{"id":3708,"date":"2017-04-20T12:28:36","date_gmt":"2017-04-20T15:28:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/?p=3708"},"modified":"2018-02-09T17:24:28","modified_gmt":"2018-02-09T19:24:28","slug":"raisg-uma-decada-de-inovacao-a-servico-da-diversidade-socioambiental-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/radar\/raisg-uma-decada-de-inovacao-a-servico-da-diversidade-socioambiental-da-amazonia\/","title":{"rendered":"RAISG: uma d\u00e9cada de inova\u00e7\u00e3o a servi\u00e7o da diversidade socioambiental da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]A Panamaz\u00f4nia vista de uma maneira integral sobre mapas que apresentam informa\u00e7\u00e3o socioambiental precisa e confi\u00e1vel, transcendendo as divis\u00f5es artificiais criadas pelas fronteiras nacionais; um conjunto de ferramentas \u00fateis para promover em n\u00edvel regional e global pol\u00edticas favor\u00e1veis ao adequado manejo de seus recursos naturais, a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e o bem estar dos povos ind\u00edgenas que a habitam. Em meados dos anos 1990, quando Carlos Alberto (Beto) Ricardo, do Instituto Socioambiental (ISA) levantou esse grande desafio, atingi-lo parecia uma utopia inalcan\u00e7\u00e1vel. Mas depois de um longo e perseverante trabalho, este antrop\u00f3logo conseguiu, em 2007, que se consolidasse a Rede Amaz\u00f4nica de Informa\u00e7\u00e3o Socioambiental Georreferenciada (RAISG), que atualmente re\u00fane oito institui\u00e7\u00f5es de seis pa\u00edses amaz\u00f4nicos, que combinam recursos e esfor\u00e7os para produzir regularmente mapas e estudos inovadores sobre a bacia amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>1. A G\u00caNESE DE UMA INICIATIVA VISION\u00c1RIA<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Os anos 1990 viram o surgimento nos pa\u00edses amaz\u00f4nicos de numerosas organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil voltadas ao cuidado do ambiente, v\u00e1rias das quais fizeram parte da RAISG em seu momento inicial ou continuam fazendo. O Instituto Socioambiental (ISA), com sede em S\u00e3o Paulo, \u00e9 uma delas. Com seu particular enfoque integrador das quest\u00f5es sociais e ambientais, o ISA tinha desenvolvido a capacidade de gerar e sistematizar informa\u00e7\u00f5es sobre \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o e territ\u00f3rios ind\u00edgenas. Para isso, empregava a ent\u00e3o inovadora ferramenta de gest\u00e3o de base de dados denominada SIG (Sistema de Informa\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica), que permite mapear, integrar e analisar informa\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas. O SIG tem demonstrado ser de grande utilidade para fins de investiga\u00e7\u00e3o, planejamento, ordenamento e gest\u00e3o geogr\u00e1fica, pois permite combinar distintos tipos de informa\u00e7\u00e3o, como fotografias a\u00e9reas, mapas e imagens de sat\u00e9lite sobre uma extens\u00e3o geogr\u00e1fica comum, possibilitando comunicar os resultados atrav\u00e9s de mapas.<\/p>\n<p>A partir de 1996, o ISA buscou ativamente formar uma rede amaz\u00f4nica de organiza\u00e7\u00f5es que compartilhavam objetivos e capacidades t\u00e9cnicas para adotar a miss\u00e3o comum: criar uma base de dados de informa\u00e7\u00e3o socioambiental integrada no n\u00edvel panamaz\u00f4nico acess\u00edvel aos participantes e ao p\u00fablico em geral. Havia a convic\u00e7\u00e3o de que as an\u00e1lises e os mapas assim gerados contribuiriam para superar os prevalentes enfoques fragmentados sobre a Amaz\u00f4nia, al\u00e9m de contribuir com ferramentas de grande utilidade ao ordenamento territorial, ao planejamento e gest\u00e3o sustent\u00e1vel dos recursos naturais da Amaz\u00f4nia e povos amaz\u00f4nicos em defesa de seus territ\u00f3rios. Este empreendimento contava com o apoio financeiro de um s\u00f3cio estrat\u00e9gico do ISA, a Rainforest Foundation da Noruega.<\/p>\n<p>A percep\u00e7\u00e3o da necessidade de construir uma vis\u00e3o da Amaz\u00f4nia como uma regi\u00e3o estrat\u00e9gica para o ambiente tropical da Am\u00e9rica do Sul e para o equil\u00edbrio clim\u00e1tico do planeta vai ao encontro do crescimento a n\u00edvel global, durante a d\u00e9cada de 1990, da consci\u00eancia de que os problemas que afetam o planeta, como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, exigem solu\u00e7\u00f5es que requerem acordos mundiais e a\u00e7\u00e3o coordenada de v\u00e1rios pa\u00edses. Recordemos que em 1988 se cria no \u00e2mbito da ONU o Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), que em 1990 publica seu primeiro Informe de Avalia\u00e7\u00e3o das Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas e que, em 1992, se realiza no Rio de Janeiro a Confer\u00eancia da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento.<\/p>\n<p>De maneira similar, o enfoque socioambiental, segundo o qual as solu\u00e7\u00f5es ambientais n\u00e3o podem estar divorciadas do bem estar dos habitantes locais, \u00e9 compat\u00edvel com os avan\u00e7os alcan\u00e7ados em termos de direitos das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas ou origin\u00e1rias, entre eles os direitos a cultura e ao territ\u00f3rio que impulsionava a ONU, culminando em 2017 com a Declara\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre os Direitos dos Povos Ind\u00edgenas, que possui particular relev\u00e2ncia para a Amaz\u00f4nia, que abriga centenas de povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Para oferecer uma ideia da complexidade do panorama, mencionamos que estudos posteriores da RAISG (2009) estabeleceram que nos 7,8 milh\u00f5es de km\u00b2 que comp\u00f5em a Amaz\u00f4nia, habitam 33 milh\u00f5es de pessoas, incluindo mais de 370 povos ind\u00edgenas, com uma popula\u00e7\u00e3o estimada em 1,45 milh\u00f5es de indiv\u00edduos, distribu\u00edda em mais de 2.200 territ\u00f3rios, sem contar os ind\u00edgenas que vivem em cidades e os chamados \u201cisolados\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>2. TECENDO A REDE (1996-2007)<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Ao nascimento da RAISG em 2007 precedeu uma d\u00e9cada de trabalho para conformar uma rede de colabora\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es trabalhando com ferramentas cartogr\u00e1ficas no \u00e2mbito da Amaz\u00f4nia sobre temas socioambientais, que foi denominada REDESIG. Em 1996, se reuniu em S\u00e3o Paulo um grupo de institui\u00e7\u00f5es que representavam a todos os pa\u00edses amaz\u00f4nicos, com exce\u00e7\u00e3o da Col\u00f4mbia: CIDDEBENI, CPTI e CIMAR da Bol\u00edvia; ISA e FVA do Brasil; CDC do Equador; UG da Guiana, ENGREF da Guiana Francesa; OXFAM America do Peru; CENAMB da Venezuela; e NARENA\/CELOS do Suriname. A composi\u00e7\u00e3o da REDESIG foi se alterando diante da dificuldade de desenvolver um trabalho conjunto quando a experi\u00eancia em geoprocessamento ainda era embrion\u00e1ria em v\u00e1rias das institui\u00e7\u00f5es participantes.