{"id":32508,"date":"2022-03-03T14:36:03","date_gmt":"2022-03-03T17:36:03","guid":{"rendered":"https:\/\/dev.amazoniasocioambiental.org\/radar\/bolsonaro-usa-guerra-como-alegacao-para-defender-mineracao-em-terra-indigena\/"},"modified":"2022-03-03T14:36:03","modified_gmt":"2022-03-03T17:36:03","slug":"bolsonaro-usa-guerra-como-alegacao-para-defender-mineracao-em-terra-indigena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/radar\/bolsonaro-usa-guerra-como-alegacao-para-defender-mineracao-em-terra-indigena\/","title":{"rendered":"Bolsonaro usa guerra como alega\u00e7\u00e3o para defender minera\u00e7\u00e3o em terra ind\u00edgena"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Correio Braziliense<\/strong><br \/>\n<strong>Ingrid Soares\/ Michelle Portela\/ Victor Correia<\/strong><br \/>\n<strong>03 de mar\u00e7o de 2022<\/strong><br \/>\n<strong>Amaz\u00f4nia brasileira<\/strong><\/p>\n<h2><\/h2>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Com o conflito internacional, o fertilizante pode faltar ou encarecer. Por isso, na avalia\u00e7\u00e3o dele, regi\u00f5es como a foz do Rio Madeira, pr\u00f3ximo a uma reserva ind\u00edgena, poderiam suprir essa demanda<\/em><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"texto\">O presidente Jair Bolsonaro (PL) usou a guerra no Leste Europeu como <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/economia\/2022\/03\/4989794-apesar-de-crise-com-fertilizantes-tereza-cristina-diz-que-safra-esta-segura.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">alega\u00e7\u00e3o para defender a libera\u00e7\u00e3o de minera\u00e7\u00e3o em terras ind\u00edgenas<\/a>. Ele afirmou que o Brasil \u00e9 dependente da R\u00fassia para obter pot\u00e1ssio, mat\u00e9ria-prima de fertilizantes usados na agricultura brasileira. Com o conflito internacional, o produto pode faltar ou encarecer. Por isso, na avalia\u00e7\u00e3o dele, regi\u00f5es como a foz do Rio Madeira, pr\u00f3ximo a uma reserva ind\u00edgena, poderiam suprir essa demanda.<\/p>\n<p class=\"texto\">Nas redes sociais, Bolsonaro publicou um v\u00eddeo de 2016 em que declara na C\u00e2mara ser favor\u00e1vel \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de pot\u00e1ssio em reservas ind\u00edgenas. &#8220;Como deputado, discursei sobre nossa depend\u00eancia do pot\u00e1ssio da R\u00fassia. Citei tr\u00eas problemas: ambiental, ind\u00edgena e a quem pertencia o direito explorat\u00f3rio na foz do Rio Madeira (existem jazidas tamb\u00e9m em outras regi\u00f5es do pa\u00eds)&#8221;, escreveu na postagem. Ele defendeu a aprova\u00e7\u00e3o do Projeto de Lei 191\/2020, em tramita\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara. &#8220;Uma vez aprovado, resolve-se um desses problemas&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<p class=\"texto\">De acordo com Bolsonaro, &#8220;nossa seguran\u00e7a alimentar e agroneg\u00f3cio (Economia) exigem de n\u00f3s, Executivo e Legislativo, medidas que nos permitam a n\u00e3o depend\u00eancia externa de algo que temos em abund\u00e2ncia&#8221;.<\/p>\n<p class=\"texto\">A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, destacou a import\u00e2ncia da R\u00fassia e de Belarus no fornecimento de pot\u00e1ssio e ureia e disse que o Brasil tem &#8220;estoque de passagem para chegar at\u00e9 a pr\u00f3xima safra, em outubro&#8221;. Ela informou que articula com outros pa\u00edses produtores de pot\u00e1ssio, como Canad\u00e1, Ir\u00e3 e Ar\u00e1bia Saudita.<\/p>\n<p class=\"texto\">Tereza Cristina frisou, ainda, que um plano nacional sobre a pol\u00edtica de fertilizantes vai ser anunciado at\u00e9 o dia 17, contendo solu\u00e7\u00f5es para a adequa\u00e7\u00e3o de leis, quest\u00f5es tribut\u00e1rias e licen\u00e7as ambientais.