{"id":32818,"date":"2022-01-27T14:40:19","date_gmt":"2022-01-27T17:40:19","guid":{"rendered":"https:\/\/dev.amazoniasocioambiental.org\/radar\/rebanho-bovino-no-acre-ja-e-quatro-vezes-maior-que-o-numero-de-habitantes-desmatamento-cresce\/"},"modified":"2022-04-26T16:47:55","modified_gmt":"2022-04-26T19:47:55","slug":"rebanho-bovino-no-acre-ja-e-quatro-vezes-maior-que-o-numero-de-habitantes-desmatamento-cresce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/radar\/rebanho-bovino-no-acre-ja-e-quatro-vezes-maior-que-o-numero-de-habitantes-desmatamento-cresce\/","title":{"rendered":"Rebanho bovino no Acre j\u00e1 \u00e9 quatro vezes maior que o n\u00famero de habitantes; desmatamento cresce"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Mongabay<\/strong><br \/>\n<strong>Sarah Brown<\/strong><br \/>\n<strong>27 de janeiro de 2022<\/strong><br \/>\n<strong>Amaz\u00f4nia brasileira<\/strong><\/p>\n<div class=\"bulletpoints\">\n<blockquote>\n<ul>\n<li>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Dados oficiais mostram que o n\u00famero de bovinos chegou a 3,8 milh\u00f5es no Acre, um aumento de 8,3% em 2020 em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior.<\/em><\/h3>\n<\/li>\n<li style=\"text-align: center;\">\n<h3><em>A ind\u00fastria pecu\u00e1ria \u00e9 um dos principais motores da economia do Acre e se alinha com os objetivos do estado de promover e expandir o desenvolvimento agr\u00edcola na regi\u00e3o.<\/em><\/h3>\n<\/li>\n<li style=\"text-align: center;\">\n<h3><em>Em 2021, o Acre entrou chegou a figurar no terceiro lugar no ranking dos estados que mais destru\u00edram a Amaz\u00f4nia no ano passado; a taxa de desmatamento \u00e9 a maior em 18 anos.<\/em><\/h3>\n<\/li>\n<li>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Especialistas afirmam que, a menos que solu\u00e7\u00f5es sustent\u00e1veis sejam incentivadas e implementadas, o crescimento do gado do Acre n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel e levar\u00e1 a mais desmatamento na Amaz\u00f4nia.<\/em><\/h3>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<p>Com cerca de 80% de suas florestas ainda intocadas, o Acre \u00e9 um dos estados menos desmatados da Amaz\u00f4nia brasileira. Apesar de representar apenas 1,7% da superf\u00edcie terrestre do Brasil, \u00e9 de grande import\u00e2ncia ecol\u00f3gica, pois est\u00e1 numa zona de transi\u00e7\u00e3o entre a plan\u00edcie amaz\u00f4nica e os Andes, com biodiversidade de ambas as regi\u00f5es.<br \/>\nContudo, nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, a pecu\u00e1ria tem se tornado uma grande amea\u00e7a para as florestas do Acre. O rebanho j\u00e1 supera em quatro vezes a popula\u00e7\u00e3o humana do estado.<br \/>\nEm 1990, a popula\u00e7\u00e3o do Acre era de 400 mil habitantes, com um n\u00famero quase id\u00eantico de cabe\u00e7as de gado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Em 2020 a popula\u00e7\u00e3o humana cresceu para quase 900 mil, enquanto o n\u00famero de cabe\u00e7as de gado registrou o recorde de 3,8 milh\u00f5es.<br \/>\nDe acordo com o IBGE, o n\u00famero de bovinos em 2020 apresentou o maior aumento (8,3%) em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior dentre todos os nove estados que comp\u00f5em a Amaz\u00f4nia Legal. O n\u00famero tamb\u00e9m \u00e9 muito maior se comparado ao territ\u00f3rio nacional: a quantidade de cabe\u00e7as de gado na Amaz\u00f4nia cresceu 4,2% em m\u00e9dia, enquanto que no resto do pa\u00eds o aumento total foi de 1,5%.<br \/>\nUm relat\u00f3rio do <a href=\"http:\/\/portal.mec.gov.br\/setec\/arquivos\/pdf\/indicad_ac.pdf\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">sistema de an\u00e1lise de dados do estado<\/a> afirma que o \u201cpotencial econ\u00f4mico dos recursos naturais do estado \u00e9 imensur\u00e1vel\u201d em termos de madeira, frutas e plantas medicinais. No entanto, \u00e9 o gado que desempenha um papel fundamental na economia. Enquanto os produtos de madeira contribu\u00edram com 38,7% para as exporta\u00e7\u00f5es totais do estado em 2020, a carne e seus derivados foram respons\u00e1veis por 28,3%, de acordo com <a href=\"https:\/\/agencia.ac.gov.br\/mesmo-com-a-pandemia-acre-apresenta-elevacao-no-volume-de-exportacoes-em-2020\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">dados do governo do Acre<\/a>.