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Outro obst\u00e1culo era a natural desconfian\u00e7a sobre o compartilhamento de informa\u00e7\u00e3o gerada por cada organiza\u00e7\u00e3o individualmente, e o medo de perder, em certa medida, o controle sobre a mesma.<\/p>\n<p>Uma segunda reuni\u00e3o ocorreu em S\u00e3o Paulo em junho de 2002, no marco de um semin\u00e1rio t\u00e9cnico da REDESIG, com o prop\u00f3sito de elaborar o mapa <em>Desafio Socioambiental da Amaz\u00f4nia<\/em>, que tamb\u00e9m foi apresentado na c\u00fapula Rio+10 realizada em Johannesburgo nesse mesmo ano. A metodologia implicava integrar informa\u00e7\u00f5es dos mapas realizados por cada um dos pa\u00edses e visualiz\u00e1-las em um \u00fanico mapa. Uma tarefa particularmente desafiante consistiu em ajustar a camada hidrogr\u00e1fica, assegurando que o curso dos rios se conectaria para al\u00e9m dos limites estabelecidos pelas fronteiras nacionais.\u00a0 Participaram: CPTI da Bol\u00edvia; FOIRN, FVA e ISA do Brasil; Gaia-Amazonas da Col\u00f4mbia; EcoCiencia e Fundaci\u00f3n Natura do Equador; DIREN da Guiana Francesa; e IBC do Peru. Quatro destas organiza\u00e7\u00f5es, que se somaram a outras tantas, fundariam cinco anos mais tarde a RAISG.<\/p>\n<p>Compunham a RAISG, em seu momento de funda\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e entidades estatais de sete pa\u00edses amaz\u00f4nicos:<\/p>\n<ul>\n<li>Bol\u00edvia: Fundaci\u00f3n Amigos de la Naturaleza (FAN)<\/li>\n<li>Brasil: Instituto Socioambiental (ISA); Instituto Centro de Vida (ICV); Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amaz\u00f4nia (Imazon)<\/li>\n<li>Col\u00f4mbia: Instituto Amaz\u00f3nico de Investigaciones Cient\u00edficas (Sinchi); Fundaci\u00f3n Gaia Amazonas (FGA) e Instituto de Hidrolog\u00eda, Meteorolog\u00eda y Estudios Ambientales (IDEAM)<\/li>\n<li>Equador: Fundaci\u00f3n Ecuatoriana de Estudios Ecol\u00f3gicos (EcoCiencia)<\/li>\n<li>Guiana Francesa: Ag\u00eancia governamental da Fran\u00e7a (DIREN)<\/li>\n<li>Peru: Asociaci\u00f3n Inter\u00e9tnica de Desarrollo de la Selva Peruana &#8211; AIDESEP e Instituto del Bien Com\u00fan (IBC)<\/li>\n<li>Venezuela: EcoSIG, do Instituto Venezolano de Investigaciones Cient\u00edficas (IVIC)<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quais foram as mudan\u00e7as que propiciaram a cria\u00e7\u00e3o definitiva da RAISG?\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p>No \u00e2mbito das organiza\u00e7\u00f5es trabalhando na Amaz\u00f4nia, destaca-se que durante esta d\u00e9cada houve um importante avan\u00e7o na incorpora\u00e7\u00e3o de uso de ferramentas de geoprocessamento e na constru\u00e7\u00e3o da base de dados sobre temas socioambientais. Algumas organiza\u00e7\u00f5es do grupo precursor original incorporaram o uso de SIG, outras ampliaram e consolidaram suas bases de dados georreferenciados. Al\u00e9m disso, novos atores come\u00e7aram a desenvolver atividades na regi\u00e3o utilizando as ferramentas SIG, principalmente organiza\u00e7\u00f5es civis ambientalistas. Inversamente, alguns projetos que vinham trabalhando nessa linha foram interrompidos ou fragmentaram suas atividades em projetos locais. Consequentemente, a composi\u00e7\u00e3o da Rede foi modificada. Outra mudan\u00e7a significativa se refere \u00e0 atitude das organiza\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas informa\u00e7\u00f5es, tornando-as mais receptivas \u00e0 ideia de compartilh\u00e1-las para a constru\u00e7\u00e3o de um empreendimento mais ambicioso, tanto no alcance quanto no impacto. Na sequ\u00eancia mencionamos alguns elementos do contexto que podem ter influenciado a ado\u00e7\u00e3o de uma vis\u00e3o mais ampla da din\u00e2mica amaz\u00f4nica, permitindo a a\u00e7\u00e3o diante das oportunidades que os novos cen\u00e1rios oferecem.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada transcorrida entre 1996 e 2007 houve uma significativa mudan\u00e7a na democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0s imagens de sat\u00e9lite e \u00e0s bases cartogr\u00e1ficas digitais em escalas progressivamente mais detalhadas. Al\u00e9m disso, em diferentes pa\u00edses amaz\u00f4nicos ocorreram processos (mais ou menos participativos) de identifica\u00e7\u00e3o de \u00e1reas priorit\u00e1rias para a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, que finalmente resultaram na cria\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias \u00e1reas protegidas. Assim, houve avan\u00e7os no reconhecimento de territ\u00f3rios ind\u00edgenas, surgiram iniciativas de coordena\u00e7\u00e3o de mosaicos e corredores ecol\u00f3gicos e se constru\u00edram redes por bacias hidrogr\u00e1ficas, algumas de car\u00e1ter transfronteiri\u00e7o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m devemos mencionar a ocorr\u00eancia de macro processos regionais que demandam a forma\u00e7\u00e3o de base de dados acess\u00edveis para a an\u00e1lise, monitoramento e tomada de decis\u00f5es pol\u00edticas no \u00e2mbito amaz\u00f4nico, tais como a institucionaliza\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado de Coopera\u00e7\u00e3o Amaz\u00f4nica (OTCA). Paralelamente, vinha crescendo a import\u00e2ncia da Amaz\u00f4nia no debate planet\u00e1rio sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. A cria\u00e7\u00e3o da RAISG em 2007 coincide com a publica\u00e7\u00e3o do quarto informe de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas do IPCC.