{"id":32743,"date":"2022-02-02T18:21:41","date_gmt":"2022-02-02T21:21:41","guid":{"rendered":"https:\/\/dev.amazoniasocioambiental.org\/radar\/desmatamento-na-amazonia-cresceu-566-sob-governo-bolsonaro\/"},"modified":"2022-04-26T16:19:23","modified_gmt":"2022-04-26T19:19:23","slug":"desmatamento-na-amazonia-cresceu-566-sob-governo-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/radar\/desmatamento-na-amazonia-cresceu-566-sob-governo-bolsonaro\/","title":{"rendered":"Desmatamento na Amaz\u00f4nia cresceu 56,6% sob governo Bolsonaro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>IPAM <\/strong><br \/>\n<strong>Reda\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\n<strong>02 de fevereiro de 2022<\/strong><br \/>\n<strong>Amaz\u00f4nia brasileira<\/strong><\/p>\n<p>A derrubada de florestas na Amaz\u00f4nia alcan\u00e7ou um novo e alarmante patamar nos \u00faltimos tr\u00eas anos. O desmatamento no bioma foi 56,6% maior entre agosto de 2018 e julho de 2021 que no mesmo per\u00edodo de 2015 a 2018. \u00c9 o que mostra <a href=\"https:\/\/ipam.org.br\/bibliotecas\/amazonia-em-chamas-9-o-novo-e-alarmante-patamar-do-desmatamento-na-amazonia\/\">novo estudo do IPAM<\/a> (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia), publicado nesta quarta-feira (2). O avan\u00e7o ficou evidente ainda no segundo semestre de 2018, como consequ\u00eancia das elei\u00e7\u00f5es presidenciais daquele ano, e pesquisadoras avaliam que o efeito tende a se repetir em 2022.<br \/>\n\u201cEstamos subindo degraus r\u00e1pido demais quanto \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia e n\u00e3o podemos nos acostumar com isso. Quando olhamos para os n\u00fameros dos \u00faltimos tr\u00eas anos, fica claro o retrocesso daquilo que o Brasil foi um dia. Seguimos um caminho totalmente oposto \u00e0s atitudes que o planeta precisa, com urg\u00eancia, neste momento\u201d, diz Ane Alencar, diretora de Ci\u00eancia no IPAM e principal autora do estudo. \u201cSabemos como fazer isso, j\u00e1 derrubamos o desmatamento antes.\u201d<br \/>\nOs aumentos consecutivos desde 2018 parecem determinar, segundo as autoras, a nova din\u00e2mica de desmatamento na Amaz\u00f4nia \u2013 problema regido, na atual gest\u00e3o, por meio do enfraquecimento de \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o e, portanto, pela falta de puni\u00e7\u00e3o a crimes ambientais, bem como pela redu\u00e7\u00e3o significativa de a\u00e7\u00f5es imediatas de combate e controle e pelos retrocessos legislativos.<br \/>\nDe acordo com o texto, mais da metade (51%) do desmatamento do \u00faltimo tri\u00eanio ocorreu em terras p\u00fablicas, principalmente (83%) em \u00e1reas de dom\u00ednio federal. Em termos absolutos, Florestas P\u00fablicas N\u00e3o Destinadas foram as mais atingidas: tiveram alta de 85% na \u00e1rea desmatada, passando de 1.743 km\u00b2 derrubados anualmente para mais de 3.228 km\u00b2. No \u00faltimo ano, essa categoria de floresta p\u00fablica concentrou um ter\u00e7o de todo o desmatamento no bioma.<br \/>\nProporcionalmente \u00e0 \u00e1rea dos territ\u00f3rios, terras ind\u00edgenas (TIs) tiveram alta de 153% em m\u00e9dia no desmatamento comparado do \u00faltimo tri\u00eanio (1.255 km\u00b2) para o anterior (496 km\u00b2). J\u00e1 o desmatamento em unidades de conserva\u00e7\u00e3o (UCs) teve aumento proporcional de 63,7%, com 3.595 km\u00b2 derrubados no \u00faltimo tri\u00eanio contra 2.195 km\u00b2 nos tr\u00eas anos anteriores.<br \/>\n<strong>Antes e depois<\/strong><br \/>\nCom base em dados brutos do Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amaz\u00f4nia Legal por Sat\u00e9lite), sistema do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a an\u00e1lise mostra as categorias fundi\u00e1rias e os Estados nos quais o desmatamento tem se concentrado nos \u00faltimos seis anos, e constr\u00f3i um \u201cantes e depois\u201d da troca de gest\u00e3o federal. \u201cO estudo indica \u00e1reas cr\u00edticas que demandam a\u00e7\u00f5es imediatas para o combate ao desmatamento e para o fortalecimento de a\u00e7\u00f5es de comando e controle\u201d, explica Alencar.<br \/>\nUma das regi\u00f5es mais afetadas citadas no estudo \u00e9 a divisa Amacro, entre Amazonas, Acre e Rond\u00f4nia, caracterizada como a nova fronteira do desmatamento no bioma. Amazonas, inclusive, passou da terceira para a segunda posi\u00e7\u00e3o como Estado que mais desmatou a Amaz\u00f4nia. Est\u00e1 atr\u00e1s apenas do Par\u00e1, Estado onde se encontram as \u00e1reas mais cr\u00edticas de perda de floresta, e que se mant\u00e9m em primeiro lugar desde 2017.