{"id":32672,"date":"2022-02-08T14:24:31","date_gmt":"2022-02-08T17:24:31","guid":{"rendered":"https:\/\/dev.amazoniasocioambiental.org\/radar\/area-incendiada-no-dia-do-fogo-foi-transformada-em-plantacao-de-soja\/"},"modified":"2022-04-26T15:26:13","modified_gmt":"2022-04-26T18:26:13","slug":"area-incendiada-no-dia-do-fogo-foi-transformada-em-plantacao-de-soja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/radar\/area-incendiada-no-dia-do-fogo-foi-transformada-em-plantacao-de-soja\/","title":{"rendered":"\u00c1rea incendiada no \u2018Dia do Fogo\u2019 foi transformada em planta\u00e7\u00e3o de soja"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong><br \/>\n<strong>Daniel Camargos<\/strong><br \/>\n<strong>08 de fevereiro de 2022<\/strong><br \/>\n<strong>Amaz\u00f4nia Brasileira<\/strong><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Em nova visita a assentamento alvo dos inc\u00eandios criminosos de 2019, reportagem descobre que \u00e1rea queimada hoje abriga campos de soja; cruzamento in\u00e9dito de dados confirma presen\u00e7a da atividade agr\u00edcola, proibida no local<\/em><\/h3>\n<p>Passados mais de dois anos do chamado <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/dia-do-fogo\/\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">\u201cDia do Fogo\u201d<\/a>, quando fazendeiros e empres\u00e1rios do sudoeste do Par\u00e1 se articularam para queimar a floresta amaz\u00f4nica, ningu\u00e9m foi preso e as investiga\u00e7\u00f5es policiais n\u00e3o deram em nada. Junto com a impunidade brota a soja.<br \/>\nEm um dos locais mais devastados pelo fogo, o Projeto de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (PDS) Terra Nossa, h\u00e1 lotes repletos de planta\u00e7\u00f5es de soja, conforme p\u00f4de comprovar a <strong>Rep\u00f3rter Brasil <\/strong>quando foi ao local, em outubro de 2021. Esse tipo de cultivo contraria a finalidade dessa <a href=\"https:\/\/www.in.gov.br\/en\/web\/dou\/-\/instrucao-normativa-n-98-de-30-de-dezembro-de-2019-236095812\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">modalidade de reforma agr\u00e1ria<\/a>, que deveria ser de interesse social e ecol\u00f3gico, destinado \u00e0 subsist\u00eancia das fam\u00edlias assentadas.<br \/>\nEm um levantamento in\u00e9dito, a reportagem cruzou as coordenadas dos locais onde flagrou a soja com os dados de alertas de inc\u00eandio dos <a href=\"https:\/\/firms.modaps.eosdis.nasa.gov\/map\/#t:adv;m:advanced;d:2019-08-10..2019-08-11;l:viirs,modis_a,modis_t,country-outline;@-55.1,-7.6,13z\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">sat\u00e9lites da Nasa<\/a>. No \u201cDia do Fogo\u201d, entre 10 e 11 de agosto de 2019, foram registrados 197 focos de inc\u00eandio. A partir desse cruzamento, foi poss\u00edvel comprovar que uma \u00e1rea de 300 hectares com v\u00e1rios focos de inc\u00eandio na \u00e9poca abriga hoje, dois anos depois, planta\u00e7\u00f5es do gr\u00e3o. O objetivo do grupo que fez uma vaquinha para incendiar a floresta agora fica claro: abrir espa\u00e7o para a soja.<br \/>\nEm um intervalo de tr\u00eas anos, a <strong>Rep\u00f3rter Brasil <\/strong>esteve duas vezes em Novo Progresso, cidade pr\u00f3xima ao assentamento que \u00e9 conhecida como \u201co epicentro do Dia do Fogo\u201d. A primeira vez foi logo ap\u00f3s as queimadas, quando <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2019\/10\/investigacoes-apontam-fazendeiros-e-empresarios-de-novo-progresso-como-organizadores-do-dia-do-fogo\/\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">revelamos quem eram os investigados<\/a>. A segunda, em outubro de 2021, quando a reportagem observou uma cidade modificada, cercada por planta\u00e7\u00f5es do gr\u00e3o, com silos de armazenagem sendo erguidos, e um centro urbano modernizado, com lojas chiques e picapes robustas cruzando as ruas e avenidas recapeadas.