{"id":32947,"date":"2022-01-13T14:50:26","date_gmt":"2022-01-13T17:50:26","guid":{"rendered":"https:\/\/dev.amazoniasocioambiental.org\/radar\/ate-as-menores-particulas-de-poluicao-alteram-o-ciclo-de-chuva-na-amazonia-agencia-fapesp\/"},"modified":"2022-04-26T17:13:03","modified_gmt":"2022-04-26T20:13:03","slug":"ate-as-menores-particulas-de-poluicao-alteram-o-ciclo-de-chuva-na-amazonia-agencia-fapesp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/radar\/ate-as-menores-particulas-de-poluicao-alteram-o-ciclo-de-chuva-na-amazonia-agencia-fapesp\/","title":{"rendered":"At\u00e9 as menores part\u00edculas de polui\u00e7\u00e3o alteram o ciclo de chuva na Amaz\u00f4nia | AG\u00caNCIA FAPESP"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Ag\u00eancia FAPESP<\/strong><br \/>\n<strong>Maria Fernanda Ziegler<\/strong><br \/>\n<strong>13 de janeiro de 2022<\/strong><br \/>\n<strong>Amaz\u00f4nia brasileira<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Estudo realizado em Manaus constatou que nanopart\u00edculas resultantes de atividades humanas, entre elas a queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, crescem rapidamente na atmosfera e interferem no desenvolvimento das nuvens. Descoberta traz mais acur\u00e1cia aos modelos meteorol\u00f3gicos e \u00e0s simula\u00e7\u00f5es sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/em><\/h3>\n<p>At\u00e9 mesmo as part\u00edculas mais finas de polui\u00e7\u00e3o impactam os mecanismos de forma\u00e7\u00e3o e desenvolvimento das nuvens e alteram o regime de chuvas. Estudo realizado na cidade de Manaus (AM) mostrou que, por meio de um processo qu\u00edmico conhecido como oxida\u00e7\u00e3o, pequenos aeross\u00f3is expelidos por f\u00e1bricas ou escapamentos de carro, por exemplo, crescem muito rapidamente, atingindo tamanho at\u00e9 400 vezes maior. E isso interfere na forma\u00e7\u00e3o das gotas de chuva.<br \/>\n&#8220;Entender os mecanismos de forma\u00e7\u00e3o de nuvens e de chuvas na Amaz\u00f4nia \u00e9 um grande desafio pela complexidade de processos f\u00edsico-qu\u00edmicos n\u00e3o lineares da atmosfera\u201d, explica Paulo Artaxo, professor do Instituto de F\u00edsica da Universidade de S\u00e3o Paulo (IF-USP) e autor do estudo publicado ontem (12\/01) na Science Advances.<br \/>\nA descoberta de pesquisadores brasileiros e norte-americanos aumenta a precis\u00e3o de modelos e de simula\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u201cEssas nanopart\u00edculas de polui\u00e7\u00e3o [com menos de 10 nan\u00f4metros] costumavam ser desprezadas em c\u00e1lculos e modelos atmosf\u00e9ricos. A aten\u00e7\u00e3o era voltada para as part\u00edculas com mais de 100 nan\u00f4metros, pois s\u00e3o elas que atuam como n\u00facleo de condensa\u00e7\u00e3o de nuvens [onde o vapor de \u00e1gua condensa e forma got\u00edculas] e alteram o padr\u00e3o das chuvas. Com este estudo mostramos que, ao longo de sua trajet\u00f3ria na atmosfera, as part\u00edculas menores v\u00e3o se oxidando e crescendo rapidamente at\u00e9 atingirem o tamanho necess\u00e1rio para virar um n\u00facleo de condensa\u00e7\u00e3o\u201d, explica Luiz Augusto Machado, professor do IF-USP e coautor do artigo.<br \/>\nOs dados foram coletados com aux\u00edlio de avi\u00f5es que sobrevoaram a regi\u00e3o de Manaus em baixa altitude, percorrendo cerca de 100 quil\u00f4metros (km) da pluma de polui\u00e7\u00e3o produzida na metr\u00f3pole entre os anos de 2014 e 2015. O trabalho teve apoio da FAPESP por meio da campanha cient\u00edfica Green Ocean Amazon (GoAmazon) e de um Projeto Tem\u00e1tico \u2013 ambos vinculados ao Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas Globais (PFPMCG).