{"id":9726,"date":"2019-08-08T14:14:01","date_gmt":"2019-08-08T17:14:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/?p=9726"},"modified":"2019-08-08T14:17:43","modified_gmt":"2019-08-08T17:17:43","slug":"amazonia-livre-das-grandes-hidreletricas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/radar\/amazonia-livre-das-grandes-hidreletricas\/","title":{"rendered":"Amaz\u00f4nia livre das grandes hidrel\u00e9tricas?"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Por Aldem Bourscheit<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>InfoAmaz\u00f4nia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>06 de agosto de 2018<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Amaz\u00f4nia brasileira<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]Construir barragens para produzir eletricidade \u00e9 uma pol\u00edtica p\u00fablica desde a Ditadura Militar (1964-1985) brasileira, mas o protagonismo das hidrel\u00e9tricas est\u00e1 perdendo posi\u00e7\u00f5es nos\u00a0<a href=\"http:\/\/www.mme.gov.br\/documents\/10584\/1432059\/Plano+Decenal+de+Expans%C3%A3o+de+Energia+2027+%28PDE+2027%29\/66498aa7-5e33-47ea-b586-2a6b1b994f7f?version=1.1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">planos oficiais de g<\/a><a href=\"http:\/\/www.mme.gov.br\/documents\/10584\/1432059\/Plano+Decenal+de+Expans%C3%A3o+de+Energia+2027+%28PDE+2027%29\/66498aa7-5e33-47ea-b586-2a6b1b994f7f?version=1.1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">era\u00e7\u00e3o de energia<\/a>. Ao mesmo tempo, aumentam o uso de fontes alternativas e de combust\u00edvel f\u00f3ssil. A pergunta que paira \u00e9 se, os impactos da crise do clima e do desmatamento sobre o regime de chuvas e os preju\u00edzos a popula\u00e7\u00f5es rurais e ind\u00edgenas finalmente colocam em xeque a constru\u00e7\u00e3o e a opera\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Informa\u00e7\u00f5es da Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (Aneel) mostram que h\u00e1 221 hidrel\u00e9tricas operando na Amaz\u00f4nia \u2013 27 de grande porte, 102 m\u00e9dias e pequenas e 92 microgeradoras. Outras 35 est\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o ou rumo \u00e0s obras. Na regi\u00e3o, h\u00e1 desde gigantes como\u00a0<a href=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/place\/UHE+Belo+Monte\/@-3.1293926,-51.7784306,840m\/data=!3m2!1e3!4b1!4m5!3m4!1s0x9293c3f9d7d58bd5:0xe83006090c1f1975!8m2!3d-3.1293926!4d-51.7763325\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Belo Monte<\/a>, a terceira maior no mundo em capacidade para gera\u00e7\u00e3o de energia, a uma profus\u00e3o de pequenas usinas.<\/p>\n<p>As barragens se concentram no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/figure\/Figura-2-Limites-da-Amazonia-Legal-Brasileira-e-a-distribuicao-espacial-do-desmatamento_fig1_304661449\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Arco do Desmatamento<\/a>, grande faixa onde lavouras e pastagens tomaram o lugar da floresta. Existem ainda 251 locais mapeados com potencial hidrel\u00e9trico, o que na base do governo chama-se \u201cEixo Inventariado.\u201d Considerando todos os aproveitamentos hidrel\u00e9tricos, a base de dados da Aneel contabiliza como poss\u00edveis 686 usinas nos rios da Amaz\u00f4nia. Confira no mapa.<\/p>\n<h2 class=\"CDB-Text CDB-Size-large u-ellipsis\" style=\"text-align: center;\" title=\"Hidrel\u00e9tricas Amaz\u00f4nia Legal Brasil\">Hidrel\u00e9tricas na Amaz\u00f4nia Legal &#8211; Brasil<\/h2>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9719\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/mapa-com-legenda.jpg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/mapa-com-legenda.jpg 960w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/mapa-com-legenda-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/mapa-com-legenda-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/mapa-com-legenda-500x375.jpg 500w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/mapa-com-legenda-600x450.