{"id":28856,"date":"2021-11-23T15:17:18","date_gmt":"2021-11-23T18:17:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/?p=28856"},"modified":"2021-11-24T15:43:03","modified_gmt":"2021-11-24T18:43:03","slug":"mudancas-climaticas-afetam-vazao-de-rios-da-amazonia-e-podem-inviabilizar-novas-hidreletricas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/radar\/mudancas-climaticas-afetam-vazao-de-rios-da-amazonia-e-podem-inviabilizar-novas-hidreletricas\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas afetam vaz\u00e3o de rios da Amaz\u00f4nia e podem inviabilizar novas hidrel\u00e9tricas"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: right;\">\n<p><strong>O Globo<\/strong><\/p>\n<div class=\"article__author\" style=\"text-align: right;\"><strong>Ana Lucia Azevedo<\/strong><br \/>\n<strong>23 de novembro de 2021<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"article__subtitle\" style=\"text-align: center;\"><em>Estudo de 351 empreendimentos revela que volume de \u00e1gua pode diminuir em 40% na regi\u00e3o, reduzindo potencial de gera\u00e7\u00e3o<\/em><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>RIO &#8211; As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas amea\u00e7am reduzir a capacidade e elevar os custos de projetos de hidroeletricidade na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise das 351 hidrel\u00e9tricas planejadas para a regi\u00e3o amaz\u00f4nica, 60% delas no Brasil, mostra que a crise clim\u00e1tica afetar\u00e1 em cheio a viabilidade econ\u00f4mica da gera\u00e7\u00e3o de energia hidrel\u00e9trica devido \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o das chuvas e da vaz\u00e3o de rios.<\/p>\n<p>Publicado na revista cient\u00edfica Global Environmental Change e liderado pelo brasileiro Rafael Almeida, pesquisador na Universidade de Cornell, nos EUA, o estudo mostra que os efeitos afetar\u00e3o o Brasil.<\/p>\n<p>Em especial, o sul da Amaz\u00f4nia, onde a vaz\u00e3o dos rios pode cair at\u00e9 40%, com consequente redu\u00e7\u00e3o da capacidade das usinas a fio d\u2019\u00e1gua (com baixa capacidade de armazenamento de \u00e1gua para evitar minimizar o impacto da forma\u00e7\u00e3o de grandes lagos) planejadas.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas v\u00e3o afetar muito o sistema el\u00e9trico. Vimos isso no centro-sul do pa\u00eds, com os efeitos da longa seca. Mas, na Amaz\u00f4nia, tamb\u00e9m teremos problemas, se n\u00e3o houver planejamento adequado \u2014 frisa Almeida.<\/p>\n<p>O estudo projetou a vaz\u00e3o dos rios em fun\u00e7\u00e3o dos cen\u00e1rios de mudan\u00e7a clim\u00e1tica do Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC).<\/p>\n<p>A maioria dos projetos previstos para a Amaz\u00f4nia \u00e9 a fio d\u2019\u00e1gua. Por\u00e9m, Almeida explica que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas tornar\u00e3o as interrup\u00e7\u00f5es por baixa vaz\u00e3o mais frequentes. Ser\u00e1 mais dif\u00edcil operar em plena capacidade.<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia ser\u00e1 mais que dobrar o custo de 25% das hidrel\u00e9tricas propostas para a regi\u00e3o, tornando-as menos competitivas que outras fontes renov\u00e1veis, como solar e e\u00f3lica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure>\n<div style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/25051495-4db-4d3\/FT1086A\/620x372x93115892_Foz-do-IguacuPR-07-04-2021-Presidente-da-Republica-Jair-Bolsonaro-sobrevoa-a-Usina-Hidre.jpg.pagespeed.ic.tZ0jyaYele.