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-57298 aligncenter\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/43__FM_1634.jpg\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/43__FM_1634.jpg 1920w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/43__FM_1634-150x100.jpg 150w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/43__FM_1634-300x200.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/43__FM_1634-800x533.jpg 800w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/43__FM_1634-640x427.jpg 640w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/43__FM_1634-1080x720.jpg 1080w\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" \/><figcaption>Pedro Boa Sorte conta j\u00e1 ter resistido a v\u00e1rias investidas de fazendeiros para comprar o lote que recebeu, vizinho a uma planta\u00e7\u00e3o de soja; \u2018Ficam cobi\u00e7ando a minha terra, mas eu n\u00e3o arredo o p\u00e9\u2019 (Foto: Fernando Martinho)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Se o fogo foi o combust\u00edvel para o aparente progresso, o que n\u00e3o mudou, contudo, foi a viol\u00eancia que acompanhou o boom do agroneg\u00f3cio. Quem se op\u00f5e \u00e0 investida dos empres\u00e1rios que querem comprar e arrendar as terras destinadas aos pequenos produtores sofre com amea\u00e7as e atentados. Dois l\u00edderes que atuavam no PDS Terra Nossa<a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2018\/10\/tres-assassinatos-em-tres-dias-campo-revive-escalada-de-violencia\/\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\"> j\u00e1 foram assassinados<\/a> e a atual lideran\u00e7a, Maria M\u00e1rcia Elp\u00eddia de Melo, <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2020\/12\/policia-investiga-atentado-contra-lider-de-assentamento-no-para-que-denuncia-acao-de-grileiros-e-madeireiros\/\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">sobreviveu a um atentado<\/a> e convive com amea\u00e7as constantes.<br \/>\n\u201cO objetivo deles [empres\u00e1rios do agro] \u00e9 desmatar. Isso est\u00e1 claro. N\u00e3o precisa nem explicar. S\u00f3 a autoridade passar voando aqui que v\u00ea\u201d, afirma Melo, que preside a associa\u00e7\u00e3o de assentados e est\u00e1 inserida em um programa de prote\u00e7\u00e3o aos defensores de direitos humanos do governo paraense. Do seu lote, ela se divide entre o medo das amea\u00e7as constantes e a luta para conseguir sobreviver conciliando a produ\u00e7\u00e3o com a preserva\u00e7\u00e3o da floresta.<br \/>\nMelo acusa o Incra (Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria) de ter abandonado as fam\u00edlias por n\u00e3o fornecer a infraestrutura necess\u00e1ria para que elas pudessem produzir. Um cen\u00e1rio que abre espa\u00e7o para o roubo de terras e a press\u00e3o sobre os pequenos agricultores \u201cOs grileiros est\u00e3o avan\u00e7ando e fomentando a venda de lotes\u201d, afirma.<br \/>\nA acusa\u00e7\u00e3o de Melo \u00e9 confirmada por um diagn\u00f3stico realizado pelo pr\u00f3prio Incra antes da posse do presidente Jair Bolsonaro. O <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/diagnostico-fundairio-do-pds-terra-nossa-2016.pdf\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">documento<\/a> constata que a aus\u00eancia de transporte escolar, de \u00e1gua encanada e de cr\u00e9dito para agricultura familiar \u2013\u00a0 al\u00e9m dos conflitos com grandes propriet\u00e1rios \u2013 levaram grande parte das fam\u00edlias do assentamento a desistir do lote e negociar a posse.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-57296 aligncenter\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/38__FM_1440.jpg\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/38__FM_1440.jpg 1920w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/38__FM_1440-150x100.jpg 150w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/38__FM_1440-300x200.