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode passar por alto o papel do lan\u00e7amento da Iniciativa de Integra\u00e7\u00e3o da Infraestrutura da Regional Sulamericana (IIRSA) no ano 2000: o potencial impacto da infraestrutura prevista motiva as organiza\u00e7\u00f5es comprometidas com o cuidado com o meio ambiente a adotar uma vis\u00e3o continental, ou ao menos regional, ante a amea\u00e7a para o bioma amaz\u00f4nico e para o bem estar de suas popula\u00e7\u00f5es originais, que acarretaria a constru\u00e7\u00e3o de obras de infraestrutura como estradas, com comprovado efeito de desmatamento ao propiciar assentamentos em grande escala ao longo dos eixos vi\u00e1rios.<\/p>\n<p>Em novembro de 2007 nasce oficialmente a Rede Amaz\u00f4nica de Informa\u00e7\u00e3o Socioambiental Georreferenciada (RAISG), em uma reuni\u00e3o realizada em S\u00e3o Paulo que culminou em um <strong>acordo estrat\u00e9gico<\/strong> entre as institui\u00e7\u00f5es membro para criar uma <strong>base de dados integrada e acess\u00edvel<\/strong> aos participantes e ao p\u00fablico em geral, assim como uma agenda de <strong>interc\u00e2mbios e capacita\u00e7\u00e3o<\/strong> dos membros da Rede e de produtos cartogr\u00e1ficos amaz\u00f4nicos.<\/p>\n<p>A premissa sob a qual trabalha a Rede \u00e9 que o bioma amaz\u00f4nico est\u00e1 submetido a diversas press\u00f5es, que s\u00e3o produto da ocupa\u00e7\u00e3o desordenada e de distintas formas de uso predat\u00f3rio dos recursos naturais. Destas, as principais s\u00e3o o avan\u00e7o das frentes de corte de madeira e a expans\u00e3o agropecu\u00e1ria, produzindo altas taxas de desmatamento e inc\u00eandios, al\u00e9m da implanta\u00e7\u00e3o de obras de infraestrutura (estradas, hidrel\u00e9tricas), minera\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s e petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>A RAISG \u00e9 definida como \u201cum espa\u00e7o de interc\u00e2mbio e articula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o socioambiental georreferenciada, a servi\u00e7o de processos que vinculam positivamente os direitos coletivos com a valoriza\u00e7\u00e3o e sustentabilidade da diversidade socioambiental na regi\u00e3o amaz\u00f4nica\u201d. Esta defini\u00e7\u00e3o estabelece claramente que os membros da Rede devem trabalhar na Amaz\u00f4nia e focar-se em aspectos da agenda socioambiental da bacia. Adicionalmente, devem ter experi\u00eancia no uso de SIG e estar dispostos a compartilhar e integrar suas bases de dados com outros membros.<\/p>\n<p>Se mantem intacto o principal objetivo que havia impulsionado a REDESIG dez anos antes: \u201cestimular e facilitar a coopera\u00e7\u00e3o entre institui\u00e7\u00f5es que trabalham com sistemas de informa\u00e7\u00f5es socioambientais georreferenciadas na Amaz\u00f4nia, com uma metodologia baseada na coordena\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os conjuntos, mediante um processo acumulativo, descentralizado e p\u00fablico de interc\u00e2mbio, produ\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>3. GOVERNAN\u00c7A DA \u00a0RAISG<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>A RAISG n\u00e3o tem pessoa jur\u00eddica e est\u00e1 baseada em um modelo <em>sui g\u00e9neris<\/em> de governan\u00e7a. A <strong>Coordena\u00e7\u00e3o Geral<\/strong> cumpre o papel de dinamizar a Rede, manter a comunica\u00e7\u00e3o, identificar aliados, gerar produtos, buscar financiamentos, programar as atividades rotineiras (atualiza\u00e7\u00e3o, gest\u00e3o de recursos, elabora\u00e7\u00e3o de informes, etc.), garantir a tomada de decis\u00f5es colegiadas e o estabelecimento de alian\u00e7as, entre outras. Esse papel vem sendo cumprido pelo ISA desde a cria\u00e7\u00e3o da Rede at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>A <strong>Junta Diretiva<\/strong> (composta por coordenadores da RAISG em cada institui\u00e7\u00e3o membro) se encarrega, em \u00faltima inst\u00e2ncia, da tomada de decis\u00e3o. Existe ainda o <strong>Grupo T\u00e9cnico<\/strong>, respons\u00e1vel diretamente pelas atividades. Esta equipe vem crescendo e se complexificando\u00a0 conforme a RAISG tem abordado novos temas de trabalho. Atualmente seus membros t\u00eam se especializado e se dividem por grupos tem\u00e1ticos, al\u00e9m disso, v\u00e1rios dos coordenadores s\u00e3o tamb\u00e9m t\u00e9cnicos em atividades espec\u00edficas.<\/p>\n<p>Destacam-se dois grandes acordos pol\u00edticos que s\u00e3o vitais para a Rede: um \u00e9 que n\u00e3o se separa a discuss\u00e3o e a decis\u00e3o pol\u00edtica da t\u00e9cnica, e a outra \u00e9 que o pressuposto \u00e9 elaborado em conjunto, tomando como base os planos estrat\u00e9gicos, em um processo transparente a todos.<\/p>\n<p>Para o planejamento para m\u00e9dio prazo se elaboram Planos Estrat\u00e9gicos (PE) que tra\u00e7am metas, atividades e produtos a serem desenvolvidos durante tri\u00eanios, que n\u00e3o revisados anualmente. O primeiro plano foi elaborado para o per\u00edodo entre 2010-2012; o segundo para 2013-2015, e o terceiro para 2016-2020.<\/p>\n<p>O planejamento de atividades e a tomada de decis\u00f5es se realizam em <strong>reuni\u00f5es gerais<\/strong> de car\u00e1ter anual, com a participa\u00e7\u00e3o presencial de todos os integrantes da Rede. Al\u00e9m disso, h\u00e1 <strong>reuni\u00f5es de car\u00e1ter t\u00e9cnico<\/strong> com prop\u00f3sitos espec\u00edficos, geralmente a elabora\u00e7\u00e3o de produtos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4. CONSOLIDA\u00c7\u00c3O INSTITUCIONAL (2007-2009)<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Uma caracteriza\u00e7\u00e3o muito acertada da RAISG a descreve como \u201cuma plataforma institucionalizada de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil que de forma independente desenvolve conceitos, pensamento e conhecimento. Somando vontades gera informa\u00e7\u00e3o para a tomada de decis\u00f5es sobre a Amaz\u00f4nia, entendida como um todo inter-relacionado que transcende os limites dos Estados nacionais e da an\u00e1lise das partes, que nem sempre explicam a totalidade de uma regi\u00e3o t\u00e3o diversa e complexa. Desta perspectiva, \u00e9 uma iniciativa \u00fanica, pois n\u00e3o existem outros referentes no mundo com os quais compar\u00e1-la, com capacidade de gerar produtos altamente qualificados e constantemente requisitados\u201d. Esta caracteriza\u00e7\u00e3o est\u00e1 presente na Avalia\u00e7\u00e3o Externa da RAISG elaborada por Adriana Salazar a pedido da RFN em 2015.