{"id":29075,"date":"2021-12-02T16:38:58","date_gmt":"2021-12-02T19:38:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/?p=29075"},"modified":"2021-12-03T16:52:29","modified_gmt":"2021-12-03T19:52:29","slug":"secas-recorrentes-afetam-a-capacidade-de-recuperacao-da-floresta-amazonica-alerta-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/radar\/secas-recorrentes-afetam-a-capacidade-de-recuperacao-da-floresta-amazonica-alerta-estudo\/","title":{"rendered":"Secas recorrentes afetam a capacidade de recupera\u00e7\u00e3o da Floresta Amaz\u00f4nica, alerta estudo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>O Eco<\/strong><br \/>\n<strong>Elizabeth Oliveira<\/strong><br \/>\n<strong>02 de dezembro de 2021<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"lead font-italic mb-5\" style=\"text-align: center;\"><em><strong>Nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, a Floresta Amaz\u00f4nica tem sido impactada por secas cada vez mais intensas e frequentes. As mais severas ocorreram em 2005, 2010 e 2015<\/strong><\/em><\/h3>\n<p>Pesquisadores brasileiros e portugueses detectaram que secas severas t\u00eam afetado a capacidade de recupera\u00e7\u00e3o da Floresta Amaz\u00f4nica nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas. Segundo o\u00a0<a href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1029\/2021GB007004\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">estudo<\/a>, trechos de floresta impactados pela estiagem t\u00eam levado de 12 meses a tr\u00eas anos para recobrar seu ritmo de crescimento habitual.<\/p>\n<p>O trabalho se concentrou na an\u00e1lise da chamada produtividade prim\u00e1ria, que \u00e9 a quantidade de mat\u00e9ria org\u00e2nica produzida pela vegeta\u00e7\u00e3o, um par\u00e2metro comumente utilizado para avaliar a capacidade de regenera\u00e7\u00e3o de um ecossistema. Em situa\u00e7\u00f5es de seca, a absor\u00e7\u00e3o de g\u00e1s carb\u00f4nico pelas plantas para a produ\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio tende a ser mais lenta.<\/p>\n<p>De acordo como o estudo, os impactos foram particularmente graves nas secas de 2005, 2010 e 2015, tidas como as piores do s\u00e9culo e um alerta de que eventos como esses est\u00e3o se tornando mais frequentes, agora com cinco anos de diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Os resultados da pesquisa mostraram que a absor\u00e7\u00e3o de carbono durante o per\u00edodo de recupera\u00e7\u00e3o de uma seca foi 13% menor quando comparada a n\u00edveis anteriores \u00e0 estiagem ou a trechos de floresta que n\u00e3o sofreram impacto.<\/p>\n<p>\u201cA gente nota que em 2005, 2010 e 2015 houve um aumento do d\u00e9ficit de resili\u00eancia da floresta\u201d, explica o bi\u00f3logo Fausto Machado-Silva, pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF) e principal autor do estudo.<\/p>\n<p>\u201cQuanto mais intensa e ampla foi a seca, maior foi a d\u00edvida para a floresta se recuperar\u201d, afirma o cientista. \u201cO nosso trabalho mostra que o d\u00e9ficit de resili\u00eancia pode aumentar por dois cen\u00e1rios: por uma intensidade maior de seca, como foi 2010, em que a queda foi maior, ou pelo alongamento do processo de recupera\u00e7\u00e3o, como foi em 2015\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com Machado-Silva, os resultados s\u00e3o preocupantes, sobretudo, pelas sinaliza\u00e7\u00f5es das principais refer\u00eancias em climatologia global. \u201cOs cen\u00e1rios do IPCC [Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas] mostram que teremos aumento da temperatura na Amaz\u00f4nia cerca de tr\u00eas a quatro vezes o aquecimento m\u00e9dio do planeta\u201d, alerta.<\/p>\n<p>Um quadro, segundo ele, ainda mais cr\u00edtico se levarmos em considera\u00e7\u00e3o o aumento crescente do desmatamento na regi\u00e3o, problema que influencia na altera\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis de precipita\u00e7\u00e3o e na capacidade de reten\u00e7\u00e3o de carbono. \u201cO atual cen\u00e1rio vai causando interfer\u00eancia no ciclo hidrol\u00f3gico. Mais por\u00e7\u00f5es de terras desmatadas significam menos \u00e1gua que volta para a atmosfera\u201d, observa.