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/38__FM_1440-800x533.jpg 800w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/38__FM_1440-640x427.jpg 640w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/38__FM_1440-1080x720.jpg 1080w\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" \/><figcaption>A atual l\u00edder do assentamento, Maria M\u00e1rcia Melo, conta que o pequeno produtor n\u00e3o planta soja: \u201cQuem disser aqui que \u00e9 plantador de soja \u00e9 um baita de um laranja de empres\u00e1rio\u201d (Foto: Fernando Martinho\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Procurado, o Incra afirma que \u201c\u00e9 contr\u00e1rio \u00e0s atividades irregulares que destoam do objetivo do assentamento na modalidade projeto de desenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d e que est\u00e1 atuando para coibir atividades irregulares nas \u00e1reas de reforma agr\u00e1ria da regi\u00e3o. O \u00f3rg\u00e3o diz ainda que est\u00e1 previsto para este ano a concess\u00e3o de cr\u00e9ditos para atividades produtivas e constru\u00e7\u00e3o de casas. <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2022\/02\/integra-das-respostas-do-incra\/\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">Leia a \u00edntegra da resposta do Incra.\u00a0<\/a><\/p>\n<h1>Floresta de p\u00e9 e irm\u00e3 Dorothy<\/h1>\n<p>O Terra Nossa foi criado em 2006 em uma \u00e1rea de 150 mil hectares, equivalente ao tamanho da cidade de S\u00e3o Paulo, localizada entre os munic\u00edpios de Novo Progresso e Altamira. No ano anterior \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do novo assentamento, em 2005, a mission\u00e1ria norte-americana <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/bolsonaristas-contra-sucessor-dorothy-stang\/\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">Dorothy Stang foi assassinada em Anapu<\/a>, justamente por defender este modelo de reforma agr\u00e1ria voltado para a preserva\u00e7\u00e3o da floresta.<br \/>\nNa pr\u00e1tica, por\u00e9m, o que se v\u00ea no Terra Nossa est\u00e1 distante do sonho de Dorothy e da luta de Maria M\u00e1rcia de Melo. Depois de o assentamento ser afetado pelo roubo de madeira, <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2019\/10\/mesmo-apos-dia-do-fogo-madeireiros-ilegais-seguem-destruindo-amazonia-e-ameacando-assentados\/\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">como a <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> mostrou em 2019<\/a>, a soja foi semeada pr\u00f3xima \u00e0 vila que concentra casas de alguns moradores. A \u00e1rea cultivada, que equivale ao terreno de tr\u00eas fam\u00edlias, foi comprada por um empres\u00e1rio do distrito de Cachoeira da Serra, que tamb\u00e9m \u00e9 propriet\u00e1rio de uma serraria, conforme relatam os moradores.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-57314 aligncenter\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/print2.jpg\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/print2.jpg 1280w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/print2-150x62.jpg 150w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/print2-300x124.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/print2-800x332.jpg 800w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/print2-640x266.jpg 640w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/print2-1080x448.jpg 1080w\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"531\" \/><figcaption>Imagem de sat\u00e9lite da Nasa mostra que \u00e1rea onde hoje h\u00e1 soja coincide com alertas de inc\u00eandio registados no \u2018Dia do Fogo\u2019 (Foto: FIRMS\/Nasa)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>\u201cA ocupa\u00e7\u00e3o por planta\u00e7\u00f5es de soja evidentemente desvirtua o prop\u00f3sito do PDS, que \u00e9 voltado para atividades econ\u00f4micas aliadas ao desenvolvimento sustent\u00e1vel do meio ambiente. A soja \u00e9 uma das atividades mais nocivas que h\u00e1 na agropecu\u00e1ria\u201d, afirma o procurador do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, Gabriel Dalla Favera de Oliveira.