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, a participa\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas na gera\u00e7\u00e3o brasileira caiu de 90% para os atuais 64% e esse \u00edndice deve chegar a 50% em 2027, segundo proje\u00e7\u00f5es oficiais. At\u00e9 l\u00e1, a produ\u00e7\u00e3o de eletricidade deve saltar 40%, passando de 156 Gigawatts para 216 Gigawatts (GW). Isso acontecer\u00e1 com uma maior gera\u00e7\u00e3o por pequenas e m\u00e9dias hidrel\u00e9tricas, fontes solar, e\u00f3lica e biomassa, bem como por termel\u00e9tricas a g\u00e1s natural. Esse combust\u00edvel \u00e9 extra\u00eddo do\u00a0<a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/entenda-o-assunto\/pre-sal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pr\u00e9-Sal<\/a>, grande e profunda reserva marinha de petr\u00f3leo, entre os estados do Esp\u00edrito Santo e de Santa Catarina.<\/p>\n<p>Os planos do governo federal preveem ampliar a gera\u00e7\u00e3o com a for\u00e7a do sol em quase 20 vezes, passando de menos de 500 Megawatts para quase 9 GW, enquanto o aproveitamento das fontes e\u00f3lica e g\u00e1s natural mais que dobrar\u00e3o, passando de pouco mais de 12 Megawatts para cerca de 27 GW e 23 GW, respectivamente. Vento e sol respondem hoje por 7% da eletricidade consumida no pa\u00eds, enquanto o g\u00e1s natural soma menos de 11%.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9739\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/gr\u00e1fico-matriz-nerg\u00e9tica-brasileira.jpg\" alt=\"\" width=\"955\" height=\"690\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/gr\u00e1fico-matriz-nerg\u00e9tica-brasileira.jpg 955w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/gr\u00e1fico-matriz-nerg\u00e9tica-brasileira-300x217.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/gr\u00e1fico-matriz-nerg\u00e9tica-brasileira-768x555.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/gr\u00e1fico-matriz-nerg\u00e9tica-brasileira-500x361.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 955px) 100vw, 955px\" \/><\/p>\n<p>Em entrevista ao InfoAmazonia, o secret\u00e1rio de Planejamento e Desenvolvimento Energ\u00e9tico do Minist\u00e9rio de Minas e Energia, Reive Barros, afirmou que o governo quer diminuir os custos de distribui\u00e7\u00e3o e produzir energia mais perto do consumo. Para isso, prev\u00ea ampliar a gera\u00e7\u00e3o de eletricidade fora da Amaz\u00f4nia e usar mais g\u00e1s natural em termel\u00e9tricas, que hoje queimam principalmente diesel e \u00f3leo combust\u00edvel.<\/p>\n<blockquote><p><em>&#8220;A estrat\u00e9gia \u00e9 acelerar estudos para aproveitar o potencial de gera\u00e7\u00e3o com usinas de m\u00e9dio porte no Sudeste e no Centro-Oeste e ampliar o uso do g\u00e1s natural. Assim, teremos menores custos e perdas na transmiss\u00e3o. Com outras op\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis, n\u00e3o precisar\u00edamos mais buscar energia em \u00e1reas sens\u00edveis do ponto de vista social e ambiental<\/em>\u201d, ressaltou Barros.<\/p><\/blockquote>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9727\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Reive-Barros-secret\u00e1rio-de-Planejamento-e-Desenvolvimento-Energ\u00e9tico.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"521\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Reive-Barros-secret\u00e1rio-de-Planejamento-e-Desenvolvimento-Energ\u00e9tico.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Reive-Barros-secret\u00e1rio-de-Planejamento-e-Desenvolvimento-Energ\u00e9tico-300x204.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Reive-Barros-secret\u00e1rio-de-Planejamento-e-Desenvolvimento-Energ\u00e9tico-500x339.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Reive Barros , secret\u00e1rio de Planejamento e Desenvolvimento Energ\u00e9tico (Foto: Foto: Bruno Spada \/ MME)<\/em><\/p>\n<p>Para Danicley Aguiar, da Campanha da Amaz\u00f4nia do Greenpeace, o modelo de grandes hidrel\u00e9tricas se tornou ultrapassado pelos preju\u00edzos sociais e ambientais que provoca ao alimentar centros consumidores distantes da Amaz\u00f4nia e ind\u00fastrias que devoram enorme quantidade de energia para elaborar e exportar produtos prim\u00e1rios, como alum\u00ednio, a\u00e7o, petroqu\u00edmicos, papel e celulose.<\/p>\n<blockquote><p>\u201c<em>A Amaz\u00f4nia n\u00e3o pode mais ser vista apenas como uma prov\u00edncia miner\u00e1ria, energ\u00e9tica e agropecu\u00e1ria, alvo de uma l\u00f3gica econ\u00f4mica perversa que concentra riquezas e pressiona pessoas e meio ambiente. A corrida energ\u00e9tica depende hoje de mais investimentos em ci\u00eancia e tecnologia, na gera\u00e7\u00e3o com vento e sol, na redu\u00e7\u00e3o e na racionaliza\u00e7\u00e3o do consumo<\/em>\u201d, diz Aguiar.