<br \/>\nAo evidenciar a distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica de regi\u00f5es com altos \u00edndices de desmatamento no Brasil, as pesquisadoras indicam caminhos para mitigar o problema a partir de responsabilidades de atua\u00e7\u00e3o dos governos federal, estaduais e municipais, bem como da iniciativa privada na tomada de decis\u00e3o sobre o uso do solo tanto em terras p\u00fablicas como em \u00e1reas de propriedade particular.<br \/>\n<strong>Recomenda\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>\nEntre as diretrizes, al\u00e9m do combate \u00e0 grilagem e \u00e0s invas\u00f5es de terras que desmatam e degradam o patrim\u00f4nio p\u00fablico em prol de benef\u00edcios privados, as autoras refor\u00e7am a necessidade de seguran\u00e7a territorial em \u00e1reas protegidas de TIs e de UCs, com apoio a economias de base florestal. S\u00e3o recomendadas a valoriza\u00e7\u00e3o da bioeconomia e a efetiva\u00e7\u00e3o de linhas de financiamento, de fomento e de assist\u00eancia t\u00e9cnica \u00e0 agricultura familiar, povos e comunidades tradicionais.<br \/>\nO investimento em uma agenda de incentivo \u00e0s boas pr\u00e1ticas na agropecu\u00e1ria tamb\u00e9m \u00e9 lembrado, pr\u00e1tica que reduziria quase metade (49%) do desmatamento ocorrido no Brasil, hoje concentrado em im\u00f3veis e em assentamentos rurais. O pagamento por servi\u00e7os ambientais (PAS) seria uma dessas possibilidades, a exemplo do <a href=\"https:\/\/conserv.org.br\/\">Conserv<\/a>, mecanismo privado de ades\u00e3o volunt\u00e1ria idealizado pelo IPAM, que compensa produtores rurais por conservarem a vegeta\u00e7\u00e3o nativa que poderia ser legalmente suprimida em suas propriedades.<br \/>\n\u201cPol\u00edticas de valoriza\u00e7\u00e3o dos ativos ambientais, PAS e sistemas jurisdicionais de cr\u00e9ditos de carbono, em conjunto ao fomento \u00e0s cadeias produtivas sustent\u00e1veis, t\u00eam grande potencial de estabelecer uma nova economia para a Amaz\u00f4nia. Isso contando com o engajamento do mercado e da iniciativa privada na sua alavancagem, complementando a\u00e7\u00f5es governamentais de comando e controle e trazendo impacto positivo na redu\u00e7\u00e3o do desmatamento por meio do desenvolvimento econ\u00f4mico sustent\u00e1vel para a regi\u00e3o\u201d, prop\u00f5e o diretor s\u00eanior de Pol\u00edticas P\u00fablicas e Desenvolvimento Territorial do IPAM, Eug\u00eanio Pantoja.<br \/>\nO estudo destaca a import\u00e2ncia de uma estrat\u00e9gia regional robusta integrada aos planos estaduais de preven\u00e7\u00e3o e controle do desmatamento, com o restabelecimento de lideran\u00e7a, articula\u00e7\u00e3o entre \u00f3rg\u00e3os governamentais respons\u00e1veis e estrutura\u00e7\u00e3o de governan\u00e7a clara para o combate ao desmatamento ser implementado de maneira eficiente, como atrav\u00e9s da destina\u00e7\u00e3o de florestas p\u00fablicas para a conserva\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o florestal sustent\u00e1vel. \u00c9 ainda importante revisar os retrocessos na pol\u00edtica ambiental, com a revoga\u00e7\u00e3o dos Projetos de Lei (PLs) n\u00ba 2.633\/2020 e 510\/2021, da grilagem, n\u00b0 2.159\/2021, do licenciamento ambiental, e n\u00b0 191\/2020 e da minera\u00e7\u00e3o em terras ind\u00edgenas.<br \/>\n\u201cTodas essas medidas ter\u00e3o como efeito a redu\u00e7\u00e3o das derrubadas, melhorando a qualidade de vida das pessoas, trazendo efici\u00eancia produtiva e conectando o mercado brasileiro ao engajamento de atores globais por produtos sem o rastro do desmatamento\u201d, acrescenta Alencar. \u201cNesse sentido, a revoga\u00e7\u00e3o de projetos de lei e de retrocesso \u00e9 essencial para dar um sinal claro de que estamos nos movimentando para barrar o crime ambiental, e n\u00e3o para que ele esteja dentro da lei no futuro.\u201d<br \/>\n<a href=\"https:\/\/ipam.org.br\/bibliotecas\/amazonia-em-chamas-9-o-novo-e-alarmante-patamar-do-desmatamento-na-amazonia\/\">Leia a nota t\u00e9cnica na \u00edntegra<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Texto original dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/ipam.org.br\/desmatamento-na-amazonia-cresceu-566-sob-governo-bolsonaro\/\">https:\/\/ipam.org.br\/desmatamento-na-amazonia-cresceu-566-sob-governo-bolsonaro\/<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>IPAM Reda\u00e7\u00e3o 02 de fevereiro de 2022 Amaz\u00f4nia brasileira A derrubada de florestas na Amaz\u00f4nia alcan\u00e7ou um novo e alarmante patamar nos \u00faltimos tr\u00eas anos. 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