<br \/>\nEle j\u00e1 <a href=\"http:\/\/www.mpf.mp.br\/pa\/sala-de-imprensa\/documentos\/2020\/recomendacao_mpf_ao_incra_retirada_grileiros_invasores_pds_terra_nossa_pa_21outubro2020.pdf\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">notificou o Incra<\/a> para que o \u00f3rg\u00e3o d\u00ea andamento ao processo de reforma agr\u00e1ria do PDS Terra Nossa e implante o que est\u00e1 previsto no diagn\u00f3stico feito pelo pr\u00f3prio \u00f3rg\u00e3o. O documento detalha que o PDS deveria abrigar mil fam\u00edlias. Contudo, s\u00e3o apenas 300 fam\u00edlias. Os assentados dividem a \u00e1rea com 131 fazendas, que est\u00e3o sobrepostas \u00e0 \u00e1rea. Sendo que dessas fazendas, 77 foram formadas ap\u00f3s 2006. Ou seja, configuram uma invas\u00e3o da \u00e1rea destinada \u00e0 reforma agr\u00e1ria.<br \/>\nCom lobby e press\u00e3o pol\u00edtica, esses fazendeiros invasores conseguiram que o Incra reduzisse a \u00e1rea do PDS em quase oito vezes, para apenas 20 mil hectares, em 2015. O ato foi desfeito por determina\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal.<br \/>\nA tentativa de redu\u00e7\u00e3o levou o MPF a ajuizar uma a\u00e7\u00e3o por improbidade administrativa contra o superintendente regional do Incra e contra outros dois servidores que atuaram para reduzir o PDS. Os tr\u00eas (Luiz Bacellar Guerreiro J\u00fanior, M\u00e1rio da Silva Teles e Zeric\u00e9 da Silva Dias) foram condenados a pagar uma multa, al\u00e9m de terem suspensos os direitos pol\u00edticos e ficarem proibidos de realizarem contratos com o poder p\u00fablico por tr\u00eas anos.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-57297 aligncenter\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/40_DJI_0032.jpg\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/40_DJI_0032.jpg 1920w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/40_DJI_0032-150x112.jpg 150w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/40_DJI_0032-300x225.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/40_DJI_0032-800x600.jpg 800w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/40_DJI_0032-640x480.jpg 640w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/40_DJI_0032-510x382.jpg 510w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/40_DJI_0032-1080x809.jpg 1080w\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1439\" \/><figcaption>Imagem a\u00e9rea mostra campo semeado de soja dentro do PDS Terra Nossa; a atividade agr\u00edcola \u00e9 incompat\u00edvel com a modalidade de reforma agr\u00e1ria do assentamento (Foto: Fernando Martinho\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h1>Vizinho \u00e0 terra ind\u00edgena<\/h1>\n<p>Segundo o Incra, a proximidade do Nossa Terra com a Terra Ind\u00edgena Ba\u00fa, do povo Kayap\u00f3, \u00e9 o motivo para escolha da modalidade do PDS. Isso porque a explora\u00e7\u00e3o agr\u00edcola intensiva, como \u00e9 o caso da soja, pode impactar a TI, \u201cque j\u00e1 sofre com a explora\u00e7\u00e3o ilegal de madeira e com a press\u00e3o de garimpos clandestinos, que utilizam o PDS Terra Nossa como porta de entrada ao territ\u00f3rio ind\u00edgena\u201d, detalha o diagn\u00f3stico fundi\u00e1rio.<br \/>\nPara Melo, l\u00edder dos assentados, a soja n\u00e3o \u00e9 uma planta\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel para quem sobrevive de agricultura familiar. \u201cTu j\u00e1 viu pequeno agricultor plantar soja? O que ele vai fazer com a soja?\u201d,\u00a0 questiona. \u201cEu n\u00e3o sei fazer nada com soja. Quem disser aqui que \u00e9 plantador de soja \u00e9 um baita de um laranja de empres\u00e1rio\u201d.<br \/>\nMelo e o marido vivem em uma casa feita com barro, tijolos de adobe e piso de terra batida, sem energia el\u00e9trica e com o medo constante de serem assassinados por enfrentarem os interesses dos empres\u00e1rios que querem as terras que deveriam ser destinadas aos pequenos produtores. Produzem mel, criam galinhas, poucas cabe\u00e7as de gado, alguns porcos e plantam uma ro\u00e7a variada para subsist\u00eancia, com um quintal repleto de \u00e1rvores frut\u00edferas, como pitangueiras e jabuticabeiras.