<\/p>\n<p>De acordo com esta caracteriza\u00e7\u00e3o, <strong>um dos elementos que a fazem \u00fanica \u00e9 sua independ\u00eancia<\/strong>, pois seu comando n\u00e3o emana de uma inst\u00e2ncia governamental nem financeira, sen\u00e3o de si mesma. Outro elemento que cabe destacar \u00e9 a<strong> \u201csoma de vontades\u201d, a coordena\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os acima de fronteiras nacionais<\/strong>, que se requer para a gera\u00e7\u00e3o de conceitos, conhecimentos, produtos e, em termos gerais, para seu funcionamento como rede e interc\u00e2mbio de informa\u00e7\u00e3o em um clima de confian\u00e7a entre seus membros. Por essas raz\u00f5es, <strong>o funcionamento e desenvolvimento da Rede teria sido imposs\u00edvel sem o estabelecimento de protocolos de relacionamento e acordos claros de trabalho<\/strong>. Eles come\u00e7aram como pequenos acordos para o compartilhamento de informa\u00e7\u00e3o e foram se complexificando conforme a Rede foi evoluindo. Pode-se afirmar que no desenvolvimento de protocolos e acordos claros e exaustivos reside grande parte do \u00eaxito da RAISG, pois eles contribuem para criar um clima de colabora\u00e7\u00e3o pautado na confian\u00e7a, contribuindo assim para a solidez, dura\u00e7\u00e3o e estabilidade da Rede no tempo.<\/p>\n<p>O trabalho de constru\u00e7\u00e3o da Rede foi intenso, particularmente durante os dois primeiros anos de vida, consumindo muito tempo e dedica\u00e7\u00e3o de seus membros. Assim, a reuni\u00e3o anual e t\u00e9cnica realizada em Quito em agosto de 2008 esteve quase inteiramente voltada a integrar as bases de dados dos pa\u00edses e em estabelecer protocolos t\u00e9cnicos para isso. A clareza e o car\u00e1ter exaustivo dos acordos alcan\u00e7ados permitem hoje em dia o funcionamento flu\u00eddo da Rede, evitando a perda de tempo e energia em discuss\u00f5es e atritos desnecess\u00e1rios que poderiam conduzir ao desgaste das rela\u00e7\u00f5es e ao mau funcionamento da Rede. Ainda que nessa etapa tenha-se realizado grande parte do esfor\u00e7o para estabelecer uma agenda comum de an\u00e1lise tem\u00e1tica, capacita\u00e7\u00e3o de equipe e protocolos para a gest\u00e3o compartilhada e descentralizada da informa\u00e7\u00e3o, pode-se dizer <strong>que a constru\u00e7\u00e3o institucional da RAISG \u00e9 uma obra em curso que requer um trabalho cont\u00ednuo<\/strong>. A vers\u00e3o mais recente dos protocolos data de abril de 2013.<\/p>\n<p>Os protocolos de relacionamento estabelecem acordos nos n\u00edveis pol\u00edtico, operativo e t\u00e9cnico:<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Protocolos Pol\u00edticos<\/strong>, que estabelecem as normas de relacionamento (manejo de dados, produtos, comunica\u00e7\u00e3o, etc.), de crescimento da rede (cria\u00e7\u00e3o de sub-redes, rela\u00e7\u00e3o com financiadores). Visto que existem diferentes crit\u00e9rios para o estabelecimento de limites da Amaz\u00f4nia (pol\u00edticos, biogeogr\u00e1ficos e de bacia hidrogr\u00e1fica), um dos primeiros protocolos definiu os limites da Amaz\u00f4nia sobre os quais trabalharia a RAISG: \u201cO limite manejado pelas institui\u00e7\u00f5es membro, sobre o qual se tem informa\u00e7\u00e3o sistematizada, \u00e9 de 7,8 milh\u00f5es de km\u00b2 e inclui parte do Brasil, Bol\u00edvia, Peru, Equador, Col\u00f4mbia, Venezuela, Guiana, Suriname, e Guiana Francesa\u201d. Estes limites diferem-se dos estabelecidos segundo crit\u00e9rios biogeogr\u00e1ficos (6.970.939 km<sup>2<\/sup>) e do limite da Bacia Amaz\u00f4nica (5.913.491 km<sup>2<\/sup>), que excluem o Suriname e a Guiana Francesa, e nos quais Guiana e Venezuela aparecem escassamente representados.<\/p>\n<p><strong>Protocolos Operativos<\/strong>, que determinam a coordena\u00e7\u00e3o (com um grupo integrado por representantes de cada institui\u00e7\u00e3o, coordenado pelo ISA), definem os mecanismos de publica\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o, a forma de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, a elabora\u00e7\u00e3o de informes e a pol\u00edtica de capacita\u00e7\u00e3o. E ainda, definem a agenda tem\u00e1tica. Inicialmente, foram priorizados os seguintes temas: \u00c1reas protegidas; Territ\u00f3rios ind\u00edgenas; Hidroel\u00e9tricas; Petr\u00f3leo e g\u00e1s; Minera\u00e7\u00e3o; Madeira; Rodovias; Fogos e Desmatamento. Mais tarde, foram incorporados novos temas: \u00c1gua; Sa\u00fade; Agricultura e pecu\u00e1ria; Carbono; Ecossistemas; Cultivos il\u00edcitos; Popula\u00e7\u00e3o e demografia; S\u00edtios arqueol\u00f3gicos e sagrados; Servi\u00e7os socioambientais e Governo.<\/p>\n<p><strong>Protocolos T\u00e9cnicos<\/strong>, que regulam o manejo da informa\u00e7\u00e3o (fontes e modelos de dados), o desenvolvimento da web e estabelecem quatro modalidades de elabora\u00e7\u00e3o de produtos (segundo a origem da ideia e do autor).<\/p>\n<p>Uma das primeiras tarefas foi construir uma carta geogr\u00e1fica base para a Amaz\u00f4nia a partir da informa\u00e7\u00e3o proporcionada por cada um dos pa\u00edses, trabalho que n\u00e3o esteve isento de desafios e requereu o estabelecimento de acordos e defini\u00e7\u00f5es de escala, proje\u00e7\u00e3o, coordenadas, temporalidades, manejo de limites internacionais para evitar buracos e sobreposi\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o, entre outros. E ainda, foi preciso adotar uma plataforma comum de software, no caso o ArcGIS.<\/p>\n<p>Foram estabelecidos, tamb\u00e9m, protocolos para o formato de interc\u00e2mbio dos dados, adotando-se Shapefile e GeoDatabase, e padronizou-se os dados para assegurar a compatibilidade e comparabilidade da informa\u00e7\u00e3o. Construir as legendas dos mapas demandou praticamente a constru\u00e7\u00e3o de uma linguagem comum, pois foi necess\u00e1rio achar defini\u00e7\u00f5es comuns para o complexo sistema de categorias de territ\u00f3rios ind\u00edgenas e \u00e1reas naturais protegidas. Os primeiros foram classificados em rela\u00e7\u00e3o ao grau de reconhecimento oficial, e as segundas, segundo o tipo de uso.