<\/p><\/blockquote>\n<h3><strong>De planos a obras<\/strong><\/h3>\n<p>Mesmo com as grandes hidrel\u00e9tricas perdendo for\u00e7a na produ\u00e7\u00e3o nacional de eletricidade, dados colhidos pela reportagem junto \u00e0 Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (Aneel) mostram que m\u00e9dias e grandes usinas seguem em constru\u00e7\u00e3o ou nos planos oficiais para a Amaz\u00f4nia. O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal e<a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/noticias-socioambientais\/isa-e-mais-38-organizacoes-denunciam-violacao-de-direitos-indigenas-no-teles-pires\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00a0organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais afirmam<\/a>\u00a0que essas obras prejudicar\u00e3o pescadores, pequenos agricultores e ind\u00edgenas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9716\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Indios-Xingu.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"511\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Indios-Xingu.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Indios-Xingu-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Indios-Xingu-500x333.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>24-11-2015 \u2013 Bras\u00edlia \u2013 \u00cdndios do Xingu fazem protesto durante coletiva da presidenta do Ibama, Marilene Ramos, <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>sobre o enchimento do reservat\u00f3rio da Usina Hidrel\u00e9trica de Belo Monte, no Rio Xingu (Marcello Casal Jr\/Ag\u00eancia Brasil)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As maiores\u00a0<strong>obras em curso<\/strong>\u00a0s\u00e3o:\u00a0<strong>Col\u00edder (300 Megawatts)<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Sinop (400 MW)<\/strong>, no Mato Grosso.<\/p>\n<p><strong>At\u00e9 o fim da pr\u00f3xima d\u00e9cada<\/strong>, as principais hidrel\u00e9tricas planejadas s\u00e3o as de\u00a0<strong>Tabajara (400 MW)<\/strong>, em Rond\u00f4nia,\u00a0<strong>Castanheira (140 MW)<\/strong>, no Mato Grosso, e\u00a0<strong>Bem Querer (650 MW)<\/strong>, em Roraima.<\/p>\n<p>Para\u00a0<strong>depois de 2027<\/strong>,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.epe.gov.br\/sites-pt\/publicacoes-dados-abertos\/publicacoes\/Documents\/Sumario%20Executivo%20PDE%202027.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o planejamento oficial n\u00e3o descarta<\/a>\u00a0as usinas de\u00a0<strong>Alta Floresta (127 MW)<\/strong>,\u00a0<strong>Couto Magalh\u00e3es (150 MW)<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Jatob\u00e1 (1,65 GW)<\/strong>, no Mato Grosso e no Par\u00e1.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso,\u00a0<strong>press\u00f5es pol\u00edticas<\/strong>\u00a0do Governo Bolsonaro\u00a0<strong>podem desengavetar<\/strong>\u00a0os projetos de<strong>\u00a0S\u00e3o Luiz do Tapaj\u00f3s (8 GW)<\/strong>\u00a0e de\u00a0<strong>Marab\u00e1 (2 GW)<\/strong>, no Par\u00e1, e de\u00a0<strong>S\u00e3o Sim\u00e3o Alto (3,5 GW)<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Salto Augusto Baixo (1,5 GW)<\/strong>, entre o Mato Grosso e o Amazonas. Tamb\u00e9m pode receber\u00a0<a href=\"https:\/\/economia.estadao.com.br\/noticias\/geral,indios-tem-oferta-de-r-49-6-mi-por-linhao,70002907866\">sinal verde<\/a>\u00a0um\u00a0<strong>linh\u00e3o pra transmiss\u00e3o de energia entre as capitais Manaus (AM) e Boa Vista (RR)<\/strong>. A obra cortaria uma terra ind\u00edgena Waimiri-Atroari, j\u00e1 afetada pela abertura da rodovia BR-174 e pela constru\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica de Balbina, nos anos 1980.<\/p>\n<p>Desde sua campanha \u00e0 presid\u00eancia, Bolsonaro promete acelerar o licenciamento ambiental de hidrel\u00e9tricas e n\u00e3o esconde seu desprezo pelos impactos que essas obras provocam em popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e tradicionais, bem como na conserva\u00e7\u00e3o da natureza amaz\u00f4nica. Em maio deste ano, defendeu a emiss\u00e3o de licen\u00e7as para pequenas geradoras em at\u00e9 tr\u00eas meses, no m\u00e1ximo.