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"372\" data-src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/25051495-4db-4d3\/FT1086A\/620x372x93115892_Foz-do-IguacuPR-07-04-2021-Presidente-da-Republica-Jair-Bolsonaro-sobrevoa-a-Usina-Hidre.jpg.pagespeed.ic.tZ0jyaYele.jpg\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Usina Hidrel\u00e9trica binacional de Itaipu. A maior do mundo desde a inaugura\u00e7\u00e3o, em 1984, at\u00e9 o ano de 2012, produz at\u00e9 14.000 megawatts Foto: Alan Santos \/ PR<\/p><\/div><\/figure>\n<figure>\n<div style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/25051472-8fd-5eb\/FT1086A\/620x372x71175955_PA29-01-2016Vista-aerea-da-usina-de-Belo-Monte.-Foto-Divulgacao.jpg.pagespeed.ic.eVjQ00caKa.jpg\" alt=\"Vista a\u00e9rea da usina de Belo Monte, a segunda maior do pa\u00eds: capacidade para 11.233 megawatts Foto: Ag\u00eancia O Globo\" width=\"620\" height=\"372\" data-src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/25051472-8fd-5eb\/FT1086A\/620x372x71175955_PA29-01-2016Vista-aerea-da-usina-de-Belo-Monte.-Foto-Divulgacao.jpg.pagespeed.ic.eVjQ00caKa.jpg\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Vista a\u00e9rea da usina de Belo Monte, a segunda maior do pa\u00eds: capacidade para 11.233 megawatts Foto: Ag\u00eancia O Globo<\/p><\/div><\/figure>\n<figure>\n<div style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/25051466-e04-3c0\/FT1086A\/620x372x36745096_ECRio-de-Janeiro-RJ-24-07-2008Coluna-NegociosCiaCampanha-da-Agencia3-para-o-aniver.jpg.pagespeed.ic.amzxa_IqUp.jpg\" alt=\"Hidrel\u00e9trica de Tucuru\u00ed, no Rio Tocantins, no Par\u00e1, pode produzir at\u00e9 8.535 megawatts e foi inaugurada no mesmo ano que a de Itaipu, 1984\" width=\"620\" height=\"372\" data-src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/25051466-e04-3c0\/FT1086A\/620x372x36745096_ECRio-de-Janeiro-RJ-24-07-2008Coluna-NegociosCiaCampanha-da-Agencia3-para-o-aniver.jpg.pagespeed.ic.amzxa_IqUp.jpg\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Hidrel\u00e9trica de Tucuru\u00ed, no Rio Tocantins, no Par\u00e1, pode produzir at\u00e9 8.535 megawatts e foi inaugurada no mesmo ano que a de Itaipu, 1984<\/p><\/div><\/figure>\n<figure>\n<div style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/25051473-e15-546\/FT1086A\/620x372x74060420_Casa-de-forca-e-vertedouro-da-usina-hidreletrica-de-Jirau-no-rio-Madeira-em-Rondonia.-Foto.jpg.pagespeed.ic.k3zGAxU0o4.jpg\" alt=\"Casa de for\u00e7a e vertedouro da usina hidrel\u00e9trica de Jirau, no rio Madeira, em Rond\u00f4nia. Com capacidade instalada de 3.750 megawatts, ela est\u00e1 em opera\u00e7\u00e3o no Rio Madeira, na Bacia Amaz\u00f4nica, desde 2013 Foto: Ag\u00eancia O Globo\" width=\"620\" height=\"372\" data-src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/25051473-e15-546\/FT1086A\/620x372x74060420_Casa-de-forca-e-vertedouro-da-usina-hidreletrica-de-Jirau-no-rio-Madeira-em-Rondonia.