<\/p>\n<p>A fim de fomentar as rela\u00e7\u00f5es de confian\u00e7a, desenvolveu-se um protocolo de <strong>cr\u00e9ditos, <\/strong>que estabelece claramente a autoria dos produtos. Assim, por exemplo, os dados disponibilizados pelas institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem se transferir a terceiros sem pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o que os gerou e disponibilizou. Todos os produtos gerados no \u00e2mbito da RAISG devem manter a identifica\u00e7\u00e3o das autorias de origem, al\u00e9m de mencionar que foram desenvolvidos \u201cno \u00e2mbito da RAISG\u201d, e levar o logotipo da Rede.<\/p>\n<p>Outro aspecto chave para a consolida\u00e7\u00e3o da RAISG foi o desenvolvimento de um <strong>site institucional<\/strong> e seu funcionamento, que permite informar sobre a miss\u00e3o e objetivos da RAISG e das institui\u00e7\u00f5es que a integram e colaboram com ela. Ao mesmo tempo, este site permite o download irrestrito e ilimitado dos produtos elaborados pela Rede, o que contribui com seu prop\u00f3sito fundamental: informar a opini\u00e3o p\u00fablica e disseminar conhecimentos e ferramentas que orientem a tomada de decis\u00f5es sobre a gest\u00e3o sustent\u00e1vel da Amaz\u00f4nia. O site se mantem atualizado, de modo que permita ainda o download de todos os produtos em diferentes vers\u00f5es. Al\u00e9m disso, contribui para o funcionamento democr\u00e1tico e participativo da Rede, possibilitando que todos e cada um dos membros contribuam com conte\u00fados relevantes de modo simples e descentralizado. As estat\u00edsticas revelam o significativo uso p\u00fablico deste site, alcan\u00e7ando cerca de 4.500 downloads de produtos por ano.<\/p>\n<p>Com a vontade de ampliar ainda mais o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o especializada que produz, a RAISG renovou seu portal da internet, colocando a disposi\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, pela primeira vez, as camadas de informa\u00e7\u00e3o cartogr\u00e1fica (shapefiles) desenvolvidas pela Rede e que comp\u00f5em variados mapas e an\u00e1lises espaciais.<\/p>\n<p>Pode-se considerar que a etapa de consolida\u00e7\u00e3o da Rede culmina em 2009 com a reuni\u00e3o em Lima e a publica\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o do MAPA AMAZ\u00d4NIA 2009: \u00c1REAS PROTEGIDAS E TERRIT\u00d3RIOS IND\u00cdGENAS em duas vers\u00f5es: uma bil\u00edngue espanhol-portugu\u00eas e outra em ingl\u00eas. Do ponto de vista t\u00e9cnico, neste produto se materializa todo o trabalho desenvolvido previamente para a integra\u00e7\u00e3o das bases de dados e se aplica na pr\u00e1tica dos protocolos da Rede. A integra\u00e7\u00e3o e compatibiliza\u00e7\u00e3o das bases de dados se realizou sob a lideran\u00e7a do ISA.<\/p>\n<p>Ao apresentar uma vis\u00e3o que compreende a presen\u00e7a dos povos ind\u00edgenas na Amaz\u00f4nia e ao ser o \u00fanico instrumento deste tipo dispon\u00edvel na regi\u00e3o, o <strong>Mapa de Territ\u00f3rios Ind\u00edgenas e \u00c1reas Naturais Protegidas teve um impacto consider\u00e1vel<\/strong>, conseguindo romper a invisibilidade que rodeava tradicionalmente os povos ind\u00edgenas e acabar com a ideia de que a Amaz\u00f4nia contem espa\u00e7os vazios que necessitam ser preenchidos, que tem impulsionado numerosas pol\u00edticas de coloniza\u00e7\u00e3o ao longo da hist\u00f3ria republicana desses pa\u00edses. <strong>Vers\u00f5es atualizadas do mapa foram publicadas novamente em 2012, 2015 e 2016.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>A partir da elabora\u00e7\u00e3o deste produto essencial, <strong>fica estabelecida e posta em pr\u00e1tica uma metodologia de trabalho para elaborar publica\u00e7\u00f5es, <\/strong>\u00a0que se caracteriza por procedimentos altamente participativos e democr\u00e1ticos sob a lideran\u00e7a de Alicia Rolla, da equipe t\u00e9cnica do ISA, e que gradualmente foi alcan\u00e7ando maior descentraliza\u00e7\u00e3o. Conforme as caracter\u00edsticas do produto o procedimento pode ser mais ou menos complexo. Para ilustrar apresentamos na sequ\u00eancia um resumo das etapas da metodologia b\u00e1sica de trabalho:<\/p>\n<ul>\n<li>Identifica\u00e7\u00e3o e recompila\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o cartogr\u00e1fica, logo revisada e padronizada.<\/li>\n<li>Compila\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias de refer\u00eancia.<\/li>\n<li>Sistematiza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o cartogr\u00e1fica, apresentada em formato de camadas por tema. Elabora\u00e7\u00e3o de uma legenda comum. Ajuste dos limites internacionais.<\/li>\n<li>Processamento e cruzamento de dados dos pa\u00edses por tema.<\/li>\n<li>An\u00e1lises dos resultados por tema e elabora\u00e7\u00e3o de tabelas e mapas anal\u00edticos.<\/li>\n<li>Elabora\u00e7\u00e3o de uma nota t\u00e9cnica correspondente a cada tema.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Ao longo da etapa de consolida\u00e7\u00e3o da RAISG <strong>o apoio financeiro <\/strong>oferecido pela Rainforest Foundation da Noruega se manteve constante e foi refor\u00e7ado pelo apoio da Funda\u00e7\u00e3o Avina e da Funda\u00e7\u00e3o Skoll.<\/p>\n<p><strong>5. INFORMA\u00c7\u00c3O NOVA E ESTRAT\u00c9GICA PARA UMA CONJUNTURA ESPECIAL (2012-2016)<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Nesta etapa de intensa produtividade, a RAISG consegue trazer \u00e0 luz novos produtos de grande complexidade t\u00e9cnica que requereram anos de elabora\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de capacidades t\u00e9cnicas. A Rede se dedica a gerar informa\u00e7\u00e3o sobre temas definidos como priorit\u00e1rios em seu plano de trabalho para 2010-2012. Com eles, busca-se fornecer evid\u00eancias que refor\u00e7am o argumento da necessidade de tomar a\u00e7\u00f5es frente \u00e0s diversas press\u00f5es \u00e0s quais est\u00e1 sujeito o bioma amaz\u00f4nico, produto da ocupa\u00e7\u00e3o desordenada e de distintas formas de uso predat\u00f3rio dos recursos naturais. Entre as press\u00f5es destacam-se o avan\u00e7o da frente de corte de madeira e a expans\u00e3o agropecu\u00e1ria, com altas taxas de desmatamento e inc\u00eandios, al\u00e9m da implanta\u00e7\u00e3o de obras de infraestrutura (estradas, hidrel\u00e9tricas), a extra\u00e7\u00e3o de minerais e a explora\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o de g\u00e1s e petr\u00f3leo. A an\u00e1lise do desmatamento tamb\u00e9m \u00e9 considerado um tema priorit\u00e1rio, que por um lado come\u00e7ava a atrair o interesse dos cientistas no desenvolvimento de novas metodologias de an\u00e1lise utilizando imagens de sat\u00e9lites, e de outro lado havia chamado a aten\u00e7\u00e3o dos governos nacionais\u00a0 e, no \u00e2mbito intergovernamental, da OTCA.