<br \/>\n\u201cPouco se sabia sobre a atua\u00e7\u00e3o dessas nanopart\u00edculas nos regimes de chuvas. Acontece que a regi\u00e3o de Manaus \u00e9 um lugar \u00fanico no mundo, um laborat\u00f3rio a c\u00e9u aberto. \u00c9 uma megacidade rodeada de floresta e distante de outras cidades. Por isso, ela permite entender como uma metr\u00f3pole modifica um ambiente parecido com o da era pr\u00e9-industrial\u201d, conta Machado.<br \/>\nAeross\u00f3is s\u00e3o part\u00edculas (s\u00f3lidas ou l\u00edquidas) suspensas no ar. Eles podem ser produzidos naturalmente pela floresta, como part\u00edculas prim\u00e1rias, ou secundariamente na atmosfera a partir de precursores gasosos (COV) emitidos pelas florestas (aeross\u00f3is org\u00e2nicos secund\u00e1rios), por exemplo, ou \u2013 como o que foi investigado neste estudo \u2013 por atividades humanas, como a queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis.<br \/>\nMachado explica que os aeross\u00f3is com menos de 10 nan\u00f4metros, ao serem liberados na regi\u00e3o de Manaus por escapamentos de ve\u00edculos, pela ind\u00fastria ou durante a gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica, formam uma esp\u00e9cie de pluma de polui\u00e7\u00e3o que segue em dire\u00e7\u00e3o ao sudoeste (por causa dos ventos). Os pesquisadores avaliaram que \u00e9 durante esse trajeto que as part\u00edculas crescem rapidamente.<br \/>\n\u201c\u00c9 muito dif\u00edcil avaliar o efeito do material particulado na chuva, pois existe um n\u00famero grande de vari\u00e1veis atmosf\u00e9ricas que interferem nessa rela\u00e7\u00e3o. Por isso, comparamos a linha de polui\u00e7\u00e3o com as \u00e1reas ao redor, que est\u00e3o fora da pluma de polui\u00e7\u00e3o. O que percebemos \u00e9 que esse particulado vai crescendo de tamanho rapidamente. A 10 km de dist\u00e2ncia de Manaus ele j\u00e1 est\u00e1 maior e a 30 km \u00e9 poss\u00edvel que j\u00e1 tenha atingido tamanho suficiente para se tornar um n\u00facleo de condensa\u00e7\u00e3o, interferindo na forma\u00e7\u00e3o das gotas de chuva\u201d, diz.<br \/>\nImpacto vari\u00e1vel<br \/>\nOs mecanismos de forma\u00e7\u00e3o de nuvens s\u00e3o complexos e dependem de muitos par\u00e2metros atmosf\u00e9ricos. No caso dos pequenos aeross\u00f3is, eles v\u00e3o interferir na condensa\u00e7\u00e3o das gotas de chuva. No entanto, dependendo de como est\u00e1 a condi\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica e, sobretudo, a forma\u00e7\u00e3o de nuvem a cada momento, as chuvas podem ser intensificadas ou reduzidas.<br \/>\nMachado explica que, como h\u00e1 muito material particulado, quando a pluma de polui\u00e7\u00e3o entra em contato com uma nuvem, ocorre uma competi\u00e7\u00e3o pelo vapor d&#8217;\u00e1gua l\u00e1 presente \u2013 reduzindo o tamanho das gotas.<br \/>\n\u201cPara que a chuva caia, \u00e9 necess\u00e1rio que as gotas tenham um determinado tamanho. \u00c9 o que chamamos de velocidade terminal da gota, que precisa ser menor do que o movimento de ar que est\u00e1 subindo. Caso contr\u00e1rio, a nuvem fica com um monte de gotinha pequena e a chuva n\u00e3o cai\u201d, explica.<br \/>\nPor\u00e9m, ressalta Machado, caso ocorra um vento vertical muito forte, ele pode levar essa grande quantidade de gotinhas para uma maior altitude, formando part\u00edculas de gelo, podendo gerar uma tempestade intensa.