{"id":32813,"date":"2022-01-28T15:06:55","date_gmt":"2022-01-28T18:06:55","guid":{"rendered":"https:\/\/dev.amazoniasocioambiental.org\/radar\/paisagens-conservadas-barram-doencas-como-a-covid-19\/"},"modified":"2022-04-26T16:47:42","modified_gmt":"2022-04-26T19:47:42","slug":"paisagens-conservadas-barram-doencas-como-a-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/radar\/paisagens-conservadas-barram-doencas-como-a-covid-19\/","title":{"rendered":"Paisagens conservadas barram doen\u00e7as como a Covid-19"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">I<strong>nfoamaz\u00f4nia<\/strong><br \/>\n<span class=\"byline\"> <span class=\"author vcard\"><strong>Aldem Bourscheit<\/strong><br \/>\n<strong>28 de janeiro de 2022<br \/>\nAmaz\u00f4nia brasileira <\/strong><br \/>\n<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Cientistas refor\u00e7am que reduzir as amea\u00e7as de cont\u00e1gio por zoonoses depende da \u201cimunidade paisag\u00edstica\u201d, mas no Brasil a manuten\u00e7\u00e3o de grandes ambientes conservados esbarra em brechas e atrasos na implanta\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Florestal.<\/em><\/h3>\n<p>A escalada do desmatamento na Amaz\u00f4nia e em outros ambientes brasileiros foi retomada em 2012 e bate <a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2021\/11\/19\/desmatamento-amazonia-aumento-maior-15-anos-prodes\/\">recordes sucessivos<\/a> no governo de Jair Bolsonaro (PL). No fechamento desta reportagem, o pa\u00eds acumulava mais de 625 mil mortes e 24,7 milh\u00f5es de contamina\u00e7\u00f5es por Covid-19, conforme <a href=\"https:\/\/covid.saude.gov.br\/\">dados oficiais<\/a>. Cientistas de institui\u00e7\u00f5es estadunidenses e canadenses apontam que conter a destrui\u00e7\u00e3o ambiental reduz as chances de novas pandemias.<br \/>\nUma pesquisa publicada na revista <em>Conservation Letters<\/em> <a href=\"https:\/\/conbio.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/pdf\/10.1111\/conl.12869\">refor\u00e7a<\/a> que a elimina\u00e7\u00e3o e a degrada\u00e7\u00e3o de florestas s\u00e3o grandes fontes da transmiss\u00e3o de zoonoses como a Covid-19, que inicialmente chegam \u00e0s pessoas por insetos ou contato direto com animais selvagens e dom\u00e9sticos. O trabalho traz casos no Maranh\u00e3o e em outros estados de infectados por febre-amarela e febre-maculosa. Reduzir as amea\u00e7as de cont\u00e1gio depende da \u201cimunidade paisag\u00edstica\u201d, ou seja, da manuten\u00e7\u00e3o de grandes ambientes conservados.<br \/>\nA dissemina\u00e7\u00e3o de zoonoses e outras enfermidades guardadas em ambientes naturais \u00e9 ligada ao desmatamento, urbaniza\u00e7\u00e3o, obras de infraestrutura e outros impactos. Sem suas moradas e predadores habituais, mosquitos e animais s\u00e3o empurrados para fora das florestas, com v\u00edrus e outros parasitas que podem infectar as pessoas em povoamentos rurais e urbanos.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><a href=\"https:\/\/conbio.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/pdf\/10.1111\/conl.12869\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-124771 aligncenter\" src=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/infectshedspillspread-1-1024x472.png\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/infectshedspillspread-1-1024x472.png 1024w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/infectshedspillspread-1-300x138.png 300w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/infectshedspillspread-1-768x354.png 768w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/infectshedspillspread-1-1200x553.png 1200w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/infectshedspillspread-1-400x184.png 400w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/infectshedspillspread-1.png 1277w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"472\" \/><\/a><figcaption>Dos ambientes naturais \u00e0s pessoas, a dissemina\u00e7\u00e3o de coronav\u00edrus e outras fontes de doen\u00e7as passa pela fases de infec\u00e7\u00e3o (<em>infect<\/em>), irradia\u00e7\u00e3o (<em>shed<\/em>), vazamento (<em>spill<\/em>) e propaga\u00e7\u00e3o (<em>spread<\/em>). A imunidade das paisagens fortalece os ecossistemas e reduz as chances de que pat\u00f3genos prejudiquem popula\u00e7\u00f5es urbanas e rurais. Fonte da imagem: estudo <a href=\"https:\/\/conbio.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/pdf\/10.1111\/conl.12869\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cFostering landscape immunity to protect human health: A science-based rationale for shifting conservation policy paradigms\u201d<\/a> (2022), publicado na Society for Conservation Biology.