<\/p>\n<h3><strong>Amaz\u00f4nia como sumidouro de carbono em risco<\/strong><\/h3>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-full my-5 my-md-2\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-118029 jetpack-lazy-image shadow jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/seca_amazonas-11022016006-768x512-1.jpg?resize=640%2C427\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/seca_amazonas-11022016006-768x512-1.jpg?w=768&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/seca_amazonas-11022016006-768x512-1.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/seca_amazonas-11022016006-768x512-1.jpg?resize=600%2C400&amp;ssl=1 600w, https:\/\/i0.wp.com\/oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/seca_amazonas-11022016006-768x512-1.jpg?resize=640%2C427&amp;ssl=1 640w, https:\/\/i0.wp.com\/oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/seca_amazonas-11022016006-768x512-1.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" data-recalc-dims=\"1\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><figcaption class=\"text-right text-muted font-italic small mt-2\">Seca no Rio Negro em 2015. Foto: Defesa Civil do Amazonas.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Ao comentar sobre as contribui\u00e7\u00f5es do artigo publicado, o climatologista Jose Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), afirmou \u00e0 Mongabay que, enquanto estudos anteriores demostraram que durante as secas houve queda na produtividade florestal, o novo levantamento indica a tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o desse par\u00e2metro nos anos p\u00f3s-seca, \u201cquestionando o fato de que as florestas s\u00e3o resilientes.\u201d<\/p>\n<p>Para o climatologista, as florestas \u201ctalvez tenham sido [resilientes] no s\u00e9culo 20, mas no s\u00e9culo 21 as secas mudaram esta figura e os bosques apresentam baixa resili\u00eancia num cen\u00e1rio de secas mais intensas e frequentes, num planeta cada vez mais quente\u201d.<\/p>\n<p>Em \u201ccen\u00e1rio hipot\u00e9tico, mas n\u00e3o descartado\u201d, diante de condi\u00e7\u00f5es ambientais desfavor\u00e1veis, Marengo alerta que \u201ca floresta pode colapsar, afetando o clima regional e global\u201d. Considerando os riscos associados \u00e0 perda de resili\u00eancia da maior floresta tropical do mundo, Marengo conclui: \u201cTemos que zerar o desmatamento, reduzir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, limitar o agroneg\u00f3cio em terras amaz\u00f4nicas e proteger a floresta que vale mais em p\u00e9 do que cortada.\u201d<\/p>\n<p>Luiz Arag\u00e3o, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), afirmou \u00e0 Mongabay que, al\u00e9m de trazer novas nuances, como os cen\u00e1rios de perda de produtividade p\u00f3s-secas, o artigo rec\u00e9m-publicado contribui para refor\u00e7ar algumas mensagens j\u00e1 divulgadas na literatura especializada sobre o tema. \u201cN\u00f3s corremos grande risco de a Floresta Amaz\u00f4nica perder a capacidade de contribui\u00e7\u00e3o como sumidouro de carbono\u201d.<\/p>\n<p>Considerando o papel central da Amaz\u00f4nia no equil\u00edbrio clim\u00e1tico regional e global, ele destaca que os resultados da publica\u00e7\u00e3o s\u00e3o importantes para a gest\u00e3o ambiental brasileira. \u201cA remo\u00e7\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nativa n\u00e3o se justifica. A floresta atua como reguladora do clima e sustenta \u00e1reas produtivas que s\u00e3o importantes para a economia nacional\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Texto original dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/oeco.org.br\/reportagens\/secas-recorrentes-afetam-a-capacidade-de-recuperacao-da-floresta-amazonica-alerta-estudo\/\">https:\/\/oeco.org.br\/reportagens\/secas-recorrentes-afetam-a-capacidade-de-recuperacao-da-floresta-amazonica-alerta-estudo\/<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Eco Elizabeth Oliveira 02 de dezembro de 2021 &nbsp; Nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, a Floresta Amaz\u00f4nica tem sido impactada por secas cada vez mais intensas e frequentes. 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