<\/p>\n<p>Assessores pol\u00edticos e membros do governo engrossam o coro favor\u00e1vel \u00e0s hidrel\u00e9tricas. Em 2018, o general da reserva Oswaldo Ferreira, encarregado de infraestrutura na campanha de Bolsonaro,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.valor.com.br\/politica\/5916569\/general-quer-concluir-angra-3-e-reavaliar-usinas-na-amazonia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pediu novos estudos<\/a>\u00a0para S\u00e3o Luiz do Tapaj\u00f3s, cujo licenciamento foi arquivado, dois anos antes. O atual secret\u00e1rio de Assuntos Estrat\u00e9gicos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, general Maynard de Santa Rosa, prop\u00f5e usinas no Rio Trombetas (PA).<\/p>\n<h3><strong>Freio Clim\u00e1tico<\/strong><\/h3>\n<p>Ignorados pelo planejamento oficial, a crise do clima e o desmatamento pintam um cen\u00e1rio cada vez mais desfavor\u00e1vel \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de eletricidade na floresta tropical brasileira. A Amaz\u00f4nia \u00e9 a segunda grande regi\u00e3o natural do planeta que mais pode sofrer com as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, logo atr\u00e1s do \u00c1rtico,<a href=\"http:\/\/redparques.com\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/ATLAS-.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00a0revelou uma publica\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0de organismos n\u00e3o governamentais e das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>Um dos impactos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas sobre a Amaz\u00f4nia \u00e9 reduzir a quantidade de \u00e1gua dispon\u00edvel em rios e outros mananciais. \u00c9 o que revela um\u00a0<a href=\"http:\/\/www.agroicone.com.br\/$res\/arquivos\/pdf\/160727143013_BRASIL-2040-Resumo-Executivo.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">estudo oficial publicado em 201<\/a>5, no governo Dilma Rousseff, e uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.mdpi.com\/2073-4441\/11\/3\/566\/htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pesquisa<\/a>\u00a0do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amaz\u00f4nia (Imazon) e do WWF-Brasil. O trabalho mostrou que rios, lagos e alagados perderam 350 quil\u00f4metros quadrados anuais de espelho d\u2019\u00e1gua, nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9736\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/fogo-destroi-floresta.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/fogo-destroi-floresta.jpg 800w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/fogo-destroi-floresta-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/fogo-destroi-floresta-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/fogo-destroi-floresta-500x333.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Fogo destruindo a floresta e lan\u00e7ando gases de efeito estufa na atmosfera, em 2018. Foto: Daniel Beltr\u00e1\/Greenpeace<\/em><\/p>\n<blockquote><p>\u201cAs barragens interrompem o fluxo natural dos rios e afetam o sobe e desce das \u00e1guas. As \u00e1reas mais afetadas pela perda de \u00e1gua superficial s\u00e3o as v\u00e1rzeas e lagoas formadas pelas cheias e vazantes. Efeitos cumulativos de uma grande quantidade de hidrel\u00e9tricas podem alterar a circula\u00e7\u00e3o da \u00e1gua em toda uma bacia hidrogr\u00e1fica\u201d, explica Carlos Souza J\u00fanior, pesquisador Imazon.<\/p><\/blockquote>\n<p>Conforme as pesquisas, o fluxo de \u00e1gua do Rio Xingu cair\u00e1 de 25% a 55%, reduzindo pela metade os esperados 11 GW de gera\u00e7\u00e3o pela usina de Belo Monte. J\u00e1 as hidrel\u00e9tricas de Jirau e Santo Ant\u00f4nio, em Rond\u00f4nia, produzir\u00e3o uma fra\u00e7\u00e3o dos menos de 4 GW projetados para cada barragem, apontam\u00a0<a href=\"http:\/\/amazonia.inesc.org.br\/materias\/obsoleto-o-modelo-de-grandes-hidreletricas-esta-no-fim-o-brasil-insistira-nele\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">informa\u00e7\u00f5es do Instituto de Estudos Socioecon\u00f4micos (INESC)<\/a>. Sem grandes reservat\u00f3rios, essas usinas operam basicamente com o fluxo natural dos rios.