<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cOs ecossistemas preservados s\u00e3o menos propensos a disseminar pat\u00f3genos do que os destru\u00eddos ou que sofreram invas\u00f5es biol\u00f3gicas, polui\u00e7\u00e3o e outros impactos. Uma biodiversidade rica mant\u00e9m e fortalece a fun\u00e7\u00e3o imunol\u00f3gica das esp\u00e9cies selvagens e reduz as chances de exposi\u00e7\u00e3o humana a fontes de enfermidades\u201d, disse Raina Plowright, da Universidade Estadual de Montana, nos Estados Unidos, uma das autoras da investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<br \/>\nCientista no Centro para a Conserva\u00e7\u00e3o de Grandes Paisagens (Estados Unidos), Gary Tabor pede maior aten\u00e7\u00e3o aos impactos do desmatamento e da degrada\u00e7\u00e3o no interior das florestas. \u201cSem prestar aten\u00e7\u00e3o a esse estresse, n\u00e3o perceberemos as condi\u00e7\u00f5es que estamos criando para desequilibrar processos naturais e aumentar riscos da dissemina\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as. A imunidade paisag\u00edstica deveria ser um crit\u00e9rio para a manuten\u00e7\u00e3o de habitats saud\u00e1veis\u201d, ressaltou.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-pullquote alignwide is-style-jeo\">\n<blockquote><p>Os ecossistemas preservados s\u00e3o menos propensos a disseminar pat\u00f3genos do que os destru\u00eddos. Uma biodiversidade rica mant\u00e9m e fortalece a fun\u00e7\u00e3o imunol\u00f3gica das esp\u00e9cies selvagens e reduz as chances de exposi\u00e7\u00e3o humana a fontes de enfermidades<br \/>\n<cite>Raina Plowright, professora do Departamento de Microbiologia e Imunologia da Universidade Estadual de Montana, nos EUA.<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/figure>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, ele espera que pa\u00edses tropicais como o Brasil contenham efetivamente o desmatamento e valorizem benef\u00edcios das florestas, como ajudar a barrar doen\u00e7as e manter o clima global sob controle. A medida foi <a href=\"https:\/\/www.moneylaundering.com\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/G7.NA_.CommuniqueEnvironmentClimate.052121.pdf\">defendida<\/a> por ministros ambientais do G7, os pa\u00edses mais ricos do planeta, em maio passado. Tabor lembrou que as <a href=\"https:\/\/www.wbcsd.org\/\">200 maiores<\/a> multinacionais do mundo est\u00e3o adotando pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis e regenerativas, para manter resultados econ\u00f4micos, e aguarda medidas semelhantes do poder p\u00fablico.<br \/>\n\u201cO mundo precisa de l\u00edderes corajosos que ajudem os governos a tomarem medidas efetivas para lidar com as quest\u00f5es ambientais e que permitam tamb\u00e9m esfor\u00e7os comunit\u00e1rios para enfrentar as amea\u00e7as combinadas da perda da biodiversidade e da mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, destacou o pesquisador, que tamb\u00e9m assina o trabalho publicado na <em>Conservation Letters<\/em>.<\/p>\n<div class=\"content-box\">\n<div>\n<h3 class=\"content-box--title\">A\u00c7\u00d5ES PARA AUMENTAR A IMUNIDADE DAS PAISAGENS<\/h3>\n<p>\u2013 Usar terras e demais recursos naturais de forma sustent\u00e1vel<br \/>\n\u2013 Melhorar a rede e a conectividade entre \u00e1reas protegidas<br \/>\n\u2013 Aprofundar conhecimentos sobre a sa\u00fade dos ambientes naturais<br \/>\n\u2013 Reduzir a ca\u00e7a, o com\u00e9rcio e o consumo legais e criminosos de animais selvagens<br \/>\n\u2013 Reduzir a cria\u00e7\u00e3o de grandes rebanhos<br \/>\n\u2013 Reduzir o deslocamento de popula\u00e7\u00f5es humanas<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Os cientistas listam a\u00e7\u00f5es para que cada pa\u00eds aumente a imunidade de suas paisagens. Usar terras e demais recursos naturais de forma sustent\u00e1vel, melhorar a rede e a conectividade entre \u00e1reas protegidas e aprofundar conhecimentos sobre a sa\u00fade dos ambientes naturais s\u00e3o pol\u00edticas estrat\u00e9gicas nesse sentido. Reduzir o com\u00e9rcio e o consumo legais e criminosos de animais selvagens, as ca\u00e7adas, a cria\u00e7\u00e3o de grandes rebanhos e o deslocamento de popula\u00e7\u00f5es humanas s\u00e3o medidas que tamb\u00e9m reduzem as chances de contamina\u00e7\u00f5es.<br \/>\nOs desafios para adotar tais medidas crescem no Brasil pelo desrespeito aos parques nacionais, terras ind\u00edgenas e outras \u00e1reas protegidas. Na Amaz\u00f4nia, o desmatamento nesses territ\u00f3rios cresceu 79% nos tr\u00eas primeiros anos do governo Bolsonaro (2019 a 2021) em rela\u00e7\u00e3o aos tr\u00eas anos anteriores, mostra <a href=\"https:\/\/acervo.socioambiental.org\/acervo\/documentos\/desmatamento-sem-controle-na-amazonia-legal-estimativa-da-taxa-de-desmatamento\">an\u00e1lise<\/a> do Instituto Socioambiental. Al\u00e9m disso, a implanta\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o nacional que protegeria a vegeta\u00e7\u00e3o nativa em im\u00f3veis privados patina, passada quase uma d\u00e9cada desde a sua publica\u00e7\u00e3o, em maio de 2012.