rea do tamanho de 30 mil campos de futebol &nbsp; Para acelerar o desmatamento de grandes \u00e1reas e abrir espa\u00e7o para a&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":333,"featured_media":28507,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-28503","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-radar","category-1","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28503","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/333"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28503"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28503\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28513,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28503\/revisions\/28513"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28507"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28503"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28503"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28503"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}