<\/p>\n<p class=\"texto\">Suely Ara\u00fajo \u2014 especialista s\u00eanior em pol\u00edticas p\u00fablicas do Observat\u00f3rio do Clima e ex-diretora do Ibama \u2014 ressaltou que Bolsonaro usa a guerra como justificativa para tentar viabilizar o projeto de acabar com as terras ind\u00edgenas e aniquilar os direitos dos povos origin\u00e1rios. &#8220;O PL 191, elaborado pelo Executivo, foi redigido de forma a viabilizar explora\u00e7\u00e3o mineral em larga escala e sem cuidados ambientais, com prioridade para o garimpo de ouro. Se aprovado, destruir\u00e1 as terras ind\u00edgenas&#8221;, observou.<\/p>\n<p class=\"texto\">O Instituto Socioambiental (ISA) enfatizou que a sociedade precisa ser informada, por meio de estudos cient\u00edficos, sobre o potencial de produ\u00e7\u00e3o mineral fora das terras ind\u00edgenas. &#8220;A explora\u00e7\u00e3o de jazidas de pot\u00e1ssio situadas fora desses territ\u00f3rios deve ser priorizada. O presidente, no entanto, escolhe fomentar o racismo contra os povos ind\u00edgenas, alimentando o falso antagonismo entre o desenvolvimento nacional e os direitos ind\u00edgenas&#8221;, criticou.<\/p>\n<figure class=\"Left\"><img decoding=\"async\" class=\"lazy aligncenter\" title=\"A Pol\u00edcia Federal deflagrou nesta quinta-feira (24) a Opera\u00e7\u00e3o Crassa contra explora\u00e7\u00e3o ilegal de diamantes na Terra Ind\u00edgena Cinta Larga e na Reserva Roosevelt em Rond\u00f4nia. No total s\u00e3o cumpridos 53 mandados de busca e apreens\u00e3o no interior de Rond\u00f4nia, S\u00e3o Paulo, Roraima, Paran\u00e1, Piau\u00ed, Mato Grosso, Minas Gerais e Distrito Federal. \" src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2020\/11\/26\/820x547\/1__policia_federal_operacao_crassa2409201292-6418945.jpeg\" alt=\"A Pol\u00edcia Federal deflagrou nesta quinta-feira (24) a Opera\u00e7\u00e3o Crassa contra explora\u00e7\u00e3o ilegal de diamantes na Terra Ind\u00edgena Cinta Larga e na Reserva Roosevelt em Rond\u00f4nia. No total s\u00e3o cumpridos 53 mandados de busca e apreens\u00e3o no interior de Rond\u00f4nia, S\u00e3o Paulo, Roraima, Paran\u00e1, Piau\u00ed, Mato Grosso, Minas Gerais e Distrito Federal. \" data-src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2020\/11\/26\/820x547\/1__policia_federal_operacao_crassa2409201292-6418945.jpeg\" \/><\/figure>\n<p><span class=\"h6 mt-0 d-block txt-no-serif txt-gray-base\">A Pol\u00edcia Federal deflagrou nesta quinta-feira (24) a Opera\u00e7\u00e3o Crassa contra explora\u00e7\u00e3o ilegal de diamantes na Terra Ind\u00edgena Cinta Larga e na Reserva Roosevelt em Rond\u00f4nia. No total s\u00e3o cumpridos 53 mandados de busca e apreens\u00e3o no interior de Rond\u00f4nia, S\u00e3o Paulo, Roraima, Paran\u00e1, Piau\u00ed, Mato Grosso, Minas Gerais e Distrito Federal. <\/span> <small class=\"d-block txt-no-serif txt-gray-base\">(foto: Pol\u00edcia Federal)<\/small><\/p>\n<h3>Defesa<\/h3>\n<p class=\"texto\">J\u00e1 o vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecu\u00e1ria (FPA), o senador Zequinha Marinho (PSC-PA) insistiu que \u00e9 preciso <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/economia\/2022\/03\/4989786-fertilizantes-brasil-esta-parado-desde-2014.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">diminuir a depend\u00eancia do pa\u00eds em rela\u00e7\u00e3o aos fertilizantes<\/a>. &#8220;O munic\u00edpio de Autazes, no Amazonas, na beira do Rio Madeira, tem, talvez, a maior jazida de pot\u00e1ssio do Brasil, deste lado do mundo. E n\u00e3o est\u00e1 em \u00e1rea ind\u00edgena. Talvez, esteja pr\u00f3xima, mas, por uma quest\u00e3o de burocracia, a empresa que estava investindo quase R$ 2 bilh\u00f5es est\u00e1 parada por uma pendenga judicial ligada \u00e0 quest\u00e3o ambiental&#8221;, sustentou. &#8220;O Brasil n\u00e3o precisa de advers\u00e1rio. Ele mesmo se atrapalha. S\u00f3 Autazes, que pode produzir 25% de todo o pot\u00e1ssio que a agricultura brasileira precisa, est\u00e1 parada desde 2015, 2016 por causa de um problema no Minist\u00e9rio P\u00fablico (leia Saiba mais).