<\/p>\n<p>\u201cInfelizmente, as \u00faltimas hidrel\u00e9tricas (constru\u00eddas na Amaz\u00f4nia) n\u00e3o armazenam \u00e1gua de um ano para outro. Isso reduz o uso de fontes intermitentes e aumenta a op\u00e7\u00e3o por termel\u00e9tricas a g\u00e1s natural. Energias solar e e\u00f3lica precisam do complemento de \u2018fontes firmes\u2019, como usinas com grandes reservat\u00f3rios ou termel\u00e9tricas\u201d, explicou o secret\u00e1rio Reive Barros, do Minist\u00e9rio de Minas e Energia.<\/p>\n<p>Com 30 anos de pesquisas sobre clima, Carlos Nobre (68), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), lembra que secas e cheias na Amaz\u00f4nia s\u00e3o influenciadas pelas temperaturas dos oceanos Pac\u00edfico e Atl\u00e2ntico e por circula\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas de grande dimens\u00e3o e altitude. Segundo ele, a mudan\u00e7a do clima e o desmatamento j\u00e1 afetam o funcionamento deste sistema natural. E se nada for cumprido do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.mma.gov.br\/clima\/convencao-das-nacoes-unidas\/acordo-de-paris\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Acordo de Paris<\/a>, um novo clima poder\u00e1 se instalar na Amaz\u00f4nia nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9730\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Rio-tapaj\u00f3s.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"513\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Rio-tapaj\u00f3s.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Rio-tapaj\u00f3s-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Rio-tapaj\u00f3s-500x334.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Rio Tapaj\u00f3s, na regi\u00e3o da Terra Ind\u00edgena Sawr\u00e9 Muybu, do povo Munduruku, no Par\u00e1. Foto: Rog\u00e9rio Assis\/Greenpeace<\/em><\/p>\n<blockquote><p>\u201cGrandes secas aconteciam a cada 20 anos, mas desde 2005 recordes hist\u00f3ricos s\u00e3o quebrados na regi\u00e3o. A \u2018combina\u00e7\u00e3o perversa\u2019 de crise do clima e desmatamento pode aumentar a frequ\u00eancia de fen\u00f4menos extremos. Se o desmatamento passar de 20% a 25%, h\u00e1 dois ter\u00e7os de probabilidade de que um novo clima se instale na Amaz\u00f4nia. \u00c9 um risco que os pa\u00edses n\u00e3o deveriam aceitar\u201d, ressaltou Nobre, parte de v\u00e1rios relat\u00f3rios do Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p><\/blockquote>\n<p>Cerca de 18% da cobertura vegetal da Amaz\u00f4nia j\u00e1 foram eliminados, ou\u00a0<a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/cientistas-alertam-para-risco-de-bolsocalipse-na-amazonia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">mais de 750 mil quil\u00f4metros quadrados<\/a>. A \u00e1rea equivale ao tamanho do Chile. No entorno da megausina de Belo Monte, quase 1.800 quil\u00f4metros quadrados foram desmatados, em 5 anos. As perdas s\u00e3o 40% maiores do que o Imazon estimou para a regi\u00e3o sem a hidrel\u00e9trica.<\/p>\n<h3><strong>Grandes obras, grandes impactos<\/strong><\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9710\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Belo-Monte.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Belo-Monte.jpg 1024w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Belo-Monte-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Belo-Monte-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Belo-Monte-500x333.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<div id=\"attachment_20000\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><em>Imagem a\u00e9rea da constru\u00e7\u00e3o da Usina Hidrel\u00e9trica de Belo Monte, no Rio Xingu. Altamira, Par\u00e1. 30\/03\/2015. Foto: F\u00e1bio Nascimento\/Greenpeace.<\/em><\/p>\n<p>Mesmo que rios amaz\u00f4nicos sejam um \u201cprato cheio\u201d para novas hidrel\u00e9tricas, seis em cada dez gigawatts que poderiam ser gerados na regi\u00e3o afetariam \u00e1reas protegidas, como terras ind\u00edgenas e quilombolas, parques nacionais e outras reservas ambientais. Pelos impactos que provocariam na floresta e popula\u00e7\u00f5es nativas, a usina de S\u00e3o Luiz do Tapaj\u00f3s (PA) e <a href=\"https:\/\/economia.estadao.com.br\/noticias\/geral,indios-tem-oferta-de-r-49-6-mi-por-linhao,70002907866\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o linh\u00e3o de Manaus (MA) a Boa Vista (RR)<\/a>\u00a0est\u00e3o paralisados.