<br \/>\nBalan\u00e7o de 2021 do Climate Policy Initiative (CPI), coletivo de especialistas ligado \u00e0 PUC do Rio de Janeiro que analisa pol\u00edticas e finan\u00e7as p\u00fablicas, mostra avan\u00e7os no cadastramento de propriedades rurais exigido em lei, mas <a href=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/publication\/onde-estamos-na-implementacao-do-codigo-florestal-radiografia-do-car-e-do-pra-nos-estados-brasileiros-edicao-2021\/\">s\u00e9rios atrasos<\/a> na valida\u00e7\u00e3o dos registros por fraudes e falhas no preenchimento de informa\u00e7\u00f5es, dificuldades de contato com donos e posseiros de terras. Assim, acordos para a recupera\u00e7\u00e3o do verde nativo em in\u00fameros im\u00f3veis rurais seguem emperrados.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-pullquote alignwide is-style-jeo\">\n<blockquote><p>H\u00e1 maior interesse de produtores em compensar a recupera\u00e7\u00e3o (da vegeta\u00e7\u00e3o) em outros locais do que em restaurar as pr\u00f3prias \u00e1reas. Falta um planejamento de paisagens para fomentar a conectividade de reservas legais e \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente.<br \/>\n<cite>Cristina Leme Lopes, analista em Direito e Governan\u00e7a do Clima no Climate Policy Initiative<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/figure>\n<p>\u201cO C\u00f3digo Florestal demorou como um todo a sair do papel. Sua regulamenta\u00e7\u00e3o foi lenta, governos federal e dos estados n\u00e3o tinham no\u00e7\u00e3o exata dos desafios t\u00e9cnicos e financeiros para implantar a lei, a\u00e7\u00f5es diretas de inconstitucionalidade demoraram a ser julgadas pelo Supremo Tribunal Federal\u201d, destacou Cristina Leme Lopes, analista em Direito e Governan\u00e7a do Clima no CPI. A Corte Suprema julgou apenas em 2018 processos sobre pontos da legisla\u00e7\u00e3o florestal que foram instaurados em 2012.<br \/>\nNa Amaz\u00f4nia, a implanta\u00e7\u00e3o da lei nacional de florestas est\u00e1 adiantada no Acre, Rond\u00f4nia, Par\u00e1 e Mato Grosso, mas recuperar a vegeta\u00e7\u00e3o \u00e9 mais dif\u00edcil diante de economias centradas no agroneg\u00f3cio. \u201cH\u00e1 maior interesse de produtores em compensar a recupera\u00e7\u00e3o (da vegeta\u00e7\u00e3o) em outros locais do que em restaurar as pr\u00f3prias \u00e1reas. Falta um planejamento de paisagens para fomentar a conectividade de reservas legais e \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente\u201d, ressaltou a especialista.<br \/>\nAssim, brechas e atrasos na implanta\u00e7\u00e3o da lei aumentam as chances de mudan\u00e7as de prazos legais para a recupera\u00e7\u00e3o do verde em im\u00f3veis privados e dificultam a manuten\u00e7\u00e3o e a recupera\u00e7\u00e3o de paisagens conservadas e mais resistentes \u00e0 propaga\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as, com florestas e matas nas margens de nascentes e rios e demais \u00e1reas com import\u00e2ncia social e ambiental.<br \/>\n\u201c\u00c1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente s\u00e3o corredores ecol\u00f3gicos nas paisagens. A recupera\u00e7\u00e3o de reservas legais deveria ser proposta junto a outras \u00e1reas naturais. Isso \u00e9 mais vi\u00e1vel na Amaz\u00f4nia do que em outros biomas, mais degradados. \u00c9 estrat\u00e9gico recuperar a vegeta\u00e7\u00e3o natural para reconectar \u00e1reas protegidas, assegurar a recarga de \u00e1guas subterr\u00e2neas e garantir uma s\u00e9rie de outros servi\u00e7os e ambientais\u201d, completou Cristina Lopes, do CPI.<\/p>\n<p><strong>Texto original dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2022\/01\/28\/paisagens-conservadas-barram-doencas-covid-19\/\">https:\/\/infoamazonia.org\/2022\/01\/28\/paisagens-conservadas-barram-doencas-covid-19\/<\/a><\/strong><\/p>\n<div class=\"wp-block-group\">\n<div class=\"wp-block-group__inner-container\">\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Infoamaz\u00f4nia Aldem Bourscheit 28 de janeiro de 2022 Amaz\u00f4nia brasileira &nbsp; Cientistas refor\u00e7am que reduzir as amea\u00e7as de cont\u00e1gio por zoonoses depende da \u201cimunidade paisag\u00edstica\u201d, mas no Brasil a manuten\u00e7\u00e3o de grandes ambientes conservados esbarra em brechas e atrasos na implanta\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Florestal. 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