&#8221;<\/p>\n<div id=\"cb-publicidade-retangulo-interna-3\" class=\"pub-ret\"><\/div>\n<p class=\"texto\">Vice-presidente da Comiss\u00e3o de Agricultura da C\u00e2mara e integrante da Frente Parlamentar Brasil Competitivo, o deputado Evair de Melo (PP-ES) defendeu que a soberania brasileira passa pela produ\u00e7\u00e3o de alimentos. &#8220;No curto prazo, n\u00f3s estamos abastecidos. O problema \u00e9 no m\u00e9dio e longo prazos. Temos de aprovar o PL 191\/2020, que destrava a explora\u00e7\u00e3o de pot\u00e1ssio no Brasil. Mas temos de come\u00e7ar logo, para termos o produto no futuro. J\u00e1 estamos tratando disso, acionando (Arthur) Lira&#8221;, destacou, numa refer\u00eancia ao presidente da C\u00e2mara.<\/p>\n<h3>Saiba mais<\/h3>\n<p class=\"texto\">\u00bb Em 2015, a detentora do direito de explora\u00e7\u00e3o da mina de Autazes (AM), a empresa Pot\u00e1ssio do Brasil, entregou ao Instituto de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental do Amazonas (Ipaam) o Estudo e Relat\u00f3rio de Impacto Ambiental (EIA\/Rima) referentes ao empreendimento. Por\u00e9m, segundo o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, houve den\u00fancia de irregularidades.<\/p>\n<p class=\"texto\">\u00bb &#8220;O MPF passou a acompanhar o caso depois de receber informa\u00e7\u00f5es de que a empresa Pot\u00e1ssio do Brasil come\u00e7ou a realizar estudos e procedimentos na regi\u00e3o sem qualquer consulta \u00e0s comunidades. Em julho de 2016, o \u00f3rg\u00e3o expediu recomenda\u00e7\u00e3o ao Instituto de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental do Amazonas (Ipaam), para que cancelasse a licen\u00e7a j\u00e1 expedida, e \u00e0 Pot\u00e1ssio do Brasil, para que suspendesse as atividades de pesquisa na regi\u00e3o at\u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o das consultas nos moldes previstos na legisla\u00e7\u00e3o&#8221;, informou o MPF, em nota. &#8220;Nenhum dos pedidos foi atendido. A concord\u00e2ncia em realizar as consultas nos moldes previstos pela Conven\u00e7\u00e3o 169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) s\u00f3 veio ap\u00f3s o MPF levar o caso \u00e0 Justi\u00e7a. O processo tramita na 1\u00aa Vara Federal do Amazonas.&#8221;<\/p>\n<p class=\"texto\">\u00bb Conforme o MP, &#8220;o estudo de impacto ambiental classificou o porte do empreendimento como excepcional e afirma ser muito alta a interfer\u00eancia nos referenciais socioespaciais e culturais nas comunidades tradicionais e ind\u00edgenas da regi\u00e3o&#8221;. &#8220;Atualmente, est\u00e1 pendente de an\u00e1lise no processo pela Justi\u00e7a Federal no Amazonas a defini\u00e7\u00e3o do Instituto de Meio Ambiente dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) como \u00f3rg\u00e3o competente para o licenciamento, considerando que a quest\u00e3o afeta diretamente terras ind\u00edgenas, posicionamento defendido pelo MPF e pelos pr\u00f3prios ind\u00edgenas Mura.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Texto original dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/politica\/2022\/03\/4989872-bolsonaro-usa-guerra-como-alegacao-para-defender-mineracao-em-terra-indigena.html\">https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/politica\/2022\/03\/4989872-bolsonaro-usa-guerra-como-alegacao-para-defender-mineracao-em-terra-indigena.html<\/a><\/strong><\/p>\n<div id=\"cb-publicidade-retangulo-interna-4\" class=\"pub-ret\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Correio Braziliense Ingrid Soares\/ Michelle Portela\/ Victor Correia 03 de mar\u00e7o de 2022 Amaz\u00f4nia brasileira Com o conflito internacional, o fertilizante pode faltar ou encarecer. 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