<\/p>\n<\/div>\n<p>\u201cDe 30 GW a 40 GW poderiam ser explorados fora de \u00e1reas protegidas na Amaz\u00f4nia, mas o planejamento para novas usinas hidr\u00e1ulicas \u00e9 limitado porque o setor vive um dilema com licenciamentos, consultas a ind\u00edgenas e arranjos econ\u00f4micos cada vez mais complexos. Mas, as empresas est\u00e3o reagindo positivamente a esse cen\u00e1rio e diversificando seus investimentos, em outras regi\u00f5es e fontes de gera\u00e7\u00e3o\u201d, ressaltou o presidente do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.acendebrasil.com.br\/br\/info\/modelo-de-atuacao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Instituto Acende Brasil<\/a>, Cl\u00e1udio Sales.<\/p>\n<p>No Brasil, h\u00e1 quase 24.100 barragens, acumulando rejeitos da minera\u00e7\u00e3o ou \u00e1gua para gera\u00e7\u00e3o de energia, irriga\u00e7\u00e3o e outras atividades, mostra um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ana.gov.br\/noticias\/45-barragens-preocupam-orgaos-fiscalizadores-aponta-relatorio-de-seguranca-de-barragens-elaborado-pela-ana\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">levantamento da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA)<\/a>. Entre a d\u00e9cada de 1970 e 2012, a vida de um milh\u00e3o de pessoas foi afetada pela constru\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o dessas estruturas. Impactos de grandes usinas, como Belo Monte, no Par\u00e1, e Santo Ant\u00f4nio e Jirau, em Rond\u00f4nia, n\u00e3o pesam nas estat\u00edsticas pois foram constru\u00eddas nos anos seguintes.<\/p>\n<blockquote><p>\u201c<em>A situa\u00e7\u00e3o dos atingidos \u00e9 dram\u00e1tica. Planejamento e licenciamento ambiental das obras de infraestrutura n\u00e3o d\u00e3o conta dos impactos socioambientais cumulativos dos projetos, tratando popula\u00e7\u00f5es de forma desumana. Na Amaz\u00f4nia, a situa\u00e7\u00e3o se agrava, pela invisibilidade dos atingidos, aus\u00eancia do Estado e dist\u00e2ncia das obras entre os grandes centros<\/em>\u201d, disse Yuri Paulino, coordenador do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).<\/p><\/blockquote>\n<p>Nove em cada dez hidrel\u00e9tricas na Amaz\u00f4nia geram de at\u00e9 1 Megawatt a 30 Megawatts. Apesar do tamanho, impactos desse conjunto de hidrel\u00e9tricas podem estar sendo ignorados, afirmam\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S030142151930299X?via%3Dihub\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pesquisadores brasileiros e estrangeiros que analisaram<\/a>\u00a0um conjunto de hidrel\u00e9tricas no Rio Cupari (PA). Segundo eles, os efeitos colaterais associados de um grande n\u00famero de pequenas usinas amea\u00e7a a sa\u00fade da floresta e dos rios, a vida selvagem e de comunidades ind\u00edgenas e rurais.<\/p>\n<p>Conforme o governo, os impactos cumulativos provocados pela constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas foram avaliados para bacias de rios amaz\u00f4nicos como Tocantins, Teles Pires, Juruena, Jari e Aripuan\u00e3. Mas, as avalia\u00e7\u00f5es oficiais n\u00e3o descartam a constru\u00e7\u00e3o de usinas que provocar\u00e3o maiores impactos nas popula\u00e7\u00f5es e nos ambientes naturais e diretrizes importantes para a redu\u00e7\u00e3o desses preju\u00edzos s\u00e3o deixadas de lado no licenciamento e nas obras, disse Pedro Bara, pesquisador do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.energiaeambiente.org.br\/quem-somos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Instituto de Energia e Meio Ambiente<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cRejeitar a constru\u00e7\u00e3o de determinadas usinas faria sentido para uma an\u00e1lise de impactos cumulativos em bacias hidrogr\u00e1ficas, mas a metodologia da avalia\u00e7\u00e3o oficial \u00e9 fraca. O fecho do trabalho s\u00e3o diretrizes para o setor el\u00e9trico e recomenda\u00e7\u00f5es para outros setores, que podem ser cobradas no licenciamento. Ao mesmo tempo, diretrizes importantes n\u00e3o viram realidade, como para a redu\u00e7\u00e3o de impactos sobre peixes, onde a informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel \u00e9 pobre, em especial para esp\u00e9cies migrat\u00f3rias\u201d, alertou.