<br \/>\n\u201cPercebemos que, conforme esse material particulado vai crescendo, ele se torna n\u00facleo de condensa\u00e7\u00e3o. Quando encontra uma nuvem pequena e fraca [nuvem quente], chove pouco. O aerossol reduz a precipita\u00e7\u00e3o. Mas se a nuvem ganhar pot\u00eancia e se tornar uma cumulonimbus [de grande desenvolvimento vertical], por exemplo, os aeross\u00f3is aumentam a precipita\u00e7\u00e3o. Ou seja, at\u00e9 mesmo essas pequenas part\u00edculas de polui\u00e7\u00e3o t\u00eam influ\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o das chuvas\u201d, detalha Machado.<br \/>\nSegundo os pesquisadores, o projeto deve continuar de forma ampliada, captando novos dados. A equipe vai realizar este ano o experimento Cafe-Brasil (Chemistry of the Atmosphere: Field Experiment in Brazil) com o aux\u00edlio de uma aeronave alem\u00e3 que pode voar a 15 km de altitude. Artaxo explica que estudos similares usando sensoriamento remoto tamb\u00e9m est\u00e3o sendo realizados na torre ATTO, de 325 metros de altura, no meio da floresta amaz\u00f4nica (leia mais em: agencia.fapesp.br\/29519\/).<br \/>\n&#8220;Nesse estudo que publicamos agora, coletamos os dados por meio de voos de baixa altitude [4 mil metros]. A aeronave alem\u00e3 que vamos utilizar para as nossas pr\u00f3ximas coletas \u00e9 um dos mais sofisticados avi\u00f5es-laborat\u00f3rios que existem. Desse modo, poderemos fazer um experimento para entender quest\u00f5es f\u00edsico-qu\u00edmicas fundamentais na produ\u00e7\u00e3o de aeross\u00f3is, nuvens e precipita\u00e7\u00e3o que ainda permanecem um mist\u00e9rio para n\u00f3s&#8221;, conta Artaxo.<br \/>\n<em>O artigo Rapid growth of anthropogenic organic nanoparticles greatly alters cloud lifecycle in the Amazon rainforest, de Rahul A. Zaveri, Jian Wang, Jiwen Fan, Yuwei Zhang, John E. Shilling, Alla Zelenyuk, Fan Mei, Rob Newsom, Mikhail Pekour, Jason Tomlinson, Jennifer M. Comstock, Manish Shrivastava, Edward Fortner, Luiz A. T. Machado, Paulo Artaxo e Scot T. Martin, pode ser lido em <a href=\"http:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.abj0329\">www.science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.abj0329<\/a>.<\/em><\/p>\n<p><strong>Texto original dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/ate-as-menores-particulas-de-poluicao-alteram-o-ciclo-de-chuva-na-amazonia\/37706\/\">https:\/\/agencia.fapesp.br\/ate-as-menores-particulas-de-poluicao-alteram-o-ciclo-de-chuva-na-amazonia\/37706\/<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ag\u00eancia FAPESP Maria Fernanda Ziegler 13 de janeiro de 2022 Amaz\u00f4nia brasileira &nbsp; Estudo realizado em Manaus constatou que nanopart\u00edculas resultantes de atividades humanas, entre elas a queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, crescem rapidamente na atmosfera e interferem no desenvolvimento das nuvens. Descoberta traz mais acur\u00e1cia aos modelos meteorol\u00f3gicos e \u00e0s simula\u00e7\u00f5es sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":333,"featured_media":33018,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-32947","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32947","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/333"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32947"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32947\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33021,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32947\/revisions\/33021"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33018"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32947"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32947"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32947"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}