-Foto.jpg.pagespeed.ic.k3zGAxU0o4.jpg\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Casa de for\u00e7a e vertedouro da usina hidrel\u00e9trica de Jirau, no rio Madeira, em Rond\u00f4nia. Com capacidade instalada de 3.750 megawatts, ela est\u00e1 em opera\u00e7\u00e3o no Rio Madeira, na Bacia Amaz\u00f4nica, desde 2013 Foto: Ag\u00eancia O Globo<\/p><\/div><\/figure>\n<figure>\n<div style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/25051629-0c0-095\/FT1086A\/620x372xuhe_santo_antonio_.jpg.pagespeed.ic.M3OWbZydgQ.jpg\" alt=\"No mersmo Rio Madeira, est\u00e1 a Usina Hidrel\u00e9trica de Santo Ant\u00f4nio, instalada no rio Madeira, em Porto Velho (RO). Ela tem capacidade para 3.568 MW Foto: Divulga\u00e7\u00e3o \/ Ibama\" width=\"620\" height=\"372\" data-src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/25051629-0c0-095\/FT1086A\/620x372xuhe_santo_antonio_.jpg.pagespeed.ic.M3OWbZydgQ.jpg\" \/><p class=\"wp-caption-text\">No mesmo Rio Madeira, est\u00e1 a Usina Hidrel\u00e9trica de Santo Ant\u00f4nio, instalada no rio Madeira, em Porto Velho (RO). Ela tem capacidade para 3.568 MW Foto: Divulga\u00e7\u00e3o \/ Ibama<\/p><\/div><\/figure>\n<figure>\n<div style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/25051686-c67-d4e\/FT1086A\/620x372x20170706ctgilhasolteira_01diadrone014.jpg.pagespeed.ic.XhvzHWdbPL.jpg\" alt=\"Hiderl\u00e9trica Ilha Solteira, em S\u00e3o Paulo.Em opera\u00e7\u00e3o desde 1973 Foto: Henrique Manreza \/ Manreza Imagens \/ Divulga\u00e7\u00e3o \/ CTG Brasil\" width=\"620\" height=\"372\" data-src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/25051686-c67-d4e\/FT1086A\/620x372x20170706ctgilhasolteira_01diadrone014.jpg.pagespeed.ic.XhvzHWdbPL.jpg\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Hiderl\u00e9trica Ilha Solteira, em S\u00e3o Paulo.Em opera\u00e7\u00e3o desde 1973 Foto: Henrique Manreza \/ Manreza Imagens \/ Divulga\u00e7\u00e3o \/ CTG Brasil<\/p><\/div><\/figure>\n<h2>Planejar a longo prazo<\/h2>\n<p>Hidrel\u00e9tricas demandam tempo de planejamento e constru\u00e7\u00e3o, e muitos projetos propostos s\u00f3 estar\u00e3o operacionais em meados do s\u00e9culo, quando poder\u00e3o n\u00e3o ser mais custo-efetivos devido \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, disseram os autores do estudo.<\/p>\n<p>Os cientistas destacam que o planejamento energ\u00e9tico n\u00e3o tem levado em conta o impacto da mudan\u00e7a do clima. Normalmente, os projetos s\u00e3o baseados nos hist\u00f3ricos hidrol\u00f3gicos dos rios.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que a crise clim\u00e1tica j\u00e1 altera e deve mudar ainda mais a hidrologia. Isso \u00e9 particularmente grave num pa\u00eds como o Brasil, onde as hidrel\u00e9tricas representam 60% da matriz energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>\u2014 Projetamos o impacto da mudan\u00e7a do clima na vaz\u00e3o de rios abrangidos pelos projetos de hidrel\u00e9tricas que constam da cesta de expans\u00e3o energ\u00e9tica da Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (Aneel). N\u00e3o quer dizer que todas ser\u00e3o constru\u00eddas. Mas h\u00e1 riscos significativos. Inclusive para as que j\u00e1 existem a fio d\u2019\u00e1gua \u2014 explica Almeida, acrescentando que a situa\u00e7\u00e3o de Belo Monte, no Par\u00e1, por exemplo, \u00e9 alarmante.<\/p>\n<p>\u2014 Belo Monte foi um erro, um elefante branco na floresta, n\u00e3o produz o que deveria e \u00e9 muito vulner\u00e1vel. As usinas a fio d\u2019\u00e1gua s\u00e3o extremamente vulner\u00e1veis porque precisam controlar o pulso do rio.