<\/p>\n<p>Apesar dos preju\u00edzos sociais e ambientais provocados pelas hidrel\u00e9tricas, o doutor em F\u00edsica pela Universidade de S\u00e3o Paulo, Jos\u00e9 Goldemberg (91) afirma que, sem grandes usinas, a energia nuclear, o g\u00e1s natural ou o carv\u00e3o seriam as alternativas para abastecer o crescimento econ\u00f4mico e populacional brasileiros. Mas essas fontes trazem outros riscos e podem aumentar as emiss\u00f5es de gases que aquecem o planeta.<\/p>\n<blockquote><p>\u201c<em>Energia nuclear \u00e9 insegura e mais cara que as outras op\u00e7\u00f5es. Fontes e\u00f3lica e solar s\u00e3o intermitentes. Os impactos provocados pelas hidrel\u00e9tricas devem ser comparados com os benef\u00edcios que geram ao fornecer eletricidade limpa e barata. Propostas para que o Brasil invista menos em hidrel\u00e9tricas de grande porte n\u00e3o s\u00e3o realistas<\/em>\u201d, avaliou Goldemberg.<\/p><\/blockquote>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9713\" src=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/gr\u00e1fico-mercado-quente.jpg\" alt=\"\" width=\"1002\" height=\"650\" srcset=\"https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/gr\u00e1fico-mercado-quente.jpg 1002w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/gr\u00e1fico-mercado-quente-300x195.jpg 300w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/gr\u00e1fico-mercado-quente-768x498.jpg 768w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/gr\u00e1fico-mercado-quente-1000x650.jpg 1000w, https:\/\/www.raisg.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/gr\u00e1fico-mercado-quente-500x324.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 1002px) 100vw, 1002px\" \/><\/p>\n<p>O governo planeja investir pelo menos R$ 156 bilh\u00f5es em gera\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de energia no pa\u00eds, at\u00e9 2027. Desse pesado investimento, R$ 108 bilho\u0303es servir\u00e3o a linh\u00f5es e subesta\u00e7o\u0303es para transmissa\u0303o de eletricidade at\u00e9 os centros consumidores. Recursos p\u00fablicos s\u00e3o a principal fonte de financiamento desses cobi\u00e7ados projetos. Informa\u00e7\u00f5es oficiais revelam um emaranhado de empresas nacionais e estrangeiras envolvidas com as hidrel\u00e9tricas na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>O gigantesco e lucrativo neg\u00f3cio das grandes usinas envolve bancos como Bradesco, JP Morgan e Citibank, ambos dos Estados Unidos, Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) e Banco do Brasil, al\u00e9m de fundos de previd\u00eancia brasileiros e estrangeiros, como\u00a0<a href=\"https:\/\/conoceblackrock.projectpoder.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">a americana BlackRock<\/a>. A maior administradora de fundos do planeta tem bens econ\u00f4micos estimados em quase R$ 23 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Da constru\u00e7\u00e3o da megausina de Belo Monte, no Par\u00e1, participaram cerca de 70 empresas de 14 pa\u00edses, mostra balan\u00e7o do Greenpeace. A\u00a0<a href=\"https:\/\/storage.googleapis.com\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/relatorio_hidreletricas_na_amazonia.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">lista traz acionistas<\/a>\u00a0e construtoras, fabricantes de turbinas, geradores e outros equipamentos, companhias de seguro e resseguro, bancos e fundos de investimento e pens\u00e3o. Inicialmente or\u00e7ada em R$ 16 bilh\u00f5es, a obra chegou ao fim devorando R$ 32 bilh\u00f5es. Desse total, R$ 25 bilh\u00f5es (80%) foram custeados com recursos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Empresas e governos de pa\u00edses como China, Fran\u00e7a, B\u00e9lgica, Jap\u00e3o, Qatar, Estados Unidos, Holanda, It\u00e1lia e Noruega participam da constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas na floresta tropical. A\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ctgbr.com.br\/a-empresa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">China Three Gorges<\/a>\u00a0investiu nas usinas de Cachoeira Caldeir\u00e3o (AP), Santo Ant\u00f4nio do Jari (AP\/PA) e S\u00e3o Manoel (MT\/PA). A estatal chinesa det\u00e9m a maior usina e a maior produ\u00e7\u00e3o global de hidroeletricidade. J\u00e1 a Noruega tem a\u00e7\u00f5es da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.edp.