<br \/>\n\u201cA economia no Acre est\u00e1 centrada na agropecu\u00e1ria, especialmente na cria\u00e7\u00e3o de gado\u201d, disse por telefone \u00e0 Mongabay Eduardo Mitke, m\u00e9dico veterin\u00e1rio e professor da Universidade Federal do Acre. \u201cH\u00e1 pouco valor econ\u00f4mico nas frutas, e a ind\u00fastria da borracha acabou. O milho e a soja t\u00eam crescido nos \u00faltimos dois ou tr\u00eas anos, mas o motor econ\u00f4mico mais forte no setor do agroneg\u00f3cio \u00e9, sem d\u00favida, a pecu\u00e1ria\u201d.<br \/>\n<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-188697 aligncenter\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2022\/01\/25195509\/7K73V-brazil-s-fastest-growing-cattle-frontier-graph.jpeg\" sizes=\"(max-width: 1536px) 100vw, 1536px\" srcset=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2022\/01\/25195509\/7K73V-brazil-s-fastest-growing-cattle-frontier-graph.jpeg 1536w, https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2022\/01\/25195509\/7K73V-brazil-s-fastest-growing-cattle-frontier-graph-768x512.jpeg 768w, https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2022\/01\/25195509\/7K73V-brazil-s-fastest-growing-cattle-frontier-graph-1200x800.jpeg 1200w, https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2022\/01\/25195509\/7K73V-brazil-s-fastest-growing-cattle-frontier-graph-610x407.jpeg 610w\" alt=\"\" width=\"1536\" height=\"1024\" \/><br \/>\nA capital do estado, Rio Branco, tem o maior n\u00famero de cabe\u00e7as de gado do Acre, com 14% do total. O munic\u00edpio de Sena Madureira \u00e9 o segundo, com cerca de 365 mil. Apresentando 236 km\u00b2\u00a0 de perda florestal em agosto de 2021 (15% do total registrado em toda a Amaz\u00f4nia), o Acre entrou pela primeira vez em terceiro lugar no ranking dos estados que mais destru\u00edram a Amaz\u00f4nia no ano passado, de acordo com dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amaz\u00f4nia (Imazon). Apenas dois munic\u00edpios, Sena Madureira e Feij\u00f3, <a href=\"https:\/\/imazon.org.br\/imprensa\/desmatamento-na-amazonia-chega-a-1-606-km2-em-agosto-maior-area-da-decada-no-mes\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">contabilizaram 40% do desmatamento do estado.<\/a><br \/>\nV\u00e1rios fatores alimentaram o crescimento da ind\u00fastria de gado no Acre, incluindo um aumento da <a href=\"https:\/\/biblioteca.ibge.gov.br\/visualizacao\/periodicos\/84\/ppm_2020_v48_br_informativo.pdf\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">demanda internacional por carne e derivados<\/a>, especialmente da China, de acordo com dados do IBGE. Mitke disse que a produtividade na ind\u00fastria pecu\u00e1ria brasileira tamb\u00e9m aumentou 150% nos \u00faltimos 30 anos, permitindo que as fazendas crescessem seus rebanhos. \u201cH\u00e1 uma revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. \u00c9 lenta, mas \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o\u201d, disse. \u201cCom tecnologia melhorada, somos capazes de aumentar o n\u00famero de animais por hectare, o que significa que podemos fornecer uma solu\u00e7\u00e3o mais sustent\u00e1vel\u201d.<br \/>\nR\u00f4mulo Batista, ativista do Greenpeace Amaz\u00f4nia, disse que outro fator a ser considerado \u00e9 a pr\u00e1tica de apropria\u00e7\u00e3o de terras, em que grupos ocupam e exploram \u00e1reas p\u00fablicas de forma irregular e depois as reivindicam como propriedade privada. \u201cInfelizmente, \u00e9 cada vez mais comum ter gado na Amaz\u00f4nia como uma tentativa de validar a propriedade rural\u201d, disse ele \u00e0 Mongabay. \u201c[Os grileiros] colocam gado no territ\u00f3rio que tomaram para dizer que h\u00e1 algum tipo de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola l\u00e1, numa tentativa de legaliz\u00e1-lo.