<\/p>\n<p><strong>A conjuntura global n\u00e3o poderia ser mais favor\u00e1vel<\/strong>, pois se antecipava que em quest\u00e3o de poucos anos se alcan\u00e7ariam acordos definitivos que comprometeriam as na\u00e7\u00f5es a tomar decis\u00f5es para enfrentar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, no marco da iniciativa impulsionada pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas. \u00a0Assim culminariam d\u00e9cadas de \u00e1rduo trabalho e n\u00e3o poucas frustra\u00e7\u00f5es. Em 2014 se realizaria em Lima a COP 20, pela primeira vez em um pa\u00eds amaz\u00f4nico. O desafio para a RAISG era duplo: por um lado, contribuir para o posicionamento definitivo da import\u00e2ncia da sa\u00fade do bioma amaz\u00f4nico para a mitiga\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a clim\u00e1tica e, de outro, oferecer evid\u00eancia fresca e novos enfoques para estabelecer rela\u00e7\u00f5es entre a seguran\u00e7a dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas e \u00e1reas naturais protegidas e a estabilidade do clima do planeta. Em conson\u00e2ncia com a orienta\u00e7\u00e3o de seu segundo plano estrat\u00e9gico, de fomentar o relacionamento e colabora\u00e7\u00e3o fora dos limites da Rede, a RAISG motivou importantes alian\u00e7as com o mundo cient\u00edfico, com organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas panamaz\u00f4nicas e especialistas internacionais em pol\u00edticas p\u00fablicas. Os novos e cruciais produtos desenvolvidos e sua apresenta\u00e7\u00e3o internacional em importantes eventos globais contribu\u00edram para consolidar o posicionamento e prest\u00edgio da RAISG como refer\u00eancia na an\u00e1lise de temas amaz\u00f4nicos.<\/p>\n<p>O per\u00edodo tamb\u00e9m coincidiu com a chegada de novas fontes de financiamento: a Funda\u00e7\u00e3o Ford e a Funda\u00e7\u00e3o Gordon e Betty Moore. Al\u00e9m disso, a funda\u00e7\u00e3o Porticus financia projetos ligados a RAISG em alguns pa\u00edses.<\/p>\n<p>Em 2012 foi lan\u00e7ado o <strong>ATLAS AMAZ\u00d4NIA SOB PRESS\u00c3O<\/strong>, que inclui dados e an\u00e1lises sobre as principais press\u00f5es e amea\u00e7as que envolvem o bioma amaz\u00f4nico. Com o Atlas busca-se contribuir para o debate democr\u00e1tico sobre as press\u00f5es na Amaz\u00f4nia, particularmente acerca do desmatamento. Com esse produto complexo e ambicioso, a Rede superou as discuss\u00f5es cartogr\u00e1ficas para assumir vis\u00f5es pol\u00edticas e estrat\u00e9gicas, emitindo mensagens claras que contribuem para a incid\u00eancia do futuro da regi\u00e3o. Por exemplo, estabelece que 99% das \u00c1reas Naturais Protegidas e os Territ\u00f3rios Ind\u00edgenas est\u00e3o sujeitos a press\u00f5es e amea\u00e7as.<\/p>\n<p>O conte\u00fado do Atlas est\u00e1 organizado segundo um conjunto de temas priorit\u00e1rios: estradas, petr\u00f3leo e g\u00e1s, minera\u00e7\u00e3o, hidrel\u00e9tricas, focos de calor e desmatamento. A explora\u00e7\u00e3o madeireira e a agropecu\u00e1ria tamb\u00e9m s\u00e3o abordadas, mas n\u00e3o h\u00e1 mapas desses temas por haver informa\u00e7\u00f5es espaciais suficientes \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o que sustenta o Atlas Amaz\u00f4nia sob press\u00e3o foi reunida em junho de 2009 e atualizada em maio de 2011. Como um exerc\u00edcio preliminar ao desenvolvimento dessa publica\u00e7\u00e3o, em 2009 foi elaborado um p\u00f4ster sobre as press\u00f5es e amea\u00e7as na Amaz\u00f4nia, que foi apresentado na Confer\u00eancia sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas COP 15, realizada em Copenhague, nesse mesmo ano. Entre 2005 e 2012, a equipe t\u00e9cnica se reuniu em S\u00e3o Paulo, Lima, Bel\u00e9m, Bogot\u00e1 e Quito para estabelecer m\u00e9todos e trocar capacidades e conhecimentos para a elabora\u00e7\u00e3o do Atlas. Esta publica\u00e7\u00e3o foi muito bem recebida e as edi\u00e7\u00f5es impressas se esgotaram rapidamente. A novidade e a variedade dos temas abordados, seu formato atrativo e suas valiosas an\u00e1lises espaciais e notas t\u00e9cnicas fazem dele um efetivo ve\u00edculo de incid\u00eancia sobre o futuro da regi\u00e3o. Al\u00e9m disso, fornece preciosas ferramentas para a tomada de decis\u00f5es em diferentes escalas: regi\u00e3o, pa\u00eds, ANP, TI e bacia amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>O estudo que sustenta o <strong>MAPA AMAZ\u00d4NIA DENSIDADE DE CARBONO, \u00c1REAS NATURAIS PROTEGIDAS E TERRIT\u00d3RIOS IND\u00cdGENAS <\/strong>(2014) revela a exist\u00eancia de enormes quantidades de carbono na rede de territ\u00f3rios ind\u00edgenas e \u00e1reas protegidas dos nove pa\u00edses da Amaz\u00f4nia. Estes produtos s\u00e3o o resultado de uma nova colabora\u00e7\u00e3o Norte-Sul entre cientistas do Woods Hole Research Center, a rede ind\u00edgena panamaz\u00f4nica COICA, v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es associadas no \u00e2mbito da RAISG e especialistas em pol\u00edticas p\u00fablicas ambientais (EDF). A metodologia adotada combina medi\u00e7\u00f5es da quantidade de biomassa por sat\u00e9lite, registros obtidos em campo e uma base de dados sobre os limites dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas e \u00e1reas protegidas.<\/p>\n<p>O Mapa alcan\u00e7ou uma grande repercuss\u00e3o nos meios de comunica\u00e7\u00e3o por seu conte\u00fado e abordagem inovadores, estabelecendo que 55% do carbono da regi\u00e3o est\u00e1 contido nos TI e ANP, tornando-os cruciais para o clima global. Al\u00e9m disso, colocou em destaque a necessidade de aumentar a seguran\u00e7a na posse desses territ\u00f3rios. Nesse sentido, cumpriu com o objetivo de proporcionar ferramentas de negocia\u00e7\u00e3o com a COICA, como representante dos povos ind\u00edgenas na COP 20.