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">EDP S\u00e3o Paulo<\/a>e das Centrais El\u00e9tricas Brasileiras (Eletrobr\u00e1s). O pa\u00eds \u00e9 o principal doador do\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/natureza\/noticia\/2019\/07\/04\/noruega-diz-que-nao-vai-endossar-mudancas-no-fundo-amazonia-que-prejudiquem-resultados-alemanha-vai-enviar-ministro.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fundo Amaz\u00f4nia<\/a>, iniciativa que, desde 2008, aplicou R$ 3,2 bilh\u00f5es na redu\u00e7\u00e3o do desmatamento.<\/p>\n<p>Os dados oficiais tamb\u00e9m mostram que a Eletrobras responde por 54% da gera\u00e7\u00e3o de energia a partir da Amaz\u00f4nia. Logo atr\u00e1s v\u00eam o bra\u00e7o de participa\u00e7\u00f5es do BNDES (BNDESpar), a franco-belga Engie, a Companhia Energ\u00e9tica de Minas Gerais e a espanhola Iberdrola(gr\u00e1fico acima). Tamb\u00e9m participam desse mercado as empresas e at\u00e9 membros das fam\u00edlias Odebrecht, Queiroz Galv\u00e3o, Camargo Corr\u00eaa e Andrade Gutierrez.<\/p>\n<p>Essas empreiteiras est\u00e3o envolvidas na Lava Jato, que investiga empres\u00e1rios e pol\u00edticos por fraudes em licita\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, lavagem de dinheiro e outros crimes em 49 pa\u00edses, na Europa, Am\u00e9ricas, \u00c1frica e \u00c1sia. A obra de Belo Monte movimentou cerca de R$ 140 milh\u00f5es em propinas, apontou a opera\u00e7\u00e3o. A Odebrecht usou subornos para abocanhar obras em 33 pa\u00edses, mostrou\u00a0<a href=\"https:\/\/www.icij.org\/investigations\/bribery-division\/bribery-division-what-is-odebrecht-who-is-involved\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">um levantamento do Cons\u00f3rcio Internacional de Jornalistas Investigativos<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cO esquema de propinas e conluios pol\u00edticos deixa evidente que as obras das hidrel\u00e9tricas s\u00e3o a fase mais rent\u00e1vel dos projetos e interessam muito \u00e0s empreiteiras\u201d, avaliou Alessandra Cardoso, assessora em Planejamento, Monitoramento e Avalia\u00e7\u00e3o do INESC.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/pt\/2019\/08\/portugues-amazonia-livre-das-grandes-hidreletricas\/\">https:\/\/infoamazonia.org\/pt\/2019\/08\/portugues-amazonia-livre-das-grandes-hidreletricas\/<\/a>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Construir barragens para produzir eletricidade \u00e9 uma pol\u00edtica p\u00fablica desde a Ditadura Militar (1964-1985) brasileira, mas o protagonismo das hidrel\u00e9tricas est\u00e1 perdendo posi\u00e7\u00f5es nos planos oficiais de gera\u00e7\u00e3o de energia. Ao mesmo tempo, aumentam o uso de fontes alternativas e de combust\u00edvel f\u00f3ssil. A pergunta que paira \u00e9 se, os impactos da crise do clima e do desmatamento sobre o regime de chuvas e os preju\u00edzos a popula\u00e7\u00f5es rurais e ind\u00edgenas finalmente colocam em xeque a constru\u00e7\u00e3o e a opera\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Informa\u00e7\u00f5es da Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (Aneel) mostram que h\u00e1 221 hidrel\u00e9tricas operando na Amaz\u00f4nia \u2013 27 de grande porte, 102 m\u00e9dias e pequenas e 92 microgeradoras. Outras 35 est\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o ou rumo \u00e0s obras. Na regi\u00e3o, h\u00e1 desde gigantes como Belo Monte, a terceira maior no mundo em capacidade para gera\u00e7\u00e3o de energia, a uma profus\u00e3o de pequenas usinas.<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":9733,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-9726","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-radar","category-1","description-off"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9726","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9726"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9726\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9751,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9726\/revisions\/9751"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9733"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9726"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9726"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.raisg.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9726"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}