\u201d<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-188696 aligncenter\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2022\/01\/25195504\/3hHVx-cattle-population-growth-rate-in-the-brazilian-amazon-map.jpeg\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" srcset=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2022\/01\/25195504\/3hHVx-cattle-population-growth-rate-in-the-brazilian-amazon-map.jpeg 768w, https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2022\/01\/25195504\/3hHVx-cattle-population-growth-rate-in-the-brazilian-amazon-map-100x100.jpeg 100w, https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2022\/01\/25195504\/3hHVx-cattle-population-growth-rate-in-the-brazilian-amazon-map-610x610.jpeg 610w\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"768\" \/><\/p>\n<h3><strong>Menos floresta, mais gado<\/strong><\/h3>\n<p>Ativistas t\u00eam levantado preocupa\u00e7\u00f5es sobre a liga\u00e7\u00e3o entre a crescente ind\u00fastria de gado e o desmatamento. \u201cDe toda a \u00e1rea desmatada na Amaz\u00f4nia brasileira que n\u00e3o voltou a crescer como vegeta\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, 90% dela \u00e9 algum tipo de pasto usado para o gado atualmente\u201d, disse Batista, do Greenpeace. \u201cEstamos vendo a destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, uma floresta com a maior biodiversidade do mundo, para colocar l\u00e1 duas esp\u00e9cies: capim e gado\u201d.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/plataforma.brasil.mapbiomas.org\/?activeBaseMap=8&amp;layersOpacity=70&amp;activeModule=coverage&amp;activeModuleContent=coverage%3Acoverage_main&amp;activeYear=2020&amp;mapPosition=-9.134639%2C-70.307007%2C8&amp;timelineLimitsRange=1985%2C2020&amp;baseParams%5bterritoryType%5d=3&amp;baseParams%5bterritory%5d=9&amp;baseParams%5bterritories%5d=9%3BAcre%3B3%3BEstado%3B-11.145561467%3B-73.990449969%3B-7.111824379%3B-66.623594217&amp;baseParams%5bactiveClassTreeOptionValue%5d=deforestation_annual_by_class&amp;baseParams%5bactiveClassTreeNodeIds%5d=106%2C108%2C112%2C113%2C114%2C115%2C109%2C116%2C117%2C118%2C119%2C107%2C110%2C120%2C121%2C122%2C123%2C111%2C124%2C125%2C126%2C127&amp;baseParams%5bactiveSubmodule%5d=deforestation_annual&amp;baseParams%5bactiveClassesLevelsListItems%5d=1%2C7%2C8%2C9%2C10%2C11%2C12%2C13%2C14%2C15%2C16%2C17%2C26%2C29%2C30%2C31%2C32%2C27%2C33%2C34%2C35%2C18%2C19%2C20%2C21%2C22%2C23%2C24%2C28%2C6%2C3\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Dados da plataforma Mapbiomas<\/a>, uma rede de ONGs, universidades e empresas tecnol\u00f3gicas mostra que a perda das florestas do Acre nos \u00faltimos 10 anos est\u00e1 fortemente relacionada ao aumento anual de terras destinadas ao gado (veja o gr\u00e1fico abaixo). Em 2020, 84.925 hectares foram desmatados no Acre; neste mesmo ano, as terras destinadas ao gado e \u00e0 pecu\u00e1ria no estado aumentaram em uma quantidade quase id\u00eantica: 84.735 hectares, segundo os dados do Mapbiomas.<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-188695 aligncenter\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2022\/01\/25195501\/Forest-and-land-comparison-for-livestock-in-Acre.jpeg\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" srcset=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2022\/01\/25195501\/Forest-and-land-comparison-for-livestock-in-Acre.jpeg 768w, https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2022\/01\/25195501\/Forest-and-land-comparison-for-livestock-in-Acre-610x407.jpeg 610w\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"512\" \/><br \/>\nV\u00e1rios estudos indicam que a ind\u00fastria pecu\u00e1ria \u00e9 o grande motor do desmatamento, incluindo <a href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/full\/10.1177\/194008291300600309\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">um documento de 2013<\/a> que diz que \u201cnos \u00faltimos anos, 48% de toda a perda de floresta tropical ocorreu no Brasil, onde a pecu\u00e1ria causou cerca de tr\u00eas quartos da destrui\u00e7\u00e3o da floresta\u201d.<br \/>\nEm 2021, com o aumento do rebanho bovino, o Acre registrou sua <a href=\"http:\/\/terrabrasilis.dpi.inpe.br\/app\/dashboard\/deforestation\/biomes\/legal_amazon\/rates\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">maior taxa de desmatamento em 18 anos<\/a>, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No total, <a href=\"https:\/\/imazon.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/SAD_Setembro21.pdf\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">10% da \u00e1rea florestal do estado<\/a> foi cortada at\u00e9 agora, de acordo com o Imazon. \u201cO Acre n\u00e3o \u00e9 o estado mais desmatado da regi\u00e3o amaz\u00f4nica\u201d, disse Batista. \u201cMas se destaca por ser uma nova \u00e1rea de desmatamento. H\u00e1 cinco, dez anos atr\u00e1s, est\u00e1vamos sempre falando dos estados de Rond\u00f4nia, Mato Grosso e Par\u00e1. Agora, estamos de olho no Acre\u201d.