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-57299 aligncenter\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/45__FM_8299.jpg\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/45__FM_8299.jpg 1920w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/45__FM_8299-150x100.jpg 150w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/45__FM_8299-300x200.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/45__FM_8299-800x533.jpg 800w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/45__FM_8299-640x427.jpg 640w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/45__FM_8299-1080x720.jpg 1080w\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" \/><figcaption>M\u00e1quinas trabalham inclusive durante a noite para semear campo de soja nas margens da BR-163, em Novo Progresso (PA) (Foto: Fernando Martinho\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Diante da amea\u00e7a do agroneg\u00f3cio, o sonho de ter a pr\u00f3pria terra \u00e9 penoso para Melo. Dois l\u00edderes que a antecederam foram assassinados.\u00a0 Em 2018, Ant\u00f4nio Rodrigues dos Santos, o Bigode, desapareceu ap\u00f3s denunciar extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeira. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Sintraf) da vizinha Castelo dos Sonhos, <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2018\/10\/tres-assassinatos-em-tres-dias-campo-revive-escalada-de-violencia\/\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">Alu\u00edsio Sampaio<\/a>, passou a exigir publicamente a investiga\u00e7\u00e3o do desaparecimento de Bigode. Tamb\u00e9m foi assassinado.<br \/>\nOs filhos de Maria M\u00e1rcia Melo foram embora do assentamento devido \u00e0s amea\u00e7as. Ela relata que ouve recados intimidadores com frequ\u00eancia, al\u00e9m de ter sido alvo de disparos de tiros na dire\u00e7\u00e3o de seu terreno. Balas chegaram a atingir os bois. Em novembro de 2020, uma picape bateu violentamente na traseira do carro que Melo estava. \u201cVoc\u00ea tem que morrer, miser\u00e1vel\u201d, disse o motorista para ela. A Pol\u00edcia Civil investigou, mas ningu\u00e9m foi preso ou indiciado.<br \/>\nA Pol\u00edcia Civil paraense tamb\u00e9m n\u00e3o elucidou quem foram os respons\u00e1veis pelo \u201cDia do Fogo\u201d. O mesmo aconteceu com o inqu\u00e9rito da Pol\u00edcia Federal, que n\u00e3o resultou em nenhuma pris\u00e3o. A hip\u00f3tese investigada por ambas \u00e9 a de que o \u201cDia do Fogo\u201d foi organizado por empres\u00e1rios e fazendeiros de Novo Progresso, que chegaram a ser interrogados e tiveram documentos, celulares e computadores apreendidos.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-57294 aligncenter\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/FM_1929.jpg\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/FM_1929.jpg 1920w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/FM_1929-150x100.jpg 150w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/FM_1929-300x200.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/FM_1929-800x533.jpg 800w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/FM_1929-640x427.jpg 640w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/FM_1929-1080x720.jpg 1080w\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" \/><figcaption>Parte da paisagem: outdoors de apoio a Bolsonaro s\u00e3o corriqueiras ao longo de toda a extens\u00e3o da BR-163, no sudoeste do Par\u00e1 e no Norte do Mato Grosso (Foto: Fernando Martinho\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h1>\u2018Sobreviver para n\u00e3o morrer\u2019<\/h1>\n<p>\u201cO Incra vacilou. N\u00e3o era para deixar esse homem fazer isso aqui\u201d, diz o assentado Pedro Ferreira da Boa Sorte, de 72 anos, apontando para a planta\u00e7\u00e3o de soja vizinha a seu lote no PDS Terra Nossa. Pedro diz j\u00e1 ter resistido a v\u00e1rias investidas de fazendeiros para comprar o lote que recebeu. \u201cFicam cobi\u00e7ando a minha terra, mas eu n\u00e3o arredo o p\u00e9\u201d, afirma.