<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o <strong>DESMATAMENTO NA AMAZ\u00d4NIA (1970-2013) <\/strong>em 2015 \u00e9 um estudo in\u00e9dito sobre a perda de floresta na regi\u00e3o amaz\u00f4nica em cada um dos pa\u00edses que a comp\u00f5e. A an\u00e1lise considera os per\u00edodos 2000-2005, 2005-2010 e 2010-2013, sendo que o ano 2000 constitui a linha base para toda a Amaz\u00f4nia. Al\u00e9m disso, se estimou que o desmatamento hist\u00f3rico, definido como a perda acumulada de floresta at\u00e9 o ano 2000. Seus resultados alertam sobre o acelerado avan\u00e7o do desmatamento no n\u00edvel regional: \u201cDe toda a hist\u00f3ria da ocupa\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia se considera que at\u00e9 9% da regi\u00e3o havia sido desmatada at\u00e9 o ano 2000, e que entre esse ano e 2013 essa porcentagem subiu para 13,3%, o que representa um incremento de 37% em treze anos\u201d. Com poucas exce\u00e7\u00f5es, a tend\u00eancia se mantem nos n\u00edveis nacionais.<\/p>\n<p>A primeira se\u00e7\u00e3o da publica\u00e7\u00e3o identifica as principais causas e processos que causaram o desmatamento at\u00e9 o ano 2000 e apresenta uma estimativa do desmatamento no per\u00edodo 2000-2013 em toda a regi\u00e3o. A segunda, aborda o desmatamento hist\u00f3rico e recente em cada um dos pa\u00edses amaz\u00f4nicos. Nas duas se\u00e7\u00f5es os resultados do per\u00edodo 2000-2013 s\u00e3o apresentados para os n\u00edveis de \u00c1reas Naturais Protegidas, Territ\u00f3rios Ind\u00edgenas e bacias hidrogr\u00e1ficas, unidades de an\u00e1lises utilizadas em estudos anteriores da RAISG. Sua apresenta\u00e7\u00e3o em Lima, no contexto pr\u00e9vio da COP 21 em Paris, despertou muito interesse e cobertura midi\u00e1tica favor\u00e1vel.<\/p>\n<p>Esta publica\u00e7\u00e3o \u00e9 <strong>fruto de uma decis\u00e3o tomada pela RAISG em 2009, de produzir a informa\u00e7\u00e3o para todos os pa\u00edses amaz\u00f4nicos, sob uma mesma metodologia e per\u00edodo de an\u00e1lise, validada pelo conhecimento e experi\u00eancia dos t\u00e9cnicos de cada pa\u00eds<\/strong>. Na pr\u00e1tica, foram necess\u00e1rios v\u00e1rios anos de trabalho preparat\u00f3rio, que compreendem o desenvolvimento da capacidade t\u00e9cnica da equipe no uso de ferramentas de an\u00e1lises semiautom\u00e1ticas. Uma primeira capacita\u00e7\u00e3o, em 2009, se referiu ao m\u00e9todo SAD, desenvolvido pelo Imazon, seguida por uma capacita\u00e7\u00e3o no ano seguinte no m\u00e9todo CLASlite do Carnegie Institution of Science. Optou-se pela metodologia SAD por consider\u00e1-la mais adequada para abordar a diversidade das paisagens andino-amaz\u00f4nicas e do escudo das Guianas.<\/p>\n<p>Foram alcan\u00e7adas sinergias ao combinar a ampla experi\u00eancia do Imazon na an\u00e1lise do desmatamento da Amaz\u00f4nia brasileira, com o conhecimento da Amaz\u00f4nia andina e das Guianas que as demais institui\u00e7\u00f5es integrantes da Rede possu\u00edam, conseguindo melhorar e ampliar as capacidades da ferramenta ImgTools desenvolvida pelo Imazon, para que fosse poss\u00edvel aplic\u00e1-la no n\u00edvel panamaz\u00f4nico. Al\u00e9m disso, gra\u00e7as ao trabalho de colabora\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito da RAISG, se conseguiu construir um marco conceitual e metodol\u00f3gico padronizado \u2013 o protocolo RAISG para desmatamento \u2013 que permite analisar comparativamente os diferentes pa\u00edses e considerar as diferen\u00e7as sub-regionais e locais, que conformam a heterogeneidade ambiental da regi\u00e3o amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>Mais recentemente, estabeleceu-se coordena\u00e7\u00f5es com desenvolvedores de tecnologia de ponta em visualiza\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise da informa\u00e7\u00e3o geoespacial, como Google Earth Engine e NatGeo, e atualmente est\u00e1 em processo de formula\u00e7\u00e3o uma alian\u00e7a com o MapBiomas.<\/p>\n<p>Levando ainda mais longe sua contribui\u00e7\u00e3o aos processos de governan\u00e7a socioambiental da Amaz\u00f4nia, RAISG tem preparado o estudo <strong>CARTOGRAFIA HIST\u00d3RICA DE \u00c1REAS NATURAIS PROTEGIDAS E TERRIT\u00d3RIOS IND\u00cdGENAS NA AMAZ\u00d4NIA<\/strong> (2017), dispon\u00edvel no renovado site da RAISG. Esse estudo analisa tanto a din\u00e2mica e o processo hist\u00f3rico da cria\u00e7\u00e3o das \u00c1reas Naturais Protegidas (ANP) como tamb\u00e9m a din\u00e2mica socioambiental e o processo hist\u00f3rico do reconhecimento dos Territ\u00f3rios Ind\u00edgenas (TI) na Amaz\u00f4nia. O estudo tamb\u00e9m contribui para o conhecimento do processo hist\u00f3rico de institucionaliza\u00e7\u00e3o, desde as primeiras ANP criadas no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, de mais de 45% do vasto territ\u00f3rio da Amaz\u00f4nia sob as categorias de TI e ANP.<\/p>\n<p>Essa obra consiste em um estudo regional sobre as especificidades e aspectos comuns aos pa\u00edses analisados (Bol\u00edvia, Brasil, Col\u00f4mbia, Equador, Peru e Venezuela). Uma segunda se\u00e7\u00e3o compreende estudos dos pa\u00edses mencionados \u2013 que est\u00e3o representados na RAISG \u2013 e uma an\u00e1lise cartogr\u00e1fica da informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel para Guiana, Guiana Francesa e Suriname, pa\u00edses atualmente sem representa\u00e7\u00e3o na Rede.<\/p>\n<p>Atualmente a RAISG tem superado um de seus desafios: assegurar a disponibilidade da informa\u00e7\u00e3o cartogr\u00e1fica ao p\u00fablico, al\u00e9m de suas publica\u00e7\u00f5es. Assim se prev\u00ea, em m\u00e9dio prazo, disponibilizar todas as camadas de informa\u00e7\u00e3o para download. Come\u00e7amos a disponibilizar os dados produzidos diretamente pelas institui\u00e7\u00f5es da RAISG, como no caso do desmatamento, e daquelas para as quais n\u00e3o h\u00e1 impedimento, ou que os s\u00f3cios conseguiram permiss\u00e3o para compartilhar, sempre considerando a base de dados regional.