<br \/>\nO setor do agroneg\u00f3cio tem justificado o desmatamento de terras para dar lugar \u00e0 agricultura como um fator de desenvolvimento positivo. \u201cO desmatamento para n\u00f3s \u00e9 sin\u00f4nimo de progresso, por mais chocante que isso seja para as pessoas\u201d, disse o chefe da Federa\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola do Acre, Assuero Doca Veronez, em <a href=\"https:\/\/oeco.org.br\/reportagens\/amazonas-acre-e-rondonia-querem-o-seu-proprio-matopiba\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">uma entrevista em 2020<\/a>. Ele se referia \u00e0 Amacro, uma zona planejada do agroneg\u00f3cio na divisa entre os estados do Amazonas, Acre e Rond\u00f4nia \u2013 o nome \u00e9 formado pelas iniciais de cada estado. A iniciativa foi renomeada no final de 2021 para a <a href=\"https:\/\/news.mongabay.com\/2021\/11\/in-brazil-an-agribusiness-havens-green-pivot-leaves-many-skeptical\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Zona de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel \u2013 ZDS Abun\u00e3 Madeira<\/a> e <a href=\"https:\/\/oeco.org.br\/analises\/amacro-a-nova-velha-fronteira-do-desmatamento-na-amazonia\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">reposicionada como uma iniciativa multissetorial e sustent\u00e1vel<\/a>.<br \/>\nApesar das mudan\u00e7as nos objetivos centrais do projeto, Batista disse que continua preocupado com o impacto do projeto ZDS Abun\u00e3 Madeira e com a forma como o \u201cdesenvolvimento\u201d \u00e9 administrado no Acre. \u201cSem um planejamento adequado, a pecu\u00e1ria e a infraestrutura causam destrui\u00e7\u00e3o tanto cultural quanto ambiental\u201d.<br \/>\nEstudos apontam que \u00e9 poss\u00edvel aumentar a produ\u00e7\u00e3o de gado enquanto se alivia a press\u00e3o sobre a Floresta Amaz\u00f4nica. \u201cEste paradigma de expans\u00e3o horizontal da agricultura sobre os ecossistemas est\u00e1 ultrapassado\u201d, diz um estudo de 2020, referindo-se ao m\u00e9todo tradicional de cria\u00e7\u00e3o de gado comumente utilizado no Brasil, onde pequenos rebanhos pastam em vastas extens\u00f5es de terra. Os estudos sugerem o uso de um m\u00e9todo mais intensivo que aumenta a produ\u00e7\u00e3o de forma sustent\u00e1vel, criando mais gado em \u00e1reas menores de terra.<br \/>\nO m\u00e9dico veterin\u00e1rio Eduardo Mitke disse que \u00e9 \u201cecon\u00f4mica, ambiental e tecnicamente vi\u00e1vel ter gado no Acre enquanto se conserva a Amaz\u00f4nia\u201d, se feito da maneira correta. Ele acrescentou que h\u00e1 at\u00e9 mesmo a oportunidade de reflorestar \u00e1reas desmatadas enquanto se aumenta a produ\u00e7\u00e3o de gado.<br \/>\nPara ele, a tend\u00eancia atual de crescimento do gado no Acre n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel, e os agricultores carecem de assist\u00eancia t\u00e9cnica e conhecimentos agr\u00edcolas mais conscientes. \u201cO fazendeiro [no Acre] n\u00e3o sabe como se expandir sem desmatar. Precisamos mostrar a eles outras alternativas que n\u00e3o prejudiquem o meio ambiente\u201d, disse Mitke. \u201cSe n\u00e3o praticarmos agricultura de maneira correta, sem d\u00favida acabaremos destruindo a Amaz\u00f4nia.\u201d<br \/>\n<strong><em>Imagem do banner: <\/em><\/strong><em>Cria\u00e7\u00e3o de gado na Resex Chico Mendes, no Acre. Foto: Pedro Saldanha Werneck\/M\u00eddia NINJA [CC-BY-NC].<br \/>\n<strong>Texto original dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/brasil.mongabay.com\/2022\/01\/rebanho-bovino-no-acre-ja-e-quatro-vezes-maior-que-o-numero-de-habitantes-desmatamento-cresce\/\">https:\/\/brasil.mongabay.com\/2022\/01\/rebanho-bovino-no-acre-ja-e-quatro-vezes-maior-que-o-numero-de-habitantes-desmatamento-cresce\/<\/a><\/strong><br \/>\n<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mongabay Sarah Brown 27 de janeiro de 2022 Amaz\u00f4nia brasileira Dados oficiais mostram que o n\u00famero de bovinos chegou a 3,8 milh\u00f5es no Acre, um aumento de 8,3% em 2020 em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. 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