<br \/>\nBoa Sorte cria poucas cabe\u00e7as de gado, algumas galinhas e planta apenas para subsist\u00eancia. Sem energia el\u00e9trica ou abastecimento de \u00e1gua, vive em uma casa com o ch\u00e3o de terra e as paredes de barro. Quando a reportagem conversou com Boa Sorte, a soja havia acabado de ser semeada, mas ele temia que o pior viria depois. \u201cQuando estiver madura eles v\u00e3o jogar veneno e \u00e9 capaz de me atingir. Eu sofro de asma e vai me atacar\u201d, pressentiu o assentado. Diante da amea\u00e7a da soja, ele diz que resta a ele apenas \u201csobreviver para n\u00e3o morrer\u201d.<\/p>\n<ul class=\"wp-block-gallery columns-2 is-cropped\">\n<li class=\"blocks-gallery-item\">\n<figure><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-57301 aligncenter\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/48__FM_1892-800x533.jpg\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/48__FM_1892-800x533.jpg 800w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/48__FM_1892-150x100.jpg 150w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/48__FM_1892-300x200.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/48__FM_1892-640x427.jpg 640w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/48__FM_1892-1080x720.jpg 1080w\" alt=\"\" data-id=\"57301\" data-link=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/48__fm_1892\/\" \/><figcaption>Alaiane Monteiro, vendedora da Lolita\u2019s, um das lojas que refletem o \u2018boom\u2019 da soja em Novo Progresso<\/figcaption><\/figure>\n<\/li>\n<li class=\"blocks-gallery-item\">\n<figure><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-57292 aligncenter\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/FM_1328-800x533.jpg\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/FM_1328-800x533.jpg 800w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/FM_1328-150x100.jpg 150w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/FM_1328-300x200.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/FM_1328-640x427.jpg 640w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/FM_1328-1080x720.jpg 1080w\" alt=\"\" data-id=\"57292\" data-link=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/_fm_1328\/\" \/><figcaption>Detalhes da decora\u00e7\u00e3o da churrascaria Planalto Grill, inaugurada no ano passado na cidade<\/figcaption><\/figure>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>A entrada para o PDS Terra Nossa \u00e9 pela BR-163, a rodovia da soja, por onde seguem os caminh\u00f5es carregados do Mato Grosso para o porto de Itaituba, nas margens do rio Tapaj\u00f3s. Ao transitar pela estrada percebe-se nitidamente nos \u00faltimos dois anos a subida das planta\u00e7\u00f5es em dire\u00e7\u00e3o ao norte paraense. Em outubro de 2021, m\u00e1quinas trabalhavam durante a noite semeando soja nas margens da rodovia. Silos para armazenamento do gr\u00e3o foram erguidos e outros est\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h1>Colhendo o \u2018ouro verde\u2019<\/h1>\n<p>A quantidade de soja produzida em Novo Progresso quase dobrou em dois anos. Passou de 24 mil toneladas em 2018 para 41 mil toneladas em 2020. Ao considerarmos que em 2005 a produ\u00e7\u00e3o de soja na cidade era irris\u00f3ria \u2013 com 625 toneladas, segundo o IBGE \u2013 \u00e9 poss\u00edvel dizer que Novo Progresso vive um boom com o gr\u00e3o.<br \/>\nSe na \u00e1rea rural, pequenos agricultores sofrem com a investida dos sojeiros, na \u00e1rea urbana o \u201couro verde\u201d, como \u00e9 conhecida a oleaginosa, mostra sua pujan\u00e7a. Em um intervalo de dois anos, a cidade ganhou um banho de loja. Surgiram boutiques, franquias de marcas famosas, restaurantes, churrascarias e muitas ruas que eram de terra foram asfaltadas.