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de 2017 houve nova mudan\u00e7a na composi\u00e7\u00e3o da Rede com a entrada da Wataniba, institui\u00e7\u00e3o venezuelana. Atualmente os membros da RAISG s\u00e3o: EcoCiencia (Equador), FAN (Bol\u00edvia), FGA (Col\u00f4mbia), IBC (Peru), Imazon e ISA (Brasil);\u00a0 Provita e Wataniba (Venezuela). A informa\u00e7\u00e3o sobre Guiana, Guiana Francesa e Suriname \u00e9 obtida, dentro do poss\u00edvel, atrav\u00e9s de consultores, at\u00e9 que a Rede encontre s\u00f3cios nesses pa\u00edses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>6. DESCENTRALIZA\u00c7\u00c3O E CRESCIMENTO<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Na se\u00e7\u00e3o anterior foi mencionado como foram sendo cumpridas as metas de fortalecimento e posicionamento da Rede e de colabora\u00e7\u00e3o com outras organiza\u00e7\u00f5es para a elabora\u00e7\u00e3o de produtos conjuntos, estabelecidas no Plano Estrat\u00e9gico 2013-2016. Nessa se\u00e7\u00e3o ser\u00e1 abordado o <strong>processo de descentraliza\u00e7\u00e3o da RAISG<\/strong>. A articula\u00e7\u00e3o com outras redes e a descentraliza\u00e7\u00e3o da RAISG n\u00e3o s\u00e3o processos desvinculados, e ocorreram, em grande medida, de forma simult\u00e2nea. Tamb\u00e9m pode-se dizer que a descentraliza\u00e7\u00e3o tem sido respons\u00e1vel pelo \u00eaxito alcan\u00e7ado, ao permitir o desenvolvimento de v\u00e1rios projetos de forma simult\u00e2nea e paralela, por equipes especializadas e sob a lideran\u00e7a de uma organiza\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. A descentraliza\u00e7\u00e3o tem permitido aumentar a agilidade na tomada de decis\u00f5es e dinamizar as opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Nesse sentido, em 2013 o IBC coordenou do Peru a elabora\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de fundos para o mapa sobre a densidade de carbono em ANP e TI na Amaz\u00f4nia; em 2014 EcoCi\u00eancia coordenou do Equador a elabora\u00e7\u00e3o de um projeto de florestas e territ\u00f3rios ind\u00edgenas que foi apresentado a Norad, ag\u00eancia de coopera\u00e7\u00e3o norueguesa; e da Col\u00f4mbia, Gaia Amazonas assumiu a coordena\u00e7\u00e3o de um trabalho sobre governan\u00e7a na Amaz\u00f4nia, atualmente em curso. Al\u00e9m disso, existe um grupo de trabalho sobre desmatamento que, de forma conjunta, discute e toma decis\u00f5es para a elabora\u00e7\u00e3o de um produto complexo que exige a elabora\u00e7\u00e3o de uma agenda comum e a ado\u00e7\u00e3o de inova\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de dados e conhecimentos de uma vis\u00e3o regional para quatro temas estrat\u00e9gicos \u2013 floresta, \u00e1gua, press\u00f5es e amea\u00e7as, e gest\u00e3o territorial \u2013 dar\u00e1 visibilidade e peso emp\u00edrico a fen\u00f4menos chave do estado atual da floresta amaz\u00f4nica e seus povos e, ao mesmo tempo, ampliar\u00e1 os par\u00e2metros do debate p\u00fablico sobre esses temas. Novos temas a serem analisados s\u00e3o agricultura e pecu\u00e1ria, explora\u00e7\u00e3o ilegal de madeira, minera\u00e7\u00e3o ilegal e cultivo il\u00edcito de coca. Sete Grupos de Trabalho ser\u00e3o respons\u00e1veis pela implementa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica dos trabalhos tem\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Para potencializar o uso das an\u00e1lises e informa\u00e7\u00f5es produzidas, RAISG busca alian\u00e7as estrat\u00e9gicas com redes que tenham o mesmo prop\u00f3sito estrat\u00e9gico de construir e fortalecer a governan\u00e7a socioambiental da Amaz\u00f4nia. Isso \u00e9 parte de uma estrat\u00e9gia complementar de descentraliza\u00e7\u00e3o que prev\u00ea <strong>o crescimento da Rede atrav\u00e9s <\/strong>de relacionamento com outras redes, sejam nacionais ou regionais.<\/p>\n<p>Nesse sentido, foram estabelecidos protocolos de relacionamento entre a RYYIG (Rede Yanomami e Yekuana de Informa\u00e7\u00e3o Georreferenciada) e a RAISG. Nesse sentido, se produziu um mapa binacional da regi\u00e3o Yanomami, elaborado pelo escrit\u00f3rio do ISA em Boa Vista (RR) e a organiza\u00e7\u00e3o Wataniba. Pretende-se ainda estabelecer alian\u00e7as com outras redes para as seguintes regi\u00f5es: Xingu (Brasil), Puntamayo (Equador, Col\u00f4mbia e Peru), Tierras Bajas (Bol\u00edvia) e na Amaz\u00f4nia venezuelana.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia inclui tamb\u00e9m alian\u00e7as com plataformas globais de dados, como \u00e9 o caso da Global Forest Watch e Landmark, das quais da RAISG faz parte.<\/p>\n<p>De acordo com o Plano Estrat\u00e9gico 2016-2020, a RAISG prev\u00ea continuar produzindo e divulgando informa\u00e7\u00e3o georreferenciada, que ser\u00e1 um insumo b\u00e1sico para os programas de conserva\u00e7\u00e3o da natureza e para as a\u00e7\u00f5es dos povos amaz\u00f4nicos que buscam defender e manejar seus territ\u00f3rios para o planejamento do uso sustent\u00e1vel dos recursos naturais. Tamb\u00e9m dobrar\u00e1 seus esfor\u00e7os para influenciar a forma\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica sobre temas socioambientais.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]A Panamaz\u00f4nia vista de uma maneira integral sobre mapas que apresentam informa\u00e7\u00e3o socioambiental precisa e confi\u00e1vel, transcendendo as divis\u00f5es artificiais criadas pelas fronteiras nacionais; um conjunto de ferramentas \u00fateis para promover em n\u00edvel regional e global pol\u00edticas favor\u00e1veis ao adequado manejo de seus recursos naturais, a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e o bem estar dos povos&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":3307,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-3708","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-radar","category-1","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3708","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3708"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3708\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4758,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3708\/revisions\/4758"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3307"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3708"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3708"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3708"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}