{"id":29306,"date":"2021-12-07T15:09:19","date_gmt":"2021-12-07T18:09:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/?p=29306"},"modified":"2021-12-08T15:15:36","modified_gmt":"2021-12-08T18:15:36","slug":"quem-mantem-a-amazonia-em-pe-e-o-povo-da-floresta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/radar\/quem-mantem-a-amazonia-em-pe-e-o-povo-da-floresta\/","title":{"rendered":"Quem mant\u00e9m a Amaz\u00f4nia em p\u00e9 \u00e9 o povo da floresta"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>O Estado de S. Paulo<\/strong><br \/>\n<strong>Ariel Bentes<\/strong><br \/>\n<strong>07 de dezembro de 2021<\/strong><\/p>\n<h3 class=\"jeg_post_subtitle\" style=\"text-align: center;\"><em>No Brasil a popula\u00e7\u00e3o da floresta foi formada por ind\u00edgenas de diferentes etnias, quilombolas e ribeirinhos, entre eles pescadores, seringueiros e extrativistas<\/em><\/h3>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia brasileira \u00e9 formada secularmente por ind\u00edgenas de diferentes etnias, quilombolas e ribeirinhos \u2014 entre eles est\u00e3o pescadores, seringueiros e extrativistas. \u201cExistem v\u00e1rias \u2018Amaz\u00f4nias\u2019 dentro do que a gente chama de Amaz\u00f4nia\u201d, diz o historiador Davi Avelino Leal, professor da Universidade Federal do Amazonas. Ele conta que muitas cidades da regi\u00e3o surgiram no per\u00edodo colonial e que, no ciclo da borracha, a partir de 1879, muita gente chegou de fora e a popula\u00e7\u00e3o, at\u00e9 ent\u00e3o majoritariamente ind\u00edgena, se reconfigurou. Imigrantes do Nordeste foram para os seringais. Judeus, s\u00edrio-libaneses e ingleses, para o servi\u00e7o p\u00fablico. A presen\u00e7a negra tamb\u00e9m cresceu, diz Leal, na ida de africanos escravizados e livres principalmente ao Maranh\u00e3o e ao Par\u00e1.<\/p>\n<p><strong><span class=\"highlight\">OS POVOS DA FLORESTA PODEM AJUDAR A SALVAR O PLANETA?<\/span><\/strong> SIM. Em relat\u00f3rio divulgado na COP-26, a confer\u00eancia do clima que ocorreu em novembro deste ano em Glasgow, na Esc\u00f3cia, o <strong><a href=\"https:\/\/www.aamazoniaquequeremos.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Painel Cient\u00edfico para a Amaz\u00f4nia (SPA)<\/a><\/strong> disse que o momento \u00e9 de urg\u00eancia e que a Amaz\u00f4nia corre alto risco de virar deserto. Para evitar a cat\u00e1strofe de alcance global, o documento recomenda ouvir a ci\u00eancia, investir em inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e <strong>buscar solu\u00e7\u00f5es na natureza e no conhecimento tradicional de ind\u00edgenas e ribeirinhos.<\/strong> O desmatamento zero tem de ser atingido at\u00e9 o fim desta d\u00e9cada. E o modelo econ\u00f4mico tem de ser transformado. Quem mant\u00e9m em p\u00e9 o que resta da floresta amaz\u00f4nica no Brasil s\u00e3o os ind\u00edgenas, os quilombolas e os beiradeiros (ou ribeirinhos). Para ter uma ideia, nos \u00faltimos 40 anos, o desmatamento desapareceu com 20% da Amaz\u00f4nia. Nas terras ind\u00edgenas e quilombolas, por\u00e9m, a perda foi de 2,4%. \u201cA sobreviv\u00eancia depende da preserva\u00e7\u00e3o da sabedoria, do conceito de bem-viver e da resist\u00eancia ensinados pelos povos da floresta\u201d, diz e pesquisador de comunidades quilombolas Ivamar dos Santos. Junto com a ambientalista Suane Bras\u00e3o, Ivamar, que tamb\u00e9m \u00e9 gri\u00f4 (guardi\u00e3o e contador de hist\u00f3rias de um povo), criou em 2016 o Coletivo Amazonizando. Seu objetivo \u00e9 preservar e valorizar a cultura dessas popula\u00e7\u00f5es. \u201cS\u00e3o eles que melhor sabem cuidar e que entendem toda a magnitude e a import\u00e2ncia dos ciclos e da floresta em p\u00e9\u201d, afirma Ivamar.<\/p>\n<p><strong>Ind\u00edgenas \u2014<\/strong> No \u00faltimo censo do IBGE, em 2010, a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena do Brasil era de 896 mil pessoas em mais de 300 etnias e de 270 l\u00ednguas: 342 mil habitavam a regi\u00e3o Norte. \u201cSomos ind\u00edgenas, n\u00e3o \u2018\u00edndios\u2019\u201d, diz Telma Taurepang, antrop\u00f3loga e coordenadora da Uni\u00e3o das Mulheres Ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Brasileira (Umiab). \u201cNossas identidades s\u00e3o pouco valorizadas. Mas somos n\u00f3s que cuidamos, protegemos e preservamos a Amaz\u00f4nia, que \u00e9 a nossa casa. \u00c9 tamb\u00e9m atrav\u00e9s dela que n\u00f3s temos \u00e1gua limpa e ar puro e que nossos costumes, culturas e l\u00ednguas maternas se mant\u00eam. N\u00f3s sempre falamos da import\u00e2ncia da Amaz\u00f4nia e que ela precisa ser cuidada e vamos continuar fazendo isso\u201d, afirma.