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-57300 aligncenter\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/46_DJI_0041-Pano.jpg\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/46_DJI_0041-Pano.jpg 1920w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/46_DJI_0041-Pano-150x48.jpg 150w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/46_DJI_0041-Pano-300x95.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/46_DJI_0041-Pano-800x255.jpg 800w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/46_DJI_0041-Pano-640x204.jpg 640w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/46_DJI_0041-Pano-1080x344.jpg 1080w\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"611\" \/><figcaption>Lucro do \u2018ouro verde\u2019 transformou Novo Progresso, que ganhou ruas asfaltadas, novos restaurantes e lojas de grife (Foto: Fernando Martinho\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>\u201cDeus aben\u00e7oe\u201d, responde a vendedora Alaine Monteiro, de 26 anos, ao ser perguntada se a cidade vai se tornar uma nova Sinop. A capital da soja e do Nort\u00e3o \u2013 como \u00e9 chamada a regi\u00e3o Norte do Mato Grosso \u2013 \u00e9 refer\u00eancia de progresso para quem vive em Novo Progresso, distante 500 km, mas pr\u00f3xima para os padr\u00f5es de dist\u00e2ncia da regi\u00e3o. A vendedora veio de Santar\u00e9m para trabalhar na Lolita\u2019s \u2013 uma descolada loja\u00a0 de roupas \u2013 no centro de Nova Progresso.<br \/>\nOutra que chegou na cidade recentemente foi a propriet\u00e1ria da churrascaria Planalto Grill, Tatiana Silva. Ela veio de Guarant\u00e3 do Norte, no Mato Grosso, e inaugurou o estabelecimento no ano passado. Caprichou na decora\u00e7\u00e3o com espelhos no estilo Lu\u00eds XV,\u00a0 flores de pl\u00e1stico em vasos feitos com garrafas de cerveja pintadas de prata e imensos aparelhos de ar condicionado.<br \/>\nAp\u00f3s o almo\u00e7o de domingo, do lado de fora da churrascaria, o term\u00f4metro no painel do carro marca 43\u00b0C. A maioria das picapes estacionadas s\u00e3o novas e exibem adesivos com a bandeira do Brasil e frases de apoio ao atual presidente. \u201cUma na\u00e7\u00e3o, um povo, um l\u00edder. Eu apoio Bolsonaro 2022\u201d est\u00e1 colado na ca\u00e7amba de uma Toyota Hilux.<\/p>\n<p><em>Esta reportagem foi realizada com o apoio da <a href=\"https:\/\/www.dgb.de\/\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">DGB Bildungswerk<\/a>, no marco do projeto PN: 2020 2611 0\/DGB0014, sendo seu conte\u00fado de responsabilidade exclusiva da Rep\u00f3rter Brasil<\/em><\/p>\n<p><strong>Texto original dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2022\/02\/area-incendiada-no-dia-do-fogo-foi-transformada-em-plantacao-de-soja\/\">https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2022\/02\/area-incendiada-no-dia-do-fogo-foi-transformada-em-plantacao-de-soja\/<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rep\u00f3rter Brasil Daniel Camargos 08 de fevereiro de 2022 Amaz\u00f4nia Brasileira Em nova visita a assentamento alvo dos inc\u00eandios criminosos de 2019, reportagem descobre que \u00e1rea queimada hoje abriga campos de soja; cruzamento in\u00e9dito de dados confirma presen\u00e7a da atividade agr\u00edcola, proibida no local Passados mais de dois anos do chamado \u201cDia do Fogo\u201d, quando&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":333,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-32672","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-radar","category-1","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32672","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/333"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32672"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32672\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32674,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32672\/revisions\/32674"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32672"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32672"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32672"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}