<\/p>\n<p>Os cientistas fizeram suas estimativas a partir de dados sobre as vaz\u00f5es m\u00e1ximas e m\u00ednimas em condi\u00e7\u00f5es atuais e futuras. Uma usina precisa operar dentro do fluxo d\u2019\u00e1gua para o qual foi projetada.<\/p>\n<p>Fluxos muito baixos n\u00e3o geram energia e os muito elevados precisam ser expelidos, o que causa problemas e n\u00e3o gera mais energia, explicaram os cientistas em seu estudo. Varia\u00e7\u00f5es extremas de altos e baixos impedem que as usinas operem na capacidade para a qual foram projetadas.<\/p>\n<p>At\u00e9 o meio deste s\u00e9culo, a vaz\u00e3o dos rios da Bacia Amaz\u00f4nica em que h\u00e1 hidrel\u00e9tricas projetadas deve ser reduzida entre 13% e 20%. Mas haver\u00e1 grande varia\u00e7\u00e3o regional. O decl\u00ednio ser\u00e1 maior no leste da bacia (Amaz\u00f4nia brasileira), variando entre 18% e 23%. E ser\u00e1 ainda mais intenso no Sul da Amaz\u00f4nia brasileira, podendo chegar a 40% de redu\u00e7\u00e3o de vaz\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, no oeste da bacia (pa\u00edses da Amaz\u00f4nia andina) poder\u00e1 haver aumento da vaz\u00e3o, em torno de 1,5% a 2,5%. A gera\u00e7\u00e3o de energia, por consequ\u00eancia, dever\u00e1 acompanhar essas varia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h2>Risco de reservat\u00f3rios<\/h2>\n<p>Almeida ressalta que trocar os projetos a fio d\u2019\u00e1gua por outros com reservat\u00f3rios, a exemplo de Tucuru\u00ed, tamb\u00e9m no Par\u00e1, ser\u00e1 trocar um problema por outro:<\/p>\n<p>\u2014 Reservat\u00f3rios t\u00eam impacto clim\u00e1tico na regi\u00e3o at\u00e9 maior porque causam desmatamento e se tornam fonte de metano, al\u00e9m de outros problemas ecol\u00f3gicos e sociais. Duvido que a discuss\u00e3o de reservat\u00f3rios n\u00e3o seja retomada, mas vai esbarrar em financiamento internacional devido ao impacto ambiental.<\/p>\n<p>Os cientistas sugerem que as hidrel\u00e9tricas sejam planejadas para operar em conson\u00e2ncia com fontes solar e e\u00f3lica para que nos per\u00edodos de baixa vaz\u00e3o n\u00e3o haja impacto no sistema el\u00e9trico. Eles tamb\u00e9m prop\u00f5em que novas hidrel\u00e9tricas devam ser constru\u00eddas em loca\u00e7\u00f5es de fluxos de rios menos irregulares e projetadas para funcionar numa varia\u00e7\u00e3o de vaz\u00e3o maior do que os hist\u00f3ricos indicam.<\/p>\n<p><strong>Texto original dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/economia\/macroeconomia\/mudancas-climaticas-afetam-vazao-de-rios-da-amazonia-podem-inviabilizar-novas-hidreletricas-25285155\"> https:\/\/oglobo.globo.com\/economia\/macroeconomia\/mudancas-climaticas-afetam-vazao-de-rios-da-amazonia-podem-inviabilizar-novas-hidreletricas-25285155<\/a><\/strong><\/p>\n<aside>\n<figure><\/figure>\n<figure><\/figure>\n<figure><\/figure>\n<figure><\/figure>\n<\/aside>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Globo Ana Lucia Azevedo 23 de novembro de 2021 Estudo de 351 empreendimentos revela que volume de \u00e1gua pode diminuir em 40% na regi\u00e3o, reduzindo potencial de gera\u00e7\u00e3o &nbsp; RIO &#8211; As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas amea\u00e7am reduzir a capacidade e elevar os custos de projetos de hidroeletricidade na Amaz\u00f4nia. 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