<\/p>\n<pre><strong><a href=\"https:\/\/expresso.estadao.com.br\/naperifa\/podcast-ativista-explica-o-que-e-racismo-ambiental-e-como-afeta-negros-e-indigenas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ou\u00e7a este podcast: ativista explica o que \u00e9 racismo ambiental e como afeta negros e ind\u00edgenas<\/a><\/strong><\/pre>\n<p><strong>Quilombolas \u2014<\/strong> Quem tamb\u00e9m se engaja na preserva\u00e7\u00e3o e na representatividade na Amaz\u00f4nia s\u00e3o os moradores dos quilombos, que conquistaram seu direito aos territ\u00f3rios ocupados pelos antepassados. S\u00f3 no estado do Par\u00e1 h\u00e1 528 comunidades. Uma delas \u00e9 Oxal\u00e1 de Jacunday, territ\u00f3rio quilombola de Jambua\u00e7u, onde vive Samilly Valadares. Psic\u00f3loga e ativista, Samilly ressalta que a Amaz\u00f4nia \u00e9 feita da ancestralidade e da luta dos povos tradicionais e origin\u00e1rios. Para ela, o reconhecimento da identidade quilombola \u00e9 um marco hist\u00f3rico na luta pela preserva\u00e7\u00e3o da floresta. \u201cN\u00e3o \u00e9 de interesse dessa sociedade racista que n\u00f3s nos reconhe\u00e7amos enquanto povo quilombola, mas quando nos apoderamos e protagonizamos cada vez mais esses processos, ningu\u00e9m nos para\u201d, diz Samilly. Ela coordena uma iniciativa de fortalecimento de identidades e territorialidades quilombolas atrav\u00e9s de educa\u00e7\u00e3o e cultura. \u201cA preserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia \u00e9 um compromisso ancestral para o povo quilombola. N\u00f3s lutamos diariamente aqui para reexistir, para estarmos aqui e sermos guardi\u00f5es dessa biodiversidade e riqueza ancestral\u201d.<\/p>\n<div class=\"jeg_ad jeg_ad_article jnews_content_inline_ads\">\n<div class=\"ads-wrapper align-center\"><\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Ribeirinhos \u2014<\/strong> Tal ind\u00edgenas e quilombolas, os beiradeiros tamb\u00e9m s\u00e3o amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o. Esses homens e mulheres vivem na beira dos rios ou em ilhas e tiram seu sustento da pesca, da coleta do l\u00e1tex e de outros produtos naturais. S\u00e3o pessoas que sabem viver bem na floresta sem ofend\u00ea-la e que n\u00e3o precisam de muito dinheiro at\u00e9 serem arrancadas de suas terras para deixar passar o \u201cdesenvolvimento\u201d. A escritora e jornalista<strong> <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/opiniao\/2019-11-27\/o-ai-5-ja-se-instala-na-amazonia-e-nas-periferias-urbanas.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Eliane Brum chama esse processo de \u201cconvers\u00e3o dos povos da floresta em pobres urbanos\u201d,<\/a><\/strong> que se manifesta na ocupa\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia pelo estado brasileiro. Acontece h\u00e1 muito tempo, aconteceu na ditadura civil-militar. Acontece agora, enquanto voc\u00ea l\u00ea esta frase. <em>(Viviane Zandonadi)<\/em><\/p>\n<p><span class=\"highlight\">AMAZ\u00d4NIA LEGAL<\/span> Os estados do Acre, Amap\u00e1, Amazonas e Par\u00e1 formam atualmente, junto a parte do Maranh\u00e3o, de Mato Grosso, Rond\u00f4nia e Tocantins, a chamada Amaz\u00f4nia Legal. De acordo com o \u00faltimo censo demogr\u00e1fico, habitam o territ\u00f3rio 20,3 milh\u00f5es de pessoas \u2013 56% dos ind\u00edgenas e 12% da popula\u00e7\u00e3o brasileira. A maioria vive em \u00e1reas urbanas (68,9%) e 31,1% nas rurais. A Amaz\u00f4nia Legal \u00e9 um conceito foi criado em 1953 pelo governo federal a fim de planejar o desenvolvimento econ\u00f4mico da regi\u00e3o e seus limites n\u00e3o incluem apenas a floresta. H\u00e1 \u00e1reas com outras caracter\u00edsticas. Os limites da Amaz\u00f4nia Legal j\u00e1 foram alterados v\u00e1rias vezes. <strong><a href=\"https:\/\/www.ipea.gov.br\/desafios\/index.php?option=com_content&amp;id=2154:catid=28\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O site do Ipea usa como exemplo dessa flutua\u00e7\u00e3o o Plano Amaz\u00f4nia Sustent\u00e1vel (PAS), de 2008, que considerava o estado do Maranh\u00e3o inteiro\u00a0e\u00a0n\u00e3o\u00a0s\u00f3\u00a0uma\u00a0parte<\/a>.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Texto original dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/expresso.estadao.com.br\/naperifa\/quem-mantem-a-floresta-em-pe-e-o-povo-da-floresta\/\">https:\/\/expresso.estadao.com.br\/naperifa\/quem-mantem-a-floresta-em-pe-e-o-povo-da-floresta\/<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Estado de S. 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